Tragédia abole escravidão e aprofunda democracia solidária no Haiti

Depois de carregar os mortos com os próprios braços, os haitianos terão que reconstruir o país, igualmente, com a força física e mental, sob colaboração internacional, em cenário em que inexistem os líderes políticos corruptos que se evaporaram, deixando vácuo a ser preeenchido pela própria força da organização social popular, criando, consequentemente, novas correlações de forças, diferentes do espírito de poder assentado nos pressupostos privados que foram para o fundo da terra com o direito de propriedade fixado nos cartórios sob escombros.
Depois de carregar os mortos com os próprios braços, os haitianos terão que reconstruir o país, igualmente, com a força física e mental, sob colaboração internacional, em cenário em que inexistem os líderes políticos corruptos que se evaporaram, deixando vácuo a ser preeenchido pela própria força da organização social popular, criando, consequentemente, novas correlações de forças, diferentes do espírito de poder assentado nos pressupostos privados que foram para o fundo da terra com o direito de propriedade fixado nos cartórios sob escombros.

O que as lideranças políticas corruptas não conseguiram, a natureza pode alcançar. A tragédia do Haiti pode representar, ao mesmo tempo, a libertação dos escravos haitianos sob domínio de lideranças corrompidas pelo dinheiro que governam por meio da violência, dividindo, sistematicamente, a sociedade, mantendo-a em estágio tribal, sem estado, sem instituições, sem nenhuma segurança jurídica. A destruição do governo haitiano – o presidente não tem nem onde morar, enquanto seus ministros estão mortos etc – representa, simultaneamente, a eliminação, de cima a baixo, de uma superestrutura jurídica que se impunha pela força. Inexistindo esse pressuposto institucional, depois da catástrofe, o que vier a ser construído, de agora em diante, decorrerá do espírito nacionalista do povo, ajudado pelas finanças internacionais, organizadas, preferencialmente, pela ONU, como forma de representação política da solidariedade universal.

A reconstrução do país será, essencialmente, obra popular. Os líderes nascerão do próprio sangue nacional, abatido pelo terremoto, mas não vencido, totalmente. Evidentemente, como a ação gera a consciência política sobre a realidade que os grupos sociais constroem, de forma complexa, produzida pela distribuição da renda nacional acumulada, a mobilização social, nacional e internacional, abrirá novo caminho para outras correlações de forças. Os partidos políticos e seus líderes evaporaram e a construção de novos partidos, no caos geral, somente será produtiva se houver esforço conjunto pela reconstrução nacional. O predomínio de uma casta política, cujo poder de sustentação é a violência, poderá dar lugar à emergência de novas forças populares, muitas das quais estariam no exterior, estudando, trabalhando, mas com a alma assentada no Haiti, dispostos à trabalharem para reconstrução. 

Democracia fortalece no caos  

 

Nascida da força de trabalho dos escravos, a libertação política foi alcançada em 1803, mas a independência econômica jamais se concretizou, predominando, na prática, o escravagismo moderno determinado pelo capital, na ausência de estado nacional compatível com o espírito da civilização. A tragédia destroi a base produtiva, mas, igualmente, a base política, jogando o povo em um novo contexto, de liberação da escravidão, mas que dependerá, fundamentalmente, das forças internacionais, para solidificar, em consonância com espírito de solidariedade e fraternidade universal. Aí haveria histórico correspondente à democracia econômica.  A superação do desespero e da angústia haitiana requererá fraternidade universal que SANTA ZILDA ARNS plantou, dando testemunho da própria vida.
Nascida da força de trabalho dos escravos, a libertação política foi alcançada em 1803, mas a independência econômica jamais se concretizou, predominando, na prática, o escravagismo moderno determinado pelo capital, na ausência de estado nacional compatível com o espírito da civilização. A tragédia destroi a base produtiva, mas, igualmente, a base política, jogando o povo em um novo contexto, de liberação da escravidão, mas que dependerá, fundamentalmente, das forças internacionais, para solidificar, em consonância com espírito de solidariedade e fraternidade universal. Aí haveria histórico correspondente à democracia econômica. A superação do desespero e da angústia haitiana requererá fraternidade universal que SANTA ZILDA ARNS plantou, dando testemunho da própria vida.

O quadro, guardadas as proporções históricas, ganha contornos semelhantes ao do Haiti no tempo da colonização francesa em que a organização social dos escravos, a partir da revolta escravagista frustrada de 1791 contra os colonizadores franceses, construiu base popular solidária para libertar a nação em 1804, antes, portanto, da independência do Brasil. Os franceses, primeiros colonizadores escravagistas, não transferiram para o Novo Mundo a cultura política européia, expressa na instalação de instituições de Estado. Paris administrava centralizada e imperialmente tudo. Os construtores do estado burguês na França, saídos da revolução francesa, foram, extremamente, avarentos na tarefa de transferir para o Haiti as mesmas conquistas sociais que alcançaram por meio da revolução. O código napoleônico, que instituiu as bases do estado burguês francês, não se expressou, paralelamente, na exploração colonial no Haiti. A França, como colonizadora, guardou para si, com chave de ouro, suas próprias conquistas políticas, enquanto, em relação aos haitianos, atuou como escravagista. Democracia na França, escravidão nas colônias. Uma nova Grécia burguesa dos tempos modernos é o arremate da civilização francesa na sua expansão imperial. Liberté, fraternité, igualité, apenas, para os franceses; para os haitianos, barbárie. 

Os franceses, no Haiti, foram substituídos pelos americanos, depois que os Estados Unidos desbancaram a França no território da Louisiania e suas ramificações no Caribe, a partir de 1803. A independência política haitiana não se consolidou em independência econômica. Os Estados Unidos ampliariam o domínio ao longo dos anos, culminando, em 1848, com o Tratado de Guadalupe, pelo qual anexam o Texas, Califórnia, Arizona, Novo México. Culminam os americanos com a ocupação geral em 1898 do Haiti e anexação de Porto Rico, Cuba, Filipinas. Naturalmente, não seriam os americanos os novos libertadores, mas os novos escravagistas. Criaram infra-estrutura econômica no país dependente do modelo de desenvolvimento concentrador de renda que desarticulou todas as bases econômicas dos escravos, apoiada, especialmente, na solidariedade de classe social. Não se firmou a política e os líderes saíram das milícias armadas pelos colonizadores, sem nenhuma base institucional, até hoje. Prevalece elite política mercenária.

 A nova realidade política escrita pela catástrofe, unindo forças internas e externas, pode representar, sobretudo, ensaio geral de governo da ONU no cenário internacional, em processo de generalização, como tendência que poderia se aprofundar nas relações sociais globais em choque pela crise econômica internacional. A vontade política se expressou como rapidez de um raio por meio da mobilização dos líderes internacionais em prol da tentativa de reconstruir a nação destruída. A lição estaria à vista. A vontade política, quando é para valer, sai, com dinheiro ou sem dinheiro. Não se verificou tal vontade global, em uníssono, durante os estragos provocados pela grande crise financeira internacional. Os problemas, provocados por esta, estão sendo enfrentado sem coordenação global, mas pela individualidade dos nacionalismos, sinalizando desastres. A visão nacionalista, no entanto, é insuficiente, da mesma forma que o nacionalismo emergente dos haitianos, por mais que se fortaleça, não será suficiente sem a ajuda internacional.  Assim como ação nacionalista dos haitianos se mostra insuficiente para coordenação de sua própria sobrevivência, sendo necessária a ajuda internacional, ações nacionalistas isoladas , no plano monetário, demonstram, igualmente,  insuficiência na tarefa de colocar a economia global nos eixos. A desestruturação do processo monetário, como do processo destruidor dos terremotos no Haiti, requereria coordenação global. 

