Lulismo vira peemedebismo

mercadante-marina , dois destinados amarrados à historia do petismo, abandonado por lula para render-se ao peemedebismo emnome da candidatura dilmar ousseff a qualquer preço

A mais violenta crise política do PT, detonada porque os petistas consideraram forte demais a dose político-eleitoral do presidente Lula favoravelmente à salvação do senador José Sarney(PMDB-AC), ao forçar a condução do partido de acordo com os interesses políticos sucessórios do Palácio do Planalto, colocou em cena a subordinação do lulismo ao peemedebismo e redução da influência do petismo, do qual Lula se libertou desde o primeiro mandato , 2003-2006.

O titular do Planalto se lixou para os argumentos petistas de que em suas bases eleitorais estão sendo fortemente cobrados, especialmente, nas regiões sudeste e sul, onde, historicamente, o PT se fortaleceu, por ser fruto do desenvolvimento industrial brasileiro nessas duas regiões, em que o grau de consciência social é o mais evoluído do país, como demonstrou a pesquisa DataFolha. Por ela, 74% dos eleitores reprovaram o presidente do Congresso. Ficou comprovado pelos petistas que o lulismo, independente do petismo, rendeu-se ao peemedebismo. A autonomia de Lula revelou-se relativa e não absoluta frente ao PMDB, maior partido da coalizão governamental.

No primeiro mandato, o presidente Lula construiu o lulismo. Pensou que ele poderia ampliar seu poder cesarista, pessoal, ao largo das conjunções político-partidárias, durante o segundo mandato. Caminhava, com o lulismo, embalado pelo crescimento econômico, para o mesmo caminho do getulismo popular que embalou o queremismo, queremos Getúlio em reeleições sucessivas.

Mas, aí, veio a grande crise financeira internacional, que bagunçou geral a economia, fazendo emergir o desemprego e as motivações concretas para o crescimento da oposição, em face da desestruturação da produção e do consumo, afetados pelos juros mais altos do mundo.

A fragilidade financeira estatal em meio ao desaquecimento econômico e à indisposição dos empresários de realizarem investimentos em face da capacidade instalada ociosa trabalhou contra a sustentação do lulismo. A crise jogou por terra o cenário brilhante que vinha prevalecendo até outubro de 2008, quando estourou a bancarrota financeira americana e européia.

O lulismo triunfava absoluto, na batida em que vinha a economia até às vespera da crise, com a economia sinalizando, para 2009 e 2010, crescimento de 6% a 7%, em meio à euforia especulativa. Mantida essa hipótese, o lulismo independeria de partido, tal seria o sucesso econômico, caminhando para relativo pleno emprego, ajudado pelos programas sociais, bombadores do consumo interno na Era Lula.

 

Bolha fragilizou Dilma

 

O lulismo perdeu gás com a crise global para o terceiro mandato epara eleger dilma sem o apoio do peemdebismo à custo dopetismo

 A bolha, para azar do lulismo, estourou. Inviabilizou o terceiro mandato e introduziu risco à candidatura Dilma. Em 2009, no primeiro semestre, a arrecadação despensou, o desemprego subiu, os investimentos cairam e o câmbio jogou as exportações no chão, gerando medo generalizado no empresário e gritaria a favor de taxação da entrada de dólar especulativo na circulação monetária, responsável por valorizar artificialmente a moeda nacional, tendo como resultado a desindustrialização.

As últimas estatísticas econômicas – emprego, empréstimos, produção e vendas – demonstram a vitalidade da economia, principalmente, no segundo trimestre. Sinalizam, agora, não redução, mas ampliação do nível de atividade, apontando, como destacaram os empresários, durante a semana, para crescimento de 3% no próximo ano.

Trata-se de panorama positivo, mas muito distante daquele que levou o lulismo a uma força máxima, nas águas de crescimento de 6% a 8% ao ano em 2009 e 2010, visto o mundo, pelo Palácio do Planalto, antes de outubro de 2008. Os números demonstram , segundo os especialistas, que a acumulação capitalista continuará mediocre em relação à existente no período anterior. Está ficando positivo o cenário, mas com redução dos salários e dos investimentos, como reconheceu a Confederação Nacional da Indústria(CNI), cuja preocupação é o câmbio, que pode quebrar muitas empresas.

Nesse ambiente , a euforia em torno do lulismo deixa de ser aquela brastemp. O presidente, baleado pela bancarrota financeira, não seria mais suficientemente forte para aguentar sozinho as pressões sociais que tenderiam a fragilizar o lulismo na sucessão presidencial.

Seria, por isso,  fundamental abrir mão do lulismo para atrair o peemedebismo, que domina Camara, Senado e maioria das prefeituras no país, com sólidos interesses em bases eleitorais abrangentes em sua interarticulação regional.

A renúncia de Lula ao lulismo todo poderoso, atingido pela crise mundial, representa puro pragmatismo. Busca ele adequar-se às mudanças impositivas de um novo contexto nacional e internacional. A relativa ambiguidade com que Lula tratou o PMDB deixou, no novo  cenário de total incerteza,  de existir, para se transformar em compromisso tipo o do presidente neoliberal argentino Menem com os Estados Unidos, ou seja, relações carnais.

A eleição do presidente Sarney para terceiro mandato do Senado inseriu-se nessa lógica palacina, de desconhecer o petismo, para privilegiar o peemdebismo. O PMB, na crise financeira que fragilizou o governo e o lulismo, subiu de preço, na cotação planaltina. Transformara-se, como o dólar, em moeda de especulação.

 

PMDB, moeda especulativa

 

collor-sarney-renan- o peemedebismo desesttabilizou o petismo e relativizou o lulismo

Sabendo do histórico peemedebista, de jogar em duas pontas, como os financiadores de campanha poderosos, que apostam no governismo e na oposição, ao mesmo tempo, o presidente Lula jogou todas as suas reservas nas ações do PMDB na bolsa eleitoral. Evitaria, dessa forma, perder o PMDB para os tucanos, ou pelo menos evitar defecções maiores do que a que ocorre em São Paulo, onde o governador José Serra atraiu o peemdebista ex-governador e ex-senador de São Paulo, Orestes Quércia, cujo currículo é um tremendo furta-cor. O perigo de que houvesse onda federativa  orestesquercista-defeccionista, puxando o tapete do Planalto, apressou ações lulistas para atrairem ondas de maiores agrupamentos peemdebistas.

O peemedebismo, reforçado por pesos pesados nordestinos do PTB, estava, inicialmente, apostando suas fichas no lulismo imperial, até o estouro monetário global.

Passou o peemedebismo a pregar, inclusive,  o terceiro mandado lulista. Percebendo que, com a crise, essa jogada , via plebiscito –  a mesma que, nesse momento, tenta o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, seguindo os passos de Hugo Chaves, da Venezuela – , seria complicada, num cenário de crise, porque o Senado , onde a oposição é forte, resistiria, o presidente Lula rendeu-se ao peemedebismo.

O PMDB sentiu , então, que chegara a sua hora. O lulismo, na crise, precisou de maior apoio do peemedebismo. O petismo reagiu contrariado diante de suas potencialidades atingidas.

Resultado: implosão do PT. O petismo tentou, sem sucesso,  resistir à aliança do lulismo com o peemedebismo, com exclusão petista. 

A saída de Marina Silva  e do senador Flávio Arns, bem como a implosão do senador Aloízio Mercadante, obrigado a render-se por razões emocionais ao pedido do presidente Lula para não deixar  a liderança do partido no Senado,  jogaram o PT no sumidouro político partidário.

