Dilma, ex-guerrilheira, incomoda militares

A condição de ex-guerrilheira estaria incomodando as forças armadas? Essa é a grande questão que está por trás da resistência dos militares à revisão da lei de anistia e do relatório da força aérea dando parecer contrário à decisão do presidente Lula de escolher a compra dos c aças franceses em nome do interesse estratégio nacionalista brasileiro na América do Sul, escanteando parceria com os Estados Unidos?
A condição de ex-guerrilheira estaria incomodando as forças armadas? Essa é a grande questão que está por trás da resistência dos militares à revisão da lei de anistia e do relatório da força aérea dando parecer contrário à decisão do presidente Lula de escolher a compra dos c aças franceses em nome do interesse estratégio nacionalista brasileiro na América do Sul, escanteando parceria com os Estados Unidos?

Esta cada vez mais cheirando à construção de golpismo fantasmagórico a combinação, durante as duas últimas semanas, da reação dos militares contra revisão da anistia com o relatório da Aeronáutica, desancando a opção do presidente Lula pela compra dos aviões franceses, classificados em terceiro lugar, relativamente, aos suecos, tidos como mais eficazes e mais baratos, e aos americanos, igualmente, apresentando melhor preço e igual eficácia. Como percebeu o senso agudo do jornalista Beto Almeida, as palavras que enchem os jornais não dizem, exatamente, a verdade sobre o assunto. Estariam por trás outras razões que não ousam, pelos seus articuladores, colocar a cabeça de fora. Não seria, no caso da discussão da revisão da lei de anistia, uma tentativa de inviabilizar a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão do presidente Lula? Estariam parte dos militares resistentes a que se chegue ao poder uma ex-militante da luta armada resistente à ditadura? Estariam os comandantes militares reticentes de serem comandados, hierarquicamente, por uma presidente que, durante a ditadura, combateu-os de arma nas mãos? Dilma, por esse ângulo, escondido, freudianamente, nas avaliações emergentes na grande mídia, incomodaria ou não, acentuadamente, os homens das casernas? Se incomoda, estariam eles dispostos a formarem fileiras de resistências contra a possibilidade de ela chegar ao topo do poder nacional pelo voto popular soberano democrático, mediante apoio do presidente da República, como chegou no Chile, Michele Bachelett, resistente à ditadura, filha de um resistente à ditadura pinochetista?

 

Udenismo golpista à vista

Carlos Lacerda, gênio político carioca, golpista que mobilizou as forças armadas contra Getúlio Vargas e sua proposta nacionalista, é o protótipo do testa de ferro do capital externo, que sempre buscou mobilizar as forças anti-democráticas, para barrar o desenvolvimento nacional sustentável, apoiado nas forças internas, para rechaçar o poder externo intervencionista no país.
Carlos Lacerda, gênio político carioca, golpista que mobilizou as forças armadas contra Getúlio Vargas e sua proposta nacionalista, é o protótipo do testa de ferro do capital externo, que sempre buscou mobilizar as forças anti-democráticas, para barrar o desenvolvimento nacional sustentável, apoiado nas forças internas, para rechaçar o poder externo intervencionista no país.

E o relatório da Força Aérea, tentando desqualificar a decisão do presidente Lula de comprar  caças franceses, escanteando os americanos e os suecos, como interpretá-lo: apenas do ponto de vista técnico ou , eminentemente, político? Constituir-se-ia manobra militar oculta à opção presidencial, a fim de acertar tiros na ministra Dilma, numa jogada golpista, cuja essência seria construção de fantasma, na tentativa de dar uma volta ao passado em que as casernas decidiam politicamente os destinos do país? Ou, estimulados por forças do capital, representariam combinações de forças econômicas e políticas, interessadas em atrair os militares para chancelarem interesses obscuros, que já se manifestaram em diversas oportunidades na histórica brasileira contemporânea? O que foi o UDENISMO LACERDISTA , nos anos de 1950/60, senão movimentos estimulantes de golpes políticos contra a caminhada política nacionalista brasileira, resistente aos grupos políticos internos, aliados às forças do capital norte-americano, interessadas em eternizar o Brasil como instrumento de manipulação do grande capital, especialmente, depois da segunda guerra mundial, sob domínio do todo poderoso dólar? Estaria ou não em marcha um NEO-UDENISMO tupiniquim, insatisfeito com a tendência nacionalista do governo Lula, que seguirá adiante com Dilma Rousseff, vindo ela vencer a eleição presidencial de 2010?

 

Nacionalismo em marcha

O trio nacionalista brasileiro que enfrentou com sucesso a bancorrota financeira internacional assombra as forças externas, que, aliadas aos conservadores nacionais, sempre bateram às portas dos quarteis, para garantir seus interesses no comando do poder do Estado nacional.
O trio nacionalista brasileiro que enfrentou com sucesso a bancorrota financeira internacional assombra as forças externas, que, aliadas aos conservadores nacionais, sempre bateram às portas dos quarteis, para garantir seus interesses no comando do poder do Estado nacional.

No segundo mandato presidencial lulista ocorreu mudança quantitativa e qualitativa de rumo da política econômica que, se aprofundada, ainda mais, sob domínio político dilmista, aumentaria a insatisfação das forças do grande capital, que sempre correram aos quartéis brasileiros e sul-americanos, para defenderem seus interesses em nome do perigo de rompimento democrático por pregadores anti-democráticos, resistentes à ampla liberdade de ação do capital externo na América do Sul. Representadas, especialmente, pelo sistema financeiro e investidores internacionais, aliados das velhas forças nacionais retrógradas, elo dependente da poupança/dívida externa/eterna escravizadora, tais forças, que sempre buscaram atrair militares mediante discursos golpistas, estariam se arregimentando nesse sentido em ano eleitoral, para voltarem a controlar o aparelho de Estado do qual foram desalojadas pelo nacionalismo sul-americano emergente? A política econômica nacionalista colocada em prática por Lula criou fato político novo, que marca a economia política, no Brasil, com novas cores, a partir de 2006. Sob visão concernente ao nacionalismo pregado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, um dos teóricos do nacionalismo, em seu livro ”A economia política brasileira” (Polis/Vozes, 1984), e pela ministra Dilma Rousseff, defensora do aprofundamento da orientação econômica nacionalista em curso na Petrobrás, depois da descoberta do petróleo na área do pré-sal, as forças conservadoras estariam se reunindo em torno da candidatura do governador tucano paulista, José Serra, para jogarem contra a orientação nacionalista lulista-manteguista-dilmista?

 

Solução vira problema

Meirelles jogou no contra-ataque das forças nacionalistas no auge da crise global, sinalizando compromisso com as forças internacionais que buscaram e buscam sustentar a dominação externa pela poupança externa na disseminação da falsa crença de que o país não dispõe de poupança interna, o foi desmentido na medida em que Lula apostou no mercado interno e negou a falsa teorização dos credores.
Meirelles jogou no contra-ataque das forças nacionalistas no auge da crise global, sinalizando compromisso com as forças internacionais que buscaram e buscam sustentar a dominação externa pela poupança externa na disseminação da falsa crença de que o país não dispõe de poupança interna, o foi desmentido na medida em que Lula apostou no mercado interno e negou a falsa teorização dos credores.

Os conservadores aliados ao capital externo, no compasso do fortalecimento do mercado interno, que eliminou, mediante políticas sociais lulistas, o excedente produtivo nacional, estão sem chão, depois da grande crise global. Quando tal excedente interno se transformava em problema, por conta do crônico subconsumismo existente, a alternativa deles era pressionar o governo em favor de crescentes desvalorizações cambiais, para estimular exportações. Tal manobra produzia inflação. Mais inflação, menores os salários, maiores os custos empresariais, maior tensão na relação-capital trabalho. O arrocho salarial, produzido pelo diagnóstico conservador-reacionário de que a inflação brasileira decorria do excesso de demanda global, sendo necessário diminuir a pressão consumista – em meio ao subconsumismo crônico! – era a alternativa fundamental de política econômica. Como, por tal diagnóstico, salário é custo e não renda, tornava-se necessário cortar os custos, isto é, capar os salários para combater a inflação. Sem renda disponível para o consumo aumentava o subconsumismo que exigia, sobredesvalorizações cambiais. Resultado:  pressão inflacionária, arrocho salarial. Ciclo destrutivo da poupança interna para se depender da poupança externa. Toda essa armação de política econômica emergia, naturalmente, como fruto do aumento do risco, cujo resultado sempre foi elevação dos juros, para combater as “pressões consumistas”, ideologicamente construídas nos laboratórios neoliberais. Com o fortalecimento do mercado interno, por conta das políticas sociais lulistas, não foram mais necessárias desvalorizações cambiais. Decorreu disso, maior valorização da moeda, ou seja, do poder de compra dos salários, reajustados acima da inflação, e dos miseráveis, nos quais o governo injetou, igualmente, maior potencial de compra. Os ganhos inflacionários dos bancos gerados pelo subconsumismo  estão indo para o espaço. Consequentemente, a solução que requeria juros altos transformou-se, com a recuperação do mercado interno, em problema.

