Coalizão troca reeleição por prorrogação

Os três coroneis do PMDB que dão as cartas no Senado jogam suas fichas na manutenção do poder sob Lula que agrada a gregos, troianos e goianosO golpe da prorrogação de mandatos está ganhando força total dentro da coalizão governamental amplamente dominada pelo PT-PMDB-PTB-ETC, sob comando, no Senado, dos senadores José Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros. O mote é acabar com a reeleição. Os mandatos seriam prorrogados em dois anos. Quem tivesse de entregar o chapéu em 2010, como são os casos do presidente e governadores, usufruiriam do poder até 2012. E os prefeitos, que sairiam em 2012, continuariam a 2014. Troca-se reeleição pela prorrogação, com mandato presidencial de seis anos, e o dominio das elites continua intacto, no ambiente da crise global. Descartar-se-ia  uma imoralidade, a reeleição; adotar-se-ia outra, a prorrogação. Tudo para alcançar o essencial ao poder, a continuação. Ópera bufa tupiniquin no teatro da representação parlamentar do Estado burguês cuja burguesia financeira está falida vestida de crédito podre.
 
Essa estratégia, anunciada pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello , em roda empresarial, em Brasília, atenderia, perfeitamente, o desejo, tanto da coalizão, como da oposição. Os governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, ameaçados de irem ao confronto cujas consequências seriam imprevisíveis, se o mineiro colocasse seu apoio para outras forças, caso seja preterido pela força financeira paulista, achariam desagradável ficar com mais dois anos de mandato à frente dos dois maiores colégios eleitorais do país, trocando reeleição por prorrogação? O prefeito de Salinas, José Antônio Prates, concordaria ou discordaria de dispor de mais dois anos à frente da cidade onde é produzida a melhor cachaça do mundo?
 
Os banqueiros, que tiveram em Lula grande aliado, na sustentação da mais alta taxa de juro do mundo, verdadeiro regime de escravidão financeira sobre o povo, não teriam porque esbravejar. Entre continuar Lula ou emergir Dilma, que reclama do superavit primário elevado, ou, ainda,  José Serra, crítico dos juros altos, há anos, soaria como música aos ouvidos da banca especuladora a prorrogação dos mandatos.
 

Perigo é estouro da boiada

Armando Monteiro Neto revelou temor de que não haja entre a elite representação adequada capaz de unir as pontas da contradição brasileira como faz brilhantemente Lula atendendo gregos, troianos e goianosPerderia, claro, a democracia representativa, que vai deixando espaço para o avanço da democracia direta, impulsionada por movimentos sociais, cuja fonte de financiamento é o Estado, como acontece, em maior escala, com os subsídios estatais concedidos ao capital financeiro em forma de juro alto e aos empresários, com emprestimo subsidiado do BNDES.
 
O jogo democrático representantivo eleitoral que se apoiou na reeleição, a partir da Era FHC, comprada com dinheiro do caixa dois eleitoral, como evidenciaram as notícias dando conta de virada de opinião de governadores e políticos diversos antes contrários e depois favoráveis à reeleição, deixou de ser interessante aos donos do poder , caracterizado pela aliança da banca com o Estado, impondo coordenação aos empresários. Estes, igualmente, consideram o momento perigoso demais, principalmente, porque as elites não teriam representação política suficientemente confiável e popular capaz de unir opostos como faz o presidente Lula, mantendo popularidade nas alturas. O temor é com o estouro da boiada.
 
Esse tipo de preocupação já foi manifestado pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria(CNI), deputado Armando Monteiro Neto(PTB-PE), em reunião da diretoria da entidade. Lula, ao bancar programa social , de um lado, capaz de elevar o consumo interno , que desova estoques e evita forte desvalorização cambial que traria insuportável pressão inflacionária, e, de outro, subordinar-se à autonomia do Banco Central, para bancar juros altos a partir de pesquisas de mercado – Focus – contratada pelos próprios banqueiros, manteve os pés em duas canoas.
 
Ao mesmo tempo, para não ouvir barulho, comprou o silêncio das lideranças sindicais e dos estudantes com dinheiro do FAT, e tenta, com recursos orçamentários, evitar convulsão social do campo, amansando, sem maiores controles, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra(MST). A coalizão governamental amansada pelo mensalão joga tudo numa composição continuista.
 
Pode ser que a nova campanha “Queremista” – Queremos Lula –  em armação no arraial dos caciques e coronéis que dominam a política no Congresso seja levantada pelos movimentos sociais, mediante compromisso mais firme de Lula com os assentamentos rurais com devida infra-estrutura capaz de fixar o homem à terra, ao contrário do que se verifica. Como assentar o trabalhador se falta a infra-estrutura rural e, principalmente, o crédito, o seguro, o preço mínimo, a assistência técnica e a capacitação profissional adequados? As elites terão que fazer concessões, se não quiserem ser negadas pelos que estão escrevendo novas constituições com cara de democracia direta, participativa, enquanto os golpistas tagarelam no Congresso. 
 
 
 
Dilma, candidatura decorativa?
 
Lula aceitaria o golpe dos coroneis para mantê-lo no poder ou seu jogo para com Dilma é para valer?
A armação da prorrogação tem jeito de golpe contra a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. Com apoio do presidente Lula, que alcança quase 90% de popularidade, ela poderia emplacar? Ou faz um jogo de faz de conta , como se fosse boi de piranha ? Os caciques da política nacional, ancorados no PMDB, que passou a ser a posição mais forte da coalizão governamental, não apostam em riscos ousados.
 
Os temores do meio político conservador se assentam na total falta de perspectiva que a crise mundial lança sobre as atividades produtivas. O tombo violento de 3,6% do PIB no quarto trimestre, confirmando os assombrações anunciados pelo IBGE, na semana anterior, de queda de 17% na produção industrial, contribuem , decisivamente, para construir o consenso das elites receosas diante do futuro incerto em torno da prorrogação de mandatos. A fantasia em reduzir a taxa básica de juro, de 12,75% para 11,25%, enquanto o consumidor para 170% ao ano , deixa de ser solução para se transformar em problema.
O pavor provocado pela demissão de quase 300 mil trabalhadores nos últimos seis meses na indústria paulista põe pressão de José Serra sobre Lula para baixar os juros mais rapidamente, mas Serra sabe que desemprego, sendo redução de consumo e arrecadação, dificulta sua atuação política, no Estado. Novas investidas contra os juros altos , repetindo a redução de 1,5 ponto percentual, serão realizadas com conteúdo cada vez mais político em face do avanço do desemprego.
 
