Ameaça de Lima faz PO adiar renuncia

Se tivesse ficado calado até que PO renunciasse, como havia prometido, Wilson Lima poderia ter chegado lá. Mas, precipitou-se, extraordinariamente, ao manifestar, antes da hora, o que iria fazer ao chegar ao Buriti: paralisar todos os contratos em andamento no governo. Geraria tumulto tão grande que poderia emergir revolta popular com emergência do desemprego em massa. Macaco em loja de louça. Pode ter viabilizado a intervenção pelo STF.
Se tivesse ficado calado até que PO renunciasse, como havia prometido, Wilson Lima poderia ter chegado lá. Mas, precipitou-se, extraordinariamente, ao manifestar, antes da hora, o que iria fazer ao assumir o Buriti: paralisar todos os contratos em andamento no governo. Geraria tumulto tão grande que poderia provocar revolta popular com emergência do desemprego em massa. Macaco em loja de louça. Pode ter viabilizado a intervenção pelo STF.

O incrível vai e vem do vice- governador Paulo Octávio em relação a sua renuncia, anunciando-a, num momento, para, em seguida, negá-la, entrando nesse zigue-zague, ao longo do dia, ao sabor dos interlocutores, sendo o principal deles o presidente da República, representou uma das maiores fontes de confusões jamais vistas em um político brasileiro. No auge da parafernália verborrágica, PO acabou dizendo o que não fora verdade, isto é, que o presidente lhe recomendara ficar no poder até decisão final do Supremo Tribunal Federal sobre se intervém ou não no Distrito Federal, algo que, como desmentiu o Palácio do Planalto, não ocorrera. A partir daí, desencadearam-se contradições que tiveram como motivo essencial um fator explosivo, enquanto a renúncia era tida como certa, até ser descartada: as declarações precipitadas do presidente da Câmara Legislativa, deputado Wilson Lima, PRP, que seria o novo governador, caso PO se afastasse como prometeu, mas não cumpriu, pelo menos por enquanto. Enquanto era dada como certa a saída de Octávio, Lima, politicamente, ejaculou-se, precocemente, e traçou, de forma precipitada, as linhas básicas das suas ações assim que assumisse o poder. E ao fazer isso, criou um terremoto nas bases octavistas. Prometeu que iria cancelar todos os contratos em andamento na administração e reabriria discussões sobre o Plano Diretor de Ordenamento Territorial – PDOT.

PO protagonizou um dos espetáculos políticos mais grotestos de todos os tempos. Não pode falar a verdade sobre porque não renunciou como prometeu. Razões ocultas e latentes estavam em jogo. Se Lima chegasse ao poder, desarticulando o castelo de cartas armado pela administração Arruda-Octávio, pintaria confusão total. Sintonia entre o Buriti e a Cãmara Legislativa, na apuração da CPI, sob o governo Wilson Lima, detonaria consequências dramáticas para os interesses de PO. Representaria estouro de bomba atômica em ano eleitoral.
PO protagonizou um dos espetáculos políticos mais grotestos de todos os tempos. Não pode falar a verdade sobre porque não renunciou como prometeu. Razões ocultas e latentes estavam em jogo. Se Lima chegasse ao poder, desarticulando o castelo de cartas armado pela administração Arruda-Octávio, pintaria confusão total. Sintonia entre o Buriti e a Cãmara Legislativa, na apuração da CPI, sob o governo Wilson Lima, detonaria consequências dramáticas para os interesses de PO. Representaria estouro de bomba atômica em ano eleitoral.

Os empreiteiros e toda a cadeia produtiva que movimentam entraram em polvorosa. Obras seriam paralisadas, bilhões de reais em prejuízos, desemprego em massa, caos. Além disso, o PDOT, aprovado pela Câmara Legislativa, sob pressão do governo Arruda-Octávio, conteria, segundo os petistas , as provas de manipulação de interesses favoráveis à Paulo Octávio Empreendimentos em loteamento geral do Distrito Federal. Vale dizer, escândalo explosivo. Assim que os olheiros e ouvidores de PO sentiram as declarações precipitadas de Wilson Lima, alardearam tempestades. O terremoto seria tão grande que Wilson chegou a fazer paralelo entre a bancarrota do governo do Distrito Federal e o que aconteceu no Haiti, para concluir, bombasticamente: “O Haiti é aqui”.

A renúncia, que já estava em curso, teve que ser revertida sob o alarde generalizado dos empresários, temerosos da possibilidade de Lima transformar-se em verdadeiro macaco em loja de louças. Como as circunstâncias políticas estão completamente descoordenadas, pois o vai e vem de PO quanto a sua renúncia reforçou o pedido de intervenção por parte do Procurador Geral da República no GDF, ao mesmo tempo em que solicitou a necessidade de não concessão do habeas corpus ao governador Arruda, preso na PF, sob argumento de que voltando ao poder, continuaria dificultando as investigações da Operação Caixa de Pandora, o caldo entornou.

Para o governador e o vice pode ser melhor a intervenção do que a chegada de Wilson ao Buriti. Como entre a abertura da CPI, aprovada pela Câmara, e seu efetivo funcionamento decorrerão cerca de 40 dias, por conta dos prazos implícitos, a resistência de PO à renúncia funcionaria como se buscasse tempo até que chegasse novo interventor. Com este, quem sabe, poderia haver diálogo, visto que com o dep. Wilson Lima, considerado uma versão piorada do ex-deputado Severino Cavalcanti, os interesses econômicos e financeiros assentados no processo de desenvolvimento atual do DF seriam todos, possivelmente, jogados para o alto. As chances da intervenção aumentaram.

STF anula Lula no DF

"Gilmar, você acha que sou doido de te atropelar nessa crise aqui no DF, saindo para tentar salvar o PO, sem saber o que você pensaria , antes, meu caro? Não sou doido! Tô contigo e não abro" , poderia ter dito o presidente Lula ao presidente Gilmar Mendes, que pode dar as cartas no processo político, se houver impasse geral no caos político brasiliense, desencaeado pela corrupção no governo Arruda-Octávio.
"Gilmar, você acha que sou doido de te atropelar nessa crise aqui no DF, saindo para tentar salvar o PO, sem saber o que você pensaria , antes, meu caro? Não sou doido! Tô contigo e não abro" , poderia ter dito o presidente Lula ao presidente Gilmar Mendes, que pode dar as cartas no processo político, se houver impasse geral no caos político brasiliense, desencaeado pela corrupção no governo Arruda-Octávio.

