Dilma-Ciro une Norte-Nordeste ao Sul-Sudeste

A utilidade de Ciro para ajudar Dilma a chegar ao Planalto pode se dar tanto com ele disputando o Planalto, como demonstrou a pesquisa Sensus, como disputando a vice ao lado dela, pois poderia, nessa condição, arrebanhar os nordestinos que estão no Nordeste e Norte, como os que estão no Sul e Sudeste, algo que nem o deputado Michel Temer nem o presidente do Banco Central, ministro Henrique Meirelles, homens de gabinete, sem cheiro de povo, poderiam fazer, como peemedebistas. Nem por isso o PMDB deixaria de mandar no poder, como a realidade sob Lula-Alencar demonstra.
A utilidade de Ciro para ajudar Dilma a chegar ao Planalto pode se dar tanto com ele disputando o Planalto, como demonstrou a pesquisa Sensus, como disputando a vice ao lado dela, pois poderia, nessa condição, arrebanhar os nordestinos que estão no Nordeste e Norte, como os que estão no Sul e Sudeste, algo que nem o deputado Michel Temer nem o presidente do Banco Central, ministro Henrique Meirelles, homens de gabinete, sem cheiro de povo, poderiam fazer, como peemedebistas. Nem por isso o PMDB deixaria de mandar no poder, como a realidade sob Lula-Alencar demonstra.

O presidente Lula adquiriu, depois de oito anos de poder, ampliando os programas sociais, que salvaram o capitalismo nacional da bancarrota, ao garantirem aos capitalistas consumo interno suficiente, para combater a histórica insuficiência crônica de demanda nacional, a capacidade de unir o país em torno da unanimidade popular lulista. Se fosse candidato para disputar terceiro mandato, seria, claramente, imbatível. Mas, como, constitucionalmente, não pode, a candidata que deseja ungir precisaria repetir sua façanha, isto é, unir o país como ele uniu, conferindo-lhe mais de 80% de popularidade. Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, nascida em Minas Gerais, mas com sua vida desenvolvida no Rio Grande do Sul, tem capacidade de unir o Norte-Nordeste ao Sul-Sudeste, para repetir a glória política lulista, sem que tenha enfrentado em sua vida as urnas? Claramente, difícil. Como ela iria alcançar esse objetivo, que é fundamental, para que possa chegar à vitória?

O deputado Michel Temer, PMDB, SP, teria bala para ser aquele com quem ela garantiria a união geográfico-político-eleitoral-nacional, sabendo que, conforme ele mesmo disse em entrevista ao Valor Econômico, não é político para sair atrás de voto, sujando o sapato, para agregar valor? O temor dos petistas quanto a isso é compreensível. Temer é o homem da academia política, das articulações de gabinete, sem cheiro de povo. Seria candidato paulista que não tem pé no Nordeste, que requer representante na chapa presidencial, inquestionavelmente. Não foi isso que Lula representou, saindo de São Paulo, para empolgar os nordestinos no próprio Nordeste, por ser de lá? Uniu o país sendo paulista de adoção e nordestino de nascimento. O titular da Câmara, com sua fleugma de diplomata internacional, que nunca subiu no lombo de um jeque seria o personagem ideal para atrair os nordestinos, unindo, simbolicamente, na chapa de Dilma o Brasil do Sul e Sudeste ao Brasil do Norte e Nordeste? Ou vice não tem importância nenhuma?

Tirando Temer e colocando no lugar dele o presidente do Banco Central, ministro Henrique Meirelles, PMDB, Goiás, é possível promover a união nacional da qual Dilma precisa para chegar lá? Meirelles, pelo que se nota na sua agenda, não teria ido nunca,enquanto presidente do Banco Central, ao Piauí, ao Maranhão, à Paraíba etc. Já nas grandes praças internacionais está sempre presente, dado o cargo que ocupa. Tornou-se presidente do Banco Internacional de Compensações, o famoso BIS, meio falido nesse tempo de crise, sem precisar ir ao Nordeste nem no Norte, pois nesses dois lugares não necessitaria pedir votos. Conseguiu com votos de gabinente ascender-se a esse posto espetacular, como homem de confiança da banca internacional. Portanto, dificilmente, Meirelles seria o homem capaz de agregar valor a Dilma como fator de união geográfico-política no território nacional, sendo ele homem mais do mundo do que de Goiás, onde , ainda, não conseguiu unidade para sair candidato ao governo estadual, embora tenha articulado nesse sentido, como destacam os noticiários da imprensa goiana.

Se nem Temer nem Meirelles, como representantes do PMDB, agregariam valor a Dilma, eleitoralmente, falando, por serem expressões de cúpulas políticas, sem cheiro de povo, ambientando-se no mundo das articulações dos bastidores, tanto no plano nacional, Temer, como no internacional, Meirelles, quem, como aliado forte da base governista, teria condições de exercer o papel de peão na relação Norte-Nordeste com Sul-Sudeste, de modo a se tornar o agregador geral de valor a Dilma, com o bastião do presidente Lula comandando a orquestra eleitoral? Evidencia-se que são dois candidatos fracos como agregadores , o que configura inexistência dentro do PMDB de um nome nacional forte, que uniria o partido. Há Roberto Requião, governador nacionalista do Paraná, mas sequer une o partido. O deputado Ciro Gomes, PSB, Ceará, que tem pé no Nordeste e em São Paulo, poderia estar nesse páreo? A história da campanha eleitoral de 2010 estaria sendo escrita nesse sentido ou não?

Vejamos. Lula induziu Ciro a largar o Nordeste para tentar fazê-lo candidato ao governo de São Paulo. Ou à presidência, para enfraquecer Serra? Paulista de nascimento e nordestino por adoção – ou seja, trajetória oposta à de Lula – , filho de pais do Nordeste, fez carreira na antiga Arena militarista conservadora, para depois galgar outras agremiações centristas e de centro-esquerda, fazendo discurso anti-neoliberal, na contra-corrente da dominação neoliberal neorepublicana, herdeira das dívidas deixadas pelos militares, que se afogaram na grande crise monetária dos anos de 1980. Chegou, depois de idas e vindas, nas quais conquistou o posto de governador do Ceará, destacando-se como geração renovadora, que removeu o poder dos velhos coronéis, ao prestígio político que o credenciou a transformar os olhares de Lula na possibilidade de fazê-lo governador de São Paulo. Ou presidente? Ciro teria pretensões maiores, ou seja, galgar à presidência da República. O titular do Planalto navegou nas pretensões de Ciro, para o bem e para o mal, acabando por levá-lo a transferir seu título eleitoral do Ceará para São Paulo. Pulo no abismo ou no imponderável?

A missão cirista, do ponto de vista lulista, seria disputar o Palácio dos Bandeirantes, desgastando o governador José Serra, a fim de abrir espaço para Dilma. Mas, Ciro tinha outra idéia. Sairia candidato ao Planalto para levar a eleição ao segundo turno, detonando Serra. As pesquisas eleitorais indicam a utilidade do seu pensamento estratégio para fragilizar Serra, mas, nesse rítmo, o Planalto teme que ele divida as forças governistas, fazendo repetir, no Brasil, o que acaba de acontecer no Chile. Lá, com as forças oficiais rachadas, a oposição levou. Levaria no Brasil? Ciro, apertado pelas forças governistas a desistir da candidatura presidencial, como não quer Lula, para que abrace a candidatura estadual, como deseja o titular do Planalto, joga na sua teimosia. O filósofo Tomio Kikuchi destaca que santos são os cabeças verdadeiramente duras, que insistem em suas possibilidades, conscientes de que na individualidade se encontra o universal e vice-versa. São Ciro?

O fato é que o candidato do PSB se abre para as amplas possibilidades. Demonstra, segundo as pesquisas, dispor de voto e, igualmente, significa nome que atrai tanto os nordestinos que estão no Nordeste, como os nordestinos que estão no Sul e Sudeste, especialmente, em São Paulo. Nessa condição especial, representaria, com vantagem, a companhia que Dilma necessitaria para unir política e geograficamente o país como consenso representativo das forças governistas em busca da união almejada pela coalizão governamental. Mas, e o PMDB, que quer a vice-presidência, para mandar no poder? Convenhamos, seria indispensável aos peemedebistas dispor da vice para, realmente, mandar no poder?

A realidade atual, sob Lula, demonstra, claramente, ser dispensável. O vice de Lula, José Alencar Gomes da Silva, não é do PMDB e nem por isso o PMDB deixou de mandar, e mandar muito. Não se faz nada no país sem o PMDB. Precisaria que o partido alcançasse a vice-presidência, para que essa evidência acontecesse? Evidentemente, a história está demonstrando que não. Se o PMDB continuar, por exemplo, dando as cartas no Congresso, na Câmara e no Senado, como rola , hoje, em que a parte conservadora peemedebista reina, o poder continuaria, claro, com o PMDB. Haveria possibilidade, com o novo governo Dilma, se eleita, de governabilidade efetiva sem os peemedebistas no comando do legislativo, salvo se não conquistarem maioria parlamentar? Claramente, não.

