Copenhague expôs loucura capitalista alienada

A opção desenvolvimentista irracional que privilegia o individualismo, transformando-o em religião, demonstra estar a civilização ocidental equivocada em sua perseguição desenfreada do lucro como objetivo maior a ser alcançado pelas atividades produtivas no contexto das relações sociais da produção em que o resultado é contradição cuja superação se encontra na desmontagem da infra-estrutura produtiva e ocupacional destrutiva contra a qual nenhum líder político investe , simplesmente, por ser o contrário do que proclama, ou seja, falso líder, fantasma da alienação.
A opção desenvolvimentista irracional que privilegia o individualismo, transformando-o em religião, demonstra estar a civilização ocidental equivocada em sua perseguição desenfreada do lucro como objetivo maior a ser alcançado pelas atividades produtivas no contexto das relações sociais da produção em que o resultado é contradição cuja superação se encontra na desmontagem da infra-estrutura produtiva e ocupacional destrutiva contra a qual nenhum líder político investe , simplesmente, por ser o contrário do que proclama, ou seja, falso líder, fantasma da alienação.

A pífia participação dos líderes políticos dos países mais ricos do mundo, Estados Unidos, Europa, Japão, China, e o esperneio dos emergentes, que ainda não demonstram força suficiente em meio ao caos capitalista destruidor da natureza para dar conteúdo transformador ao seu discurso, configuraram nova divisão internacional do trabalho em meio ao dólar em bancarrota na conferência do clima em Copenhague. Sobretudo, evidenciou-se o fim do unilateralismo americano. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não fedeu nem cheirou na capital dinamarquesa. Tal qual um Otelo shakespeareano em decadência, o titular da Casa Branca revelou a face carcomida do império que não é mais império. A voz americana deixa de ser preponderante como norte capaz de conduzir a humanidade em meio ao sistema capitalista no qual os instrumentos básicos de expansão do capital, os bancos americanos, estão baleados na UTI estatal da Casa Branca. Obama chegou a Copenhague falando de um fundo financeiro sem fundo, sintonizado com a China para contraporem às reivindicações favoráveis às limitações rígidas às emissões de CO2 na atmosfera. . Ninguém acreditou. Como também não houve crença nas promessas francesas, inglesas, alemãs e japonesas. Como disse Miriam Leitão, de O Globo, não foi apresentado o cheque. Falou-se sem maiores convicções. O fundo financeiro deverá ser um arrastamento interminável de discussões, pois nem a moeda equivalente internacional das relações de troca, ou seja, o dólar, dispõe de maiores confianças dos parceiros, visto que desvaloriza aceleradamente, somente sendo segurada por bancos centrais preocupados em evitar o caos total. Copenhague comprovou a consciência universal relativa aos perigos do clima adulterado pelo consumismo irracional capitalista, que tem o lucro como o Deus absoluto, mas a forma de transformá-la em ação política prática ainda não foi, devidamente, encontrada. O caos está à vista, porque perdura a estrutura produtiva e ocupacional que destrói o meio ambiente, tendo a produção bélica e espacial como motor básico e a de bens duráveis como periférica, sendo esta expressa na fabricação de automóveis, que exige destruição traduzida em expansão de infra-estrutura, multiplicadora de irracionalidades e corrupção sob amparo dos políticos em geral.

 

Individualismo absoluto suicida

 

Quem é mais perigoso para a humanidade: Mahmoud Ahamadinejad, que alerta que o individualismo expresso na produção automobilística, responsável por destruir os grandes centros urbanos, é suicida ou Barack Obama que redobra as apostas na indústria automobilística falida poluidora da natureza, ao mesmo tempo em que, um dia depois de terminada a reunião de Copenhague sanciona aprovação do Congresso de verba extra-oçamentária de 600 bilhões de dólares para a economia de guerra?
Quem é mais perigoso para a humanidade: Mahmoud Ahamadinejad, que alerta que o individualismo expresso na produção automobilística, responsável por destruir os grandes centros urbanos, é suicida ou Barack Obama que redobra as apostas na indústria automobilística falida poluidora da natureza, ao mesmo tempo em que, um dia depois de terminada a reunião de Copenhague sanciona aprovação do Congresso de verba extra-oçamentária de 600 bilhões de dólares para a economia de guerra?

Quem destrói as florestas? Claro, a produção automobilística. Esta compreende cadeia produtiva que rasga estradas, impõe construção de novas moradias, que exigem madeiras, que são extraídas das matas virgens, que eliminam as fontes de água, que matam os animais, que degradam os solos etc. Em Copenhague, os considerados grandes líderes não falaram nada sobre a irracionalidade da expansão da produção de carros que torna a vida insuportável nos grandes centros urbanos. Os considerados racionais, lógicos, renderam-se à religião do consumismo, enquanto aquele a quem atacam, considerando-o dominado pela religião e pela ortodoxia, como é o caso do presidente do Irã, Ahamadinejad, destacou que somente a superação da visão individualista, que tem como Deus o lucro, representará a salvação humana. Engraçado, quem está destruindo o meio ambiente, os países ricos, governados por Obama, Merkel, Brown, Sarkozy, patronos da civilização ocidental cristã, racional, adeptos da religião individualista enlouquecida pelo dinheiro e pela aparência, ou o líder iraniano que tocou o dedo na ferida dos loucos aquecedores da terra, rendidos à produção dos automóveis?  Já em 1978, o ex-prefeito de Nova York, John Lindsay, em entrevista a Paulo Francis, em “Francis, melhores escritos”(Editora Três), destacava que enquanto não houvesse freio à ação dos lobistas das montadoras, que mandavam nos políticos em Washington, seria impossível conter a destruição ambiental. O Brasil e os demais países, até então considerados do terceiro mundo – não estava em voga o neologismo emergente – preparavam-se para entrar mais firmemente na era industrial, enquanto os Estados Unidos, segundo Lindsay, já viviam os transtornos não da era industrial, mas da pós-industrial, requerendo novas intervenções políticas e novos conceitos desenvolvimentistas, capazes de superar os estragos produzidos pela expansão irracional do individualismo expresso nos modelos dos carros cada vez mais atrativos aos consumidores. De lá para cá, a sociedade pós-industrial americana avançou, com a economia de guerra – produtos bélicos e espaciais –  para a tecnologia da informação, em meio às bolhas especulativas, mas, igualmente, convivendo com a indústria automobilística, responsável pelo avanço do caos urbano total, espalhando em escala global, destruindo florestas, exigindo sofisticação acelerada de uma cadeia produtiva infernal destrutiva do meio ambiente.

 

Lógica destrutiva irracional

 

Nem Lula, nem Serra, nem Dilma tiveram, em Copenhague, coragem de dizer que é a produção desenfreada de automóveis a responsável maior pela destruição ambiental no Brasil e no mundo. Fizeram figuração no meio das falsas lideranças globais, incapazes de ver o óbvio: as montadoras são ecologicamente incorretas e precisam sofrer ação de políticas contecionistas, abrindo espaço para nova estrutura produtiva e ocupacional, capaz de melhorar, com o transporte de massa competente, via investimentos públicos, a qualidade de vida humana no planeta, salvando-o da destruição.
Nem Lula, nem Serra, nem Dilma tiveram, em Copenhague, coragem de dizer que é a produção desenfreada de automóveis a responsável maior pela destruição ambiental no Brasil e no mundo. Fizeram figuração no meio das falsas lideranças globais, incapazes de ver o óbvio: as montadoras são ecologicamente incorretas e precisam sofrer ação de políticas contecionistas, abrindo espaço para nova estrutura produtiva e ocupacional, capaz de melhorar, com o transporte de massa competente, via investimentos públicos, a qualidade de vida humana no planeta, salvando-o da destruição.

