Sinuca de bico com juro baixo neoliberal

Ultraneoliberalismo joga economia na armadilha do juro baixo incapaz de fazer efeito no ambiente do congelamento de gastos por vinte anos. Foto: Orlando Brito

Juro baixo não resolve

Juros Selic a 6%, inflação a 4,5%, rentabilidade de 1,5% ao ano.

Se a taxa continuar caindo, até chegar, suponhamos, a 5,5%, menos inflação de 4,5% ou 5%, cai, ainda mais, o rendimento do aplicador, 1%, 0,5%.

O Valor Investe diz que não está mais valendo a pena aplicar em renda fixa.

Sugere outros ativos de risco.

Quais?

Aplicações em papeis privados, das empresas, não mais do governo, que está falido, no ambiente econômico glacial.

Empresas privadas, no entanto, não oferecem garantias.

Se não há consumidor, no ambiente recessivo, alto desemprego, cresce risco de jogar nas pernas de cavalo manco.

Quem se habilita?

O governo tenta esquentar o mercado.

Libera FGTS do trabalhador.

O dinheiro vai para o comércio ou para pagar dívida?

Virará merenda prá banqueiro.

Banqueiro vai emprestar o dinheiro do FGTS liberado prá ele?

Vai apostar em cavalo manco?

Quem acredita em papai noel?

Tem besta por aí falando que com juro baixo, aumentarão investimentos.

Será?

Melhor acreditar no velho Keynes.

Juro, segundo ele, não é variável independente, no capitalismo.

Só ele, não resolve.

Só existe uma variável, verdadeiramente, independente no sistema capitalista, diz o autor de Teoria Geral do Emprego, do Juro e de Moeda.

Trata-se da quantidade da oferta de moeda liberada pelo governo.

Quando isso ocorre, ensina, quatro efeitos consecutivos e simultâneos são produzidos:

1 – preços aumentam;

2 – salários caem;

3 – juros despencam e;

4 – dívidas contraídas a prazo são perdoadas.

Os empresários, diante desse cenário, enxergam, segundo o grande economista inglês, a eficiência marginal do capital, isto é, o lucro.

Aí, sim, desperta-se neles o chamado espírito animal, que os leva ao investimento.

Juro só é insuficiente para puxar demanda global.

O cara toma emprestado a juro baixo prá que, se não tem prá quem vender?

Consumidor é a palavra mágica.

Diferença fundamental

A diferença, portanto, entre a decisão do BC brasileiro de reduzir o juro e a dos BCs dos EUA e Europa, de irem no mesmo sentido, essa semana, é essa.

Por aqui, reduz-se os juros, mas mantém-se congelada a oferta da variável econômica independente, ou seja, os gastos públicos, renda disponível para o consumo.

Nos Estados Unidos, Europa, Japão, China etc, os juros caem por força do aumento da oferta de dinheiro em circulação.

A lógica no capitalismo dominado pela financeirização é contraditória: ele não suporta mais juro positivo.

Pode ser fatal para quem deve muito, ou seja, todos os governos capitalistas no ambiente da financeirização especulativa.

Banqueiro privado, que manda nos bancos centrais, está com medo de juro.

Trump, nacionalista xenófobo, bateu pé prá eles.

Fugiram.

Se os BCs errarem a mão, subindo juro, mata a galinha dos ovos de ouro: a dívida pública, nervo vital da guerra, segundo Colbert, ministro das finanças de Luis 14.

Melhor aumentar a dívida, via expansão monetária, para girar a economia, jogando os juros no chão, do que trabalhar com juro acima de zero.

Juro zero desvaloriza dívida, que está excessiva, e garante reprodução do capital na produção.

Vem aí grande incêndio de dinheiro sobreacumulado, cuja reprodução especulativa não pode se realizar sob pena de jogar a humanidade no colapso financeiro total.

Capitalismo em sinuca de bico.

Colapso tupiniquim

Conclui-se, desse forma, que o congelamento, no Brasil, imposto pelo golpe neoliberal de 2016, é instrumento de sucateamento econômico.

É a forma economicida de sustentar lucratividade bancária, incapaz de se realizar nas atividades produtivas.

Como o gás do governo, para sustentar a dívida pública, superior ao PIB, acabou, o blá, blá, blá de juro baixo não resolverá a estagnação.

