A menina de Ouro Fino

Clara Favilla (@clarafavilla) | Twitter

Relato de uma emoção

“Tempestade tropical”, da jornalista Clara Favilla, é o relato brilhante dela de si e de todos nós, em sua caminhada trepidante atrás do sentido da vida, da notícia – sua matéria prima -, dos momentos inesperados, das emoções repentinas, das observações sutis do cotidiano e. sobretudo, do amor aos antepassados italianos; eles, por sua vez, despertam a paixão de Clara pela Europa; bebeu sua rica cultura para relatar a saga da sua família; as memorias dos italianos que marcam a vida brasileira são as argamassas do ser Clara Faville.

A menina  de Ouro Fino, terra de  montanhas e vales nas Gerais, terra do ouro e da agricultura, é fogo na roupa; escuta todas as conversas, faz todas as perguntas, bisbilhota, anota tudo e expele pelos poros emoção e poesia; sua narrativa invade nosso íntimo para que conheçamos o íntimo dela expresso em nós, mesmos; somos, em “Tempestade tropical”, comandados pela inteligência multifacetada de mulher moderna, universal, inteligente, como personagem de Pessoa: curiosíssima, insaciável pelos relatos, eles ficam gravados no fundo da gente; a menina de Ouro Fino, do sul das Gerais, extrai dos seus antepassados italianos a sabedoria marcada pelas experiências das famílias europeias que enfrentaram as guerras; sair da Itália na guerra era viver a experiência da negação da nação pelos seus filhos; os italianos entravam no navio para virem para cá de costas para a Itália; consideram a pátria uma madrasta, no tempo de Mussolini.

À flor da pele

É imperdível a descrição de Clara sobre a vida afetiva e efetiva, sob o duro trabalho dos migrantes, em busca de sobrevivência no Brasil; Ouro Fino foi habitat dessa população migratória para plantar café que iria construir a industrialização nacional com a revolução nacionalista de Getúlio; a humanidade dos emigrantes italianos familiares de Clara se aprofundam, espetacularmente, nas observações da jornalista e escritora; os detalhes dos afazeres domésticos, a culinária, as numerosas famílias e suas relações solidárias de classe, na construção de uma realidade em terra braziliz, são aula de dialética dos costumes; são traçados por observação sutil que encadeia movimento do passado com o presente e vice-versa, projetando, pela lei do movimento, o futuro; vê-se a vida se construindo no suor do dia a dia, cansativo e monótono, mas, também, agregador de valores morais, religiosos e culturais; a migração interna da família de Clara, nos anos de 1960, até Brasília, é aula de desenvolvimento econômico, político e sócio-cultural de uma sociedade brasileira em construção; JK fica na memória de todos; sobretudo, com Clara, destaca-se a dinâmica das relações de uma Europa miscigenando com brasileiros sendo tecida, poeticamente, em passagens memoráveis do cotidiano emigratório.

Essa mutação levará Clara ao mundo da sua aventura profissional; suas viagens relatadas com o sabor da sutileza e da carga emocional de quem saboreia a vida em cada um dos seus momentos, produz simultaneamente emoção e poesia. Não poderia dar outra: Clara abraçou a vida de repórter e virou escritora com seus cadernos de viagem; seu impulso é voar e escrever, para conhecer a humanidade em sua essência cristalina; tive a sorte de trabalhar ao lado dela; curiosíssima, inquieta, vivacidade a mil, a escritora domina a arte da palavra, apurada em ritmo de trabalho intenso de repórter, tarimbada na cobertura nacional e internacional;

Fruta madura

Em “Tempestade tropical”, Clara se desnuda inteira para o usufruto de sua arte requintada de registrar e escrever com competência,  paixão e graça; a paixão pela Europa e seus descendentes italianos é uma viagem histórica, estórica,  íntima e emocional; mergulho no inconsciente que é a verdade; de Ouro Fino para o mundo, sempre apegada ao seu instrumento maior de trabalho: suas raízes fortes capazes de sugar do solo todo o substrato que constitui sua naturaleza  ítalo-latinoamericana-brazilena; vamos esperar as próximas narrativas porque a viagem com Clara apenas começou; ela tem muito a contar sobre a melhor definição de Brasília no cenário nacional, dada por ela: “Esta é a cidade das tempestades em copos dágua.”

