“Roubolation” ou autofagia eleitoral

Categoria: (Cultura, Política) por Aylê Salassié em 10-03-2010

Pode pintar vale tudo na campanha eleitoral que está se iniciando em que a autofagia tende a representar o papel principal em cenário no qual valem não as idéias, capazes de promover os mais preparados para a condução política do povo como seu representante legítimo, mas o baixo nível como expressão geral do perfil político nacional regado a dinheiro e muita corrupção, com a leniência dos juízes que estão deixando correr solto as antecipações de campanha, demonstrando laxismo criminoso. Salve-se quem puder à vista.

Agora foi , de fato, para assustar. Começa o período eleitoral, supostamente mais criativo, de natureza, entretanto, mais virulenta. Com a impunidade que ronda a nossa justiça, pode-se imaginar que a campanha de 2010 corre o risco de desandar  para uma violência jamais pensada ou , quem sabe, praticada até então. “Meu ouvido não é penico” é muito pouco para o que se insinua como passível de acontecer.Acompanhei campanhas em estados, e senti arrepios com o que vi, por exemplo, no Pará , onde amigos de infância, companheiros, confidentes, correligionários, circunstancialmente colocados como candidatos  aos cargos estaduais  em oposição, invadiam a intimidade  do outro, revelando publicamente detalhes grotescos e até moralmente comprometedores.

Vi estampado em páginas inteiras de jornais  o nome e a imagem de muitos candidatos, pessoas respeitadas na comunidade, transformados em “filhos de puta”, “ladrões”, “corruptos”, “mau caráter”, “cornos”, “depositários de dinheiro na cueca, na meia, na mala” e, em alguns casos, chegou-se mesmo a atentados  e assassinatos. Provocaçoes nao faltavam em qualquer comício  público, com o sentido de gerar tumulto e agressões gratuitas, com o uso sistemático da polícia pelo partido de plantão no governo.

Em Brasília mesmo, capital da República, fiquei assustado com os pares elaborando uma cartilha religiosa clandestina ilustrada comparando  o candidato da oposição ao “Diabo”, e identificando-o, por meio da citação de fatos da vida cotidiana e privada do opositor,  pontuando a sua condiçao de mensageiro do caos e até   das “maldiçoes”  e previsões catástróficas do Apocalípse. Nostradamus era pinto .

Estamos no aproximando novamente do que está sendo chamado musicalmente de “Roubolation”, a volta por cima de candidatos com processos na Justiça, corpo a corpo, grandes shows, faixas e cartazes mal produzidos e afixados em postes, muros , paredes,  pontos de ônibus, cobrindo, inclusive, informações de interesse público.

Passamos também pelo rádio, veio a televisão e agora está aì a Internet. Uma solução sofisticada, mas também uma imprevisível ameaça  . Pelos dados disponíveis da Codeplan, mais de 30% da populaçao vai acompanhar a campanha pela internet : não precisará ouvir e nem falar. Ela virá silenciosa, matreira, maldosa e rasteira . Chegará  ao internauta na residência , no escritório, no trabalho , ou mesmo na rua, diretamente e em tempo real por meio do twitter e outros recursos eletrônicos que as novas tecnologias estão disponibilizando, invadindo privacidades, como se estivéssemos todos participando de um grande Big Brother, não o da Globo, mas o do George Orwell. As amostras do que tem circulado sobre os políticos e candidaturas  são de assustar. E, só estou escrevendo este texto porque entrou no meu lap top um spam, envolvendo o Presidente da República, com o  seguinte teor:

“Fiquem atentos nos próximos dias!”
“Não abram nenhuma mensagem e/ou arquivo que fale mal do Presidente com o nome ” BRASILEIRO IDIOTA”, independente de quem a enviou”.· A mensagem é um vírus “que ‘abre’ uma tocha olímpica que ‘queima’ todo o Disco rígido do computador”. Algo muito louco “Este vírus virá de uma pessoa conhecida que tem seu nome em sua Lista de endereços” . É preferível receber 25 vezes esta mensagem, continua o email,  do que receber o vírus e abrí-lo”. É o pior vírus anunciado pela CNN e classificado pela Microsoft como o mais destrutivo que já existiu . Ele foi descoberto ontem à tarde pela McKafee e não existe Anti-vírus para ele.· O vírus destrói o Sector Zero do Disco Rígido, onde as informações Vitais de seu funcionamento são guardadas”

Insinua-se com algo tecnologicamente devastador. Ë o que se poderia chamar de eleitor autofágico, de fazer inveja a criatividade de Mário de Andrade. O cidadão não vai ter a opção de recusar mensagens. Mais grave é o fato de que se um candidato  fizer esse tipo de ameaça , o outro vai tentar agir da mesma forma. Será a  guerra digital no “Roubolation”, agora  assaltando “computadores, corações e mentes”.Salve-se quem puder. O Tribunal Eleitoral tem se mostrado excessivamente  vacilante ao discutir as regras para a campanha política de 2010 via internet. Ora, se ainda não pensou adequadamente sobre isso, é hora de agir, e imediatamente. Não se pode entrar numa campanha e ficar a mercê dos spamers, hackers, trackers , “galáticos” e das novas tribos que podem se multiplicar por aí impunemente  à luz da campanha eleitoral.

*Professor de Jornalismo Político e Econômico da Universidade Católica de Brasília

Metamorfose legislativa evita intervenção

Categoria: (Cultura, Política) por Paulo Timm em 06-03-2010

O vigoroso parecer do deputado distrital Chico Leite, do PT, em favor da abertura do impeachment do governador José Roberto Arruda mudou o perfil da Câmara Legislativa da água para o vinho, sinalizando novo comportamento dos parlamentares, demonstrando virada de mesa da classe política em favor da moralidade política, de modo a evitar a intervenção, caso a Casa continuasse subordinada aos costumes deletérios da corrupção, compactuando-se com as práticas anti-republicanas adotadas pelo detonado ex-governador pelo Superior Tribunal de Justiça e mantido na cadeia pelo Supremo Tribunal Federal. Momento histórico.

Brasília foi inaugurada, com grande repercussão na mídia da época,  no dia 21 de abril de 1960, como vértice dos Anos Dourados e símbolo das esperanças nacionais na construção de um novo país, moderno e democrático. Terminava o Governo de JK naquele ano. Em ritmo frenético, em três anos e meio, o cerrado se abria para sua maior ferida urbana, pouco sentida num tempo em que o clamor pelo progresso era muito maior do que o lamento ambiental sufocado sob as lagartas dos tratores. A “Meta-Síntese” do Plano de Metas – na feliz expressão cunhada, supostamente, por Santiago Dantas, logo após o comício no interior de Goiás, no início da caminhada histórica de Juscelino rumo à Presidência, quando um popular , o “Toniquinho”, lhe encostou na parede indagando se iria cumprir a Constituição levando à cabo a transferência da Capital – estava consumada.

Quinta feira, dia 4 de março de 2010, faltando poucas semanas para o cinqüentenário da cidade, que já tangencia 2 milhões de habitantes, além de suas projeções metropolitanas,  Brasília volta , com grande intensidade, à mídia nacional, mas não para celebrar o orgulho dos brasileiros com seu feito marcante, transformado, pela UNESCO, em Patrimônio Cultural da Humanidade. Volta para enterrar o delírio cultivado por seu tresloucado Governador, José Roberto Arruda, também durante três anos. O “meio” (ano) , para equiparar-se ao tempo da construção da cidade, lhe será conferido para meditação atrás das grades… O Supremo Tribunal Federal decidiu negar-lhe o “habeas corpus”, enquanto a Câmara Legislativa aprovou por unanimidade dos presentes, por 19 a zero, a abertura de seu processo de “impeachment” Como disse o jovem  Alexandre a seu pai, Felipe da Macedônia, que tropeçara num pequeno banco, caindo ao solo, quando corria em sua direção para aplicar-lhe uma reprimenda por uma  pública malcriação: “ E ele queria conquistar o mundo…” . Curiosamente, estamos também hoje, no auge de um ciclo de euforia, com um Presidente da República em final de mandato, com mais de 70% de aprovação popular, graças, notadamente, à habilidade no manejo da economia, já moderna, numa conjuntura de grave crise internacional. Mas ninguém fala em “Meta-Síntese”, nem ninguém se importa com o feito “Brasília”, como símbolo do engenho e determinação do povo brasileiro. Já marcada como centro da endêmica corrupção dos costumes políticos no país, Brasília está, com e como o seu Governador, no pelourinho da des-graça, submetida ao crivo ácido de críticos mordazes. Um deles, Roberto Pompeu de Toledo,  colunista da Revista Veja, se compraz em crônicas depreciativas sobre a cidade que não conhece.  E no seu séquito multiplicam-se outros detratores. Não há jornal do país que não contemple, vez ou outra, um artigo ou editorial contra Brasília.  Nem mesmo o grande esforço da Beija-Flor na Sapucaí conseguiu recuperar a reputação da cidade, renovando-lhe a destinação como Capital da Esperança. A cidade parece condenada aos olhos da nação.Tanto quanto seu Governador.