Com o grande terremoto tudo vem abaixo, o presidente da República, que não tem mais onde morar, com filhos, parentes, assessores e amigos mortos na tragédia, tem seu poder político capado pela tragédia. Até o Palácio veio abaixo. Ou seja, o simbolismo desmoronou-se. O vácuo político total é a realidade atual. Em meio à catástrofe, a realidade clama por novas lideranças, que nascerão, certamente, do fruto do trabalho da reconstrução. O novo poder poderá ser arrancado com as mãos que estão arrancando os corpos dos escombros em regime de solidariedade humana. Como esta dependerá da ajuda internacional, os novos construtores do país, o povo, internamente, e as demais nações, externamente, terão que partir para uma coordenação geral solidária que representaria, na prática, germe de novo Estado.

Desse modo, sem herança institucional, os escravos, liderados por políticos saídas da própria escravidão, em parceria com a boa vontade internacional, estariam, enquanto sofrem desesperos e agonias sem fim, dando os primeiros passos para sua verdadeira libertação. Cresceria, com o tempo, a máxima popular de que Deus escreve certo por linhas tortas? Ou não? O fato é que o Haiti, política e economicamente em desastre, é um papel em branco a ser escrito pela luta popular. 

Governo da ONU para Haiti

O cuidado e o amor para com os mortos, massacrados no grante terremoto, terá que se repetir para com os vivos, os que sobraram, em igual medida, para com tal força, que se lança ao jogo da solidariedade, como salvação coletiva, possa reerguer novo Estado sem os vestígios do escravagismo econômico.
O cuidado e o amor para com os mortos, massacrados no grante terremoto, terá que se repetir para com os vivos, os que sobraram, em igual medida, para com tal força, que se lança ao jogo da solidariedade, como salvação coletiva, possa reerguer novo Estado sem os vestígios do escravagismo econômico.

A vontade política para tal empenho ainda não surgiu, revelando os grandes líderes, mas ela emergiu diante da catástrofe como alternativa para tentar salvar o Haiti. O poder da caridade internacional, da qual deu prova a missionária médica brasileira morta nos escombros, Zilda Arns, demonstrou, sobejamente, que quem manda é a vontade política pela mobilização geral em favor da resolução dos problemas.

Isoladamente, nenhum governo conseguiu mobilização, tanto interna quanto internacional, para a coordenação de esforços globais para solução dos problemas econômicos e financeiros que se aprofundam, sinalizando caos possíveis e imagináveis; mas, bastou uma tragédia de grandes proporções, para que essa vontade aparecesse abruptamente.

Vale dizer, se a economia for vista não pelo interesse do lucro, exclusivamente, mas pelo interesse do desenvolvimento humanitário, a coordenação geral de uma vontade política teria a mesma forma que se apresenta para ajudar humanitariamente o Haiti em colapso.

A humanização do pensamento econômico ganharia, portanto, vontade política que tenderia a sobrepor os imperativos econômicos como se estes se dessem no exterior da realidade, sem o concurso da vontade humana.

Os problemas globais estariam se arrastando, sem soluções, porque, como ensina a mobilização geral pelo Haiti, a vontade política dos líderes mundiais ainda não saiu do âmbito do nacionalismo, embora os desafios clamem por ação multilateralista, que equivale a uma visão para além do meramente econômico.

Sem tal vontade, o mundo viraria UM GRANDE HAITI. A concepção de um governo articulado pela ONU, com as forças populares,  para salvar o Haiti abria o caminho para nova consciência política global.

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

Haiti traduz urgência por união global

 

SANTA ZILDA ARNS. Missionária, mulher global, sorriso lindo e puro, imolada no sacrifício em nome da paz , da concórdia e da fraternidade, viúva, mãe de cinco filhos e de milhões de crianças pelo mundo afora, ela demonstrou aos líderes mundiais que a paz está ao alcance das mãos , desde que se abra o coração ao outro que é a extensão do ser em si na generalidade do semelhante, sem fronteiras, para o entendimento de uma só linguagem - a do AMOR.

SANTA ZILDA ARNS. Missionária, mulher global, sorriso lindo e puro, imolada no sacrifício em nome da paz , da concórdia e da fraternidade, viúva, mãe de cinco filhos e de milhões de crianças pelo mundo afora, ela demonstrou aos líderes mundiais que a paz está ao alcance das mãos , desde que se abra o coração ao outro que é a extensão do ser em si na generalidade do semelhante, sem fronteiras, para o entendimento de uma só linguagem – a do AMOR.

Seria mera coincidência a morte trágica da médica brasileira Zilda Arns, dedicada de corpo e alma à caridade humana, dentro de Igreja, enquanto dava sequência a sua missão humanitária, sucumbindo-se em meio aos milhares e milhares de mortos no violento terremoto que abalou a humanidade e a tirou do torpor sob crise econômica global, envolvendo a todos, ricos, pobres e remediados em um vendaval econômico, cujas conseqüências destrutivas ainda se encontram em marcha, abalando espíritos ambiciosos, egoístas, vaidosos, orgulhosos, niilistas, levando-os a um beco sem saída, capaz de levantar questionamentos indispensáveis quanto à adequada e necessária condução do destino humano na terra sob novas relações sociais, econômicas e políticas?

Assim como se mobilizam forças espalhadas por todos os países, movidas pelo mesmo espírito de caridade que embalava Zilda Arns, para coordenarem ajuda ao povo massacrado do Haiti, desgovernado por forças econômicas internas e externas que o sugaram e o impediram até agora de ganhar autonomia sobre seu próprio destino, condenando-o à condição de nação mais pobre e miserável da terra, da mesma forma, essa humanidade perdida e medíocre, que fez evaporar a riqueza mundial na especulação e na irresponsabilidade determinada pela ganância, não estaria necessitando de um esforço de união universal para coordenação da irracionalidade desenvolvida por si mesma em sua perdição materialista?

Estaria fora da união a salvação mundial, assim como não será possível ao Haiti conseguir se superar senão pela ajuda caridosa da solidariedade universal?

Os escombros sob os quais mais de 100 mil mortos e sobrevividos massacrados se esvaem em sangue aos olhos e sentimentos atônicos do mundo sinalizam ou não uma urgência moral, de modo a espantar o egoísmo global alargado pela sede de poder e lucro, impulsionados pela ciência e tecnologia colocados a serviço da produção e da sobreacumulação acapitalista, cujo resultado é a própria população do Haiti, onde a renda média é de, no máximo , dois dólares, incapaz de conferir dignidade ao ser humano?