Começa pela indústria siderúrgica. Florestas são , por exemplo, permanentemente derrubadas para produzir o carvão que, indo para Minas Gerais, é jogado nas bocas de fornos para produzir minério de ferro cujo destino é a China, especialmente, nos últimos vinte anos.O crescimento de 10% do PIB chinês tem como contrapartida a destruição florestal brasileira. Por Brasília, trafegam, diariamente, cerca de mil caminhões sobrecarregados de carvão. Haja destruição! A capacidade instalada da indústria automobilística mundial está preparada para vomitar 80 milhões de carros por ano. Antes da crise mundial, em setembro de 2008, o consumo era de 50 milhões/ano.Ou seja, já rolava um excedente de 30 milhões na praça. Era visível o desastre.  Depois da bancarrota, caiu para 30 milhões. Como se trata de renovar, constantemente, a produção, dada a competição entre as dezenas de montadoras, pois se não houver renovação tecnológica permanente, o consumidor descarta o produto, visto sua subordinação à propaganda, o resultado é a sustentação do sistema em cima de um bem durável que comanda a destruição da natureza. Bomba atômica que explode paulatinamente, dia a dia, sem que se sinta a destruição brutal, imediata, mas compassada, permanente. O que disseram os líderes mundiais em Copenhague em relação à irracionalidade espalhada pela indústria automobilística que manipula, pelo dinheiro, os parlamentos do mundo, como no Brasil, cujo governo, para sair da crise, aprova medidas fiscais intermitentes capazes de levar o consumidor a trocar de automóvel todo ano e, consequentemente, a intensificar a destruição ambiental? O ex-líder metalúrgico Inácio Lula da Silva, claro, não falou nada. O governador de São Paulo, José Serra, idem. Falaria contra o parque produtivo destruidor instalado na paulicéia desvairada, sabendo que é essa indústria da morte que mantém os cofres públicos cheios de arrecadação, com a qual realiza novos investimentos etc? E Barack Obama? No auge da crise americana, jogou dinheiro público a rodo, para salvar as montadoras dos Estados Unidos. Teria ou não razão o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, demonizado pelos líderes tidos como racionais, quando disse que se o clima fosse um banco financeiro em chamas, certamente, haveria esforços conjuntos para salvá-lo? Obama não mediu esforços para tirar os banqueiros do sufoco, mesmo sabendo que eles são os promotores da destruição especulativa que levou o capitalismo à garra. E assim por diante.

 

Jogo da aparência farsante

 

As frotas de automóveis que congestionam geral a vida urbana são as fontes da destrutição das florestas, das águas, dos bichos, em nome da produção do carvão e do minério de ferro, abençoado pelo deus individualista que coloca em xeque a racionalidade da civilização ocidental considerada o norte da sabedoria humana que leva ao caos e à guerra para sustentar a reprodução da taxa de lucro em escala cada vez mais avançada custe o que custar sob corrupção dos líderes políticos nos legislativos onde a ética se transformou em seu oposto a anti-ética.
As frotas de automóveis que congestionam geral a vida urbana são as fontes da destrutição das florestas, das águas, dos bichos, em nome da produção do carvão e do minério de ferro, abençoado pelo deus individualista que coloca em xeque a racionalidade da civilização ocidental considerada o norte da sabedoria humana que leva ao caos e à guerra para sustentar a reprodução da taxa de lucro em escala cada vez mais avançada custe o que custar sob corrupção dos líderes políticos nos legislativos onde a ética se transformou em seu oposto a anti-ética.

A conversa em Copenhague, portanto, foi uma farsa completa. Cuidou-se da aparência do problema ambiental. A essência ficou oculta e latente. Lideranças políticas fracassadas falaram, falaram e não disseram nada. Enquanto isso, os administradores públicos em todo o mundo, como o governador brasiliense fracassado, José Roberto Arruda, implodido pela corrupção, faz campanha publicitária para endeusar sua administração por estar promovendo o caos urbano a fim de proporcionar maior espaço aos automóveis. Para tanto, arregimenta empresas que ganham licitações na base da corrupção etc. Irracionalidade total. Não poderia, portanto, dar em nada, como não deu, a conferência do clima na Dinamarca. Milhares de jornalistas de todas as partes escreveram bilhões e mais bilhões de palavras para não falar a verdade, porque, como já disse Freud, as palavras servem para esconder o pensamento. A terra continuará esquentando ou está esfriando, como disseram notáveis cientistas que recomendaram ao ex-presidente W. Bush – e recomendam, agora, ao presidente Obama – pé no freio quanto ao corte nas emissões? Está em cena um jogo de desinformação geral, ao que tudo indica, mas, efetivamente, o que destrói a qualidade de vida, o padrão de consumo contra o qual não se fala nada, foi deixado de lado. Todos compactuaram em não falar nada sobre o essencial, isto é, a necessidade de dar um basta na produção bélica e espacial, bem como na expansão da fabricação de automóveis. Ao contrário, o que se vê são os industriais lançando novas plantas, visando novos lançamentos de carros cada vez mais espetaculares. No dia seguinte ao do término da Conferência de Copenhague, o Congresso dos Estados Unidos aprovaram mais uma dotação extra-orçamentária de 600 bilhões de dólares para o Pentágono impulsionar a produção bélica e espacial. Enquanto isso, a grande mídia, orientada pelo capital, demoniza Ahmadinejad como perigoso à vida terrestre, logo ele que chamou a atenção para a irracionalidade da civilização ocidental, expressa na subordinação ao Deus consumista. Quem são os loucos e quem são os sãos? Quem terá coragem de meter o dedo na ferida para desarmar a infra-estrutura produtiva e ocupacional global que paga os meios de comunicação para informarem o avesso da realidade, desinformando e alienando geral, em nome da expansão do PIB? Continuará sendo racional sustentar a produção de veículos cuja cadeia produtiva é promovedora da insustentabilidade ambiental global?

 

 

Fundo Obama usa plata de Lula

Lula, o cara, caiu, bonitinho, na manobra de Obama, que jogou o juro para baixo, transplantou o jogo especulativo para o Brasil, levantou a plata forte, que, agora, forma o fundo de Tio Sam para contribuir, em Copenhague, para a redução das emissões de gases poluentes na atmosfera global. O titular da Casa Branca jogou com o chapéu do titular do Planalto. Sabedoria é isso aí.
Lula, o cara, caiu, bonitinho, na manobra de Obama, que jogou o juro para baixo, transplantou o jogo especulativo para o Brasil, levantou a plata forte, que, agora, forma o fundo de Tio Sam para contribuir, em Copenhague, para a redução das emissões de gases poluentes na atmosfera global. O titular da Casa Branca jogou com o chapéu do titular do Planalto. Sabedoria é isso aí.