Quem sobe aos píncaros das alturas se torna capaz das mais abjetas baixezas - essa pregação do ministro Carlos Ayres Britto expressou luminosamente a arrogância que tomou conta do governador Arruda, com seus sintomas de psicopata, para quem o outro significa apenas escada para ser utilizada em nome de propósitos obscuros. Com as coisas postas à luz da verdade, abre-se espaço para que o simbolismo que Brasilia sempre representou, isto é, a esperança, cumpra o seu mandamento, afastando o perigo do seu oposto, o medo e a vergonha.

Mas se esse é o olhar externo sobre a cidade, internamente, excitam-se e se exacerbam os ânimos como se fossem lanternas desencontradas na escuridão. A população parece estar divida entre os que desejam e os que lutam para impedir a Intervenção Federal, pedida pela Procuradoria Geral de República ao Supremo Tribunal Federal. Os intervencionistas alegam e apontam as metástases da máfia chefiada por Arruda.  A eles se associam os “desencantados” com a conquista da autonomia política da cidade, que levou, via Constituição de 1988, à eleição do Governador e dos representantes locais que compõe a Câmara Legislativa. Os não intervencionistas, mais cautelosos, o próprio PT local entre eles, através da palavra de dois de seus mais visíveis parlamentares , os deputados Cabo Patrício e Chico Leite, preferem a solução doméstica, menos traumática: A própria Câmara Legislativa elegeria, uma vez consumada a renúncia ou impeachment de Arruda – o que fica cada vez mais inevitável -, em pleito indireto, um Governador com mandato tampão até a posse do novo eleito, no dia 1º de janeiro de 2011.

Particularmente, acho o debate e a divisão sobre a Intervenção inoportuno e equivocado. Digo-o sem rodeios, pois fui o primeiro cronista, logo no início da crise, com a Operação Pandora, da Policia Federal, a clamar pela Intervenção e cheguei a escrever dois textos intitulados , justamente, “A Caminho da Intervenção – I e II”. Mas os fatos se sucederam. Veio a prisão de Arruda e seus mais próximos colaboradores, agora na Papuda. Paulo Octavio renunciou. A Câmara Legislativa pronunciou-se com severidade sobre a abertura do processo de cassação de Arruda. O Supremo decidiu pela sua permanência na cadeia. O esquema de sustentação do crime na grande mídia local, além dos 160 folhetins de qualidade discutível que eram mantidos a peso de ouro pelo GDF, desmoronou. Aliás, a Procuradoria já deveria ter entrado com Ação junto à Justiça determinando a suspensão de todo o tipo de publicidade do Governo local. A hora não é de propaganda, mas de reflexão. Ora, pois…

A Intervenção , ou melhor, sua “ameaça”, cumpriu seu papel, ao pairar como espada de Dâmocles sobre a cabeça dos políticos locais. Agora ela se converteu em apelação. Pensa-se que, através da Intervenção, soterrar-se-á a influência desses políticos no próximo pleito, abrindo caminho para a liquidação de  influência deles sobre a cidade.  Ledo engano. Não há razão técnica que se sobreponha à razão política, por pior que ela seja. O Interventor governará, em primeiro lugar, em obediência aos imperativos políticos da Presidência da Repúbica, leia-se PT, num ano de acirrada disputa eleitoral. Em segundo, governará com os aliados possíveis, capazes de engendrar um mínimo de consenso sobre suas ações. E esses aliados são os políticos locais, até bem pouco tempo atrás, aliados do Arruda:  Tadeu Filipelli, do PMDB, tão leal a Arruda que traiu descaradamente seu mentor , Joaquim Roriz, obrigado a se refugiar num pequeno Partido, como fez, aliás, em 1990; Augusto Carvalho, do PPS, a turma do Senador Cristovam Buarque, do PDT, o pessoal do Rollemberg , do PSB, e até da simpática Marina Silva, do PV.

Imagine se entre os altos propósitos muldimensionais da criação humana presentes nos espírios de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa aproximassem as desventuras dos pensamentos baixos de José Roberto Arruda, para conceber uma moralidade condenável como fator de administração de obras de artes voltadas ao encantamento humanista, sinalizando nova sociedade, novo tempo, nova dimensão humana! Impossível, não haveria espaço para o horrível diante da beleza!

Notícia do Correio Braziliense dá conta, a propósito, que todos eles já estão cinicamente reunidos e falando em “renovação”, com uma chapa própria encabeçada por um deles. Em muitos casos, também, acha-se que a Intervenção vai reinaugurar Brasília como cidade meramente adminsitrativa. Trata-se aqui da pior inspiração possível, pois não se reinaugura o que já está inaugurado há 50 anos e não se administram, sem critérios políticos, conflitos acumulados durante todo este tempo. Quem pensa assim não conheceu a Brasília dos Governadores nomeados, uma cidade sufocada em sua escala política sob os argumentos da tecnocracia ou dos mitos da grande  “arte” de Lucio Costa e Niemeyer. Embora transformado em chavão, nunca é demais lembrar que a democracia é o pior dos regimes, embora não se conheça outro melhor.

E, se estamos com problemas com a atual representação política da cidade, não será voltando atrás no seu passado autoritário que iremos melhorar a situação. Mas aprofundando cada vez mais a presença dos bons na vida pública, nos Partidos Políticos, nos amplos e variados movimentos e redes  que hoje caracterizam o advento de novos agentes sociais no cenário político. A renovação consiste em varrer da cidade a representação que aí está falando em renovação mas que nada fez para impedir a escalada da metástase arrudista no governo local. Alguém , por exemplo, já se perguntou de onde vieram os 14 votos que aprovaram o Plano Diretor, pouco tempo atrás, na Câmara  Legislativa e que teriam proporcionado, segundo denúncia, a cada deputado distrital R$ 400.000,00? Consiste, também, a renovação, na capacidade dos novos atores políticos para transformarem o acontecimento da prisão do Arruda , que consistiu na abertura de uma brecha no sistema político contaminado, para uma abertura do próprio pensamento sobre a cidade, sobre sua natureza específica, suas contradições, suas alternativas. Como diria Foucault : Estamos diante de novos “acontecimentos (…)que se constituem na “irrupção de uma singularidade única e aguda no lugar e no momento de sua produção” . Esta atualidade problematizada é uma “borda do tempo” que envolve nosso presente, que o domina, e que o indica como alteridade, isto é, como um entre diversos  caminhos.  Tal “problematização”, enfim, não é senão um modo de apropriação (deste) acontecimento através do questionamento de sua atualidade (e que) se constitui numa abertura do pensamento diante da abertura do acontecimento.