 

Diagnóstico furado

O presidente do BC argentino, neoliberal, tenta resistir à onda nacionalista do governo de Cristina Kirc hner, defensora da utilização das reservas cambiais para o desenvolvimento interno, algo incômodo aos interesses internacionais, contrários à tese de que a poupança interna se realiza com o fortalecimento do mercado interno.
O presidente do BC argentino, neoliberal, tenta resistir à onda nacionalista do governo de Cristina Kirc hner, defensora da utilização das reservas cambiais para o desenvolvimento interno, algo incômodo aos interesses internacionais, contrários à tese de que a poupança interna se realiza com o fortalecimento do mercado interno.

Resultado: o combate à inflação se faz com mais e não com menos consumo. Neutralizou-se a possibilidade de ganhos crescentemente especulativos pela banca na sustentação de um diagnóstico antiinflacionário que perdeu utilidade. A manutenção de tal orientação econômica, a ser sustentada por Dilma Rousseff, vindo a ser vitoriosa, sinaliza menores ganhos para os especuladores, que sempre recorreram aos militares para fabricarem crises quando seus interesses são contrariados. O fortalecimento do consumo interno reduz o risco Brasil que exige, logicamente, menores juros, antes mantidos nas alturas, justamente, em nome do risco Brasil. Vale dizer, interesses profundamente contrariados. Se o risco cai, por que sustentar elevada taxa de juro, como insiste o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sintonizado com as forças do capital financeiro? Ele passa a correr perigo com a onda nacionalista sul-americana, que detona visão neoliberal, como está acontecendo na Argentina, com a presidente Cristina Kirchner pedindo a cabeça do presidente do Banco Central argentino, Martin Redrado.  Emerge contexto que condena a sustentação dos absurdos ganhos financeiros dos bancos. A bancocracia contrariada sempre buscou motivações para golpes, quando seus interesses dançam.  Como destacou o maior especulador do mundo, George Soros, os bancos estão sob tensão, porque acabaram as possibilidades de se manter a reprodução do capital sobreacumulado, que vinha se sustentando na super-especulação sob desregulamentação total, apoiada, disfarçadamente, pelos governos. Como o capital deixou de se reproduzir na produção, já que nela, as contradições capitalistas impedem a sobreacumulação capitalista – como já demonstrara a crise de 1929 – o horizonte do capital, bloqueada a sobre-especulação,  está, completamente, turvo.

 

Ataque à parceria real-euro

A resistência não seria aos aviões franceses , mas à parceria França-Brasil, estratégica na América do Sul, incomodando os Estados Unidos, que sempre consideraram o continente sul-americano quintal de Tio Sam.
A resistência não seria aos aviões franceses , mas à parceria França-Brasil, estratégica na América do Sul, incomodando os Estados Unidos, que sempre consideraram o continente sul-americano quintal de Tio Sam.

A aposta nacionalista de Lula-Mantega-Dilma, nesse sentido, incomoda, profundamente, as forças financeiras atordoadas pela crise. A correlação de forças políticas está sob inflexão histórica. Algo semelhante ocorreu no tempo de Getúlio Vargas, que jogou com o social para tentar evitar a dominação total do econômico, bancado pelas forças externas, aliadas aos conservadores internos. Os fatos, naquela ocasião, expressaram-se, agudamente, em forma de complôs militaristas, fomentados pelo poder do capital, manipulando a UDN lacerdista. Poderiam estar ocorrendo versões semelhantes em forma de tentativa de repeteco histórico, quando o nacionalismo ganha força no início do século 21 em toda a América do Sul? As forças externas estariam tentando manipular aliados internos para evitar que a opção estratégica do presidente Lula pela parceria com a França, isto é, com o euro, se concretizasse em prejuízo de parceria com os Estados Unidos, ou seja, com o dólar? Há, no caso, clara tentativa de mudança do eixo monetário por parte do governo Lula. Tal opção estratégica, que  balança as estruturas internas, montadas por velhos aliados, fomentariam ou não fantasmas golpistas, para assustarem forças que buscam romper as velhas dependências colonialistas econômicas que predominaram durante o século 20, mas, agora, rompidas em face da grande crise capitalista americana?

Reservas do BC para BNDES, BB, CEF

 

O dinheiro do pobre faz o nobre, mas o do nobre jamais faz o pobre. Dar aos pobres é garantir a riqueza dos ricos; dar aos ricos é eternizar a vida do pobre. Empresário precisa é de consumo do pobre e não benesse do Estado em forma de desoneração fiscal. Fazer isso é tirar o pão da boca dos necessitados , para dar a quem já está de barriga cheia.
O dinheiro do pobre faz o nobre, mas o do nobre jamais faz o pobre. Dar aos pobres é garantir a riqueza dos ricos; dar aos ricos é eternizar a vida do pobre. Empresário precisa é de consumo do pobre e não benesse do Estado em forma de desoneração fiscal. Fazer isso é tirar o pão da boca dos necessitados , para dar a quem já está de barriga cheia.

Quais as tarefas mais urgentes para a economia brasileira em 2010, no momento em que as expectativas positivas internas se misturam às negativas externas, dada impossibilidade de o capitalismo global continuar, como antes, reproduzindo-se, especulativamente, na ciranda financeira desregulamentada, ao mesmo tempo em que no plano das atividades produtivas o cenário que se abre é o das possibilidades de amplo protecionismo e competição acirrada no comércio internacional?  Para o empresário brasiliense, Sebastião Gomes – pioneiro, no Distrito Federal, 80 anos, consultor empresarial de Juscelino Kubistchek, nos anos de 1960, comandante, no DF, da campanha eleitoral JK-65, idéias em profusão, aguçada natureza instintiva para os negócios, espírita kardecista sensitivo, inventor compulsivo, raciocínio no atacado, visão larga, empreendedor nato, filósofo autodidata, senso de humor a flor da pele – faz-se necessário, URGENTE, seja focado cinco pontos fundamentais:

1 – RESERVAS DO BC PARA BNDES, BB E CEF;

2 –JURO ZERO PARA AGRICULTORES

3 –  DEMOCRACIA FISCAL;

4 – DIREITO DE CONSUMO;

5 – TRANSFORMAÇÃO DA EMPRESA EM OFICINA-ESCOLA

O país, na opinião de Sebastião, precisa, rapidamente, para não perder mais tempo, dar utilidade aos 250 bilhões de dólares de reservas cambiais que estão paradas no Banco Central sem render nada ao País. Pelo contrário. Como tais reservas precisam ser aplicadas no exterior, em títulos da dívida pública dos países ricos, e os juros, nesses países, estão negativos, para não arrebentarem  com o endividamento deles, provocando corrida contra suas moedas, o dinheiro fica parado no Brasil, pagando selic de 8,75%. “A política do presidente do BC, Henrique Meirelles, na crise de liquidez internacional, está, totalmente, equivocada. Ele está enfiando toucinho no rabo de capado gordo”. As reservas, prega, devem ser transferidas, paulatinamente, para os bancos do governo, BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Se, no auge da bancarrota financeira, foram essas instituições financeiras estatais que evitaram o colapso econômico nacional, diante da resistência dos bancos privados em colaborarem com o Estado, na tarefa de diminuir os impactos violentos da quebradeira global, por que, agora, que o terremoto, aparentemente, arrefeceu-se, não utilizar as armas disponíveis das reservas, para o desenvolvimento interno por meio delas, que agüentaram o tranco? Afinal, argumenta, foi o mercado interno, dinamizado pela ação bancária estatal, ao longo de 2009, que resolveu a parada, na medida em que o excedente interno foi consumido, evitando a necessidade de desvalorização da moeda nacional, para estimular as exportações. Com isso, o país, por meio do incremento do consumo, dispôs de arrecadação, para dinamizar os investimentos, ao mesmo tempo em que controlou a inflação. Ao lado do fortalecimento do consumo, a tarefa, a partir desse instante, é fortalecer, também, a produção com a poupança interna. “ Não precisamos tomar dinheiro no exterior para fazer o desenvolvimento. Basta utilizarmos as reservas, jogando dinheiro barato no mercado, tanto para incrementar o consumo como a produção. Por que não fazemos como os chineses?” A China, que dispõe de mais de 2 trilhões de dólares em reservas cambiais, acumuladas durante os anos de bonança do capitalismo americano, corre para trocar os ativos dolarizados em processo de desvalorização por ativos reais pelo mundo afora, adquirindo minas de ouro, de ferro, de zinco, petróleo, tudo de que precisa para desenvolver. O assédio dos chineses sobre os países que possuem ativos reais, como o Brasil, está crescendo e tende a aumentar. Vale dizer, os chineses não estão acreditando na saúde das suas reservas trilhonárias em dólar, simplesmente, porque acabou o tempo da fartura americana  que dinamizava a demanda global, gerando deficit comercial, de um lado, e superávit financeiro de outro, emitindo dólares sem lastro. A crise, destaca Sebastião Gomes, abalou o mercado interno americano, afetado pelo excesso de endividamento das famílias, e, ao mesmo tempo, fragilizou a moeda. O excesso de liquidez monetária sinaliza que lá por 2015 o dólar pode virar papel de parede. Se os chineses fogem dos dólares que dispõem, buscando trocá-los por ativos bons, por que o presidente Lula tem que seguir a estratégia de Meirelles, deixando bilhões de dólares mofando, enquanto o país está por fazer em matéria de infra-estrutura? O que dá segurança ao país, na crise, como a prática demonstrou, em 2009, não é o dinheiro desvalorizado acumulado, mas o mercado interno comprador que gera arrecadação e investimento. É isso que está atraindo os investidores e dinamizando a bolsa, e não a garantia das reservas sem rendimento algum. Colocando 250 bilhões de dólares, parados no BC, para girar no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal e no BNDES, bombando empréstimos para a produção agrícola, para a indústria e para a modernização da infra-estrutura nacional, tal quantia, na circulação capitalista, seria  multiplicada por 10. Daria para fazer um novo país. O BC, diz, faz o jogo dos banqueiros, não do desenvolvimento.