Paulo Guedes tenta, agora, liberar depósitos compulsórios para bancos.

Eles emprestarão esse compulsório ou comprarão mais títulos do governo com ele?

Se não ressuscitar consumidor, que depende da variável econômica independente keynesiana, nada feito.

Gastar é arrecadar.

 

 

 

 

 

Receita da banca para reduzir juro: tomar grana do povo

 

Chefe, a saída é pegar dos mais pobres para dar aos mais ricos. Tô com Chico Anísio, quero que pobre exploda!

Na contramão do mundo

A expectativa é de que o BC, diante do desemprego incontrolável, com economia em recessão, comece a reduzir juro.
Será?
Como se sabe o capitalismo vive a era do juro quase zero, zero ou negativo como resultado dos colapsos dos endividamentos públicos decorrentes das políticas keynesianas, acumuladas desde o pós guerra.
Têm outra coisa para colocar no lugar?
Se tivesse já teriam colocado substituto para Keynes, mas parece que não tem.
As alternativas são austeridades fiscais das quais o capitalismo foge porque destrói, sistematicamente, consumo e produção, levando economia à deflação, modelo neoclássico, século 19, já superado pela história, na falência do lassair faire, com crise de 1929.
Desde o crash de 2008, mais intenso que o crash de 29, é o mesmo remédio dos capitalistas financeiros, que dão as cartas: veneno de cobra contra veneno de cobra.
Homeopatia macroeconômica.
Os bancos centrais, dominados pelos banqueiros privados, o que fazem?
Jogam mais dinheiro em cima de dinheiro, as tais expansões monetárias.
Desmoralizou-se a teoria neoliberal de que inflação decorre de excesso de consumo a requerer juros altos para conter a demanda global, enxugando dinheiro.
Mentira.
Jorram dinheiros e mais dinheiros e a inflação não sobe mais.
Caiu por terra o argumento de que inflação é fenômeno monetário.
Mais dinheiro, mais inflação.
A crise capitalista financeira mostra que mais dinheiro é menos inflação.
Teoria jogada na lata de lixo.
 

Juro, pai da inflação

 
Juro alto, colocado acima, bem acima da inflação, como vem acontecendo no Brasil desde o Plano Real, isso sim, tensiona processo inflacionário.
Ele aumenta custo, que os empresários repassam aos preços, claro.
Extrai-se riqueza da sociedade, dos mais pobres, principalmente, para os banqueiros.
Os capitalistas nacionalistas xenófobos, como Trump, não querem saber de juro positivo.
Brigam contra os BCs, que falam em juro positivo.
Se ele emergir, as dívidas públicas vão para o espaço.
Viriam novos crash explosivos.
Então, o jogo é expandir e enxugar, mas sem aumentar juro, para não implodir endividamento público.
Só no Brasil, predomina a mamata.
Banqueiro no capitalismo desenvolvido não quer saber de juro, como antigamente, porque pode perder seu patrimônio numa tacada implosiva.
Desse modo, a dívida, sem juro, fica parada, elevando-se em relação ao PIB, mas perfeitamente controlável, como demonstram as experiências nos Estados Unidos, Europa, Japão, China, Ásia etc.
Se o juro é zero, prá ligar prá dívida?
Já, se o juro, como por aqui, cresce acima do crescimento do PIB, a vaca vai para o brejo.