Foi pura perda de tempo a jogada política do vice-governador Paulo Octávio de ir ao presidente Lula para pedir sua interferência no processo político caótico no Distrito Federal, posicionando-se contra a intervenção, como se tal atitude vindo a ser tomada pelo judiciário fosse ilegal e não constitucional. O titular do Planalto foi seco, como se pode ler nas palavras do ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, de que a ação do governo dependerá da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A palavra não está com o Executivo, mas com o Judiciário, ou seja, com os ministros guardeãos da Constituição, do outro lado da Praça dos Três Poderes. Se Lula, como Pilatos, lavou as mãos, deixando Paulo Octávio no sereno, significa que o poder político republicano, na crise política no Distrito Federal,  transferiu de mão no começo da campanha eleitoral. O Judiciário , e não o Executivo ou o Legislativo, dão as cartas.

Depois do vai e vem de PO sobre sua renuncia e o desmentido do Planalto de que não teria aconselhado o vice governador a ficar no cargo até decisão do STF sobre a intervenção, o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, concluiu que somente o processo intervencionista sanaria as contradições e os escândalos que se precipitaram espetacularmente na crise política no Distrito Federal.
Depois do vai e vem de PO sobre sua renuncia e o desmentido do Planalto de que não teria aconselhado o vice governador a ficar no cargo até decisão do STF sobre a intervenção, o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, concluiu que somente o processo intervencionista sanaria as contradições e os escândalos que se precipitaram espetacularmente na crise política no Distrito Federal.

Certamente, as possibilidades de renúncia de Paulo Octávio serão crescentes, porque o PT, na CPI aberta na Câmara Legislativa, vai apontar o que considera crime no jogo de influência econômica praticado pelo maior empresário do ramo imobiliário do Distrito Federal, no contexto do PDOT – Plano Diretor de Ordenação Territorial – no qual o dedo do vice, na avaliação dos petistas,  estaria espalhando toda a sua influência na distribuição das terras no espaço distrital. A raposa havia tomado conta do galinheiro. Se não renunciar, agora, será obrigado a fazê-lo em meio aos escândalos que prometem multiplicar-se na escalada eleitoral. Até lá, possivelmente, a intervenção poderá ter ocorrido.

Diante desse novo contexto, o presidente Lula, acionado por Paulo Octávio, não teria como tergiversar em torno da questão institucional. Se falasse alguma coisa contra a intervenção, por exemplo, ou se mencionasse algo segundo o qual não seria uma boa para a democracia, ou, ainda, que haveria paralisação do Congresso etc, estaria abrindo um pé de briga política fenomenal com o Supremo Tribunal Federal. Choque de poderes. Com o Judiciário ganhando status político relevante, depois da decisão do Superior Tribunal de Justiça(STJ), de mandar prender o governador José Roberto Arruda, entrar em choque com os homens da toga seria politicamente inconveniente, mau negócio, no instante em que a oposição cerra fogo contra o Planalto, acusando-o de violar a lei eleitoral ao antecipar a campanha política da ministra Dilma Rousseff.

O vice-governador Paulo Octávio, diante da posição planaltina, de ficar eqüidistante do tiroteio entre a justiça, a OAB e os procuradores, de um lado, e a dupla Arruda-Octávio, de outro, teve seu gesto lido pelos juízes como busca de socorro no lugar errado. A força do presidencialismo, no qual a presença do presidente da República, que governa com medidas provisórias, é incontrastável, vai, no correr da crise política no Distrito Federal, perdendo espaço. A força do presidente inexiste diante de uma sentença judicial. A ela ele tem que se curvar, se não estará sendo acusado de golpista contra os pressupostos democráticos. O presidencialismo só se revela forte até quando não encontra pela frente a força do judicialismo. Cauteloso, Lula, por educação, recebeu Paulo Octávio, mas condicionou todas as suas determinações às decisões que serão tomadas pelos juízes do Supremo Tribunal Federal. “Meu querido PO, não posso te ajudar”, poderia ter sido o recado presidencial ao vice em desespero.

Lula joga pá de cal sobre Octávio-Arruda

O presidente decidiu não deixar os governantes corruptos do Distrito Federal passarem na catraca de acesso à liberdade para que entrem definitivamente no ostracismo, abrindo passagem para renovação política no Distrito Federal por meio da pressão popular que vai mudando a posição da Câmara Legislativa, de objeto do governo para sujeito do processo político, a fim de limpar a sujeira do mensalão do DEM, a fim de que não seja ultrapassada pela opinião pública, disposta a apoiar a intervenção no DF pelo Supremo Tribunal Federal, se a bandalheira não for removida.
Depois de enrolar o vice na quarta, o presidente pode receber ele na quinta, mas para ter a informação da renúncia, já que não sobrou outra alternativa para o substituto de Arruda, destronado pela justiça. O presidente decidiu não deixar os governantes corruptos do Distrito Federal passarem na catraca de acesso à liberdade para que entrem definitivamente no ostracismo, abrindo oportunidade para renovação política no Distrito Federal por meio da pressão popular que vai mudando a posição da Câmara Legislativa, de objeto do governo para sujeito do processo político, a fim de limpar a sujeira do mensalão do DEM. Caso contrário, seria ultrapassada pela opinião pública, disposta a apoiar a intervenção no DF pelo Supremo Tribunal Federal, se a bandalheira não for removida.

Ao negar receber o vice-governador Paulo Octávio nessa quarta feira de cinzas para dar-lhe uma força, o presidente Lula jogou o governo do DF, definitivamente, onde já está: no abismo. Por que o titular do governo federal iria receber o personagem, numa hora terrível para os integrantes do DEM, se os próprios democratas estão divididos sobre se expulsam ou não o vice-governador? Casa de ferreiro, espeto de pau. Na prática, o presidente fez com a dupla governista o que o Pacotão havia feito com ela na avenida: destronou-a. Lula poderia ser mal interpretado pela opinião pública. Mais uma vez seria acusado de passar a mão na cabeça da corrupção. Ele fez isso com os petistas que participaram do mensalão. Colheu o sabor amargo do gesto. Os seus principais assessores, dentre eles, na ocasião, o ministro da Casa Civil, deputado José Dirceu, merecera da parte do chefe do governo condescendência total, mesmo depois das acusações escandalosas feitas pelo ex-deputado Roberto Jefferson, do PTB-RJ, escancarando as práticas corruptas da administração petista aparelhada. Na verdade, as mesmas acusações de que agora padecem Arruda-Octávio vieram ao ar, no tempo do mensalão. Só que os petistas tiveram a sorte de não ter figurões flagrados pela TV, salvo funcionário de terceiro escalão dos Correios, pego com a mão na botija. Sem imagens, mas, apenas, mediante acusações, mesmo que fortes, não foi possível pegar os elementos corruptos petistas. Ainda, assim, dançaram figuras históricas do partido, como Delúbio Soares, o próprio Dirceu, Sílvio Pereira, etc. Dançaram, mas estão de novo atuando na campanha eleitoral em curso, livres, leves e soltos, para enganar a galera na arquibancada.

