Aposentadoria digna para o gênio global

O ESTADO TEM QUE ASSUMIR O GÊNIO.
PROJETO DE LEI JOÃO GILBERTO CONCESSÃO DE PENSÃO, ASSISTÊNCIA SOCIAL E MORADIA PARA JOÃO EM USUFRUTO CAPAZ DE GARANTIR VELHICE
DIGNA ÀQUELE QUE PROJETOU A ARTE BRASILEIRA MUNDO AFORA.

Tem coisas que, parece, só acontecem no Brasil.

Esse episódio que vive João Gilberto, 86 anos, um dos maiores talentos da música popular brasileira, pai da bossa nova, patrimônio mundial, reverenciado em toda a parte, é muito triste.

O cara está caindo na miséria total, depois de viver uma vida de glória, de muito trabalho, dedicação a sua arte, com obstinação extraordinária.

Brasil, brasileiro, caboclo inzoneiro, dedicou-se às coisas do seu país, com entrega total.

O Brasil vai deixa-lo cair como fez com Lima Barreto?

Como todo gênio, tem lá suas excentricidades, que incomodam os medíocres, mas, por outro lado, encantam, também, os que sabem que os que são talentosos, em excesso, como é o caso de João Gilberto, merecem compreensão, por que não, perdão?

Errou, é um chato, caprichoso, prepotente etc, diz a mediocridade ambulante, nesses tempos de intolerância e ódio fascistas.

Atire a primeira pedra quem nunca…

O dinheiro, para ele, serviu, apenas, enquanto podia gastá-lo, enquanto o possuiu, sem suntuosidade, pelo que se sabe, dada sua discrição cantada em verso e prosa.

Talvez imaginasse que nunca acabaria ou nem se preocupou com isso.

Sua praia era outra, a arte radical e bela.

A verdade é radical.

As coisas materiais tiveram valor menor do que a preocupação da beleza espiritual, artística.

Lembram de Dale Turner, em Round Midnight, vivido por Dexter Gordon, personagem misto de Charlie Parker, Mile Davis e Chet Baker?

Desligado do mundo exterior, voltado, apenas, ao mundo interior, musical.

Isso acontece de montão com os gênios.

João viveu como cigarra, cantando, não como as formigas, acumulando.

Agora, está sendo despejado, insultado, humilhado, o escambau.

As estórias, geralmente, são mal contadas.

A gente está vendo isso, com esse golpe fascista aí…

Olha o lance da criminalização generalizada dos políticos etc, graças a uma legislação eleitoral permissiva, abusiva.

Fica ao sabor dos juízes: uns se salvam, outros se fodem.

A democracia está indo para o brejo, com o STF criminalizando foro por prerrogativa de função, arma democrática contra ditadores, desde o século 17.

Olha como querem destruir o maior político brasileiro de todos os tempos, encarcerado em Curitiba.

Esse lance do tríplex….

Sem provas.

No caso do João, dizem que duas mulheres, nos últimos vinte anos, disputaram seu amor, seu dinheiro, sua fama.

Os filhos – como sempre acontece – cada um foi para seu lado, enquanto o cara batalhava dia e noite, como um mouro, apurando sua arte maravilhosa.

Depois, os rebentos, marmanjos, chegam atrás da herança.

Filho é presente de Deus, mas, também, do diabo, às vezes.

Os direitos autorais do artista, pelo que se noticia, alcançaram R$ 10 milhões(mixaria, não tem preço, esse cara!).

Foram adquiridos por um banco – o Opportunity –, do Daniel Dantas.

Vítima da agiotagem.

Banqueiro não tem alma.

Foram negociados como como garantia, para cobrir demanda com gravadora, em luta judicial em torno da monumental obra do artista.

Pegou a metade, a outra ficou no caixa do especulador.

Porém, como a capacidade dele de administrar essa grana era nenhuma, o negócio foi se deteriorando.

Ao lado do gênio distraído, concentrado, apenas, na sua arte, espertos e espertas, vivendo ao lado dele, meteram a mão.

Música, música, mulheres e uma maconhazinha, porque… é isso aí.

A dilapidação do patrimônio, pelos espertos, foi um crime.

Se os administradores/administradoras tivessem se preocupado em comprar uma casa ou apto para ele, pelo menos, hoje, estaria garantido, ou não, né.

Pelo visto, não.

