Goiabada baiana vira marmelada mineira

Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 02-09-2010

PIROU GERAL. Duda Mendonça, detonado no mensalão pelo mineiro corrupto Marco Valério, tenta inovar em Minas a sua criatividade de marqueteiro, criando o GOVERNO 2 EM 1, copiando lançamento da lata de doce da CICA(lembram, gente?), para tentar provar que Hélio é Patrus e que Patrus é Hélio, para ganhar a eleição de Anastasia, avalizado por Aécio. Mas, o doce baiano ainda não deu ponto nas Gerais. Ou falta açucar ou tem açucar demais. Ainda não açucarou, mas está quase. Dona Lalá, até agora, não aprovou a receita, que é motivo humorístico geral na terra de Drummond.

Brasileiros e brasileiras adoram goiabada cascão com queijo de Minas. Mineiro, então, nem se fala. Lambuza geral.

Mas, a goiabada que está fazendo sucesso nas Gerais, nesses intensos dias eleitorais, é o humor. O espírito jocoso, escrachado vem ar, gostoso.

A mineirada está caindo de pau e rizadas em cima da estratégia marqueteira do baiano Duda Mendonça, aquele genial profissional, que se afundou no mensalão. Desde então tem pintado no caminho dele só sabão.

Duda Mendonça, pensando que estaria descobrindo a pólvora, lançou, para mineiros e mineiras espertos e desconfiadas, o slogan do chamado GOVERNO 2 EM 1.

O objetivo, claro, é tentar dizer que Hélio Costa, do PMDB, candidato a governador, é Patrus Ananias, do PT, candidato a vice, e que Patrus é Hélio e vice versa.

Trata-se da tentativa desesperada para unificar óleo e água que não se entendem, a fim de tentar vencer o candidato do ex-governador Aécio Neves, Antônio Anastasia, cujo apetite eleitoral é crescente.

Assim como Dilma começou atrás de Serra e foi, com a ajuda de Lula, escalando, até dar poeira no tucano e vislumbrar a vitória, da mesma forma, em Minas, Anastasia, impulsionado por Aécio, já joga poeira no GOVERNO 2 EM 1 de Duda Mendonça.

A identidade de Lula e Aécio, nesse sentido, está sendo escrita no processo eleitoral mineiro e nacional.

Querer jogar um contra o outro, como se estivesse rolando partida de futebol, Cruzeiro x  Atlético,  como tenta vender o GOVERNO 2 EM 1 imaginado por Mendonça, é afrontar a mineiridade.

Ambos, Lula e Aécio,  sucesso político e econômico, se auto-revelam aos olhos dos eleitores, que escolhem os que eles recomendam para dar seu voto.

Por isso, a jogada dudamendonciana que, copia lançamento da lata de doce da CICA(goiabada com marmelada 2 em 1), motiva ironias e piadas, sem fim.

O resultado está na boca do povo.

Uma hora a invenção de Duda sugere goiabada baiana virando marmelada mineira; outra hora é o oposto: goiabada mineira virando marmelada baiana.

E tome queijo.

Bastou essa jogada de marketing doido inundar o horário eleitoral, para as famílias mineiras concluírem que o GOVERNO 2 EM 1 é pura ambiguidade eleitoral.

Primeiro, Mendonça decidiu realçar a ordem Hélio-Patrus(governador-vice governador), seu 2 em 1 governamental.

Mas, na medida em que  Anastasia foi ganhando corpo e espaço na campanha, sinalizando possível ultrapassagem espetacular, Mendonça inovou: o 2 em 1 passou a obedecer a ordem inversa: Patrus-Hélio.

Duda tenta vender que Patrus é o criador do Bolsa Família, sob comando de Lula, para compensar a perda de prestígio de Hélio.

Tudo, evidentemente, para tentar recuperar prestígio cadente do peemedebista que chorou forçadamente tentando-se identificar-se com Lula.

O GOVERNO 2 EM 1 , portanto, já não é mais Patrus na garupa de Hélio, mas de Hélio na garupa de Patrus.

Ainda, assim, não está dando certo como arma para conter Anastasia. E o desespero bate.

Vai pintando, crescentemente, a dúvida: quem, se o 2 em 1 emplacar, vai mandar no Palácio da Liberdade? Hélio-Patrus ou Patrus-Costa. A dúvida se generaliza.

Acabou emergindo, aos olhos dos gozadores, o GOVERNO HÉLIO + PATRÁS ou o GOVERNO PATRÁS DE COSTA.

Confusão geral na terra de Drummond.

Duda Mendonça confundiu ainda mais o famoso samba de Stanislaw Ponte Preta: samba do crioulo doido? Doido do samba crioulo? Crioulo samba doido?