Terá sido necessária uma sacudida violentíssima dessa natureza, como foi a que atingiu os haitianos, no embalo do tremor, na escala Richter de quase 8 graus, para sensibilizar os humanos, no sentido de que sua força é, realmente, sua fraqueza, se esta não for amparada, permanentemente, pelo espírito de solidariedade universal que embalava Zilda Arns, SANTA ZILDA ARNS?

Debalde, até agora, por causa da ganância especulativa sem fim, não foi possível aos humanos erguer organização social capaz de coordenar a produção global, a fim de evitar o que já começou a acontecer, em escala, por enquanto incontrolável: a do desabalado protecionismo comercial, no rastro da bancarrota financeira dos Estados Unidos, disseminando geral por todos os cantos da terra a sensação absoluta de insegurança, que, em outros tempos, não longínquos, produziu guerras fratricidas. 

As reuniões multilaterais – multilateralismo indispensável – se multiplicam, mas o excesso de capital em mãos de poucos detentores estimula novas guerras econômicas, novas destruições, em busca de mais acumulação, potencializando placas tectônicas, tais quais as que se deslocaram no fundo da terra, para emergirem no Haiti, e sinalizando semelhnças de movimento entre a natureza terrestre e a natureza destrutiva do próprio capital.  

Despertar da solidariedade  

Dor, desespero, agonia dos haitianos sensibilizam o mundo dividido em nome do lucro que destroi a sensibilidade e faz explodir a violência em contexto em que civilização se expressa na contradição entre igualdade jurídica correspondente à desigualdade social, clamando por solidariedade entre os povos, cuja emergência somente acontece quando algo mais forte que a frieza da racionalidade se impõe em forma de tragédia.

Dor, desespero, agonia dos haitianos sensibilizam o mundo dividido em nome do lucro que destroi a sensibilidade e faz explodir a violência em contexto em que civilização se expressa na contradição entre igualdade jurídica correspondente à desigualdade social, clamando por solidariedade entre os povos, cuja emergência somente acontece quando algo mais forte que a frieza da racionalidade se impõe em forma de tragédia.

Os estadistas se sensibilizaram. As imagens nos levam às lágrimas. O sorriso de anjo superior de Zilda Arns, acompanhado de suas palavras de que as necessidades do mundo estão relacionadas, igualmente, às exigências de maior solidariedade e amor, para se alcançar a paz por meio da ajuda ao próximo, representa a indicação sublime da racionalidade humanitária. Esta, naturalmente, se assenta na simplicidade da caridade.

A caridade universal, como disse SANTA ZILDA ARNS, é a salvação universal.

Os aviões se deslocam do norte para o sul e do leste para o oeste e vice-versa, cheios de mantimentos, médicos, assistentes sociais, profissionais de toda a natureza, medicamentos, materiais indispensáveis à ajuda dos que estão soterrados, mortos ou ainda vivos no Haiti. São como almas humanas caridosas deslocando-se no espaço, apressadas em prestar serviço humanitário que até agora faltou sob regime de normalidade.

Precisa emergir a anormalidade, os momentos trágicos, para que a natureza humana se sensibilize com a desgraça do outro. Sob a normalidade, predomina a violência, o roubo , a imoralidade, a anti-ética em nome da acumulação capitalista sem freio, que compra políticos e governos a preço vil, enquanto o outro é o estorvo universal de sempre.

O inferno, disse Sartre, são os outros. O ser outro em si mesmo, como ressaltou Hegel, só se deslumbra na desgraça. Os mineiros somente são solidários no câncer, como diz ditado popular.

Não se passa pela cabeça, em tempos de normalidade, que o outro é a generalização de nós mesmos, que a exploração econômica do outro é a nossa própria exploração de si, cega, faca amolada.

Ainda não se disseminou a crença de que o ser humano é um ser genérico, que o ser outro em si mesmo é a construção de si. Sobretudo, ainda, não se chegou às mentes mediocrizadas, de forma genérica, que é mais negócio dar do que receber etc.

Que fazer diante dessa ignorância de si senão balançá-la, violentamente, por meio de acontecimentos trágicos, tocantes, de modo uníssono, à sensibilidade universal, que, de outro modo, fica recolhida em sua mediocridade individualista, sem saber que a coletividade é o contrapolo necessário da unidade humana em si mesma ao lado de cada individualidade?  

Nova Arca de Noé 

Será que a humanidade entenderá dessa vez que a união para salvar uma nação é a mesma que deve ser realizada para construir um mundo novo não dividido pela ganância que estimula a divisão permanente dos povos em nome da sobreacumulação de capital que ameaça a estabilidade global?
Será que a humanidade entenderá dessa vez que a união para salvar uma nação é a mesma que deve ser realizada para construir um mundo novo não dividido pela ganância que estimula a divisão permanente dos povos em nome da sobreacumulação de capital que ameaça a estabilidade global?

O mega-especulador George Souros, em artigo pessimista, destacou que o caos financeiro seguirá em frente – como o caos haitiano sob escombros do terremoto – enquanto predominar o nacionalismo monetário, incapaz de perceber que a desregulamentação financeira global, responsável pelo terremoto econômico ainda insolúvel sob areia movediça, somente será superado por uma visão global, indispensável para promover a coordenação geral das necessidades de ricos, pobres e remediados, embalados pela decadência do dólar como equivalente geral que se autodestruiu na sobreacumulação de capital.

Ou os luminares do pensamento não estão entendendo o que realmente acontece sob suas barbas, tentando insistir em fórmulas erradas, nacionalistas, que visam o umbigo de cada qual, na vã tentativa de se salvarem, isoladamente, sem saber que, abstratamente, o ser humano é uma generalidade do si mesmo no ser outro em si?

A ONU, que, no Haiti, foi destruída pelo terremoto, seria o lugar da coordenação geral de esforços globais, de modo a superar os individualismos nacionalistas xenófobos, na linha proposta por Keynes, em 1944, durante Bretton Woods. Sua idéia, de criar o BANKOR, moeda internacional, gerenciada por um conjunto de países – hoje poderia ser o GRUPO DOS 20 , por que não? – para que houvesse sintonia monetária global, articulando os balanços de pagamentos no rodízio das trocas internacionais – quem sabe mediadas por cesta de moeda, visto que o dólar já era, para exercitar esse papel, por conta da bancarrota americana – tenderia a ser o germe de um sistema monetário novo. Ou , então, outra imaginação mais adequada aos novos tempos, embora o espírito monetário coletivo guarde o mesmo sentido.

Do mesmo modo que se juntam todos para ajudar o Haiti a sair do seu inferno, levando-os a identificarem o si mesmo com o ser outro em si – o Haiti , enfim, é aqui, em termos éticos e morais – igualmente uma ação semelhante, maior, planetária, exuberante, é reclamada da ONU, para o plano monetário em meio à falência global.

Impõe-se, moralmente, como imperativo categórico, a coordenação geral, sob supervisão individual dos países, destituídos, certamente, da sua visceralidade individualista irracional e destrutiva. Talvez, quem sabe, movidos pelo interesse comum de preservação da humanidade como espécie, materialize-se abstração espiritual do racional segundo o qual o ser outro em si mesmo é a verdade que une a todos em uma mesma Arca de Noé.