O pioneiro Ernesto Silva foi embora antes de ver o espetáculo da prisão do governador, mas teve tempo para perceber as manobras da bandidagem oficial a fim de levar a informação quente para JK, certamente, escandalizado com os acontecimentos e receoso de que seu nome familiar seja abastardado pelos interesses que se mesclam entre o governo e a classe empresarial na farra da corrupção brasiliense

Isso posto, proponho que se discutam três questões básicas que hoje envolvem a crise política da cidade e que estão a exigir urgente resposta:

1. Brasília: a cidade e a região – A experiência de Brasília consistiu na idéia de construir “uma cidade para uma região”. Isso acarretou a primazia do físico sobre o sócio-econômico. A tal ponto que se fala em “cidade planejada(!)” embora  não exista nenhum órgão na administração do GDF voltado à práxis do planejamento, em seu sentido amplo, tal como existe o IPARDES, no Paraná, a Fundação João Pinheiro , em Minas Gerais, a Fundação de Economia e Estatística, no Rio Grande do Sul, ou o IPEA, em escala nacional. A CODEPLAN, que operou precariamente com tal função, não só foi o epicentro da roubalheira do Arruda, através do seu Presidente Ex-Delegado Durval B ( A que ponto chegamos…! E ninguém reclamou…) está virtualmente desativada. O acervo de mapas e informações estatísticas, bem como Planos e Estudos sobre a cidade, perdidos em algum desvão da administração. Mas planejar o quê? O Plano Piloto, o DF, a Região Metropolitana? E como compatibilizar isto com os aspectos institucionais? Devemos incorporar o Entorno Metropolitano ao Distrito Federal, criar o Estado do Planalto Central? Retomar, com o apoio do Governo Federal e a malfadada invenção combinada de Arruda-Augusto Carvalho , a Região Integrada de Desenvolvimento do Entorno – RIDE ( Sim, Ride Palhaços…!, como na famosa peça do mesmo nome), a questão da consolidação da escala regional da cidade?

2. Brasilia : Civis x Urbs – Brasília , desde o plano que deu origem, tem uma função simbólica como capital da República, através do exercício de sua função como capital da República, e outra estritamente comunitária, que lhe deveria dar apenas sustentação funcional, mas que se agigantou, tanto pelo crescimento da população , como, também, pela conquista da autonomia política. Como restabelecer esse equilíbrio com um mínimo de prejuízos. Por muito tempo pensava-se que bastava estancar a oferta de terras públicas , enquanto programas bizarros como o “Retorno com Cidadania”, que consistia em  dar um banho nos pobres chegantes do Nordeste, ainda na Rodoviária , oferecendo-lhe um troco para voltar para os confins do sertão, onde se encheria de filhos, doenças e ignorância, afim de evitar o “inchaço” da cidade. Isso em plena Nova República, sob o reinado de Zé Aparecido no Buriti (Depois não sabem porque ele , de tão odiado, foi substituído por Roriz em 1988…) . Mas que fazer, agora? Só nos resta administrar politicamente o que aí está, com um mínimo de bom senso, o que não significa a mudança filosófica para um mundo novo de que nos falava Gramsci…

3. Distrito Federal x Estado : A permanência do invólucro institucional Distrito Federal combinada com a realidade proposta pela Constituição de 88, de plena autonomia política, sem qualquer condicionante que salvaguardasse o caráter simbólico da cidade com capital federal e Patrimônio Cultural da Humanidade, está a exigir uma profunda reflexão. Distrito Federal é uma herança doutrinária da experiência americana que consistiu em vazar uma parte do território nacional de qualquer substância federativa com o objetivo de assegurar ali, a primazia dos interesses nacionais envolvidos na condição  capital. Rigorosamente, o Distrito Federal, a conservar tal institucionalidade, deveria abrir mão de sua representação política no Senado, que é o lugar de afirmação dos Estados Federados. Então, se não é Estado Federado, lá não deveria ter voto. Quando muito, voz, como no caso americano. Seria o caso, então, de transformar definitivamente o  DF em Estado? Exigir que o Plano Diretor, como peça de salvaguarda da condição-capital-Patrimônio da Humanidade fosse aprovador por uma das casas do Congresso Nacional? E quais as implicações dessa mudança? As cidades administrativas se transformariam em Municípios, o Orçamento do Governo do DF ficaria restrito, apenas, às transferências vinculadas e arrecadação de impostos de competência exclusivamente estaduais, o Fundo Constitucional que mantém Saúde, Segurança e Educação poderia cair. Tudo isto, enfim, deve ser sopesado. E não será um Interventor a fazê-lo. Mas nós, brasilienses, em pleno gôzo de nossa capacidade como sujeitos éticamente construídos e esteticamente sensibilizados para fazê-lo.

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Paulo Timm , 65 – Economista, Pós Graduado pela ESCOLATINA, Universidade do Chile, Ex Presidente do Conselho de Economia DF, Ex Diretor Técnico da CODEPLAN – 1991-92, Secretário do Meio Ambiente 1993

Espetáculo ditatorial pré-eleitoral

Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 05-03-2010

As cúpulas partidárias manobristas bloqueiam a oxigenação político partidária no Brasil ao se posicionarem contra as prévias eleitorais que eliminariam os vícios de origem do processo eleitoral tunipiquim, alçando-o ao patamar das nações desenvolvidas, para deixarem como herança evolucionismo dialético. Evoluiram muito pouco em relação ao tempo da eleição a bico de pena.

No momento em que começa a esquentar a campanha presidencial, todos os partidos fogem da democracia político-partidária pré-eleitoral por intermédio das escolhas prévias dos candidatos pela comunidade políticamente organizada. A última determinação dentro do PT, por exemplo, é essa. Não há inocentes. O cultivo do vício é geral entre os partidos. Não estão acostumados com a democracia pré-eleitoral. As escolhas prévias não se dão democraticamente, mas pela ação ditatorial de coronéis  da política que mandam nos partidos, fazendo escolhas de cima para baixo e não o contrário, de baixo para cima. Contamina-se, dessa forma, todo o processo político eleitoral, lançando as bases da corrupção político partidária.  As ordens partem das cúpulas. Já pode ser considerado famoso o divórcio em 2010, por falta de prévias eleitorais, dos governadores de Minas, Aécio Neves, e de São Paulo, José Serra, porque não se entenderam sobre o modo democrático de escolha dos tucanos para disputar a presidência da República. O racha se acentuou e o famoso café-com-leite do PSDB não pode ser construído, pelo menos até agora, como evidenciou a resistência do titular do Palácio da Liberdade, essa semana em que Tancredo Neves, seu avô, completaria centenário de nascimento.

Como se verifica entre os tucanos, configurando lei geral, os rachas acontecem quando o império se desentende por dentro, desmoronando-se. A candidatura Serra é um ensaio de desmoronamento por dentro por ausência de democracia partidária. A democracia está cobrando seu preço por não estar sendo exercitada no interior dos partidos onde fluem os antagonismos sociais.  Os resistentes aos processos democráticos internos para se escolher melhor nome, para além das manipulações das cúpulas, estão por todos os lados. Dentro da aliança governista é fato corrente. A ordem dentro do PT, agora sob nova direção, do ex-senador e ex-presidente da Petrobrás, Eduardo Dutra, é evitar a disputa democrática por intermédio de prévias e buscar o consenso. A educação democrática é descartada, como processo de evolução política nacional. A palavra de ordem é buscar a qualquer custo acertos consensuais à revelia dos interesses comunitários aos quais as falsas lideranças dizem representar. O modo de agir das cúpulas petistas visa engordar, a partir de ordens de cima para baixo, a candidatura Dilma Rousseff.


Cúpulas invertem prioridades


As cúpulas fogem da oxigenação partidária porque se alimentassem ela poderiam desaparecer do mapa, já que suas existências estão ligadas não à democratização dos partidos, mas a transformação deles em armazéns de negócios por meio dos quais são negociadas a anti-democracia partidária, que mantém o país no eterno atraso político da governabilidade provisória.