O que se esperava do presidente da República, nessa hora grave, não veio nada, ou seja, um depoimento dele, no café da manhã semanal, no programa de rádio, condenando a corrupção e pregando, como lenitivo, a reforma política, no rastro da possibilidade de o Supremo Tribunal Federal, sob recomendação da Procuradoria Geral da República, decretar intervenção no GDF.

O impeachment já é absolutamente certo. Os deputados distritais perceberam que se vacilarem em não tomar decisão nesse sentido serão varridos politicamente do mapa. Sem o respaldo do seu partido, do presidente da República e da Câmara Legislativa, Paulo Octávio e José Roberto Arruda podem se considerar peças do passado político brasiliense. Sobrevivem como zumbis, mortos vivos, atazanando a consciencia geral da sociedade brasiliense. Terão que renunciar para não serem cassados.

A justiça brasileira introduz novo paradigma em ano eleitoral. Faz história e deixa no ar que não apenas os governantes do DF foram e estão sendo punidos, mas, igualmente, no plano federativo, todos os demais governadores poderão dançar, se entrarem na fria em que estão Arruda-Octávio. Certamente, a justiça eleitoral vai jogar mais duro, a partir do episódio brasiliense escandaloso, e não estaria fora de cogitações que haja maior rigor com as viagens eleitorais que o presidente da República e sua candidata, ministra Dilma Rousseff, fazem pelo país, antecipando, claramente, a campanha política, entrando em confronto direto com a legislação.

A condescendência dos juízes com a peregrinação político-eleitoral de Lula-Dilma deve ser rompida, depois desse carnaval histórico, no DF, em que o Pacotão fez a revolução da alegria, levando o povo para as ruas em clara atitude de protesto, não com bandeiras politicamente agressivas, mas com muita ironia e sarcasmo, revelando que as festas carnavalescas são, também, motivos para explosões revolucionárias pacíficas. Jamais houve no DF passeata política com tamanha dimensão.  

 

Revolução pela alegria   

 

Alegria revolucionária. O carnaval brasiliense colocou a ética na campanha eleitoral 2010 e impôs ao presidente da República a cautela necessária para não receber em palácio os acusados de corrupção que enojaram a sociedade brasiliense. O Pacotão voltou aos seus grandes dias, derrubando o governo na base do sarcasmo, contribuindo, decisivamente, para dar consequência às decisões do judiciário para detonar o executivo corrompido pela ladroagem geral.
Alegria revolucionária. O carnaval brasiliense colocou a ética na campanha eleitoral 2010 e impôs ao presidente da República a cautela necessária para não receber em palácio os acusados de corrupção que enojaram a sociedade brasiliense. O Pacotão voltou aos seus grandes dias, derrubando o governo na base do sarcasmo, contribuindo, decisivamente, para dar consequência às decisões do judiciário para detonar o executivo corrompido pela ladroagem geral.

Imagine se em vez da alegria na avenida carnavalesca ocorresse um protesto contra o governo Arruda por aquela multidão que acompanhou o sensacional Pacotão no domingo e na terça de carnaval!

Poderia ter pintado uma carnificina política diante da reação da polícia em plena capital da República. A indisposição do governo Arruda para o diálogo já tinha sido dada anteriormente. Os jovens saíram às ruas e foram recebidos a patadas de cavalos e pauladas gerais. Grande violência em meio a uma passeada pacífica. Haveria, possivelmente, o dobro de violência para tentar evitar a saída de tanta gente nas ruas para protestarem, em face de circunstâncias outras.

Mas, era carnaval.

A massa alegre foi , livre, fazer o seu protesto estético cultural. Detonou geral. O Pacotão representou o símbolo da alegria revolucionária. Em vez de gritos de revolta, cantigas carnavalescas altamente satíricas. Carnaval e política representam mistura histórica, como destacou Moacyr Scliar, no Correio Braziliense, na terça gorda. Em brilhante texto, relata o desenvolvimento desse fenômeno cultural em que a política se transforma em alvo das gozações , deboches e elogios à classe política durante os carnavais.

A sociedade brasiliense já estava de saco cheio. Houve quem dissesse que a paciência dos brasilienses toranara-se excessiva, acomodada. Não. Ao contrário,  estava, apenas, esperando a melhor hora de manifestar seu inconformismo.

A prisão do governador Arruda e ascensão grotesta do vice Paulo Octávio, como alguém que ao tomar posse cumpriu seu próprio aprisionamento, encaixou como uma luva na satisfação popular.

As pessoas foram em massa às ruas. Diziam que o Pacotão estava, aos 32 anos de existência e convivência com a sátira mostrando sinais de cansaço, falência de material.

O problema era a eletricidade política que estava faltando. Quando nasceu, era o momento crítico da ditadura militar que estava buscando cercear todas as manifestações de liberdade expressando-se no fortalecimento da oposição nas eleições. Momento altamente eletrizante.

Pacotes de abril , contendo restrições à livre manifestação política, sob as ordens do NADA A DECLARAR  do ministro da Justiça, Armando Falcão, falecido às vésperas do carnaval 2010, estimularam o nascimento do Pacotão. Sucesso total: “Geisel, vocês nos atolou; o Figueiredo, também, vai atolar. Ai Atolá…”

A Nova República neoliberal foi sempre motivação extraordinária para o Pacotão, em cada carnaval, mas o ímpeto inicial, detonado pela violenta crise contra a liberdade, com os pacotaços militares, havia arrefecido.

A corrupção neorepublicana, emanada da dominação estrangeira, pelo Consenso de Washington, representou inesgotável fonte de sátiras pacoteiras.

