Política, novo desafio do poder cívico-militar

Política em cena

O maior desafio dos militares, a partir de agora, é fazer política.

Terão que relacionar, intensamente, com os civis.

Não, apenas, Congresso, mas organizações sociais, sindicatos, associações, todo poder representativo, conforme autoriza a Constituição de 1988, empoderando, politicamente, a sociedade.

O governo Bolsonaro, apoiado e operado pelos militares, em postos chaves, essencialmente, políticos, poderá dar pontapé em governo cívico militar democrático.

O presidente foi eleito pelas regras democráticas.

Pode-se chiar que houve fraude.

Se Bolsonaro tivesse perdido, estava pronto para denunciar que fora roubado; externou essa predisposição mais de uma vez, na campanha eleitoral.

Exigir apuração faz parte da democracia, e essa luta será levada adiante pela oposição; porém, esticar essa discussão, eternamente, seria produtivo?

A população, a partir de determinado momento, encheria o saco; o assunto não enche barriga; passaria a ser percebido como fuga do problema principal; pintaria reversão de expectativa, como enjoativo repeteco de samba de uma nota só.

Povo quer emprego

A população, pragmática, quer é mais emprego, mais salário, mais consumo, sem o qual a crise econômica continuaria, na batida neoliberal.

Seria continuidade de Temer o programa proposto por Paulo Guedes, essencialmente, ultra-arrocho no lombo do povo.

O programa Temer revelou-se fracasso eleitoral.

Os dois partidos, PMDB e PSDB, que deram sustentação ao presidente, depois do golpe de 2016, dançaram, fragorosamente; não passaram do primeiro turno.

Os militares voltariam ao poder, com Bolsonaro, depois de 33 anos de ausência dele(1984-2018), para seguirem programa eleitoral inviável e se desmoralizarem perante o povo?

Sairiam, moralmente, enxotados, como o governo Temer, com menos de 5% de apoio popular?

Dariam tiro no pé?

Não é o que parece.

Nacionalismo x Neoliberalismo

O general Fernando Azevedo e Silva, futuro ministro da Defesa, confirmou, no Correio Braziliense, domingo, a disposição do governo Bolsonaro trilhar caminho desenvolvimentista; ou seja, incompatível com a terapia econômica neoliberal de Paulo Guedes, à direita da de Temer.

O ministro foi taxativo: as forças armadas querem investimentos em cibernética(Exército); submarino nuclear(Marinha) e; tecnologia espacial(Aeronáutica).

Trata-se de proposta de política industrial.

Somente lançando mão das vanguardas tecnológicas, as forças armadas, segundo o ministro da Defesa, teriam plenas condições de exercerem seu papel constitucional, de garantia da soberania nacional, como fator de dinamismo econômico.

Novo poder cívico-militar, segundo o general, estará aberto e propício aos investimentos no setor de defesa; será a via pela qual os militares pretendem contribuir para o desenvolvimento econômico.

A estrutura produtiva e ocupacional brasileira seria dinamizada, na visão de Azevedo, pela renovação do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, como vetores de novo desenvolvimentismo, com base no Plano Nacional de Defesa(PND), essencialmente, nacionalista, aprovado, em 2005, no Governo Lula.

Limitação orçamentária

Tem um porém esse plano desenvolvimentista militar, executado pelos capitalistas ocidentais e orientais, todos, nacionalistas, Estados Unidos, Europa, China e Rússia: ele não cabe no orçamento ultraneoliberal de Paulo Guedes, o guru econômico de Bolsonaro.

Choques à vista.

Para executar essa tarefa, os militares, mais uma vez, terão que fazer política, muita política, para garantir, no Congresso, o orçamento para a defesa, como fator estratégico.

Por aí os militares consideram colocar em prática plano nacionalista que refletirá sobre toda a economia.

Para eles, uma Petrobras, uma Eletrobras, operando na linha de apoio à defesa, não poderiam ser privatizadas, por possuírem papel estratégico, essencial à soberania nacional etc.

Congelamento neoliberal, o impasse

Igualmente, entra em contradição com o Plano Guedes o congelamento de gastos públicos, por vinte anos, obediente ao teto variável, apenas, pela inflação do ano anterior.

Como o plano ultraneoliberal visa inflação baixa via ajuste fiscal drástico, os gastos, obedientes ao teto, seriam sempre decrescentes, insuficientes, portanto, para atender escala de produção industrial reivindicada pelos militares.