Biden veta Putin-Sputnik para vender Oxford no Brasil

Putin deseja saúde a Biden após presidente americano chamá-lo de assassino - Jornal O Globo

Guerra das vacinas

A enrolação programada e calculada da Anvisa para não aprovar a Sputnik, vacina russa, atende interesse dos Estados Unidos, na guerra da vacina; quanto mais adiar parecer favorável, melhor para os americanos; o ministro Ricardo Lewandowsk entrou na briga e não aceitou adiamento de mais 30 dias pedido pela Anvisa, para aprovar a Sputnik; Biden quer desovar estoque de vacina anglo-saxã, a Oxford, na América Latina e no Brasil; por isso pressiona o presidente Bolsonarono a enrolar Putin e sua vacina; no cenário da pandemia, as indústrias americanas comparecem para disputar o mercado contra a vacina russa e chinesa; Biden quer inviabilizar a vida dos concorrentes em território latino-americano; a velha máxima da América para os americanos da Doutrina Monroe continua viva e atuante; o objetivo maior de Biden é bombardear Coronavak e Sputnik; a estratégia do império americano é ampliar estoque mundial de vacinas anglo-saxãs, para distribuir no mercado latino-americano via oligopólios privados; mera operação comercial, do ponto de vista capitalista de Tio Sam. Tal tentativa hegemônica americana, porém, claudica no contexto em que a demanda é maior que oferta e a preferência mundial tende para as vacinas chinesas e russas.

Bloqueio imperial renovado

Trump, antes de Biden, já tinha recomendado a Bolsonaro não comprar vacina russa; a ordem segue com Biden; no auge da pandemia, no Brasil, o governo Bolsonaro se submete a um bloqueio comercial escancarado: não pode negociar com Putin; a diplomacia americana levantou barreira comercial à Sputnik, por enquanto, disfarçada; é o mesmo bloqueio que Tio Sam decretou por meio da Otan para não comercializar com a Rússia a fim de não vingar conquista russa na Crimeia; o poder militar russo assombra Biden, que tenta contorná-lo com guerras comerciais; veto de Biden à Sputnik é ordem de Washington a Brasília para não negociar com Wladimir Putin; o veto da Casa Branca é amplo: comercial e geopolítico; Tio Sam não quer aproximação da América Latina com Moscou nem com Pequim; o problema é que a América Latina só consegue pagar suas dívidas aos banqueiros do império, se exportar para a China; o Brasil se transformou em espaço de disputa geopolítica entre as três grandes potências, comercial, industrial e militar, no auge da pandemia.

Nova moeda de troca

Bolsonaro se rendeu a Trump e, agora, rende-se a Biden; o negócio dos Estados Unidos são os negócios; a vacina virou moeda de troca e acumulação capitalista está sendo reanimada por ela via demanda estatal para atender populações desesperadas pela vacina; são os governos que compram o produto; ou seja, irrigam, keynesianamente, a circulação capitalista com moeda emitida para comprar vacinas; todos governos capitalistas se renderam à lógica de que o gasto público é a alavanca capitalista indispensável na pandemia; só, no Brasil, Bolsonaro e Paulo Guedes nadam contra a corrente, num surto psicótico neoliberalizante de autodestruição. E agora a situação se agrava com o bloqueio comercial às vacinas russas; trata-se de algo  semelhante ao bloqueio comercial dos Estados Unidos a Cuba que se estende por 60 anos.

Legalizar é industrializar; capital é droga, droga é capital

Blog - The Green Hub - Aceleradora de Startup

Criminalizar é desindustrializar

Os capitalistas americanos estão na vanguarda da expansão da indústria da maconha a partir da matéria prima explorada na colônia tupinquim. A charada é a seguinte: a gente, na periferia capitalista, fica na produção de matéria prima, enquanto, exportada, é industrializada nos países ricos; somos maior plantador de maconha, mas não industrializamos o produto; a matéria prima é processada lá fora; foi assim com a cana, com o ouro, com o café; é a eterna dependência, presente, atualmente, na Lei Kandir; legalizou-se a dependência por meio da criminalização da maconha; esqueceu-se que criminalizar é igual a não industrializar; o Brasil só pode produzir a matéria prima; industrializa-la, não; tal condição torna Brasil colônia ingênua onde frutifica pensamento conservador fundamentalista medieval manipulado pelos fantasmas da ideologia utilitarista da ignorância; no maior país agrícola do mundo, que produz até três safras anuais, graças ao sol, água, terra e biodiversidade exuberantes, preserva-se condição de colônia do capitalismo cêntrico; mera reserva de riqueza primária para ser explorada lá fora, sem pagar royalties; 1.500 começou assim. O neoliberalismo de Chicago leva o país ao retrocesso, voltando a 1.500.