Ópera bufa: Estadão versus Sarney

Ruy Mesquita só aparente difere de Sarney, porque, essencialmente, ambos fazem parte da força que comanda o Congresso, a dos banqueiros, privilegiados contitucionalmente enquanto classe, ao passo que as demais categoriais sociais são prejudicadas pela causa que une o jornalista e o políticosarney sempre esteve a serviço dos poderes dominantes que favoreceram a grande mídia com  generosidade, ampliando seu espaço na causa maior do Congresso, a de favorecer os banqueiros, que bancam, por sua vez, a grande mídia, como é o caso do Estadão

 

 

 

 

 

 

 

 

A periferia capitalista, caso Brasil na Nova República eternamente provisória, vive, como disse o jornalista político Rubens de Azevedo Lima, democracia de fachada. “Viu-se, agora, no Senado: além de bloquear o direito da minoria, de fiscalizar o governo e excessos do governismo – o que o Supremo Tribunal Federal considerou inerente à ordem democrática – , a maioria o inverteu e quis usá-lo, pasmem, para punir quem ousou querer exercê-lo, neste agosto, mês do qual sempre se lembra o pior que nele ocorreu”.  Não há direito da minoria. Não há liberdade senão a do poder econômico-financeiro-político estabelecido. Esgota-se o processo democrático no estresse final de  governabilidade sob MPs, regada por excessivo endividamento sob modelo econômico cronicamente dependente de poupança externa em bancarrota mundial.

A censura ao jornal O Estado de São Paulo não está fora dessa jogada histórica. E o poder midiático – Estadão e os demais  – é um , senão o maior, dos responsáveis por esse estado de coisas. Jornais, rádios, revistas e tevês, a chamada grande mídia, não exerceram, durante a Nova República, o jornalismo dialético, expressão da interatividade dinâmica entre positivo e negativo em processo de atração e repulsão como dado natural. Abraçaram o mecanicismo positivista falso equilibrista. Escolheram um lado da realidade, o do capital, mas não acompanharam a sua negatividade que é, segundo Hegel, a própria realidade. O positivo foi exposto e o negativo , jogado debaixo do tapete. Agora, a realidade, a negatividade, cobra seu preço.

Olhar político cirúrgico, Rubens Azevedo Lima indentifica na crise do Senado a falência da democracia representativa, dominada pela corrupçãoAo longo da neoliberal neorepública brasileira, nascida nos escombros do regime militar, para cair nos braços do neoliberalismo americano, de 1985 a 2008 –  quando, em outubro, implodiu o barraco capitalista especulativo – ,  o poder midiático nacional cuidou da aparência e esqueceu da essência. Compactuou com a inversão dos fatos, quando devia seguir os rumos deles, para pedagogizar, jornalisticamente, a consciência nacional. O embate atual entre o Estadão e o presidente do Congresso, senador José Sarney, que resultou em censura ao jornal decretada pela justiça devido às investigações realizadas sobre as atividades sombrias do filho do político maranhense, ex-presidente da República, só pode ser entendido pela lição da história recente neorepublicana.

Os meios de comunicação, como ocorrem com as almas cindidas pelo desvio ideológico, não leram para a comunidade dos seus leitores e leitoras o grande golpe constitucional neorepublicano, que contribuiu para erigir essa anomalia democrática brasileira e sul-americana, identificada por Rubens, indispensável para promover a acumulação capitalista nos últimos vinte e três anos de governos no Brasil e na América do Sul.

O Congresso,  mediante aplauso da grande mídia, aprovou,  na Constituição de 1988, o artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, que conferiu privilégio aos bancos, escancaradamente, no cenário neoliberal neorepublicano. Os desvios morais e éticos nasceriam daí, com aval midiático, para favorecer o capital em sua escalada sobreacumulativa sob manto constitucional.

Todas as despesas orçamentárias da União são mexíveis, contingenciadas, exceto pagamento dos serviços da dívida. Esse é imexível. Fixou-se privilégio constitucional  para uma categoria social – a dos banqueiros – em prejuízo das demais, que precisam usufruir dos recursos destinados à educação, saúde, segurança, infraestrutura, sujeitos aos cortes, justamente, para que sobrem mais recursos à banca. A imoralidade econômica gerou a imoralidade antiética.

Getúlio Vargas, quando a economia foi à bancarrota, na crise de 1929, menos intensa do que a de 2008, chamou o embaixador dos Estados Unidos, no Catete, para alertá-lo que haveria necessidade de renegociação de dívidas por conta da desarticulação da produção em decorrência do crash de 29, como relata Luiz Alberto Moniz Bandeira, em “Presença dos Estados Unidos no Brasil”. Fato semelhante ocorreu, em 1931, com países europeus que decretaram moratória de suas dívidas para com os Estados Unidos. No mesmo ano, na América Latina, a Bolívia idem, e em 1935 quase todos os países da região tinham procedido da mesma forma, como destaca Gonzalo Biggs, em “A crise da dívida latino-americana”, Paz e Terra, 1987.

No crash de 2008, muito mais intenso do que o de 1929, o presidente Lula faz o contrário de Getúlio, até o momento: continua pagando mais de 200 bilhões de reais só de juros para cobrir os serviços da dívida, porque existe regra constitucional, com caráter de cláusula pétrea, garantindo tal privilégio, enquanto os demais setores da vida nacional caem pelas tabelas.

Os banqueiros recebem em dia e em hora marcada, mas a sociedade, por conta dos privilégios concedidos àqueles privilegiados, adia a concretização da sua esperança de felicidade, sempre.

 

Incesto público-privado

 

ACM, na Era Sarney, ajudou Roberto Marinho a comprar/tomar a NEC de Garnero, ganhando em troca contrato da Globo com a TV Bahia, que ampliou a rede privada de tv no país, configurando oligopolização dos meios de comunicação voltados não para o interesse público, mas para os lucros privados, a partir da relação incestuosa governo-iniciativa privada

Esse fulcro constitucional sempre mereceu total e irrestrito apoio da grande mídia nacional. O jornal O Estado de São Paulo, como atestam seus históricos e competentes editoriais, alinhou-se a esse privilégio. Ele e os demais. Todos se alinharam às finalidades invertidas, que, aliás, caracterizam a política de comunicação, na Nova República, verdadeira mãe para o poder midiático em detrimento do interesse social.

Na contramão da Constituição, as finalidades das políticas de comunicação, durante a Nova República, não foram a educação da comunidade, mas a geração de lucro para o setor privado. Além dessa inversão, por pressão forte,  principalmente, da Rede Globo, permitiu-se a implantação de  critério de rede de comunicação, formada por grupos políticos que ajudaram a erguer legislação frouxa adequada aos interesses empresariais, como demonstra Daniel Herz em “A história secreta da Rede Globo”. No rastro da Globo, viriam os concorrentes, na mesma batida.

Política, lucros  e comunicação viraram faces de uma mesma moeda, simplesmente, porque o Congresso, com a inversão das prioridades sociais em favor das prioridades bancárias, apoiadas pela mídia, deixou de debater as questões nacionais por meio de projetos de lei para se subordinar ao reinado das medidas provisórias anti-populares.

Os vais e vens da crise econômica neorepublicana neoliberal iriam preparar as armadilhas para a própria mídia, enredada nas contradições do modelo que apoia. Balançaram-se e se desestruturam em suas lucratividades médias ao longo das mudanças das políticas econômicas baixadas pelo Consenso de Washington, que emergiu para administrar as economias periféricas,  depois da crise monetária dos anos de 1980, decorrente da elevação brutal dos juros praticados pelos Estados Unidos em nome da salvação do dólar, afetado pelos deficits gerados pela guerra fria.