 

 

 

 

 

 

 

 

A esquerda que a direita gosta

Tarso e Vanuchi escolheram hora errada para levantar polêmica que divide a sociedade em vez de uni-la em torno do presidente Lula que se empenha, por tal união, em favor do bombeamento eleitoral da candidata Dilma Rousseff, que a estratégia dos dois ministros prejudica, lançando-a contra os  militares, religiosos, agricultores, imprensa etc, desnecessariamente. Macacos em loja de louça brandindo bandeira do dogmatismo revanchista. José Serra agradece.
Tarso e Vanuchi escolheram hora errada para levantar polêmica que divide a sociedade em vez de uni-la em torno do presidente Lula que se empenha, por tal união, em favor do bombeamento eleitoral da candidata Dilma Rousseff, que a estratégia dos dois ministros prejudica, lançando-a contra os militares, religiosos, agricultores, imprensa etc, desnecessariamente. Macacos em loja de louça brandindo bandeira do dogmatismo revanchista. José Serra agradece.

Parece que a esquerda, pelo menos a brasileira, gosta de jogar a favor da direita neoliberal nos momentos decisivos. Darci Ribeiro tinha razão: eles, os esquerdistas, fazem o jogo que a direita gosta. Veja, por exemplo, essa polêmica idiota – no sentido grego, de se ignorar o mundo – , relativamente à questão dos direitos humanos que divide, inutilmente, os setores formadores de opinião. Claro, não se trata de desconhecer a dignidade da pessoa humana e a necessidade fundamental de que seus direitos sejam devidamente respeitados ontem, hoje, amanhã, sempre. Mas, fazer o jogo do adversário, lançando mão da bandeira dos direitos humanos, como se achasse que estivesse contribuindo para o avanço do processo democrático e das forças progressistas, na sua luta para remover a contradição básica do estado burguês, expressa na superestrutura jurídica, em que a máxima da igualdade jurídica corresponde, dialeticamente, à injustiça social, no caso do terrorismo político que predominou no país há 45 anos, não passa de equívoco total.

O genial Darcy Ribeiro entendeu a alma conflituosa da esquerda brasileira, que, quando quer ajudar, atrapalha, e, quando quer atrapalhar, ajuda.
O genial Darcy Ribeiro entendeu a alma conflituosa da esquerda brasileira, que, quando quer ajudar, atrapalha, e, quando quer atrapalhar, ajuda.
Os jornais conservadores estão nadando de braçadas. Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Globo etc encontraram motivações espetaculares para preencherem, diariamente, quatro, cinco páginas com o assunto, estimulando espíritos contrários entre si a levantarem bandeiras revanchistas cujos efeitos políticos sobre o povão, que vai votar,  é, praticamente, nenhum. Mas dá caldo grosso da classe média para cima, já que as classes C,D e E, que passaram a comer, não estão nem aí. Durante a campanha eleitoral, a esquerda, rendida, psicologicamente, ao dogmatismo, ao fanatismo , à intransigência, à intolerância etc, que tem toda uma programação que poderia ser dinamizada, ganhando maior espaço, no rastro da popularidade do presidente Lula, no âmbito das classes C,D e E, as que garantem eleição, para que consiga avançar programaticamente em plataforma reformadora econômica, política e social, dá espaço para a direita, carente, nesse instante, de bandeiras firmes e convincentes, detonada que foi pela ideologia neoliberal, falida na grande crise global. O que tem as forças governistas a ganharem, em tempo eleitoral, ao  levantar polêmicas desnecessárias , no sentido do time , que dividem em vez de unir a sociedade? Burrice.

 

Assunto fora de hora  

 

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, vestiu, claro, a camisa dos militares, assumindo a indignação deles contra a estratégia e a tática de Vanuchi e Genro, de tentarem fazer do Programa dos Direitos Humanos bandeira eleitoral, que abre polêmicas sem fim, enquanto os temas fundamentais que elevariam a força do presidente e de sua candidata, como são os sucessos dos programas sociais, ficariam em segundo plano. Jobim vê racha na coalisão governamental na jogada fora de propóstico dos seus dois colegas de ministério. Demais.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, vestiu, claro, a camisa dos militares, assumindo a indignação deles contra a estratégia e a tática de Vanuchi e Genro, de tentarem fazer do Programa dos Direitos Humanos bandeira eleitoral, que abre polêmicas sem fim, enquanto os temas fundamentais que elevariam a força do presidente e de sua candidata, como são os sucessos dos programas sociais, ficariam em segundo plano. Jobim vê racha na coalisão governamental na jogada fora de propóstico dos seus dois colegas de ministério. Demais.

O Programa Nacional de Direitos Humanos, agitado nessa hora, é isso aí. Tremenda facada no presidente Lula e em sua candidata, ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, cujo passado de guerrilheira , tornou-se motivo oculto dos militares para buscarem revanchismo besta , que remexidos no caldo de cultura da ignorância e bestialidade tupiniquins podem fazer estragos gerais. Lula, em recente discurso, falou, em tom engrandecido, em sua disposição de sublimar os desentendimentos forjados pela história. Nesse ambiente, o País poderia ter na presidência uma ex-guerrilheira. Por que não? Mas, em meio à disposição inteligentíssima da esquerda de misturar essa alegoria presidencial como a disposição de mexer nos porões da ditadura, o barco começou a balançar, movido, é claro, pelas incompreensões, alimentadas pelos ressentimentos.

O povo está interessado nisso?  Em que, realmente, ele está ligado, no momento em que os candidatos esquentam os tamborins, para atrair as multidões às suas propostas na avenida da eleição que leva às urnas sob o som da batucada da vida?

No que aconteceu nos porões da ditadura militar faz quase 50 anos, com todo o seu rol de indignidades, que estão sendo purgadas pelo tempo, envolvendo personagens trágicos, cujas famílias, inclusive, embora tenham sofrido horrores, acomodaram-se, relativamente, às circunstâncias determinadas pela correlação de forças sociais e econômicas em país onde predomina violenta concentração de renda?

Ou , ao contrário, as preocupações se voltam, justamente, para a remoção histórica dessa injustiça social e econômica em forma de atitudes governamentais concretas, expressas em inclusão social ampla das massas, como são os casos dos programas sociais, como o Minha Casa, Minha Vida, o Bolsa Família, o Luz para Todos etc, que determinaram equilíbrio entre o social e o econômico, responsáveis, por fim, em contribuir para dinamizar o mercado interno e salvar o Brasil da bancarrota capitalista global?

Se a superestrutura jurídica vigente, que dá conformação ao estado burguês nas periferias capitalistas miseráveis, das quais o Brasil, infelizmente, ainda, é parte, não foi capaz de eliminar os horrores que acontecem nas cadeias atuais, nos grandes centros urbanos, por que intensificar, mentalmente, os horrores do passado, se o presente horrorizado está mais vivo do que nunca e deixando os pobres cada vez mais apavorados, diante da confirmação de que as injustiças, os desmandos e a violência patrocinados pelo Estado continuam nas cadeias putrefatas, cheias de presos subjugados em sua dignidade humana?