Dessa forma, aos próprios peemedebistas interessariam que o vice de Dilma viesse a agregar valor político-eleitoral a ela, para que as bases do partido alcançasse sucesso nas urnas. Alcançariam com Temer? Com Meirelles? Sendo Ciro Gomes homem do Nordeste, que pode empolgar tanto os nordestinos que lá estão como os que vieram de lá para o Sul e Sudeste, com destaque para São Paulo, as chances de agregação de valor político eleitoral seriam, teoricamente, maiores. Certamente Ciro, se vice de Dilma, não seria, apenas, um candidato do Sul-Sudeste na chapa de uma sulista, mas um nordestino que, nascido no sul, traria o Norte e o Nordeste para uma composição geral em favor das forças governistas.

Como ele não quer saber de candidatura ao governo de São Paulo, porque os petistas, principalmente, estão barrando-o, dados os interesses em jogo, e insiste em sair candidato ao Palácio do Planalto, conferindo utilidade à candidatura de Dilma, no sentido de garanti-la ao segundo turno, destronando Serra, que, sem ele, poderia faturar no primeiro turno, como demonstrou pesquisa Sensus, a possibilidade de o presidente Lula emplacar a união das forças governisas, evitando duas candidaturas, para dar caráter plebiscitário ao pleito, somente ocorreria se levasse a Ciro a proposta da vice.

O PMDB chiaria, exigiria poder etc, mas poderia concordar, principalmente, se , nas próximas pesquisas, Dilma continuar subindo, sem que haja força impulsionadora do PMDB para isso. Afinal, sem dispor de candidato popular, com amplo trânsito nacional, mas de coronèis, manchados pela pecha da corrupção, que pesa, negativamente, o pmdb mandaria sem precisar nem da presidência nem da vice-presidência, como evidencia a realidade  sob Lula-Alencar.

Colapso da reprodução capitalista

As representações fantasiosas que o capital criou ao longo do século 20 para preencher o imaginário inconsciente dos povos dos países ricos, pobres e remediados, como os onipotentes gerais, estão, na grande crise, mostrando o seu oposto, o fracasso. Obama tenta reviver o mito do homem aranha para tentar salvar a pátria do capitalismo, mas os déficits explodiram e os banqueiros, que estão quebrados, no colo do Estado, encontram-se entre a fogueira e o abismo. Quem vai tirá-los da UTI, se o homem aranha está recebendo transfusão de sangue à beira do túmulo?
As representações fantasiosas que o capital criou ao longo do século 20 para preencher o imaginário inconsciente dos povos dos países ricos, pobres e remediados, como os onipotentes gerais, estão, na grande crise, mostrando o seu oposto, o fracasso. Obama tenta reviver o mito do homem aranha para tentar salvar a pátria do capitalismo, mas os déficits explodiram e os banqueiros, que estão quebrados, no colo do Estado, encontram-se entre a fogueira e o abismo. Quem vai tirá-los da UTI, se o homem aranha está recebendo transfusão de sangue à beira do túmulo?

O grande gargalo do capitalismo, no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, veste a fantasia do HOMEM ARANHA – para tentar salvar o povo do ataque dos banqueiros, sanguessugas da era moderna, no tempo da moeda virtual, sem lastro, livre, leve e solta, auto-multiplicadora – é conseguir outra forma de reprodução  do capital, para que o barco não afunde de vez.

A bancarrota financeira demonstrou que a reprodução na especulação encontrou os seus limites. O capital sobreacumulado em mais de 600 trilhões, em escala global, por conta dos derivativos que intoxicaram geral a circulação capitalista,não teria mais como se reproduzir na produção, no consumo, no trabalho medido pelo tempo, ou seja, pela forma tradicional de geração de riqueza.

Se os banqueiros, liberados pelos governos, os verdadeiros inflacionistas do capital, criaram a genial forma de produzir dinheiro sem o concurso do trabalho, multiplicando-o ao largo da produção, do emprego e do consumo, ou seja, do próprio modo de produção capitalista, na esfera da financeirização do capital, como seria possível, sem uma implosão, geral retornar ao útero materno do sistema, para busc ar a sua reprodução nas relações sociais conflitivas entre capital e trabalho que já haviam sido implodidas em 1929?

A atual crise é um encavalamento geral de crise, do capital comercial, do capital industrial e do capital financeiro. Cada qual , sendo parte de um todo orgânico em movimento, compõe o universal bichado, estilhaçado pelos déficits públicos.

A antevisão leninista do fracasso da financeirização econômica global que emergiu no início do século 20, com a união dos grandes bancos com os grandes conglomerados econômicos, para dominar o mundo, via guerras coloniais de conquistas, evidencia-se de forma cristalinha na grande crise global, que põe termo à reprodução capitalista ampliada na especulação e abre espaço para a crítica socialista em favor da reorganização da produção e do consumo pela centralização estatal do crédito, como já se verifica na China, misto de ditadura política com d emocracia econômica, ampliando nova etapa histórica global, no rastro da decadência americana e européia.
A antevisão leninista do fracasso da financeirização econômica global que emergiu no início do século 20, com a união dos grandes bancos com os grandes conglomerados econômicos, para dominar o mundo, via guerras coloniais de conquistas, evidencia-se de forma cristalinha na grande crise global, que põe termo à reprodução capitalista ampliada na especulação e abre espaço para a crítica socialista em favor da reorganização da produção e do consumo pela centralização estatal do crédito, como já se verifica na China, misto de ditadura política com d emocracia econômica, ampliando nova etapa histórica global, no rastro da decadência americana e européia.

A alternativa que se criou para tirar o capitalismo do crash de 29 não serve mais. A financeirização econômica global, tocada pela característica essencial do sistema descrito por Lenin, de forma genial, em “O imperialismo, fase superior do capitalismo”, 1917, leitura atualíssima, em que a circulação global do capital passa a ser tocada pelos oligopólios, sustentados pelos bancos , que, por sua vez, rolam as dívidas dos governos, que, com seus gastos, puxam a demanda global, na economia de guerra, depois do segundo grande conflito mundial, do qual o dólar saiu como moeda equivalente geral das trocas globais, é uma página da história, virada em 2008.

A fragilidade da economia dos países ricos, Estados Unidos, Europa e Japão, diante de déficits monumentais, indica que a forma de reprodução do capital via endividamento público, que cresceu, dialeticamente, no lugar da inflação, pode, no ambiente de tensão global, produzir processo inflacionário exponencial. A crise de 29 decorreu da deflação exponencial. A de 2008 pode ser expressa pelo oposto,  inflação exponencial. A inflação entrou em cena para salvar o capital sobreacumulado em crise em 29. Ali, o mecanismo de reprodução esgotara. Fora necessário, como disse Keynes, romper com o padrão ouro, a relíquia bárbara, para abrir espaço ao papel moeda inconversível emitido sem lastro pelos governos. Agora, em 2008, a solução virou problema. Emerge a negação da negação. 

Negação da negação

A bancarrota está expressa nos números. Depois de perder impulso para dinamizar as forças produtivas, o capitalismo perde pique, também, para dinamizar as forças destrutivas, que estava oxigenando geral a economia mundial ao longo de todo o século 20. Com os governos ricos impossibilitados de bombar seus deficits, o que resta é o perigo iminente de corridas especulativas contra as moedas, que, segundo Lenin, são favoráveis à impulsão do movimento socialista internacional.

Marx já tinha visto o negócio em 1865. Sob contradições insanáveis, o capitalismo, segundo ele, desenvolveria as forças produtivas, entraria em senilidade e passaria a desenvolver as forças destrutivas, na guerra, bombada pela moeda-papel, como fizeram os Estados Unidos.

“Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala necessária capaz de fazer valer minha tese – a do pleno emprego – salvo em condições de guerra. Se os Estados Unidos se insensibilizarem para a preparação das armas, aprenderão a conhecer sua própria força”, escreveu Keynes em 1944, no New Republic, conforme destaca Lauro Campos em “A crise da ideologia keynesiana”, prefaciado por Edmar Bacha.

Ou seja, o âmago da macroeconomia capitalista, depois que o capitalismo entra na senilidade,  é a guerra, isto é, as forças destrutivas, para tirar do atoleiro as forças produtivas, que foram para o vinagre no crash de 29.

Na guerra, a moeda não é mais a do século 19, a moeda ouro, mas a moeda estatal, virtual, deslastreada. A burguesia, então, eliminara a moeda monárquica que os reis controlavam para explorar os burgueses, via equilibrismo orçamentário, ancorado na economia clássica.

Com a guerra, bancada pela moeda estatal, a burguesia domina o poder estatal, emitindo sua própria moeda. Por que teria que subordinar-se aos controles anteriormente determinados pelo padrão-ouro, se havia destronado a m oeda monárquica equilibrista?

O Estado é capital. Os governos contratam os bancos sob regime de concessão para fazerem circular o dinheiro que ele emite. Com uma mão, joga dinheiro na circulação; com a outra, joga papel, para enxugar parte da circulação monetária, para evitar enchente inflacionária. O mecanismo funcional durante todo o século 20. Entrou em crise a partir dos anos de 1970. Implodiu, finalmente, na primeira década do século 21, em 2008. O buraco negro está aberto. A Grécia está sendo tragada. Outros – Portugal, Espanha, Irlanda etc –  estão na fila. Até quando a moeda européia garantirá os falidos graças aos esforços dos não-falidos, ainda – Alemanha, França, Inglaterra, Itália etc?