As bases regionais, nesse sentido, não podem exercer o contraditório, lei natural da política, como fator de evolução democrática dos povos. Assim, em vários estados, como Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo etc, o impulso democrático da disputa é negado como evolução, para dar lugar à involução, que considera aquela um insulto. As prévias, que se constituem na arma da comunidade, para, através das agremiações partidárias, escolher os melhores representantes comunitários, de acordo com o princípio maior de que o poder popular está nos municípios, nas bases primárias da organização política, transformam-se em fantasma dos quais as cúpulas partidárias anti-democráticas fogem , desesperadamente. O vício antidemocrático, representado pelo repúdio às prévias, em favor da busca de consenso que representa, quase sempre, interesses contrários aos da comunidade, que repudia os costumes dos coronéis eletrônicos da política, ditadores das máquinas partidárias, constitui a mãe de todas as corrupções. O consenso, manipulado por pesquisas de credibilidade duvidosa, acaba se transformando em bloqueio às pressões, que são substituídas pelos interesses de grupos aliados, invariavelmente, pelo poder do dinheiro e das articulações, planejadas para perpetrar interesses, se mantidos no poder.

O maior partido do país, o PMDB, da mesma forma que o PSDB e o PT, dá mostra explícita de negação dos interesses das bases partidárias. Os defensores da disputa interna dentro do partido falaram alto na última reunião nacional dos peemedebistas. A pregação das prévias ecoou forte, mas a cúpula manobrou e evitou que o histórico PMDB, mais uma vez, compareça à eleição presidencial com candidato próprio a presidente. Vai, assim, ser formada possível chapa governista não escolhida em prévias eleitorais democráticas. De um lado, no dedaço, ao largo da discussão dentro do PT, o presidente Lula escolheu sua candidata, a ministra Dilma Rousseff; de outro, seu maior aliado, o PMDB, do mesmo modo, caminha para indicar um vice, possivelmente, o  deputado Michel Temer, presidente da Câmara, sem escolha prévia partidária. Ao mesmo tempo em que o repúdio às prévias partidárias se intensifica a partir dos comandos partidários coronelistas, no Congresso, todos os partidos se articulam para que não seja votado projeto de lei de origem popular, com quase dois milhões de assinaturas, colhidas em todo Pais, que proíbe participação, nas eleições, de candidatos fichas sujas, cujas origens se assentam no modo invertido, viciado, antidemocrático, de se fazer política no Brasil, isto é, sem a participação popular no âmbito partidário.

A inversão, por sua vez, constitui a raiz da corrupção e da conivência com legislação eleitoral laxista que desregulamenta objetivamente o poder do dinheiro para as campanhas eleitorais. As máquinas partidárias, construídas por pensamentos de cúpula, arredios à oxigenação partidária por meio de prévias eleitorais, que dão voz à comunidade, transformam-se, nesse contexto de inversão de prioridades, em balcões de negócio. Quem der mais leva o direito de ser candidato. Em vez de oxigenação, tal processo promove a intoxicação político-eleitoral.


Novo horizonte argentino


A realização das prévias eleitorais no dia 4 de agosto de todo o ano eleitoral de forma obrigatoria entre os partidos para escolha dos seus candidatos às eleições presidenciais e proporcionais por meio de filiados e não filiados das agremiações representa garantia de oxigenação democrática e fim do domínio das cúpulas antidemocráticas que freiam a evolução dos costumes políticos na periferia capitalista.

Os partidos deixam de constituir-se em sua essência, ou seja, condutos pelos quais circulam os antagonismos sociais, para se transformarem em moeda de troca que abomina o contraditório democrático. Como predomina, no Congresso, o poder do mercado financeiro, que impôs à Nova República a governabilidade por meio de MPs – medidas provisórias – , a escolha democrático partidária se transforma em incômodo, em problema em vez de solução.

O grande escândalo político que se desenrola no Distrito Federal, com a prisão do governador e a renúncia do vice, estando a sociedade sob perigo de intervenção pelo Supremo Tribunal Federal, é a expressão acabada da deterioração geral dos partidos políticos no ambiente em que inexiste a renovação partidária por intermédio das prévias eleitorais, que mobilizam a comunidade políticamente organizada. Nesse sentido, a grande evolução, na América do Sul, nos últimos tempos, expressa-se na reforma política e eleitoral ocorrida na Argentina, no final do ano passado. O Congresso aprovou lei eleitoral em que a base da renovação política se dá por intermédio da comunidade que comparece em todo o dia 4 do mês de agosto de ano eleitoral para escolher, simultaneamente, os candidatos dos partidos em prévias eleitorais obrigatórias. As escolhas são realizadas tanto pelos filiados como pelos não filiados dos partidos, de modo que se pode votar em prévias dos diversos partidos, como direito comunitário na escolha dos candidatos que irão às disputas majoritárias e proporcionais. Por esse processo, os e as candidatas escolhidas já saem com as fichas limpas, porque, evidentemente, os fichas sujas não passarão pelo crivo das prévias.

Os presidentes do Senado e da Câmara, senador José Sarney e deputado Michel Temer, respectivamente, fugiram como o diabo da cruz desses assuntos nos últimos tempos, como dirigentes do PMDB. Do mesmo modo, a presidência da República fez corpo mole nas discussões parciais sobre reforma política. Não evoluíram, simplesmente, porque seria necessário encarar o câncer político que impede as reformas políticas, ou seja, o financiamento de campanha bancado pelos caixas dois eleitorais. Enquanto na reforma político eleitoral argentina torna-se obrigatória  verba pública orçamentária para financiar as campanhas, eliminando, com as prévias, os caixas dois, no Brasil vigora o laxismo criminoso em face da predominância dos interesses de cúpula que resistem à oxigenação político eleitoral que as prévias necessariamente representariam como evolução dos costumes políticos nacionais.

Serra ressuscita Lulécio para bombar Dilmécio

Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 04-03-2010

Lulécio - Lula + Aécio - pode estar por trás da jogada político eleitoral do governador mineiro em resistir à parceira com o governador José Serra, que rechaçou as prévias eleitorais dentro do PSDB, afastando Minas de São Paulo. Poderia pintar o mesmo jogo de Aécio no segundo turno da eleição de 2006 em que apoiou Lula e rifou Alckmim? Quem sabe não está em curso um jogo Lula-Aécio para 2014? Tancredo seria o espírito que está soprando algo nesses dias em que se completa centenário dele?

A impossibilidade da formação de uma chapa puro-sangue Serra-Aécio ou Aécio-Serra, para viabilizar o tucanato,  decorre da ausência total de democracia no processo eleitoral brasileiro na escolha dos candidatos partidários para as disputas presidenciais. O Brasil, nesse ponto, teria que aprender com a Argentina, onde essa questão foi, brilhantemente, superada pela presidente Cristina Kirchner ao final do ano passado, mediante reforma avançada. Se os tucanos tivessem realizado prévias eleitorais para escolha do seu candidato, base da reforma portenha, toda a angústia que se verifica, no momento, não existiria.

O governador de São Paulo, José Serra, resistiu, tenazmente, à proposta do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, nesse sentido. Ambos teriam percorrido o país de ponta a ponta na preparação da escolha, movimentariam as bases tucanas em todo o território nacional, teriam oportunidade de apresentar suas idéias, elaborariam, nesse processo, as linhas básicas de programa governamental, discutiriam a questão com a sociedade, a mídia , certamente, daria grande cobertura ao assunto etc e, consequentemente, emergiria aquela força energética decorrente da paixão político eleitoral vibrante na escolha político-partidária. Se desse Aécio, a chapa seria Aécio-Serra; se desse Serra, Serra-Aécio, conforme o desejo dos eleitores. Mas, não. Serra, demonstrando autoritarismo, não topou a parada. O ex-presidente FHC anteviu o impasse, pregou as prévias, mas não conseguiu emplacar proposta renovadora democrática dentro do tucanato.

Serra estaria com muito mais confiança, agora, para enfrentar Dilma Rousseff, se tivesse saído escolhido de prévias eleitorais, que atrairiam o apoio de Aécio a sua candidatura. Como quis impor seu nome, está deixando de somar, para dividir. Divididos São Paulo e Minas, o tucanato dança, porque não tem nome no Nordeste para rivalizar com Lula. Serra paga o preço de querer o todo para si e não perceber o outro em si mesmo.

O governador mineiro sentiu o poder paulista querendo se afirmar a ferro e fogo a partir do Palácio dos Bandeirantes e o assunto criou animosidade entre os dois líderes tucanos. Os mineiros, que se sentiram desrespeitados, prepararam o discurso de Minas, ou seja, silêncio e resistência. Os paulistas excitaram-se extraordinariamente.