A governabilidade provisória ajudou os poderes midiáticos a se sustentarem no dinheiro público,  quando a taxa básica de juro, na Era FHC, chegou aos 48%, em nome do combate à inflação mediante sobrevalorização artificial da moeda nacional, responsável pelo sucateamento industrial etc.

Emergiu paraíso bancocrático assegurado pela Constituição cidadã de 1988 sob euforia ideológica midiática, rendida ao principio único neoliberal, dependente das boias lançadas pelo BNDES. Caracterizou-se estágio em que uma mão lava a outra.

Os meios de comunicação, durante a Nova República, apoiaram estrutura produtiva concentradora de riqueza financeira e geradora de lideranças políticas corruptas que os levariam à garra. O Estado de São Paulo, segundo informações disponíveis, rendeu-se aos credores. Outros, igualmente,  tombariam, tornando-se reféns do reinado do Consenso de Washignton, comandato pelo FMI, bancos e lideres congressistas anti-nacionais, comprados pelos caixas dois eleitorais.

Como fica a redação, senão atrelada ao princípio ideológico do patrão financeiro, que dá as cartas na governabilidade eternamente provisória? Sobrou para os Mesquita o editorial, que, nada mais, nada menos, é o ponto de vista do capital financeiro, que, na crise global, faliu.

 

Agente da fragilização democrática

 

jayme sirotsky estranhou, no dia que a ANJ completou 30 anos, que a censura esteja de volta ao Estadão, mas ficou na superfície , sem aprofundar as razões de que tal  censura ergueu-se em contexto de desestruturação da Nova República no plano econômico e moral com o qual a grande mídia se compactou em nome da acumulação de capital financeiro especulativo

A falência da financeirização econômica global, que estava realizando o valor do capital em processo de sobreacumulação exponencial, criava a renda disponível para o consumo, a fim de sustentar  fantasia ancorada em privilégio constitucional sobre o qual os jornais, rádios, revistas e tevês da grande mídia jamais se debruçaram para debater esse aspecto fundamental da realidade capitalista periférica, dominanda pela poupança externa.

Os editoriais mesquitanos compactuaram completamente com um Congresso que legislou, de forma ampla,  na Nova República, favorável aos interesses externos, em detrimento dos internos, fragilizando a democracia. A fragilização democrática, sob o privilégio bancocrático, tornara-se necessária à sobreacumulação capitalista constitucionalmente privilegiada, aplaudida pelo Estadão e grande mídia em geral.

Para os banqueiros, que financiam as campanhas eleitorais, o mais conveniente, no regime neorepublicano neoliberal, seria, evidentemente,  a governabilidade provisória.

Ou seja,  repeteco do regime militar. Trocou-se o decreto-lei por MPs. Falso parlamentarismo dominado por presidencialismo ditatorial, imprescindível à acumulação capitalista. Um conceito, o de medidas provisórias, típico do regime parlamentar, acoplou-se, como máscara constitucional, à ditadura presidencialista. Essência oculta e latente, geradora de corrupção, avalizada pela grande mídia.

Para os credores, que atuavam por intermédio do Consenso de Washington, nada mais conveniente do que um Congresso obediente sob cabresto das MPs.

Esse aspecto das medidas provisórias, o de manter os congressistas calados, para sustentar a acumulação capitalista no Brasil, de forma constitucional, jamais mereceu crítica de um editorial do Estadão.

Indiretamente, o grande jornal contribuiu para a fragilização do processo democrático, ao não ligar o funcionamento do poder legislativo burguês com o poder financeiramente burguês. Mecanicismo que, evidentemente, não deixa o empresário Jayme Sirotsky, alto integrante da Associação Nacional dos Jornais(anj), o sindicato da grande mídia, perceber que a volta da censura à grande imprensa é a resposta da contradição do status quo ao qual ela se rendeu.

Agora, com a crise, e com a total desmoralização de um legislativo que não foi fiscalizado pelos meios de comunicação relativamente à distorção que se promoveu na Contituição para se criar a NRB – Nova República Bancocrática – como destacou o falecido senador Lauro Campos, a superestrutura jurídica que dá conformação às políticas econômicas concentradoras de renda, apoiadas pelo poder midiático, se voltam contra os próprios meios de comunicação em  forma de censura. O feitiço pega o feiticeiro.

 

Inversão total das finalidades

 

gilmarmendes decretou a falência do jornalismo no Brasil ao desqualificar os jornalistas como profissionais que, como os advogados, precisam se preparar para exercer com competência o seu ofício em nome do interesse público, do qual a grande imprensa foge, em nome do lucro, sob as bençãos da legislação

As leis que foram votadas num Congresso com c minúsculo, enquanto a mídia deu uma de avestruz,  atuam em defesa de interesses políticos oligárquicos somente possíveis de se sustentarem no tempo porque suas presenças se transformaram em oxigênio para o processo de acumulação de capital ao longo da Nova República sustentavelmente provísória.

O senador José Sarney(PMD B-AC), assim como o falecido senador e governador Antônio Carlos Magalhães estruturaram, na Nova República, no rastro do privilégio da bancocracia neorepublicana, políticas de comunicação, no país, que favoreceram os poderosos proprietários de jornais, rádios, revistas e tevês, como resposta benevolente à compreensão midiática à necessidade de legislação adequada à acumulação capitalista à revelia do processo democrático autêntico. Provisoriedade geral, que merece igual condescendência do STF, presidido pelo ministro Gilmar Mendes.

Tal política de comunicação suprassumiu caráter inverso ao espírito da lei ao colocar como finalidade fundamental não a promoção da educação como finalidade pública,  mas a geração do lucro. As interpretações interesseiras da legislação pelo poder midiático  favoreceram não apenas a inversão das finalidades – da educação para o lucro – , mas deram passagem à formação de oligopólios midiáticos, na medida em que permitiram, sob bençãos políticas de um Congresso de joelhos, a formação de redes de rádios e tevês, algo contrário ao espírito da lei.

A Rede Globo, que havia nascido sob os auspícios do regime militar, com o qual colaborou, seria a maior responsável pela mudança no espírito da lei, cujos desdobramentos foram os de priorizar os interesses privados em prejuízos do interesse público. Praticamente, privatizou-se o espectro radiofônico, de propriedade pública.  Criou-se  casta midiático-financeira na falsa democracia neorepublicana.

De que o Estadão  reclama, agora, contra a censura que sofre por estar fazendo reportagens que mostram os podres de Sarney, se a permanência de liderança dessa natureza se consolidou, na Nova República, justamente porque o Estadão e os demais integrantes da ANJ não condenaram nem fiscalizaram o privilégio anti-democrático dos banqueiros contra o povo que sustentou, à custa de caixas dois eleitorais, a emergência dessas mesmas lideranças, que se espalham como cupins?

A superestrutura jurídica  originada das leis que emanaram do espírito neorepublicano neoliberal inescrupuloso adequado à acumulação capitalista especulativa, enquanto os serviços sociais se deterioravam, mostra-se, na falência do modelo concentrador de capital, como escorpião para a grande mídia.