Afinal, depois que vem a bancarrota, as dívidas acompanham, provocando devastações, multas, juros, mora, o cacete, além de penas judiciais, podendo até dar cadeia etc.

Há, dizem, demanda judicial, que rola há vinte anos ou mais.

Ele – ele, não, seus agentes, certamente – acionou gravadora que tentou passar-lhe para trás.

Esses capitalistas são, sempre, uns filhos da puta.

Mas, já viu, né, justiça, no Brasil: preterições, preterições, preterições, até chegar as prescrições etc e tal.

O gênio não se preocupa com essas coisas, não tem tempo para isso.

O som mágico invade seu cérebro e ele fica envolvido no negócio.

Dexter Gordon… assistam “Por volta da meia noite”, sensacional, direção de Bertrand Tavernier.

Tem a cena em que ele conversa com psiquiatra, apenas gesticula, the sound, the sound, the sound, invasão do cérebro, inquietude genial etc.

Não dá para ligar para dinheiro, pagamento de aluguel de apto, essas coisas mundanas etc.

Já os espertos…

Os que administram o dinheiro, que compram as drogas, que acertam os compromissos do gênio, falam por ele, inventam, mentem, armam ciladas…

Resultado: na desgraça, filhos e filhas, agora, não se entendem, acusam-se, mutuamente, rompem-se com as mulheres do gênio, estas brigam entre si e com os filhos dele, que tentam se aproximar, justiça entra na parada, a pedido das partes, mentiras, armações, o processo se estica e vira aquele angu, uma monstruosidade.

A estória é longa, dá para esticar, porque as versões se multiplicam, cada um acrescenta um parágrafo, encheria espaços e mais espaços, desdobrando-se ao sabor das línguas venenosas, maledicentes.

Estórias fantásticas, fantasmagóricas.

Mas, para além das controvérsias, apenas, cuidando do valor do gênio, do homem, do artista, que deu tudo de si para a arte brasileira, valeria ou não iniciativa, por alguma excelência por aí, de projeto de lei, para tramitar em regime de urgência, que garanta a um ancião genial brasileiro, afetado em sua sanidade, reconhecido, mundialmente, pela sua arte, final de vida com dignidade?

Proposição legislativa asseguraria a ele aposentadoria, moradia e assistência social em usufruto até final dos seus dias.

Do jeito que caminha a situação dramática dele, esse desfecho pode, talvez, não estar muito longe.

O cara está doente, maltrapilho, sem casa e sem plano de saúde, com os sanguessugas em cima, querendo tomar tudo.

Horrível.

Certamente, essa iniciativa é polêmica, vai levantar discussão, mas, com certeza, projetará quem a propor em nome do espírito humanitário.

Dará manchetes no Brasil e no mundo: o cara que emergiu na Era JK, época de ouro, da afirmação nacional, sucumbe-se, na miséria, na era neoliberal, do ilegítimo Temer etc.

Pode ser, até, que governo de outro país se sensibilize com a situação do João e faça o que deveria ser feito por alguém – esse governo de merda, por exemplo – que dignifique sua arte, nacional, internacional, planetária.

O cara é um patrimônio mundial.

Se isso acontecesse, seria uma vergonha nacional.

Tio Sam-Globo comanda guerra ao foro privilegiado para detonar democracia

A VOZ DE WASHINGTON
Merval Pereira, porta voz das Organizações Globo, laranja de Tio Sam, centra fogo, hoje, no foro privilegiado como se estivesse defendendo democracia, quando, na verdade, está detonando-a, para favorecer fragilização crescente do executivo e do legislativo, dependentes do voto popular, para favorecer judiciário. Emerge ditadura da toga, que prescinde das urnas, para agir, atuando em defesa dos interesses do capital contra o trabalho, adequando-se ao império, ao barrar candidatura Lula, rasgando Constituição.

Arma da burguesia

O foro privilegiado é, historicamente, arma da burguesia.

No século 17, os burgueses derrubaram o rei, ditadura monárquica, medieval, guerreira, imperialista, para levar adiante suas conquistas que produziriam o capitalismo comercial e industrial.

Derrotaram o rei e fortaleceram o parlamento.

O foro privilegiado nasce, portanto, para a burguesia ter direito de criticar o rei.

O poder legislativo, se não tiver foro privilegiado, como sobreviverá ao executivo imperial, o poder da caneta?