Nacionalismo e Revolução de 30

Getúlio Vargas, líder da revolução de 1930 e construtor do Estado nacional,  tinha razão: os capitalistas brasileiros são burros; não pensam com a própria cabeça; José Bonifácio, patriarca da Independência, guru político de Getúlio, considerava esse o maior perigo para a unidade nacional e projeção do Brasil como potência global; na economia, em vez de se pensar com cabeça brasileira, getulista, chinesa etc, pensa-se com a cabeça de Chicago, subserviente; por que, em relação à maconha, não explorar seu potencial para expandir a riqueza e taxar fortemente os produtores, enquanto educa os consumidores por meio de oferta de saúde pública adequada à preservação e conservação da vida? Há, como disse Fernando Gabeira, uma cadeia produtiva a ser explorada em todos os ramos da economia, relativamente à cannabis.

Dominar tecnologia da maconha

Os povos desenvolvidos avançam na transformação da matéria prima por meio de tecnologias sofisticadas, da maconha, da cocaína e seus subprodutos industrializados; geram, dessa forma, empregos de qualidade, multiplicadores de riqueza, arrecadação, investimento e prosperidade em seus países; industrializam a matéria prima tupiniquim e faturam mais com a agregação de valor industrial; ao mesmo tempo, como promete o presidente americano, Joe Biden, taxa-se fortemente os capitalistas, para melhor distribuir renda nos Estados Unidos.

Demorou

Já não está passando a hora de legalizar? Legalizar a maconha é libertar o país para industrializar a maconha; assegurar maior valor agregado e mais empregos especializados de qualidade no Brasil e não nos outros países. Não representaria essa ação estatal pontapé na industrialização e, ao mesmo tempo, combate eficaz ao crime organizado que se expande diante dessa ausência de política pública? As consequências estão aí expostas: destruição de uma juventude arregimentada pelo tráfico, maior beneficiado com tal ilegalidade, politicamente, calculada pelos que se enriquecem exponencialmente com ela. Criminalizar a maconha e a cocaína é garantir a continuidade do Brasil colônia que nunca chega a ser industrializado. A moralidade imperialista impede que a colônia pense conforme a realidade, mas conforme à ficção, à alienação em que se encontra e nela se aprofunda; enquanto predominar tal condição continuará o processo de exploração colonial e a infantilidade moralista do capitalismo tupiniquim.
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Deus está na consciência ou na igreja?

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Deus, Coronavírus e STF

Fechar igreja, agora, é restringir direitos ou garantir vidas? Nesse instante mundial extraordinário, que é mais importante: garantir vidas, restringindo aglomerações, ou assegurar direitos, ameaçando vidas? Se Deus – como diz o Espírito da Verdade em resposta a Kardec, no Livro dos Espíritos, questão 621 – está na consciência e não na igreja, seja ela de que culto religioso for, cultivá-lo em casa, no auge da pandemia, é ou não ato de preservação da vida e refúgio contra morte? A restrição não é, portanto, de culto, mas de aglomeração; o direito de exercitar a crença religiosa não estaria em questão, mas, tão somente, a recomendação científica, sabendo dos conhecimentos científicos quanto à natureza do novo coronavírus, cuja disseminação decorre da sua circulação facilitada pela aglomeração; no silêncio do quarto de cada um, com sua consciência, onde abriga Deus, está ou não o templo comum de todos, em tempos de necessidade de precaução? Onde, “em meu nome”, disse Jesus nas escrituras, se reúne, para orar a Deus, “nosso pai”, seja em casa, seja na igreja, seja na rua, está ou não o templo divino? Se, presentemente, o perigo da vida está não em casa, no recolhimento/isolamento espiritual, mas no templo ou na rua, onde se se aglomera, para garantir circulação ao vírus assassino, é ou não burrice adorar a Deus fora do lar, se ele está na consciência de cada um? Por que buscá-lo fora de si, se ele está em si, mesmo?

Culto à vida ou à morte?

Morrer indo à igreja, na busca da adoração a Deus, não é uma violência contra a vida, se você, em casa, pode preservá-la, garantindo sua crença, sabendo que esta é sua própria consciência, onde Deus habita? Estaria ou não pensando nesse sentido o papa Francisco na sexta feira da Paixão quando rezava na   praça vazia de São Pedro para os fieis em seus lares em todo o mundo, de modo a se resguardaram do perigo de morte? Por outro lado, o negacionismo bolsonarista à ciência, para afirmação de crendices fundamentalistas, mediante presença em cultos religiosos, ou seja, face às aglomerações, onde se encontra terreno propício ao vírus, não representaria negação à vida e culto à morte? O embate judicial, nessa quarta feira, entre os ministros do STF, Kássio Nunes Marques, favorável à abertura das igrejas, e Gilmar Mendes, ao fechamento delas, no auge do perigo de circulação do vírus, será, portanto, pedagógico; estará frente a frente a ciência e o obscurantismo, a civilização e a barbárie, no país onde a mutação agressiva do novo coronavírus recomenda fuga do perigo que representa, quando já matou mais de 330 mil pessoas. O problema, naturalmente, apaixonante, põe em cena a ação política e administrativa do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, cuja racionalidade, colocada a serviço da preservação da vida, passa a ser julgada tanto pela justiça como pela população, ambas sujeitas à razão e à paixão, dado seu grau de civilização.