O fato é que, como previu o comentarista Mauro Santayanna, a armação do presidente Lula, para Minas Gerais, impondo a chapa Hélio-Patrus, de modo a abrir espaço para Dilma, no plano federal, está sendo vomitada pelos mineiros. Estes estão fazendo o jogo da combinação que lhes convém: Lula-Aécio.








Hélio Costa, anti-jornalista, ditador

Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 31-08-2010

Seria uma heresia completa a permanência no Palácio da Liberdade de um jornalista que persegue a liberdade de informação na fronteira da liberdade completa que é o exercício do jornalismo na internet. Minas Gerais não merece essa afronta peemedebista ditatorial. Não é à toa que Lula deixa correr solto o movimento Dilmasia - Dilma + Anastasia - , cristianizando o potencial ditador fantasiado de liberdade.

Ex-correspondente internacional da TV Globo , nos Estados Unidos, onde se especializou em fazer reportagens ligadas às novidades científicas e tecnológicas, especialmente, aplicadas ao avanço da medicina moderna; ex-ministro das comunicações, quando fez muito pouco para democratizar o jornalismo popular e público, enquanto atendeu, à larga, os interesses da grande mídia, o jornalista e senador candidato do PMDB ao governo de Minas Gerais, Hélio Costa, essa figura toda empolada, entrou numa de perseguir blogueiro em campanha eleitoral. Além disso, segue tentando tirar do ar programa eleitoral do concorrente. Pode?

No norte de Minas, me informa o prefeito de Salinas, José Antônio Prates, o ex-deputado e ex-jornalista que quer ser governador perseguindo colegas de profissão, confrontado com uma pergunta de repórter que queria saber porque estava sem a companhia de prefeitos da região, enquanto seu concorrente, Anastasia, do PSDB, reunira, dias antes, no mesmo local, Montes Claros, mais de 80 executivos municipais, respondeu que isso é irrelevante, porque governará, diretamente, com os movimentos sociais.

Desdedenhou as bases partidárias reconhecidamente fortes nas Gerais, algo que nenhum candidato ousaria fazer. Suicidou-se, politicamente, o coitado. E esse negócio de governar para além dos representantes eleitos pelas bases políticas mais autênticas que são os municípios, não soa algo autoritário?

Não surpreende, portanto, que esse candidato a ditador, em plena democracia, que persegue jornalista em campanha eleitoral, está dançando na disputa. Pulou na frente, cantou de galo, mas o concorrente já está alcançando-o e pode ultrapassá-lo nas próximas pesquisas, jogando-lhe poeira na reta final. Tomara.

Já pensaram, colegas, se o cara, em disputa eleitoral, caça jornalistas, na área onde a liberdade se descortina, amplamente, como na internet, imaginem o que poderá acontecer, se – Deus nos livre! – essa fera chegar ao Palácio da Liberdade!

A liberdade, claro, dançaria nas Alterosas. Como ficaria o slogan de que a liberdade é o outro nome de Minas?

Sai, satanás!

UDN no shopping e nas eleições

Categoria: (Cultura, Política) por Laurez Cerqueira em 31-08-2010

VELHA UDENISTA RABUGENTA DETESTA OS AVANÇOS SOCIAIS. Há muito tempo a “velha UDN” trocou os oratórios de madeira, que faziam parte do mobiliário das salas das residências, por aparelhos de televisão. As orações da boca da noite deram lugar às telenovelas e aos telejornais. As telenovelas passaram a ser referências tão fortes que são visíveis as mudanças de comportamento provocadas nas famílias. Como diz o compositor Jorge Mautner, em uma de suas músicas: “a telenovela é a educação sentimental da classe média nacional”. A “velha UDN”, em tempos idos, era uma matriarca católica, dessas de penugem nos cantos da boca, se vestia de preto, andava de bordão de jacarandá com brasão da família, cravejado em latão. Ainda hoje, fotos amareladas, emolduradas, de famílias aristocráticas, cobrem paredes de casas e apartamentos ou ocupam lugar de destaque sobre os móveis das salas, nas modernas cidades brasileiras. Uma parte da “velha UDN” e seus descendentes migraram do campo para as cidades muito antes de se tornar uma sigla, uma agremiação partidária, muito antes do PSD se enraizar no coração e na mente dos fazendeiros. Construiu fortuna e se tornou a matrona do sistema financeiro. Quis desfrutar dos produtos do ciclo de industrialização do Brasil, andar de automóvel, beber coca-cola, ir ao cinema, entregar seu coração a Hollywood, ler Seleções Reader's Digest, revista O Cruzeiro, Veja, Caras, O Globo, Folha, Estadão, dar revistas em quadrinhos da Disney aos filhos e incentivá-los a cultivar valores aristocráticos. A UDN se encastelou na política, se apoderou do Estado e dos meios de comunicação como se fossem propriedades suas. Rotulou o governo de Getúlio Vargas de “mar de lama”, levou-o ao suicídio. Tentou impedir a posse de Juscelino Kubitschek, organizou a famosa “Marcha da família com Deus pela liberdade”, em 1964, na capital paulista, para derrubar João Goulart e apoiou o golpe militar que levou o Brasil a um dos mais obscuros períodos de nossa história. Impediu a reforma agrária, ajudou a organizar o latifúndio, mecanizou a produção agrícola com crédito subsidiado pelo Banco do Brasil e com as tecnologias desenvolvidas pela Embrapa. Conseguiu banir das fazendas para as periferias das grandes cidades, onde vivem em condições sub-humanas, um contingente populacional gigantesco de remanescentes da escravidão.