Será que os que sofrem os horrores de hoje, sempre os pobres, se sensibilizarão com os horrores de ontem, cujas vítimas foram filhos da classe média, no tempo em que o Brasil vivia o milagre econômico, em que os trabalhadores empregados sequer ouviam os gritos dos torturados nos calabouços da ditadura?

Sobretudo, é politicamente inteligente, por parte da esquerda, que encampa campanha de rediscussão sobre os destinos dos torturadores do tempo da ditadura , 1964-1984, , quando os torturadores do Estado continuam, em 2010,  massacrando os miseráveis nas delegacias carentes de infra-estrutura pela multiplicação dos crimes cuja origem, majoritariamente, está na injustiça social crônica nacional? Darci, Darci, ó grande Darci Ribeiro, onde está você!

 

Jogo desnecessário da divisão  

 

A esquerda colocou a bola na marca do penalti para Serra bater, fazendo gol contra Dilma, no momento em que começa a campanha eleitoral, na medida em que em vez de centrar fogo no que soma, aprofundou o que divide, jogando com os adversários. Muita inteligência.
A esquerda colocou a bola na marca do penalti para Serra bater, fazendo gol contra Dilma, no momento em que começa a campanha eleitoral, na medida em que em vez de centrar fogo no que soma, aprofundou o que divide, jogando com os adversários. Muita inteligência.

Os torturadores e os torturados, evidentemente, não devem e não podem ser misturados no mesmo saco, mas se a história brasileira, no tempo e nas circunstâncias possíveis, dadas pela correlação de forças, encontrou uma solução por meio da anistia, mal e porca, por que abrir essa caixa de marimbondo logo no momento em que começa a disputa eleitoral, sabendo que sua discussão extensiva fortalecerá os adversários que buscam brechas para dividir o campo governamental, aparentemente, forte, graças ao prestígio impressionante do presidente da República junto às massas, empenhado em  transferir tal capital para Dilma Rousseff?

De repente a oposição, manchada pelo em vigor neoliberal entreguista, ganhou presente: o Programa Nacional de Direitos Humanos, versão 3, disparado pela presunção dos ministros Tarso Genro, da Justiça, e Paulo Vanuchi, dos Direitos Humanos, na qual o presidente Lula caiu como patinho. Os esquerdistas cutucaram onça com vara curta. Os militares se levantaram(ou seja, podem seus familiares em todo o País desistirem de votar em Dilma, optando pelo seu adversário, o governador de São Paulo, José Serra, se o calor da discussão esquentar para valer); como os militares, levantou, também, a Igreja(as comunidades eclesiais de base, sob a voz da madre, igualmente, podem dar no pé); como a Igreja e os militares, os agricultores, da mesma forma, estão em pé de guerra(milhões deles, inconformados, já viu, né); juntando tudo, a grande mídia aproveita para fazer barulho, porque o Programa de Genro e Vanuchi quer cercear, segundo ela, a liberdade de imprensa.

Os quartéis não aceitam que se faça barulho sobre os torturadores, lembrando que os seus foram, também, assassinados pelos terroristas etc; os agricultores, capitaneados pelo ministro da Agricultura, Reinhold  Stephanes, criticam a emergência repentina de insegurança jurídica que determina diálogo dos agricultores com os que invadem suas terras antes da decisão soberana da justiça; a Igreja, por sua vez, reclama contra a descriminalização do aborto e a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Gays e lésbicas, por sua vez, avalizam o texto governamental. Ou seja, as controvérsias se estendem ao infinito. O editorial do Estadão, muito justamente, pede revogação do Programa, caleidoscópio de temas conflitantes, polêmicos e mal colocados, sobrepujando até mesmo o texto constitucional, assinado, SEM VER, pelo presidente Lula, como este próprio reconheceu. Coisa de louco. Prato cheio para os adversários.

 

Na marca do penalti  

 

Se a campanha governamental pegar a proposta de Requião, do PMDB, aliado do Planalto, em favor do salário mínimo de R$ 780, pago aos trabalhadores paranaenses, estendendo-o a todos os brasileiros, agita positivamente o país, ao contrário da proposta de Genro e Vanuchi que agita negativamente. A primeira soma, a segunda divide. Qual a melhor: a opção nacionalista que avança com a democratização econômica ou a regressista que racha a sociedade?
Se a campanha governamental pegar a proposta de Requião, do PMDB, aliado do Planalto, em favor do salário mínimo de R$ 780, pago aos trabalhadores paranaenses, estendendo-o a todos os brasileiros, agita positivamente o país, ao contrário da proposta de Genro e Vanuchi que agita negativamente. A primeira soma, a segunda divide. Qual a melhor: a opção nacionalista que avança com a democratização econômica ou a regressista que racha a sociedade?

Faria melhor a esquerda se, nessa hora que antecede a grande luta política, que desembocará em outubro, escolhesse poucos pontos, mas vigorosos, para debater, que acabariam unindo militares, igreja, agricultores etc, como , por exemplo, a defesa do salário mínimo de R$ 780 que o governador nacionalista do PMDB do Paraná , Roberto Requião, está pagando aos trabalhadores no Estado, generalizando para todo o País, como ele promete, se candidato do partido, for eleito. Não teria dinheiro? E os 250 bilhões de dólares das reservas cambiais, alojadas no BC, que não rendem nada, não poderiam ser colocadas a serviço da produção, do emprego, do consumo, da arrecadação, que elevam os investimentos, que gerariam novas rendas capazes de sustentar o mínimo em novo patamar histórico? E o aumento do mínimo não geraria, por sua vez, renda disponível para o consumo , que fortaleceria, ainda, mais o mercado interno, como alavanca de Arquimedes, dinamizando a poupança interna etc?  Por que deixar as reservas cambiais paradas a título de segurança nacional, se a verdadeira segurança, como a crise demonstrou, é o bombeamento do mercado interno, com maior poder de compra da população? 

Em vez de concentrar o debate nos pontos fortes do governo que favoreceriam suas pretensões, a esquerda, que está ao lado dele, supostamente, para ajudá-lo, joga merda no ventilador, ampliando o debate para temas fora da órbita popular.

O presidente Lula , que está voltando de férias, nessa segunda feira, terá que dar uma de Getúlio Vargas, ou seja, jogar os assuntos incômodos na gaveta, para mofar um pouco. Se não fizer isso, rapidamente, as propostas de Tarso Genro e  Paulo Vanuchi ganharão foros de crise política. A OAB já pede a cabeça do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que, sob pressão dos militares, tentou, sem sucesso, amenizar o texto do Programa Nacional de Direitos Humanos, tornando-o palatável.

 O caldo está engrossando, desnecessariamente. Se o presidente Lula não agir rápido, o governador José Serra, de São Paulo, abrirá guerra política contra o revanchismo governamental. A esquerda colocou , para ele, a bola na marca do pênalti para detonar Dilma. Acertará?