Se tudo é lucro como finalidade; se as lideranças políticas são fruto dessa mesma finalidade socialmente invertida, consolidada legalmente, o Estadão, evidentemente, ao apoiar tal status quo em sua essência fundamenal – o processo de acumulação privilegiada – perde moralmente a condição de vestal para condenar os desvios éticos dos políticos, sabendo que tais desvios são frutos dos erros que a grande mídia recusou investigar.

A lei que cala o Estadão, no  momento, é a lei fruto de governabilidade provisória cuja essência o Estadão não investigou por pura conveniência. Sendo fruto do ponto de vista do capital acumulador e especulador, o Estadão, na Nova República, reflete sua condição de classe.

A governabilidade bancada por medidas provisórias e não pelo debate popular, que favorece os interesses da banca,  maior anunciante do poder midiático nacional, cria o objeto para sua finalidade.

Os Sarneys do Congresso, necessariamente, são o objeto da finalidade do Estadão, isto é, a defesa do lucro da banca, porque a lucratvidade excessiva dela somente se torna possível porque os Sarneys existem aos montes como expressão da elite nacional que ergue legislação bancocrática,  avalizada pela grande mídia.

O grande jornal paulista, dessa forma,  não apenas depende da banca, mas, igualmente, dos Sarneys e da prática das oligarquias que garantem os privilégios bancocráticos. Não dá para separar, no processo em desenvolvimento histórico, uma categoria social dominante do seu conteúdo intrínseco.

Sarney e o Estadão, enquanto atores que contribuem para a sustentação da acumulação capitalista bancocrática brasileira, são unha e carne. O horror que um tem do outro é, no fundo, representação abstrata, falso antagonismo. Ópera bufa.

Mentiras e verdades entre mulheres no poder sob capitalismo em crise econômica e ética

Duas mulheres que chegam ao topo do poder estão envolvidas no jogo da verdade e da mentira em meio a grande crise ética do legislativo nacional apodrecido pela corrupção e falta de liderança

O machismo sempre dominou a cena mundial sob o capitalismo, desde sua emergência mercantilista no século 14 em diante. O jogo machista do poder, no processo de produção de mercadorias voltadas à geração de lucro, preferencialmente, e não de consumo, principalmente, se este não der lucro, redundou no que Marx previu: a sobreacumulação de capital que produz insuficiência crônica de consumo, no compasso da realização de mais-valia, já que o trabalho é o instrumento que valoriza o capital. Nesse jogo histórico machista-capitalista, em que a mentira é parte do jogo de acumulação, na relação conflituosa capital-trabalho, a participação da mulher, indiscutivelmente, foi marginal e continua marginal até hoje. Afinal, a ética da acumulação socialmente excludente , que requer mentiras e verdades, em doses elevadas, é incompatível com a natureza feminina, essencialmente, propensa a subordinar-se ao senso de justiça materno, socialmente includente.

Mas, no poder, o jogo é diferente da maternidade. As mulheres que chegam no topo, precisam romper barreiras, não deixando, entretanto, de jogar o jogo que as circunstâncias obrigam que seja jogado, não em obediência à dualidade masculina-feminina, mas aos interesses do capital, que não tem sexo nem pátria. Assim, cheio de verdades e mentiras, mais mentiras que verdade, porque o antagonismo social implica disputa pela renda que os mais fortes tomam dos mais fracos, sob ideologia utilitarista, o capital submete tanto o homem como a mulher ao seu designo dual-contraditório, de promover, por um lado, a acumulação, e, por outro, a superexploração , em regime de liberdade de mercado, que requer o Estado como contrapeso. Se o Estado , dominado pelo capital, vira capital, a mentira acaba virando verdade, se repetida insistentemente pela propaganda governamental, como teorizou o fascismo goelbniano.

As contradições que se superpõem aos gêneros humanos, em sua dinâmica dialética, envolvem, portanto, no exercício do poder dominado pelo capital, sejam homens, sejam mulheres na prática da pura desfaçatez utilitarista. Trata-se de pressuposto básico, no contexto de superestrutura jurídica em que desmoralizações como as que ocorrem no Senado ameaçam sucumbi-la, como alerta o advogado Roberto Caldas, em entrevista à revista “Brasília Em Dia”.

Em tal ambiente nacional, em que o poder machista dá seus últimos suspiros, as mulheres são envolvidas nesse mundo, nas suas lógicas distorcidas, em que a aparência reina no lugar da essência. A realidade, como disse Mayakovisk, fica furta-cor, como a noite. No jogo do poder, elas terão que navegar nessa dualidade na qual a mentira é necessária, ao lado da realidade sempre relativizada.

Os casos que envolvem a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, candidata do presidente Lula à presidência, em 2010, em nome da coalizão governamental, e a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, que teria incomodado os altos escalões, são emblemáticos quanto ao perfil feminino no exercício do poder nervoso comandado por interesses dominantemente  machistas.

Ambas foram atraídas pelas circunstâncias cujas origens estão nos desacertos políticos de interesses de lideranças políticas fracassadas que comandam as rédeas do poder político nacional corroídas pela corrupção e desmoralização, como evidencia a crise do Senado sob presidência do senadodr José Sarney(PMDB-AC), epicentro da crise entre as duas mulheres.

Dilma e Lina, situadas no topo, desse contexto, em que a mentira reina, se entrecruzam nas artimanhas do jogo do poder machista e colocam em cena verdades e mentiras que protagonizam no centro da discussão política, envolvida pela CPI da Petrobrás e pelo Conselho de Ética, onde se acochambram situações de conveniência para que todos se salvem dos incêndios.

Lina diz que foi convocada por Dilma que lhe teria sugerido acelerar processo administrativo em andamento na Receita Federal que envolve o filho do senador José Sarney, Fernando Sarney, acusado de lavagem de dinheiro, negociatas, jogos de influência, práticas de monopólios e azaradas mil no jogo da relação público-privada, tendo como costa quenta o poderoso pai. Experiente consultor aposentado da Receita Federal conta a esse site que pedidos de tal natureza são comuns e sempre existiram. A dualidade mentira-verdade está no ar.

 

Utilidade é verdade

 

A secretaria de Dilma teria ou não ido convocar Lina em seu gabinete?

Dilma rebateu que nunca se encontrou com Lina para discutir o assunto explosivo. A secretária de Lina, Iraneth Weiler, corrobora a versão de sua ex-chefe. Assegurou que recebeu visita ao gabinete de Lina da secretária de Dilma, Erenice Guerra. Em nome de Dilma, Guerra teria ido  à batalha.

Guerra, por sua vez, em nota oficial, destaca que “jamais esteve no gabinete de trabalho da ex-secretária”. Teria ocorrido imaginação. Weiler, relacionada pelo jornalista Fernando Rodrigues, em seu blog, como doadora de parcos  recursos para a campanha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, marcando sua posição tucana, reafirmou tudo, que Erenice foi a enviada de Dilma para convocar Lima ao Palácio em caráter de urgência para pedir panos quentes sobre Sarney.

Quem estaria faltando com a verdade em nome da utilidade?

Os senadores oposicionistas exigem as imagens gravadas que poderiam comprovar ou desmentir as respectivas afirmações de lado a lado, em disputa de cabo de guerra. São quatro mulheres em choque: Dilma e Erenice, numa ponta; Lina e Iraneth , na outra.  Tudo por causa da lucratividade supostamente favorecida do filho do presidente do Senado em suas manobras público-privadas-machistas, supostamente,  ao arrepio da lei.