Os exércitos imperialistas de Roma marcharam com o dinheiro de Crasso, o banqueiro romano famoso. O imperialista Tio Sam marcharia, no século 20, também, comandando a NOVA ROMA, com o dinheiro de Rockfeller, Morgan etc, assim como, no século 19, o imperialismo inglês marchou com a grana de Rothschild, Baring etc, como destaca Anthony Sampson, em  “Os credores do mundo – Os banqueiros internacionais que financiam a dívida externa”(Record, 1981).

O fôlego capitalista keynesiano-malthusiano seria diretamente proporcional à capacidade de endividamento dos governos. As bolhas financeiras que levaram à crise bombástica de 2008, centenas de vezes mais potentes que a crise de 1929, demonstraram o limite dessa capacidade. Sobretudo, demonstrou não ser ela infinita, mas , perfeitamente, finita.

O colapso da moeda estatal viria , segundo Marx, com a implosão dos deficits para sustentar o desenvolvimento das forças destrutivas, depois que as forças produtivas deixassem, como deixou a partir da crise de 1929, de dinamizar o capitalismo. A bancarrota de 2008 segue o corolário descrito pelo autor de O Capital com tanta riqueza de detalhe que evidencia o relaxo geral de como as forças do capital não se precaveram contra sua própria derrocada. O egoísmo não tem limites.
O colapso da moeda estatal viria , segundo Marx, com a implosão dos deficits para sustentar o desenvolvimento das forças destrutivas, depois que as forças produtivas deixassem, como deixou a partir da crise de 1929, de dinamizar o capitalismo. A bancarrota de 2008 segue o corolário descrito pelo autor de O Capital com tanta riqueza de detalhe que evidencia o relaxo geral de como as forças do capital não se precaveram contra sua própria derrocada. O egoísmo não tem limites.

O colosso americano, depois de dinamizar as forças destrutivas, na guerra, perde o fôlego para continuar rodando a máquina de fazer dinheiro, para ser o instrumento de dinamização e reprodução ampliada do capital, durante o decorrer do século 21. O grito do velho leão sem dentes foi dado por Barack Obama no discurso da União, semana passada, quando disse que os Estados Unidos não aceitarão o segundo lugar no concerto das nações. Mas, na reunião de Davos, os chineses, credores de Tio Sam, esnobaram o titular da Casa Branca.

O freio de Obama nos bancos é, na prática, uma tarefa de pegar bode expiatório> Os banqueiros nada mais fizeram do que praticar a ginástica de reciclar a montanha de dinheiro que o governo emitia em forma de títulos para monetizar a indústria bélica e espacial, isto é, desenvolver as forças destrutivas, para sustentar as forças produtivas, visto que estas, sob capitalismo tradicional do lassair faire, deixou de acumular capital, entrando na onda deflacionária. Ao contrário, passou a destruir, via deflação, o capital e o emprego.

Não haveria, sob o domínio das forças produtivas em colapso, como segurar o socialismo em face da bancarrota capitalista de 1929. Em Moscou, Keynes, em 1919, assombrou-se quando ouviu Lenin dizer que a decadência deflacionária que destrói as moedas representa maior fator de propaganda para o avanço do socialismo internacional. Destacou a pregação leninista como sutiliza de gênio.

O colapso das forças produtivas, portanto, a história já mostrou, como descreveu, genialmente, o autor de O Capital. O que se vê, agora, no pós-2008, é a destruição das forças destrutivas. A negação é negada. 

Inflação e deflação

Pode pintar com o dólar o que ocorreu com o marco alemão na República de Weimar, se os deficits explodirem geral, levando a uma desvalorização monetária que jogaria o capitalismo no buraco, abrindo espaço para ressurreição do socialismo ou do fascismo em meio às taxas de desemprego que avançam incontrolavelmente?
Pode pintar com o dólar o que ocorreu com o marco alemão na República de Weimar, se os deficits explodirem geral, levando a uma desvalorização monetária que jogaria o capitalismo no buraco, abrindo espaço para ressurreição do socialismo ou do fascismo em meio às taxas de desemprego que avançam incontrolavelmente?

A relação capital-trabalho, sob regime de busca de lucro, como a histórica demonstrou, produziu, largamente, contradição insanável. De um lado, gerou sobreacumulação de capital,  de outro, insuficiência crônica de demanda de manda . Emergiu gap histórico social entre produção e consumo em que o consumo não se realiza totalmente na produção. Afinal, o valor que o assalariado produz com o seu trabalho em forma de mercadoria é sempre inferior ao valor que recebe em forma de salário. A totalidade do primeiro valor não é destruída pela totalidade do segundo valor. Sobra mercadoria, avolumam-se os excedentes. A tendência natural do sistema é caminhar-se, resolutamente, como disse Malthus, para a deflação.

Keynes disse que a crise de 1929, substancialmente, decorreu da sobreacumulação de capital nos Estados Unidos e na Inglaterra. As forças produtivas, quanto mais se desenvolvem, no compasso da ciência e da tecnologia, mais insuficiência crônica relativa de consumo global produz, sinalizando impossibilidade de realização da produção no consumo.

Por isso é que o presidente Lula faz sucesso. Bastou ele reduz um pouco essa insuficiência consumista, para abrir um véu  capaz de desmentir a falsidade ideológica neoliberal da qual os banqueiros brasileiros, nesse instante, lançam mão , a de que a inflação decorre do excesso de demanda, quando se verificou , justamente,  o contrário, na grande crise.

O aumento relativo do consumo valorizou a moeda e baixou a inflação. Não é o excesso de consumo, mas a escassez relativa dele que destrói as forças produtivas.

A implosão dos deficits públicos é o sinal da decadência da solução keynesiana que funcionou para dinamizar a economia de guerra mas que com o excessivo endividamento estatal em todo o mundo, implodido na grande crise de 2008, deixa de ser funcional. A solução virou problema. Tudo que é sólido desmancha no ar.
A implosão dos deficits públicos é o sinal da decadência da solução keynesiana que funcionou para dinamizar a economia de guerra mas que com o excessivo endividamento estatal em todo o mundo, implodido na grande crise de 2008, deixa de ser funcional. A solução virou problema. Tudo que é sólido desmancha no ar.

Marx concluiu o óbvio, que quando as relações sociais estreitas estabelecidas pela produção entram em choque com as forças produtivas, largas, bombadas pelo avanço científico e tecnológico, responsável por ampliar exponencialmente a produtividade,  abrem-se tempos revolucionários etc. O desemprego nos Estados Unidos e na Europa, que apontam para estagnação econômica nos próximos dez anos, é o germe dos novos movimentos revolucionários, agora, emergentes no capitalismo cêntrico, já que na periferia, a situação , embora ruim, não é explosiva, por obra dos gastos governamentais em programas sociais, para diminuir a pressão decorrente da insuficiência consumista, como solução para o próprio capital.

O dilema que a decisão de Barack Obama cria é o de saber se o freio à reprodução do capital na escala financeira abre espaço para que a reprodução em larga escala, necessária ao montante de  capital sobreacumulado , na esfera global, seja possível na produção.  

Certamente, sob as relações sociais capitalistas é impossível, como demonstrou a crise de 1929. O que se verifica na grande crise de 2008 é a deflação não mais da produção, da economia real, mas da destruição, da economia irreal, virtual. Os déficits governamentais que alavancaram a inflação escondida nas dívidas para tirar o capitalismo da crise, agora, se expressam em tensões deflacionárias e inflacionárias ao mesmo tempo.

Neo-imperalismo estatal salva país e abala banqueiro na crise mundial

Os banqueiros privados lutam para colocar o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, como vice-presidente na chapa de Dilma. Teriam um pezinho(ou pezão?) nas decisões nacionalistas que estão em marcha sob comando lulista, que favorecem amplamente o setor financeiro estatal. Querem participar da herança que será tocada por Dilma, caso seja eleita, possibilidade sinalizada pelas últimas pesquisas, em que ela avança sobre Serra. Mas, seria Serra adversário ou aliado dos bancos no cenário em que prega política monetária que sustenta juro mais baixo e garanta resistência industrial contra o perigo de sucateamento em marcha via cambio sobrevalorizado diante da China com moeda sobredesvalorizada? Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come? E Michel Temer, como é que fica?
Os banqueiros privados lutam para colocar o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, como vice-presidente na chapa de Dilma. Teriam um pezinho(ou pezão?) nas decisões nacionalistas que estão em marcha sob comando lulista, que favorecem amplamente o setor financeiro estatal. Querem participar da herança que será tocada por Dilma, caso seja eleita, possibilidade sinalizada pelas últimas pesquisas, em que ela avança sobre Serra. Mas, seria Serra adversário ou aliado dos bancos no cenário em que prega política monetária que sustenta juro mais baixo e garanta resistência industrial contra o perigo de sucateamento em marcha via cambio sobrevalorizado diante da China com moeda sobredesvalorizada? Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come? E Michel Temer, como é que fica?

Os banqueiros entram no ano eleitoral seguros da máxima de que quem tem cutuvelo tem medo. Os movimentos do Estado, durante a crise mundial, criaram outra conjuntura. Os bancos estatais brasileiros, por exemplo, entraram na economia para valer. Substituíram, com o aval do Estado, o medo dos banqueiros privados. Estes, viciados em ganhar sem trabalhar, preferencialmente, jogando nos títulos do governo, faturando no juro alto, correram do pau. O presidente Lula, no auge da bancarrota financeira americana e européia de 2008, convocou-os para a grande batalha contra o perigo da recessão. Fugiram na hora H. Foram convocados os bancos estatais. O Banco do Brasil, o BNDES e a Caixa Econômica Federal incrementaram suas atividades, para reforçarem o caráter de ser o braço financeiro estatal. Deu resultado e ameaça criar cultura. Esse braço é longo. Os bancos privados já sentem o poder da gravata dura do braço estatal. Em 2009, os lucros dos bancos estatais foram maiores dos que os dos privados.  E essa onda promete continuar em 2010.