Talvez, agora, durante a fracassada Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas(COP-15), possa ser melhor entendida e avaliada a frase do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quando disse que o presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, é “o cara”. A deferência diria respeito à consciência do titular da Casa Branca de que seria o titular do Planalto que contribuiria, decisivamente, para os Estados Unidos proporem o fundo de investimento de 100 bilhões de dólares que anunciou como participação americana na COP-15. Grande parte desse dinheiro estaria sendo garantida pelo Brasil, graças aos juros negativos americanos que levaram os bancos dos Estados Unidos a migrarem para os países emergentes, especialmente, ao Brasil, onde, ao longo de 2009, faturaram horrores, dispondo, agora, no final do ano, de recursos suficientes para devolverem ao tesouro americano. Este, por sua vez, capitalizado com os recursos que emprestou aos banqueiros, passa o dinheiro para o fundo americano com o objetivo de combater os efeitos das emissões de gases poluentes na atmosfera. A proposta americana, anunciada pela secretária de Estado, Hillary Clinton, visa capitalizar o fundo financeiro ambiental com dinheiro dos outros. Com a participação dos demais 191 países integrantes da COP-15, tal fundo agilizaria modernização dos parques industriais em utilização pelo mundo afora, cuja característica básica é, fundamentalmente, inadequada às exigências da sustentabilidade ambiental. O jogo da  Casa Branca está cada vez mais claro. A grande crise global, detonada pela bancarrota financeira americana, levou Washington a intervir fortemente no sistema bancário. Foram jogados na circulação capitalista trilhões de dólares. Calculam os especialistas que tenha sido algo superior a 15 trilhões de dólares. O governo americano, com tal volume de emissões, viu-se obrigado a reduzir, drasticamente, a taxa de juros. Caso contrário, mantida a taxa positiva, teria a Casa Branca de pagar juro alto sobre a sua própria dívida. Emergiria bancarrota explosiva do sistema financeiro internacional, que se encontra na UTI, por enquanto, correndo perigo de novas derrapadas perigosas. Em face dos juros negativos, impondo eutanásia do rentista, os bancos dos Estados Unidos, capitalizados pelo governo, mas sem poder dar rentabilidade a tal capitalização, deslocaram-se para os países emergentes, com destaque para o Brasil, onde vigora o juro positivo mais alto do mundo. Aqui, elevaram suas aplicações no mercado acionário, esquentando-o, artificialmente, valorizando as moedas locais dos países destinatários dos dólares em desvalorização. Passados 12 meses de intensas especulações, os bancos americanos, com suas aplicações mundo afora, levantam recursos para pagarem o tesouro americano os bilhões de dólares que tomaram emprestados em forma de socorro emergencial. Com esse dinheiro retornado, o presidente Barack Obama dispõe de reservas capazes de contribuir com o fundo financeiro ambiental que se constrói em Copenhague. Ou seja, Tio Sam faz favor ambiental com o chapéu financeiro dos outros.

 

Papel de trouxa

 

 

 

 

 

O agente de Obama no Brasil, Henrique Meirelles, jogou o jogo da Casa Branca, mantendo o juro alto para atrair os dólares desvalorizados que especularam na bolsa, levantando lucros que retornaram aos Estados Unidos, para ajudar os americanos a formarem fundo financeiro, com suor dos outros, para apresentar como triunfo em Copenhague. Morou?
O agente de Obama no Brasil, Henrique Meirelles, jogou o jogo da Casa Branca, mantendo o juro alto para atrair os dólares desvalorizados que especularam na bolsa, levantando lucros que retornaram aos Estados Unidos, para ajudar os americanos a formarem fundo financeiro, com suor dos outros, para apresentar como triunfo em Copenhague. Morou?

Nas duas últimas semanas, quase 100 bilhões de dólares foram devolvidos pelos bancos americanos ao tesouro como fruto das suas aplicações financeiras fora dos Estados Unidos. O Citybank , por exemplo, devolveu quase 30 bilhões. Outros grandes bancos estão fazendo o mesmo. O próprio presidente Obama, que, depois do estouro da grande crise, quando se viu obrigado a socorrer a bancocracia ameaçada de extinção, graças aos abusos decorrentes de uma legislação bancária laxista, removida, semana passada, pelo Congresso dos Estados Unidos, exortou, principalmente, o City a ampliar, na América do Sul, suas operações, especialmente, no mercado financeiro. Contribuiu, dessa forma, para impedir a união sul-americana na disposição geral de criar o Banco do Sul. Se der certo – já está dando – a estratégia financeira obamista detona o propósito da Unasul. A Bolsa de São Paulo, por exemplo, no início do ano rodava na casa dos 38 mil pontos. No final de 2009, graças ao jogo especulativo dos bancos americanos, aproxima-se dos 70 mil pontos. Ou seja, ampliou-se bolha especulativa patrocinada pelos bancos e corretoras americanas, na América do Sul, sem correspondência relativa com o crescimento do PIB. No Brasil, por exemplo, a bolha bombou a bolsa, mas o PIB, ou seja, a economia real, ficará negativo. Agora, no final do ano, os especuladores, cheios dos dólares, levantados na Bovespa, retornam aos Estados Unidos, para pagar o Tesouro americano pela benesse financeira, enquanto Barack Obama aproveita, na reta final da COP-15, para anunciar o montante – 100 bilhões de dólares – de contribuição dos Estados Unidos ao fundo financeiro ambiental global, de modo a tentar mitigar a expansão dos gases estufas. Pela especulação financeira, extraída do suor dos países emergentes e pobres, os Estados Unidos, que sofreram baque federal, com a grande crise, buscam sair por cima, montado nas costas dos trouxas. Quando Barack Obama diz que o presidente Lula é “o cara”, certamente, está apontando para quem vai pagar a conta, junto com os outros panacas, do estrago ambiental provocado, principalmente, pelos Estados Unidos, Europa, Japão e China, os mais ricos do mundo e, igualmente, os mais poluidores. Além de fazer de bobos os emergentes e os mais pobres, a secretária de Estado Hillary Clinton ainda deu lição de moral, dizendo que não faz sentido a pressão deles em cima dos mais ricos, sabendo que, como o caso brasileiro, são responsáveis pelas emissões poluentes, graças ao aumento descomunal do desmatamento da Amazônia. Para um dos economistas que trabalham na FIPECq – Fundação de Previdência Cmplementar dos Empregados ou Servidores da FINEP, IPEA, CNPq, INPE e INPA – em entrevista a este site , os banqueiros americanos, com estímulo do juro negativo fixado pelo governo Barack Obama, para salvar o tesouro dos Estados Unidos da falência, visto que o país é o maior devedor do mundo, transformaram as economias capitalistas periféricas emergentes, como a brasileira, em tremendas bolhas especulativas, ao longo de todo o ano. Contribuiu, naturalmente, para o sucesso dessa empreitada obamista em Copenhague, a  sustentação, pelo Banco Central, sob comando do ministro Henrique Meirelles, da elevada taxa de juro nacional, atrativa ao capital especulativo.

 

Jogo do consumo

 

 

 

 

 

Dilma foi fiasco em Copenhague. Leu discurso equivocado, depois de medir forças com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que estava sintonizado não com ela, mas com Lula, que acabou rendendo-se à necessidade de o Brasil colocar dinheiro no fundo financeiro ambiental, constestado pela candidata dele. Saiu perdendo para a senadora Marina Silva, cujo discurso orientou o titular do Planalto na reta final.
Dilma foi fiasco em Copenhague. Leu discurso equivocado, depois de medir forças com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que estava sintonizado não com ela, mas com Lula, que acabou rendendo-se à necessidade de o Brasil colocar dinheiro no fundo financeiro ambiental, constestado pela candidata dele. Saiu perdendo para a senadora Marina Silva, cujo discurso orientou o titular do Planalto na reta final.