Que verdades e mentiras convivem entre si dentro do governo Lula, os fatos já demonstraram, quando o próprio presidente Lula admitiu aquilo que os seus liderados, comandados pelo ex-ministro casssado José Dirceu,  negaram no episódio do mensalão. Em Paris, na ocasião quente do acontecimento explosivo, em 2005, o titular do Planalto destacou existir caixa dois no processo eleitoral brasileiro, praticado pelas forças políticas em geral. Rasgou a cortina. Antes de Lula, o presidente FHC chegou a admitir, em palestra realizada no Hospital Sara, que era mentiroso, mentia, no mínimo,  duas  vezes por dia. A Era FHC e a Era Lula, mais uma vez, se identificariam.

 Dilma não estaria no paraíso da verdade, no mundo em que a mentira se torna necessária, seja na clandestinidade, seja na claridade. Viveu e vive, efetivamente, no mundo das verdades e mentiras oficiais. Ela mesma disse ter sido obrigada a  mentir para salvar sua vida ameaçada pela ditadura militar torturadora. A mentiria exisitiria apenas na ditadura ou na democracia de fachada eternamente provisória, também, mostra-se presente? A ministra  desarmou seus adversários, mas apresentou-se como integrante de movimento político clandestino onde as verdades e mentiras, igualmente, existem e são largamente praticadas. José Dirceu levou para o poder os métodos da clandestinidade, e se deu mal.

As circunstâncias constroem as mentiras e as verdades. No momento, a circunstância que envolve Dilma é a de jogar com as mentiras e verdades do presidente do Senado, seguindo o mesmo comportamento do presidente Lula, porque predomina, para os dois para os três – , o interesse maior utilitarista da necessidade de o PT manter-se aliado do PMDB. Somente dessa forma Dilma se viabilizaria em 2010.

talleyrand-perigord, genial , inescrupuloso, ladrão, cínico, mentiroso inconfessável, aprendeu e ensinou todas as artes do poder no reinado da nascente burguesia sob Napoleão, com quem dividiu sua genialidadeA utilidade fala mais alto que a verdade ou a mentira. Se a verdade for útil, que assim seja; se for a mentira necessária, que assim, também, seja. Lina disse que Dilma sabe que falou com ela. A ministra descarta. Palavra contra palavra.

Como Freud e, antes dele Talleyrand, diplomata da burguesia sob Napoleão, disseram que as palavras servem para esconder o pensamento, provavelmente, ficará, como resultado final do triste episódio neorepublicano , o dito pelo não dito.

Ou seja, estaria ocorrendo verdades e mentiras praticadas  por personagens femininas, que, no exercício do poder, são envolvidas, inexoravelmente, por dualidade cruel, que encobre interesses de lideranças fracassadas que precisam dispor de aparências ante a morte de suas essências.

Sucessão deflacionária no primeiro turno sobrevaloriza meio ambiente

dilmar-lula-marina - o cenário da sucessão mudou inteiramente com a entrada de marina silva para disputar a sucessão, dificultando os planos do presidente em cenário de crise econômica

Com mais mercadorias – candidaturas – no mercado eleitoral, o preço relativo delas tende a cair. A entrada da senadora Marina Silva, ex- ministra do Meio Ambiente, que está deixando o PT para filiar-se ao PV, a fim de disputar a eleição presidencial 2010, reduziu o preço da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, preferida do presidente Lula, como , também, das dos governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais. Tal fato, o mais impactante da sucessão, até o momento, abre espaço para que, no primeiro turno, surjam novas candidaturas. Ou seja, quanto mais mercadorias , menores os preços. Deflação.

Eleitores e eleitoras – a demanda – teriam oportunidade de maiores e, quem sabe, melhores escolhas. Os candidatos – as mercadorias – teriam, consequentemente, seu preço diferenciado do seu valor. Valor e preço tendem a ficar proporcionais na medida em que cai a taxa de lucro. E a queda da lucratividade da mercadoria, da candidatura, do capital político ocorre, segundo Marx, quando a taxa de lucro vai a zero. Não se poderia dizer que as candidaturas postas, até a candidatura de Marina emergir, tendam a zero, justamente, porque a da ex-ministra do Meio Ambiente surgiu, valorizando-se perante às existentes. Sua valorização é proporcional à desvalorização das que já se encontravam na raia eleitoral.

A radicalização socialista de Heloisa Helena, do PSOL, poderá, no ambiente de aprofundamento da crise economica global, sonoridade maior do que teve quando disputou pela primeira vez em 2006Ao mesmo tempo, a valorização relativa de Marina e a desvalorização relativa de Dilma , José Serra e Aécio, em função do aumento da oferta em relação à demanda, criam novos preços para novas mercadorias que se credenciarão, no primeiro turno, no mercado eleitoral em formação para disputa do primeiro turno. Haveria , dessa forma, tendência deflacionária, na etapa inicial da eleição, colocada pelas próprias circunstâncias. Pintaria pressuposto básico decorrente da necessidade de que, para surgirem competitivamente no segundo turno, a fim de formarem blocos na disputa final, as candidaturas, os partidos que se apresentarem, precisarão dispor de valor relativo, cujo preço, evidentemente, dependerá da participação deles no primeiro turno, aferida nas urnas.

Somente dessa forma haveria como medir corretamente o tamanho, o valor e o preço de cada um, para as negociações finais, na avaliação dos eleitores e eleitoras. Tal apreciação popular representaria o aval capaz de permitir a cada partido conhecer o seu quinhão com o qual negociarão sua participação no poder, ao lado daquele que sair vencedor no segundo turno. Nesse sentido, a candidatura de Marina Silva, ao deflacionar valores eleitorais colocados à disposição dos eleitores/eleitoras, no primeiro turno, amplia a taxa de democracia, para que, no segundo turno, se forme processo inverso ao da deflação, ou seja, inflação, a ser expressa nas apostas finais entre os dois postulantes definitivos e decisivos. Ficaria, finalmente, caracterizado o caleidoscópio apresentável no perfil democrático nacional.

Que caleidoscópio seria esse forjado no primeiro turno?

Ciro Gomes viu na queda de preço da candidatura de Dilma e na alta da candidatura de Marina a oportunidade de valorizar o preço de sua própria candidaturaSeria possível divisar mercadorias, candidaturas e partidos em disputa. Não seriam, certamente, apenas Dilma, representando, hoje, o governo, a coalizão governamental, de um lado, nem Aécio Neves ou José Serra, de outro, configurando uma bipolaridade eleitoral, mas, possivelmente, uma pluripolaridade da qual participariam outros partidos, inclusive com disseminação de candidatos que, atualmente, estão alinhados às forças governistas, como é o caso do deputado Ciro Gomes(PSB-CE), cotado, tanto para disputar a presidência da República como, também, o governo de São Paulo, sendo ele paulista, de nascimento, e cearense, de base eleitoral.

No novo contexto sucessório, com surgimento de Marina Silva, contém, igualmente, outra novidade: as prévias eleitorais. Elas poderão surgir na disputa entre tucanos e influenciar todas as demais escolhas que vierem a aparecer. Emergiria feito demonstração. A coalizão governamental explodira no primeiro turno. O PSB, com Ciro, poderia estimular o processo. Até o PMDB  seria obrigado a entrar na dança. O governador peemedebista do Paraná, Roberto Requião, por exemplo, defende prévias, para que o maior partido brasileiro saia com candidatura própria. Ele, Pedro Simon e outros. A oxigenação ética seria pressuposto a ser superado, depois dos escândalos presentes que destroem a reputação dos senadores. Para tanto, Requião afia discurso nacionalista-socialista, à moda do presidente da Venezuela, Hugo Chavez. Quem não entrasse no jogo das prévias, estaria fugindo do teste democrático inicial.