Guedes passaria a ser natural obstáculo ao nacionalismo econômico implícito tanto no Plano de Defesa Nacional(PDN), como na Estratégia Nacional de Defesa(END).

Haveria choque inevitável entre a tentação dos militares e a orientação maquiavélica de Guedes para zerar o déficit público de R$ 159 bilhões, preferencialmente, em um ano.

A estratégia paloguedeseana seria a de fazer o mal todo de uma vez, em um ano, para tentar alcançar o bem aos pouquinhos.

Essa tese criaria imediata antítese: a resistência política popular.

França à vista?

Assim como os franceses estão indo às ruas contra o ajuste fiscal neoliberal de Macron, poderia ou não acontecer o mesmo, no Brasil, com o super-arrocho – muito pior do que o do presidente francês – de Bolsonaro e Guedes?

O time de Bolsonaro, como disse o general, está, ainda, no vestiário, mas, doidinho, para entrar em campo, tentando dar novo rumo ao país.

Qual rumo?

Recessão à lá Temer, que não ganha eleição, ou desenvolvimentismo à lá Lula, que produz votos aos borbotões?

O fato é que, como diz o general Villas Boas, em palestra, no Ceub, no Dia do Soldado, em 2016, o país não sairá da crise se mantiver-se prisioneiro do mercado financeiro, que não pensa, estrategicamente, constituindo-se, em essência, em perigo para a segurança nacional.

O programa de Guedes é puro mercado financeiro.

Logo….

 

Direita, volver: militarização educacional-cultural anticapitalista-fundamentalista bolsonariana

Educação familiar

Os militares emplacaram o novo ministro da Educação, Ricardo Velez Rodrigues, colombiano, egresso da teologia acadêmica, na Universidade Federal de Juiz de Fora, e professor da escola de comando do Estado Maior.

Suas primeiras declarações são as de priorizar a educação familiar, na linha do projeto de lei bolsonariano, em tramitação, no Congresso, da denominada escola sem partido, pregada – e, agora, negada – pelo filósofo anti-acadêmico de direita, Olavo Carvalho; trata-se de ideologizar a educação brasileira, voltando-a, preferencialmente, para os valores familiares em relação aos valores mundanos, desenvolvidos na social democracia sintonizada com a Constituição de 1988.

De acordo com a nova ordem, o Ministério da Educação recomendaria, para concretização da educação familiar, a criação, nas escolas, dos comitês de ética, a objetivar união família-escola; a família conduziria a escola e não a escola a família; abre-se, dessa forma, conflito ideológico sócio-econômico-cultural, no Brasil, inserido, por sua vez, no contexto da globalização capitalista cultural ocidental.

A educação bolsonariana, monitorada pela cultura religiosa evangélica, fundamentalista, anti-ocidental, quer remover o que está assentado na Constituição de 1988, a pluralidade democrática, consagrada na lei de diretrizes e bases; sua origem cultural, por sua vez, está no pensamento ocidental, desenvolvido mais intensamente no século 20 no curso do progresso social democrata, no pós-segunda guerra mundial.

Fim da pluralidade social democrata

Nos governos do PT, a pluralidade ganhou dimensão extraordinária, no compasso do processo de melhor distribuição da renda; nova regra para o salário mínimo, reajustado pelo desenvolvimento econômico, impulsionado como opção pelo social como base da dinamização econômica, criou nova realidade social participativa.

Maior poder de compra aumentou as demandas sociais culturais, que influenciam, decisivamente, a expansão de novos costumes, novos consumidores, sempre associados à necessidade de expansão consumista capitalista, para justificar investimentos em escala.

A extroversão cultural, sexual e ideológica, associada à liberação dos costumes etc avançou, significativamente, com a oferta de oportunidades às classes sociais mais pobres por mais educação, cobrindo todos os ciclos, do primário ao superior; ampliaram-se mercado de trabalho e mercado consumidor cultural capitalista, motor de reprodução do capital investidor, público e privado.

Haveria essa expansão em governos tucanos, por exemplo, se eles tivessem exercido, para valer, a social democracia – que o bolsonarismo ideológico generaliza como comunista -, e não um arremedo social democrata, cuja eficácia eleitoral inexistiu, ao longo de 4 disputas presidenciais entre PSDB e PT; os tucanos jamais  distribuíram renda; foram punidos nas urnas, seguidamente.

A social democracia tucana vigorou, apenas, da boca para fora, em comparação à social democracia praticada pelo PT, que se revelou, eleitoralmente, sucesso; somente foi barrada pelo golpe neoliberal de 2016, para prender Lula, candidato petista, sem prova concreta do suposto crime praticado.