Outros blocos apareceram e aos poucos o Pacotão foi perdendo sua hegemonia, mas nunca deixou de sair, deixando seu recado ácido para todos os transgressores da ética e da moralidade públicas.  

 

Ética entra na campaha   

 

Se a cúpula do DEM deixou os seus cavaleiros do apocalipse no DF na chuva, por que o presidente Lula iria lançar a corda de salvação para os afogados na corrupção, correndo o risco de ser enforcado politicamente com ela? Os aliados de Arruda-PO fogem deles como o diabo da cruz. A ética, graças à Procuradoria Geral da República, entrou na sucessão brasiliense, podendo espalhar essa boa nova para o país como efeito demonstração, se o STF decretar a intervenção no DF, abrindo espaço para reforma política.
Se a cúpula do DEM deixou os seus cavaleiros do apocalipse no DF na chuva, por que o presidente Lula iria lançar a corda de salvação para os afogados na corrupção, correndo o risco de ser enforcado politicamente com ela? Os aliados de Arruda-PO fogem deles como o diabo da cruz. A ética, graças à Procuradoria Geral da República, entrou na sucessão brasiliense, podendo espalhar essa boa nova para o país como efeito demonstração, se o STF decretar a intervenção no DF, abrindo espaço para reforma política.

Não havia ainda tido a oportunidade única de viver a emoção de sair na avenida no calor da prisão de um manda-chuva , ocorrida pela primeira vez na história do país. Um governador não conseguia obter habeas corpus sequer para passar o carnaval em casa.

Tinha pintado certo entorpecimento. Imaginavam-se os políticos que de tanto corromperem e serem corrompidos, com a condescendência do Judiciário, ao longo da Nova República, jamais teriam negada decisão favorável aos seus interesses , ancorados no poder, quanto mais em momento em que a capital da República seria homenageada por uma escola de samba no sambódromo carioca, onde o governador do DF estaria representando as honrarias da cidade.

Foi um susto geral e o grito de carnaval ecoou como novidade histórica sensacional. A revolução explodiu.

O povo, que estava em casa, acabrunhado com vergonha, decepcionado, até, consigo mesmo, pois não se via nenhuma manifestação de repúdio, por conta da falta total de escrúpulos dos governantes, aliviou-se geral ao saber da prisão.

E os tamboris estrilaram na avenida como se, simbolicamente, numa guerra, os soldados do bem soltassem bala nos soldados do mal, detonando-os todos. Foi uma batalha carnavalesca, onde o combustível dos guerreiros, evidentemente, foi a cerveja gelada, levada, ao longo do desfile do Pacotão, pelos vendedores em busca dos faturamentos extras nesses momentos de extroversão popular extraordinária.

O grito carnavalesco teve uma moral implícita. Assim como a justiça resolveu agir contra a sacanagem geral dos políticos no trato com o dinheiro público, a revolução pela alegria represntou a exigência da ética nas relações políticas.

O extravasamento social carvanavalesco representou um BASTA. O papel político fundamental do Pacotão representou, sobretudo, a introdução da nova ordem popular.

A ética, embora desdenhada em tempo em que predominam espertezas, em que o valor do dinheiro ultrapassa todas as fronteiras do possível e do impossível, entra na sucessão política com toda a altivez e a dignidade da sociedade brasiliense em pleno carnaval.

A revolução não produziu sangue, mas vergonha.

O país pode ser contaminado por esse novo paradigma, cuja tradução está sendo escrita por novo comportamento da justiça diante da classe política?

 

 

 

 

 

 

 

Democracia direta para Distrito Federal

Se os políticos perderam a credibilidade e vivem para manobrar as jogadas de corrupção nos legislativos federal, estaduais e distrital, contra a falta geral de vergonha a Constituição federal e a Lei Orgânica do DF prevêem a democracia direta quando a democracia representativa entra em colapso como parece ser o caso na Capital da República.
Se os políticos perderam a credibilidade e vivem para manobrar as jogadas de corrupção nos legislativos federal, estaduais e distrital, contra a falta geral de vergonha a Constituição federal e a Lei Orgânica do DF prevêem a democracia direta quando a democracia representativa entra em colapso como parece ser o caso na Capital da República. Charles Preto, do Pacotão, pode comandar a animação plebiscitária na avenida.

Evidencia o perigo maior: o DEM pode acelerar a intervenção no DF, a partir de uma solicitação do presidente do Supremo Tribunal Federal ao presidente da República que pediria o ok do Congresso Nacional. Essa possibilidade se abre porque a providência do impeachment pela Câmara Legislativa do DF não pegaria, apenas, o governador José Roberto Arruda, preso na Polícia Federal. Poderia atingir, igualmente, o vice-governador, Paulo Octávio, que deverá ser expulso do Democratas, na próxima semana, diante da radicalidade que atingiu os membros do partido, especialmente, os de Goiás, arrolados em mumunhas com seus colegas do DF, nos financiamentos de campanha, por intermédio da empresa goiana-brasiliense Linknet.

Beneficiária de licitações fraudadas, no GDF, a empresa de tecnologia da informação havia sido transformada em duto de dinheiro obtido por super-faturamento destinado a formar caixa dois eleitoral. Nessa jogada mal cheirosa beneficiaram políticos do DF e de Goiás. Ou seja, os integrantes da Cãmara não estariam livres de ter que trabalhar contra seus próprios interesses, auto se conduzindo ao abismo político por meio da CPI.

 A ligação Brasília-Goiania está totalmente contaminada pela corrupção. Assim, se Paulo Octávio for expulso, algo que já é dado como favas contadas, e todo o diretório do partido ser obrigado a dar no pé, estaria instaurada a ingovernabilidade distrital. A pressa dos distritais em acelerar, nessa quinta feira, 18, a criação da CPI contra o GDF, induziria não apenas a renuncia de Arruda, para não perder os direitos políticos por oito anos. A espada de Dâmocles, da mesma forma, tenderia a cair sobre o pescoço de Octávio, respingando nos aliados, na Câmara.

O vice, embora não esteja comprometido com imagens, como aconteceu com o governador, tem contra si, por outro lado, evidências terríveis e fitas gravadas de assessores – unha e carne – pegando dinheiro da corrupção em seu nome etc. Governador e vice, enfim, estão pela bola sete. 