Receita da raposa

Os banqueiros tupiniquins lançam livro para combater a inflação e baixar juro, e vem a Brasília, nessa semana, discutir o assunto, no Correio Braziliense.
Engraçado, na mesa de debate, só banqueiro gordo ou banqueiro de calça curta, os assessores de banqueiros gordos.
A receita é a mesma: extrair mais dinheiro da população, sempre mais.
É o caso do FGTS, sugestão deles ao governo que a acata.
Libera-se o FGTS do trabalhador para liquidar seus papagaios nos bancos e ameaça-se apertar pescoço dos empresários, que não recolhem, regulamente, o FGTS, como forma de compensação.
Tenta-se salvar o trabalhador apertando o empresário mal pagador, já sufocado pela redução do consumo, com impostos atrasados nas costas, levando-os aos recorrentes refis da vida.
O argumento da bancocracia é um só: os juros só caem, se os riscos(para eles, claro), diminuírem.
Como?
O Estado libera a grana do trabalhador para passar a eles, livrando-os dos riscos de inadimplência, que já atinge mais de 60 milhões de pessoas.
Que farão com esse dinheiro?
Emprestarão à produção?
Claro que não, se o consumo está estagnado!
Farão o que vem fazendo há anos e anos: comprar mais títulos do governo que rendem o dobro ou triplo da inflação, que está cadente no cenário do subconsumismo tupiniquim.
Sobra dinheiro no caixa dos bancos, que, sem emprestar na praça, devido à política monetária de escassez, via juros altos, são recolhidos pelo BC, em troca de mais títulos.
Economia de papel pintado.
Reduzir o risco dos bancos é isso, passar mais dinheiro para eles.
A ratazana engorda sem parar, ajudada, adicionalmente e principalmente, pela política monetária jurista do BC, comandada por quem, mesmo?
Por eles, os banqueiros.
Raposa tomando conta do galinheiro.
Receituário economicida
E a economia rastejando, fragilizando-se, diante do congelamento de gastos, previsto para durar 20 anos, a fim de acelerar privatizações.
Afinal, sem gastos públicos não tem arrecadação.
Sem arrecadação, as estatais, agentes desenvolvimentistas, como Petrobrás, Eletrobrás etc, não investem.
Programa-se, calculadadamente, o desinvestimento estatal.
Quem está financiando as privatizações?
Os bancos, com o lucro que obtém com os títulos do governo, na base da especulação.
O governo toma dinheiro da sociedade para passar aos bancos que financiam os capitalistas privados a comprarem, na bacia das almas, o patrimônio público sucateado.
Maravilha!
Tem razão o competente repórter José Paulo Kupfer, do UOL, ao dizer que o BC errou feio ao demorar para iniciar redução dos juros.
Desculpe, Kupfer, demora programada, pura chantagem, como a de dizer que iniciaria a redução depois da aprovação da reforma da Previdência.
Malandragem adequada aos interesses da banca.
 
 
https://josepaulokupfer.blogosfera.uol.com.br/2019/07/30/atrasado-no-corte-de-juros-bc-comeca-correr-atras-do-prejuizo

 

 

Estado policial-araponga tupiniquim à vista

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Tiro na democracia

O projeto de lei 2418/19, do deputado José Medeiros(Pode-MT), que garante autoridades acompanharem, fiscalizarem e intervirem, com autorização da justiça militar, nas comunicações eletrônicas em geral, atuando em cima de aplicativos, cria, a pretexto de combater terrorismo, a arapongagem estatal tupiniquim bananeira.
Tiro na democracia, atentato à liberdade cidadã.
Trata-se de conferir direito de bisbilhotar vida alheia em todas as suas dimensões, relações, atos e programações.
Constrói-se, assim, perfil do Estado policial, legalmente, autorizado, conforme denunciou, essa semana, o site Duplo Expresso, comandado pelo advogado internacionalista, Rômulus Maia, sediado na Suíça.
Essa prática, constitucionalmente, ilegal, diz o antropólogo Piero Leirner, da Universidade Federal de São Carlos, especialista em assuntos militares, já vem sendo, rasteiramente, exercida pelos órgãos militares, policiais e judiciais, em larga escala, a pretexto de buscas e investigações em todos os sentidos, inclusive, e principalmente, ferindo intimidades das pessoas.

Chantagem explícita

Por aí são construídas as chantagens, que submetem trabalhadores, empresários, políticos e autoridades republicanas à vontade do poder autoritário.
Para exercitar os abusos, sem incorrer nas penas da lei, investigadores necessitam de autorização da justiça.
Caso contrário,podem ser processados.
O Brasil vive, depois do golpe neoliberal de 2016, na republiqueta da chantagem.
Por meio dela, o Judiciário, por exemplo, está de joelhos diante do autoritarismo cesarista vigente.
A aprovação do projeto de Medeiros, articulado com o ministro Moro, fere a Constituição, já submetida à desmontagem neoliberal por meio das deformas trabalhista e da previdência.
Cidadão e cidadã estarão expostos à total liberalidade do Estado araponga de exercer contra eles direito abusivo, anticidadão.
Inconstitucionalidade explícita.
A sociedade está, portanto, ameaçada pelo projeto Medeiros/Moro.