Perigo revolucionário

A democratização social, econômica e cultural petista transformou a social democracia brasileira em perigo revolucionário, para o fundamentalismo evangélico, cultor dos valores conservadores; com Bolsonaro, a bancada evangélica quer reverter essa lógica; planeja expandir-se, política, social, comercial e ideologicamente, de preferência.

Sobretudo, a tarefa de destruição da social democracia, no governo Bolsonaro, visa, em nome do combate à corrupção, acelerar economia do livre mercado – melhor remédio contra a corrupção social democrata.

O livre mercado, portanto, requer a bancarrota da social democracia, fonte de corrupção dos valores e dos costumes, alvo preferencial a ser atacado pela cultura evangélica, restauradora de nova moralidade.

A educação social democrata, para os evangélicos, possui o germe destruidor da crítica; ele precisa ser eliminado, com supressão do pluralismo democrático, cuja essência é a liberdade; essa dinâmica libertária incomoda os evangélicos; consideram-na corruptora dos valores familiares; para mantê-los e fortalecê-los, tome escola sem partido, marcha fúnebre rumo à obscuridade cultural de neo idade média em pleno século 21.

Má notícia para negócios

Do ponto de vista dos capitalistas da indústria cultural, essa estratégia obscurantista, que marca fim da pluralidade ideológica, para estabelecer a ordem evangélica, inibe negócios e inviabiliza os lucros industriais, dependentes do comércio da cultura e da educação.

A estratégia educacional fundamentalista, que está por trás da escola sem partido, capitaneada pelo ministro Rodrigues, apoiado pelos militares, baterá de frente com os capitalistas da indústria cultural social democrata, essencialmente, plural – puro comunismo, segundo o bolsonarismo ideológico.

Seria uma boa para a imagem popular dos militares, que bancariam o novo ministro e sua política obscurantista culturalmente prejudicial aos negócios?

Os militares, em nome da ideologia, estariam dispostos a destruir a indústria cultural anti-fundamentalista, que precisa, para sobreviver, da pluralidade cultural capitalista, como negócio que se espalha, no mercado global?

A contradição essencial é que o imaginário social libertário, que movimenta a indústria cultural, dependente do mercado plural, teria que ser exterminado, para dar espaço ao obscurantismo evangélico bolsonarista militarista medieval.

O resultado, claro, seria mais desemprego, menos renda, menos consumo, menos produção, arrecadação e investimento e mais recessão e tensão social.

Greves universitárias estão à vista como antítese a essa tese bolsonariana conservadora anticapitalista.

Juristocracia e militares, aliança sombria ameaça democracia

O protagonismo do general Villas Boas, comandante do Exército, influindo, firme, sobre decisões do STF, que impediram concessão de habeas corpus a Lula e sua participação no processo eleitoral, peitando a ONU, dizendo que ela não poderia interferir na soberania nacional, transformou-se em novo espectro sombrio do poder militar, pairando sobre instituições democráticas.

Em meio a essas sombras, por meio das quais o panorama político ficou turvo e indefinido, à espera de surpresas, possivelmente, desagradáveis, Dias Toffoli, presidente do STF, cordeirinho, estranha e surpreendentemente, disse, hoje, em SP, que não houve golpe em 1964, mas, apenas, um movimento.

Suas surpreendentes declarações vem na esteira da indicação, feita por Villas Boas, de general reformado para ser assessorar da nova presidência do Supremo.

Daqui a pouco, Toffoli coloca farda e quepe, para assumir a cadeira do STF, a caráter.

Direita, volver!

Elefante voando

O fato é que elefantes parecem  que estão voando no ar brasileiro.

Os fardados estão em ação, cada vez mais intensa, na tarefa de serem ativos protagonistas no processo político, agora, a partir da candidatura Bolsonaro, que entrou em buraqueira, por erros estratégicos dos seus próprios componentes, levantando desconfianças na sociedade.

De um lado o vice general Mourão deitou falação quanto à possibilidade de serem removidas conquistas econômicas e sociais dos trabalhadores, como o 13º salário e o adicional de férias; também, deixou no ar perigo de  ocorrer mudanças constitucionais à revelia do poder popular; o serviço poderia ser feito por juristas escolhidos a dedo, para tal tarefa etc. Antes, Mourão, já havia dito o disparate de que filhos criados por avós, na ausência dos país, são matéria prima para o narcotráfico; e por aí vai.