Enquanto Obama, jogou os juros para abaixo de zero, a fim de que não seja importunada a dívida americana com juro positivo, algo que seria fatal em face da política fiscal adotada pela Casa Branca, no Brasil, o presidente Lula, obrigado a agir, fiscalmente, no mesmo sentido, sofreu, ao contrário do titular da Casa Branca, a facada nas costas do BC, sustentando juro positivo elevado. As conseqüências não poderiam ser outras senão as referentes aos números do balanço de pagamentos. Esse ano, o déficit em contas correntes poderá aproximar-se dos 2% do PIB, podendo, em 2010, alcançar os 4%, sinalizando bancarrota do tesouro nacional, se o capital externo não entrar como entrou em 2009. especulando brabo na bolsa e comprando empresas brasileiras na bacia das almas, graças à sobrevalorização do real. Ao entrarem no país, os dólares fortalecem o real. Com o real em caixa, os aplicadores, que valorizaram a moeda nacional, avançam sobre as empresas brasileiras, comprando-as barato, num contexto de esfriamento da economia, como demonstram os números apresentados, semana passada, pelo IBGE, sinalizando PIB negativo em 2009. O jogo especulativo, favorecido pelo câmbio flutuante, aponta para grandes lucros dos especuladores que compraram ações de empresas, candidatas a faturarem alto, no próximo ano, em que o governo fará tudo, via política fiscal, para sustentar mercado interno forte, bancando subsídios, a fim de garantir arrecadação tributária ascendente. O presidente Lula optou, ao que parece, definitivamente, pelo bombeamento do consumo, em vez de estimular a produção. Como a capacidade instalada, ao longo de 2009, manteve-se baixa, em face da retração relativa do consumo, a opção econômica lulista foi a de não privilegiar o investimento nas atividades produtivas, mas no aquecimento da onda consumista. A ação governamental se repetiu ao longo da semana. Depois de desonerar fiscalmente diversos produtos industriais, para estimular as compras no crediário, chegou a vez das motocicletas, igualmente, desoneradas. Estarão suspensas as cobranças de impostos sobre a fabricação delas, a fim de aumentar suas vendas, nos próximos meses. Como o investimento na produção não gera, sob capitalismo, consumo correspondente, desmentindo a Lei de Say – de que toda a oferta gera consumo correspondente – , o governo, experimentado pela prática, expressa em queda de arrecadação, decidiu pelo oposto, ou seja, bombear o consumo. Este sim, ao ser acionado, imediatamente, produz arrecadação. Como, em 2010, o presidente Lula precisará de ingressos tributários alentados, para bancar investimentos crescentes, capazes de sustentar, positivamente,a produção, emprego, consumo e arrecadação, a fim de manter em ascensão a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, fiasco em Copenhague,  o jogo do Banco Central, de manter juro positivo, que fragiliza as finanças públicas, tenderia a enfraquecer, em vez de fortalecer, a estratégia econômica lulista. Quem ganhar a eleição, no ambiente de sustentação do monetarismo especulativo meirelliano, vai herdar tremendo abacaxi.

 

 

Revolução federativa pelo petróleo

Revelando-se grande descortínio federativo, o gaúcho Ibsen Pinheiro saiu em defesa da divisão da riqueza nacional do petróleo para todos de forma igual, unindo o plenário e colocando em polvorosa as forças governistas, aliadas ao Planalto, para fazer o jogo dos estados ricos. É o grande líder político nacional do ano.
Revelando-se grande descortínio federativo, o gaúcho Ibsen Pinheiro saiu em defesa da divisão da riqueza nacional do petróleo para todos de forma igual, unindo o plenário e colocando em polvorosa as forças governistas, aliadas ao Planalto, para fazer o jogo dos estados ricos. É o grande líder político nacional do ano.
Igualmente, é , também, grande político do ano ao gritar em plenário que a Federação não pode mais ser abastardada pelo voto de liderança que sustentou a governabilidade provisória nos governos neorepublicanos. Cai a manobra parlamentar anti-democrátia. Emerge a força da maioria pela voz conjugada de Minas e Rio Grande do Sul no debate sobre petróleo.
Igualmente, é , também, grande político do ano ao gritar em plenário que a Federação não pode mais ser abastardada pelo voto de liderança que sustentou a governabilidade provisória nos governos neorepublicanos. Cai a manobra parlamentar anti-democrátia. Emerge a força da maioria pela voz conjugada de Minas e Rio Grande do Sul no debate sobre petróleo.

O presidente da Câmara, deputado Michel Temer(PMDB-SP), dançou feio. Tentou manobrar em favor do presidente Lula e os dos governadores do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, em detrimento dos demais estados da Federação, na partilha da riqueza da exploração petrolífera das reservas do pré-sal, mas foi derrotado. Por incrível que pareça quem acabou defendendo os interesses dos mais pobres não foram os mais pobres, mas, ao contrário, os mais ricos. Os representantes do Rio Grande do Sul, deputado Ibsen Pinheiro(PMDB), e de Minas Gerais, deputado Humberto Souto(PPS), estados, economicamente, poderosos, saíram em defesa dos nordestinos, dos nortistas e dos centroestinos, que estavam com seus interesses subjugados por Temer e seus correligionários, na estratégia anti-federativa, os deputados Luís Henrique Alves(PMDB-RN), Eduardo Cunha(PMDB-RJ),  Cândido Vaccarezza(PT-SP) e Rodrigo Rollemberg(PSB-DF), para atender as articulações do presidente Lula com os governadores paulista, carioca e capixaba, comandantes dos estados produtores de petróleo. Os aplausos entusiásticos do plenário, composto pela maioria, em favor da proposta Ibsen-Souto, demonstram que, se , nessa tarde de quarta feira, ela for a voto, no plenário, o espírito federativo poderá impor-se de forma espetacular, configurando o grande fato político parlamentar de 2009.

 

Jogo do dinheiro

 

 

 

Henrique Alves e Michel Temer em vez de articularem em termos federativos, jogaram com o Palácio do Planalto, para agradar o Rio de Janeiro, São Paulo e Espirito Santo. Perderam feio a parada para o espírito federativo de Ibsen-Couto, sintonizados com o plenário , maioria que poderá derrotar as manobras palacianas e dos governadores egoístas dos estados mais ricos, na tentativa de afogar a Federação.
Henrique Alves e Michel Temer em vez de articularem em termos federativos, jogaram com o Palácio do Planalto, para agradar o Rio de Janeiro, São Paulo e Espirito Santo. Perderam feio a parada para o espírito federativo de Ibsen-Couto, sintonizados com o plenário , maioria que poderá derrotar as manobras palacianas e dos governadores egoístas dos estados mais ricos, na tentativa de afogar a Federação.