 

 

Manipulação midiática na Argentina

O pensamento liberal tenta mudar a realidade, invertendo-a de cabeça para baixo, fazendo crer que Redrado protege a bolsa popular, segurando as reservas cambiais no Banco Central, quando, na verdade, se elas ficarem paradas, guardadas, obrigarão Cristina K, que deseja utilizá-las, para pagar dívidas e promover investimentos, à alternativa de aumentar impostos, sangrando a bolsa popular argentina. O bandido, com pinta de artista de roliúde, tenta passar por mocinho, com a ajuda fundamental da grande mídia neoliberal.
O pensamento liberal tenta mudar a realidade, invertendo-a de cabeça para baixo, fazendo crer que Redrado protege a bolsa popular, segurando as reservas cambiais no Banco Central, quando, na verdade, se elas ficarem paradas, guardadas, obrigarão Cristina K, que deseja utilizá-las, para pagar dívidas e promover investimentos, à alternativa de aumentar impostos, sangrando a bolsa popular argentina. O bandido, com pinta de artista de roliúde, tenta passar por mocinho, com a ajuda fundamental da grande mídia neoliberal.

A grande mídia está construindo perfil nacionalista para caracterizar ideologicamente o presidente do Banco Central da Argentina, Martin Redrado , enquanto o seu oposto, ou seja, a presidente Cristina Kirchner, seria anti-nacionalista, contrária aos interesses populares, em relação à questão das transferências das reservas cambiais para fundo financeiro governamental bicentenário, criado para pagar dívida externa, aliviando recursos orçamentários, e promover investimentos internos, descartando, claro, elevação dos impostos.

Destituído do cargo por Cristina K, mediante medida provisória, por resistir à demissão, e restituído ao cargo pela juíza Maria José Sarmiento, sob argumento de que a titular da Casa Rosada agiu de forma inconstitucional, pois a palavra final sobre a questão deve ser dada pelo Congresso, Redrado consegue criar representação de mocinho, enquanto a comandante do poder fica com a pecha de bandida.

O titular do BC portenho vende, com a ajuda fundamental do poder midiático, a idéia de que protege o patrimônio público. Já Cristina K agiria em sentido contrário, tentando torrar as economias populares e não realizar algo que, no Brasil, também, o presidente Lula tenta implementar, ou seja, fundo de investimento público que liquida dívidas e abre espaço aos investimentos públicos.

A teoria midiática, na prática, é outra. O que Redrado quer é simples e, na verdade, anti-nacionalista. As reservas cambiais têm que ficar paradas no BC, rendendo nada, enquanto o pagamento dos juros teria que ser feito não com elas, mas com recursos orçamentários. Cristina não quer jogar os recursos da arrecadação tributária no pagamento do serviço da dívida, para que sobre mais para investimentos produtivos que resultam, claro, em arrecadação e mais investimentos etc. Ao jogar as reservas para pagar dívidas, no Fundo Centenário, criado, recentemente, a presidente as utilizaria para evitar cobrar mais impostos da população. Essa alternativa se torna inevitável, se tiver que pagar a dívida não com as reservas em dólares candidatos à desvalorização na grande crise global, mas com ingressos tributários. A inversão dos propósitos midiáticos fica clara. Ou não?

 

Dólar podre paga dívida podre  

 

Cristina K e Nestor K, ex-presidentes, comandantes do neo-nacionalismo perigonista argentina, estão pagando alto preço por enfrentarem e desarmarem as estruturas neoliberais construídas nos anos de 1990, sob determinação de Washington, para submeter as economias sul-americanas ao arrocho fiscal, monetário e creditício, a fim de ajustarem às decisões imperialistas americanas de elevarem os juros para salvarem os dólares candidatos à desvalorizações no ritmo dos grandes deficits. A grande crise de 2008 não suporta a repetição das doses, mas os neoliberais querem que o sacrificio continue, mas o nacionalismo reage, acossado pela grande mídia.
Cristina K e Nestor K, ex-presidentes, comandantes do neo-nacionalismo perigonista argentina, estão pagando alto preço por enfrentarem e desarmarem as estruturas neoliberais construídas nos anos de 1990, sob determinação de Washington, para submeter as economias sul-americanas ao arrocho fiscal, monetário e creditício, a fim de ajustarem às decisões imperialistas americanas de elevarem os juros para salvarem os dólares candidatos à desvalorizações no ritmo dos grandes deficits. A grande crise de 2008 não suporta a repetição das doses, mas os neoliberais querem que o sacrificio continue, mas o nacionalismo reage, acossado pela grande mídia.

Os dólares acumulados e em processo de depreciação acelerada, por conta dos déficits públicos americanos explosivos, aprofundados na grande crise global, provocam, para quem os detêm, prejuízos crescentes. Não é outra a motivação, por exemplo, dos chineses, de caírem fora da moeda americana, trocando tal ativo desvalorizado por outros ativos mais valorizados, especialmente, nos países emergentes, Brasil, Argentina, Venezuela etc.

Cristina K, portanto, quer que esses ativos desvalorizados paguem as dívidas, antes que tal desvalorização cambial torne o montante de dólar acumulado insuficiente para liquidar seus papagaios externos. Vale dizer, a titular da Casa Rosada atua com inteligência e não como vendilhona da pátria, como tenta fazer crer Redrado, apoiado pela grande mídia. Dólar em desvalorização acelerada pagaria dívida em dólar candidata à valorização sob juro interno alto.

Todos já sabem o óbvio: as reservas cambiais em dólar se transformam, paulatinamente, em mau negócio. Se, com elas, os governos da periferia continuarem comprando títulos da dívida pública interna dos países ricos, o resultado seria tiro no pé. A taxa de juros nos Estados Unidos e na Europa está na casa do zero ou negativa, para não explodir o endividamento governamental, acelerado como estratégia política capaz de salvar o capitalismo da bancarrota financeira.

Se as reservas não forem aplicadas em títulos governamentais no exterior, ficando imobilizadas, sem aplicação, internamente, nos cofres dos bancos centrais, o prejuízo acontece da mesma forma. Afinal, os juros internos, como é o caso brasileiro, por exemplo, estão na casa dos 8,75% ao ano. Na Argentina, em torno de 5%.

Ou seja, não se recebe nada para aplicar no exterior e paga-se juros positivos/extorsivos para dinheiro parado nos cofres do Banco Central. Essa foi a exigência do Consenso de Washington nos anos de 1980 em diante, depois da crise financeira do dólar que levou os Estados Unidos a aumentarem brutalmente os juros e quebrarem, consequentemente, os países endividados.

Se se pega essa grana das reservas e a aplica em desenvolvimento interno, dando utilidade ao que está se caracterizando como inútil ou a utiliza para liquidar papagaio, a indagação passa a ser: quem está , realmente, protegendo o interesse público, Cristina ou Redrado?

 

Inversão dos fatos 

 

A juiza Maria José Sarmiento expressa os pressupostos das determinações legais erguidas pelo Consenso de Washington, nos anos de 1990, na América do Sul, que transformaram os bancos ce ntrais em entidades autônomas, independentes dos governos eleitos, para satisfazerem os interesses dos credores, para que a prioridade das políticas econômicas capitalistas periféricas passasse a ser o pagamento dos serviços da dívida e a não utilização das reservas cambiais para investimentos internos, mas aplicações, apenas, externas. Intervencionismo econômico colonialista.
A juiza Maria José Sarmiento expressa os pressupostos das determinações legais erguidas pelo Consenso de Washington, nos anos de 1990, na América do Sul, que transformaram os bancos ce ntrais em entidades autônomas, independentes dos governos eleitos, para satisfazerem os interesses dos credores, para que a prioridade das políticas econômicas capitalistas periféricas passasse a ser o pagamento dos serviços da dívida e a não utilização das reservas cambiais para investimentos internos, mas aplicações, apenas, externas. Intervencionismo econômico colonialista.