Já Bolsonaro, igualmente, em cavalgaduras trepidantes, destacou não aceitar resultados das urnas, se perder a eleição.

Recebeu pancadas de todos os lados.

As manifestações das mulheres, no último final de semana, contra #elenão representaram, possivelmente, pá de cal em chances de vitória bolsonarista.

Tudo isso revelou, em poucos dias, o que seria governo militar em que capitão manda em general, caso Bolsonaro saísse vitorioso, sinalizando, do ponto de vista militar, quebras de hierarquias aos olhos dos fardados, embora, a política seja algo mais sofisticado do que bater continências.

A democracia, insegura, está tremendo nas bases.

PSDB golpeou democracia e produziu intolerância e ódio

Cinismo tucano

FHC não fala a verdade na sua carta aos eleitores e eleitoras a clamar tolerância e união contra a marcha da insensatez radical do “eles contra nós”.

O cinismo aflora na fala do ex-presidente.

Não há sinceridade.

Se tivesse, ele faria como o senador cearense tucano Tasso Jereissati, que botou o dedo na ferida.

Reconheceu que grande erro, pelo qual toda a população está pagando, agora, em forma desemprego e fome, ódio e intolerância, começou com o PSDB ao concordar com a insensatez louca de Aécio Neves de contestar o resultado eleitoral de 2014.

O sobrinho irresponsável de Tancredo arremeteu-se contra a democracia, só para encher o saco do PT vitorioso nas urnas, com Dilma eleita com 54 milhões de votos.

Onde estava FHC, naquele momento, que não soltou uma carta como a que acaba de escrever, antevendo risco para a democracia, logo ele que gosta de preanunciar tudo, como se fosse gênio da raça?

Tremendo oportunista, enfiou a cabeça na areia, como avestruz.

Deixou rolar irresponsavelmente sabotagem política golpista que levou a economia ao caos, ao desemprego acelerado, à fuga dos investimentos, à instabilidade política, ao longo de 2015 e 2016, produzindo queda de 9% do PIB. 

Fuga da realidade  

Não se justifica queda tamanha da economia, sem interferência de algo extraordinariamente extemporâneo.

É insuficiente dizer que o governo ilegítimo golpista Temer, do PMDB, que se aliou ao PSDB, para concretizar a verdadeira insensatez do impeachment sem crime de responsabilidade, herdou o desastre econômico deficitário.

Igualmente, é não contar toda a verdade afirmar que tudo foi culpa da chamada nova matriz econômica petista.

Representaram, sim, distorções graves os subsídios aos capitalistas tupiniquins para sustentar sua taxa de lucro, devido à incapacidade deles de serem competitivos na economia global, dada dependência crônica de poupança externa.

Isso é histórico.

Todos governos anteriores concederam benefícios aos capitalistas, afetados por políticas macroeconômicas impostas pelos credores da dívida pública.

A fragilidade da burguesia industrial tupiniquim é congênita, sempre afetada pelas especulações dos defensores da abertura ao capital especulativo, produtor de desajustes cambiais e deterioração nos termos de troca.

Já abrindo o bico, os empresários pressionaram o governo Dilma para obter benefícios e o aplaudiram, como destacou Delfim Netto.

Não tem inocentes aí.

É luta de classe, o oligopólio contra o povo.

Jogo de compensação  

Também, entre 2013 e 2014, representou distorção complicada atrasar reajustes de tarifas de energia e combustíveis, para combater a inflação, ao lado dos subsídios aos capitalistas enforcados pelo juro alto especulativo. 

Compensatoriamente, o governo sustentou poder de compra dos trabalhadores, para garantir consumo interno, conferindo, portanto, vantagem adicional aos poderosos da Fiesp.

Afinal, sem consumidores, de nada adiantariam as isenções e perdões fiscais, para sustentar lucratividade empresarial.

O governo, portanto, não errou sozinho, nesse exercício de dirigismo estatal da economia, que está na base da “Nova matriz econômica petista”, sintonizada com as demandas dos empresários, objetivando ativar economia para gerar empregos.

Economia política petista 

A “nova matriz econômica” foi jogo de compensação entre capital dirigista forte e salário relativamente valorizado pela combinação de crescimento PIB-inflação.

O modelo exige permanente negociação e é dotado de crescente conteúdo político na sua formação e formulação.

De um lado, os empresários se organizam para levar o seu; de outros, os trabalhadores fazem a mesma coisa.