E os distritais? Teriam condições de conduzir a CPI, sabendo que oito dos 24 que compõem a Câmara dançarão na CPI, configurando unidade de compromisso entre o governo e legislativo, inclusive, o próprio presidente eleito, deputado Wilson Lima(PRP), suspeito e cotado para rolar de cambulhada? A provável renuncia de Arruda, recomendada pelos próprios deputados distritais, seus aliados, poderia representar estouro da boiada. O depoimento de Durval representaria terremoto político. Muita coisa poderia, ainda, ser desencavada.

A incógnita ficaria por conta de eventual resistência do governador preso em renunciar ao cargo, por uma razão ou outra, o que não pode deixar de ser considerado, porque o suicídio (político), também, está nas cogitações humanas. Seria a segunda renúncia dele em termos desastrosos. Dose prá cavalo. Possível resistência arrudista à renúncia – diante de colocação de tal teor, ele já teria dito que não estava em suas cogitações – aceleraria, por sua vez, a intervenção.  

 

Plebiscito: intervenção ou não?  

 

A democracia direta seria o lenitivo para honrar a hombridade dos construtores da Capital detonada pela desbragada corrupção que tomou conta do Buritinga. Haveria lavagem geral de roupa sua a partir da capital do país, sonorizando pelo Brasil afora nova mentalidade que daria pontapé para renovação geral dos costumes via reforma eleitoral, jogando para o espaço a vergonha nacional expressa nos caixa dois que irrigaram todos os partidos na falida Nova República tupiniquim. Todo o poder para o Galinho de Brasília.
A democracia direta seria o lenitivo para honrar a hombridade dos construtores da Capital detonada pela desbragada corrupção que tomou conta do Buritinga. Haveria lavagem geral de roupa suja a partir da capital, sonorizando pelo Brasil afora nova mentalidade que daria pontapé para renovação geral dos costumes via reforma eleitoral, jogando para o espaço a vergonha nacional expressa nos caixa dois que irrigaram todos os partidos na falida Nova República tupiniquim. Todo o poder para o Galinho de Brasília.

O vice-governador, que se mantém enquanto o governador se encontra licenciado, não teria a menor condição de ficar no cargo em tal contexto, especialmente, vindo a ser expulso do DEM, de forma irremediável. PO estaria em totais incerteza e insegurança, jogado às feras. Sua situação passa a depender da renúncia de Arruda, que, assim, evitaria cassação e perda de direitos políticos, mas poderia ser alvejado pela defenestração programada pelo DEM e pelo desenrolar da CPI. Esta se transforma em plataforma de salvação dos distritais perante a opinião pública, que irá às urnas em outubro.

O barco arrudista, encalhado na Polícia Federal, somente seria removido, caso o governador entregue a rapadura. Do contrário, o processo legal aberto por sua prisão esticaria sua permanência no xilindró. Não há prazo para o ministro Marco Aurélio Melo, do Supremo Tribunal Federal(STF), liberá-lo, por meio de habeas corpus. A tramitação se encontra na Procuradoria Geral da República, para parecer daquele que instruiu o Superior Tribunal de Justiça(STJ) a decretar a prisão do titular do Buriti. Ou seja, o mesmo protagonista que pede ao STF a intervenção política no Distrito Federal.

Não apenas o ministro Marco Aurélio subordinou sua decisão à apreciação prévia dos procuradores, mas, igualmente, o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, solicitou aos procuradores do Distrito Federal a opinião sobre o assunto, para que, em seguida, encaminhe, também, aos procuradores federais. Só, então, ouviria o plenário do Supremo. Daí viria a palavra final, a ser encaminhada ao presidente da República, cuja decisão estará condicionada ao parecer do Congresso Nacional. A Nova República entraria na dança com o caso Brasília retumbando geral.

A lentidão do processo, que sempre favorece os poderosos, quando apelam aos recursos jurídicos, para procrastinar decisões dos tribunais, volta-se contra eles. A aceleração dos procedimentos poderia ocorrer, apenas, com a renúncia de Arruda. Preservaria seus direitos políticos. Ganharia, mais aceleradamente, o habeas corpus. Como réu comum passaria a enfrentar a justiça de primeira instância. Se o governador não fugir dos procuradores por meio da renúncia, dificilmente, evitará o propósito maior do Procurador Geral da República, que solicitou a intervenção do Judiciário no GDF para garantir a governabilidade.

E o povo do DF? Este, de acordo com o Art. 5º da Lei Orgânica do DF, pode se pronunciar, para opinar sobre se concorda ou não com os propósitos moralizadores da Procuradoria Geral da República.

Diz a Constituição Distrital:

“A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos e, nos termos da lei, mediante:

 I – plebiscito;

II – referendo;

 III – iniciativa popular.”

Não estaria afastada possibilidade de a OAB ou as próprias organizações sociais partirem para essa solução. Pintaria democracia direta para resolver, de uma vez, a corrupção que a cúpula do GDF patrocinou, envergonhando os brasilienses no cenário nacional em pleno carnaval?

 

 

 

 

 

 

Habeas Corpus, armadilha para intervenção

JK deve ter desfilado envergonhado no sambódromo, tendo que suportar as gaiatices dos cariocas contra os brasilienses, obrigados a suportarem a culpa pelos estragos promovidos pela cúpula apodrecida do poder sediada no Buritinga, jogando merda para todos os lados, sujando geral a capital da República no cenário nacional.

JK deve ter desfilado envergonhado no sambódromo, tendo que aguentar gozações dos cariocas contra os brasilienses, obrigados a suportarem a culpa pelos estragos promovidos pela cúpula apodrecida do poder sediada no Buritinga, jogando merda para todos os lados, sujando geral a capital da República no cenário nacional.

A política endoidou no Carnaval. O negócio pode descambar, pois está mais para Ivete Sangalo, fantasiada de Lobo Mau, correndo atrás de Chapeuzinho Vermelho: “vou de comer, vou de comer, vou te comer”.

Quatro imponderáveis emergem no pedaço:  

1 – Sairá o Habeas Corpus para livrar Arruda da cadeia?

2 – Pintará, como pede o Procurador Geral da República, intervenção do STF no DF?

3 – A Câmara Legislativa, para se salvar, instaurará o impeachment contra Arruda, que poderia pegar, também, Paulo Octávio?

4 – Ou o HC, Lobo Mau, representará armadilha para intervenção?