Nova cara udenista

SEMPRE DISFARÇADA DE BOAZINHA, A VELHA UDN NÃO CONSEGUE DISFARÇAR SUAS VESTES REAIS. No campo ou nas cidades, hoje a “velha UDN” ainda dispõe de uma cultura política e ideológica poderosíssima. A UDN urbanizada, que poderia ser chamada de “nova UDN” tem casas e apartamentos com todos os eletrodomésticos disponíveis. Carros de luxo nas garagens, viaja de férias todo ano, tem celular, computador plugado na Internet e tv a cabo. Busca a paz em templos de consumo (shopping-centers) e em igrejas. Uma parte se “modernizou” em relação à fé. Trocou a igreja católica por igrejas evangélicas. A “nova UDN”, quando não está diante da tv ou na internet, alimentando a alma com programação de entretenimento, também vaga pelos shoppings ou por feiras de produtos de contrabando, comprando um pirata qualquer. A “velha UDN” está por aí, travestida, clandestina. Nas praças de alimentação dos shoppings se empanturra nos fast-foods com sanduiches, pizzas e refrigerantes. A balança, a academia, as revistas de boa forma e o colesterol são seu inferno. Um “sofrimento doce” - coisa do “status quo” - assuntos para longas conversas nas tardes tediosas e nos finais de semana, nos encontros de família. A “nova UDN” é “chique”. “Chique” é diferente de elegante. A “nova UDN” é rastaquera. Nas casas e apartamentos “modernos”, a arquitetura mantêm a senzala, a “dependência de empregados”. Um cubículo onde enfiam os novos escravos que cozinham, lavam, passam e cuidam dos filhos. A “ama-seca” virou “babá”, baby-sitter. Livro, revista e jornal, em casa? Às vezes. Ler dá sono. Prefere uma espiada no Jornal Nacional depois da novela. É o melhor horário para ver os anúncios de carros novos, telefones celulares e bancos. Aqueles filmes publicitários que embalam os sonhos de tornar-se uma daquelas personagens chiques e bem sucedidas na vida. A maior aspiração da “nova UDN” é ser rica, manter o “status”, entranhado nas profundezas de sua alma, ter o controle moral da sociedade e recuperar o poder político perdido com a democratização do país. Para a “nova UDN” a democracia a leva à ruína política. Na democracia ela perde sempre.

Mesmo ódio de classe

O LACERDISMO GOLPISTA SEMPRE TEVE SUA MATRIZ NA CASA BRANCA. Mantém latente o mesmo ódio de classe que levou o ex-governador do antigo Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, seu ídolo maior, ao escândalo da “operação mata-mendigo”, realizada pelo Serviço de Recuperação de Mendigos. Os agentes desse serviço foram flagrados jogando mendigos no rio da Guarda, na Baixada Fluminense, depois de denúncias de desaparecimento de grande número deles. Esse serviço foi o embrião da ideologia do “Esquadrão da Morte”. Outro escândalo foi a queima de favelas como a do Pasmado, no Rio, para expulsar os moradores, coordenada pela Secretária de Assuntos Sociais, Sandra Cavalcanti, ex-deputada constituinte, em 1987, pelo PFL. Uma parte da “nova UDN” passou pela universidade, ficou “ilustrada”. Participou, tempos atrás da campanha Diretas Já, com novo verniz, mas preferiu juntar-se aos de cima na defesa do projeto neoliberal, do sucesso profissional, da escalada do enriquecimento e na redução dos sonhos da juventude ao fetiche de um automóvel. Luta para manter privilégios de classe e nada mais, fecha o vidro do carro quando mendigos se aproximam. Para ela os de baixo são invisíveis. Não vê lixeiros, garçons, frentistas, taxistas, mantém disdância das pessoas que andam de transporte coletivo. Sabe que essas pessoas existem quando necessitam de seus serviços. Vê o noticiário policial nos telejornais, viaja de avião e olha lá de cima o amontoado de barracos das periferias das grandes cidades como se as favelas fizessem, naturalmente, parte da paisagem. No parlamento ou na imprensa, como jornalista e comentarista preferidos dos impérios de comunicação, ladram como cães amestrados com o mesmo ódio que movia Carlos Lacerda.