Narrativa terrorista midiática da Folha contra Lula

Esquerda sem narrativa

O problema da esquerda brasileira, segundo o jurista marxista Alysson Mascaro, é que ela não construiu ao longo da Nova República, pós ditadura militar, o instrumental necessário para conduzir sua narrativa política engajada com os interesses populares; depende, sempre, da narrativa alheia, invariavelmente, inimiga dela; veja essa vagabunda pesquisa armada pelo DataFolha, hoje, em que inicia a narrativa nova da direita contra a esquerda com claro objetivo de inviabilizar candidatura Lula; o que faria a responsabilidade honesta de veículo de comunicação que se diz independente como a Folha de São Paulo? Trabalharia em cima da realidade, ou seja, a tendência das pesquisas, como a Fórum, de grande credibilidade, cujos dados colocam Lula na frente de Bolsonaro numa disputa de segundo turno em 2022; essa tendência ficou clara com entrevista do ex-presidente depois da decisão jurídica do ministro Fachin, do STF, que liberou ele para disputar eleição; com base nos dados da Operação Vazajato, que deixou clara manipulação realizada pelo ex-ministro e ex-juiz, Sérgio Moro, com os procuradores, para forçar condenação de Lula e sua consequente inviabilidade eleitoral, apoiada na Lei da Ficha Limpa, Fachin decidiu favoravelmente ao ex-presidente; imediatamente, criou-se novo clima político no país; a farsa da Operação Lavajato caiu por terra e ficou evidente a necessidade de o STF declarar Moro suspeito pelo que fez; essa é uma evidência/exigênica clara reclamada, tanto no Brasil como em todo o mundo; as chances eleitorais de Lula explodiram e colocaram a direita e, principalmente, Bolsonaro em sinuca de bico; o que faz a Folha, dez dias depois da decisão de Fachin? Busca, com seu instrumental golpista, a Pesquisa Data Folha, distorcer os fatos e criar nova narrativa; 51% dos pesquisas acham Lula culpado; induz o leitor a concluir que Moro estava certo e que Fachin errou em liberar Lula; fica clara a torcida da Folha em provocar uma inversão falsa dos fatos.

Manipulação explícita

Por que isso tem, historicamente, ocorrido, no Brasil, especialmente, na Era Petista, que se iniciou em 2003 e terminou com o golpe neoliberal de 2016, dado pelas forças externas, aliadas à elite interna? Poderiam ser citados vários fatores como essa união do capitalismo internacional com as forças internas reacionárias golpistas, impermeáveis às mudanças estruturais no país onde se registra maior desigualdade social no planeta terra; o subconsumismo capitalista tupiniquim, devido à ultraconcentração da renda nacional, transformou-se em maior fator de fuga de capital/inflação/recessão, depois que o PT, Lula e Dilma, foi derrubado pelo golpe neoliberal; mas quem debate o problema? Só a mídia golpista, porque a esquerda não tem mídia; a população mais pobre que se beneficiou da distribuição da renda nacional durante PT no poder não leu nada disso numa mídia de esquerda; Lula e Dilma não operaram politicamente as mídias comunitárias; pelo contrário, puxaram tapete dela, fazendo o contrário do que fizeram Evo Morales, na Bolívia, e Hugo Chaves e Maduro, na Venezuela; também, na Argentina, Cristina Kirchner rompeu com o oligopólio midiátio argentino, comandado pelo Grupo Clarin, teleguiado de Washington, como são as mídias conservadoras brasileiras, com destaque para a TV Globo etc; resultado:, PT não cacarejou com mídia de esquerda a sua façanha política histórica; por isso, como diz o repórter da Telesur e da TV Comunitária, Beto Almeida, ninguém ficou sabendo das obras petistas progressistas, populares, educativas, revolucionárias; o PT virou partido globodependente;  consequentemente, não houve reação popular ao golpe de 2016, para desalojar as forças populares do poder; está, portanto, certo Alysson Mascaro ao dizer que a esquerda não tem o instrumental para o discurso socialista; fica dependendo da narrativa capitalista; quando sai para o debate, já sai derrotada.
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