Destaque-se que o poder real, agora, está nas mãos da burguesia financeira, algoz das forças produtivas, do comércio e da indústria, sucateadas pelos juros altos especulativos, para acelerar concentração de capital, mais rapidamente do que o jogo da oferta e da procura, cheio de riscos.

O capitalismo financeiro, na agiotagem desbragada, no processo de sobreacumulação sem freios, virou grande inimigo do capitalismo produtivo, cujos representantes, no Legislativo, deixam os agiotas apavorados, pela desabrida crítica que formulam.

A agiotagem nacional e internacional não convive bem com os parlamentos.

Foro contra ditadura

A situação, agora, está pior do que no tempo da ditadura militar.

Os generais, durante a ditadura, não ousaram calar, totalmente, Ulisses Guimarães, do MDB, resistente aos ditadores, com seus discursos incendiários da tribuna.

Sua anticandidatura, em 1974, pelo país afora, alcançou 76 votos, contra 400 de Geisel, no colégio eleitoral, fazendo estrago moral fenomenal na ditadura militar.

A partir de então, os ditadores tiveram que mudar estratégia para ir adiante, flexibilizando o autoritarismo desmoralizado, popularmente.

A anticandidatura Ulisses nasceu e se sustentou, no Congresso, graças ao foro privilegiado, responsável por garantir voz à oposição contra os ditadores, apoiados, diga-se, pela Rede Globo.

Ulisses, ali, plantou semente das Diretas Já, que viria mais tarde, 1984.

Sem foro privilegiado, jamais diria o que disse, desabridamente.

Mutatis Mutantis, os golpistas de 2016, orientados por Washington, que, realmente, está dando as cartas, na economia e na política, agem pior que os ditadores, no poder, entre 1964 e 1984.

Querem, de novo, com ajuda da Globo, acabar com o foro privilegiado, para anular o legislativo e, também, o executivo, usando, para tanto, o judiciário, que não precisa de voto para exercitar sua função constitucional.

Ataque à democracia

Presidentes e parlamentares têm que ir à lula pelo voto popular.

Representam, no parlamento, as forças políticas expressas nas ruas de quatro em quatro anos.

Se não estiverem satisfeitas, as massas derrubam, no voto, aqueles que não merecerão mais a sua confiança etc.

No exercício de suas funções democráticas, no parlamento, os representantes eleitos conquistaram, historicamente, imunidade para as críticas que fazem na tribuna.

Sem esse foro privilegiado, garantido, constitucionalmente, ficam expostos às iras dos reis e dos juízes, essa é que é a verdade.

Acabar, como quer o poder midiático oligopolizado, braço do império, com o foro privilegiado e o transito em julgado, como se articula no STF, para rasgar a Constituição, é detonar a democracia.

Ah, dirão, os moralistas udenistas em geral, partícipes do golpe contra presidenta eleita por 54 milhões de votos, que o parlamento está cheio de corruptos.

Usam o foro privilegiado para praticarem corrupção e ficarem impunes.

Certamente, os corruptos existem e fazem das suas.

Mas, a arma eficaz contra eles, é a reforma política, a democratização do poder, uma nova constituinte.

Por meio dela, a população, fortalecida, politicamente, escreverá seus direitos ou os renovará, protegendo-os, por exemplo, contra golpe neoliberal de 2016.

Voz de Tio Sam

A Rede Globo e o jornal O Globo, sucursais de Washington, estão pregando, abertamente, o fim do foro e a prisão em segunda instância, como algo democrático.

Trata-se do oposto: significa rasgar Constituição.

Estabelece-se, dessa forma, ditadura judiciária, que já está destruindo o texto constitucional, para manter trancafiado, sem provas,  candidato favorito nas eleições, cuja vitória ameaçaria os estragos que os golpistas estão promovendo contra a população.

No campo econômico, detonam o estado, esvaziando-o, com argumento de que ele é a fonte primária da corrupção, que seria o principal problema nacional, e não a desigualdade social.

E no campo social, destroem direitos sociais, inscritos na Constituição com garantias de cláusulas pétreas.

O blá, blá, blá do editorial neoliberal do Globo, de hoje, é um libelo ultra-reacionário, tremendo desserviço(mais um) à democracia.

Vocaliza voz de Tio Sam favorável ao fechamento do Congresso e ao esmagamento do Executivo, os poderes republicanos dependentes, para sobreviverem, do voto popular, pelo judiciário, que independe de votos.