Não ficaria fora de cogitação que outra fonte nacionalista, dentro da força governista, se manifestasse, como é o caso do PDT, cujo candidato potencial seria o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, brizolista-getulista-lulista de carteirinha. Sua ação política mais recente de deslocar do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador(Codefat) as representações empresariais, para fazer prevalecer as lideranças laborais, de modo a influir na destinação dos recursos do FAT, administrados pelo BNDES, de acordo com o ponto de vista dos trabalhadores, indica força político-eleitoral emergente.

lupi tenta emplacar o discurso nacionalista-varguista-trabalhista ao fortalecer a posição dos trabalhadores dentro do bndesAté agora, os empresários, que participavam do Codefat, davam as cartas no direcionamento dos recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES). O E de Econômico, dentro do BNDES, predominou, amplamente, desde a criação do banco por Getúlio Vargas, nos anos de 1950, enquanto o S de Social ficou, sempre, em segundo plano, dada a preponderância do discurso empresarial sobre o laboral. Com a jogada varguista-brizolista de Lupi, a influência dos empresários se torna menor, enquanto amplia a força dos trabalhadores. Sob pressão dos grandes industriais e banqueiros, o presidente Lula deu uma de Pilatos, lavou as mãos. Lupi predominou. Por isso, cogita-se, dentro do PDT, que ele saia candidato no primeiro turno, com discurso de Getúlio Vargas etc.

As forças oposicionistas, igualmente, tenderiam a abrir espaço à experimentação deflacionária eleitoral do primeiro turno. O DEM, que, na eleição municipal de 2006, brilhou em São Paulo, com a vitória de Cassab, apoiado pelo governador oposicionista José Serra, não deixaria, certamente, de cacifar-se, para fortalecer o nome da legenda no espaço nacional. Nesse caso, teria como candidato, como destacam os democratas, o secretário de Trabalho do governo paulita, Guilherme Afif Domingos, pregador histórico do fortalecimento das micro e pequenas empresas. Estas, falando nisso, se transformaram em prioridade para o governo Lula. O Fundo Garantidor de Investimento(FGI), que está sendo criado dentro do BNDES visa, sobretudo, o fomento às empresas de pequeno porte, graças ao discurso em defesa delas que lideranças como Afif promovem há anos, agora, finalmente, recompensadas. Da mesma forma, visa ao fortalecimento das micro e pequenas empresas a decisão lulista de estimular os governos estaduais a criarem agências de desenvolvimento regional, avalizadas pelo tesouro nacional. Tais agências desempenhariam o papel de bancos estaduais, com a ressalva de não poderem captar depósitos, mas poderiam realizá-los, correndo todos os riscos, pois se tiverem que enfrentar inadimplências, estas seriam cobertas pelo aval governamental. Os bancos privados que se cuidem.

afif-domingos com discurso das micro e pequenas empresas, agora, amparadas pelo BNDES, com cunho social, tenta dar cara ao DEM em 2010, para que possa fazer parte das composição do poder depois de 2010Nesse cenário, em que as empresas de pequeno porte ganham sonoridade política, não seria descartada possibilidade de que elas tivessem representação em forma de candidatura eleitoral. E o personagem histórico que se destaca na defesa delas é o secretário Afif Domingos, ex-candidato à presidência da República em 1989, com o mesmo discurso.

Ou seja, a teoria que o presidente Lula pretendia que predominasse, a do plebiscito no primeiro turno – para configurar uma disputa imaginária entre a Era FHC, com Serra, e a Era Lula, com Dilma – , pode ir para os ares, diversificando o panorama eleitoral, conferindo a ele representação mais democrática. Se os partidos se dispõem a lançar candidaturas no primeiro turno, como obrigação de possuirem discurso, para se credenciarem ao segundo turno, é possível antever o inverso do que imaginou o titular do Planalto. Não apenas o PV, o PT, o PMDB, o PSDB, o PDT , o PSB e o DEM poderiam lançar candidatos, mas, da mesma forma, o PL, o PR, o PPS e , naturalmente, os partidos mais radicais como o PSOL, cuja candidata ex-senadora Heloísa Helena , socialista, poderia pontificar.

A boca do funil ficaria suficientemente larga para abarcar muitos pretendentes, a fim de que na saída estreita do segundo turno sobrassem os contendores finais com todos os seus arcos de alianças, devidamente , apurados no primeiro turno, demonstrando maior autenticidade ao processo eleitoral, divisados pelas prévias. Claro, a nova temática a pautar o discurso predominante seria o meio ambiente, a estrela Marina, no jogo, destacando e pontuando no assunto que tende a mobilizar , cada vez mais, a consciência social, econômica e política nacional.

 

 Meio ambiente entra em cena

 

 

Os preços dos candidatos caem no primeiro turno porque aumenta a concorrência da oferta deles em relação à demanda, o eleitorado, obrigando-os a apresentarem suas mercadorias para serem avaliadas e precificadas

O fato novo representado pela emergência de Marina Silva no cenário sucessório possivelmente deflacionário no primeiro turno coloca em cena, com força, a questão ambiental. Marina foi defenestrada do poder, no Ministério do Meio Ambiente, porque não abraçou o discurso desenvolvimentista do presidente Lula e da ministra Dilma Rousseff, para a Amazônia. No estilo trator, Lula-Roussef removeram Marina, para poder predominar o discurso do investimento agroindustrial que tem projetos  na Amazônia com foco na exportação, da mesma forma que ocorre em toda a fronteira agrícola, impulsionada pelo crédito mais barato para a agroindústria, como alternativa presidencial para evitar o aprofundamento da crise. As indústrias que trabalham para o agronegócio, máquinas, equipamentos, produção de insumos em geral , estão sendo decisivas no instante em que  no cenário internacional o preço das matérias primas – alimentação, minerais, combustíveis etc – , amplamente, disponíveis em território nacional, valoriza-se relativamente à moeda equivalente geral de trocas , o dólar, em processo de  desvalorização contínua.

Qual seria a preferência popular: o discurso ambientalmente sustentável de Marina Silva ou o desenvolvimento ambientalmente considerado pelos ambientalistas insustentável de Lula e de Dilma?

A posição do governo brasileiro, em relação ao meio ambiente, tornou-se, completamente, ambígua aos olhos dos ambientalistas, que se reunirão em Copenhague, para discutirem  nova ordem ambiental global, de modo a criar bases para o crescimento econômico sustentável ao longo do século 21.  A contribuição brasileira ao meio ambiente reclamada pelos ambientalistas não está sendo praticada pelo governo que discorda dela, enxergando-a como armadilha no momento em que a importância econômica brasileira no cenário econômico capitalista global tende a ser abrangente quanto mais economicamente se torna atrativo aos investidores internacionais, interessados em ocupar as fontes de energia e de matérias primas que se sobrevalorizam no ambiente em que o dólar se sobredesvaloriza.