Teme-se, no Planalto, que o desemprego  tenderia motivar greves políticas de cunho ideológico, potencializando perigo de que a massa desempregada comece a mover as cúpulas conservadoras sindicais silenciadas pelo dinheiro público, impondo radicalidade política, caso a crise se aprofunde. Trata-se de ambiente que, naturalmente, favorece aprofundamento do espírito conservador das elites. prorragação de mandatos soa bem para elas.
 
Se a economia desandar, pode ser que não sobre para ninguém. Lula sairia chamuscado, por ser situação, e Serra e Aécio, igualmente, situação em seus estados, dançariam diante do eleitorado.Os prefeitos, da mesma forma, sairiam com queimaduras de terceiro grau. A boiada entraria toda no brejo. Salve-se quem puder.
 

Lacerda pelo avesso

Lacerda, na oposição, atacou até derrubar Getúlio; Sarney, lacerdista, joga com o neo-Getúlio, invertendo o jogo lacerdista, para tentar manter o jogo lulista de poderA candidatura de Dilma Rousseff, no ambiente de incerteza geral, seria uma representação mais abstrata do que real. Estaria saindo correndo na frente, mas com o cálculo do Planalto de que poderia passar o bastão, se, em meio à crise, o desgaste não afetasse fortemente o presidente, cuja interação com o povo é total, ao passo que o governo se desgastaria e, com ele, a ministra, especialmente, se o PAC empacar ou andar devagar demais em meio às expectativas pessimistas, cautelosas dos investidores..
 
Poderia haver desgaste do governo sem que Lula se desgaste? Há quem aposte nisso. Que outro candidato teria fôlego para dar as mancadas que o presidente dá e ao mesmo tempo tira de letra novos argumentos, enterrando os antigos, com velocidade de raio, sustentando a popularidade?
 
A prorrogação como mote para detonar a reeleição enquanto esconde o desejo de preservação continuista de poder para que todos juntos possam enfrentar a crise e não ser engolido por ela representa o jogo inverso da elite nacional relativamente ao jogo político do presidente Hugo Chavez, na Venezuela, vitorioso em sua proposta favorável aos mandatos sucessivos. 
 
Para continuar, Chavez ganha o direito democrático de disputar quantas vezes desejar, enquanto, para alcançar ao mesmo objetivo, ou seja, continuar no cargo de presidente, Lula teria não que afirmar a democracia representativa, mas rasgá-la, a fim de torna-la mais conservadora, em vez de buscar sua superação via ampliação da democracia direta, como ocorre na Venezuela, Bolívia e Equador. As elites brasileiras em torno de Lula, com o assetimento da oposição, podem marchar, unidas, para o golpe. 
 
Para continuar no  cargo de presidente, Lula teria que abrir mão da alternativa chavista, para abraçar a lacerdista, essencialmente, golpista, mas, curiosamente, com caráter invertido. Seria um golpe de governo na oposição e não da oposição no governo, como tentava Carlos Lacerda contra Getúlio.
O ex-lacerdista José Sarney virou lacerda de dentro para fora, enquanto Lacerda atacava de fora para dentro. Tentava detonar Getúlio, enquanto Sarney defende Getúlio, ou melhor, o neo-Getúlio, Lula. A continuidade do presidente se daria com a repulsão à reeleição para garantir a continuação. Os contornos da democracia representativa nacional se tornariam excessivamente elásticos.

 

Louvação aos bancos no Senado

O Senado iniciou o debate sobre a crise mundial convidando lobistas dos bancos privados que sempre defenderam o pensamento bancocrático que domina amplamente o cenário econômico nacional, elogiando o PROER, sem apontar o fato de que depois do PROER os juros no Brasil não pararam mais de subir
O presidente do Congresso, senador José Sarney(PMDB-AP), convocou economistas consultores de bancos privados para iniciar o debate no Senado sobre a crise mundial: Marco Lisboa, ex-secretário de economia do ministro Antônio Palocci, no primeiro mandato do presidente Lula,  articulador da privatização dos seguros, professor da FGV, consultor do Unibanco ; Mailson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda do governo Sarney, da Consultoria Tendências e integrante do Conselho de Administração do Santander; José Márcio Camargo, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro; e Luiz Guilherme Schymurra, falaram menos da crise, preferindo endeusar o pensamento  usual do sistema financeiro nacional para explicar a economia e a bancarrota nos países capitalistas ricos, com supressão do crédito e afogamento da produção e do consumo.
O crédito empoçou porque, concordaram todos,  perdeu-se a confiança no sistema. Mas, porque o sistema está com a confiança abalada, se deixou de reproduzir o capital na produção, passando a fazê-lo na especulação, até explodir tudo? Não se aprofundou sustentavelmente o tema, porque a platéia não estava interessada numa discussão mais profunda das contradições do capitalismo, evidentemente, expostas e sem solução à vista. No capítulo dos juros, os participantes revelaram sua alma. Ficou ev idente o jogo de cena e de subterfúgios do pensamento econômico bancocrático, abençoado pelo Congresso, dominado pela governabilidade provisória.
 
A economia brasileira, embora esteja sob abalos decorrentes da bancarrota financeira americana e européia, estaria bem melhor situada e poderá, por isso,  ser a primeira a sair da crise porque, segundo os economistas, dispõe, entre outras vantagens comparativas dadas pela materia prima disponível, trabalhadores e empresários diligentes e base industrial poderosa,  de um sistema financeiro sadio, conservador, pouco alavancado, ou seja, sem ameaças de sucumbir-se à avalanche dos créditos podres que atacam e paralisam os grandes bancos internacionais.
 