O deputado Henrique Alves foi fraco nas suas argumentações desde o início dos trabalhos nas comissões, disposto a fazer valer menos o espírito federativo na discussão do grande problema do que render-se ao espírito planaltino. O substitutivo aprovado sob seu comando contemplava aos estados ricos produtores de petróleo 25% na divisão dos royalties, 6% aos municípios produtores, 19% para a União e 44% para os estados e mais de 5.500 municípios não produtores, divididos, igualmente, de acordo com os critérios do Fundo de Participação dos Estados e dos Municípios. Ou seja, iniqüidade total por falta de equanimidade federativa. Já nos contratos firmados, existentes antes da proposta nova enviada pelo governo ao Congresso, a divisão ficaria, igualmente, mantida de iníqua e inequânime: 26,5%(estados produtores), 18%(municípios produtores), 20%(União), 22%(estados não produtores) e 8,75%(municípios não produtores). Aí entrou o espírito de justiça federativo gaúcho , de Ibsen Pinheiro, e mineiro, de Humberto Souto, e virou tudo de cabeça para baixo, revolucionando o plenário. Toda receita do petróleo, patrimônio do povo, passaria a ser distribuída entre os 27 estados e 5.561 municípios brasileiros de forma justa pelo critério de distribuição fixado pelo Fundo de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios(FPM): 50% para todos os estados e o Distrito Federal e o mesmo para os 5.561 municípios, articulada a divisão equânime pela União, ou seja, a representante institucional do povo brasileiro. Foi um Deus nos acuda nos arraiais do golpismo regimental anti-democrático.

 

Golpismo anti-federativo

  

 

O lider do PT Candido Vaccarreza demonstrou impetuosidade nas articulações golpistas, revelando que não dá mais para o Planalto interfir no legislativo por meio de líderes que buscam abastadar o espírito congressual, tentando reverter maioria em minoria por meio de voto de liderança, configurando Congresso submetido à governabilidade eternamente provisória, herança ditatorial incompatível com a democracia autêntica. Líder de Governo no Congresso é total contrasenso democrático.
O lider do PT Candido Vaccarreza demonstrou impetuosidade nas articulações golpistas, revelando que não dá mais para o Planalto interfir no legislativo por meio de líderes que buscam abastadar o espírito congressual, tentando reverter maioria em minoria por meio de voto de liderança, configurando Congresso submetido à governabilidade eternamente provisória, herança ditatorial incompatível com a democracia autêntica. Líder de Governo no Congresso é total contrasenso democrático.

O presidente Michel Temer, interessado em atender o Planalto, para se dar bem com o presidente Lula e sua candidata Dilma Rousseff, da qual deseja ser vice, podendo ser detonado dessa pretensão, acatou os argumentos dos golpistas parlamentares, deputados Eduardo Cunha e Cândido Vaccarezza, desinteressados do espírito federativo e munidos da disposição golpista anti-federativa, como defensores dos estados ricos, Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente. Buscaram ambos, de todas as formas, inviabilizar a emenda Ibsen-Souto, partindo para os casuísmos regimentais, que ganharam amplidão extraordinária nos governos da Nova República, subordinados aos interesses dos credores, que impuseram ao Congresso o regime de governabilidade provisória. Sob jugo do Consenso de Washington, os governos neorepublicanos esvaziaram complemente o Congresso e o destituiu do espírito federativo. Ganharam força as lideranças partidárias que passaram a manobrar o Legislativo pelos chamados votos de liderança. Ditadura da liderança de governo que, em si, é um contrasenso em relação às lideranças de partidos, configurando intervenção do governo no legislativo. Os deputados e deputadas, maioria, passaram a fazer papel de meros coadjuvantes nas legislaturas manipuladas pelo interesse do Planalto no parlamento. Tudo indicaria que as coisas continuariam sendo resolvidas na base do tapetão, até que emergiu, no ambiente parlamentar, a necessidade de uma grande decisão nacional. O PETRÓLEO É NOSSO, DO POVO BRASILEIRO, OU, APENAS, DO POVO DO RIO DE JANEIRO, DO ESPÍRITO SANTO E DE SÃO PAULO? O Sul maravilha, que, historicamente, desenvolveu-se nos últimos cinqüenta anos , graças às transferências de renda dos estados mais pobres, no sentido de promover a industrialização, via reforma tributária, articulada , ditatorialmente, ainda pelos militares, nos anos de 1960 em diante, achou que, na governabilidade provisória neorepublicana neoliberal, mandaria eternamente, exatamente, na distribuição da grande riqueza nacional, o petrólo. Deu xabu.

 

Modelo para reformas gerais

  

 

Cunha só pensou no seu umbigo, o Rio de Janeiro, desconsiderou, totalmente, o espírito federativo, e para valer sua obsessão , partiu para o casuísmo regimental, demonstrando o espírito carioca egoísta, que certamente, não é maioria no Rio de Janeiro, sob o ângulo federativo, pelo menos, se for levada a experiência histórica da generosidade e espírito de justiça do Rio.
Cunha só pensou no seu umbigo, o Rio de Janeiro, desconsiderou, totalmente, o espírito federativo, e para valer sua obsessão , partiu para o casuísmo regimental, demonstrando o espírito carioca egoísta, que certamente, não é maioria no Rio de Janeiro, sob o ângulo federativo, pelo menos, se for levada a experiência histórica da generosidade e espírito de justiça do Rio.

A reviravolta provocada pela emenda Couto-Ibsen, união RS-MG contra SP-RJ-ES , balançou a Federação expressa na representação parlamentar no plenário. Caso fosse aprovado o substitutivo do deputado renegado nordestino anti-espírito federativo Henrique Alves estaria sendo colocado em marcha o aprofundamento histórico da concentração da renda nacional. Os cálculos realizados pela assessoria parlamentar de Couto-Ibsen derrotaram as pretensões anti-federativas os deputados paulistas, cariocas e capixabas, aliados, inconscientes, politicamente, do Palácio do Planalto. Os estados mais pobres passariam a ser amplamente contemplados com as riquezas do petróleo, de forma igualitária, comparados aos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Configurou-se estratégia federativa irresistível que levou a proposta de Henrique Alves ao perigo da derrota, caso seja levada ao plenário para confrontar-se com a de Couto-Ibsen. Momento histórico politicamente sensacional.  As manobras de cúpula anti-federativas, avalizadas por Michel Temer, sintonizadas com a governabilidade eternamente provisória, praticada pelo Palácio do Planalto,  que tomou conta da Nova República neoliberal, subordinada aos interesses dos credores do Estado Nacional, estão, graças à força das idéias federativas, levadas ao plenário por Ibsen-Souto, condenadas ao fracasso. O discurso do líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza, de defesa da anti-federação, concentradora de renda nos estados mais ricos em detrimento dos mais pobres, representou o ponto final de estratégias golpistas-parlamentares anti-democráticas que não resistem mais aos ventos de renovação política que a sociedade reivindica para dar vida nova ao parlamento nacional. Certamente, o critério de partilha justo contido na proposta de Ibsen-Couto, sintonizado com a Constituição de 1988, denominada Constituição Cidadã pelo deputado Ulisses Guimarães, passa a ser o norte não apenas da partilha do dinheiro do pré-sal, mas, igualmente, poderá ser, também, das reformas tributária e política, dado o senso de justiça de que está possuído.

 

Novo jogo sucessório

  

 

O que dirão os presidenciáveis: deve predominar o amplo espírito federativo ou as manobras anti-federativas dos aliados dos estados ricos e do Planalto contra os estados mais pobres, mas que tem a maioria dos votos e serão, consequentemente, decisivos na eleição presidencial de 2010?
O que dirão os presidenciáveis: deve predominar o amplo espírito federativo ou as manobras anti-federativas dos aliados dos estados ricos e do Planalto contra os estados mais pobres, mas que tem a maioria dos votos e serão, consequentemente, decisivos na eleição presidencial de 2010?