Requião tenta impossível, realizar prévias dentro do PMDB para sair candidato com discurso nacionalista-socialista, semelhante ao do presidente Hugo Chavez, da VenezuelaA questão do emprego entra em  cena, com a crise deflacionária global em marcha. Ela  levou o governo Lula a discordar dos limites expansionistas dos ambientalistas em forma de limitação do desenvolvimento ambientalmente considerado insustentável. Nesse sentido, a poluição ambiental que haveria de ser combatida , com redução do fogo na floresta, para abrir espaço à soja, ao gado, ao algodão e à cana, seria aquela que enriquece economicamente o país, embora destrua o meio ambiente. O ambientalmente incorreto entraria em choque com o ambientalmente correto. A quem os desempregados pela grande crise apoiariam? Pintaria polarização entre desenvolvimentismo a qualquer custo versus desenvolvimento sustentável, tendência que leva os governos a novas posições, por força das pressões sociais. Lula, no cenário global, em que o peso relativo do Brasil valoriza, abraça a posição não do presidente Barack Obama, mas a do seu antecessão W. Bush, de não abrir mão do crescimento econômico concentrador em nome do poder econômico sob estrutura concentradora de capital em processo de oligopolização geral. Se as expectativas dos investidores é a de transformarem o Brasil na bola da vez da preferência do capital internacional, dado seu potencial econômico, o discurso ambientalmente correto teria que fazer grandes adaptações e adotar grandes flexibilidades para não ser taxado de promotor do desemprego. Num  cenário em que a preocupação central da sociedade brasileira é o emprego, ao contrário de prioridades ambientais que se desenvolvem na consciência européia, por exemplo, se os ambientalisas adotarem visão de  mundo da Suissa, país onde morou o ambietalista deputado verde Fernando Gabeira, poderão perder a parada. A visão socialista que o pleno desenvolvimento ambientalmente sustentável confere poderia ser percebido pela massa como coisa de desocupados, quando o capital reclama destruição ambiental para gerar empregos sob o sistema capitalista em crise.

 O titular do Planalto atua ambiguamente no cenário ambiental. Se, por um lado, favorece os investidores do agronegócio, por outro contraria as multinacionais do setor. Isso começa a ficar patente no plano de nova consciência social relativamente à oferta de alimentos. O titular do Planalto  acaba de enfrentar as multinacionais do agronegócio poluidoras do meio ambiente com os adubos químicos que aceleram pragas e desertificam as terras, visto que são misturados com areia. Para tanto, está lançando campanha organizada pelos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente favorável ao consumo de alimentos produzidos com adubos orgânicos, zero de química. Uma pancada violenta nos grandes grupos que dominam o mercado.  O humorista e artista plástico Ziraldo elaborou cartilha sobre a alimentação orgânica, compatível com a visão da economia ambientalmente sustentável,  distribuída nos supermercados.

Lula dá uma no cravo, outra na ferradura.

Ressurreição dos bancos estaduais

 

A opção desenvolvimentista via credito a produção e ao consumo no cenário da crise fortaleceu os bancos oficiais relativamente aos bancos privados que fugiram com medo do risco

O presidente Lula está em pleno embate contra os banqueiros, que resistem ao crédito barato, embora a economia ameace cair na deflação. Agora, está em curso uma pancada na cabeça deles. O tesouro nacional passará a ser o avalista principal das agências estaduais de fomento, que, na prática, desempenharão, sob coordenação governamental, o papel dos antigos bancos estaduais, com adoção de política favorável às micro e pequenas empresas. As agências não poderão captar empréstimos na praça, mas terão todas as funções bancárias restantes, respondendo, diretamente, ao tesouro, que fiscalizará a atuação delas e colocará recursos desde que sejam necessários. É, na prática, o dirigismo econômico como tentativa de estabilização da crise econômica por meio de ação estatal, predisposta a intervir no câmbio, se a sobrevalorização do real continuar acelerada, denotando perda de controle do Banco Central na política monetária.

Desde a explosão da grande crise financeira americana e européia, a partir de outubro de 2008, as micro e pequenas empresas entraram em inferno astral financeiro. O crédito ficou escassíssimo, consequentemente, o juro disparou para os empresários de pequeno porte. O governo apelou aos bancos grandes para salvarem os pequenos, que estavam encalacrados no crediário inadimplente, ao mesmo tempo em que solicitou maior oferta de dinheiro na circulação, de modo a fortalecer a produção e o consumo, de forma razoável, como antídoto à desaceleração produtiva.

Os grandes bancos privados não fizeram nem uma coisa nem outra. Fugiram da tarefa de salvar os pequenos falidos, mesmo diante da oferta governamental para que usassem os depósitos compulsórios a juro zero, enquanto, simultaneamente, elevavam o custo do dinheiro, aplicando mais densamente nos títulos públicos, especulativamente, e na oligopolização do mercado privado, expressa na união entre Itaú-Bradesco.

Impossibilitado de contar com os bancos privados, o governo partiu para o oposto, dialeticamente, ou seja,  para a oligopolização financeira estatal, acionando Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES). A tese, a oligopolização bancária privada – produziu a antítese, a oligopolização financeira estatal.

As empresas, que se encalacraram na escassêz do crédito, impossibilitando-se de pagar as dívidas, por conta disso, mereceram do governo desoneração fiscal e acesso maior ao crédito, principalmente, para as empresas agroindustriais. Esse mês de agosto, depois da estratégia de diminuir bastante o juro para compra de caminhões e máquinas agrícolas, as autoridades comemoram as informações dando conta do reaquec imento das indústrias ligadas à dinâmica do agronegócio, como destacam os empresários do setor, esperançosos com a retomada , principalmente, das exportações de alimentos. Tudo acompanhado da notícia de que o Banco do Brasil retomou a dianteira do ranking bancário nacional.

Quanto ao mercado interno, o presidente redobra a aposta no programa Bolsa Família que atua como ativador do consumo popular que gera demanda para as indústrias, ao mesmo tempo em que proporciona o que mais interessa ao governo, a arrecadação tributária. A função do governo seria ativar o consumo  para produzir arrecadação e, consequentemente, investimentos públicos. O complemento desse processo são as quedas dos juros ao consumidor, para fechar o ciclo, algo que os bancos privados resistem.

 

Radicalização política

 

 

Bndes parte para dividir o social com o econômico, no plano do desenvolvimento, ao fortalecer as micro e pequenas empresas

A estratégia lulista anticíclica, como reação à ação c ontrária bancária privada, direcionou para relativa radicalização política: acelerou disposição do presidente em fortalecer as micro e pequenas empresas por meio do fomento às agências estaduais de desenvolvimento. Passariam a exercer o papel dos bancos estaduais, desativadas na etapa neoliberal da Era FHC em nome do equilibrismo orçamentário ditado pelo FMI, para formar superavits primários elevados para pagamento dos serviços da dívida pública.

Paralisadas, desde a crise, e antes dela, também, pela escassez de dinheiro , as agências-bancos estaduais foram reativadas pelo titular do Planalto, via decisão técnica do Conselho de Política Monetária. Elas poderão ir à luta, dispondo do aval do tesouro.

Da mesma forma, as medidas finais em preparação para concretizar o Fundo Garantidor de Investimento do BNDES visa objetivo idêntico: partir para fortalecer os empresários de pequeno e médio porte, responsáveis pela oferta de  95% dos empregos no país, segundo o Sebrae.

Não foi à toa que explodiu a disputa política dentro do Ministério do Trabalho que coordena a aplicação dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador(FAT), depositados no BNDES. O S de Social do BNDES , até agora, era letra morta, porque quem levava , sempre, a parte do leão, era os empresários.

O titular do Trabalho, ministro Carlos Lupi, brizolista e varguista de carteirinha, empenhado em aliar-se aos trabalhadores, deslocou as representações empresariais no âmbito do Conselho Deliberativo do FAT, para fortalecer o S de Social, relativamente ao E de Econômico, manipulado, anteriormente, pela força do lobby empresarial. Lula, como Pilatos, diante da chiadeira empresarial, deu uma de Pilatos, lavou as mãos.