Jogo da discriminação

DISCRIMINAÇÃO SOCIAL SEMPRE FOI A MARCA REGISTRADA DOS CORVOS UDENISTAS. Nas eleições, a “nova UDN” costuma optar por candidatos que representam o ideário aristocrático, meritocrático, condizente com sua escala de valores, de matriz religiosa. Muitos, em 2002, fizeram uma concessão, votaram em Lula para presidente, depois dele penar sob a violência da discriminação de classe. Um dos mais fortes fatores que o levou à derrota em três eleições. O preconceito foi rompido momentaneamente. Certamente pelo fato de votar num “vencedor”, num homem de mérito, que saiu de Garanhuns, em Pernambuco, enfrentou a pobreza em São Paulo e se tornou um líder respeitado não só no Brasil, mas reconhecido nos fóruns internacionais como um líder mundial. Logo depois que ele tomou posse foi chacoteado. Diziam que ele não tinha qualificação para governar. Não falava inglês. Diziam que ele era nordestino, cachaceiro e analfabeto. Quem não se lembra da zombaria da imprensa do “aeroLula”? Como se ele não tivesse o direito de usar o avião presidencial. FHC licitou o avião, mas Lula foi quem sofreu as críticas. Outro fator que deve ser considerado, quando analisamos a eleição de Lula, é que em 2002 a “nova UDN” estava inconformada com o governo do sociólogo Fernando Henrique Cardoso. O governo que, na época da paridade do Real com o Dólar, levou-a ao paraíso do consumo de produtos importados, a viagens internacionais - estava acabando em grave crise econômica e financeira - sob denúncias graves de corrupção, sem permitir investigações, principalmente denúncias sobre o processo de privatização das empresas estatais. Aquele paraíso de ilusões ruiu. Em resumo, em 2002, era “chique” votar em Lula. Afinal, o vencedor tem seu lugar na escala de valores da “nova UDN” como competidor.

Descoberta de novo partido

AS BASES DAS CONSTRUÇÕES UDENISTAS JAMAIS AGUENTARAM O SOPRO DA RENOVAÇÃO POPULAR. Logo depois da democratização política do país, na década de 80, após a promulgação da Constituição de 1988, a “nova UDN” ganhou um presente da elite intelectual paulistana. Um partido político pensado para ela. O PSDB. Um partido para a chamada “classe dos formadores de opinião”. O PFL, neto da velha Arena, que deu sustentação à ditadura militar, andava em dificuldades para se tornar um partido que atendesse às aspirações da “nova UDN”. O PMDB avançava no controle institucional do país e os partidos de esquerda, liderados pelo recém-criado PT, avançavam na organização da população operária urbana e no movimento dos trabalhares rurais sem terra. Foi nesse contexto que surgiu o PSDB, vendido à opinião pública como um partido moderno. O PSDB vestiu como uma luva o ideário da “nova UDN”. Em 1989, liderado por Mário Covas, que parecia um pássaro fora do ninho, por ter posições à esquerda do partido, o PSDB foi às urnas e no segundo turno até subiu no palanque de Lula, candidato do PT, quando este disputou com Collor. No segundo turno, a grande maioria dos votos do PSDB foi para Collor. Collor teve o apoio majoritário da “nova UDN”, que se referenciava no PFL, no PL e no PSDB, em verdadeiro revival da era lacerdista. Era o voto anti-Lula. Aquela parte que se engajou na eleição do “caçador de marajás” queria ver “Frei Damião andando de jet-ski”, como disse Mercadante, quem sabe, exportar Padre Cícero robotizado. Ou seja, a “velha UDN”, que veio do interior para os grandes centros urbanos, em tempos idos, deixou aflorar seu desejo de ser norteamericana, enfim, pertencer ao primeiro mundo e, quem sabe até dar a mão a um astronauta e sair por aí, a passeio, pelo espaço sideral. Queria se desgarrar definitivamente do outro Brasil, aquele da herança colonial, das pessoas invisíveis. Esse parece um desejo latente da “nova UDN”. Nos anos 90, quem defendia interesses nacionais era chamado de dinossauro, xenófobo e outros adjetivos não menos pejorativos. A ordem era globalizar, seguindo orientações das agências internacionais que pregavam o chamado “Consenso de Washington”. Collor foi afastado sob acusação de corrupção, sobretudo, por falta de confiança das grandes corporações financeiras internacionais, que tinham projetos prontos para compra das estatais brasileiras e realização de outros negócios no país. O PSDB tratou de articular a herança do legado político do governo Collor. Começou um namoro firme com o PFL. Noivou, casou-se em 1994, e do casamento nasceram dois mandatos para Fernando Henrique Cardoso. Casamento perfeito. A “nova UDN” urbana, representante do capitalismo financeiro, foi ao altar, sob as bênçãos do império. O PFL reúne desde o setor financeiro, passando pelas corporações dos meios de comunicação até o agronegócio. O PSDB entrou com a tecnocracia formada em famosas escolas internacionais como a escola de Chicago e de Harvard, com apoio do sistema financeiro nacional e internacional, que tinham seus interesses, evidentemente, na moeda e no livre mercado comercial (ALCA), desde que a meca fosse os EUA.