O que dirão os governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio , de Minas Gerais, em disputa dentro do PSDB para saírem candidatos da oposição, sobre a proposta renovadora de Ibsen-Souto, à qual , ao que tudo indica, a maioria dos parlamentares se renderá nas próximas horas, caso seja votada, hoje, e não adiada, por manobras golpistas parlamentares, para o próximo ano, como já se articulam os golpistas anti-federativos? E, da mesma forma, o que falará a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff sobre o mesmo tema? Defenderão as articulações do presidente Lula, levadas a efeito por líderes congressistas ligados ao Planalto que perderam credibilidade, ou farão o jogo da maioria dos governadores e dos parlamentares, seduzidos pelo espírito de justiça federativo encarnado no jogo democrático levantado pelos dois parlamentares gaúcho e mineiro? Por não ter adotado uma posição de eqüidistância na luta político parlamentar e ter acolhido, açodadamente, o substitutivo de Henrique Alves, ao mesmo tempo em que buscou dar como matéria vencida o esforço de resistência democrática de Ibsen-Couto, o presidente da Câmara, Michel Temer, joga fora seu capital político dentro do PMDB. Pode sair prejudicado na sua pretensão de ser candidato a vice na chapa de Dilma, escolhida, no dedaço, pelo presidente Lula. Quem se revelou autêntico peemedebista não foi Temer,  mas Ibsen. Temer jogou contra o Norte, Nordeste e Centro-Oeste,  revelando parti-pris sulista, enquanto o sulista Ibsen demonstrou o contrário. Os manobristas golpistas anti-democráticos se auto-condenaram. Inverteram o processo.  Fizeram o discurso não do PETROLÉO É NOSSO, mas do PETRÓLEO É DELES. O candidato à Presidência da República, deputado Ciro Gomes(PSB), não perdeu a oportunidade – desancou Temer. Simbolicamente, veio ao ar um cordão político ligando o Brasil de Norte a sul: Gomes, do Norte-Nordeste; Ibsen, do Sul-Sudeste. PSB-PMDB, nova dupla para encarar os adversários na luta política sucessória 2010?

 

 

 

Obama aperta pescoço da bancocracia

A bancocracia, depois de levar o capitalismo ao fundo do poço, mediante especulação desenfreada global, sofre derrota no Congresso, que aprova legislação restritiva, sob pressão popular, obrigando o governo americano a render-se ao anseio social de conter a ganância dos especuladores, cujo limite é o de levar a humanidade ao caos e à anarquia geral, caso predomine a ideologia liberal do livre mercado capitalista como produtor não de riqueza, mas de desastres.

A bancocracia, depois de levar o capitalismo ao fundo do poço, mediante especulação desenfreada global, sofre derrota no Congresso, que aprova legislação restritiva, sob pressão popular, obrigando o governo americano a render-se ao anseio social de conter a ganância dos especuladores, cujo limite é o de levar a humanidade ao caos e à anarquia geral, caso predomine a ideologia liberal do livre mercado capitalista como produtor não de riqueza, mas de desastres.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, depois de obter, semana passada, vitória expressiva – 223 a 202 – na Câmara de Representantes, para aprovação de legislação restritiva à especulação financeira que colocou o capitalismo americano de joelhos, resolveu, nessa segunda feira, 14,  apertar o pescoço da bancacracia americana. Talvez seja uma forma de desafogar nos banqueiros as pressões que está sofrendo na sociedade por colocar os Estados Unidos, mais uma vez, no rota da economia de guerra como tentativa de salvação do capital em crise. Como a sociedade, também, não está satisfeita com a bancocracia irresponsável, o titular da Casa Branca pega o embalo da insatisfação popular para jogar ao lado dela em favor da maior oferta de crédito ao consumo, suspenso depois da bancarrota financeira de 2008.  Disse, claramente, que não foi eleito para satisfazer os interesses de Wal Street. Houve pouca repercussão no Brasil, porque a grande mídia está toda dependurada nos grandes bancos, que não gostam dessas notícias com destaque. Mas, ele resolveu sair do imobilismo relativamente aos bancos poderosos, que se transformaram em retaguarda resistente ao credito direto ao consumidor, depois do estouro financeiro. Os assessores do presidente vocalizaram, igualmente, forte o recado presidencial. Ontem , decidiu convocar os principais banqueiros a Washington para passar o recado mais duramente: que eles ampliem o crédito ao consumo. E, evidentemente, renegociem as dívidas dos consumidores, abrindo espaço para novas dívidas. Adam Smith já dizia que a dívida pública não se paga, renegocia. A dos consumidores, também, na era do cartão de crédito. Haverá, certamente, acordo entre as duas partes, governo-bancos,  porque quem passa a ser o avalista do crediário americano é o próprio tesouro dos Estados Unidos. Depois da grande crise, canaliza aos bancos trilhões e mais trilhões de dólares para a circulação capitalista. É o Estado, na nova situação dramática do capitalismo, o emprestador de última instância, como destaca, hoje, no Valor Econômico , o ex-ministro e ex-deputado Delfim Netto.

 

Armadilha da liquidez à vista

 

 

 

"A festa acabou", foi o recado de Nanci Pelosi, líder do governo , na Câmara, diante da vitória democrata que botou abaixo a liberdade da bancocracia fazer o que quiser, como aconteceu até à grande crise global implodida em setembro de 2008, levando a economia mundial aos ares, obrigando o Estado a estabelecer novos limites para o capital financeiro especulativo-suicida.
"A festa acabou", foi o recado de Nanci Pelosi, líder do governo , na Câmara, diante da vitória democrata que botou abaixo a liberdade da bancocracia fazer o que quiser, como aconteceu até à grande crise global implodida em setembro de 2008, levando a economia mundial aos ares, obrigando o Estado a estabelecer novos limites para o capital financeiro especulativo-suicida.

O problema é que o endividamento das famílias, na grande crise, chegou ao limite e a preocupação maior dos banqueiros passou a ser a inadimplência. Esta, por sua vez, induz as famílias endividadas ao espírito poupancista, deixando de lado o espírito consumista. Como o juro está negativo nos Estados Unidos, maior oferta de dinheiro, se recusada pelo espírito poupancista, que substitui o seu oposto, o espírito gastador, criaria questionamento popular: deixar o dinheiro no juro negativo que não rende poupança alguma ou aproveitar o aumento da oferta de crédito, sendo mais vantajoso gastar do que perdê-lo sem gastar nada, embora o endividamento familiar tenha passado dos limites? A resistência dos bancos em subordinar-se ao jogo de pressão da Casa Branca tenderia a aumentar, caso a oferta de crédito, forçada pelo governo, não encontrar tomador, que optou pela poupança, reduzindo a gastança. Pintaria armadilha de liquidez em forma de alagamento monetário. Seria a destruição dos bancos, que se obrigariam a subordinar-se ainda mais ao socorro estatal. A oferta monetária governamental americana poderia rolar em ambiente em que deixaria de ser útil o juro negativo como dinamizar da estruturar produtiva capitalista. O resultado da resistência dos bancos pode ser o aumento da tensão na relação governo-banqueiros. As declarações de Obama, na semana passada, sinalizariam essa possibilidade. Na prática, a pressão maior do titular do poder americano sobre os bancos aumenta em razão da ira popular contra os próprios bancos, responsáveis principais pelo estouro da bolha especulativa financeira global, implodindo geral, desorganizado, totalmente, o orçamento familiar e a economia interna. Como era a economia interna, regada por emissão de dólares sem lastro, que dava garantia à própria moeda, no momento em que as suas bases, expressas no crediário, desde os tempos de Ford, nos anos de 1920 em diante, implode, igualmente, vai aos ares a própria garantia do dólar, ou seja, o mercado interno americano.