É a pura usurpação dos poderes pela turma da toga, monitorada pelo poder midiático oligopolizado, que prega moralidade udenista ideológica golpista.

Trata-se do velho jogo antidemocrático de Washington, para barrar, nas periferias capitalistas, os germes políticos democráticos, que fazem emergir os nacionalismos econômicos, incômodos ao império.

Globo culpa eleição pela economia em crise

Teoria do caos

Carlos Alberto Sardenberg, em comentário estapafúrdio, hoje, na Globo/CBN, diz que o clima eleitoral passou a perturbar, fortemente, a economia. com o PIB, completamente, broxa. Esperava-se crescimento de 1,5%, no trimestre terminado em janeiro. Veio só 0,99%, números preliminares do BC. Nos próximos meses, a situação continuará crítica. Não há viagra que dê jeito. A culpa da crise, agora, é a proximidade crescente da eleição. Democracia é o problema. Ela atrapalha as evidências de recuperação. Perturba. Não se sabe o que vai acontecer. Logo, a incerteza não contribui para ativar as forças produtivas.

Feito papagaio, repete Meirelles/Guardia, gênios neoliberais, porta vozes de Wall Street, que, como não se sabe o que vai acontecer, o pior pode vir por aí, depois das eleições, com os novos eleitos. Quem ganhar, e não será força oficial a faturar, porque as pesquisas reprovam o governo, vai mudar o que Meirelles/Guardia considera certo.

O positivo, na avaliação dos neoliberais, é continuar o que o povo está reprovando, o desemprego, o arrocho salarial, a fome, a paralisia produtiva, o PIB rastejando etc. Cortaram, por vinte anos, gastos que puxam a economia, como são os realizados pelos setores sociais, educação, saúde, segurança, infraestrutura etc. Eles são a renda disponível para o consumo.

Como o governo não joga dinheiro algum na circulação, não há o que os empresários pedem: demanda. É ela, agitada pelo gasto social, que puxa os preços, reduz salários, diminui juro e perdoa dívida contratada a prazo. Aí, sim, o empreendedor fica valente, vai ao investimento, vira animal, instinto total etc e tal. Não vai ser só redução de juro que vai animá-lo, tá na cara.

Saqueio golpista

Os caras deram o golpe, para saquear o país. O saqueio requer a paralisia econômica, para os ativos ficarem baratos. Importaram a narrativa de Tio Sam que o problema nacional número um é a corrupção e não a desigualdade social e que o ataque eficaz aos corruptos é diminuir o tamanho do estado, a gênese da corrupção.

Emagrecer o estado é combater corrupção, sopra Tio Sam, que não faz o que apregoa. Providência essencial: cortar os gastos não financeiros(setores sociais e produtivos); deixar solto, apenas, os gastos financeiros(juros da dívida pública), que já estão comendo quase 50% do Orçamento Geral da União(OGU), estimado, para esse anos, em R$ 3,5 trilhões. Não sobra nada para a economia real, tudo é dirigido para a economia virtual, especulativa.

O estado, portanto, fica sem recursos para capitalizar suas empresas. Descapitalizadas, não podem aguentar nem seus próprios custos. Melhor, então, vendê-las, o mais rápido possível. É o que estão, calculada e criminosamente, fazendo com Eletrobras e Petrobrás, construtoras históricas do desenvolvimentismo nacional. Estado em dieta total, por sua vez, não arrecada o suficiente para atender demandas sociais.

A arrecadação governamental requer irrigação de dinheiro com o qual se faz negócio, por meio do qual nascem os impostos, sem os quais, babau investimentos. Governo é tipo São Francisco de Assis. Tem que dar para receber. Cada R$ 1 que joga no mercado, arrecada R$ 0,40 de imposto. Melhor negócio do mundo.

Se ele não exercita essa função, claro, não ganha eleição. Congelar gastos. que promovem renda disponível para o consumo. é apostar na crise. Vive-se, com os golpistas, a partir de 2016, era economicamente glacial. Foi, claro, preciso interromper a democracia, para por em ação uma narrativa anticapitalista, colonial, subordinada ao imperialismo de Tio Sam. Feito isso, vai se entregando o patrimônio de forma acelerada.

Deflação e crise

A inflação, nesse ambiente, não sobe de jeito nenhum, porque a variável econômica independente do capitalismo, aumento da quantidade de dinheiro na circulação, foi anulada. Destrói-se o silogismo capitalista essencial: consumo, produção, distribuição, circulação, arrecadação e investimentos.  Sem consumidor, embora os juros caiam, os preços desabam, rumo à deflação, pior negócio para o capitalista.