Essa saúde, destacam, teria sido adquirida por ocasião da privatização dos bancos estaduais e do lançamento do Programa de Estítulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional(PROER), em 4 de novembro de 1995, pela medida provisória 1.179,  depois que o plano real derrubou a inflação e acabou com o imposto inflacionário. Até então, tal imposto  sustentava a lucratividade bancaria de forma exagerada. Não foi comentado pelos brilhantes profissionais que a banca nacional, depois da supressão do imposto inflacionário, passou a engordar, exageradamente, sem trabalhar no juro básico selic,  com a taxa de juro real mais alta do mundo, sem falar no crédito direto ao consumidor, na casa dos 170% ao ano, impondo escravidão jurista sobre a população.
Historiou-se pouco as razões do fortalecimento do sistema financeiro nacional ao longo da Nova República.  Se , por um lado, ela controlou os preços, por outro, bombou os juros e a dívida pública interna, cuja expansão contribuiu para deixar o custo do dinheiro ainda mais alto. Como o mundo vivia os rescaldos da crise monetária desencadeada no final dos anos de 1970 pela elevação da taxa de juro americana, de 5% para 17%(1979), em nome do combate à inflação, decorrente do excesso de moeda americana na praça global, os bancos nac ionais teriam a justificativa da fragilidade econômica nacional para bancar o juro crescentemente alto. Em 1978-79, a taxa básica chegou aos 47% ao ano, enquanto a moeda era artificialmente sustentada, ao mesmo tempo em que se praticava tarifas de importação baixas. Sucateamento do parque industrial no jogo do combate à inflação.
O PROER, absorveu quase R$ 100 bilhões de dinheiro público, do contribuinte,  entrou em campo para fazer ponte entre a antiga situação, ganho bancário em cima do imposto inflacionário, banido pelo plano real, e a nova situação, endividamento público acelerado por conta do juro alto praticado em nome do combate á inflação, decorrente, segundo os economistas neoliberais, do excesso de demanda da população.

Lula dá, banqueiro toma

 
Lula continuou o trabalho de FHC no campo financeiro mantendo vida boa para os especuladores porque não fez nada para conter a taxa de juro no país que escraviza a sociedadeO PROER nacional, que hoje está sendo cogitado para resolver problemas de bancarrota financeira nos Estados Unidos e Europa, tornou-se âncora do pensamento bancocrático nacional para justificar a solidez do sistema financeiro brasileiro em relação ao sistema financeiro internacional que está falido, dependente, totalmente, do Estado.
 
O que não se discute, jamais, e isso não ocorreu, também, em relação aos convidados do senador Francisco Dornelles(PP-RJ), presidente da pomposa Comissão de Acompanhamento da Crise Financeira e da Empregabilidade – Comissão de Crise – é que o resultado final do PROER foi a sustentação permanente da mais alta taxa de juro do mundo vigente no Brasil.
 
O PROER transferiu a preço de banana os bancos estaduais para os grandes bancos privados e os bancos privados que estavam em falência, como foi o caso famoso do Banco Nacional, caíram nas malhas dos bancos que estavam livres da falência, na ocasião, desde que nascesse o PROER.  Promoção total de um oligopolização bancária nacional, esse foi o resultado do PROER cuja discussão passou ao largo dos congressistas, inibidos e pouco preparados para debater com os técnicos da bancocracia.
Realmente, a tarefa do PROER, de separar banco podre de banco são para que o Estado ficasse com o prejuízo, sacando em cima da população, foi jogada salvacionista que evitou o pior, que seria, possivelmente, uma bancarrota financeira, na Era FHC. Mas, o PROER foi, igualmente, base de sustentação do juro alto cobrado pelos bancos, desde a taxa básica até às diversas modalidades de crédito, com destaque para o crédito direto ao consumidor. Como o consumo das famílias, ou seja, os gastos bancados no crediário, representa 60% do PIB, a teorização do juro alto no Brasil tem por base o poder de oligopólio que a banca privada nacional adquiriu depois do PROER.
 
Antes, sem o PROER, sem a rede dos bancos estaduais aprisionadas, os bancos privados estavam com seu poder relativamente pulverizado. Depois do PROER, fortalecidos, os banqueiros, utilizando a contribuição inestimável de ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do BC, que se transformaram em conselheiros dos grandes bancos – banqueiros de calça curta, como dizia Lauro Campos – impuseram suas regras mais folgadamente, jogando oligopolisticamente, sinalizando o custo do dinheiro por intermédio de pesquisa – a Focus – feita pelos próprios bancos. Coisa de gênio.
 
Se houvesse jogo de compensação pela relação custo benefício propiciada pelo governo aos bancos privados, transferindo-lhes ativos bilionários estaduais a custo baixíssimo, seria de esperar que os bancos favorecidos, em resposta ao benefício auferido, emprestasse a um  juro mais baixo no crédito direto ao consumidor.
 
O risco de quebradeira dos bancos estaduais não havia sido removido no embalo de lucros bilionários para a banca? Por que , então, manter o juro em ascensão, sangrando o consumidor que compra no crediário? O PROER , bolado na Era FHC, produziu os dois lados da moeda. De um lado, evitou a bancarrota; de outro, porém,  oligopolizou o mercado de dinheiro, tornou o governo prisioneiro da lógica, construída pelos consultores dos próprios bancos, de que a inflação brasileira decorre de excesso de demanda, e o povo ficou escravo da bancocrac ia.
 
Comprovou-se, posteriormente, o contrário. O presidente Lula deu mais intensamente o Bolsa Família para os miseráveis, o consumo interno subiu, os estoques cairam, a desvalorização anteriormente forçada para exprotar ficou dispensada e, consequentemente, com a valorização da moeda, os preços recuaram. Os juros, no entanto, subiram. Não fucionou a lógica que sinaliza condições propícias de segurança para favorecer juro mais adequado ao sistema produtivo. Como a sociedade é totalmente desorganizada para defender seus direitos de forma coletiva, a lógica virou anti-lógica contra o povo, em forma de juro alto.
 
Os consultores dos bancos, que estiveram na burocracia do governo, vivenciaram os meandros do poder estatal e conhecem as fechaduras da superestrutura jurídica do Estado que sustenta a acumulação de classe que dá expressão ao próprio Estado. Mailson da Nóbrega, consultor do Banco Santander, deve ter garantido duplicação do seu salário, em plena crise, ao considerar negativa a introdução da limitação do juro na terra do juro mais alto do mundo. Ele reclama do juro tabelado quando os governos capitalistas desenvolvidos mais do taxam os juros, derrubam eles, sistematicamente, em grande onda de eutanásia do rentista. Nos países ricos, pode; nos países pobres, não.
 
O Santander, patrão de Mailson, faz parte do oligopólio do juro alto que o PROER produziu com a força política da bancocrácia no contexto do Estado nacional financeiramente fragilizado, depois da crise monetária dos anos de 1980 e as que vieram no seu rastro sob tacão do Consenso de Washington e monitoramento do FMI. 
 
Depois do PROER, em 1995, os lucros dos bancos privados e estatais bateram todos os recordes possíveis. Enquanto as atividades industriais, ao longo das últimas duas décadas, apresentaram taxa de lucro média entre 8%-10%, as comercias, 15%, os lucros bancários situaram-se, anos seguidos, acima dos 25%.