 

Juros assassinam agricultores

 

Doar é mais produtivo do que arrancar. O que é dado retorna duplicado, o que é subraído, retorna super-diminuido. Plante um grão demilho e a terra retorna uma espiga. Plante uma espiga, colha uma roça. Sem aprender com a bondade da natureza e de Deus, não é possível alcançar a prosperidade individual e coletiva.
Doar é mais produtivo do que arrancar. O que é dado retorna duplicado, o que é subraído, retorna super-diminuido. Plante um grão demilho e a terra retorna uma espiga. Plante uma espiga, colha uma roça. Sem aprender com a bondade da natureza e de Deus, não é possível alcançar a prosperidade individual e coletiva.

Experiente empresário, que foi aos céus da riqueza, no ramo da alimentação, desceu aos infernos da escassez, nos trambolhos dos programas econômicos ditados pelo FMI, durante a era neoliberal neorepublicana, e ressuscitou, criativamente, com elaboração de patentes tecnológicas voltadas para os negócios, sendo a mais recente delas, no setor de energia alternativa, abrindo espaço para inovação  tecnológica, no campo dos fertilizantes, por método revolucionário de compostagem patenteada, que ajudará o país a produzir com sustentabilidade ambiental ao mesmo tempo que contribuirá para redução do déficit em contas correntes, decorrentes da dependência das importações de adubos minerais, Sebastião Gomes, o “Espalha Brasa” dos canteiros de obra, na capital, na fervura da construção dos 50 anos em 5 juscelinista, considera que, ao lado da transferência das reservas do Banco Central para os bancos estatais, a fim de que eles ampliem suas ações, tanto no Brasil, como no exterior, especialmente, na América do Sul, a agricultura deve ser o foco central do desenvolvimento. A sustentação do consumo, para garantir a arrecadação e os investimentos de modo a aumentar a produção, gerando, consequentemente, equilíbrio inflacionário, dependerá, fundamentalmente, do fortalecimento dos agricultores. A política governamental para a atividade primária, da qual dependem todas as demais atividades, deve ser estimulante, via juro e impostos baixos, e não desestimulante como, atualmente, sob impostos e juros escorchantes. Os juros e os impostos excessivos e acumulados em cima dos agricultores é puro assassinato econômico-financeiro. “Onde já se viu o agricultor pagar juro e imposto sobre o plantio e sobre a criação do seu rebanho, bem como sobre as máquinas e caminhões, que são, essencialmente, ferramentas de trabalho. Assim como o dono de restaurante depende da panela de pressão, ferramenta de trabalho, para cozinhar o arroz que venderá ao cliente, igualmente, os agricultores utilizam o trator e o caminhão  como ferramentas indispensáveis à produção. Sobre elas não podem incidir impostos e juros. Nem sobre os caminhões adquiridos pelos empresários, para transportarem as mercadorias pelo país afora. “Ou uma coisa, imposto, ou outra, juro. Os dois ao mesmo tempo é assassinato.”Não é novidade, por isso, que os custos de produção agrícola, no país, no ano passado, alcançaram R$ 170 bilhões enquanto a receita das atividades do setor foi de R$ 155 bilhões. Os agricultores estão pagando para trabalhar. Irracionalidade econômica. Ao mesmo tempo, não dispõem de seguros, garantias e nem empréstimos baratos, suficientes, sendo obrigados a se renderem ao capital das tradings internacionais que os exploram, comprando as safras a preços baratos, adiantando recursos a custos extorsivos, enquanto os bancos cruzam os braços diante desse massacre. “Predomina visão irracional do governo no trato com a agricultura. JK, em 1965, tinha como bandeira do desenvolvimento a agricultura a juro zero. Faria o que fazem os europeus e os americanos. Na Europa, o produtor recebe subvenção no valor da vaca que cria. O animal é instrumento de trabalho, atividade primária, deve ser livre do imposto. Com juros e impostos altos em cima da agricultura , o governo pode matar o campo e , consequentemente, as cidades.” Não haverá produção sustentável para gerar os investimentos na indústria, nem inflação sob controle, se a agricultura, com os juros atuais, falir. O campo, diz Sebatião, sobrevive sem a cidade, mas a cidade não sobrevive sem o campo.

 

Ousadia tributária, presidente!

 

Resistir a uma idéia inteligente que não tivemos é render-se à inveja, ao orgulho, ao egoismo , à ambição de querer ter primazia sobre tudo. Principalmente, é perder tempo, pois, em seguida, torna-se indispensável aceitar a força do que se impõe por si mesmo, levando de roldão nossa mediocridade.
Resistir a uma idéia inteligente que não tivemos é render-se à inveja, ao orgulho, ao egoismo , à ambição de querer ter primazia sobre tudo. Principalmente, é perder tempo, pois, em seguida, torna-se indispensável aceitar a força do que se impõe por si mesmo, levando de roldão nossa mediocridade.

Fundamentalmente, o contribuinte precisa dispor do direito de escolher a forma de pagar imposto, negociando a alíquota necessária para quitar seus débitos, em consonância com as necessidades de arrecadação do governo, para promover o desenvolvimento. Os banqueiros não deixaram prosperar a experiência inovadora da cobrança do imposto, eletronicamente, sem burocracia, com redução de custos e transparência total na relação governo-contribuinte. Essa foi prática revolucionária introduzida pela CPMF. Os banqueiros resistiram à continuidade do experimento. Forçaram o Congresso a eliminá-lo. Com o tempo, necessariamente, a experiência se aperfeiçoaria, como tudo no mundo. O país conviveria com sistema tributário simples, objetivo, barato, transparente e, principalmente, capaz de promover o desenvolvimento com oportunidades iguais para todos. “Estávamos caminhando para a plena DEMOCRACIA FISC AL. O fim da CPMF, no final de 2007, graças a uma oposição vendida ao capital financeiro, foi uma burrice descomunal. Mas nem tudo está perdido. A experiência pode seguir em frente. Basta que o governo utilize, através da Receita, suas atribuições constitucionais, de regulamentação e negocie com o contribuinte a opção de pagamento de imposto que este deseja exercer”. Arrecadaria o triplo do que arrecada, atualmente, com a parafernália tributária( IRPF, IRPJ, IPI, IOF, COFINS, PIS/PASEP, CSLL, CIDE, dezenas de taxas e contribuições, administrados pela Receita Federal, sem falar o ICMS, administrado pelos Estados etc). “Vamos às contas: com uma alíquota de 0,38% da CPMF, o governo estava arrecadando R$ 40 bilhões/ano. Se, hipoteticamente, fosse fixada uma alíquota de 5% dessa contribuição, ou outro nome de tributo a ser estabelecido, para calibrar as necessidades dos dois lados, do governo, de um, e do contribuinte, de outro, com eliminação dos demais tributos existentes, a arrecadação tributária alcançaria R$ 530 bilhões, no universo atual de contribuintes. Sabendo que existe, historicamente, sonegação de cerca de 50% em relação ao total arrecadado, anualmente, haveria, com uma alíquota de 5%, cobrada sobre todas as transações financeiras, arrecadação mínima de cerca de R$ 800 bilhões. Ora, em 2007, o governo arrecadou R$ 585,2 bilhões, em 2008, R$ 660 bilhões e, em 2009, de janeiro a novembro, R$ 633,8 bilhões. Quem não gostaria de pagar uma alíquota de 5%, desde que ficasse livre de todos os demais tributos? Se a receita topar, quero pagar, a partir de hoje, 5% de CPMF”. Predominaria o DIREITO DE ESCOLHA, DEMOCRACIA FISCAL. Quem não quiser, que fique com a parafernália. A DEMOCRACIA FISCAL, segundo Sebastião, fortaleceria o sistema federativo, no compasso do desenvolvimento científico e tecnológico colocado a serviço da modernização da máquina administrativa nacional. Se, com as novas plantas industriais prontas para entrarem em operação em 2010; se, com o aumento do salário mínimo dos trabalhadores e dos aposentados e se, com a ampliação de 11 milhões para 13 milhões de cartões do programa bolsa família, a arrecadação poderá dar, nesse ano, um salto de 22% em relação ao ano passado, com a DEMOCRACIA FISCAL, esse percentual poderia alcançar os 50%. Haveria dinheiro de sobra para tocar a infra-estrutura nacional. Sobretudo, predominaria simplicidade tributária, o empresário não teria porque sonegar. Por que não ousar, presidente Lula?

 

Direito de consumo ou de cadeia

 

Como diz Sócrates, a metade é maior que o todo. Quem quer o todo, tem todos contra si; quem se contenta com a metade , tem todos a favor de si. Quem só pensa em si, só deseja arrancar, não agrega, desagrega, porque não desperta confiança, mas o contrário. A usura é mortal para o pensamento coletivo.
Como diz Sócrates, a metade é maior que o todo. Quem quer o todo, tem todos contra si; quem se contenta com a metade , tem todos a favor de si. Quem só pensa em si, só deseja arrancar, não agrega, desagrega, porque não desperta confiança, mas o contrário. A usura é mortal para o pensamento coletivo.