O Habeas Corpus, a ser ou não concedido pelo ministro Marco Aurélio Melo, permitiria a volta do governador José Roberto Arruda ao Palácio do Buriti, se, justamente, ele foi encarcerado como forma de proteção para a sociedade contra manobras que praticava de esconder e destruir provas do crime que estava executando?

Ou pintaria HC condicional, isto é, o governador poderia ser solto, mas proibido de reassumir suas funções, para evitar a continuidade da prática criminosa pela qual paga com a prisão na PF?

O ministro Marco Aurélio, do STF, pode representar o Lobo Mau, incorporado por Ivete Sangalo, querendo traçar Chapeuzinho Vermelho, no Carnaval, transformando o Habeas Corpus em armadilha que pode ou não destruir Arruda, jogando polvóra quente,  detonando a intervenção. Bastaria, no despacho ministerial, conter restrições ao retorno do titular do Buriti ao cargo. Abriria espaço ao imponderável. "Vou te comer, vou te comer, vou te comer".

O ministro Marco Aurélio, do STF, pode representar o Lobo Mau, incorporado por Ivete Sangalo, querendo traçar Chapeuzinho Vermelho, no Carnaval, transformando o Habeas Corpus em armadilha que pode ou não destruir Arruda. Jogaria  pólvora quente, detonando a intervenção. Bastaria, no despacho ministerial, conter restrições ao retorno do titular do Buriti ao cargo. Abriria espaço ao imponderável. “Vou te comer, vou te comer, vou te comer”.

No caso de decisão contida em HC que implicasse tal condicionalidade, estaria ou não o STF, indiretamente, intervindo no GDF e , simultaneamente,  induzindo a Câmara Legislativa a levar adiante a CPI contra o Governo Arruda-Octávio?

O vice-governador, por ser um dos suspeitos das investigações em curso, teria sobre sua cabeça pesada Espada de Dâmocles suspensa por fio de cabelo. Nenhuma segurança.

O pressuposto para a intervenção, dessa forma, pode estar contido na concessão do Habeas Corpus. Torna-se implausível o retorno de Arruda, enquanto a permanência de Octávio, igualmente, vai se configurando problemática, especialmente, se o presidente Lula enrolá-lo, adiando recebê-lo, somente, depois da decisão de Marco Aurélio.

Em tal contexto não estaria afastada a possibilidade de a Câmara Legislativa, suja que nem pau de galinheiro, antecipar decisão favorável ao impeachment como forma de ficar bem perante a opinião pública em ano eleitoral.

O impeachment, por outro lado, representaria a condenação de Arruda, mas não seria garantia para a absolvição de Paulo Octávio. No desenrolar do processo, as acusações contra o vice ganhariam, certamente, dimensão extraordinária.

Tudo, por sua vez, pode precipitar, se o governador bater pé e não renunciar, mesmo diante de concessão de Habeas Corpus que, eventualmente, cerceasse sua volta ao poder.

 

Possibilidades carnavalescas

 

O Supremo Tribunal Federal pode tomar decisões surpreendentes sobre a situação política explosiva brasiliense que teriam repercussões nacionais, levando o Congresso, totalmente, desmoralizado, em tempo eleitoral, à obrigação de encarar suas próprias vergonhas, como alternativa de salvação perante os eleitores, ansiosos por uma reparação à falta geral de vergonha do legislativo e do executivo nacionais ao longo da Nova República.

O Supremo Tribunal Federal pode tomar decisões surpreendentes sobre a situação política explosiva brasiliense que teriam repercussões nacionais, levando o Congresso, totalmente, desmoralizado, em tempo eleitoral, à obrigação de encarar suas próprias vestes rotas, como alternativa de salvação perante os eleitores, ansiosos por uma reparação à falta geral de vergonha do legislativo e do executivo nacionais ao longo da Nova República.

Imagine, por exemplo, se o Supremo Tribunal Federal joga para o Congresso a votação da intervenção política no Distrito Federal.

O presidente Lula nomearia o interventor que dependeria do ok ou não dos congressistas. Ou seja, representaria contrariedade a partir de uma indução do Judiciário.

A Nova República teria chegado à desmoralização total, no sentido de suportar que os juízes passassem a dar as cartas no plano político, simplesmente, porque os políticos desandaram em suas funções.

O negócio é saber se o STF decidirá com olho na técnica jurídica ou na política. Certamente, se o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, antever a gloria política, por meio da restauração da moralidade dos costumes políticos, não a partir da classe parlamentar, mas da classe jurídica, que, nesse caso, preencheria vácuo neorepublicano, com o colapso moral do Legislativo e do Executivo, poderia dar um pontapé na reforma política.

Se ele manda aos congressistas, por meio do Executivo, a incumbência de destronar ou não a dupla Arruda-Octávio, evidentemente, emerge o maior problema político para os dois poderes da República que resistiram, até agora, a encarar, para valer, os desmandos por eles mesmos praticados em relação à questão eleitoral brasileira, dominada pelo abuso econômico.

O jogo da governabilidade estaria na dependência da remoção ou não, pelo Congresso e pelo Executivo, da questão emergente da ingovernabilidade imoral e jurídica expressa no Distrito Federal. O clima político poderia jogar por terra prioridades caras ao governo, no momento, como é o caso da votação do projeto de lei que cria o pré-sal. O impasse do DF embolaria o meio de campo. Como nem governo nem oposição ganhariam , se a discussão sobre corrupção generalizar-se, a solução poderia ser a sua remoção pela busca de solução para enfrentá-la em termos consensuais, e rápido.

O desafio aos congressistas estaria posto. Seja qual for a decisão, favorável ou contra o habeas corpus, favorável ou contra a intervenção, os desdobramentos estarão contaminados pelas incertezas e excitações sem fim.

Em caso de intervenção, por exemplo, a confusão seria geral. Se os congressistas decidissem contra o afastamento dos personagens suspeitos por ação dos guardiões da Constituição, poderão ser vistos como adversários da lei. Como, por diversas razões, as desconfianças sociais sobre os parlamentares tenderiam a aumentar diante de uma resistência nesse sentido, eles poderiam caminhar para o entendimento segundo o qual o episódio constituiria em oportunidade para recuperação de credibilidades perdidas em ano eleitoral.