Há, portanto, organicamente, no governo Lula, uma reação favorável ao direcionamento do dinheiro estatal para a produção e o consumo. De um lado, Lula irrita os banqueiros e satisfaz os empresários, em parte. Dentro do empresário, no entanto, não há concordância com a determinação lulista de esvaziar o poder empresarial dentro do BNDES para fortalecer o poder social, em nome da ativação do consumo.

Lula reverter a situação que sempre predominou dentro do BNDES. Os interesses da produção sempre predominaram, sem nunca haver divisão da renda, porque , na produção, o capital se realiza explorando a mais valia do trabalhador. Desse modo, o capitalismo produz, como disse Marx, crônica insuficiência de consumo. Os teóricos da produção sempre dizem que a saída é mais incremento dos investimentos, como se a solução voltada para a produção gerasse, automaticamente, o consumo correspondente. A história mostra o contrário. Não há essa correspondência. O consumo teria que ser amparado pelo Estado como arma para agilizar a produção e a arrecadação, porque não adiantaria fomentar a produção, sem o consumo correspondente, já que o resultado final seria crescimento insuficiente da arrecadação.

Elevou-se com as ações lulistas a disputa pela renda no contexto do antagononismo do sistema capitalista nacionalista nacional. De um lado , o capital bancário resiste em abrir espaço para o capital produivo, que o governo protege vira desoneração fiscal. De outro, o titular do Planalto inverte a teoria neoliberal de que produção gera consumo correspondente, como na teoria de J. B. Say, e parte para incrementar o consumo. Para tanto, diminui a lucratividade especulativa dos bancos. Mexe com todos os interesses, mas , se não houver uma alteração no status quo, padecerão tanto o capital produtivo como o capital bancário, se o consumo não reagir para aumentar a arrecadação.

 

A prova do pudim

 

cef dinamizou o mercado imobiliário que teria morrido se o braço estatal não tivesse estendido ao setor carente do apoio dos bancos privados na hora decisiva da crise

A prova do pudim da aposta de Lula em se lançar ao deficit público para garantir a produção , o consumo e a arrecadação e os investimentos em bases relativas ao estágio anterior à crise global, está expressa no resultado prático.

O aumento da lucratividade do Banco do Brasil, em resposta a sua aposta na expansão do crédito, enquanto os bancos privados priorizaram a especulação com títulos públicos e registraram, consequentemente, redução de lucros em face do juro cadente , amplia o cacife da escalada da estatização bancária lulista com argumento lógico e desenvolvimentista.

Demonstra, sobretudo, que o lucro bancário privado não estava vindo da aposta deles na produção e no consumo, como motores da lucratividade, mas da aposta contrária , na especulação financeira, em cima dos títulos do governo. Não saberiam trabalhar com o dinheiro direcionado para o progresso, mas para a prática do cassino.

 Como a economia não se desorganizou durante a crise por conta das medidas econômicas anticíclicas adotadas por Lula de posse do pensamento estatal financeiro, ancorado nos bancos oficiais, comprovou-se o potencial da produção e do consumo nacionais como fator de lucratividade equivalente , relativamente, ao lucro dos bancos, preferencialmente, na especulação.

Os bancos, na prática, não apostaram na produção, mas na especulação e perderam a sensibilidade de ganhar dinheiro no mercado produtivo, pois tinha cliente melhor, que é o governo que paga juro alto especulativo. Como o juro está caindo, em relação às taxas fantásticas de outrora, porque o governo, ao acertar na economia, adotando medidas proativas, reduziu, em si, seu próprio fator de risco que justifica elevação do custo do dinheiro.

Os bancos privados , agora, diante da disposição lulista de reativar os bancos estaduais, expressos em forma de agências estaduais de fomento, garantidas pelo tesouro, para, através do BNDES, fortalecer as micro e pequenas empresas, com Fundo Garantidor de Investimento(FGI), terão que correr atrás para não ter que nos próximos semestres continuarem registrando lucratividade cadente em comparação com as lucratividades ascendentes dos últimos anos de bonança especulativa. Teriam suas ações desvalorizadas em favor das ações dos bancos públicos.

 

Queda de braço contra prejuízo

 

governo lula colhe resultado positivo em sua estratégia anticíclica no jogo dos emprestimos para tirar a economia via oligopolização financeira estatal

A corrida contra o prejuízo, aliás, já começou. Os banqueiros, diante do lucro ascendente do Banco do Brasil, apostando no crédito e no investimento, e da redução do lucro deles, por terem fugido da produção, com medo do risco, tentam aproveitar a carona do FGI, para, também, repassarem dinheiro do BNDES aos micro e pequenos empresários, enxotados das agências bancárias com  seus pleitos nos últimos meses por total falta de garantia. O FGI seria a garantia dos bancos privados para participar do esforço do governo em incrementar a produção e o consumo como armas para combater a desaceleração.

Por meio do tesouro e do FGI, o governo bancaria tanto as agências de fomento estaduais, como, igualmente, os micro e pequenos empresários, caso ocorram inadimplências e falências no instável ambiente capitalista global em crise.

Os bancos privados entrariam no negócio numa boa, seguros, tendo o aval do tesouro para que pudessem eliminar riscos. Se o governo elimina o risco, o preço a pagar pelos banqueiros será a drástica redução do spread, da margem de risco.

O dirigismo econômico anticíclico lulista está colocando os banqueiros em situações peculiares que inviabilizam resistências deles à sustentação ilógica da taxa de juro escorchante ao crédito direto ao consumidor, se o risco for eliminado pelo Fundo Garantidor de Investimento estatal. Estaria criada  condição, com o papel estabilizador de risco a ser desempenhado pelo FGI, capaz de forçar os grandes bancos a reduzirem oligopolicamente a taxa de juro.

Os bancos, como destaca o ex-ministro e ex-deputado Delfim Netto, acostumaram com o juro alto da teta governamental fabricado pela Era FHC neoliberal a fim de combater a inflação mediante sobrevalorização cambial que desestabiliza a estrutura produtiva interna e eleva o endividamento governamental sem que este se traduza em desenvolvimento, mas em bancador de cassino.

O capital produtivo perdeu , nesse contexto, poder relativo ára o capital bancário, cuja força nas altas esferas do poder (neo)republicano ganhou peso desproporcional que a grande crise mundial está arrefecendo paulatinamente. Na Europa e nos Estados Unidos, os grandes bancos se transformaram em bancos dependentes do favor estatal, depois que se atolaram nos derivativos referenciados em dólar, que, por isso, desvaloriza-se.

No Brasil, os grandes bancos se livraram da destruição dos derivativos porque ficaram mais seguros na teta estatal. Engordaram na moleza e não no trabalho. Na Era FHC, a taxa básica de juros chegou aos 48% em nome do combate à inflação sob real sobrevalorizado. Uma festa fantástica.

O peso relativo-vegetativo do endividamento da mãe estatal engravidou-se para sempre.

A crise mundial de crédito e a necessidade de o governo reduzir o pagamento dos juros aos bancos mediante redução dos superavits primários, enquanto lança mão do endividamento estatal para forçar a queda do custo do dinheiro, obtendo, dessa forma, lucro em forma de reação econômica, que assegura a arrecadação e os investimentos públicos, em termos relativamente satisfatórios, alteraram o status quo que se transformara em paraíso para a banca, no cenário especulativo global.