 

Estatização bancária em marcha

 

 

 

Trotski e Lenin destacaram que a oligopolização financeira privada, no limite, jogaria contra o interesse público, obrigando o Estado a entrar em campo para fazer o contrário, ou seja, jogar a favor do interesse público mediante estatização bancária para organizar socialmente o crédito e as atividades produtivas que entram em ebulição por conta da anarquia financeira que elimina o crediário, como acontece na grande crise de 2008.
Trotski e Lenin destacaram que a oligopolização financeira privada, no limite, jogaria contra o interesse público, obrigando o Estado a entrar em campo para fazer o contrário, ou seja, jogar a favor do interesse público mediante estatização bancária para organizar socialmente o crédito e as atividades produtivas que entram em ebulição por conta da anarquia financeira que elimina o crediário, como acontece na grande crise de 2008.

 No primeiro momento da crise, o presidente jogou a favor os bancos, socorrendo-os, sem lançar mão da estatização efetiva deles. Ficou uma estatização branca, no discurso, porque os banqueiros continuaram embolsando rios de dinheiro do governo em forma de salvação bancária. Como o comportamento dos bancos permaneceu invariável, ou seja, embolsando dinheiro estatal a rodo, sem maiores compromissos com a expansão do crédito implodido, a reação social aos abusos da bancocracia ganhou força a ponto de influir nas relações, até agora, amigáveis entre a Casa Branca e Wall Street.  As críticas do presidente aos abusos dos marcaram inflexão nova no contexto, abrindo espaço para reações que estão em formação para serem produzidas no compasso das pressões políticas em marcha, dialeticamente. Se as pressões de agora em favor de maior oferta de crédito para recuperar a força do dólar dada pelo consumo interno – já que a poupança interna americana é o mercado interno americano – não derem certo e o dólar pipocar, o governo teria motivação para entrar em cena, estatizando os bancos em nome do interesse público. Ficaria evidente que a oligopolização bancária caracterizada pela ação coordenada dos grandes bancos, em escala global, ganha contornos econômicos que afetam o interesse público. O governo teria que agir em favor do interesse público, se quisesse continuar a ser percebido como útil, na lógica capitalista comandada pela ideologia utilitarista, essência fundamental do capital. Pintaria a negação do oligopólio privado em forma de oligopólio estatal. Confronto de gigantes oligopolizados.  Essa previsão já foi feita por Lenin e Trostki, ao destacarem que no auge da financeirização capitalista oligopolizada privada emergiria o seu contrário a oligopolização estatal e, por fim, a intervenção do Estado em nome do interesse público. Maior aperto no pescoço dos banqueiros americanos pelo presidente Obama é sinal de que Tio Sam não vai dormir de toca com a bancocracia, especialmente, no momento em que os bancos se transformam,  aos olhos da sociedade, no grande Judas. Como a força dos bancos está na  moeda estatal, na verdade, não haveria o grande confronto final, porque, na lona, os próprios banqueiros pediriam para ser estatizados,  já que, sem o Estado, não sobreviveriam, como a grande crise está demonstrando.

 

 

 

 

Moeda global para impasse climático global

Se o interesse em conter a poluição ambiental destrutiva é global e a economia globalizada está em crise porque os equivalentes gerais das trocas internacionais, ou seja, o dólar e o poder imperial americano, estão em bancarrota, desacreditados, a superação do impasse não ocorrerá  unilateralmente por proposta que reflita a divisão internacional do trabalho falida sob moeda e mandamentos americanos, mas por novo modelo monetário e governo globais sob coordenação da ONU. Caso contrário, as soluções serão parciais, incompletas, e não globais, completas, satisfatórias.
Se o interesse em conter a poluição ambiental destrutiva é global e a economia globalizada está em crise porque os equivalentes gerais das trocas internacionais, ou seja, o dólar e o poder imperial americano, estão em bancarrota, desacreditados, a superação do impasse não ocorrerá unilateralmente por proposta que reflita a divisão internacional do trabalho falida sob moeda e mandamentos americanos, mas por novo modelo monetário e governo globais sob coordenação da ONU. Caso contrário, as soluções serão parciais, incompletas, e não globais, completas, satisfatórias.

A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, que destronou o ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, para posar de candidata do presidente Lula no cenário global da Conferência de Compenhague, perdeu oportunidade de ouro para lançar olhar abrangente sobre o panorama não apenas ambiental do planeta terra, mas, sobretudo, da economia mundial, que está em frangalhos, sem moeda confiável, capaz de encaminhar soluções globais. Qual a moeda que gerenciará o FUNDO FINANCEIRO que distribuiria recursos aos 192 países que participam das discussões na Dinamarca, sem possibilidade de haver entendimento, pelo menos por enquanto? O dólar? Brincadeira. A moeda de Tio Sam se desvaloriza, aceleradamente, no compasso da bancarrota financeira dos Estados Unidos. Os bancos centrais, o Banco Mundial, o FMI etc não cansam de alertar: o capitalismo está à beira do abismo. Só se sustenta mediante déficits gigantescos, bancados pelos governos, que, por sua vez, perdem fôlego quanto mais tentam apagar o fogo. A bolha financeira especulativa global segue em marcha acelerada, demonstrando que o gás keynesiano  está com suas horas e dias contados. A hiperinflação mundial, que se esconde atrás das dívidas públicas internas, executando a  tarefa de crescer no lugar da inflação exponencial tal qual ventre de mãe com data marcada para expelir o feto – que promete cara de monstro – não recomenda que o dólar, o equivalente geral das trocas comerciais, seja a moeda capaz de gerenciar o FUNDO DE SALVAÇÃO DA TERRA, porque ele deixou de ser SALVAÇÃO para se transformar em DEGENERAÇÃO.

 

Cooperação multilateral urgente

 

Se o impasse é global, a solução , igualmente, terá que ser global-multilateral e não, meramente, unilateral, sob visão neoliberal ultrapassada da divisão internacional sob o dólar em bancarrota, algo que não foi considerado por Minc e Dilma, em Copenhague, revelando-se, ambos, acanhados no cenário global, depois de o Brasil surpreender-se, internacionalmente, com as propostas avançadas de redução das emissões dos gases poluentes. Faltou descortínio brasileiro em Copenhague, para onde a disputa presidencial se deslocou.
Se o impasse é global, a solução , igualmente, terá que ser global-multilateral e não, meramente, unilateral, sob visão neoliberal ultrapassada da divisão internacional sob o dólar em bancarrota, algo que não foi considerado por Minc e Dilma, em Copenhague, revelando-se, ambos, acanhados no cenário global, depois de o Brasil surpreender-se, internacionalmente, com as propostas avançadas de redução das emissões dos gases poluentes. Faltou descortínio brasileiro em Copenhague, para onde a disputa presidencial se deslocou.