 Não apenas avançam os bancos estatais sobre o mercado financeiro, mas, sobretudo, no plano empresarial, girando grandes parcerias, com o aval do Estado, eles passam a participar e envolver-se numa nova jogada capitalista nacionalista sob comando estatal. Os banqueiros privadas deixaram, em outros momentos favoráveis, o cavalo passar arriado. Não entraram nas grandes jogadas multinacionais, aliando-se aos grandes grupos privados nacionais, para atacar o mercado financeiro. Por que não fizeram o que o governo faz agora com a Companhia Vale do Rio Doce, utilizando-se da condição de acionista majoritário, por meio dos fundos de pensão estatais, para realizar dobradinhas econômicas trilhonárias? As minas de fosfato e de potássio da multinacional privada Bunge foram adquiridas pela Vale sob toque do governo. Esse negócio estava pingando na área dos bancos há anos. Preferiram continuar mamando folgados na teta estatal. Negócios? Só o filé especulativo. Como os bancos iriam jogar na produção, se esta tinha que suportar juro alto imposto pelos próprios bancos, ao longo de toda a Nova República Neoliberal, até agora?

Por que os grandes bancos privados oligopolizados não entraram no negócio da união entre a Petrobrás e a Quattor, para formar grande parceria-público privada na exploração mundial da petroquímica, algo na casa 30 bilhões de dólares? Estavam mamando confortados da teta estatal. Perderam o instinto animal. Ficaram gordos demais com a mamata da mamadeira. Adiposidade total. Perderam o instinto animal sob ventos do novo tempo. O oligopólio financeiro privado se constituiu não para grandes negócios internacionais, levando a marca Brasil pelo mundo afora, mas para oligopolizar-se na exploração do sangue social por meio da veia estatal sob juro alto. Ele demonstrou não dispor de agilidade no lado oposto, ou seja, na alavancagem dos negócios multinacionais com bandeira brasileira. Por que não estão engajados na escalada estatal da Eletrobrás? Enfim, os bancos privados , pelo que se observa das parcerias econômico-empresariais em marcha, ficaram lerdos. Estão extremamente preocupados, porque as transações trilhonárias  se realizam ao largo deles, tocadas pela orientação estatal com grandes empresas nacionais. As cadeias produtivas que tais negociam comandam serão , certamente, clientes dos bancos estatais que bancam o direcionamento da nova economia pós-crise global, e não dos bancos privados, cujo interesse, no plano dos negócios, é inviabilizar os negócios com o juro alto.

 

Oligopolização estatal global

Os banqueiros privados estão levando desvantagem com a formação dos oligopólios econômico empresariais que nascem com a BRASKEM, agora, avançando nos Estados Unidos, sob movimento do capital financeiro estatal. Eles não ajudaram na hora dura em que o governo precisou, por que o governo, agora, utilizaria a banca privada para alavancar os negócios trilhonários. Deixariam o oligopólio financeiro estatal de fora ou o utilizará para detonar o oligopólio financeiro privado?Oligopólio nacional contra oligopólio internacional na disputa global. Nesse contexto, quem banca as finanças do negócio, claro, são os bancos estatais. Se eles entraram no mercado de financiamento de bens e serviços à população, na hora da grande crise de enforcamento geral do crédito, transformando-se, relativamente, em armas eficientes contra a bancarrota, provocada de fora para dentro, por que não entrariam, agora, na nova fase do capitalismo internacional, para beber dos grandes negócios? Nesse terreno, por exemplo, as grandes multinacionais dos países ricos têm o Estado apenas como indutor. As poderosas multis dos Estados Unidos e da Europa recebem as ajudas dos seus respectivos governos por meio de medidas fiscais, cambiais e diplomáticas, no ambiente da diplomacia comercial guerreira global. Esso, Atlantic, Fina, Nestlé, Nokia, Mercedes Benz etc  têm a representação privada e a essência estatal indutora por trás. No Brasil, o papo é outro. A representação BRASKAM oferece a retaguarda PUBLICO-PRIVADA. Petrobrás, de um lado, e Norberto Odebrech, de outro, com financiamento estatal do BNDES. Já invadem a praça americana. Sabendo que a Norberto Odebrech alavanca seus negócios com dinheiro do banco estatal, ou seja, pelo governo, tem-se que o oligopólio internacional que nasce das duas empresas , apoiados pelo banco estatal, é puramente estatal. Imperialismo global.

Nova estatização, neonacionalismo brasileiro em marcha. A produção de fosfato e potássio por meio da parceira VALE DO RIO DOCE-BUNGE é, essencialmente, isso. Os fundos de investimentos que bancam a Vale são estatais. Se a empresa terá 51,2% da Fosfértil, antes dominada em 80% pela Bunge, que fica, agora, com 49%, responsável, apenas, pela mistura dos nutrientes químicos, para mandar , oligopolicamente, no mercado, o resultado do negócio é representação privada com o Estado no comando efetivo das orientações. O papo agora chama-se CO-GESTÃO, como disse o presidente da Petrobrás, Gabrielle. Vale dizer, internvencionismo econômico estatal.  O relevante é que o crédito estatal, bancado pelos bancos estatais, emissões financeiras do Estado, caminha ao lado da formação desses gigantes econômicos oligopolizados, verdadeiramente, imperialistas, no conceito clássico de formação dos impérios econômicos, a partir do final do século 19, cujos resultados foram duas guerras mundiais no século 20.

Nesse novo contexto que fortalece a onda econômica oligopólica global, o Estado , que , nas economias monetárias, é emissor de moeda, passa a utilizar não mais aqueles a quem contratava para serem concessionários dos serviços de exploração do comércio do dinheiro, ou seja, os banqueiros. O Estado é capital, como disse Marx. Passa a gerir sua própria moeda por meio dos bancos estatais, primeiro passo para a estatização do crédito, como já acontece na China, o maior país capitalista na cena global do capitalismo em crise.

 

Moeda burguesa, adeus

A burguesia financeira européia, que entrou em bancarrota com a sua congênere americana, passou a sofrer dura oposição do Estado francês, que inaugurou, com Napoleão, a era burguesa, detonada pela moeda papel inconversível especulativa sob desregulamentação em mãos dos banqueiros privados internacionais, sem rédeas, obrigando o Estado a erguer-se como oligopólio regulador para não deixar de ser útil como instituição pública e , consequentemente, ser varrido por revoluções. Os concessionários financeiros do Estadoestão sob ataques em todo o mundo
A burguesia financeira européia, que entrou em bancarrota com a sua congênere americana, passou a sofrer dura oposição do Estado francês, que inaugurou, com Napoleão, a era burguesa, detonada pela moeda papel inconversível especulativa sob desregulamentação em mãos dos banqueiros privados internacionais, sem rédeas, obrigando o Estado a erguer-se como oligopólio regulador para não deixar de ser útil como instituição pública e , consequentemente, ser varrido por revoluções. Os concessionários financeiros do Estadoestão sob ataques em todo o mundo

A burguesia fugiu da moeda monárquica, do Rei, vigente até final do século 19, esticando até a crise de 1929. Desde então, o modelo estatal burguês afastou o rei e sua moeda, ou seja, o padrão-ouro, determinante do falso equilibrismo orçamentário, e passou , dominando o Estado, a emitir sua própria moeda, sem lastro, papel-moeda, sem lastro, garantido por economia de guerra. Tal moeda, depois de mover o mundo, no século 20, entra em crise no século 21, com a grande crise mundial detonada em 2008. Os banqueiros privados, que se encheram de papel-moeda estatal para promover a circulação acabaram se intoxicando, demasiadamente, com o excesso de dinheiro, depois de quase um século de orgia monetária financeiro-especulativa. A deflação monetária global, sob o dólar, detonou os concessionários destinados a manusear o dinheiro estatal. Estão com moedas podres em suas carteiras, todas verdinhas, esperando, talvez, o milagre que as transformem milagrosamente em outra cor, para poder circular mediante novas normas, como destaca o empresário Sebastião Gomes.

Enquanto isso, ou seja, enquanto os bancos privados em processo de alta intoxicação se encontram na UTI ESTATAL dos governos ricos, nos governos emergentes, destacam-se os bancos estatais, como é o caso brasileiro. Seria o novo modelo de desenvolvimento? Olha a China aí, com a estatização do crédito, por meio da distribuição dele por bancos estatais. O desejo de consumo dos governos do ocidente passa a ser o modelo chinês. O Estado domina o crédito e direciona a economia. Moeda burguesa, adeus.

Os bancos estatais agitam os negócios. E a China, abarrotada de dólares, 2,4 trilhões, adquiridos na fase áurea do consumismo americano, mediante moeda desvalorizada chinesa, Yuan, dá as cartas. Se o modelo chinês é o tchan mundial, que deverá se expressar, nos próximos dias como direção essencial dos BRICs – Brasil, Rússia, Índica e China -, evidencia-se a possibilidade de maior centralização do crédito no comando estatal, na linha que Lenin propôs em 1917, para regular a anarquia capitalista financeira especulativa. Os banqueiros estão em polvorosa.