Criador de várias casas espíritas no Distrito Federal, adepto da caridade como arma de salvação humana na terra, sobretudo, como opção inteligente como forma de obter pelo ato de doar a resposta do multiplicar, Sebastião Gomes, criador, entre outros da Associação Comercial e da Federação das Indústrias do DF, primeiro a lançar o Programa Nossa Sopa, que influenciou o governo do Paraná, depois o governo do Distrito Federal a lançar o Bolsa Escola, no governo Cristovem, que daria origem ao Bolsa Família, nos anos seguintes, Sebastião Gomes destaca que garantir o consumo do pobre é assegurar a riqueza do nobre. Como não haverá emprego para todos na sociedade do futuro, mas todos estarão consumindo, a tarefa fundamental dos parlamentos, em sua opinião, será a de garantir o DIREITO DE CONSUMO.  Caso contrário, terá que ser criado o direito de matar, o direito de cadeia, para aquele que mata para não morrer de fome. Nesse sentido, o DIREITO DE CONSUMO representa a conquista fundamental da cidadania, motor indispensável para reprodução do capital, que, na grande crise global, deixou de se reproduzir na especulação. O governo tem, necessariamente, que garantir recursos não para os ricos, via desoneração fiscal e outras benesses, mas para os pobres, assegurando-lhes o consumo. “Empresário não precisa de dinheiro oficial, precisa, sim, de consumo. Se o pobre tem dinheiro para consumir, o rico vai atrás dele para vender seu produto. É a velha história bíblica: o pobre faz o nobre, mas o nobre não faz o pobre.” Desonerar imposto para empresário é dar dinheiro para quem já tem, deixando de lado os que não têm. Torna-se necessário o inverso: dar para quem não tem. Com essa estratégia, garante-se  o consumo, a arrecadação e a poupança interna, para realizar investimentos, sem precisar pedir dinheiro empresado no exterior. “Com as reservas cambiais paradas no BC, o que Meirelles quer é que continuemos tomando dinheiro emprestado, para continuarmos sendo escravizados.”

 

Abaixo ditadura do MTb

 

Materialismo é burrice. A idéia é energia. A energia é eletricidade. A eletricidade não é material, mas imaterial. A matéria, portanto, nem existe, se for vista como produto da idéia que é energia. Negar Deus é negar a idéia, que é energia, que se condensa a partir da vontade individual, espiritualmente desenvolvida, como fez Jesus, na multiplicação dos pães.  Sobretudo negar a inteligência superior é resistir ao progresso. É optar pelo sofrimento desnecessário.
Materialismo é burrice. A idéia é energia. A energia é eletricidade. A eletricidade não é material, mas imaterial. A matéria, portanto, nem existe, se for vista como produto da idéia que é energia. Negar Deus é negar a idéia, que é energia, que se condensa a partir da vontade individual, espiritualmente desenvolvida, como fez Jesus, na multiplicação dos pães. Sobretudo negar a inteligência superior é resistir ao progresso. É optar pelo sofrimento desnecessário.

No Brasil, os pais não podem levar os filhos para empregá-los no comércio ou na indústria. Ou seja, inexiste a paternidade e a maternidade quanto ao direito materno ou paterno de ter a responsabilidade sobre o momento que julgar necessário que seus filhos comecem a trabalhar.  Tal realidade decorre da legislação sobre o trabalho infantil. Quem determina a idade, para inicio do trabalho, é o Ministério do Trabalho, não os pais. Comunismo absurdo. O Estado avançou sobre o filho dos trabalhadores, para regular a vida dele, retirando a responsabilidade paterna-materna da educação familiar para o trabalho. O direito dos pais de levarem seus filhos às empresas deve ser restabelecido. Já as empresas devem ser transformadas em OFICINAS-ESCOLAS, para preparar os jovens de 14 a 18, a fim de que possam, nesse período, desenvolver suas vocações naturais, ganhando auto-confiança e espírito de iniciativa, associando teoria e prática. “Imagine o que teria sido do presidente Lula e do vice-presidente José Alencar, bem como de Dona Mariza, se não tivessem podido começar a trabalhar aos 10 anos de idade”. O governo não precisaria gastar nada. A capacidade instalada das OFICINAS-ESCOLAS já existe, o investimento está feito. Os jovens recolheriam, no trabalho de 4 horas diárias, apenas, o SEGURO DE ACIDENTE. Os demais custos trabalhistas e previdenciários não seriam recolhidos, para evitar aposentadorias precoces, cujo resultado seria despesa excessiva sobre o tesouro nacional. Aos 18 anos, os jovens estariam prontos para o mercado de trabalho, para empreender o seu negócio. Sem a possibilidade de trabalharem, porque as empresas não se interessam, dada a desvantagem em contratá-los, em face da legislação atual, financeiramente custosa, os jovens de 14 anos correm perigo de engrossarem o EXÉRCITO TERRORISTA DO NARCOTRÁFICO.  Quando as mães, desesperadas, forem, às portas das FEBEMs, gritar o nome de seus filhos, pois não puderam encaminhá-los para o trabalho, impedidos pela lei do menor, o Ministério do Trabalho não estará lá para socorrê-las. Ao contrário, vai virar-lhes as costas, tentando livrar da responsabilidade de ter eliminado o poder dos pais sobre os filhos na tarefa de encaminhá-los para à vida pelo exercício da cidadania expresso no trabalho.

 

 

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HUMOR

Envio e-mail para Armando Lacerda, amigo, cineasta, diretor de “Juruna, o Espírito da Floresta”, recentemente, aposentado da Câmara, morando em Arantina, no alto das montanhas mineiras que se desembocam nas praias do Rio de Janeiro, de um lado, e nas estâncias de Caxambu, de outro, para alertar: – Armandão, cuidado, com essa visão maravilhosa das pradarias, das encostas e dos vales deslumbrantes vistos da janela da sua casa. Olha Angra aí, pode pintar deslizamento com essa chuvarada. Não acha melhor vir para Planalto Central, mais seguro? Respondeu: – César , você aí corre mais perigo do que eu. Sugiro comprar uma canoa, porque pode ser destruído pelo revolto mar de merda brasiliense. Sem canoa, com motor possante, vai ser difícil atravessar a Esplanada. Cuidado!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Direito de Consumo, democracia nacionalista

Se Lula é o homem do ano(Le Monde) e um dos 50 mais famosos do mundo(Financial Times), Guido Mantega pode ser considerado o economista da década. Ambos fizeram a dobradinha anti-neoliberal que empinou o capitalismo nacionalista brasileiro, configurando o modelo democrático burguês, base da tese de mestrado do titular da Fazenda, na USP, para explicar porque a relação capital-trabalho no país, sob dependência da poupança externa, eternizava-se, sendo rompida, apenas,  pela opção ao fomento do consumo popular, na grande crise global, que comprovou dispor o país de potencial interno capaz de dar sustentação ao desenvolvimento com combate à inflação, gerando confiança internacional na economia brasileira.
Se Lula é o homem do ano(Le Monde) e um dos 50 mais famosos do mundo(Financial Times), Guido Mantega pode ser considerado o economista da década. Ambos fizeram a dobradinha anti-neoliberal que empinou o capitalismo nacionalista brasileiro, configurando o modelo democrático burguês, base da tese de mestrado do titular da Fazenda, na USP, para explicar porque a relação capital-trabalho no país, sob dependência da poupança externa, eternizava-se, sendo rompida, apenas, pela opção ao fomento do consumo popular, na grande crise global, que comprovou dispor o país de potencial interno capaz de dar sustentação ao desenvolvimento com combate à inflação, gerando confiança internacional na economia brasileira.

Produção é consumo, consumo é produção, como disse Marx, do mesmo modo que poupança interna é consumo interno e consumo interno, poupança interna. Por que existia inflação descontrolada no Brasil até Lula chegar ao poder para incrementar o consumo popular? Porque predominava a fome. Os excedentes internos jogavam os empresários no desespero. O subconsumismo interno levava-os, sofregamente, ao governo, para pedir recorrentes sobredesvalorizações cambiais. Moeda desvalorizada, para jogar o excedente no exterior, provocava pressão inflacionária. Com isso, os salários sofriam depressões. Salários deprimidos significavam mais fome, mais subconsumismo, mais excedente interno, mais desvalorização da moeda, mais inflação etc. Ciclo vicioso da fome, gerando pressão inflacionária. Tal quadro, evidentemente, impedia a formação de poupança interna. Buscava-se, então, poupança externa, via dívida externa. Mais uma vez o grande Marx: a dívida externa é instrumento de dominação internacional. Num primeiro momento, diz ele, a poupança externa = dívida externa dinamiza a economia. Num segundo instante, gera insuficiência crônica de demanda global, porque o objetivo da poupança externa, irrigada para os países dependentes, não é o desenvolvimento, mas a super-exploração, o super lucro. Diante da insuficiência crônica de consumo, historicamente, construída pela poupança externa = dívida externa, elevava-se, evidentemente, o risco do tomador. Quando este pede mais dinheiro emprestado para tapar o buraco, o banqueiro, temeroso do risco, cobra juro composto, que dá mais lucro que explorar petróleo. Se o cliente vira risco, o juro sobe, claro. Deficits em contas correntes emergiam aos borbotões. Sempre foi assim, principalmente, quando pipocam crises, construídas pelas dívidas externas, que, por sua vez, são expressões de sobreacumulação de capital nos países ricos. Mais empréstimos, mais juros compostos, mais dependência externa.