Modelito estadunidense


O JOGO DA UDN É O DE COMPRAR OPINIÕES COM AS AÇÕES VALORIZADAS DA BANCOCRACIA. Esse casamento é a cara da “nova UDN”, cuja estética pode ser percebida nas grandes cidades litorâneas do país, que se transformaram em caricaturas de Miami. Já as cidades do interior, andam com a cara do Texas. Os rodeios dão o tom da música, da vestimenta e do comportamento. Essa estética pode ser vista também em coisas simples como num maço de cigarros de palha fabricado em Minas Gerais. O maço é ilustrado, na parte frontal, com desenho de um cowboy de chapéu texano, óculos Ray Ban, calça e jaqueta jeans. Um modelito estadunidense. Por que não um mineiro pescando num rio, fumando seu cigarrinho de palha? Outro exemplo é a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, uma caricatura de Miami. Lá tem até estátua da liberdade. Esse pequeno exemplo parece suficiente para imaginar o ideário da “nova UDN” em ebulição no Brasil. No parlamento e na grande imprensa é fácil ver Carlos Lacerdas inconformados com o novo Brasil, espalhando preconceitos, principalmente o preconceito de classe, numa rede de comunicação conservadora, autista, fora do contexto, presa num discurso dos anos 90, atrasado, superado pelos fatos que culminaram na crise financeira internacional atual. A imprensa conservadora, num verdadeiro ciclo de retroalimentação com a “nova UDN” constrói um outro Brasil só para eles. Tanto que atacaram o presidente Lula e o seu governo durante os dois mandatos e ele está com 80% de aprovação. Entretanto, nunca se debateu tanto os problemas do país como hoje. Foram realizadas mais de 90 conferências setoriais, na maioria das vezes ignoradas ou atacadas pela imprensa. Educação, saúde, meio ambiente, cultura, comunicação, defesa civil, enfim, as conferências mobilizaram milhões de brasileiros desde os municípios, passando pelos estados até as conferências nacionais de cada setor. Existem outras redes de comunicação construídas pelos movimentos que debatem as políticas públicas do governo e dinamizam a informação. Existe outro Brasil emergindo e rompendo com as cercas que o isolaram por tantos séculos. É esse Brasil que causa tanto incômodo à “nova UDN” e a faz tão raivosa. Na eleição de 2006, causou perplexidade a declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que o Brasil estaria precisando de um novo Carlos Lacerda. Essa declaração escapou num ímpeto de intolerância, quando se confirmava a força da liderança de Lula ao resistir os ataques da “nova UDN” e revelar seu favoritismo nas urnas. O Brasil não é mais o mesmo. Esse caminho não tem mais volta. Resta saber se a “nova UDN” sobreviverá.

(*) Laurez Cerqueira é autor, entre outros trabalhos, de Florestan Fernandes Vida e Obra; Florestan Fernandes – um mestre radical; O Outro Lado do Real, em parceria com Henrique Fontana. Artigo publicado em Carta Maior.

Amorim entre Ahmadinejad e Sakineh

Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 15-08-2010

Na vida, meus amigos e minhas amigas, uma hora a gente está prá lá, outra, prá cá, cês entendem?, sempre, naquele pragmatismo, nosso, na lição de Rio Branco. Claro que todos sabem que nós estamos apoiando o Ahmadinejad, com sua luta para ganhar autonomia na área nuclear. Nós lutamos por isso. Por que não apoiaríamos os da nossa classe de emergentes, contra a prepotência dos fortes? Mas, por outro lado, é claro que estamos lutando pela vida de Sakineh. Os aiatolás, pelamor de Deus, nesse ponto, estão no tempo das bruxarias.

A diplomacia brasileira está entre o futuro e o passado, simultaneamente, em relação ao Irã, nesse instante em que os ayatolás são colocados no banco dos réus do tribunal da consciência humana.

De um lado, o Itamarati avança em posições que lhe colocam na ponta de lança da diplomacia universal, ao contestar o direito dos mais ricos de imporem aos mais pobres proibições relativas à utilização da energia atômica, clamando pela democracia multilateralista, em que o Irã sairia favorecido, por tentar seguir esse caminho sob sanções internacionais; de outro, tem que combater o passado presente na brutalidade iraniana de condenar à morte por apedrejamento uma mulher acusada de adultério.
São simplesmente abomináveis as aparições de  Sakineh Mohammadi Ashtiani na tevê iraniana para se auto-declarar adúltera e assassina, sabendo que, segundo seu advogado que fugiu do país para contar a farsa, o faz sob pressão de uma ditadura psicológica machista, culturalmente, bárbara, que sinaliza a vida medieval em plena era das comunicações instantâneas. As ditaduras merecem o inferno.
Como o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, vai se explicar ao povo brasileiro essa ambiguidade diplomática explícita?