Isso ficou demonstrado, semana passada, em Davos. Emergiram novas orientações políticas. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, reforçou, duramente, as medidas propostas pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de dar fim à especulação desenfreada. Na prática, os banqueiros não são os culpados pela especulação, mas, sim, o Estado capitalista, que, emissor de moeda, emitiu demais e liberou, sem regras, os bancos para distribuir a montanha de dinheiro, mediante engenharias financeiras multiplicadoras. Sob o Estado, emissor de papel moeda inconversível, a burguesia reencontrou o comando da reprodução capitalista que havia sido bloqueada em 1929, pelo padrão-ouro, a moeda monárquica, sendo necessáio removê-la. 

Durante todo o século, tal moeda deu as cartas, acumulando problemas conjunturais que se transformaram em estruturais. Em 2008, no entanto, o modelo burguês especulativo, patrocinado pelo Estado, sem regras, esgotou-se. A nova classe, que comanda os investimentos é uma CO-GESTÃO estatal-privada. O Estado deixou de confiar no empresários sobreacumulador de capital sem regras. O Estado, para não ir para o espaço, aparta-se da burguesia financeira, em nome do interesse público, para tentar organizar a bagunça. Na Europa e nos Estados Unidos , a ordem é regulação. No Brasil, onde o serviço de regulação veio antes, durante a Era FHC, em meio à privatização geral da economia, que favoreceu os bancos, o quadro começa a mudar de figura, depois de 2008. O Estado entra na economia por meio dos bancos oficiais e deslocam a banca privada.

 

Nacionalismo dirigista chinês

A estatização do crédito pelo governo chinês é a arma que orienta ideologicamente os BRICs, para dominarem a cena financeira internacional no momento em que os países ricos, ex-G-8, estão, com seus bancos intoxicados de moedas podres, nas cordas, ameaçando dar o calote mundial, enquanto as economias desenvolvidas estão praticamente paralisadas pela onda poupancista que emergiu, na crise, para substituir a onda consumista,que estimulada pelas engenharias financeiras especulativas, levou o capitalismo europeu e americano para o buraco no início do século 21, configurando uma nova era de imperialismos estatais bombados pelo crédito público.
A estatização do crédito pelo governo chinês é a arma que orienta ideologicamente os BRICs, para dominarem a cena financeira internacional no momento em que os países ricos, ex-G-8, estão, com seus bancos intoxicados de moedas podres, nas cordas, ameaçando dar o calote mundial, enquanto as economias desenvolvidas estão praticamente paralisadas pela onda poupancista que emergiu, na crise, para substituir a onda consumista,que estimulada pelas engenharias financeiras especulativas, levou o capitalismo europeu e americano para o buraco no início do século 21, configurando uma nova era de imperialismos estatais bombados pelo crédito público.

Por isso, nas eleições, os banqueiros estão temerosos quanto ao seu futuro. Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula, já dá o seu norte: continuará apoiando os bancos estatais, para se transformarem nos braços financeiros dos negócios público-privados, como é o caso da parceria VALE-FUNDOS DE PENSÃO ESTATAIS-BUNGE, para comandar o oligopólio do fosfato e do potássio. Trata-se de dinamizar a agroindústria nacional a preços mais baratos, produzidos internamente, eliminando as importações de minerais fosfalticos que chegam aos 12 bilhões de dólares, forçando o déficit em contas correntes. Da mesma forma, a parceria PETROBRÁS-NORBERTO ODEBERCHT, para comandar a Braskem no campo internacional da petroquímica, segue o modelo nacionalista imperialista brasileiro esquentando os cascos para a disputa oligopólica global no campo da petroquímica mundial.

Nos dois grandes negócios trilhonários, a banca privada está, relativamente, escanteada, pois quem dará as ordens será a nacionalista Dilma Rousseff, se eleita. Quem mandou ela fugir na hora em que o governo precisou dela, na crise, para evitar bancarrota do crédito direto ao consumidor, na hora crítica? Não se revelou amiga, mas, apenas, interesseira. Agora, na colheita dos bons negócios, candidata-se a ficar igual à Januária, de Chico, na janela, vendo a banda passar.  Daí,os banqueiros sonharem com o presidente do BC, Henrique Meirelles, na vice-presidência, deslocando o deputado Miltom Temer, por enquanto, o preferido do PMDB conservador.

O perigo é o PMDB rachar. O governador do Paraná, Roberto Requião, disse que apoia Dilma desde que descarte Meirelles, considerado por ele anti-nacionalista neoliberal. O titular do Paraná arrebanha o PMDB do sul e do sudeste, defensor de candidatura peemedebista própria. Rachado o PMDB ajudaria a repetir, no Brasil, o fenômeno que ocorreu no Chile, em que as forças governistas, divididas, dançaram. O presidente Lula pagaria o preço do racha, para satisfazer a banca privada, quando já enfrenta dificuldades na base governista diante da insistência do deputado Ciro Gomes, PSDB, em sair candidato, ficando como pedra no sapato bico fino de Dilma? Bancaria duas frentes de batalha que dividem a coalisão governamental?

Já o governador José Serra, caso eleito, representaria refresco para os banqueiros? As declarações precipitadas do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, Pernambuco,  de que com Serra na presidência haveria mudanças profundas na política monetária deixaram os bancos de cabelo em pé. O câmbio sobrevalorizado é alvo do governador paulista que diz ser ele responsável pela desnacionalização industrial em marcha. Os produtos chineses, em geral, argumenta, estão entrando no mercado 30% mais baratos, deslocando o produto nacional, graças ao real sobrevalorizado. Isso acontece, no juízo de Serra, porque as taxas de juros no país são escorchantes, atrativas aos dólares em desvalorização na praça mundial. Invadem o território nacional em busca de lucro especulativo e ativos que tenderão a baratear-se se os produtos chineses imperarem no compasso do Yuan desvalorizado, graças à orientação macroeconômica chinesa bancada pela crédito estatizado leninista.

É um novo tempo que a bancarrota financeira global abre , detonando o ESTADO BURGUÊS ESPECULATIVO, para dar lugar ao NACIONALISMO ESTATAL DIRIGISTA CHINÊS, que pode fazer escola global.

Chavez vira Lenin em ação

 

Chavez aprofunda o discurso socialista para vencer a crise econômico-financeira venezuelana decorrente da bancarrota global com a convicção de que a nova conjuntura internacional que fragiliza o capitalismo cêntrico, candidatando-o à condição de caloteiro, libere forças políticas renovadoras, impulsionadas pelo desemprego e pelas pregações políticas radicais que ele detona para fazer avançar as relações sociais frente às forças do capital em crise, sob controle do Estado.
Chavez aprofunda o discurso socialista para vencer a crise econômico-financeira venezuelana decorrente da bancarrota global com a convicção de que a nova conjuntura internacional que fragiliza o capitalismo cêntrico, candidatando-o à condição de caloteiro, libere forças políticas renovadoras, impulsionadas pelo desemprego e pelas pregações políticas radicais que ele detona para fazer avançar as relações sociais frente às forças do capital em crise, sob controle do Estado.

As eleições parlamentares de setembro na Venezuela prometem ser agitadas em meio à crise econômico-financeira que o presidente Hugo Chavez enfrenta, racionando energia, por escassez de oferta e diminuição dos investimentos relativamente ao consumo que aumentou com a melhor distribuição da renda, e desvalorizando a moeda. Com isso, eleva a inflação, os juros e desestabiliza socialmente, enquanto fecha tevês privadas que viraram partidos políticos oposicionistas depois de 2005. Naquele ano, omitiram-se nas eleições parlamentares, entregando as 167 cadeiras da Assembléia Nacional às forças chavistas, agrupadas no Movimento da Quinta República. Configurou-se, na prática, emergência de partido único, à moda leninista. Não se pode descartar a violência em meio ao câmbio sob controle governamental que coloca o meio empresarial sob domínio oficial , especialmente, a mídia, que , para importar equipamentos, papel etc, necessita recorrer ao governo.

O erro dos oposicionistas em 2005 foi brutal: não compareceram à disputa democrática. O presidente Chavez, claro, aprofundou suas propostas de mudanças à esquerda, totalizando  MAIORIA ABSOLUTA. Abriu-se espaço ao ABSOLUTISMO CONSTITUCIONAL DEMOCRÁTICO DE PARTIDO ÚNICO.

Os oposicionistas entregaram na bandeja a rapadura, ou seja, o que todo candidato a revolucionário pede: o poder total. Busca-o pelas armas, como a história demonstra. Chavez, cuja leitura política principal, nesse momento, conforme revelou, é o “Estado e a Revolução”, de Lenin, não precisou desse recurso. A oposição, rachada em suas forças tradicionais – AD , COPEI e outros – facilitou , isto é, deu-lhe o  comando político absoluto.

O líder soviético escreveu o livro no pique das mudanças revolucionárias, em cima de partido revolucionário, pregando sua existência absoluta e sua utilização para centralizar totalmente o poder e realizar, pela violência política, na União Soviética, o que considera fundamental: submeter ao controle do Estado o crédito e o comércio exterior, em primeiro lugar, para dispor da moeda e das transações cambiais como alternativa para evitar especulações e perdas bruscas do poder de compra da população. Lenin fez isso, destruindo a democracia burguesa. Chavez faz a mesma coisa com a própria democracia, sem oposição, omissa ao processo democrático.