Xodó da grande mídia, Henrique Meirelles tenta vender que a reação positiva da economia decorreu da ação do Banco Central, que, na grande crise, manteve juro alto, levando perigo constante às atividades produtivas, quando os demais governos capitalistas optaram pelo juro negativo, a fim de facilitar a ação do Estado, de modo a permitir-lhe intervir no processo econômico e salvar o capitalismo da catástrofe. Aqui, o goiano banqueiro, que quer ser vice na chapa de Dilma, fez o contrário, e ainda põe banca. É dose.
Xodó da grande mídia, Henrique Meirelles tenta vender que a reação positiva da economia decorreu da ação do Banco Central, que, na grande crise, manteve juro alto, levando perigo constante às atividades produtivas, quando os demais governos capitalistas optaram pelo juro negativo, a fim de facilitar a ação do Estado, de modo a permitir-lhe intervir no processo econômico e salvar o capitalismo da catástrofe. Aqui, o goiano banqueiro, que quer ser vice na chapa de Dilma, fez o contrário, e ainda põe banca. É dose.

Assim, os pregadores da máxima de que o país precisa de poupança, antes de consumir, para sobrar mais para investir, jogam, simplesmente, a favor dos credores. São os casos, por exemplo, dos notórios economistas bancocráticos, tipo Maílson da Nóbrega, Affonso Celso Pastore, Edmar Bacha, Pedro Malan, Gustavo Franco, Armínio Fraga, Henrique Meirelles, todos crias gordas da bancocracia, que se ampliou, extraordinariamente, no Brasil, ao longo da NRBN – Nova República Bancocrática Neoliberal, herdeira do espólio militar. Veio, agora, a grande crise de 2008 e eles ficaram, completamente, desarmados, porque os governos tiveram que partir para a eutanásia do rentista, instaurando o juro negativo, a fim de salvar o sistema capitalista. Caso mantido o juro positivo, os governos quebrariam e o socialismo ressuscitaria revigorado. Pregam, então, os adeptos da bancocracia que o perigo é o excesso de benemerência fiscal governamental, que está acumulando muitos déficits, razão pela qual anunciam crises futuras. Viraram os novos catastrofistas. Para desarmá-las, dizem, é preciso poupar. Como Freud – sempre esse cara genial – disse que as palavras servem para esconder o pensamento, é necessário ler o oposto do que estão dizendo, enchendo páginas e mais páginas de jornais, mentindo e tentando reverter  acontecimentos em favor dos seus patrões, os banqueiros.

 

Inversão da realidade

Autor de "A crise completa - a economia política do NÃO", Lauro Campos(1929-2003) , socialista marxista, professor de onze matérias de economia na UnB, maior crítico da Era FHC, como senador petista, que abandonou o PT por desencanto com a caminhada da agremiação para a corrupção política, serviu de norte para a ação nacionalista do presidente Lula, na grande crise, fazendo a política do NÃO sugerida pelo brilhante intelectual como contrapolo ao neoliberalismo.
Autor de "A crise completa - a economia política do NÃO", Lauro Campos(1929-2003) , socialista marxista, professor de onze matérias de economia na UnB, maior crítico da Era FHC, como senador petista, que abandonou o PT por desencanto com a caminhada da agremiação para a corrupção política, serviu de norte para a ação nacionalista do presidente Lula, na grande crise, fazendo a política do NÃO sugerida pelo brilhante intelectual como contrapolo ao neoliberalismo.

O que os notórios economistas bancocráticos, que fazem a cabeça da grande mídia, esquecem de dizer, quando tentam assustar o povo pregando que a inflação está chegando aí e que, portanto, é preciso prevenir-se, enxugando os gastos do governo, cortando aqui, ali, acolá , o diabo, para, evidentemente, sobrar mais dinheiro de modo a pagar juros escorchantes em forma de superávits primários crescentes, que, com o presidente Lula, passaram a descer a ladeira? Negam a explicação de que o aumento do consumo combate a inflação e que o que produz ela é o juro alto, repassado aos preços. Explicam o fenômeno inflacionário pelo avesso. Antes, sob subconsumismo, produziam-se excedentes internos que exigiam sobredesvalorizações cambiais recorrentes, expressas em inflação. O remédio receitado pela bancocracia era um só: arrocho salarial para combater o consumo, porque o diagnóstico dela era o de que a inflação decorria de excesso de demanda. O povo consumia demais. O purgante deflacionário caia no lombo do populacho para engordar os lucros bancários. Juros altos eram necessários em nome da necessidade de poupar para investir, enquanto o investimento, quando realizado, não gerava consumo correspondente, negando a furada Lei de Say. Por que voltar ao purgante anterior, sabendo que ele é um desastre? O presidente Lula está indo para a história e se transformando em mito político, simplesmente, porque inverteu a equação dos economistas empregados da bancocracia. Faz o que Lauro Campos descreve em “A crise completa – a economia política do NÃO” (Boitempo, 2002).

A crônica insuficiência de consumo, decorrente do arrocho salarial capitalista, é, segundo Marx, a mãe de todas as crises do sistema, que o levam, sob subconsumismo, a descolar-se da produção para a especulação, gerando bolhas e mais bolhas especulativas que, encavalando-se no tempo, criam as bases de destruição dele, transmudando-o de impulsionador das forças produtivas para detonador das forças destrutivas, na guerra.
A crônica insuficiência de consumo, decorrente do arrocho salarial capitalista, é, segundo Marx, a mãe de todas as crises do sistema, que o levam, sob subconsumismo, a descolar-se da produção para a especulação, gerando bolhas e mais bolhas especulativas que, encavalando-se no tempo, criam as bases de destruição dele, transmudando-o de impulsionador das forças produtivas para detonador das forças destrutivas, na guerra.

NÃO para o superavit primário elevado; NÃO para o arrocho salarial; NÃO para os juros escorchantes; NÃO para a sobredesvalorização cambial a fim de elevar as exportações à custa do empobrecimento produzido, cientificamente, pelo processo inflacionário construído pelo subconsumismo interno, gerado pela poupança externa = dependência externa-eterna etc, etc etc. Quando os bancocratas dizem SIM, para engordar banqueiro, deve-se contrapor o NÃO, para salvar o povo da fome. O titular do Planalto, ao garantir, com os programas sociais que promoveu, como o Programa Bolsa Família; como o reajuste real do salário mínimo, ainda, uma miséria; como a reposição para os servidores, capaz de garantir aos miseráveis três refeições diárias, assegurou às Dona Maria do POVÃO, parente de Dona Lidu, mãe dele, que saíra do submundo, em Pernambuco, para sobreviver no submundo,  em São Paulo, o consumo de 40 milhões de quilos de comida/dia, que circulam pelas estradas afora do país, renovando os estoques da indústria nacional, como destaca o empresário brasiliense Sebastião Gomes. Ah, dizem os economistas bancocráticos e seus porta-vozes, jornalistas de economia: ASSISTENCIALISMO! Desconsideram em suas análises que o consumo é, com o investimento, fator econômico essencial. Mecanicistas, só vêem um lado da realidade. Descartam que ela é dual, positivo-negativo, singular-plural, yin-yang, masculino-feminino, claro-escuro, dialética, interativa em processo de negação em que a negatividade é a realidade. Investimento não gera consumo correspondente, como imaginou Jean Baptiste Say, pai dos neoliberais, segundo o qual toda a oferta gera demanda correspondente. Marx gozou tal máxima econômica esotérica. Say teria razão, disse, se as mercadorias que vão para as prateleiras dos mercados fossem vendidas SEM lucro. Quem iria produzir? Quem renunciaria à liquidez, garantida pelo juro, para produzir 100 e vender por 100? Como SEM LUCRO O empresário não renuncia à liquidez e, portanto, não investe, porque não é burro, ao realizar lucro promove, sob capitalismo, insuficiência crônica de demanda. Quantas vezes é preciso repetir que empresário não está preocupado em gerar emprego, mas lucro? O gap entre o valor a mais que o trabalhador produz em forma de mercadoria e o valor a menos que recebe em forma de salário, mercadoria comprada pelo capital, diz o autor de O Capital, produz, de um lado, o excedente não consumido e, de outro, o salário não pago, roubado, a mais valia apropriada como lucro pelo capital. Trabalho é valor que se valoriza(Marx). Não consumido internamente, o estoque excedente precisa ser exportado para onde há consumo, mas, ao preço deprimido, pela dominação cambial, exercida pelas moedas dos países ricos na relação com as moedas dos países pobres, como destaca Keynes em entrevista a Santiago Fernandes, em “A Ilegitimidade da Dívida Externa do Brasil e do III Mundo”(Nordica, 1985). O autor de “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, entrevistado em 1944, durante a Conferência de Bretton Woods, por Santiago Fernandes, repórter do Jornal do Brasil e, na ocasião, economista estagiário do Banco do Brasil, na Universidade de Columbia, foi claro: os ricos botam preço cambial elevado para cotar as manufaturas que produzem, a fim de trocá-las por matérias primas cotadas por preço baixo, instaurando, historicamente, a deterioração nos termos de troca. A perda cambial, gerada pela moeda mais forte sobre a mais fraca, produz a dependência, que é socorrida pela poupança externa = dívida externa = instrumento de dominação internacional, impulsionando risco, juro alto e, consequentemente, mais dependência.