Decreto fake news

Prova indireta disso, já, é o decreto nº 666/19, baixado pelo ministro Moro, que permite deportar suspeitos de terrorismo, como se ato de terror decorresse de publicação de informações incômodas às autoridades.
Indubitavelmente, o alvo é o jornalista Glenn Greenwald, editor do site Intercept Brasil, que publica, em série, informações que comprometem a honorabilidade do ministro e dos procuradores da República, à frente da Operação Lavajato, para prender, sem provas, o ex-presidente Lula, inviabilizando sua candidatura na eleição de 2018.
Aliás, o decreto 666 seria puro fake News de conveniência, porque o alvo dele, na prática, não pode ser deportado, visto ser casado com brasileiro, tendo dois filhos nascidos no Brasil.
O próprio presidente Bolsonaro, que, certamente, gostaria de ver Greenwald deportado daqui, jogou água gelada nos entusiasmados defensores de Moro e suas armações de araponga, ao destacar que o jornalista americano, dada sua situação civil, está livre de deportação.
Contudo, não deixou de soltar destempero verbal, afirmando que talvez ele, Greenwald, pegue uma cana por aqui.
Haveria escândalo internacional.

Hackeamento ou clonagem?

Abundam dúvidas de que o malfadado decreto 666 tenha sido, realmente, ensaio explícito de arapongagem, em resposta ao mal explicado hackeamento das autoridades.
Afinal, segundo reportagem do El País, especialistas digitais desconfiam de que faltam elementos no relato, à polícia, do hacker de Araraquara, Walter Delgatti Netto.
Ele seria completamente carente de “conhecimento sofisticado”, para alcançar os alvos que Moro diz ter sido atingidos na cúpula da República brasileira.
Não seria clonagem, em vez de hackeamento, como suspeitam especialistas, desconfiados de que por trás de Delgatti esteja voz que expressa interesses inconfessáveis de Moro e, também, do próprio Glenn?
Por que desconfiar de Glenn?
Devido as suas posições ambíguas: primeiro, foi afirmativo; em seguida, tergiversou que tenha sido, mesmo, Delgatti a fonte das informações que vem publicando e deixando Moro com os nervos à flor da pele.
Vão se configurando, cada vez mais, suspeitas as acusações oficiais de que Delgatti e sua turma hackearam celulares de mais de 1.000 autoridades da República.
Sem poder comprová-las, Moro avisou às vítimas do hacker que o conteúdo seria destruído.
Como assim?
Moro poderia passar por cima das investigações em curso?
Não foi à toa, portanto, que o próprio presidente Bolsonaro o admoestou por essa declaração maluca.
O fato concreto e objetivo é que está indo para o espaço a lei de acesso à informação, que assegura transparência sobre os assuntos de Estado.
Ela se torna vítima do processo de montagem do estado policial araponga tupinquim.

https://duploexpresso.com/?p=106735

https://www.camara.leg.br/…/prop_mostrarintegra;jsessionid=…

https://brasil.elpais.com/…/27/polit…/1564178690_404304.html

https://www.brasil247.com/…/moro-nao-pode-destruir-provas-d…

 

Araponga do grande Jacob

Mentira, diversionismo e distração para enganar população

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Olha o circo!

A população está sendo distraída, pela grande mídia, com dois fantasmas:

1 – Os hackers de Araraquara, que teriam, programadamente, bisbilhotado, os celulares do presidente Bolsonaro e do ministro Sérgio Moro, e;

2 – A liberação a conta gotas do FGTS dos trabalhadores, para pagarem suas dívidas aos bancos – mais um presente do governo neoliberal à bancocracia.

Enquanto isso, minimiza-se o grande estrago: o esquartejamento da Petrobrás, que segue acelerado, ferindo de morte a soberania nacional.

Não se tem provas de que o bisbilhotagem eletrônica visou destruir a Operação Lavajato, como tenta fazer crer as autoridades governamentais, para diminuir o impacto do conteúdo das mensagens veiculadas nos celulares atingidos.

A essência é deixada de lado: a armação entre Sérgio Moro e procuradores, a fim de forjarem provas para prender o ex-presidente Lula e inviabilizar sua candidatura à presidência, na eleição de 2018, favorita nas pesquisas eleitorais.

Usar o FGTS, também, faz parte da farsa.