No momento, Chavez corre, justamente, o perigo de perder o controle sobre a moeda e, consequentemente, a inflação. Tenta jogar as reservas cambiais para sustentar um dólar valendo 4,3 bolivares, moeda venezuelana, mas, no mercado paralelo, as transações estão sendo realizadas com 6 a 7 bolívares. Buraco grande. Provavelmente , como especulam os bancos, a inflação, em 2010, pode chegar aos 45% ou a 50%, no ritmo do descontrole cambial, comendo solto no mercado negro.

Nesse contexto, a fuga de capitais se intensifica. As estatizações do petróleo, do cimento, do aço e serviços de utilidade pública, mais os confiscos de produção alimentícias junto aos grandes grupos econômicos multinacionais, como a Cargil, que domina oligopolicamente o comércio de arroz, e outros grandes varejistas como a rede franco-colombiana Exito Hipermercado, estimulam os capitalistas a tal fuga de dinheiro do País. Mas, aplicariam onde, se a taxa de juro internacional é negativa, configurando eutanásia internacional do rentista? Deixariam seus investimentos na América do Sul, a nova rica do mundo, para ir para os paraísos fiscais onde , com o juro negativo, o prejuízo seria certo? A moeda nacional oscila selvagemente nas relações reais, ao largo do artificialismo cambial governamental. O dólar de Tio Sam, abalado pela crise mundial, encontra forças, na especulação, para detonar o  bolívar de Chavez .

Se o presidente jogar todas as reservas, atualmente, abaixo dos 30 bilhões de dólares, para salvar o bolívar contra o   ataque do dólar, provavelmente, secará o pote de ouro venezuelano. Chegará a esse ponto?

Ao longo da semana, sob pressão oposicionista em protesto por fechamento de canais de televisão privados por resistirem à lei que determina sejam divulgados os discursos do presidente da República e diante de rachas internos dentro do governo, com debandada de auxiliares importantes, como o vice-presidente e o presidente do Banco Central, que toma conta da moeda, evidenciou radicalização. Chavez avisou, em contrapartida, que pode aprofundar a política socialista. Militares comandam a política cambial, não os economistas.

Fuga de capitais e inflação em alta, conjugados com queda do preço do petróleo e tensões entre oferta e demanda em uma conjuntura econômica sem base industrial auto-sustentável, tudo dependendo das importações, eis o desafio gigantesco que enfrenta presidente Hugo Chavez. Detentor do poder absoluto, conferido pela Assembléia Nacional, pode jogar o jogo leninista, montando em partido único , constitucionalmente representado no parlamento, que lhe conferiu apoio à aprovação de 49 decretos para governar absolutamente sem a oposição. As cordas estão esticadíssimas.

Sob o influxo leninista implícito na proposta revolucionária contida em “O Estado e a Revolução”, que faz a cabeça do titular venezuelano, poderia pintar a emergência da versão soviética na Venezuela, nos moldes em que se deu o golpe de Estado na burguesia russa, em 1917, rompendo com as instituições burguesas democráticas venezuelanas?

Na Venezuela, até que pode se conjecturar que o presidente Chavez, com o seu discurso bolivariano libertador, poderia pegar nas armas para mudar o contexto político, a fim de valer a sua pregação revolucionária ancorada em Bolívar, que caminha para o leninismo. Mas, não seria necessário. A oposição colaborou. 

  Oposição traiu o povo  

A pregação leninista requer avanço do Estado sobre o crédito e o comércio exterior para tentar organizar a produção e o consumo sob orientação socialista, pois, de acordo com o credo de Lenin, nas crises globais avançam as anarquias financeiras capitalistas que detonam o poder de compra popular em face das oscilações monetárias, propiciando, sob medo popular da falência, o avanço do discurso socialista internacional.
A pregação leninista requer avanço do Estado sobre o crédito e o comércio exterior para tentar organizar a produção e o consumo sob orientação socialista, pois, de acordo com o credo de Lenin, nas crises globais avançam as anarquias financeiras capitalistas que detonam o poder de compra popular em face das oscilações monetárias, propiciando, sob medo popular da falência, o avanço do discurso socialista internacional.

Os oposicionistas presentearam o presidente dando-lhe a Assembléia, o poder constitucional, como forma infantil de protesto contra a maneira com que Chavez passou, via democracia plebiscitária, a governar, depois de 2002, quando sofreu o golpe articulado por políticos e militares com ajuda da Casa Branca. Traíram as instituições democráticas ao renunciarem à disputa eleitoral em 2005. Criaram as condições para surgimento da democracia absolutista de partido único, inaugurando etapa história em que se poderia fazer revolução com consentimento da oposição ausente. Fragilizada e acuada pelas pressões populares, depois do golpe que manobrou, em 2002, para derrubar o presidente, fugiu do pau.

Pode se afirmar, então, como analistas venezuelanos relativamente isentos destacam, que a política na Venezuela se divide entre Antes de 2002 e Depois de 2002. Conseguindo avançar mediante consultas democráticas diretas à população, o presidente foi encantoando os oposicionistas, infringindo-lhes seguidas derrotas, até que decidiram que omitir poderia representar ato de resistência política ao avanço bolivariano chavista, chancelado nas urnas. Lascaram-se e, consequentemente, prejudicaram o processo democrático, na sua essência fundamental de estabelecer contrapesos político-partidários etc, ou seja, o jogo político burguês.

Nasceu o partido único ideológico chavista , graças aos oposicionistas. E o partido único, sem precisar chegar ao poder pelas armas, alcançou-o, absolutamente, pelo voto em Chavez, favorecido pela ausência da oposição no pleito.

Com o poder constitucional absoluto, o presidente Chavez se dispôs a acelerar as mudanças de forma mais radical. Tirou o poder das forças tradicionais, omissas no processo eleitoral. Repassou-o , com a ajuda do dinheiro farto do petróleo,  às forças comunitárias, em forma de prioridade política ao combate às desigualdades sociais. Rompeu e enterrou os pactos de elite, vigentes desde o final dos anos de 1950 em diante. Liberou as forças do mandonismo político tradicional e instaurou nova ordem.

Nesse ambiente, os partidos políticos da oposição, sem trincheira na Assembléia, pois a ela se renunciou, burramente, transferiram-se para nova trincheira, a grande mídia. Esta, que apoiara o golpe contra Chavez em 2002, inconformada com a derrota eleitoral de 1998 e a mudança do discurso presidencial rumo à pregação socialista, joga como partido político direto por cima da própria oposição institucionalmente fracassada.

 Guerra midiática

A burguesia, que tentou o golpe constitucional contra Chavez, em 2002; que abandonou sua trincheira de luta, as eleições, em 2005, e, agora, guerreia pela mídia privada, que se transforma em partido político, tenta voltar à cena, mas suas forças estão desorganizadas e a Casa Branca sob Obama não é a Casa Branca sob W. Bush para sustentar os Pedro Carmona. Ou é?
A burguesia, que tentou o golpe constitucional contra Chavez, em 2002; que abandonou sua trincheira de luta, as eleições, em 2005, e, agora, guerreia pela mídia privada, que se transforma em partido político, tenta voltar à cena, mas suas forças estão desorganizadas e a Casa Branca sob Obama não é a Casa Branca sob W. Bush para sustentar os Pedro Carmona. Ou é?

Na Venezuela os partidos políticos oposicionistas são os meios de comunicação e os jornalistas, efetivamente, os políticos, depois que deixaram o parlamento na mão do presidente, sem resistências.

Se a oposição, sem representação na Assembléia, se retirou para as redações dos jornais, Chavez, naturalmente, buscou o oposto: criou sua própria redação. Tese e Antítese.

ALÔ, ALÔ, PRESIDENTE! Programa dominical estatal passou a ser a comunicação direta de Chavez com as massas. Atualmente, a comunicação estatal se expressa em 34 emissoras de TV, 500 estações de rádios comunitárias, jornais de circulação regional e nacional e agência de notícias. Oligopólio midiático estatal para enfrentar o oligopólio midiático privado, que atua como partido oposicionista no vácuo da sua ausência no parlamento. As massas jamais puderam dar seu recado. Pela mídia comunitária abundante, alavancam os movimentos sociais que atuam como ponta de lança da organização política socialista. Avança clara luta de classes.

Como os legisladores, no Congresso, são maioria absoluta constitucional chavista, eleita no rastro da omissão oposicionista, a legislação nascida dessa representação absolutista-unitária somente poderia ser forçosamente expressa em legislação unitária-absolutista. Ordem unida absoluta contra a oposição, alinhada na trincheira do poder midiático privado.

 A legislação configurada pela maioria chavista encabrestou a mídia para dar espaço ao noticiário do presidente, que fala horas e horas para a população, dominicalmente. Resistir à palavra do presidente seria, portanto, resistir à lei, aprovada pela maioria governamental, já que a oposição, no parlamento, inexiste. Se não se obedece a lei, torna-se ilegal. A tribuna midiática privada virou ilegalidade no jogo do domínio político de partido único. Leva chumbo grosso.  

Não há mediação política no País. Há, sim, radicalização total. De um lado, a mídia privada; do outro, a mídia estatal, que não pode ser chamada de mídia pública, na acepção da palavra, em meio ao contexto radicalizado, como demonstrou a competente reportagem do jornalista Cláudio Bojunga e do cinegrafista José Araripe Junior no Canal OI – Observatório da Imprensa, na TV Brasil, apresentado por Alberto Dines, sobre o perfil midiático venezuelano como tradução política fundamental da Venezuela, para além dos partidos.