Certamente, os eleitores estão putos com esse governo, que, naturalmente, fica inviável, eleitoralmente. Quanto mais vai se aproximando da eleição e mais se vai inviabilizando os candidatos da base governista, mais as tensões aumentam a crise política, que, assim, sinaliza mudança do modelo neoliberal fracassado, se for mantido processo democrático.

Por isso, Sardenberg, chororô, diz, agora,que o problema é a incerteza eleitoral. Os golpistas entraram num beco sem saída. Se ficar, o bicho pega, se correr, o bicho come. Cresce, por isso, as vozes agourentas favoráveis a suspender o calendário eleitoral. Se for mantido, quem fica cada vez mais viável, eleitoralmente, é aquele que eles encarceram em Curitiba, condenando-o sem provas, como o culpado maior da corrupção. Ora, se é ele que está bombando na pesquisa, a leitura correta, do ponto de vista popular, é que  o povo quer mais corrupção e não falsa moralidade, que está matando a economia por elevar, exponencialmente, as incertezas, quando mais aprofundam as malucas teses neoliberalizantes.

Sardenberg chororô diz que o mundo está vivendo uma bonanza, e mais uma vez o Brasil está perdendo o bonde da história. Mas, quem levou o país a essa situação, senão os golpistas que acreditaram que matando a  galinha dos ovos de ouro, o mercado e as empresas do governo, base do desenvolvimentismo econômico, iriam fortalecer e não enfraquecer a economia?

Sardenberg é  o discurso da Globo para barrar as eleições de modo a encaminhar a economia no rumo que Tio Sam quer, isto é, sucateamento total para o império nadar de braçada.

Só com ditadura se consegue essa façanha.

 

 

Fantástica miopia cultural do GDF: Clube do Choro barrado no Fórum Mundial das Águas

RECO DO BANDOLIM FRUSTRADO COM A MIOPIA CULTURA TOTAL DO GDF QUE NÃO DEIXOU O CLUBE DO CHORO SE APRESENTAR DURANTE O FORO MUNDIAL DAS ÁGUAS. INCRÍVEL! EM COMPENSAÇÃO OS GRANDES ARTISTAS FORAM CONVIDADOS A IREM A PARIS EXIBIREM SEUS TALENTOS AOS FRANCESES.

Viralatismo cultural incrível

Brasília foi palco do encontro mundial das águas. Importantíssimo. Os organizadores disseram que foi sucesso absoluto. Grande comparecimento, principalmente, dos jovens. A nova geração, mais do que a dos mais velhos, estava lá, em massa. Uma beleza. A guerra pela água é algo marcado para acontecer, nos próximos anos. As reservas aquíferas, em escala mundial, estão se esgotando. O Brasil é um manancial fantástico. Por isso, estão de olho nele. O general Villas Boas Correia, comandante do exército nacional, defendeu, recentemente, criação do Ministério da Amazônia. Segundo cálculos dele, baseado em estudos disponíveis, a Amazônia abriga reservas fantásticas, não, apenas, de água, mas de minérios de todos os tipos, riqueza calculada em 27 trilhões de dólares. Faz-se necessário e urgente esse ministério, para que a discussão se amplie. Afinal, os abutres, em todo o mundo, querem dar uma bicada na Amazônia. Alguns poderosos já estão fazendo isso, nas barbas do governo. O Brasil, dominado, agora, por uma camarilha de golpistas, que derrubaram presidenta eleita com 54 milhões de votos, corre perigo. Querem abocanhar tudo, enquanto o povo não acorda para o assalto que está sendo executado às pressas, com ajuda de um Congresso vendilhão da pátria, base política de um governo idem, comandados por sanguessugas do mercado financeiro etc. O aquífero guarani, um dos maiores do mundo, é alvo de interesse de grupos internacionais poderosos, como a Nestlé. Querem se apropriar da água nacional, patrimônio valioso, sem preço. Trata-se da vida humana e animal ameaçada. O público ouviu palestras e manifestações magnificas, nesse sentido, na capital, atentíssima ao que está acontecendo. Era, também, um momento de celebração cultural que não foi aproveitado pelas autoridades. Em Brasília, tem-se vivo um dos maiores patrimônios culturais do país, o Clube do Choro, que foi, literalmente, silenciado pelos organizadores do evento. Equipes internacionais, como a do Banco Mundial e do BID, antes de desembarcarem na capital, mandaram recado de que queriam conhecer essa preciosidade cultural, hoje, alvo de interesse mundial. Mas, o que aconteceu? Silenciaram o Clube do Choro. Na semana do megaevento, o GDF desconheceu o Clube, embora participantes demandassem espetáculos todos os dias, superinteressados. Os organizadores mandaram, simplesmente, fechar o Clube. Fantástica ignorância. Mais um exemplo do viralatismo cultural brasileiro, que não prestigia o que é nacional, na hora que o mundo quer ver e ouvir o que temos de mais ricos a apresentar: nossa música. Bola fora incrível do GDF.