Atarantado, o governo, sem programa para tirar a economia da recessão e do desemprego incontroláveis, lança mão da poupança dos trabalhadores, depositadas no FGTS, para criar ambiente de falsa euforia de retomada do consumo.

Na verdade, a grana visa liquidar dívidas deles financiadas pelos bancos a juros extorsivos nos cartões de crédito.

Na prática, mais uma enganação, venda de gato por lebre.

Esquartejamento da Petrobras

Já o grande assalto ao patrimônio público, que leva a população ao empobrecimento e o país à perda de sua soberania e de poder geopolítico, no cenário da guerra comercial global, deixa de merecer os holofotes.

Manipula-se a opinião pública com falsa modernidade econômica que viria com privatizações da Petrobrás, para permitir liquidação de suas dívidas.

Essencialmente, o governo inventou mentira para vender/entregar, sem licitação e transparência, 35% da BR Distribuidora, por R$ 9,6 bilhões, ficando a estatal, sócia majoritária, com, apenas, 37,5% do capital da empresa, transferindo seu comando para o setor privado,.

A Associação dos Engenheiros da Petrobrás(AEPT) desmontou o argumento falso do endividamento da empresa: entre final de 2014 e de 2018, a Petrobrás reduziu sua dívida líquida de US$ 115,4 para US$ 69,4 bilhões e sua alavancagem de 4,25 para 2,20.

Nesse mesmo período, ela vendeu ativos no valor de US$ 18,72 bilhões.

Deste total, os valores, efetivamente, recebidos totalizaram US$ 11,81 bilhões.

Esta dívida poderia ser reduzida sem vendas de nenhum ativo, apenas, com resultado operacional da empresa, que, em 2019, registrou lucro líquido de R$ 477 milhões.

Ou seja, em 5 anos e meio, liquida-se a transação bilionária, ótimo negócio, já amortizado, para quem comprou e péssimo para quem vendeu.

As privatizações, segundo a AEPET, tiveram pouca relevância na redução do endividamento líquido da Petrobrás.

Entre 2015 e 2018, foram privatizados US$ 18,7 bilhões em ativos da Petrobrás, e, em 2019, alienou-se, também, praticamente, de graça, a subsidiária Transportadora Associada de Gás S.A. (TAG), por US$ 8,7 bilhões.

Assim, entre 2015 e 2018, auge do entreguismo neoliberal, que prossegue, os ativos privatizados somaram U$ 18,7 bilhões.

Sucateamento em marcha

A previsão do plano neoliberal bolsonarista é de continuar a doação do patrimônio popular, privatizando US$ 26,9 bilhões, entre 2019 e 2023.

Pretende-se vender, desnecessariamente, oito refinarias que respondem por 50% da atual capacidade de refino, além de gasodutos, terminais, fábricas de fertilizantes, participação na petroquímica e na produção de biocombustíveis.

A tudo isso se acrescenta a alienação de direitos de produção em reservas de petróleo e gás natural.

Vai o bolsonarismo antinacionalista entreguista contra a lógica predominante no mundo atual, em que petróleo representa, sobretudo, poder geopolítico, no espaço mundial.

Por essa razão, das 25 maiores empresas de petróleo e gás do mundo, 19 são estatais, controlando 90% das reservas e 75% da produção mundial.

As seis privadas restantes são dependentes das estatais na realização de parceiras estratégias, pois não conseguem autonomia que a condição de estatal adquire na comercialização internacional.

Péssimo negócio

No caso da privatização da BR, pode-se dizer que o negócio foi, mais que ruim, péssimo.

Levou-se em consideração, apenas, o valor tangível do patrimônio popular, a estrutura de distribuição espalhada por todo o território nacional, já, devidamente, amortizada.

Não se levou em consideração o valor intangível, a marca BR, com toda a sua credibilidade diante do consumidor.

Esse valor está indo de graça.

Qual o valor da marca BR?

Teria ou não que ser cobrado royalty sobre a marca?

Os idiotas da objetividade, como diria Nelson Rodrigues, vangloriam-se com afirmações pueris de que a BR não garantia vantagem ao consumidor.

Esquecem que a competitividade do negócio chamado Brasil depende das vantagens comparativas garantidas pela estatal petrolífera.

O agronegócio, por exemplo, sem preços competitivos dos refinados e do diesel, sofre grandes prejuízos.