Juro alto, preço do PROER

 
O PROER nacional, cogitado para ser solução, também, nos Estados Unidos, conteve a corrida bancária no Brasil, depois do fim da inflação galopante, com o Plano Real, mas serviu de alavanca para manter alta e permanente a taxa de juro no país, que desafia os estudiosos
Antes do PROER, os lucros bancários eram bem mais modestos. Depois do PROER, sob Consenso de Washington-FMI, mediante política econômica da Nova República neoliberal , o poder oligopolizado dos bancos cresceu na mesma proporção da elevação dos lucros expansivos e extorsivos.
 
O que é senão extração forçada de renda uma taxa de juro de 170%, vigente, no momento, no crédito direto ao consumidor. O governo dá aos pobres um cartão para comer barato e comprar alguma coisa a crédito, mas os bancos, na outra ponta, tomam tudo, enquanto os empregados deles, discutindo a crise mundial, no Congresso, batem palmas para o PROER, que serviu de alavanca da banca nacional para aumentar a taxa de escravização sobre a população.
 
Repete-se, interminavelmente, a velha história: o Brasil é sempre o último a livrar-se da escravidão externa. Os negros brasileiros livraram-se, parcialmente, das algemas, como o consumidor a crédito se livra das algemas dos juros, tendo acesso ao tênis comprado com dez prestações que elevam seu preço final para R$ 270, quando, sem os juros, custariam R$ 80.
 
Os bancos não estariam extraindo esse lucro para comprar ações de grandes empresas européias e americanas que estão baratas no auge da crise graças ao suor do povo brasileiro que paga 170% ao ano aos seus escravagistas?
 
O produto final do PROER é o juro escorchante que escraviza o povo, tirando sua poupança para engordar uma minoria. Os economistas que dão consultorias à banca não mergulham nas causas fundamentais dos juros. Fica no papo de que a oferta está menor do que a demanda e que o juro é alto porque o risco do banco é alto. O mesmo valeria para os spreads etc. Ou seja, um jogo de palavras que esconde o fato de que o juro no Brasil é o preço do processo de acumulação de capital no país, dado pela ação bancária oligopolizada, cuja tradução é inflação cronicamente alta. Afinal, os empresários repassam o custo do juro alto para os preços.
 
O debate promovido pelo senador Sarney com funcionários dos grandes bancos somente produziria o que produziou, ou seja, loas aos bancos, que têm garantida sua renda no artigo 166, parágrafo terceiro, item II, letra b, da Constituição, que assegura, como cláusula pétrea, a proibição de contingenciar recursos destinados ao pagamento dos serviços da dívida, enquanto todos os demais itens, como saúde, educação, transporte, infra-estrutura, segurança etc, são , sempre, contingenciados para fazer superavit primário crescente. A qualidade de vida pode deteriorar-se; o lucro bancário, jamais.
 

Lula veste Lenin para o G-20

Lula, nova v oz internacional no rastro da crise mundial que empobrece os ricos e transforma em novo poder mundial o Brasil rico em matérias primas e gente para trabalhar em base industrial sólida na riqueza material em abundancia em meio a falencia dos ricoslenin pregou a estatização bancaria como fator de organização da sociedade destroçada pela anarquia especulativa capitalista financeira sob dominio dos oligopolios e monopolios como forma de destruirem o livre mercado que joga a taxa de lucro no chãoO discurso de quinta feira, 04, do presidente Lula , no Seminário Internacional sobre Desenvolvimento, convocando os governantes dos países ricos financeiramente quebrados a exercitarem, na crise que destroça o capitalismo, a soberania estatal, estatizando o crédito, como alternativa de salvação do processo capitalista de produção – que pode, também, representar mudança para outro processo, socialista – ressuscita a pregação leninista favorável à estatização bancária que se torna obrigatória em momentos de aguda crise monetária. Recado lulista antecipado para a reunião do G-20, mês que vem, em Londres. Por precausão, no mesmo dia, os banqueiros privados entraram no Supremo Tribunal Federal pedindo indenização dos prejuízos gerados pelos planos econômicos neorepublicanos passados, enquanto a administração lulista ensaia redução geral do superavit primário, que significará diminuição dos recursos destinados ao pagamento dos juros da dívida pública inter na. Os banqueiros se assustam com o discurso leninista-lulista.

Nada melhor do que as crises monetárias do sistema capitalista, para promover o movimento socialista internacional, disse Lenin, no pós-primeira guerra mundial de 1914-1918, quando as economias capitalistas européias se encontravam com suas moedas nacionais destruídas pelas especulações cambiais. O discurso de Lula foi essencialmente internacionalista e socialista pelo conceito leninista. Na prática, não há outra saída, se os bancos privados perderam a confiança popular, simplesmente, por estarem falidos. Se não houver estatização, poderia ocorrer corrida bancária. Obama e Lula perderiam seus cargos na hora.

O mercado financeiro desregulamentado, que destruiu a confiança popular no sistema capitalista especulativo,  se autocandidatou-se a ser estatizado em nome do interesse público. Materializou-se a previsão de Jackon London, em “Tacão de Ferro”, em que o sistema se esbate em seu final em confrontos estrondosos entre oligopólios financeiros, estatal, de um lado, em nome do interesse público, e, de outro, o privado, destroçado pela especulação, no estouro do crédito internacional bichado pela podridão fermentada em escala global. Tremendo iogurte planetário apodrecido.

No momento em que as moedas européia e americana tendem a cair por conta da queda das suas economias e da destruição da lucrativ idade das  empresas, a serem expressas nos relatórios que serão divulgados no segundo semestre, emerge condição propícia à estatização que se impõe como imperativo categórico , como diria Kant. As contradições do modelo de reprodução do capital multiplicaram  a riqueza de tal forma que se tornou fictícia e autodestrutiva na grande fogueira monetária.

 

Socialismo à vista? 

Merkel e Sarkozy pregam refundação do capitalismo que faliu, abrindo-se ao discurso que reformará o estado burgues financeiramente falidoObama e Brown são pura aparencia, os ricos estão quebrados e não podem mais falar em nome do G* falido, sem antes consultar o G-20, o novo poderobama-e-gordon-brosnNão há dinheiro que chegue. Todo o anúncio de governo jogando  moeda na circulação para salvar bancos em destroçamento não passa de lançamento de papel moeda relativamente são para tentar  salvar papel moeda apodrecido, correndo perigo de apodrecer, também. A partir de determinado momento o mercado financeiro dirá o preço da montanha de papel que o governo  na crise  está jogando para salvar o sistema econômico capitalista do incêndio monetário. Se quebrar, vira socialista.