Lula-Vargas: encontro do presente com o passado para construir o futuro do Brasil

GRANDE ENCONTRO EM SÃO BORJA
 “Abram alas que o Gegê vai passar,
Olha a evolução da História
Abram alas, prá Gegê desfilar
Na memória popular” 
Música “ Dr Getúlio”  de Chico Buarque e Edu Lobo

Não podia ser mais certeira a pontaria do samba Dr Getúlio, autoria de Chico Buarque e Edu Lobo. Foi repleta de significados a sincera homenagem que Lula fez ao ex-presidente Getúlio Vargas, diante de seu Mausoléu, obra projetada pelo genial arquiteto comunista Oscar Niemeyer, na Praça Central da cidade de São Borja, fronteira com a Argentina, durante a passagem da Caravana Sul. O noticiário tradicional foi escasso na informação, seja em razão da histórica antipatia dos barões da mídia por Getúlio, agora renovada em hostilidade ao ex-presidente Lula, sobretudo a partir cada vez mais notória identificação de projetos entre o getulismo e o lulismo.

Talvez esta identidade, vista com horror pela mídia golpista, razão pela qual nem a  registra, tenha escapado mesmo ao PT, que, desde o seu nascimento  apresentou uma injustificável hostilidade ao presidente gaúcho que foi o Fundador do Estado Social Brasileiro, como  reconhece, conscientemente, o ex-presidente nordestino.

Em torno do Mausoléu Getulio Vargas ocorria uma síntese da história brasileira, com várias mensagens, que bem pode  servir ao bom debate não apenas no PT, mas em todas as forças progressistas, do  qual se podem extrair lições e caminhos para o momento dramaticamente difícil que  a Nação Brasileira atravessa neste instante.

NO TÚMULO DE VARGAS.
Foto de Roberto Stucker

Não é nova a revisão histórica que Lula faz sobre a Era Vargas, aquela que privateiro Fernando Henrique Cardoso declarou que iria demolir. O serviço antinacional, não concluído pelo sociológico conservador da USP  –   único brasileiro a assinar o Consenso de Washington  –  está sendo terminado, agora, desgraçadamente, pelo ilegítimo Michel Temer, que tem mesmo toda pinta e conteúdo da República Velha, aquela que tratava a questão social como “caso de polícia”.

O golpe armado da oligarquia paulista em 1932, indevidamente apelidado de Revolução Constitucionalista, foi derrotado legalmente pelas armas pelo presidente Getúlio Vargas, quando dava início às reformas democráticas e transformadoras da Revolução de 1930, criando o voto secreto, o voto feminino, anulando a concessão para exploração de petróleo por transnacionais, realizando a Auditoria da Dívida Externa e fundando o Ministério do Trabalho, o chamado Ministério da Revolução, que logo edificou um grande elenco de direitos aos trabalhadores.

Aliás, anos atrás, Lula já havia declarado que a rebeldia das oligarquias paulistas não era revolução, mas sim uma contra-revolução. Sintonia com Getúlio já existia, registrando-se que durante aquele confronto armado, que durara cerca de 3 meses, o presidente gaúcho já andava com um revólver na cintura e tinha redigido um Manifesto a Nação no qual afirmara que “só morto deixaria o Palácio do Catete”. Ainda no primeiro governo, quando enfrentava a tentativa de golpe apelidada de Mensalão, Lula cria, por decreto presidencial, a Semana Getulio Vargas, em cuja exposição de motivos afirma que aquele teria sido o maior presidente do país. Palavras de Lula. Enfrentando o golpismo Mensalão, Lula declarou “não vou me suicidar, não vou renunciar, nem vou fugir do Brasil. Vou para São Bernardo defender nas ruas o mandato que o povo me deu pelo voto!”. As dramáticas sintonias políticas vão desfilando pela nossa história.