O euro poderia substituir o dólar? Claro que não. A Europa, somente, consegue respirar, no ambiente capitalista global, se houver continuidade daquilo que evaporou: o consumismo americano , que realizava as importações européias no déficit comercial crescente bancado pelos Estados Unidos. Da mesma forma, a China não teria condições de jogar sua moeda, em escala mais avançada, porque está fragilizada com a montanha de dólares desvalorizados como expressão dos superávits comerciais realizados na praça americana, cuja potência despencou, ou seja, a capacidade de consumo da população, bancada pelo crediário, empoçado na bancarrota financeira. Japão e países asiáticos, idem. Na prática, verifica-se o desmoronamento da divisão internacional do trabalho, vigente depois da segunda guerra mundial, em que o dólar se transformou no equivalente monetário capaz de armar a estratégia imperial dos Estados Unidos como gendarme do mundo, para evitar o avanço do socialismo. Na nova divisão internacional do trabalho do pós-guerra, que decretou o fim da influência da libra esterlina inglesa, o dólar emitido sem lastro pelo vencedor do grande conflito mundial, ancorado nas bombas atômicas e na produção bélica e espacial – economia de guerra keynesiana – ,  geraria, de um lado, superávit financeiro para sustentar, de outro, déficits comerciais, expressão dialética, por sua vez, dos superávits comerciais dos aliados europeus e asiáticos em geral. Os americanos garantiriam, com sua moeda deslastreada, sem garantia real, livre do padrão-ouro, predominante no século 19, sob imperialismo inglês, a sobrevivência dos aliados na guerra, para evitar que caíssem na órbita comunista soviética.

 

Dólar já era

 

Marina, o Canto do Uirapuru amazônico, agita em Copenhague suas posições avançadas, para tentar pontificar-se como liderança emergente mundial, a fim de obter repercussão interna em favor de sua candidatura presidencial, mas não construiu, no grande encontro internacional, discurso global, capaz de ultrapassar a divisão internacional do trabalho falida sob a moeda americana em bancarrota , incapaz de dar curso ao grande drama econômico mundial que levou a terra à beira da destruição.
Marina, o Canto do Uirapuru amazônico, agita em Copenhague suas posições avançadas, para tentar pontificar-se como liderança emergente mundial, a fim de obter repercussão interna em favor de sua candidatura presidencial, mas não construiu, no grande encontro internacional, discurso global, capaz de ultrapassar a divisão internacional do trabalho falida sob a moeda americana em bancarrota , incapaz de dar curso ao grande drama econômico mundial que levou a terra à beira da destruição.

Os dólares foram emitidos sem dó nem piedade, para sustentar a guerra fria, obrigando a União Soviética a, igualmente, entrar em déficits, que a destruiriam no final da década de 1980, com a queda do muro de Berlim. Para o capitalismo, a guerra é solução; para o socialismo, destruição. Abririam os americanos espaço para o unilateralismo neoliberal global washingtoniano, desde então, até que, quase vinte anos depois, também, o modo imperial unilateral, também, fosse aos ares na grande crise de 2008, denotando a bancarrota do dólar. A divisão internacional do trabalho deixou de ser bancada pela moeda americana, que não tem mais gás para ser equivalente geral das trocas globais, visto que se expressa, agora, apenas, como pressão inflacionária irresistível. Como seria possível formar, sob orientação dessa divisão internacional do trabalho falida, que levou o planeta a um impasse ambiental-ecológico global, FUNDO DE INVESTIMENTO sob coordenação da moeda americana, estando esta na condição comprometida pelos déficits americanos, caminhando para deixar de ser útil, negando a essência do capitalismo, ou seja, a IDEOLOGIA UTILITARISTA, segundo a qual TUDO QUE É ÚTIL É VERDADEIRO, SE DEIXA DE SER ÚTIL, DEIXA DE SER VERDADE(Keynes)? Não fosse, nesse momento, o socorro emergencial dos bancos centrais, o mundo capitalista estaria em chamas. Como os BCs não podem deixar de utilizar essa estratégia expansionista, que decreta a eutanásia dos rentistas, sob pena de o panorama capitalista se agravar, de onde viriam os recursos capazes de atender as demandas de uma nova industrialização, adequada à produção global, sem que haja uma deterioração ambiental ainda mais graves, se a moeda americana não pode mais ser referência monetária internacional, na escala necessária exigida pela terra para ser salva da ação destruidora do capital, expresso no dólar? Quanto vai render esse FUNDO ECOLÓGICO GLOBAL, se o investidor souber que é formado por dólar, que tem que conviver com juro negativo?  Keynes, em Bretton Woods, em 1944, desconsolado pelo fato de que sua Inglaterra estava em bancarrota financeira, sendo obrigada a ver a libra esterlina dar lugar ao dólar, tentou fazer valer proposta genial segundo a qual o capitalismo , depois da guerra, passasse a dispor de um câmbio internacional, sustentado por moeda mundial, que denominou de BANKOR. Debalde.

 

Imperativo categórico

 

65 anos depois, a proposta de Keynes, de criação de moeda internacional, o BANKOR, lançada em Bretton Woods, para coordenar a divisão internacional do trabalho e os balanços de pagamentos dos países desenvolvidos e subdesenvolvidos, no cenário global, volta a ser debatida diante da bancarrota do dolar, como moeda de troca internacional, incapaz de abrir horizontes no ambiente de bancarrota financeira e ambiental, sob impasse generalizado em Copenhague.
65 anos depois, a proposta de Keynes, de criação de moeda internacional, o BANKOR, lançada em Bretton Woods, para coordenar a divisão internacional do trabalho e os balanços de pagamentos dos países desenvolvidos e subdesenvolvidos, no cenário global, volta a ser debatida diante da bancarrota do dolar, como moeda de troca internacional, incapaz de abrir horizontes no ambiente de bancarrota financeira e ambiental, sob impasse generalizado em Copenhague.

Os déficits em contas correntes dos países, pela proposta do genial economista inglês, seriam administrados por uma autoridade monetária global, no caso, o FMI, mas, os americanos, vencedores da guerra, enxotaram a proposta keynesiana. Impuseram a nova ordem monetária. O dólar faria o papel do BANKOR. O endividamento americano seria o contrapolo dos déficits globais e o dólar, patrão do FMI-Banco Mundial etc, o gerente dos s déficits globais. Tio Sam mandaria ver nas emissões de moeda, com direito a senhoriagem monetária, cobrando juros sobre os empréstimos, para gerar superávit financeiro, com o qual gerenciaria as economias dos parceiros, via Banco Mundial e FMI, sobre as quais Washington, claro, teria poder de voto e veto globais. Keynes , indiretamente, encaixou-se no modelo do dólar, vestido de BANKOR,  que, evidentemente,  passaria a depender da capacidade dos Estados Unidos realizarem déficits  enquanto fosse possível o mercado confiar na moeda americana. A grande crise de 2008 mostrou que o limite de endividamento dos Estados Unidos para bancarem essa façanha imperial chegou ao fim. Como, igualmente, chegou aos seus limites a capacidade de a economia de guerra americana ser capaz de bancar uma moeda para que a mesma seja a expressão do FUNDO FINANCEIRO ECOLÓGICO GLOBAL capaz de salvar ambientalmente o planeta terrestre. Perdeu a confiança popular global depois que o capitalismo, incapaz de se reproduzir na produção, tornou-se obrigado a exercitar essa tarefa, ao longo das últimas seis décadas, na especulação, via bolhas financeiras intermitentes, até que se formou a GRANDE BOLHA 2008. Esta levou tudo aos ares. NOVA MOEDA INTERNACIONAL seria a única alternativa capaz de formar FUNDO GLOBAL DE SANEAMENTO AMBIENTAL com a concordância de todos, porque a responsabilidade pela emissão dela não seria mais de exclusividade americana, mas global. O MULTILATERALISMO se impõe em Copenhague como imperativo categórico, como diria Kant.

 

 

 

 

 

 

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