Foi nesse contexto, agora, explícito em escala global, levando líderes antes ricos agora falidos tentando articular sem poder mais articular o que antes articulavam, que  Lenin pregou a estatização bancária como fator capaz de organizar as finanças públicas, o comércio exterior e o sistema de crédito. Puro discurso obamista e lulista. Controle e contabilidade, para organizar a produção e o consumo que o mercado destroi por dispor de impulso dialético à anarquia da sobreacumulação especulativa financeira deflacionária.

O presidente Lula antecipou o jogo brasileiro leninista na reunião do Grupo dos 20 no próximo mês em Londres, certamente,  momento histórico relevante para a humanidade. Somente a intervenção estatal, segundo Lenin, em Estado e Revolução, detém a anarquia financeira dominada por oligopólios privados que atuam em escala global. Entra em cena em nome do interesse público.

Esta é a nova proposta do titular do Planalto que passa a jogar com as armas socialistas, ou seja, trata a moeda como Marx e Engels a vêem em suas obras de críticas ao capitalismo. Enquanto os economistas clássicos representam visão mecanicista da moeda por considerá-las mero valorímetro regulador das trocas, neutra, acima das classes sociais antagônicas, Marx dizia ser ela não mecânica, mas dialética, ou seja, poder político sob controle do estado capitalista que emite papel moeda em um contexto social polarizado por antagonismos de classe.

O Estado, conceitualmente e juridicamente, considerado burguês, segundo Marx, significa capital, ou seja, poder sobre coisas e pessoas. Os burgueses, com o Estado burguês, livraram-se do rei que, sob Estado monárquico, extraia renda da burguesia para sustentar o reino. Se a burguesia, com o Estado burguês, fica livre do rei, livra-se, também, da moeda do rei, o ouro do século 19, que deu lugar ao papel moeda sem lastro no Estado burguês especulativo do século 20, sob escombros econômico, político, moral e ético.

 

O novo poder

 

Manmohan Sing, Índia; Dmitri Medved, Rússia; Hu Jintao, China, e Lula, Brasil, são o novo poder no cenário internacional em que os países do G-7 entraram em crise total, pedindo socorro aos emergentes que impõem nova correção de forças no cenário internacionalA burguesia internacional que ditava a regra aos governos, como aconteceu por intermédio do Consenso de Washington, que abastardou a Nova República, perde a sua utilidade quando seus bancos são estatizados. A burguesia deixa de mandar no Estado burguês que ela criou porque, simplesmente, faliu.

Quebrou-se o instrumento do Estado burguês rico de dominar a periferia burguesa pobre. Antes, lançavam empréstimos à periferia cobrando juros de modo determinar que a garantia da moeda é determinada pela taxa de juro e não pela riqueza real do país que toma os empréstimos. Como a moeda dominante exerce senhoriagem jurista sobre a moeda dominada, diz Keynes, eterniza-se a instabilidade cambial que contribui para promover eterna transferência de riqueza  da periferia para o centro do capitalismo.

 Se os créditos acumulados pelos países do centro ficaram podres, comprometida fica a sustentação da exploração cambial porque a moeda antes considerada forte agora sofre a eutanásia do juro baixo e negativo em nome da salvação das empresas atoladas no endividamento e na falta de crédito.

 Os créditos podres empoçados, se não forem, rapidamente, removidos, via estatização, apodrecerão o dólar e o euro, prevêem analistas internacionais. A estatização financeira eleva-se como solução que Lênin disse ser a única capaz de preservar o setor produtivo construído pelo capitalismo.

A pregação lulista do Estado nacional financeiramente estatizante na reunião do G-20, antecipada, na quinta, representa pontapé dos emergentes nos traseiros dos governos dos países ricos que relutam em partir para a estatização, acreditando na eficiência do setor privado para irrigar a circulação capitalistas nos moldes de mercado, que faliram.

Apoiado nas riquezas reais expressas no petróleo do pré-sal;  no petróleo verde, dado pelos biocombustíveis;  na  disponibilidade de matérias primas indispensáveis à manufatura global; na existência  de terras abundantes que dão até três safras anuais;  na presente capacidade industrial moderna;  na ausência de dívida externa e na garantia de reservas internacionais superiores a 200 bilhões de dólares, que garantem favores a prefeitos, empresas, bancos e programas sociais em abundância, capaz de assegurar mercado interno consumidor, combatendo acumulação de estoques, o presidente  Lula, em meio à materialização do espírito constitucional dominado pelo sentimento dos direitos sociais e garantias individuais, tende a falar, politicamente,  cada vez mais grosso, no tom leninista. Quem não falaria?

 A estrutura econômica e institucional burguesa , dominada pela especulação financeira, encontra-se sob grandes abalos. Antes se falava em Grupo dos 8. Passado. O Grupo dos 20 é o  novo poder, no qual  o peso relativo do Brasil, por dispor das vantagens comparativas de que as manufaturas globais dependem, tende a aumentar.

A voz de Lula no G-20, antecipada no discurso dessa semana representa novo poder internacional. A sustentação das bolsas internacionais não dependem mais de Nova York, mas de Shangai, como se verificou durante a semana. A disposição chinesa de jogar dinheiro na circulação global deu nova esperança ao mercado mundial atolado no crédito podre.