Mas, toda esta nobre e sincera revisão de Lula sobre Vargas não tem sido motivo, até o momento, para uma séria reflexão no interior do Partido dos Trabalhadores, que durante muito tempo hostilizou a CLT, indevidamente,  como se fora uma “Lei Fascista”, tal como foi propalado pela narrativa oligárquica, Na verdade,  trata-se de documento  elaborado pelo advogado socialista revolucionário cearense, Joaquim Pimenta, e enriquecido pela própria lavra de Getúlio, herdeiro do chamado proto-trabalhismo gaúcho, que chegou mesmo a anteceder o trabalhismo inglês, conforme pesquisa realizada pelo ex-governador Leonel Brizola, registrado no livro A Era Vargas, do jornalista José Augusto Ribeiro. O próprio Lula chegara a declarar que a CLT era “o AI-5 da classe trabalhadora”. Este tempo passou. O próprio José Augusto Ribeiro testemunhou quando Lula visitou o ex-deputado Neiva Moreira, getulista histórico, internado em um hospital paulista, e agradeceu por lhe ter  ajudado a entender a função histórica de Vargas.

1º DE MAIO
Estádio do Vasco

Durante o mais recente Congresso Nacional do PT, o dirigente Marco Aurélio Garcia, já falecido, em discurso estruturante, afirmara que a agremiação é fruto, também, “no nacional-desenvolvimentismo e do trabalhismo de Vargas e Jango”. Este debate deve continuar, ser sistematizado, organizado, agora com o forte estímulo dado pela emocionada homenagem de Lula a Vargas.

Os atos de hostilidades de ruralistas de São Borja à Caravana de Lula são lamentavelmente didáticos para explicar e dar ainda mais relevância á homenagem de Lula a Getúlio, Jango e Brizola. Com tratores e máquinas compradas com financiamentos à produção bastante estimulados durante os governos de Lula e Dilma, buscaram impedir a homenagem de dois ex-presidentes ao Museu Getúlio Vargas, onde está um exemplar do Diário Oficial com a sanção presidencial à CLT, de 1943, ainda no Estado Novo, num conturbado mundo em guerra. Lula pretendia, diante da peça histórica, selar compromisso de luta pela revogação da nefasta reforma trabalhista que leva o Brasil de volta à República Velha.

Um  desorientado sobrinho-neto de Getúlio, Viriato Vargas, presidente do Museu  –    que está instalado na própria casa onde o presidente gaúcho viveu com a família  –   imaginando defender a memória do tio-avô, cercou-se de ruralistas agressivos e desrespeitosos, inimigos do trabalhismo e de Vargas e, também, de seus continuadores trabalhistas históricos. O sobrinho-neto foi protagonista de um vergonhoso comportamento anti-democrático, impedindo uma homenagem e proibindo, na prática, que um museu público, sustentado por recursos públicos, pudesse ser visitado por dois ex-mandatários da Nação. Sua postura lamentável, presidente de uma instituição pública, afronta, também,  a grandeza do comportamento conciliador do ex-presidente Vargas: este, por duas vezes concedeu anistia a outro gaúcho, Luiz Carlos Prestes, a quem protegeu de fuzilamento, pretendido pela direita militar, ainda que tentasse derrubá-lo pelas armas, em 1935, numa ação de conseqüências imprevisíveis.

CONQUISTAS SOCIAIS

O comportamento de Viriato amesquinha-se diante da figura histórica de Getúlio e seu mau exemplo o seguirá como uma sombra. Ele nem de longe compreende a grandeza do gesto do próprio arquiteto Oscar Niemeyer, prestista, ao fazer a obra do Mausoléu, na forma de uma foice e martelo, onde repousam os restos morais do ex-presidente, mas encontra-se viva a Carta Testamento, com a qual Lula e Dilma dialogam, criativamente, assumindo compromisso de defendê-la, com se viu no emocionado canto do Hino Nacional, puxado pela voz rouca e coração ardente do nordestino. Era um Reencontro Histórico. Todos ali naquela praça ensolarada, diante do povo esperançoso. Presente o estadista Vargas que foi apoiado  até por Trotsky, um dos líderes da Revolução Russa. Presente o Lula com seu lenço vermelho maragato a la Brizola, que também marcava a homenagem ao ex-governador de dois estados.