 

O jogo da dependência

 

 

Ex-presidente do Banco Central, consultor da bancocracia nacional e fazedor da cabeça da grande mídia, Affonso Celso Pastore, ideológo mecanicista, adepto da furada Lei de Say, prevê a volta da inflação, sem considerar que o combate a ela está sendo feito pela opção ao consumo como remédio contra o subconsumismo detonador das pressões inflacionárias de outrora. Reza no altar dos banqueiros, pregando juro para aumentar a poupança interna e  a dependência economicida externa-eterna.
Ex-presidente do Banco Central, consultor da bancocracia nacional e fazedor da cabeça da grande mídia, Affonso Celso Pastore, ideológo mecanicista, adepto da furada Lei de Say, prevê a volta da inflação, sem considerar que o combate a ela está sendo feito pela opção ao consumo como remédio contra o subconsumismo detonador das pressões inflacionárias de outrora. Reza no altar dos banqueiros, pregando juro para aumentar a poupança interna e a dependência economicida externa-eterna.

O que anda dizendo, por esses dias, o renomado economista Affonso Celso Pastore, bancocrático de carteirinha, respeitadíssimo pelos colunistas econômicos, que repetem seus argumentos como católicos praticantes? Que o excesso de consumo cria a armadilha da inflação. Por isso, acrescenta, é preciso poupar, o que significa, na linguagem dele, política monetária restritiva, ou seja, juro mais alto. Meirelles diz a mesma coisa. Ladainha bancocrática de uma nota só. Os banqueiros agradecem embevecidos. Mas, será que se cortar o consumo, que está sendo bombado pela política fiscal lulista-keynesiana, ocorreria o que pregam, isto é, o investimento, que geraria consumo correspondente, se fosse possível levar a sério o ideólogo deles, Jean Bapitiste Say? A história já comprovou que não. O argumento brandido outrora pelo FMI segundo o qual a inflação na periferia capitalista decorre do excesso de demanda foi detonada pela grande crise de 2008. A política econômica lulista de gerar consumo via fortalecimento do social frente ao econômico demonstrou que a inflação decorre não do excesso consumista, mas da fome. Matou a fome, mata-se/controla-se a inflação. Só que, para isso, é preciso dividir o bolo, capar o superávit primário.

Pai dos neoliberais, Jean Baptiste Say abraçou o esoterismo econômico ao dizer que toda a oferta gera demanda correspondente, produzindo equilíbrio macroeconômico eterno sob capitalismo, algo somente possível se os capitalistas renunciassem ao lucro. Impossível.
Pai dos neoliberais, Jean Baptiste Say abraçou o esoterismo econômico ao dizer que toda a oferta gera demanda correspondente, produzindo equilíbrio macroeconômico eterno sob capitalismo, algo somente possível se os capitalistas renunciassem ao lucro. Impossível.

Disso os economistas subordinados à bancocracia têm pavor. No fundo, a bancocracia quer é deflação, ou seja, sobra de mercadorias internamente, para exigir desvalorização, a fim de combatê-la com inflação, que reduz salários, que aumenta a insuficiência interna de consumo, que eleva o risco e, por tabela, o juro, para atrair a poupança externa = dependência externa-eterna. Se for mantida a política de sustentar o consumo interno, evidentemente, haverá poupança interna suficiente, porque MAIS CONSUMO = MAIS ARRECADAÇÃO = MAIS INVESTIMENTO PÚBLICO = MAIS POUPANÇA. Vale dizer, é furada a dicotomia poupança versus investimento. Configura-se, por fim, o que disse Marx, que produção é consumo, consumo é produção. A pregação dos economistas bancocráticos de que é preciso aumentar a poupança interna, daí ser necessário enxugar a política fiscal, capaz de levar os empresários a optar pelo investimento, não assegura, naturalmente, o investimento, porque mais investimento privado, necessariamente, não leva ao consumo correspondente. Consequentemente, não fortalece a arrecadação. Pelo contrário, diminui, já que emerge a crônica insuficiência de demanda global. Veja, agora, o que está acontecendo. A arrecadação, depois que o consumo lulista-keynesiano foi bombado, está subindo, embora haja capacidade instalada ociosa. Se não tivesse sido estimulado o consumo, mas, sim, o investimento, como prega a bancocracia, a classe produtiva estaria falida. Quem iria comprar máquinas novas, para colocar no lugar das que estão paradas, diante do consumo insuficiente? Não havendo, historicamente, correspondência na máxima jeanbaptistesayniana de que toda oferta = investimento gera consumo correspondente, mas, sim o seu contrário, isto é, insuficiência crônica de demanda/consumo, poupar mais, como prega a turma da bancocracia – Mailson, Pastore, Bacha, Franco, Malan, Armínio etc – seria suicídio econômico. O resultado não seria mais investimento, mas, sim, mais inflação. Estaria sendo reconstruída a armadilha anterior, dos excedentes internos, bomba inflacionária em potencial que bombeia juro. Se essa jogada fosse repetida, com os governos entrando em campo para salvar o capitalismo da catástrofe, as dívidas governamentais que escondem , dialeticamente, a inflação, iriam para o espaço. Ou seja, inflação exponencial, que levaria tudo de roldão. O prestígio do presidente do BC, ministro Henrique Meirelles, somente se sustenta pela mão dada a ele pela grande mídia, escrava da bancocracia.O jogo do capitalismo não é mais garantir, preferencialmente, o investimento, mas o consumo, equilibrando ambos, de forma equivalente, pois um não sobrevive sem o outro. Especialmente, ao governo, que precisa de arrecadação, é melhor negócio bombar o consumo, que dá resultado imediato no cofre do tesouro, do que o investimento, que , ao contrário, reduz os ingressos tributários, já que dependem de desonerações fiscais, recorrentemente.

 

Modelo Democrático Burguês

 

Os dois grandes economistas sustentaram polêmica sensacional por mais de 50 anos em torno da dicotomia eterna entre poupança e investimento para concluirem, no caso de Ricardo, que a lei do valor-trabalho é a produtora real da riqueza, e no caso de Malthus, que a insuficiência crônica de consumo sob o livre mercado requer o Estado como gastador de última instância para evitar que o sistema desemboque na deflação que destroi capital e trabalho.
Os dois grandes economistas sustentaram polêmica sensacional por mais de 50 anos em torno da dicotomia eterna entre poupança e investimento para concluirem, no caso de Ricardo, que a lei do valor-trabalho é a produtora real da riqueza, e no caso de Malthus, que a insuficiência crônica de consumo sob o livre mercado requer o Estado como gastador de última instância para evitar que o sistema desemboque na deflação que destroi capital e trabalho.

Poupança ou investimento? Trata-se de velha discussão. Ricardo e Malthus, na primeira metade do século 19, tiveram clássica discussão em torno do assunto. Os dois trocaram cartas, que ficaram famosas, durante cinqüenta anos. Malthus, gênio, percebeu, claramente, que a teoria dos rendimentos decrescentes, adaptada por Ricardo à agricultura, não seria jamais válida, se aplicada à indústria. Na agricultura, sim, os rendimentos são decrescentes, quanto mais se utilizam as terras menos férteis. Menos produtividade justificava redução de salários. Mas, na indústria, a produtividade, no compasso do desenvolvimento científico e tecnológico, em vez de decrescente, é altamente crescente. A adaptação da teoria ricardiana para a agricultura aplicada à indústria se torna tão somente ideologia para justificar redução de salários não mais em ambiente de baixa produtividade, mas de alta produtividade. A continuidade da lei dos rendimentos decrescentes na indústria, como forma de multiplicar os lucros do capital via arrocho salarial, ideologicamente construído pelos economistas neoclássicos, representaria, tão somente, segundo Malthus, aprofundamento da característica essencial do capitalismo, ou seja, a expansão da crônica insuficiência de consumo. A economia, para Malthus, seria, por isso, uma ciência lúgubre, triste, enriquece, de um lado, mas empobrece, de outro. E a pobreza crônica inviabiliza o sistema, levando-o à especulação e à deflação. A inflação seria a salvação. Caso contrário, os investimentos não se realizariam por conta do consumo crônico insuficiente, sabendo que o resultado é queda de preços. A inflação seria necessária para elevar relativamente os preços como medida capaz de justificar os investimentos. A economia, dessa forma, vira ciência da escassez. Quem renunciaria à liquidez, se os investimentos na produção não dessem retorno? Emerge a grande questão: quem provocaria a inflação, ou seja, a salvação do capital, se o mercado livre, pela livre competição, leva à deflação? A eficiência capitalista, bombada pela ciência e a tecnologia, que eleva a produtividade, é auto-suicida no ambiente da livre competição. Teria que aparecer o oposto da eficiência, isto é, a ineficiência, para equilibrar, dialeticamente, o sistema. Querer Estado enxuto, sob equilíbrio orçamentário, seria esquizofrenia pura. A tarefa caberia aos gastos do governo que elevariam a inflação, disfarçada de dívida pública, que cresce, de forma dialética, no lugar dela, como destaca Lauro Campos, em “A crise da ideologia keynesiana”.