Os mineiros, por sua vez, sentiram seus brios afetados. Dispuseram-se à ruptura, como aconteceu em 1930, diante da insistência paulista em continuar ocupando a presidência da República, rompendo com pacto histório. O café-com-leite não se configurou. Virou água com azeite. Por que teria que configurar-se diante de posições rígidas a união Minas-São Paulo, no momento em que os paulistas, sob Serra, tentam impor seu jogo no peito e na raça? Deu no que deu.

O problema é que se o café não misturar com o leite, dificilmente, os tucanos paulistas chegam ao Palácio do Planalto. O que farão os tucanos mineiros aborrecidos com o autoritarismo bandeirante?  O viés anti-democrático não se verifica, apenas, entre os tucanos.

Pode pintar defecções, como aconteceu na eleição passada, quando os tucanos mineiros abandonaram os tucanos paulistas e apoiaram Lula. Aécio pode fazer isso? Por que não, se aprendeu a desconfiar da arrogância serrista, que negou a Minas o direito das prévias eleitorais? Serra dançou ali, e pode pagar o alto preço. Aécio cuidaria da candidatura de Anastasia, igualmente, escolhido no dedaço, sem prévias, confirmando o anti-democratismo geral, ao Palácio da Liberdade. Deixaria o terreno aberto para Dilma, de leve. Ou seja, a ausência de prévias eleitorais em vez de unir rachou os tucanos. É a expressão anti-democrática explícita do processo eleitoral brasileiro.


Vicio anti-democrático


O Senador Eduardo Suplicy paga alto preço por ter insistido em disputar prévias eleitorais dentro do PT, desafiando o candidato Lula que viria a ser presidente. Violou o espírito coronelista que toma conta das cúpulas partidárias no Brasil, ainda não evoluídas para um processo político que respeita a escolha popular no interior dos partidos, como passa a acontecer na Argentina, depois da reforma eleitoral aprovada pelo Congresso no Governo Cristina Kirchner. Sem prévias, não há candidatos com suficiente credibilidade. Por meio delas, obtém-se os verdadeiros candidatos fichas limpas obtidas no processo de escolha comunitária. Serra está dançando por isso. É o preço cobrado pela democracia.

Dentro do PT rola a mesma coisa. A tentativa do senador Eduardo Suplicy encontra o mesmo autoritarismo petista pela frente na sua tentativa de introduzir práticas democráticas nas escolhas prévias. O senador paulista, um dos mais importantes políticos do país, conseguiu levantar a ira de toda a petelhada, quando, em 2002, decidiu disputar as prévias para a escolha da presidência da República com o presidente Lula. O líder metalúrgico se sentiu agredido e desde então Suplicy é tido como ovelha negra na família petista. Ousou enfrentar Deus, o onipotente Lula. As cabeças coronelistas das cúpulas partidárias estão assentadas em todos os partidos. Agora, o senador paulista tenta, novamente, lançar seu nome nas prévias, para disputar a sucessão de José Serra. De novo, a mesma resistência se levanta. É como se representasse um gesto autoritário e não democrático tal tentativa.

Os líderes do PT em São Paulo se movem de todas as formas para impedir o propósito suplicista. A democracia brasileira é pura fachada. A Constituição é amplamente divulgada e respeitada, em sua aparência, mas em sua essência é jogo de palavras. Os candidatos não seguem as regras do compromisso democrático. A começar pelo presidente da República. Escolheu sua candidata à revelia do partido e os petistas tiveram que engolir. O presidente Lula demonstra formalmente sua filiação aos preceitos democráticos, mas não segue a prática, quando diz respeito à candidata que tentará emplacar. Os modos de escolha são na base do dedaço. E quem ousou contrariar é jogado às feras, como ocorre com Suplicy.

Lula o isola, completamente, mesmo sabendo que o grande triunfo político do governo tem suas raízes, também, na luta de Suplicy para garantir renda mínima aos miseráveis, o que não deixa de representar uma variação do Programa Bolsa Família. Nunca, dentro do Palácio, o presidente Lula jogou para cima o feito político estratégico de Suplicy como contribuição do partido às políticas sociais no país. O titular do Planalto não gosta de dividir com o outro o prestígio dele. A frieza petista à nova investida supliciana é manifestação de espírito anti-democrático partidário, concernente ao comportamento dos demais partidos em matéria de democracia eleitoral.

O PMDB é outro poço eterno de anti-democracia, embora o espírito democrático peemedebista furado seja cantado em prosa e verso. Não se dignaram os comandantes do PMDB a batalhar a democratização partidária pela promoção das prévias. Escolhe-se de cima para baixo os caciques e o resto tem que engolir. O governador nacionalista do Paraná, Roberto Requião, defende as prévias. Mas, por ser, justamente, pregador da democracia partidária, recebe o esfriamento político peemedebistas necessário.


Coronelismo eletrônico ditatorial


A pregação das prévias eleitorais ecoou no último congresso nacional do PMDB, mas as lideranças taparam os ouvidos olimpicamente, para alinhar ao partido à vice-presidencia da República, enquanto capava a formação de lideranças peemedebistas nacionais, que ambicionam disputar democraticamente a presidência da República, como o governador Roberto Requião

A proposta requiana, a exemplo da de Suplicy,  é vista como um insulto.

Os democratas, idem. É tudo acerto de cúpula, jogada de coronéis eletrônicos. Tudo se subordina a uma armação anti-democrática. O presidente Lula escolhe ditatorialmente sua candidata e acerta com os líderes dos partidos da coalizão governamental o palanque no cenário político eleitoral nos 27 estados da federação.

Não se tem nenhum estímulo à democratização político partidária. Em Minas Gerais, por exemplo, o ministro Patrus Ananias, do PT, propõe prévias eleitorais dentro do partido, porque deseja ser candidato, mas a cúpula é contra, para que haja acerto prévio, a fim de armar a coligação entre PT-PMDB, dispondo os peemedebistas da cabeça de chapa com o ministro Hélio Costa, tendo como vice o petista Virgilio Guimarães.

E os eleitores , na comunidade, que, na democracia verdadeira, escolheriam os candidatos para a disputa, como é que ficam?

Na Argentina, Cristina Kirchner conseguiu aprovar no Congresso a reforma que daria exemplo ao Brasil. A cada agosto de ano eleitoral, os partidos vão aos urnas, simultaneamente, para escolha dos seus representantes, com o detalhe de que eleitores e eleitoras com ou sem filiação partidária possam comparecer às prévias de um ou vários partidos, para influir, democraticamente.


Divórcio São Paulo-Minas


Os petistas dão as costas a um a liderança autência do PT que deseja disputar as prévias, porque precisam atender os acertos de cúpula entre o presidente Lula e a coalizão partidária, para favorecer o PMDB nas Gerais em nome do interesse maior que é eleger Dilma. Mas, e os eleitores que desejam as prévias, não são consultados?

Ou seja, o candidato sai das prévias para a disputa nacional devidamente avalizado, com ficha limpa.

Essa prática, no Brasil, no contexto em que as cúpulas coronelísticas eletrônicas determinam os resultados a partir das cartas puxadas do bolso dos coletes, significa sonho de noite de verão.

Em vez de a oxigenação democrática vir de baixo para cima, influenciando as decisões em escala crescente, como é o caso do processo eleitoral, nos Estados Unidos, em que o espetáculo das prévias eleitorais conduzem o sentimento popular ao qual as cúpulas se rendem, nas terras tupiniquins ocorre o oposto, as ordem vêm de cima para baixo, em escala decrescente. Não há democracia efetiva, apenas, formal, sem carimbo popular vibrante.

O governador José Serra é um exemplo acabado de resistência à democracia partidária. Como não emergiu como fruto da vibração político partidária tucana , obtida em prévias que promovem a emulação eleitoral irresistível, cuida de atrasar o anúncio da própria candidatura, pois encontra ela parcialmente queimada em Minas Gerais.