Presente estava Jango, aquele  não pode voltar vivo do exílio, nem executar suas Reformas de Base, continuadoras da obra gigante iniciada por Getúlio. Nos discursos sinceros de Dilma, de Olívio e de Miguel Rosseto, nota-se esse tom de Reencontro Histórico das forças transformadoras do Brasil, sinalizando uma unidade indispensável para os desafios atuais de perseguição implacável e ilegal a Lula, tal como também ocorreu contra Getúlio. Percebendo este ódio, já em sua deposição em outubro de 1945, Vargas reage e se elege senador, em dezembro, com consagradora votação, o que lhe servira de escudo protetor, até voltar ao Catete, nos braços do povo, para dar continuidade à  industrialização do país e à consolidação dos direitos, iniciada no primeiro período.

O PETRÓLEO É NOSSO!

Este repórter estava presente no Museu Getúlio Vargas, cercado por uma barricada de ódio, e foi possível ouvir as ameaças raivosas e preconceituosas.  Uma senhora, ornamentada com jóias, gritava em tom desequilibrado “eu nasci num quartel, vivi sempre em quartel, e se precisar meu pai será interventor na cidade para impedir o comunismo”.  Diante de um rapaz simples, com camisa vermelha, que ainda arriscou dialogar, perguntando “Por que este ódio? Só por que Lula permitiu que um desdentado e pobre como eu entrasse na universidade?” , Pergunta imediatamente respondida por outra dama da sociedade, bem vestida,  com rispidez  : “Estudou, mas com o MEU dinheiro!, que eu pago de imposto“, como se pobres não pagassem impostos, aliás, proporcionalmente muito mais do que os ricos, ao comprarem uma caixinha de fósforo ou um pãozinho, sem chance para a sonegação, tão reluzente no caso dos mais ricos, como o gauchão Jorge Gerdau, um dos maiores devedores da Receita.

Esse ódio também se destinava a Getúlio, criador do salário mínimo,  dos direitos trabalhistas, da Petrobrás e da Eletrobrás, que estes manifestantes querem demolir totalmente. Só se lembraram de ir ao Museu para impedir a homenagem de Lula a Getúlio, num ato fascista de proibição de visita a uma instituição destinada ao público.  Era clara a mensagem das hostilidades dos ruralistas: boicotar o reencontro histórico entre Lula e Vargas! É importante que esta mensagem seja refletida no interior do PT e das forças progressistas, por meio de um debate que tenha o tom da grandeza de Vargas, Jango e Brizola, e da nobreza de Lula e Dilma nesta homenagem que representa o próprio Fio da História do Brasil, buscando superar os desafios que se renovam, para que o Brasil possa reencontrar sua caminhada de emancipação histórica., interrompida pelo golpe de 2016.

Dada a dramaticidade do momento político nacional, é muito significativo que Lula  recorde constantemente do exemplo de Tiradentes. Sendo hora de franqueza e de sinceridade históricas, Lula sabe que nenhum dos presidentes nacionalistas teve morte natural. Nem Vargas, nem Jango, nem JK, às vésperas de um sigiloso encontro com Ernesto Geisel, nem Tancredo Neves, aquele que, Ministro da Justiça de Getúlio, propusera ao gaúcho resistir com armas nas mãos, convocando o povo e a Vila Militar, num momento em que o Palácio do Catete já era sobrevoado por aviões da aeronáutica. Tancredo nunca foi perdoado. E os mesmos aviões, anos mais tarde,  ameaçaram bombardear o Palácio Piratini, quando a sagrada rebeldia de Leonel Brizola, comandou a Rede da Legalidade, com um microfone e uma metralhadora nas mãos,  e garantiu a posse de Jango.

A história vai juntando suas peças essenciais e vai traçando sua teia. Tal como Fidel Castro resgatou dialeticamente José Marti e Hugo Chávez recuperou historicamente a Simon Bolívar, o gesto de Lula vai recuperando o Fio da História, com Vargas, Jango e Brizola, cabendo às novas gerações a imprescindível construção da mais que sagrada unidade popular. Seja qual for a forma em que ela se materialize.

Pra finalizar, convido-os a ouvir o samba “Dr Getúlio”. Chico Buarque, em entrevista a este repórter, declarou bem humorado,“ Acho que fiz um samba comunista”.