Keynes abandonou seu guru neoclássico, equilibrista-marginalista, Alfred Marshall, para abraçar Malthus, pois concluiu que o livre mercado, levado ao extremo, sob padrão-ouro, seria o calvário e não a salvação do capitalismo, dependente, depois do crash de 29, dos recorrentes socorros estatais, mediante oferta de papel moeda, regulada pela autoridade monetária expressa nos bancos centrais. Deu certo enquanto a dívida interna teve fôlego para esconder a inflação, crescento no lugar dela.
Keynes abandonou seu guru neoclássico, equilibrista-marginalista, Alfred Marshall, para abraçar Malthus, pois concluiu que o livre mercado, levado ao extremo, sob padrão-ouro, seria o calvário e não a salvação do capitalismo, dependente, depois do crash de 29, dos recorrentes socorros estatais, mediante oferta de papel moeda, regulada pela autoridade monetária expressa nos bancos centrais. Deu certo enquanto a dívida interna teve fôlego para esconder a inflação, crescento no lugar dela.

Edmar Bacha, que escreve o prefácio do livro, diz que Lauro viu em 1958, na sua tese “Inflação, instrumento de controle econômico e social”, o que John Hicks escreveria 16 anos depois, em 1974, isto é, a bancarrota keynesiana estatal guerreira como ponto final do auge capitalista no século 20.  Malthus pregou a ineficiência estatal inflacionária para sustentar a eficiência privada deflacionária. Os pregadores do falso moralismo macroeconômico equilibrista são crentes católicos na moeda monárquica,  sobrevivente sob padrão ouro até final do século 19. Não entraram, ainda, na era da moeda burguesa que destruiu o rei e rompeu com o que Keynes denominou de “Relíquia bárbara”, ou seja, o ouro, substituído pelo papel moeda sem lastro, ancorado não nos metais, mas no papel moeda, garantidor das bombas atômicas e do poderio bélico-espacial. O Estado, com sua moeda, é capital. Os Estados Unidos consideram integrantes do Eixo do Mal todos aqueles que queiram desenvolver no limite o que os próprios Estados Unidos desenvolveram, ou seja, a indústria bélica e espacial como detonadora final das novidades tecnológicas que seriam transformadas em bens consumíveis para dar sobrevida à indústria de bens duráveis, carentes de consumo sustentável sob mercado livre, que levou ao crash de 1929. O consumo popular, no contexto da bancarrota capitalista, versão 2008, surge como o milagre capaz de sustentar o investimento e a reprodução do capital, depois que os gastos de guerra ameaçam explodir a sustentabilidade do sistema, rompida pelos déficits, combatidos, agora, pelo juro negativo. O Direito de Consumo transforma-se em salvação econômica, social e política, diz Sebastião Gomes. A redução da taxa de juro se impõe como imperativo categórico. O nacionalismo, que emerge na Era Lula, sob comando do ministro da Fazenda, Guido Mantega, autor de “A economia política brasileira”(Polis/Vozes, 1984) é a alternativa que o consumo interno cria para formar a poupança interna, sinalizando independência econômica. Rompe-se o ciclo da dependência, que, historicamente, impediu a relação-combinação capital-trabalho nacionais, enquanto o excedente interno, produzido pelo subconsumismo, levou os capitalistas brasileiros a renderem-se, dependentemente, aos sócios estrangeiros, bloqueando, historicamente, até agora, o modelo democrático burguês. A grande crise de 2008 abre espaço ao desenvolvimento do capitalismo nacionalista, impulsionado pela opção equilibrada entre o social e o econômico, mediados pelo Estado. Nesse contexto, pintaria verdadeira social democracia. Caso contrário, o socialismo atropelaria. Lula, instintivamente, tem razão, quando diz que 2010 será o ano da combinação da cautela com a ousadia. 

 

 

 

 

       

Espetáculo antidemocrático pré-eleitoral

Lula e Dilma seguem o figurino conservador político partidário histórico brasileiro que ignora o papel dos partidos políticos como os verdadeiros impulsionadores da democracia, na medida em que a candidata do titular do Planalto não sai do debate popular no interior do antagonismo social intrínseco às agremiações políticas sob capitalismo social democrata. Mais parece repeteco da prática ditatorial do tempo dos militares. A história está parada.
Lula e Dilma seguem o figurino conservador político partidário histórico brasileiro que ignora o papel dos partidos políticos como os verdadeiros impulsionadores da democracia, na medida em que a candidata do titular do Planalto não sai do debate popular no interior do antagonismo social intrínseco às agremiações políticas sob capitalismo social democrata. Mais parece repeteco da prática ditatorial do tempo dos militares. A história está parada.

A disputa pré-eleitoral em marcha, com analogias futebolísticas, desencadeadas pelo presidente Lula, colocando em cena Tostão, Coutinho – não se falou em Pelé, ainda, talvez por ser incomparável  – é, didaticamente,  exercício pleno de comprovação  anti-democrática. O que se observa não são as discussões políticas que mobilizam a comunidade para o debate por intermédio dos instrumentos que, na democracia, estariam a cargo dos partidos, em torno dos quais se organizam os grupos socialmente antagônicos, algo próprio da sociedade capitalista, como é o que se verifica nos países desenvolvidos onde a social-democracia ganhou status de conquista civilizatória avançada. Os partidos, por aqui, não existem, de fato, apenas, como massas de manobras.  Os sociais democratas, na Europa, nos Estados Unidos, no Japão, símbolos do mundo ocidental, que se projetam no inconsciente como civilização, expressa no Estado burguês, ancoram-se nos partidos políticos, mas, na América do Sul, especialmente, no Brasil, essa conquista, infelizmente, ainda não chegou. Por isso, o fenômeno populista, apoiado em lideranças carismáticas, como a de Lula, justamente, por conta da ausência efetiva das agremiações partidárias, sobrevivem, mas até quando, em face do avanço da sociedade do conhecimento? Nesta, em terras brasileiras, o que se vê é o espetáculo do enfraquecimento geral de tais agremiações, submetidas a uma legislação onde o que a determina não é a força do direito, mas o direito da força, do dinheiro e da prepotência – olha o Daniel Dantas aí, gente!  Quem está no poder realiza, no dedaço, a produção dos seus propósitos individualistas. Lula tenta, ao largo dos partidos, fazer valer sua candidata, a ministra Dilma Rousseff, que nunca disputou eleição, embora tenha tido militância política clandestina, por meio da qual, certamente, desenvolveu formas de agir que talvez não sejam convenientes no processo democrático, dadas as especificidades da clandestinidade, que implicariam, quase sempre, em ações pouco transparentes. Em Minas, Aécio Neves, da mesma forma, tenta fazer seu sucessor, igualmente, virgem em matéria político partidária, na base do dedaço. Idem, nos demais estados da Federação, financeiramente, falidos, na crise, configurando espetáculo antidemocrático pré-eleitoral. Como as regras são rompidas pelo poder econômico, como se verifica, por exemplo, em Brasília, às vésperas de completar 50 anos, sob comando de políticos, totalmente, corruptos, o espaço para o avanço verdadeiramente popular fica interrompido. A força das idéias se rende à força do dinheiro.

 

Rumo ao passado conservador

 

A manobra da política do Café com Leite, praticada por Minas e São Paulo, na República Velha, está sendo armada na base do bico de pena, ao largo da discussão político-partidária, que elimina a presença de filiados e não filiados dos partidos, na tarefa de escolher, previamente, como passa a acontecer na Argentina, os candidatos que darão autentiticade à disputa democrática em 2010. Os líderes falsos ensaiam passos não rumo ao futuro, mas ao passado.
A manobra da política do Café com Leite, praticada por Minas e São Paulo, na República Velha, está sendo armada na base do bico de pena, ao largo da discussão político-partidária, que elimina a presença de filiados e não filiados dos partidos, na tarefa de escolher, previamente, como passa a acontecer na Argentina, os candidatos que darão autentiticade à disputa democrática em 2010. Os líderes falsos ensaiam passos não rumo ao futuro, mas ao passado.