Cuidou, o tempo todo, de não abrir mão da cabeça de chapa, recusando a escolha pré-eleitoral. Compreensivelmente, está inseguro, sem vibração, vendendo , em vez de vitalidade, medo. Medo da democracia pré-eleitoral.

Por ter fugido dela, dividiu o partido , impedindo a união dos dois colégios eleitorais mais potentes do país, Minas e São Paulo. Como Minas não viu seu direito respeitado, não aceita, consequentemente, ser empurrada para uma situação esdrúxula por São Paulo.

Pode pintar o mesmo que aconteceu no segundo turno da eleição de 2006. O governador Aécio Neves jogou discretamente a favor de Lula e vendeu ao diabo a alma de Geraldo Alckmim.Não estaria já sendo costurada entre Lula e Aécio alguma jogada para 2014?

Vai pintando repeteco não muito afinado com o que aconteceu em 1930, cujo desfecho foi revolução, enquanto que , agora, em 2010, está sendo evolução. Minas e São Paulo se encontram no centro dos acontecimentos.

A separação entre ambos provoca atritos. Em 1930, Minas se uniu a um candidato do Rio Grande do Sul, depois de separar-se de São Paulo. Deu Minas e Rio Grande do Sul, com um gaúcho chegando ao poder, rompendo-se o histórico café-com-leite.

Em 2010, Minas se aparta de novo de São Paulo, para se unir a quem? A uma candidata que fez carreira no Rio Grande do Sul, sendo mineira de nascimento, herdeira do poder popular lulista? Ou emergiria a candidatura Aécio, percebendo Serra que será uma fria sair sem o titular do Palácio da Liberdade como companhia segura? O titular dos Bandeirantes preferiria disputar segundo mandato?

Que traumatismo ou que evolucionismo político decorreria de eventual nova separação São Paulo-Minas?

Lula envergonha em Cuba

Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 27-02-2010

Reina Luísa Tamayo inicia movimento de caráter universal que demonstra ser a força do direito mais forte do que o direito da força para construir o socialismo verdadeiramente democrático na pátria cubana. Se as mães das praças de mayo do mundo gritarem em solidariedade à batalha da grande mulher cubana, a quem Lula não dirigiu nenhuma palavra, para lembrar , talvez, a luta de sua própria mãe, dona Lidu, a fortaleza de Fidel e Raul, construída para preservar o socialismo, pode balançar. A contradição está em marcha dentro de Cuba para o aperfeiçoamento do próprio sistema socialista cubano.

O presidente Lula, em Cuba, pediu que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, seja ousado e termine logo com o bloqueio comercial – que pode ser entendido, também, como um ato anti-humano, portanto, sintonizado com os propósitos lulistas relativos a uma política justa de direitos humanos. Infelizmente, porém, não teve ousadia suficiente, na frente dos líderes cubanos, presidente Raul Castro e o ex-presidente Fidel Castro, para pedir mais direitos humanos na Ilha. Pegou mal o silêncio do titular do Planalto sobre a morte de Zapata na cadeia por crime de opinião. Indiretamente, condenou o sacrificado, que optou pela renúncia à vida como opção de protesto contra a falta de liberdade, mas não fez o mesmo em relação ao sacrificante, o encarcerador. Soou covardia. Não entrou na essência, ficou na aparência. Não teve coragem suficiente para enfrentar a contradição dada pela dinâmica do princípio dos direitos humanos que implica na liberdade de opinião e não a condenação por ter opinião. Tratou dos efeitos, a morte de Zapata, mas não a causa, o que o levou à morte. Se Obama precisa , na avaliação de Lula, ser mais valente para enfrentar uma injustiça história, faltou, igualmente, ao presidente brasileiro mais valentia para encarar de frente, na terra de Fidel, a questão que coloca Cuba no centro do debate mundial durante a semana. A mãe de Zapata, a valente Reina, teria mentido quando disse que seu filho ficou, na prisão de Camague, dezoito dias sem beber água? Onde está a medicina avançada dos cubanos que não tratou o prisioneiro à morte por via endovenosa? Raul, com suas declarações arrogantes aos jornalistas, culpando os Estados Unidos pela morte do prisioneiro político, destacou que o semi-morto foi encaminhado aos melhores tratamentos da medicina, o que representa um escárnio total. O jogo de palavras de Lula foi falta de respeito à inteligência. Na prática, teve medo de falar a verdade, ou melhor, de defender os direitos humanos na terra dos outros. Convocou Barack Obama para uma ousadia maior, mas adotou, em terras cubanas, ousadia menor. Em terras chinesas, o titular da Casa Branca não titubeou em defender os direitos humanos, embora tais direitos não sejam respeitados pelos Estados Unidos nos Estados Unidos, nas prisões de Guantânamo onde morrem os Zapatas muçulmanos sem direito de defesa. Há como que um respeito excessivamente obsequioso da diplomacia brasileira pelo grande Fidel Castro, revolucionário que enfrentou o capitalismo e o venceu, abrindo espaço para uma nova consciência universal. No entanto, não é o líder cubano uma onipotência que não mereça crítica do ponto de vista do próprio marxismo do qual o fidelismo se alimenta, porque Marx, ídolo de Fidel, não renunciou à crítica, por exemplo, àquele que fez a sua cabeça, Hegel, pregador da máxima de que tudo muda, só não muda a lei do movimento, segundo a qual tudo muda, no processo histórico social. E a hora da mudança chega quando a sinceridade de uma mãe entra em cena para dar o testemunho do filho assassinado por falta de assistência adequada no momento oportuno. Zapata, segundo ela, não cometeu nenhum crime contra o Estado, senão o da crítica que não é aceita pelo Estado excessivamente policial. Certamente, a lei da física explica o Estado policial cubano. A toda ação corresponde uma reação em contrário com idêntico poder e força. Os Estados Unidos, ao bloquearem Cuba, impedindo-a de relacionar-se comercialmente com os países capitalistas, por força da pressão do dólar, atuaram imperialmente e perderam, por isso, a condição moral de falar em direitos humanos. O desrespeito vem de longe. Ao longo do século 19 e 20, como destaca Luiz Alberto Moniz Bandeira, em seu monumental livro “Formação do império americano”, os Estados Unidos, para enfrentarem o imperialismo inglês, cercaram toda a América do Sul e América Central para si, transformando os dois continentes em quintais de Tio Sam. Impuserem títeres ditatoriais obedientes a Washington, enquanto as resistências internas eram combatidas a ferro e fogo. Cuba, a ação revolucionária espetacular em contrário, com seu povo admirável e a liderança socialista de Fidel, Guevara, Cienfuegos etc, rompeu o cerco. Paga, por isso, ao longo de mais de cinquenta anos, preço exorbitante, para garantir sua dignidade e autodeterminação frente ao agressor. A dialética, no entanto, cobra seu preço, demonstrando que o desenvolvimento envolve a tese, a antítese e a síntese, em eterno movimento do real em seu vir a ser. A antítese vira tese, enquanto não se alcança a síntese. Os que, ao longo desses anos, ousaram, como antítese, criticar a evolução dos acontecimentos, têm encontrado pela frente a tese expressa no Estado policial. A reação ao bloqueio americano , que expressa antítese à tese imperialista, vira em seu contrário, em nova tese, na sua relação com os dissidentes, que se transformam em nova antítese. Predomina receio ao exercício da liberdade interna como resistência à ameaça externa à liberdade nacional em sua ação global. Certamente, o argumento político partidário entra em cena para construir as racionalidades diversificadas, a fim de justificar o princípio da segurança nacional. Como ocorreu no tempo da ditadura no Brasil, o conceito de segurança nacional é sempre o de conter as forças internas, principalmente, porque os impérios, necessariamente, começam a ser destruídos, não de fora para dentro, mas, essencialmente, de dentro para fora. A história de Roma é isso aí. A morte de Zapata é uma força interna que busca superar a contradição entre o reino da liberdade e o da necessidade, que exige, de acordo com o pragmatismo construído, quase sempre abstratamente, comportamentos pragmáticos ligados a interesses cuja preservação impõe, invariavelmente, o direito da força sobre a força do direito. O direito à vida, negado pela necessidade de acabar com a vida para evitar a reafirmação da vida, é negado aos críticos. Não se tem notícia de que a resistência de Zapata tenha sido realizada pelo conceito do direito da força, mas porque não conseguiu impor a força do direito. A capacidade de o ser humano reagir com a sua própria força de vontade de se expressar em si por si mesmo, no processo político contraditório em movimento dialético de negação, dançou em Cuba. O movimento, contudo, não pára. A força da decisão em favor da morte como arma de luta, expressando a força do direito de viver e morrer lutando sem armas, bate de frente com o estado policial cubano que exercita o direito da força, da arrogância, como produto do raciocínio de que as minorias precisam ser tratadas exemplarmente em nome do interesse político pragmático. Castro mentiu e Lula, sem coragem de enfrentar a mentira, mentiu, também, ao inverter a realidade em forma de crítica ao condenado e não ao algoz. O fato é que no momento em que o mundo entra na era da quinta densidade muldimensional – o ser humano é, essencialmente, muldimensional – , em que o planeta terra sofre os efeitos de uma movimentação energética universal em seu eixo, verticalizando-se, corrigindo sua inclinação de quase 25%, configurando mudanças que balançarão geral, como destacam os estudiosos da física quântica, no ambiente de estudo da telemática avançada, não dá mais para suportar a morte de um ser humano pela ação do Estado, acusado por crime de opinião. No mundo multidimensional, o ser-outro-em-si-mesmo é o poder estabelecido, estágio avançado da quinta densidade, que deixa para trás a terceira densidade, na qual vigoram as misérias humanas, as intolerâncias, estabelecidas pela luta de classe, que ainda vigoram no estágio tanto capitalista quanto socialista. A morte política é a expressão do Estado assentado nas lutas de classes, é a negação do ser-outro-em-si-mesmo, como disse Marx em “Manuscritos Econômicos e Filosóficos” ao caracterizar o ser humano como ser genérico universal, deformado pelos regimes seja de partidos ideologicamente diferenciados em que predomina o individuo sobre o coletivo, como no capitalismo, seja de partidos únicos, em que o coletivo destroi o individuo, como no socialismo, na fase histórica em que se encontra. Constituindo-se um dos textos mais fantástico de todos os tempos, dado o seu caráter de introjetar-se na consciência e balançá-la, energicamente, para frente e para o alto, destronando conceitos à esquerda e à direita, os manuscritos marxistas incomodam os machistas direitistas e esquerdistas e exalta a mulher, a deusa que, no compasso da superação dos contornos da ideologia construída para a eterna preservação dos poderes, rompe com a contradição e se expressa na prostituição universal, depois de se livrar do contrato de direito positivo inquiridor representado pelo casamento burguês. E aí é que está o problema e ao mesmo tempo a solução: a mulher, a mãe, a resistente, a que enfrenta ditadura. Reina Luisa Tamayo gritou contra Fidel e Raul. Outros cinco prisioneiros, depois do sacrificio do filho dela e do grito universal que ela deu, conferindo força à resistência do filho morto, dispuseram-se, igualmente, ao sacrifício. O estado policial cubano, opressor das minorias, em nome da ditadura do coletivo sobre o individual, pode ruir, se as mães dos prisioneiros se reunirem ao protesto de Reina, saindo às ruas de Cuba e do mundo. Afinal, a sonoridade é global na sociedade do conhecimento dominada pela tecnologia da informação instantânea. O próximo e o distante são UM e TODOS ao mesmo tempo. Foi isso que aconteceu com as Mães da Praça de Mayo na Argentina. Se elas sairem à calle para solidarizar-se com a grande Reina, pode pintar movimento universal em favor da libertação dos prisioneiros cubanos. Por que não podem eles em liberdade pregar a sua resistência, se estão desarmados frente a um Estado instituido, que, como toda a obra humana, reforma-se, dialeticamente, no compasso da história? Fidel e Raul são a tese; Zapata, a antítese, Reina, a síntese. A história está girando. Lula não teve suficiente descortínio histórico para se pronunciar em Cuba. O Itamarati viu as razões do poder cubano, não as razões do poder brasileiro em Cuba, independente, para afirmar-se, democraticamente, na terra dos outros, sem medo. Constrangeu-se, extraordinariamente, ficando pequeno e obediente a Fidel e a Raul em face de assunto que interessa à humanidade genérica. Com todo o acerto, gritou Lula em terras cubanas o direito do governo de Cuba de espernear contra o bloqueio dos americanos. Mas, por que, tambem, não gritou em favor do sagrado direito de Zapata de espernear contra o socialismo cubano, obra que, por estar em construção, é , justamente, cheia de virtudes e defeitos que precisam, ambos, serem expostos, sem medo? Zapata, ao morrer, pôs a contradição em marcha. Será uma jogada burra do poder cubano se adotar em relação aos companheiros do martir o mesmo tratamento para produzir outros mártires. O simbolismo político tem a força superior à do estado policial, que nega o ser-outro-em-si-mesmo. A força da morte como defesa da força do direito mexe planetariamente com o eu genérico universal que se levanta instintivamente contra o direito da força. Getúlio Vargas é um exemplo de que a morte buscada como opção política movimenta a realidade emocional e bruscamente. Não dá para falar em socialismo onde o estado socialista deixa um opositor do socialismo dogmático morrer de inanição na prisão por crime de opinião. Total contradição em termos.