Coronelismo enterra Nova República

 

O coronel do Maranhão que serviu aos militares na ditadura ergueu-se na Nova República, para a redemocratização, mas o rastro de sua história coronelista maranhense deixa à mostra as práticas espúrias do conservadorismo que impede o avanço dos costumes e das práticas políticas que entram em crise no compasso da crise mundialRenan não conseguiu provar sua inocência nos casos escabrosos, teve apoio do PT, voltou por cima e comando o espetaculo do coronelismo político, junto com Sarney e Collor, escanteando os petistas ao máximo, subordinados e humilhadosRepresentante da mais pura expressão do coronelismo nordestino, ELLE voltou com as manobras coronelistas que o PT favoreceu com o seu comportamento irresponsável de ter-se rendido à baixa política traindo os ideais dos trabalhadores, em sua etapa histórica de ascensão e consolidação política no poder

 

 

 

 

 

A Nova República, sob coalizão governamental lulista(PT-PMDB-PTB-PS-PDT-ETC),  dirigida pelo coronelismo político, está agonizante na grande crise financeira mundial, que põe à mostra o medievalismo parlamentar nacional, comandado por lideranças manchadas pela corrupção. É como a história da escravidão. O Brasil é o último do planeta a livrar-se dos escravagistas, detonados, no século 19, pelo brilhante monarquista pernambucano Joaquim Nabuco. Agora, o escravagismo se encontra sob o tacão de novo ativo pernambucano, senador Jarbas Vasconcelos. Mas a Idade Média resiste com os senadores que expressam o mais puro coronelismo nacional: senadores José Sarney(PMDB-AM), Renan Calherios(PMDB-AL), líder do partido, e Fernando Collor de Mello, ex-presidente, que, graças ao conformismo do PT, voltou à cena política, para ocupar a cadeira da influente Comissão de Infraestrutura do Senado. Terá o Programa de Aceleração do Crescimento(PAC) sob sua regra congressual. O presidente Lula e sua candidata, ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, terão, obrigatoriamente, que articular com ELLE, a partir de agora, os desdobramentos do PAC como bandeira eleitoral e dissuassória da crise mundial, para continuar mantendo a economia de pé no embalo do investimento público. O conformismo lulista com a vitória parlamentar do ex-presidente sobre sua adversária petista, senadora catarinense , Ideli Salvati, expressou a decadência petista no Senado na reta final da Era Lula. A Nova República se encontra na Velha República, nas mãos dos coroneis eletrônicos. Ou seja, sem nenhuma surpresa para o PT e o presidente, que se renderam às ordens deles , no Congresso, onde a corrupção saiu dos gabinetes dos políticos e entrou , também, no dos assessores, com Agaciel Maia de porta-estandarte. Funeral neorepublicano.

 

Parto na crise

 

Nabuco, que, na República, rendeu-se a Washington, como se rendeu à Inglaterra, na Monarquia, levantou a bandeira contra o escravagismo que continua até hoje dando as cartas na política nacional por personagens que infestam a história política com práticas conservadoras que sustentam o modelo político medievalTancredo, que discursou, no enterro de Vargas, contra os coroneis, morreu, deixando em seu lugar, para contra gosto geral, a herança dos coroneis expressa em Sarney, que não renovou os costumes da política brasileira, como se percebe pelas manobras que abençoa, com Lula, para a sustentação do pensamento coronelista conservador no comando do LegislativoLauro Campos previu a derrocada morral petista e pulou fora do partido, percebendo que ele seguiu o exemplo contra o qual historicamente combateu mas que abraçou-o assim que assumiu o poder, traindo a classe trabalhadora

 

 

 

 

 

A Nova República, nasceu debaixo de crise monetária em 1985,  com José Sarney, da Arena, mutante em PDS-PFL-DEM-PMDB, como vice de Tancredo Neves, que assumiu o poder, e morre com Sarney, senador peemedebista, presidente do Congresso, assessorado, agora, pelos seus pares coronéis. Desde o primeiro momento, o governo neorepublicano sarneysista e os demais neorepublicanos que viriam pela frente, subordinaram-se ao Consenso de Washington. Mesmo Sarney, que a história oficial diz ter dado o calote, pagou toda a conta de juros aos banqueiros. Os neorepublicanos, debaixo do Consenso de Washington, expostos às crises cambiais, rebolaram-se com planos econômicos de ajustes ditados pelo FMI, e impuseram ao Congresso as MPs, adequadas à governabilidade eternamente provisória comandada pelo pensamento neoliberal, bancocrático,  alheio ao debate político. Os coroneis da política nacional leram a mensagem e partiram para a corrupção. Sabiam que não haveria sob provisionariedade governamental moralidade pública a ser detonada com a ajuda das leis eleitorais burláveis.

 Na crise mundial, que abre nova janela para o mundo, no sentido de expor o passado e buscar solução para removê-lo, as lideranças aliancistas-lulistas, mantidas debaixo das asas conservadoras dos coronéis, acovardadas, fogem para o passado. Fixam suas regras patrimonialistas na distribuição do poder congressual. A vitória de Collor deve-se a essa manobra histórica dos coronéis, artistas diante do expectador petista.  O PT, que era promessa de futuro, no início da Nova República, herdeira dos militares, se transformou em fantasma do passado,  aliado dos coroneis e articuladores de suas candidaturas, na medida em que viabilizaram a volta deles, ou seja, a volta do passado como solução para o futuro.

Como destacou o senador Lauro Campos, do Distrito Federal, que fugiu do PT para o PDT brizolista, o pecado mortal dos petistas, no poder, foi seguir as práticas dos coroneis de direita sem ter os talentos deles. Se lambuzaram no doce de leite do mensalão, perderam credibilidade, para comandar reforma política e, lentamente, criaram o ambiente capaz de promover o retorno dos coroneis que eles mesmos haviam desalojados do poder com a emergência petista-lulista, a partir de 2003. A vitória de Collor é o apoio do PT a Collor.

Na prática, o funeral da Nova República culmina com a desmoralização ética do PT, que se alia à desmoralização ética chamada PMDB-PTB, que comanda, com seus coroneis, as correias de transmissão do poder. No Congresso, o PMDB vira soberano com os velhos caciques e coroneis; no Palácio do Planalto, os coroneis atuam através do Ministério da Articulação Política(PTB-PE), deputado José Múcio(PTB-PE). Monteiro é o inverso de Joaquim Nabuco, a envolver o PT no pensamento escravigista do coronelismo político. Nem os tucanos escapam. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra(PSDB-PE), alinha-se, tradicionalmente, ao coronelato, e somente reclama da corrupção sob comando dos coroneis,  porque eles, no momento, estão ao lado de Lula.

A velha esquerda do PT –  como os cadetes, os sociais democratas  e os democratas liberais russos, às vésperas da revolução soviética de 1917 –  cuida de situar-se bem na máquina do poder, para dispor dos melhores cargos, como preço pela renúncia ao velho discurso socialista radical. Vende a preço de alumínio barato sua autonomia outrora poderosa no início da Era Lula, para os coroneis cuja volta patrocinaram por incompetência na gerência do Estado corruptor.