 

DEM pode surpreender

 

Lutando para tentar limpar o nome do DEM dos respingos de lama jogados pela dupla ARRUDA-OCTÁVIO, o senador Demóstenes Torres já defende a aprovação, no Congresso, da intervenção no Distrito Federal. Visa higienizar a sigla não apenas no DF mas em todo o país, visto que se encontra ameaçada de não poder participar das coligações com as oposições na eleição presidencial por falta de credibilidade. Dialética política política em marcha.

Lutando para tentar limpar o nome do DEM dos respingos de lama jogados pela dupla ARRUDA-OCTÁVIO, o senador Demóstenes Torres já defende a aprovação, no Congresso, da intervenção no Distrito Federal. Visa higienizar a sigla não apenas no DF mas em todo o país, visto que se encontra ameaçada de não poder participar das coligações com as oposições na eleição presidencial por falta de credibilidade. Dialética política em marcha.

Esse movimento já começa a rolar relativamente à Câmara Distrital. Os distritais aceleram providências. Desejam, em tempo de eleição, readquirir credibilidade pública, inexistente, por enquanto. Se houver uma reviravolta na Câmara Distrital, com viabilização do impeachment, a leitura não seria outra senão a de que ao Legislativo deixaria de interessar a sustentação da posição governista, seja qual for.

Tratar-se-ia de jogada de salvação da lavoura. Se os distritais, que desejam conquistar e renovar mandatos, não conseguiriam ter sucesso nas urnas, caso a instituição continue no descrédito, a saída seria virar o disco.

Nesse contexto, o DEM, passa a querer mostrar serviço. Os democratas votariam em massa pela intervenção, se o STF mandar essa responsabilidade para o Legislativo, como remédio de purgação partidária. Haveria ressurreição das possibilidades eleitorais do DEM, no DF, algo que, no ambiente de desgaste em curso, tornou-se, totalmente, inviável.

Em ano eleitoral, os políticos são acionados pelos olhos e ouvidos dos e das eleitoras. Arriscarão a mijar fora do pinico, se visam as urnas?

A defesa do DEM pela intervenção enfatiza o viés político em vez do jurídico, como resultado do processo estrondoso desencadeado pela ação do STJ, motivado pelo Ministério Público da União.

O mensalão do DEM, somente, seria removido do imaginário eleitoral popular, se os democratas revertessem-no em expressão oposta, de forma politicamente retumbante.

A disputa interna pela liderança do partido entre os senadores Demóstenes Torres, de Goiás, e José Agripino Maia, do Rio Grande do Norte, demonstra que a disposição do DEM é adquirir novo conceito junto ao eleitorado, para se salvar nas urnas em outubro.

A nova conjuntura aberta pela decisão do STJ configura protagonismo político do judiciário que parece que pegou bem junto à população.

Já que os políticos não decidem tomar jeito, que sejam autuados em flagrante. Os juízes deram o xeque-mate no Legislativo e no Executivo.

A lei está impaciente diante dos transgressores dela.

 

 

 

Aniversário carnavalesco sensacional

PRESENTE ESPETACULAR. Os brasilienses comemoram a decisão da justiça que mandou prender o governador , abrindo espaço para a alegria carnavalesca dos brasilienses, que passam a comemorar, antecipadamente, com muita cerveja, suor e samba, o cinquentenário da Capital da República, sem o constrangimento de que na festa estivessem os manipuladores do dinheiro público, em cima do palco, e o povaréu, em baixo, envergonhados. Olha JK rindo, rindo aí, minha gente!

PRESENTE ESPETACULAR. Os brasilienses comemoram a decisão da justiça que mandou prender o governador , abrindo espaço para a alegria carnavalesca dos brasilienses, que passam a comemorar, antecipadamente, com muita cerveja, suor e samba, o cinquentenário da Capital da República, sem o constrangimento de que na festa estivessem os manipuladores do dinheiro público, em cima do palco, e o povaréu, em baixo, envergonhados. Olha JK rindo, rindo aí, minha gente!

Não poderia haver presente mais espetacular para comemorar o cinquentenário de Brasília que a prisão do governador José Roberto Arruda e a ameaça premente de impeachment do vice-governador Paulo Octávio, suspeitíssimo de participar do grupo que o Superior Tribunal de Justiça, movido pelo Ministério Público da União, considerou criminoso. Imagine se no palco comemorativo das cinco décadas da experiência de JK no Planalto Central do Brasil estivessem, de um lado, José Roberto Arruda, e , de outro, Paulo Octávio, como artífices do Mensalão do DEM? Vexame total. Vergonha que se derreteria sob o possível dia de sol do próximo 21 de abril, na Esplanada dos Ministérios. Pomposamente, em cima, os arrogantes; em baixo, o povaréu humilhado. Pela madrugada! Destino cruel. Ao contrário, o povo estará feliz, depois dos acontecimentos da semana histórica, em que pela primeira vez, no Brasil, governador em exercicio vai para o xilindró. A primeira a gente nunca esquece. As marchinas de carnaval estão irresistíveis, para sairem nos blocos: “Arruda na Papuda; PO no xilindró”. No embalo da “Bolsetona da Eurides”, música vencedora da disputa para comandar o Pacotão sob canto popular na avenida, ecoarão todos os carnavais esculachando geral. “Arruda na Papuda; PO no xilindró” pode ser principal bandeira eleitoral geral na capital, dada pelo grito de carnaval. JK estaria mais feliz com a defenestração dos poderosos que jogaram à larga com o dinheiro público ou com o palco ocupado pela vergonha nacional no dia do aniversário da Capital da Esperança que ele ergueu com o suor dos candandos e a genialidade de Sayão-Niemeyer-Lúcio Costa? O sentimento popular era intrínseco ao democrata Juscelino Kubstichek. Seus falsos herdeiros estão dançando no julgamento da história. Volta do chicote no lombo de quem mandou dar. O problema vergonhoso, evidentemente, será se o Supremo Tribunal Federal(STF) decretar a intervenção. Mas, quando o tumor ganha dimensão, não é melhor espremê-lo? Sai carnegão! Não seria impossível. O Executivo e o Legislativo brasilienses se desmoronaram. À custa do dinheiro extraído das empresas a forceps para pagamento de propinas e formação de caixas dois eleitorais emergiu combinação de interesses espúrios entre os dois poderes de forma desavergonhada. Novidade? Não, rola tais absurdos pelo Brasil afora. Por isso, a decisão pela prisão do titular do Buritinga faz história. Serve para todos ao se contituir em especial precedente histórico sensacional. Nesse contexto de desmoralização geral, a justiça vira voz do povo. O STF , se fizer interpretação larga do art. 34 da Constituição, pode entrar numa de intervir. Produziria efeito demonstração bombástico para todos os brasileiros quanto a um BASTA à impunidade que grassou nacionalmente ao longo da Nova República neoliberal. Diz o art. 34 que “A União NÃO intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, EXCETO para:

I – manter a integridade nacional;

II – repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra:

III – pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;

IV – garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação:

V – reorganizar as finanças da unidade da Federação;

VI – prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial;

VII – assegurar a observância dos princípios constitucionais

 

Cadeia prá macacada

 

Esquetando os tamboris na frente do Martinica, na 304 Norte, o Pacotão vai de BOLSETONA DA EURIDES, cheia de dinheiro de ARRUDA-PO, para distribuir aos foliões na avenida W-3 no CARNAVAL DO CINQUENTENÁRIO, no embalo de "ARRUDA NA PAPUDA; PO NO XILINDRÓ". A Capital da Esperança, que estava como Capital da Desesperança, renasce no embalo da decisão dos procuradores e da justiça, que põem ordem no bordéu, enquanto  povo racha de rir.

 Esquetando os tamboris na frente do Martinica, na 304 Norte, o Pacotão vai de BOLSETONA DA EURIDES, cheia de dinheiro de ARRUDA-PO, para distribuir aos foliões na avenida W-3 no CARNAVAL DO CINQUENTENÁRIO, no embalo de “ARRUDA NA PAPUDA; PO NO XILINDRÓ”. A Capital da Esperança, que estava como Capital da Desesperança, renasce no embalo da decisão dos procuradores e da justiça, que põem ordem no bordéu, enquanto povo racha de rir.

O ex-ministro do STF, Carlos Veloso, destacou que , por tal artigo, não é constitucional a intervenção no DF para remover o governador. Mas a sabedoria jurídica de Veloso abre-se à controvérsia. O comportamento errado do governador Arruda de destruir provas e tentar comprar provas, como demonstraram os fatos, estava levando a sociedade a um grau de impaciência total para com a impunidade, que poderia resultar em explosão de confrontos no processo eleitoral. Já estavam sendo formadas milícias pagas pelo governador para defender bandeira pela permanência dele no poder. A oposição , por sua vez, começara a colocar suas armas nas ruas. Um confronto já estava em curso. Pintaria grave comprometimento da ordem pública. A intervenção tenderia a pintar, caso a radicalização política seguisse em frente. O fato é que se o STF entender que a intervenção pode evitar a explosão da ordem pública, no compasso eleitoral, quando as paixões se elevam – algo perfeitamente plausível – , colocará, dentro do Congresso Nacional, o tema explosivo. Melhor prevenir do que remediar, diria o consenso, ou não ? Que fariam os políticos em tempo de eleição? Fugiriam como o diabo da cruz ou encarariam suas próprias vergonhas? Os congressistas teriam que aprovar ou não a intervenção em meio ao calor da indignação popular que aplaude a prisão decretada pelos juízes do STJ. A barra dos políticos somente seria aliviada, aos olhos dos eleitores, no compasso das pesquisas eleitorais, se se dispusessem a enfrentar a verdade. Decisão do STF , nesse sentido, representaria pressão da judicialização da política sobre o Congresso Nacional, que, sob a Nova República, eternamente governada por medidas provisórias, abastardou-se geral.

 

Manda mais uma, Joel

 

Arruda, me espere na Papuda; PO, me leve contigo pru xilindró. Presente dos céus nesse carnaval. JK joga flores do espaço sideral. Ernesto Silva deve ter passado para ele as informações mais quentes dos últimos dias. Bernando Sayão e Israel Pinheiro, juntos com os candangos maravilhosos, devem estar tomando umas, vendo os brsasilienses voltarem a sorrir, livre dos contrangimentos federativos. A eleição está na avenida. Roriz está por um triz? O PT não terá vez? Quem seria o nova Juriti ocupará o Buriti? Manda mais uma Joel(do Martinica)!

Arruda, me espere na Papuda; PO, me leve contigo pru xilindró. Presente dos céus nesse carnaval. JK joga flores do espaço sideral. Ernesto Silva deve ter passado para ele as informações mais quentes dos últimos dias. Bernando Sayão e Israel Pinheiro, juntos com os candangos maravilhosos, devem estar tomando umas, vendo os brsasilienses voltarem a sorrir, livre dos contrangimentos federativos. A eleição está na avenida. Roriz está por um triz? O PT não terá vez? Quem seria o nova Juriti ocupará o Buriti? Manda mais uma Joel(do Martinica)!

Há uma corrente política conservadora que tenta fazer pressão sobre o Supremo Tribunal Federal alardeando que se os ministros decidirem pela intervenção estariam contrariando a Constituição. O lance passa a ser essencialmente político. Pela primeira vez na história da República e da Nova República a sociedade está diante da possibilidade de dar início ao processo de reforma política a partir não da decisão do Executivo ou do Legislativo, mas do Judiciário. Seria a ação deste essencialmente reparadora para romper a falência daqueles dois poderes. Os juízes se transformam em verdadeiros Cavalos de Troia, nesse instante, entrando na arena política e espancando a classe que deixou efetivamente de representar-se, em sintonia com o sentimento popular, como sujeito, para render-se, subordinadamente, como objeto, à governabilidade provisória, que garante o domínio dos grupos econômicos e financeiros poderosos, a comandarem o processo político, manobrando-o por intermédio dos caixas dois eleitorais. O futuro político nacional pode estar sendo escrito na decisão do STF , depois do carnaval, em que seria criado constrangimento irresistível aos congressistas quanto à decisão, sob decisão dos juízes, de optarem ou não pela intervenção no Distrito Federal. Poderia pintar situação psico-social em que os extremos se ergueriam impávidos: de um lado, os ministros buscariam a restauração da moralidade; de outro, os congressistas, objetos da imoralidade geral expressa nas práticas neorepublicanas falidas, tentariam se salvar de alguma maneira. Qual? Se sairem pela tangente, dançarão; se encararem a verdade, serão obrigados a propor instrumentos de reparação legal. Tremendo desafio emerge para o governo Lula nesse final de mandato, possivelmente a ser colocado pelos ministros do Supremo. Até quarta-feira, porém, é só carnaval, com Arruda preso e PO correndo perigo de ir para o xilindró.