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POLÊMICA EM CENA


Onde Lula envergonhou?

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cesar,

há uma guerra de baixa intensidade entre a primeita potência imperial do mundo e uma ilhapequena que ousou rebelar-se contra o capitalismo! Há dissidentes que são colaboradores remunerados dos gringos e este talvez tenha sido um dos responsáveis poara mais de 3 mil atentados que Cuba sofreu em todos esses anos, inclusive com o bombardeio de escolas, com guerra bacteriológica, confessada pelo ex-ministro da saúde dos EUA, que denunciou a difusão de virus da dengue por avionetas destes terroristas pagos por Miami.

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Onde que Lula envergonhou? Lula não cede ao côro que a direitona fascista quer impor a ele contra Cuba e contra o Irã também. Por isso vem a nazistinha da Hillary aqui para pressionar, ilegalmente, indevidamente, e Lula já deu uma aresposta por antecipação! Para a honra e orgulho do povo brasileiro, diz que viaja ao país que quiser e que só deve explicação aos brasileiros!!!

Mais que isto: quantas vidas os mais de 700 médicos cubanos terão salvo no Haiti agora? Cuba tem mais de 7o mil médicos espalhados pelo mundo trabalhando solidariamente em países pobres, em zonas inóspitas, onde nenhum destes dissidente imagina por os pés um dia, pois querem apenas enriquecer em Miami.

Foi Lula quem defendeu os palestinos ante a carnificina bárbara israelense, é Lula que quer ampliar os laços de cooperação com o iRÃ,  foi lula que apoiou até o fim a luta de Zelaya e do povo hondurenho contra o golpe gringo lá, é Lula que mandou construir uma usina hidrelétrica e 30 postos de saúde no Haiti.

Quantos médicos tem os EUA espalhados pelo mundo?????? No Timor não tinha nenhum, mas há 400 médicos cubanos lá. E o embaixador gringo revelou seu veneno ao pressionar o jornalista Ramos Horta, meu amigo, para que não aceitasse médicos de Cuba. Ele apenas perguntou: quantos médicos voces tem aqui?

Lula não envergonha ninguém em Cuba, aliás, está construindo o porto de Mariel, está apoiando a produção de alimentos com a presença da Embrapa. Todos estes dissidentes querem que a REvolução termine, que ninguém ajude o povo cubano, e a esmagadora maioria dos cubanos apoia esta revolução.

Aqui, o Heráclito Fortes mandou condolências à família`pela Embaixada de Cuba. Quantas vezes foi solidário com as vítimas da ditadura de Honduras  -  aliás, anteontem mais uma militante foi assassinada sem nenhuma cobertura da mídia aqui   -  quantas vezes mandou condolências pela montanha de cadáveres palestinos que Israel promove diariamente????