O comportamento dos investidores internacionais não deixa dúvida. Deslocam-se com seus dólares desvalorizados do capitalismo cêntrico, onde estão sob a eutanásia do rentista, para a periferia capitalista, onde os juros estão positivos, para engordar as reservas nacionais, nos Bancos Centrais, onde ficaram paradas, pois, pelo conceito de reservas internacionais em poder dos BCs, sua aplicação não se pode dar no interior das economias nacionais, mas no exterior delas. A grande mídia não questiona esse princípio religioso neoliberal como se fosse verdade eterna.

Coloca-se, dessa forma, dinheiro nas mãos do governo, mas proíbe-o de dar utilidade, senão no sentido estabelecido pelas regras internacionais, ditadas, naturalmente, pelos países ricos. Cristina K tenta romper com essa regra e, naturalmente, recebe carga de chumbo grosso, transformando-se em bandida, enquanto o verdadeiro bandido, a serviço do pensamento neoliberal, que criou o conceito de reservas nos BCs, sai ileso como mocinho, herói nacional.

Na prática, ocorre algo ainda pior para as economias nacionais periféricas: os dólares que entram para formar as reservas, sobrevalorizam as moedas locais, detonando, consequentemente, o poder competitivo das economias receptoras da moeda que caminha para se transformar em papel pintado, no compasso dos explosivos déficits americanos. Dançam as exportações.

Grande favor para os chineses, que, com o yuan desvalorizado, estão exportando horrores, para todos os lados, abrindo espaço para a supremacia comercial da China no século 21.

O jogo de Redrado é manjado e deve ser lido pelo avesso. As palavras, freudianamente, servem para esconder o pensamento. Viva Freud, que ajuda a desnudar motivações ocultas da grande mídia, aliada do neoliberalismo que comanda o BC argentino.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Crise detona independência do BC

Depois de adotar política de comunicação popular, detonando o oligopólio midiático, e reformar a política eleitoral, ampliando a democratização argentina, Cristina Kirchner detona o neoliberalismo monetário do Banco Central, colocando as reservas cambiais a serviço de fundo de investimento para promover o desenvolvimento interno e pagar dívidas, fortalecendo os recursos orçamentários. Ao mesmo tempo, determina principio de que a segurança nacional não se apoia nos dólares acumulados que se desvalorizam, mas no mercado interno que gera poupança interna e arrecadação para o dinamismo econômico nacional sustentável. Efeito tango pode esprairar nos arrais lulistas onde o BC acumula 250 bilhões que dão prejuízo ao país, quando poderiam estar sendo jogados na produção, no emprego, no consumo e nos investimentos públicos.
Depois de adotar política de comunicação popular, detonando o oligopólio midiático, e reformar a política eleitoral, ampliando a democratização argentina, Cristina Kirchner detona o neoliberalismo monetário do Banco Central, colocando as reservas cambiais a serviço de fundo de investimento para promover o desenvolvimento interno e pagar dívidas, fortalecendo os recursos orçamentários. Ao mesmo tempo, determina principio de que a segurança nacional não se apoia nos dólares acumulados que se desvalorizam, mas no mercado interno que gera poupança interna e arrecadação para o dinamismo econômico nacional sustentável. Efeito tango pode esprairar nos arrais lulistas onde o BC acumula 250 bilhões que dão prejuízo ao país, quando poderiam estar sendo jogados na produção, no emprego, no consumo e nos investimentos públicos.

A sorte dos presidentes dos bancos centrais na América do Sul – inclusive a do ministro Henrique Meirelles, presidente do BC brasileiro – ficou abalada, nessa quinta feira, 07, com a decisão da presidente Cristina Kirchner de demitir Martin Redrado, presidente do BC da Argentina, resistente à utilização das reservas cambiais do país para compor fundo financeiro oficial destinado a pagar dívida pública, em vez de lançar mão de recursos orçamentários para esse fim, de modo a sobrar mais dinheiro para os investimentos públicos para dinamizar o consumo interno, a produção e, igualmente, a arrecadação. A decisão da titular da Casa Rosada coloca ponto final no princípio da independência dos bancos centrais, em vigor a partir dos anos de 1990, por imposição dos credores internacionais, como arma para garantir autonomia frente aos governos, que tiveram que se subordinarem às políticas de arrocho fiscal e monetário, para atender prioridades ditadas pelos banqueiros. Tal desfecho político, na Argentina, decorre, em última instância, de mudanças impostas pela grande crise financeira internacional, detonada em 2008, que obrigou os bancos centrais a abandonarem a austeridade monetária  para permitir aos governos ampliarem a política fiscal, elevando os gastos governamentais para salvar o capitalismo, afetado pela implosão especulativa desregulamentada como alternativa capaz de dar sustentação à reprodução capitalista. Tanto nos Estados Unidos como na Europa, os centros dinâmicos do capitalismo, os bancos centrais relaxaram a política monetária, permitindo aos governos ampliarem emissões de dinheiro, para ativar a circulação capitalista. A tarefa passou a ser impedir a paralisação completa das atividades produtivas, cujos resultados representariam ampliação descontrolada da taxa de desemprego e conseqüente destruição das arrecadações tributárias. Ou seja, os governos, sem dinheiro, perderiam sua própria utilidade aos olhos da sociedade. As providências monetárias, que eliminaram, na prática, a autonomia dos bancos centrais frente às necessidades dos governos criaram situações críticas e contraditórias. De um lado, a política monetária mais flexível, ao permitir, igualmente, ampliação dos gastos governamentais, evitou o que poderia ser pior, ou seja, o colapso do capitalismo. Mas, por outro lado, ampliou, consideravelmente, as dívidas dos governos. Estes, para enfrentarem o grande impasse foram obrigados a reduzirem, drasticamente, as taxas de juros. Caso contrário, com o aumento das dívidas, se os juros mantivessem positivos, haveria colapso dos governos super-endividados, algo que ameaça o governo Lula e que se transforma em mote de campanha eleitoral, com o governador de São Paulo, José Serra, já detonando a política monetária praticada por Henrique Meirelles. Ou seja, como o que restou para salvar o sistema capitalista foram os governos, autorizados pelos bancos centrais, mediante políticas monetárias laxistas, a elevarem os gastos inflacionários disfarçados de dívida pública interna, a fim de garantirem a produção, o consumo e o emprego, se, em tal conjuntura, os juros subissem, haveria colapso do endividamento governamental .Configurar-se-ia, em tal ambiente de desastre, corrida contra as moedas, pois o sistema financeiro daria o alarme contra a saúde das finanças governamentais em geral. Na prática, o capitalismo global ficou em sinuca de bico: se correr, aumentando o endividamento, o bicho pega; se ficar, elevando os juros, para enxugar a liquidez inflacionária crescente, o bicho come.