  

O jogo dos coronéis

 

O ministro pernambucano das articulações políticas coordena de dentro do Planalto a divisão dos poderes entre os coroneis, mantando a sitonia do poder do coronelato do país, sob as b enções do presidente metalurgico que se rendeu às velhas práticas medievais, como nordestino filho da pobreza e humilhado por ela sob o tacão dos coroneis aos quais se aliouAloisio Mercadante, que, incialmente, carregava a pecha de honorável, levou para a nova republica lulista o bancocrático Henrique Meirelles, do Banco de Boston, para continuar sustentando a taxa de juro mais alta do mundo a partir do Brasil, eternizando as mazelas econômicas, políticas e sociais que sustentam o coronelismo com o qual se compactuou, mas que finge combatê-lo, como freira de convento falso-inocenteSérgio Guerra, comandante do PSDB, clama contra os corruptos do PMDB, não porque queira detoná-los, mas porque eles estão , na sua opinião, do lado contrario aos tucanos, que gostariam de ter Sarney, Renan e Collor do lado, como tiveram no passado, que virou presente, para assombramento da nação, cansada do coronelado

 

 

 

 

 

A história política nacional é uma cadeia de subordinação do poder político do mais fraco ao poder político do mais forte. Os coroneis nordestinos, depois que foram derrotados, economicamente, por São Paulo, na passagem do século 19 para o século 20, com a queda relativa do açucar e da ascensão relativa  do café, subordinaram-se ao coronelismo eletrônico paulista, que, por sua vez, aliou-se ao capital externo, sustentáculo da industrialização nacional  juscelinista regada a juros compostos sanguessugas a partir dos anos de 1950.

Os coroneis do Nordeste são sábios. Deixaram o poder econômico para São Paulo, mas se organizaram para dominar politicamente o país, no ambiente do curral eleitoral-congressual.

A superestrutura jurídica do Estado nacional se ancora na expressão prática do coronel político, que tem como sustentação o Congresso Nacional, onde votam as leis que garantem a continuidade dos mandatos dos representantes dos coroneis. Emergiu poderoso  espírito de classe expresso na lei que configara o Estado de direito positivo ditado pela prática inflexível do poder dos coroneis.

Como as lideranças congressuais, inconscientemente estruturadas na esperta sabedoria política colonial, irão pensar no futuro no momento da crise, se o que se abre pela frente, com esse futuro, é a supressão da visão coronelista de poder por revisão total desse poder, a fim de encaixar novo molde político dado pela revolução dos costumes? É muita areia para o caminhão dos coronéis. Melhor fugir para o passado.

Revolução financeira: LTN para o povo

O presidente Lula passou a seguir o conselho do empresário Sebastião Gomes, 80 anos, do Distrito Federal, dado em artigo que está girando  neste site, no qual propõe estímulo à compra de letras do tesouro nacional pelo povo. A letra está disponível para todos, mas, até agora, não se fez propaganda do assunto e uma vasta burocracia o envolve, dificultando acesso popular. O Palácio do Planalto articula essa demanda como estratégia de desenvolvimento. O argumento do empresário seduziu o presidente da República: “se os banqueiros podem ganhar a taxa básica de juro selic sobre os títulos, como poupança milionária, porque os trabalhadores não poderiam ter acesso a esse privilégio, sendo obrigado a ganhar apenas o juro da poupança que é inferior a 6% ao ano?” Qualquer brasileiro pode, com  R$ 200, comprar a sua poupança em forma de letra do tesouro nacional. O negócio é fazer propaganda em cima dessa poupança segura e rentável, da qual não se faz alarde. Os rendimentos poderão variar de 7% a 12% ao ano. Será a poupança segura do futuro. Os grandes bancos ficarão fulos da vida com essa disposição lulista de popularizar as letras do tesouro nacional.   Os brasileiros e brasileiras  seriam os novos agentes do desenvolvimento, ao disporem do estímulo de comprar no balcão dos bancos oficiais o papel governamental,  com o vencimento que o cliente desejar. Haveria possibilidade de o poupador , com a letra do tesouro, programar seus investimentos familiares, como é o caso da educação dos filhos etc.
 
Haveria, na compra direta de balcão, destaca Gomes, a desburocratização geral, ou seja, a supressão da intermediação bancária, tão cara quanto os juros escorchantes. O governo, nesse caso, disporia de um financiamento da dívida pública bem mais barato, porque evitaria pressão inflacionária sobre a economia decorrente dos juros altos e suas intermediações caríssimas, tudo repassado, pelos empresários, aos preços, caindo em cima do lombo do povo, em forma de tributação indireta regressiva sobre os produtos mais consumidos pela massa, feijão, arroz, carne, frango, macarrão etc. Tremendo crime popular contra o qual o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, ain da não se pronunciou, no rol de ataques aos criminosos contra os quais tem disparado.
 
 
 
Tacada histórica lulista
 
A proposta de Sebastião, conforme noticiário, dessa quarta, 25, da CBN, lançada pelo governo, guarda a mesma justificativa apresentada pelo empresário brasiliense, ou seja, que haja equivalência entre os pivilégios. Assim como os grandes bancos podem, os pobres, igualmente, passam a poder.
 
Lula entra para a história , promovendo verdadeira revolução financeira popular, gerando fonte de renda financeira para o povo à qual tinha acesso apenas os bancos, como arma de promoção do desenvolvimento nacional sustentável. Estaria atuando para além as teorias econômicas equilibristas neoliberais bancocráticas totalmente falidas no incêndio da grande crise global, sobreviventes, apenas, no conceito ideológico da grande mídia conservadora, depedente da banca.
 
Trata-se, na opinião do empresário, de criar base de sustentação do desenvolvimento nacional, expresso na decisão governamental de ampliar o endividamento do governo para lutar contra a desaceleração econômica decorrente da bancarrota financeira dos Estados Unidos e da Europa.
 
O país, prevê,  poderá sair mais rapidamente da crise de desaceleração mundial, detonadora de efeitos psicológicos paralisantes, se emplacar a proposta de capitalismo popular via acesso de letras do tesouro para o povo com garantia governamental. Quem não vai aceitar essa garantia que dá sustentação ao aquecimento do consumo interno? Tal garantia é a que vem engordando os lucros dos bancos ao longo da história ec onômica da Nova República, falida em meio à corrupção política.
 
Dispondo de base industrial forte; de mão de obra especializada; de fontes inesgotáveis de energia alternativa; de disponibilidade de terras que dão até três safras anuais; de biodiversidade infinita; de petróleo abundante do pré-sal, do etanol; do biodiesel;  de disposição popular para acreditar nos papéis do governo, referenciados na riqueza nacional, e de mercado consumidor bancado keynesianamente pelo Estado , o Brasil, na avaliação do empresário, poderia despontar como novo potência do século 21, enquanto os ricosa afundam na bancarrota. Virada história.
 