Discordo veementemente, meu caro

abs,

Beto Almeida


Quanta hipocrisia dessa

gente de direitos

humanos seletivos.

Atacam Cuba

para atingir Lula

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A greve de fome de pessoa que cumpre pena em presídio é uma arma de desobediência e um desafio às determinações do Estado  que pode assumir caráter político ou de reivindicação por melhores condições carcerárias. Manifestação de vontade individual ou coletiva, deve ser respeitada e criteriosamente avaliada.  Ao tomar, conscientemente, a grave decisão de iniciar a greve de fome o preso sabe – e é informado – que a conseqüência pode ser fatal. Alguns entregam sua vida por um ideal mais nobre. Esses contam com defensores de fora da prisão que pressionam as autoridades a fim de que o objetivo da greve de fome seja alcançado. Outros priorizam sua própria vida e ainda assim esperam ver acatadas suas exigências. Quando ocorre a morte, os verdadeiros humanistas se condoem.

Contudo, a reação que se leu, viu e ouviu nesses dias a respeito do caso do cubano Orlando Zapata Tamayo passa longe da natural comiseração. O cadáver de Zapata é agora exibido como um troféu coletivo. Os grandes meios de comunicação já vinham antecipando o desenlace com intenções pouco dissimuladas de utilização com premeditados fins políticos. Zapata não fazia parte dos chamados dissidentes que foram julgados em março de 2003, não era um dos 75. Tinha um longo histórico delitivo comum, nada vinculado à política. Transformado depois de muitas idas e vindas à prisão em ativista político, era um homem prescindível para os opositores da Revolução. Cumpria uma sentença de privação de liberdade de 25 anos depois de ter sido inicialmente sentenciado em 2004 a três anos por desordem pública, desacato e resistência. Vinculou-se aos dissidentes após contactos com Oswaldo Payá e Marta Beatriz Roque. Declarou-se em greve de fome em 18 de dezembro. Apesar de se negar a tanto, recebeu, de acordo com o que estabelece o Tratado de Malta, a assistência médica necessária, inclusive terapia intermédia e intensiva e alimentação voluntária por via parenteral endovenosa e enteral. Transferido para um hospital geral foi-lhe diagnosticado pneumonia, tratada com os procedimentos mais avançados. Ao ter comprometido ambos os pulmões, foi assistido com respiração artificial até que ocorreu o óbito.

Vou à história, curioso em saber como a grande imprensa cobriu greves de fome de presos que terminaram ou não em morte e como selecionam os direitos humanos.

Ao assumir o governo inglês em 1979, Margareth Thatcher deflagrou uma ofensiva militar e política contra os movimentos pela libertação da Irlanda do Norte. A virulenta tentativa de criminalização do republicanismo irlandês passava pela supressão de qualquer diferença entre o tratamento dispensado, nos cárceres, aos soldados do Exército Republicano Irlandês (IRA), do Exército de Libertação Nacional Irlandês (INLA) e a criminosos comuns. Em resposta, combatentes irlandeses encerrados nos blocos H da prisão de Maze, deflagram em 1º de março de 81 uma greve de fome. Suas reivindicações: não usar uniformes de presidiário; não realizar trabalhos forçados; liberdade de associação e organização de atividades culturais e educativas; direito a uma carta, uma visita e um pacote por semana; e que os dias de protesto não fossem descontados quando do cômputo do cumprimento da pena. Recusando-se a ser tratados como criminosos, defendiam, a um só tempo, sua dignidade pessoal e a legitimidade da luta pela libertação de seu país. A um custo inimaginavelmente alto – onze homens morreram de inanição após longa agonia de 63 dias – os grevistas conseguiram uma vitória moral, ao fazer com que os ingleses retrocedessem quanto ao regime carcerário poucos meses após o fim do movimento; e uma vitória política, ao frustrar os planos de Thatcher de expor os que lutavam pela liberdade da Irlanda como criminosos aos olhos do mundo. O funeral de Bobby Sands, o líder do movimento, foi assistido por mais de 100 mil pessoas.

Thatcher, insensível, fez ouvidos moucos aos apelos. Teria o Estadão, a Folha ou o Globo ou El Pais, The New York Times, Die Welt, Le Fígaro, Clarin, estampado em sua manchete principal acusando Thatcher de homicida? Evidentemente, não!

Em meio século, nada mudou na Turquia, onde os presos políticos continuam fazendo greve de fome, não pela liberdade, como Nazim Hikmet, mas para recuperar a dignidade. Nazim Hikmet, o grande poeta turco, a quem a escritora Charlotte |Kan chamou de “o comunista romântico”Condenado a uma pena pesada, Nazim Hikmet estava preso em Bursa há doze anos quando começou uma greve de fome para recuperar a liberdade. condenado a uma pena pesada, em um longo processo construído nos mínimos detalhes, estava preso em Bursa, fazia doze anos, quando começou uma greve de fome para recuperar a liberdade. E ainda teve forças suficientes para escrever o poema “O quinto dia de uma greve de fome”, dedicado a seus amigos franceses que lutavam por sua libertação. Acaso os editoriais da nossa imprensa acusaram os governantes turcos de perpetradores de um crime continuado? Nem pensar.

Na base militar de Guantanamo, aqueles que as autoridades norte-americanas chamam de “combatentes inimigos” fizeram, entre fevereiro de 2002 e fim de setembro de 2005, seis tentativas conhecidas – e talvez centenas ignoradas – de desafiar seus carcereiros do Pentágono com greves de fome. Alguém leu ou ouviu acusações a Obama de violador dos direitos humanos elementares por não ter cumprido a promessa de encerrar esse centro de tortura e humilhação?

Recentemente, a aviação norte-americana dizimou, no espaço de dias, famílias de cidadãos afegãos, a maioria mulheres e crianças. A mídia abriu espaço para o pedido de desculpas dos generais e nem um milímetro para acusá-los e a Washington de estar perpetrando uma política de terrorismo de Estado e de violação da Convenção de Genebra.

Passaportes britânicos de cidadãos israelenses de dupla nacionalidade foram utilizados pelo serviço secreto do Mossad para executar extrajudicialmente em Dubai o líder do Hamas, Mahmoud AL-Mabhouh. Por acaso, a mídia abriu suas colunas para acusar o governo Netanyhau de criminoso e fora-de-lei?

Na confrontação dos Estados Unidos e Cuba, ao largo de mais de meio século, milhares de cubanos foram vítimas de atos de terrorismo arquitetados em solo norte-americano com pleno conhecimento da Casa Branca, incluindo diplomatas assassinados no exterior. Quando Havana se dispôs a tomar medidas de inteligência para prevenir esses ataques, cinco de seus concidadãos foram presos e condenados, em processo totalmente viciado levado a cabo em Miami, a penas draconianas que chegaram a duas prisões perpétuas mais 15 anos para um deles. Jamais a mídia internacional e a nossa mídia trataram do assunto.

Os ataques virulentos a Cuba por parte da direita, das oligarquias, dos setores reacionários e dos segmentos conservadores e seus porta-vozes não são novidade. Não se conformam de a Revolução Cubana ter resistido sozinha, graças à firmeza de sua liderança e apoio valente de seu povo, à opressão e aos desígnios do Império. Nenhum outro governo da região a apoiou. Hoje diversos governos da região a apóiam. A solidariedade, simpatia e defesa da gente simples e dos progressistas em todo o mundo nunca faltou.

A visita de Lula a Havana coincidiu com a morte de Zapata. Nossa mídia rebaixou a assinatura de 10 acordos de cooperação entre os quais se destaca a modernização do porto de Mariel. No entanto, o criticou furiosamente pretendendo vinculá-lo ao desrespeito a direitos humanos. No fundo querem destruir sua imagem de grande líder nacional e internacional em proveito de seus interesses ideológicos permanentes e eleitorais de agora.

Lula soube se comportar como chefe de Estado. E pessoalmente foi leal aqueles que ao longo de décadas se constituiram numa referência de soberania, independência, auto-determinação mas também de dignidade, heroismo e solidariedade.

Max Altman

27 de fevereiro de 2010