Reservas para investimento

O provável candidato do PSDB, governador José Serra, já ataca fortemente a política monetária do governo, que sustenta juros absurdos, que atraem dólares em processo de desvalorização, acumulando reservas que não rendem nada , ao mesmo tempo em que prejudicam a indústria nacional, sucateando emprego, renda, consumo e arrecadação. A campanha eleitoral tem o BC como alvo preferencial de ataque.
O provável candidato do PSDB, governador José Serra, já ataca fortemente a política monetária do governo, que sustenta juros absurdos, que atraem dólares em processo de desvalorização, acumulando reservas que não rendem nada , ao mesmo tempo em que prejudicam a indústria nacional, sucateando emprego, renda, consumo e arrecadação. A campanha eleitoral tem o BC como alvo preferencial de ataque.

Em ocasiões anteriores, os governos, como foi o caso do dos Estados Unidos, na crise monetária dos anos de 1980, elevavam a taxa de juros para evitar excesso de moeda na praça e conseqüente desvalorização do dinheiro. Transferiam, sempre, o pepino para o lombo da periferia capitalista, estabelecendo regras como as constantes do Consenso de Washington, que norteou os governos da Nova República no Brasil, arrochando os salários, em nome do combate à inflação. Tudo para sobrar mais dinheiro para o pagamento dos juros das dívidas externas e internas que se transformaram em dívidas externas internalizadas.  Na crise atual, como destacou o mega-especulador George Soros, em artigo pessimista, a possibilidade de elevação dos juros tornou-se mais perigosa, porque o excesso de dívidas transformou-se no empecilho real a tal alternativa. Os governos capitalistas periféricos emergentes, como os do Brasil e da Argentina, obrigados, pelo Consenso de Washington, a alinharem seus bancos centrais às determinações dos credores, partiram para a acumulação de reservas, como forma de segurarem as crises monetárias recorrentes, ao mesmo tempo em que fixaram câmbio flutuante, metas inflacionárias e superávits elevados. A sustentação dessa política se fez à custa dos baixos crescimentos das economias. Contudo, com a explosão da grande bancarrota financeira dos Estados Unidos, em 2008, tudo virou de pernas para o ar. Para buscar alternativa ao conceito da formação de reservas, que, essencialmente, significaria segurança contra marés financeiras e monetárias negativas, os governos emergentes, no compasso da desaceleração das economias, buscaram a segurança não mais na formação das reservas, mas no incremento do mercado interno, para sobreviveram às incertezas externas. Estas se ampliaram, especialmente, no compasso da desvalorização do dólar, acelerada pela ação, principalmente, da China, que, cheia de moeda americana em seus cofres, passou a inundar o mercado global de mercadorias baratas, colocando em risco as exportações dos países emergentes em geral. Nesse contexto, o conceito de reservas cambiais começou a mudar. Os governos utilizavam as reservas cambiais para comprar títulos da dívida pública dos países ricos, ou seja, financiavam a dívida deles e não o desenvolvimento interno. Como os juros, na Europa e nos Estados Unidos, estão negativos, configurando a eutanásia do rentista, e os investidores internacionais passaram a fugir do ativo dólar em desvalorização para comprar ativos mais seguros, principalmente, nos países emergentes, como Brasil e Argentina, para não perderem dinheiro, tornou-se, evidentemente, mau negócio manter elevadas reservas em dólar. Estas não rendem mais nada se aplicadas no exterior, sob juro negativo, enquanto, internamente, exigem remuneração sob juros altamente positivos, como no caso brasileiro, para serem guardadas como garantia soberana. Que soberania?

Monetarismo dança 

Dilma Rousseff, se presidente eleita, com a força de Lula,  sustentará a política monetária do ministro Meirelles, do BC, de manter juro alto que atrai dólar que forma reserva sem rendimento, ou colocará essa montanha de dinheiro sem utilidade para ser útil no desenvolvimento no fundo financeiro criado pelo ministro da Fazenda , Guido Mantega, como fez, na Argentina, Cristina Kirchner?
Dilma Rousseff, se presidente eleita, com a força de Lula, sustentará a política monetária do ministro Meirelles, do BC, de manter juro alto que atrai dólar que forma reserva sem rendimento, ou colocará essa montanha de dinheiro sem utilidade para ser útil no desenvolvimento no fundo financeiro criado pelo ministro da Fazenda , Guido Mantega, como fez, na Argentina, Cristina Kirchner?

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula a sua sucessão, terá, nos próximos dias, de responder ao ataque de José Serra à estratégia do ministro Meirelles, no comando do BC, sob pena de perder a batalha política em torno da questão financeira nacional, abalada pelos juros altos. Tanto na Argentina como no Brasil, aumentou o questionamento quanto à utilização dos dólares guardados sem serventia. Eles deixam de se constituírem garantias reais, em face da desvalorização, enquanto a verdadeira segurança passa a ser o fortalecimento do mercado interno, por meio do incentivo ao consumo, em face da produção afetada pela crise, cujo resultado benéfico, para os governos, é o aumento da arrecadação, com a qual garante novos investimentos públicos. Mas, como sustentar essa lógica, indaga Serra, com os juros altos meirellianos?  A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, nesse novo ambiente, em que as reservas em dólares se tornam candidatas à desvalorização, criou fundo de investimento, tanto para pagar as dívidas como para alavancar o desenvolvimento interno, sob argumento de que virou melhor negócio apostar nos gastos do governo, para aquecer a economia, do que manter dólares em escala incontrolável de desvalorização, elevando os custos de manutenção deles em face dos juros positivos internos como resultado das pressões inflacionárias. Melhor pagar a dívida com moeda que se desvaloriza do que mantê-la guardada pagando juro alto por tal falsa segurança. O presidente do Banco Central argentino, Martin Redrado, resistiu à transferência de 6,5 bilhões de dólares de um total de 45 bilhões de dólares das reservas cambiais argentinas, para formação desse fundo financeiro, por meio do qual a titular da Casa Rosada negociaria escalonamento do pagamento de dívidas externas no valor de 20 bilhões de dólares. Pretendia, dessa forma, flexibilizar as resistências dos credores a reabrirem negociações com o governo, complicadas, desde 2002, quando os pagamentos foram suspensos. O pau quebrou entre a Casa Rosada e o BC. Redrado dançou. Cristina Kirchner, em golpe de mão, via decreto legislativo, mandou bala, abrindo crise institucional, em ambiente congressual, no qual perdeu maioria, nas últimas eleições legislativas, em junho de 2009. A tensão, portanto, vai continuar, mas a autonomia do BC, tanto na Argentina, como no resto da América do Sul, inclusive, no Brasil, passa a ser, amplamente, contestada, no que diz respeito à utilização das reservas cambiais. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, como ocorre na Argentina, criou, aqui, fundo semelhante ao que a presidente Cristina Kirchner montou, para pagar tanto as dívidas como para ampliar investimentos públicos.  A verdadeira segurança deixa de ser os dólares, para dar espaço ao conceito de que a poupança interna real se adquire por meio do bombeamento do mercado interno. Em ano eleitoral esse argumento teria força para emplacar ou não?