O golpe político de 2016 foi dado em cima do caráter político da nova matriz econômica petista, que não é um produto econômico neutro, mas político.

A nova matriz não é algo mecânico, mas essencialmente dialético.

Seu conteúdo é, essencialmente, político.

Por isso representa, na disputa eleitoral, maior fator de tensão.

O fracasso neoliberal tucano-peemedebista, eleitoralmente, inviável, deve ou não ressuscitar a matriz econômica petista, como movimento político dialético de negação da economia ortodoxa? 

Desastre neoliberal  

No novo governo estará em disputa dois modelos: um que não deu certo, com Temer, e o que foi interrompido pelo golpe neoliberal institucional dado pelo PMDB-PSDB.

Os programas da esquerda – Haddad-Manuela-Lula, Ciro Gomes, Guilherme Boulos – são incompatíveis com as propostas neoliberais de Temer, Alckmin, Bolsonaro, Amoedo.

O desastre do programa neoliberal Ponte para o Futuro, base para a orientação da direita, em geral, está sendo vomitado nas redes sociais.

Destruição dos direitos econômicos e sociais dos trabalhadores inscritos na Constituição; venda do patrimônio nacional, na bacia das almas, caso do Pré Sal; e congelamento dos gastos públicos sociais, que giram a economia, produzindo emprego, detonou bancarrota eleitoral dos partidos dos banqueiros, PSDB e PMDB, base do governo Temer.

O desastre neoliberal destruiu o centro político conservador golpista, graças a insensatez política tucana.

Ela FHC não enxerga.

O fenômeno Bolsonaro, fruto do golpe institucional tucano-peemedebista, engoliu o chamado centro político que a candidatura Alckmim tentou encarnar.

Os tucanos criaram o monstro; agora estão sendo engolidos pela cria.

Querem culpar o PT por isso?

Grande Bud

?

Momento historico lulista extraordinário

ABRAÇAÇO POPULAR

Hora do líder

Lula está diante da sua decisão mais delicada: espera até dia 17, prazo final, para tentar obter registro da sua candidatura, ou antecipa ela para, hoje, 11, a fim de atender prazo fixado pelo ministro Barroso, que ameaça suspender participação do PT nas eleições?

Se resistir e Barroso não tiver força para cancelar o PT na disputa, Lula mostra que a resistência democrática, assegurada pela atual legislação eleitoral, desmoraliza autoritarismo jurídico de Barroso, avalizado pelo TSE.

Corre a favor de Lula, para garantir sua resistência, outra determinação da ONU, assegurando seu direito de ser candidato, conforme determinam tratados nesse sentido, aprovados pelo Congresso.

Se prevalecer pressão, de todos os lados contra o ex-presidente, para que ele decida, hoje, a escolha de Haddad ou outro para substitui-lo, ficaria esquisito.

Caso Lula se renda à pressão, livra o STF de se pronunciar contra ou a favor dele, quanto à liminar que solicita, por meio dos seus advogados, para disputar sob judice, como lhe garante a Lei da Ficha Limpa.

Por que fazer esse favor ao judiciário, livrando-o de ter que decidir sobre o que a ONU está determinando?

Se, conforme dizem, a capacidade de Lula transmitir seu apoio a quem quer que seja, com chance de elegê-lo, é poderosa, podendo produzir efeitos, praticamente, imediatos, para desespero dos seus adversários, por que deixar de exercitar esse poder imenso de resistir aos que o querem longe da disputa?

Desespero dos descontente

Certamente, Lula exaspera os dois lados que, ansiosamente, aguardam sua decisão:

1 – de um lado, seus correligionários, temerosos de que o tempo está se esgotando, podendo ficar prejudicada sua capacidade de materializar em outro candidato sua própria força eleitoral e;

2 – de outro, morrem de medo os adversários de  terem que cassar o candidato, produzindo, consequentemente, efeitos, politicamente, bombásticos, desestabilizadores.

A bola, portanto, está, mais do que nunca, com Lula, parecendo firme no comando do processo político.

Os analistas se descabelam, como Merval, do Globo, considerando absurda a resistência dele.

Como absurda, se ela não é outra coisa senão prerrogativa democrática assegurada pela lei?

Na guerra de posições, a capacidade de resistência é talvez mais importante que o ataque.

O ataque lulista é jogar para cima dos seus algozes a responsabilidade de destruí-lo, politicamente, no momento em que as pesquisas gritam, absurdamente, seu favoritismo eleitoral.