Há frontalidade brutal, no momento em que se abre a campanha eleitoral parlamentar para as eleições de setembro. Governo e oposição estão entrincheirados em suas respectivas redações.  Confronto psico-social explícito, agressivo, totalmente, incompatibilizado.

Com as paixões acesas, os oposicionistas, de um lado, tentam consertar a mancada histórica, fazendo campanha política pelos jornais e tevês, já que os partidos se desestruturam na ausência da prática democrática. Já os governistas, do outro lado, de posse de conquistas legais alcançadas por maioria parlamentar absolutista, tentam manter o absolutismo parlamentar de partido único que tem permitido avanço político que em outra conjuntura somente seria possível pelas armas. A radicalização chavista decorre da fuga burra da oposição à luta democrática.  

Revolução constitucional

As ruas esquentam os tamborins da política para disputar as eleições parlamentares em setembro; ganhará a oposição, que está desestruturada e desacreditada por ter abandonado a luta legislativa?; ou vencerão as forças chavistas, para aprofundar a proposta socialista, favorecida pela ampliação do poder estatal, tendo como ancora as reservas de mais de 500 milhões de barrista de petróleo, bombeadoras de programas sociais distributivistas?
As ruas esquentam os tamborins da política para disputar as eleições parlamentares em setembro; ganhará a oposição, que está desestruturada e desacreditada por ter abandonado a luta legislativa?; ou vencerão as forças chavistas, para aprofundar a proposta socialista, favorecida pela ampliação do poder estatal, tendo como ancora as reservas de mais de 500 milhões de barrista de petróleo, bombeadoras de programas sociais distributivistas?

O absolutismo democrático chavista é absolutamente legal, constitucional. A base dessa legalidade é a representação democrática  governista, que trabalha sem ter a oposição como objeto de resistência no parlamento. A burguesia venezuelana renegou seu próprio instrumento de luta. Traiu o povo. Chora o leite derramado.

O que Lenin aprofundou, ou seja, a revolução do partido único CONTRA e SEM o parlamento, em 1917, instaurando o poder bolchevique, Chavez  o faz COM o parlamento, constitucionalmente.

A tarefa de Chavez, portanto, está sendo a de aprofundar o domínio do partido único governista mediante legalidade constitucional. Quem deu o golpe: Chavez que ganhou a eleição ou a oposição que fugiu dela?

Depois do golpe de 2002, Chavez caminhou nesse sentido, no da oligopolização midiática, de forma paulatina, em nome do interesse público, porque tal interesse, naquele ano, foi rompido, pelo engajamento do oligopólio midiático privado nas fileiras do golpismo político explícito.

Até quando durará o absolutismo democrático Venezuelano? A crise econômica entrou em cena para ajudar a oposição. Ou não. Caso ocorra o que analistas internacionais proclamam, que a crise se aprofundará nos países ricos, ou seja, no centro do capitalismo, excessivamente, endividado, detonando desemprego e calotes gerais, as contradições poderão estourar no plano político global, abrindo novas eras de mudanças.

Pra frente ou para trás viriam as transformações? Democracia parlamentar fortalecida ou enfraquecida? Democracia direta? Socialismo? Ditadura?

Essencialmente, os oposicionistas venezuelanos – que lançaram mão do golpismo apoiado pelo governo americano – lutam para conquistar o poder, porque pretendem, naturalmente, dominar a fantástica riqueza expressa no petróleo, cujas reservas, na Venezuela, são para mais de 500 bilhões de barris, conforme vieram ao ar, recentemente, notícias alvissareiras.

O poder econômico conferido pelo petróleo daria oportunidade a Chavez, no governo, mediante absolutismo constitucional, sob partido único, continuar gastando para elevar a renda interna, que reduz o poder dos grupos dominantes, concentradores da renda nacional, avançando com as conquistas populares, rumo ao socialismo  no embalo da leitura de “O Estado e a Revolução”.

Se os oposicionistas conseguirem barrar Chavez no Congresso, em  setembro, as reformas radicalizadas se arrefeceriam?

Os rachas internos no governo nos últimos dias, indicando diminuição de poder de grupos rivais dentro da máquina governamental, para dar lugar a novos grupos e novos interesses chavistas, interessados em aprofundar as mudanças rumo a uma proposta socialista, indicam as dificuldades das manobras políticas absolutistas respaldadas democraticamente no parlamento.

Os desdobramentos, certamente, serão dados pelos próprios venezuelanos, que irão às urnas em setembro, se não houver algum golpe pelo caminho, envolvendo forças internas e externas, em contexto internacional de crise capitalista.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Chilenização sucessória lulista à vista

Ciro cruzou o caminho da coalizão governamental dividindo suas forças, mas não agiu sozinho, porém, estimulado pelo próprio presidente da República, que, agora, embaralhado pelo monstro que criou, não sabe desmontar suas peças, a não ser a custa de muitos ressentimentos à vista, certamente, favoráveis ao adversário de Dilma Rousseff, o governador José Serra.
Ciro cruzou o caminho da coalizão governamental dividindo suas forças, mas não agiu sozinho, porém, estimulado pelo próprio presidente da República, que, agora, embaralhado pelo monstro que criou, não sabe desmontar suas peças, a não ser a custa de muitos ressentimentos à vista, certamente, favoráveis ao adversário de Dilma Rousseff, o governador José Serra.

O PMDB e o PSB estão protagonizando os primeiros passos da chilenização política sucessória do presidente Lula ao darem tiros para todos os lados, enquanto o PT vai organizando candidaturas dentro do espírito essencialmente petista, de jogar sozinho no primeiro turno, para fazer composições no segundo.  A desarticulação da coalizão governamental , nesse instante, é total.

O maior aliado governista , o PMDB, está inquieto, e o aliado mais problemático, o PSB, joga para fazer valer sua ousadia, para marcar posição, pois não há outra forma de se crescer em política a não ser abrindo controvérsias, emulando as paixões etc. No centro do palco controverso sucessório, do lado do PMDB, está a indefinição partidária quanto ao candidato peemedebista que ocupará a  vice-presidência  na cabeça de chapa com Dilma Rousseff, a candidata petista, preferida do titular do Planalto.

O presidente da Câmara, Michel Temer, está sendo rifado pelo PT. Não agregaria votos para Dilma, dizem os petistas. Quem dá razão a eles é o próprio Temer. Em entrevista no Valor Econômico, o parlamentar peemdebista paulista reconhece que não cuida da micro, mas da macro-política. Não suja os sapatos na lama em busca do eleitor. Faz as jogadas estratégicas. Tem dado certo, garantindo seus mandatos por SP. Mas, seria suficiente para ajudar Dilma a macro ou a micro política, em campanha presidencial?

Nacionalismo com salário mínimo forte para formar mercado interno forte e discurso nacional influente na cena internacional em que o capitalismo nos países cêntricos estão abalados pela bancarrota financeira americana e européia, eis o discurso de Requião para sustentação da moeda nacional na nova divisão internacional do trabalho ao mesmo tempo em que engajaria no fortalecimento da união sul-americana, ancorado nas riquezas potenciais continentais, das quais dependem a manufatura global.
Nacionalismo com salário mínimo forte para formar mercado interno forte e discurso nacional influente na cena internacional em que o capitalismo nos países cêntricos estão abalados pela bancarrota financeira americana e européia, eis o discurso de Requião para sustentação da moeda nacional na nova divisão internacional do trabalho ao mesmo tempo em que engajaria no fortalecimento da união sul-americana, ancorado nas riquezas potenciais continentais, das quais dependem a manufatura global.

Em torno dessa dúvida, os desentendimentos se aprofundam. A rejeição lulista a Temer ajudaria os peemedebistas a buscarem outra acomodação alternativa? Pintaria o verdadeiro desejo do presidente Lula de ter o ministro Hélio Costa, das Comunicações, como o vice ideal para Dilma, como destaca o repórter Raymundo Costa, do Valor? Não há, por enquanto, radicalismo à vista. O PMDB é igual a macaco hermafrodita. Quer é gozar. Talvez pesquisas sejam os indicadores para afastar ou aproximar. Não se sabe. Os espíritos não estão alinhados. Ao contrário, avançam em pique de revoluções artísticas, ou seja, diversos pontos de vista, diversos gêneros e tendências entram em cena, embaralhando geral.

Não só isso. O PMDB não apenas dispõe de varias tendências para busca de composições, mas, igualmente, tenta emplacar candidatura própria, dependendo do andar da carruagem das contradições em marcha. Tendência partidária forte, independente, avança na região sul e sudeste, de São Paulo para baixo.

São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e, no Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul e Goiás apresentam ramificações peemedebistas de todas as ordens. Umas estão alinhadas com o PT; outras, com o PSDB, e, enfim, emerge o próprio PMDB com candidatura própria.

Socialismo temperado de capitalismo distribuidor de renda, comandado por discurso empresarial, para fortalecer a produção, que se encontra ameaçada pela estratégia financeira especulativa neoliberal que confere privilégio total à bancocracia no país na condução da política econômica - eis os movimentos do governador pernambucano, que, com Requião, racha a coalizão governamental na sucessão.
Socialismo temperado de capitalismo distribuidor de renda, comandado por discurso empresarial, para fortalecer a produção, que se encontra ameaçada pela estratégia financeira especulativa neoliberal que confere privilégio total à bancocracia no país na condução da política econômica - eis os movimentos do governador pernambucano, que, com Requião, racha a coalizão governamental na sucessão.