 
 
América do Sul, nova rica do mundo
 
O exemplo patente do potencial nacional, que só é baixo na mente dos economistas funcionários dos bancos, que entendem ser o Brasil prisioneiro de crescimento limitado, é a disposição das montadoras japonesas para se deslocarem para o Brasil, transformando-o em plataforma nova de exportação japonesa. Por que os japoneses, pergunta Sebastião, levarão daqui o aço, atravessando os mares, pagando carreto e seguros caríssimos, se pode instalar aqui as suas montadoras, reduzindo custos e potencializando lucros?
 
Os países sul-americanos, diz, são os novos ricos do mundo,  enquanto os ricos empobrecem, no compasso da transformação do dólar em papel de parede, até 2015, por aí, conforme prevê. A estratégia é manter a América do Sul unida, para evitar que os ricos falidos apostem na sua desunião, impediando-a de exercer o poder da sua riqueza em beneficio dos sul-americanos e não mais dos europeus e americanos como ocorre desde o descobrimento das Américas.
 
Sebastião Gomes, que chegou a Brasília em 1956; que trabalhou diretamente com Juscelino Kubstchek; que animou, no DF, a campanha JK-65; que agitava os canteiros de obras da Vila Amauri, na beira do lago, aos 29 anos,  merecendo o apelido popular de “Tião Espalha Brasa”; que ajudou a fundar a Associação Comercial do Distrito Federal, a Federação das Indústrias do Distrito Federal; que liderou paralisação das padarias do DF, no tempo do governo Castelo Branco, protestando contra navios parados em alto mar para boicotar o consumo interno; que professa o espiritismo vinte e quatro horas por dia, se sentindo como instrumento de ação de Deus; que fundou dezenas de casas espíritas em Taguatinga e Sobradinho; que é permanentemente cerebral nas lições de Sócrates que o ensinou que “a metade é maior do que o todo” – esse empresário, lenda brasiliense viva e atuante, considera que a grande obra de Lula foi garantir consumo dos pobres para movimentar a produção dos ricos. O pobre, diz, faz o nobre, mas o nobre jamais faz o pobre”.
 
 
 
O pai do bolsa família 
 
Sebastião Gomes foi empresário pioneiro no DF que, nos anos de 1970 reuniu, como diretor da Associação Comercial do Distrito Federal, encontro nacional para discutir pela primeira vez uma rede nacional de ações voltadas para incrementar programas sociais como forma de garantir o consumo dos mais pobres, a fim de assegurar produção e renda para os setores produtivos de forma sustentável. O Paraná foi o único estado, então, que, imediatamente, colocou em prática a proposta de um programa social tipo bolsa família em que o papel da mulher seria relevante para gerenciar o dinheiro distribuido para comprar alimentos para os pobres. Logo em seguida o presidente da  Federação das Indústrias do Distrito Federal, Antônio Fábio Ribeiro, colocou em prática, no DF, a idéia original de Sebastião Gomes. O assunto pegou e o governador Critovam Buarque, do DF, cresceu o olho em cima do projeto que sob seu incentivo ganharia projeção nacional.
Lula, na avaliação, de Sebastião, teria que garantir mais 6 milhões de cartões de crédito do Bolsa Família, para dinamizar o consumo e afastar a crise. Seis milhoes representariam, em suas contas, 25 milhões de quilos de comidas diárias que movimentarão a agricultura, as estradas , a fabricação de caminhões, a expansão de postos de gasolina, oportunidade de empregos para quem vive nas estradas em torno dos postos, para gerar novas cidades, enfim, esquentaria a demanda para a indústria, a agricultura, o comércio e os serviços.
A quebradeira financeira européiá e americana, destaca o empresa´rio, amplia o fortalecimento da agricultura brasileira, no sentido de torna-la fator número um de dominação brasileira no novo cenário, comandando setor estratégico em meio à dependência geral do mundo rico falido das riquezas do mundo pobre que fica rico. Mais seis de milhões de cartões do bolsa família, prevê Sebastião, base para atravessar a crise, na medida em que fortalece o mercado interno e elimina os estoques que não estão escoando, adequadamente, nas exportações.

Garantir o consumo é fundamental

Comerciante e industrial que sub iu e desceu, “com a graça de Deus”, e sobe novamente nas águas do empreendedorismo voltado para a energia alternativa; que , como comerciante e industrial da área de alimentação, conheceu o apogeu e a queda, sendo maior fornecedor do mercado público e privado; que entrou em confronto com o ex-governador José Aparecido, por recusar-se a ajudar a campanha do ex-senador Pompeu de Sousa(PMDB-DF), saindo como suplente dele(deseja ser o titular); que, ora, é, novamente, aos 80 anos, empresário vibrante, no canteiro de obra e no chão de fábrica, dando ordens e aprendendo; que domina tanto as vendas , como a mecânica e a filosofia; que inventou fórmula que tira manchas escuras nas mãos dos velhos, como desgaste natural da pele; que patentou fórmula avançada de combate aos incendios das grandes florestas mediante deslocamento de plataformas espaciais carregadas de tanques que apagam grandes chamas de fogo,  rapidamente; que fabrica cachaça , “Do Piloto”; que encaminhou ao presidente Lula programa social que elimina, na prática, os problemas dos trabalhadores sem terra, transformando-os em empreendedores em módulos produtivos cooperativos, organizados em bacias de produção etc, combinando socialismo e capitalismo – esse dinâmico empresário b rasiliese, mente ágil e criativa, considera que o fundamental é garantir o consumo. Este sustenta a arrecadação do governo para bancar os investimentos públicos e dinamizar a produção. Esse, na sua opinião, é o grande papel do programa bolsa família que a oposição não entende ou finge não entender ser o grande instrumento de dinamismo da economia, antes dominada pela concentração excessiva da renda.
 
A letra do tesouro popular; na opinião de Sebastião Gomes, viria para consolidar e establizar taxa de consumo adequada ao desenvolvimento sustentável. Ao mesmo tempo, prevê, rearrumará todo o sistema financeiro nacional, tirando-o do sanguessugismo financeiro e colocando-o a serviço do fomento da produção e do consumo, para alinhar o Brasil como potencia mundial, no rastro da decadência das moedas europeias e americanas, que se renderão à riqueza sul-america e à moeda sul-americana.