Bruxaria medieval

Apedrejar mulheres? Quem perdoa governo que ousa matar a natureza que preserva e multiplica a natureza humana e a proibe de exercitar sua natureza sexual livre como impulso sagrado que deve ser respeitado e admirado como ato ao mesmo tempo divino e dionisíaco? Viva Sakineh!

Enquanto destaca, depois de despacho presidencial, que o presidente Lula, na quarta feira,  assinou sanções comerciais contra o Irã contrariado por cumprir determinações do Conselho de Segurança da ONU, depois de ter articulado com a Turquia,, a pedido do presidente Barack Obama, dos Estados Unidos, acordo capaz de evitar as penalidades contra o Governo Ahmadinejad, o titular do Itamarati,  ao mesmo tempo,  desdobra-se para tentar induzir Ahmadinejad a expatriar Sakineh para o Brasil. Daria curso ao apelo humanitário feito pelo presidente Lula em favor da vida da iraniana condenada pela desumanidade judicial ancorada no atraso cultural monstro.

Se o titular do Planalto não tivesse assinado as sanções comerciais, como o fêz, a contragosto, teria adquirido cacife extraordinário para cobrar dos aiatolás compromisso humanista em termos categóricos. Como não o fêz para não contrariar tradição diplomática brasileira de assinar embaixo do consenso tirado do conselho de segurança da ONU, quase sempre sob comando de voz imperialista, anti-equânime quanto à igualdade de oportunidades, pois a ONU obedece a uma divisão internacional do trabalho dada pelo poder econômico americano, desde a segunda guerra mundial, Lula, ao assinar as sanções, perdeu força relativa para clamar, fortemente, pela vida de Ashtiani. Faltou coragem? Que aconteceu, até agora, quando Israel deu e dá de ombros para a ONU, que tenta enquadrá-lo nas questões nucleares?

Uns podem, outros, não?

Como obter o apoio da humanidade para a construção da bomba atômica, se Ahmadinejad comanda um poder que brutaliza as mulheres que desejam exercitar livremente sua liberade sexual, ultrajada por uma justiça medieval?

Aos olhos e ouvidos de Ahmadinejad e dos aiatolás, caiu o prestígio de Lula, que estava alto, depois das articulações diplomáticas Brasil-Turquia, favoráveis ao direito iraniano de enriquecer o seu urânio para utilizar para fins pacíficos – sem destacar, é claro, que tal enriquecimento, de 3,5% para 20%, permite conquista tecnológica capaz de fabricação da bomba atômica. Prá que disfarçar?

O episódio dramático da condenação à morte de Sakineh, que mexe com a consciência universal, em fase de engajamento total, para evitar a consumação da barbárie, coloca a diplomacia brasileira em seu drama particular e, ao mesmo tempo, geral.
Obriga-se Lula a intensificar a sua defesa favorável à Sakineh, mas num ambiente em que Ahmadinejad já se sente não capaz de apedrejar, mas de estar se sentindo apedrejado pelo presidente brasileiro.
Celso Amorim, nesse interim, conjuga dois discursos conflitantes: busca intervir para salvar a iraniana, mas, da mesma forma, ressalta que está disposto a retomar contatos com a Turquia, para reaver o acordo que o Conselho de Segurança rasgou ao defender e aprovar as sanções, avalizadas, também, pelo Brasil. É como se tivesse o governo arrependido de ter assinado as sanções, dispondo-se, em seguida, tirar a assinatura, insistindo numa causa que não considera perdida. Vai e vem diplomático.

Figuras horríveis

Qual a diferença entre um regime em que o reu confesso assassinou covardemente a namorada atirando pelas costas, mas mantém a justiça enrolando para dar decisão capaz de trancafiar o meliante machista e a justiça que manda apedrejar? Esse Pimenta éuma figura horrível.

Lula se diz contrariado por assiná-las, mas Ahmadinejad, igualmente, se diz contrariado por Lula não ter endurecido o discurso contra o CS da ONU, para dar consequência lógica aos desdobramentos das ações diplomáticas, caracterizadas por resistência à tendência que se consolidou, de as sansões comerciais se materializarem.