É o caso do governador nacionalista Roberto Requião, do Paraná. Sua bandeira, no momento, chama-se PRÉVIAS DEMOCRÁTICAS. Trata-se da estratégia que virou lei na Argentina. Antes das eleições gerais, prévias nacionais e simultâneas, com a liberdade de o eleitor votar na indicação dos candidatos, sendo ou não filiados aos partidos, de modo que o escolhido previamente já dispõe, automaticamente, do aval eleitoral forte, com ficha limpa, adquirida na confiança comunitária.

Requião, com a bandeira das prévias, junta o PMDB do Sul e Sudeste. Ao lado das prévias, ele emerge como o governador que paga o mais alto salário mínimo do país, R$ 780, prometendo universalizá-lo no território nacional. Nasce novo Jango Goulart, que, como ministro do Trabalho de Getúlio Vargas, triplicou, em 1954,  o salário mínimo, transformou-se em vice-presidente e, depois, presidente deposto em 1964 pela ditadura, apoiada por Washington.

Requião estaria jogando duplamente, forçando candidatura à presidência, para ganhar uma candidatura à vice-presidência, deslocando Temer? Linha super-nacionalista Dilma-Requião? Ou seja, o PMDB que vai se formando no Sul e no Sudeste é o oposto do PMDB que vigora no Nordeste e Norte, ainda, comandado por coronéis, tipo senadores Renan Calheiros(AL), José Sarney(AP), e deputado Henrique Alves(RN) etc. Temer, do sul, teria, dentro do partido, chances se tivesse mais o apoio do Norte-Nordeste do que do sul, ou vice-versa, ou corre perigo no  meio das duas correntes, que , ainda carecem de maiores definições?

Socialismo empresarial

A classe empresarial busca sua representação política para fazer valer o discurso da produção que perdeu pique para o discurso da especulação bancocrática, dominante no cenário da macroeconomia a partir do privilégio que conquistou no ambiente constitucional, onde os recursos orçamentários são assegurados ao pagamento dos juros enquanto todos os demais setores produtivos são obrigados a contingenciar-se para satisfazer cláusula pétrea bancocrática.
A classe empresarial busca sua representação política para fazer valer o discurso da produção que perdeu pique para o discurso da especulação bancocrática, dominante no cenário da macroeconomia a partir do privilégio que conquistou no ambiente constitucional, onde os recursos orçamentários são assegurados ao pagamento dos juros enquanto todos os demais setores produtivos são obrigados a contingenciar-se para satisfazer cláusula pétrea bancocrática.

Complementa o quadro de racha da coalizão a posição dúbia do presidente do PSB, o governador de Pernambuco, neto de Miguel Arraes, Eduardo Campos. Entre a pressão do presidente Lula, de um lado, interessado, sobretudo, no realinhamento das forças governistas, para não dançar como dançou Michele Bachellete, no Chile, e do seu partido, de outro, interessado em ganhar musculatura no cenário nacional com a candidatura do deputado Ciro Gomes, o governador pernambucano balança como pêndulo nervoso.

 Ciro não diz nem sim nem não à candidatura presidencial. Teria sido incensado nesse sentido pelo próprio presidente da República, para sair candidato ao Palácio dos Bandeirantes ou ao Palácio do Planalto? O deputado cearense, nascido em São Paulo, pulou de cabeça no abismo. Transferiu seu título para a terra bandeirante, disposto a jogar no retorno ao útero materno. Mostra-se como cadáver insepulto.

Os petistas rechaçaram candidatura Ciro ao Palácio dos Bandeirantes e, agora, Lula rechaça a possibilidade dele se candidatar ao Planalto. Sem escada e com a brocha na mão, Ciro é o personagem do ridículo, pura ejaculação política precoce. Quem vai botar o guizo no pescoço do gato? Eduardo Campos ou Lula?

O presidente do PT-SP reagiu como verdadeiro ditador a dizer o que é certo e o que é errado em matéria de liberdade política, negando o direito empresarial de disputar sua representação política, considerando tal pretenção absudo fora de propósito. A representação do trabalhador para chegar à presidência pode; a do empresário, não. Negou a realidade chilena, que se expressa na vitória de Sebastian Pinera. A provocação petista seria puro medo.
O presidente do PT-SP reagiu como verdadeiro ditador a dizer o que é certo e o que é errado em matéria de liberdade política, negando o direito empresarial de disputar sua representação política, considerando tal pretenção absudo fora de propósito. A representação do trabalhador para chegar à presidência pode; a do empresário, não. Negou a realidade chilena, que se expressa na vitória de Sebastian Pinera. A provocação petista seria puro medo.

Dificilmente, o governador pernambucano faria uma coisa dessa. Ao contrário, pelo que tudo indica, ele joga para frente, tentando aprofundar divisão das forças governistas. O aval que ele deu à candidatura do empresário Paulo Skaf, da Federação das Indústrias de São Paulo(FIESP), ao governo paulista pelo PSB, sinaliza disposição dos socialistas buscarem uma representação empresarial e faturar o prestígio político que uma nova esquerda socialista, com tonalidade capitalista, obteria.

Incompreensivelmente, ou melhor, freudianamente, compreensível, o presidente do PT paulista, Edinho Silva, considerou “inabilidade brutal”, o lançamento político de Skaf. Por que brutalidade inábil? Os empresários não teriam o direito de buscar sua representação política, como os empresários chilenos buscaram ter a sua, na figura de Sebastian Pinera, vitorioso na eleição presidencial chilena, colocando a direita no poder?

Preconceito contra os empresários foi o que revelou Edinho Silva, tentando negar a legimitidade da classe empresarial de participar do jogo democrático. Contradição dialética: se os trabalhadores, como categoria social, tiveram a chance de ganhar o poder com Lula, por que os empresários se tornam brutalmente insensíveis quando busca o mesmo caminho?

A sucessão 2010 lança, portanto, no cenário político a disputa capital-trabalho em busca do espaço democrático. Os empresários estariam no jogo político, certamente, para equilibrar, no plano parlamentar, o predomínio absoluto do pensamento da bancocracia neoliberal, que conseguiu inserir na Constituição o artigo 166, parágrafo terceiro, item II, letra b, que dá prioridade total ao interesse dos bancos, garantindo-lhes o pagamento dos serviços da dívida pública como causa pétrea, enquanto os demais setores da vida nacional, que dependem dos investimentos públicos, são passíveis de contigenciamentos intermitentes, dos quais a banca está , constitucionalmente, livre. Privilégio bancocrático neoliberal garantido pelo poder neorepublicano.

Os petistas estão rifando Temer. O PMDB concordará? Acomodará a essa pressão, buscando outro candidato que não fosse Requião, para compor os interesses dos peemedebistas do Norte e do Nordeste, que temem a pregação nacionalista do governador paranaense, ou baterão pé, ameaçando bandearem-se para José Serra?
Os petistas estão rifando Temer. O PMDB concordará? Acomodará a essa pressão, buscando outro candidato que não fosse Requião, para compor os interesses dos peemedebistas do Norte e do Nordeste, que temem a pregação nacionalista do governador paranaense, ou baterão pé, ameaçando bandearem-se para José Serra?

Os homens da produção foram relegados a segundo plano pelos homens da especulação. Como foram estes que levaram o capitalismo global ao colapso, a emergência política empresarial seria a busca de uma reversão dos privilégios de classe ou uma brutalidade insensível? Onde estaria a insensibilidade brutal dos empresários quando buscam a representação político partidária?

Conjunturalmente, no processo eleitoral, em seus passos já avançados, os governadores de Pernambuco e do Paraná se transformam em duas pedras pontudas no sapato bico fino de Dilma Rousseff. Ambos dificultam a pretendida união governista, rachando a coalizão governamental, abrindo o espaço para a chilenização sucessória lulista.

Lula quer rachar MG, hoje, dominada pelo PSDB, sob Aécio, lançando Hélio Costa vice de Dilma, mandando as pretensões de Temer para o espaço. Abriria oportunidade para Patrus Ananias nas Gerais, montado no cavalo Bolsa Família. Uniria o PMDB?
Lula quer rachar MG, hoje, dominada pelo PSDB, sob Aécio, lançando Hélio Costa vice de Dilma, mandando as pretensões de Temer para o espaço. Abriria oportunidade para Patrus Ananias nas Gerais, montado no cavalo Bolsa Família. Uniria o PMDB?

Resta saber se, com as cordas da divisão esticadas, sob patrocínio do PSB e do PMDB, o governo Lula, para pacificar os ânimos gerais dentro da coalizão, tornando-a forte sob ordem unida, teria que compor a vice presidência com Dilma entre três ou quatro opções: ou Dilma-Requião ou Dilma-Skaf ou Dilma-Ciro ou Dilma-Costa.

O fato é que as controvérsias e os grupos de interesses que racham a coalizão governamental, enquanto a oposição parece unir-se em torno do governador José Serra, sinalizam guerra sucessória semelhante à que rolou no Chile.

Sem unidade , a candidatura Dilma correria mais perigo, ou o apoio de Lula bastaria, para além dos rachas partidários dentro da base governista?