Idem, os caminhoneiros.

Ambos viverão as instabilidades típicas do livre mercado, cujos preços são dados por oligopólios internacionais, no ambiente da geopolítica do petróleo e da variação especulativa do dólar, decorrente do excesso de oferta monetária produzida pela financeirização especulativa global.

A morte do Brasil

 

Bolsonaro bombeia autogolpe de Mourão

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Profecia em marcha

Durante campanha eleitoral, o vice-presidente general Hamilton Mourão alertou, hipoteticamente, para o perigo de autogolpe.

Choveu saraivadas de chumbo sobre ele.

Explicou que a premissa básica para que tal situação de ruptura aconteça é a anarquia social econômica e política, que se combinam no processo de crise do capitalismo.

O caldo para a anarquia que leva ao autogolpe está posto, no plano econômico, pelo estrago produzido pela austeridade fiscal ultraneoliberal.

Há 20 semanas, a economia não anda.

As previsões, para o PIB/2019, estão abaixo de 1%.

As expectativas de curto e médio prazo espantam empresários, diante da paralisa do consumo.

A austeridade tem balanço trágico: 13 milhões de desempregados, 30 milhões de desalentados e 60 milhões de inadimplentes.

100 milhões de não-consumidores!

No plano político, as consequências dela surgem na radicalização ideológico-federativa de ataque presidencial ao Nordeste, em meio a luta parlamentar pela reforma da Previdência.

Explodem as contradições entre forças capitalistas da produção e da especulação.

Os especuladores querem o dinheiro do FGTS para quitar dívidas dos trabalhadores, multiplicadas pelos juros extorsivos.

Já os empresários da construção civil querem o FGTS para financiar construção de casas populares.

Sem demanda, dependentes de crédito bancário escasso e caro, entram em bancarrota.

Herança golpista

O acirramento ocorre desde o golpe neoliberal de 2016, com congelamento de gastos sociais, em nome da austeridade fiscal, a fim de priorizar pagamento de juros da dívida pública.

Esse é o foco central da disputa econômico-financeira nacional.

Os produtores não têm demanda nem dinheiro público para se movimentar.

As expectativas deles pioram com o acordo Mercosul-União Europeia.

Terão que abrir mercado para importados manufaturados e submeterem suas exportações de primários e semielaborados a cotas pelos importadores.

Mais: enfrentarão danosa abertura de capital financeiro especulativo.

No plano macroeconômico, o governo, pressionado pelos credores, enxuga o dinheiro na praça, para combater, supostamente, a inflação com aumento de juro,  e remunera o dinheiro parado a custo especulativo, endividando-se.

A dívida se automultiplica sem dar retorno algum à economia em forma de desenvolvimento.

R$ 4 trilhões estancados

A economista Maria Lúcia Fattorelli, coordenadora do movimento Auditoria Cidadã da Dívida, denuncia, insistentemente, que o Banco Central recolhe sistematicamente sobras de caixas dos bancos privados, calculadas em R$ 1,4 trilhão, para manter a praça seca de dinheiro.

Se o dinheiro represado na banca privada fosse para o mercado, os juros despencariam, para movimentar negócios que estão parados.

Da mesma forma, o Tesouro Nacional, segundo Maria Lúcia, dispõe de reservas nacionais acima de R$ 1,3 trilhão, fruto do congelamento de gastos, previsto para durar 20 anos.

Finalmente, a desculpa de necessidade de escassez de dinheiro se desmonta diante da existência de reservas internacionais de 380 bilhões de dólares, acumuladas entre 2003-204, durante governos Lula e Dilma.

Sobra dinheiro, com população mais pobre caminhando para fome.

Haveria, portanto, em caixa, disponível para investimentos mais de R$ 4 trilhões.

Prisão ideológica neoliberal

A irracionalidade econômica, radicalizada pela total escassez da oferta de crédito à produção, para tocar o capitalismo tupiniquim, dependente de 80% do consumo de bens e de serviços, na formação do PIB, pode anarquizar a produção e o panorama social e político.

Estaria criada a premissa para agitação do autogolpe debatido, na campanha eleitoral, por Hamilton Mourão.

A semente dele vai se revelando intrínseca ao modelo econômico neoliberal de desarticulação geral do estado brasileiro, responsável por esvaziar e destruir soberania nacional.