Na prática, as coisas se misturam, no plano da conscientização social e popular, para conferir desvantagem ao regime dos aiatolás: se vigora visão jurídico-machista-bárbara num país que busca conquistar a bomba atômica, para se defender do vizinho Israel, armado e rearmado pelos Estados Unidos,como estratégia de dissuassão, já que dois inimigos sabendo que ambos são poderosos e iguais em suas forças se anulam – num repeteco de guerra fria entre EUA-URSS – , tal visão não contaminaria o entendimento geral sobre as intenções maiores iranianas?
Tal abstração, embora passível de questionamento, dado que as más intensões não podem ser creditadas, apenas, ao Irã, no seu afã e direito de conquistar a cadeia produtiva nuclear – por que uns podem e outros, não? – , passa a garantir base de argumentação para os inimigos do Irã.
A secretária de Estado, Hillary Clinton, pede fim da barbárie, mas não tem moral suficiente para fazê-lo, visto que a barbárie, também, vigora nos Estados Unidos, em forma de pena de morte, sem contar o histórico imperialista registrado pela economia de guerra americana como impulsionadora da nação mais rica do mundo à custa de barbáries econômicas e políticas espalhadas na periferia econômica mundial.

Interesses conflitantes

As atrises pornôs, como Elisa Salmudio, correm, ainda, mais perigo contra os machões famosos, quando se engrvidam deles, podendo ser assassinadas pelos amigos do machão, cuja disponibilidade de dinheiro confere à personalidade doentia a sensação de poder tudo, como parece ser o caso do ex-goleiro do Flamengo, Bruno, tipo dos mais repelentes.

E barbárie por barbárie, da mesma forma, o caráter bárbaro do machismo brasileiro não está muito longe do homólogo iraniano, como se verifica no espantoso número de mortes de mulheres, assassinadas, brutalmente, pelos homens incapazes de aceitar o direito dos sexos em porções iguais..

No frigir dos ovos, a posição política iraniana de resistência à tentativa de proibir o Irã de conquistar a tecnologia nuclear se contamina negativamente pela cultura iraniana calcada no barbarismo jurídico, somando antipatias gerais.
Os acontecimentos, por sua vez, divulgados por uma mídia acomodada aos interesses das grandes potências, que se articulam midiativamente a favor da voz ideológica do império, contribuem para fragilizar relativamente a posição do Irã no cenário internacional, como se uma coisa, a tentativa da conquista da tecnologia nuclear, se misturasse com a outra, o comportamento bárbaro da justiça iraniana.
O Itamarati, como se verificou pelo esforço desdobrado do ministro Amorim, ao longo da semana, de tentar levar as duas faces do problema, sem abandonar a racionalidade, enfrenta a ambiguidade de suas posições, nesse instante, como sua principal adversária. Fica dificil separar o que considera o joio do trigo. Haja discurso diplomático capaz de acomodar interesses conflitantes.

Aiatolás no banco dos réus da humanidade

Categoria: (Cultura) por Cesar Fonseca em 17-07-2010

Quem não tiver pecado que jogue a primeira pedra. Esse foi o recado de Jesus Cristo aos seus contemporâneos que se escandalizaram quando ele recebeu Maria Madalena em seu meio, de forma carinhosa, tratando-a sem preconceitos, para espanto geral dos seus próprios discípulos. A moral cristã se assenta, dessa forma, diante da justiça do filho de Deus no ato de reconhecer a mulher não como pecadora, mas como agente propulsor do amor que é a lei geral do mundo. Se a justiça do Irã ainda não chegou à compreensão de Cristo, não dá para segurar a barra de um governo que se apoia em barbaridade cultural desse tamanho. Insuportável. Viva Sakineh Mohammadi Ashtiani.

O mundo globalizado, sob a instantaneidade da circulação da informação,  mexe fortemente com a consciência humana. Especialmente, quando ela se encontra diante de fatos chocantes para a civilização ocidental, cujo desenvolvimento, no plano científico, tecnológico, cultural, social, político, econômico e psicológico já alcançou patamares extraordinários, conformando espírito ético e moral superior, embora mesclados das contradições que se expressam em opostos anti-éticos e imorais sob sistemas econômicos nos quais os valores humanos são homogeneizados de forma medíocre pelo critério do lucro a qualquer custo. Não dá para suportar mais a presença da Idade Média em pleno século 21.

Nesse sentido, as aberrações comportamentais, no plano cultural, que estejam relacionadas ao culturalismo sociológico, histórico-ontológico, tornam-se inaceitáveis, impulsionando o senso comum para atitudes radicais, de reações de repúdio aos absurdos, exigindo reparações articuladas, igualmente, em escala global, dado que a sensibilidade humana é tocada e agredida de  forma aguda e insuportável.

É o tal caso da condenação à morte por apedrajamento de Sakineh Mohammadi Ashtiani, 43 anos, casada, acusada de adúltera pela justiça iraniana. Inaceitável tal decisão jurídica, visto que ela não tem nada do que se possa considerar mínima justiça.

O mundo inteiro se mobiliza em favor da preservação da vida de Ashtiani. Abaixos assinados na Europa, nos Estados Unidos, no Japão e, também, na América do Sul rolam em favor dela, com as diversas personalidades de destaques entrando no assunto, para tentar mudar o curso dos acontecimentos, marcados por uma visão bárbara, se relacionada à política de direitos humanos.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, comunicou ao seu colega chanceler iraniano Manouchehr Mottaki, do Irã,  que é impossível suportar essa barra, no Brasil, ficando o governo Lula calado, sem que haja profunda pressão social em cima dele, além do mais porque o assunto é horrível.

Sob pressão internacional, o governo Mamud Ahmadinejad forçou a justiça iraniana a suspender a execução. A suspensão ocorre, no entanto, em caráter temporário, podendo ser retomada a qualquer momento. Será possível?

Como o governo Lula justificaria, perante a sociedade brasileira, sua disposição de apoiar o governo do Irã contra as pressões internacionais, articuladas pelo Conselho de Segurança da ONU, com os Estados Unidos à frente, quanto ao justo direito de o Irã conquistar o ciclo da produção nuclear para utilização em fins pacíficos, como argumenta as autoridades iranianas, se a paz interna, no país, não se alcança por conta de comportamentos aberrantes como o que predomina de colocar a mulher sujeita a pena de morte por apedrejamento? Loucura.

Em tempo de campanha eleitoral, se o presidente Lula não tomar providências de dar declarações contundentes de repúdio à decisão da justiça do Irã, apegada aos métodos bárbaros, poderá colher dissabores. Sua candidata Dilma Rousseff já devida ter vindo a público dar declarações peremptórias contra esse escândalo cultural iranianao. E José Serra, da mesma forma, por que não se adiantou, ainda, para pregar o mesmo?

Se Lula é relacionado a Ahmadinejad, por força das relações exteriores, no jogo internacional, na defesa do Irã contra as pressões realizadas pelos Estados Unidos, que se mobilizam para ir à guerra contra o regime dos aiatolás, agilizando navios de guerra, armados com bombas nucleares, poderá sofrer desgastes fortes, como sofre, nesse instante, por ter cometido equívocos quanto aos presos cubanos, deportados para a Espanha, onde, aliás, não estão tendo tratamento digno, como eles mesmos destacam.

Em Cuba, em abril, quando Orlando Zapata acabara de morrer por realizar greve de fome de 85 dias, o presidente Lula, em visita a Fidel Castro, em vez de apoiar a força de vontade dos prisioneiros, que se dispuseram a ir à greve de fome, a fim de enfrentar a dureza do regime político, apoiado em partido único, ficou não apenas calado quanto à reivindicação, mas se adiantou em barbaridades, ao comparar os resistentes a bandidos prisioneiros nas cadeias de São Paulo. Foi dose prá leão.

Vai se configurando, no contexto das relações globais, sob impacto da velocidade das informações, que a política diplomática, quando está em questão os direitos humanos, não aceita tergiversação ou providência debaixo dos panos. Na aparência, procura-se fazer de conta que tudo vai bem, obrigado. Lula, em relação aos presos cubanos, que pediram a ele para interceder-se junto ao governo Raul Castro, para libertá-los, procurou, como destaca os diplomatas, agir sem colocar a cara para bater. Achou que haveria possibilidades de demover, apenas, encaminhando reclamações protocolares. Não deu.

Agora, também, em relação à Sakineh Mohammadi Ashtiani, Lula precisa dar um jeito, rapidamente, de mandar recado duro a Ahmadinejad. Não basta, apenas, o chanceler Celso Amorim escrever carta, protestar protocolarmente. Tem que botar a boca no trombone.

Onde estão, não, somente, Lula, mas, igualmente, Serra, Dilma e Marina, no compasso do avanço da barbaridade em terras iranianas contra a mulher? Insuportável.

O que pode pintar na cabeça do senso comum senão a conclusão de que o país que adota critérios jurídicos tão bárbaros para julgar adultério, naturalmente, não teria condições de contribuir, efetivamente, com a evolução da humanidade, quando tentam ter acesso às armas nucleares?

Se as mulheres iranianas são, nos casos extremos, tratadas dessa maneira, e sendo elas maioria , além de responsáveis pela multiplicação e preservação da espécie humana, o que esperar politicamente da classe dominante do Irã, senão compactuações com a barbaridade?

O governo Lula tem que falar grosso. Do contrário, muito mal comparando, se agir, apenas, na base do protocolo, fica parecendo que mantém-se , também, tímido em dar opiniões sobre a barbaridade que acontece, no Brasil, agora, com a jovem Salmudio, previsivelmente, assassinada, trucidada, retalhada e jogada aos cães. Santa mãe de Deus!