Indiscutivelmente, o presidente Lula é novidade histórica em matéria de desenvolvimento econômico, mas não de avanço político. Ao adotar política capaz de assegurar o consumo das massas, compatibilizou combate à inflação com crescimento econômico, desmentindo o mandamento neoliberal, adepto da lei de Say, que nunca funcionou, segundo a qual toda oferta – investimento – gera demanda correspondente. Mentira. O investimento, sob capitalismo, eleva a concentração relativa da renda, porque o objetivo do sistema é o lucro, que, ao ser realizado, produz , como comprovou Marx, insuficiência relativa de demanda global. Já, garantindo o consumo, via melhor distribuição da renda, minimiza-se a insuficiência consumista , reduz-se os excedentes, elimina-se a necessidade de desvalorizações cambiais, para estimular exportações, contém-se a inflação, valoriza-e a moeda, melhora o poder de compra popular e, consequentemente, fortalece-se  o mercado interno. Eis o milagre lulista, que evitou bancarrota da economia, durante a grande crise de 2008,e assegura ao presidente a popularidade de quase 80%, que poderá garantir transferência de votos para Dilma Rousseff em 2010. Esse verdadeiro milagre econômico, jamais alcançado pelos governos anteriores, que sempre pregaram o liberalismo furado de que é preciso, primeiro, acumular, para depois dividir, não foi, no entanto, aproveitado pelo presidente para produzir o outro milagre esperado pela sociedade brasileira, o de eliminar os privilégios políticos da classe rica em cima da classe pobre, em forma de legislação eleitoral abominável, em que o poder do dinheiro e da força predomina sobre o poder popular. O PT não cumpriu o papel que a história lhe reservava no plano ético. Depois que o partido se sujou no episódio do mensalão e o presidente petista justificou que tal sujeira nada mais foi do que o que os outros partidos sempre praticaram, dançou, eticamente, na consciência popular, desenganando muita gente. Jogou na lata de lixo da história a promessa renovadora petista de melhorar e aprimorar os costumes políticos viciados no país, configurando farinha do mesmo saco. Indiferenciado em relação às demais agremiações partidárias, o partido do presidente e esperança da nação perdeu a moral de levantar a bandeira da reforma política. Ao jogar com os corruptos financiamentos de campanha, como sempre fizeram os partidos concorrentes, desde tempos imemoriais, deixou, também, para o PT, de ser funcional a ética partidária. Igualmente, deixou de ser prioridade, sob o petismo corrompido, reformar o modus operandi da política nacional, a fim de que os partidos políticos ganhassem conteúdo ético, transformando-se em canais por meio dos quais circulassem os antagonismos sociais, a fim de, no embate político, ampliar a participação popular, conferindo-lhes autenticidade e legitimidade.  Escolha dos candidatos dos partidos por meio dos filiados e não filiados, em PRÉVIAS ELEITORAIS NACIONAIS E SIMULTÂNEAS, como acaba de ser aprovada nova lei eleitoral, na Argentina, nem pensar. José Serra, governador de São Paulo, candidato do PSDB, que, igualmente, fugiu da democratização interna partidária, para escolher o candidato para disputar com Dilma, perde, nesse contexto de fantasia anti-democrática, a oportunidade de dispor de bandeira de luta política renovadora. Incorre no mesmo erro de Lula, fugindo da defesa em favor do fortalecimento dos partidos. Como não tem discurso democrático renovador, fica sem armas para enfrentar a popularidade lulista, que pode ser transferida para Dilma. Se diferenciasse de Lula, nesse aspecto, poderia sair com vantagem comparativa. Como não ousou diferenciar, se torna mais um a disputar eleição em meio ao vício histórico que configura a falsa democracia brasileira como de pé quebrado. Farsa total.

 

História como farsa

 

Os populistas latino-americanos como Getúlio, Perón e Cárdenas são expressões históricas surgidas ao largo dos partidos políticos comandados pelas elites conservadoras alaidas ao capital internacional, cuja essência e função são as de acumular riqueza e excluir dela o poder popular organizado por meio das agremiações partidárias. Não dariam, é claro, tiro no próprio pé, mas sim nas lideranças populistas.
Os populistas latino-americanos como Getúlio, Perón e Cárdenas são expressões históricas surgidas ao largo dos partidos políticos comandados pelas elites conservadoras alaidas ao capital internacional, cuja essência e função são as de acumular riqueza e excluir dela o poder popular organizado por meio das agremiações partidárias. Não dariam, é claro, tiro no próprio pé, mas sim nas lideranças populistas.

No Brasil e na América do Sul em geral, a democracia é fantasia irrealizada. Dominam não as idéias, mas o dinheiro. Os falsos líderes preferem abafá-las no ambiente legislativo da periferia dependente de poupança externa. No vácuo político-partidário, emergem, historicamente, como disse Trotski, líderes populistas que preenchem espaços vazios. Perón, Vargas, Cárdenas etc é isso aí. Ao longo do século 20 foi o tempo todo assim. Da proclamação da República, em 1889, até 1930, os partidos foram expressões de movimentos oligárquicos. Política do café com leite, São Paulo-Minas. Repetirá a história como farsa, na união Serra-Aécio, em 2010, voltando o país à República Velha? Depois de 30 até 1946, o espaço foi preenchido por ditadura nacionalista fascista. Inexistiu liberdade política, suprimida pelo fascismo, em nome da preservação dos interesses nacionais, já que o Brasil e toda a sul-america estavam sob pressão do imperialismo internacional. Até final da segunda guerra mundial, predominou, no continente, o imperialismo inglês. Mandava a libra esterlina no contexto das relações de troca internacionais. Depois da segunda guerra mundial, emergiu o dólar como novo equivalente monetário global. As forças políticas internas, no país, em meio a essa transição imperialista mundial, jogavam não com o avanço da democracia, mas com as armas das ditaduras. Os partidos políticos, sob ordens tirânicas, eram fantoches do capital externo, expresso, internamente, por líderes anti-democratas. Sem a participação popular efetiva na construção político-partidária, a voz determinante, na composição do poder, era, invariavelmente, dada de fora para dentro, pelo interesse do capital, na tarefa de eternizar a América do Sul em permanente fornecedora de matérias primas. Dividiam-se as forças econômicas e políticas internas. De um lado, aquelas que se organizavam para serem eternamente sócias do capital estrangeiro, manipulando a sociedade na tarefa de deter sua crença na construção auto-sustentável do país; de outro, o movimento antagônico a essa tendência alienígena, isto é, as forças nacionalistas. Estas acreditavam e lutavam pela união interna para construção da industrialização, a partir do fortalecimento do mercado interno via substituição de importações etc. As divisões internas das forças nacionalistas, no entanto, impediram, depois da guerra, a sua própria auto-sustentação, levando a sociedade a uma polarização louca que desembocou no golpe militar de 1964. Durante vinte anos, de 1964 a 1984, a divisão se aprofundou, embora, nesse período, os golpistas tenham levado adiante políticas nacionalistas, porém, acompanhadas de providências ditatoriais. Estas impediram a organização política capaz de consolidar o nacionalismo por intermédio dos partidos políticos. De 1946, iniciando o pós guerra sob Constituição democrática, até 1964, quando a democracia foi suprimida e instalada, sob porrete, a Constituição de 1967, chegando a 1984, quando se reinstala a prática democrática, culminando com a Constituição de 1988, o vai-e- vem político transcorreu sem que a construção partidária se efetivasse para valer. Predominou, tão somente, arremedos de partidos cujos líderes representaram, efetivamente, o seu contrário, isto é, apenas, falsos líderes, amarrados pelos ditadores e pagos pelo capitalismo internacional.

 

Imperialismo nega democracia

 

FHC foi salvo duas vezes por Bill Clinton que mandou o FMI tirar o Brasil do abismo financeiro fernandista cuja política econômica antiinflacionária atendeu plenamente os interesses do Consenso de Washington, enquanto , no plano político, o então titular do Planalto manobrava contra as propostas de reforma político partidária, para evitar que partidos autênticos dessem basta ao jogo do entreguismo neoliberal, ao qual o presidente Lula, no plano político, também, se rendeu, para favorecer a bancocracia.
FHC foi salvo duas vezes por Bill Clinton que mandou o FMI tirar o Brasil do abismo financeiro fernandista cuja política econômica antiinflacionária atendeu plenamente os interesses do Consenso de Washington, enquanto , no plano político, o então titular do Planalto manobrava contra as propostas de reforma político partidária, para evitar que partidos autênticos dessem basta ao jogo do entreguismo neoliberal, ao qual o presidente Lula, no plano político, também, se rendeu, para favorecer a bancocracia.

A Nova República, herdeira da ditadura militar super-endividada, principalmente, depois da crise monetária internacional detonada pelos Estados Unidos, em 1979, não conseguiu parar sozinha em pé. O sonho militarista nacionalista do Brasil Grande chegara ao fim. Washington, no final dos anos de 1980, atolada em déficits monumentais, decorrentes dos gastos com sustentação da guerra fria e guerra do Vietnan – 18 trilhões, segundo o Instituto Peel – para evitar avanço do comunismo internacional, estava diante do perigo de deslizamento da moeda americana na praça financeira internacional. A saída foi subir os juros, brutalmente, de 5% para quase 17%, a fim de enxugar a base monetária global alagada de dólares, eurodólares, nipodólares e petrodólares. Os países da periferia capitalista, endividados, dançaram. Emergiram os ajustes econômicos brutais, como o Plano Brady, seguido do Consenso de Washington, para enquadrar os falidos, obrigando-os a realizarem crescentes supervits primários. A prioridade imposta pelo império americano à periferia passara a ser o pagamento dos juros das dívidas públicas internas. A Constituição de 1988 foi marcada com ferro e fogo, expressos no artigo 166, parágrafo terceiro, item II, letra b, que estabelece cláusula pétrea, proibindo contingenciamento orçamentário para as verbas destinadas ao pagamento dos juros. A Nova República seria dominada, essencialmente, pelo privilégio maior conferido à bancocracia. Ou seja, primeiro de tudo, garantir o interesse dos credores, depois o do povo, se sobrar algum. Basta observar o lei orçamentária aprovada nessa terça feira, 22, pelo Congresso. De um total de cerca de 1,8 trilhão de reais, quase 600 bilhões são destinados aos serviços da dívida. Canga total sobre o pescoço do povo. Nesse contexto de dominação internacional, os partidos políticos se afogaram nas determinações do capital financeiro, que obrigaram os governos, no âmbito constitucional, a governarem mediante medidas provisórias. Os militares haviam governado sob o tacão de ferro dos decretos leis que impediam a liberdade política para tocar a economia. Na Nova República, emergiu a fachada da liberdade democrática, sem partidos consistentes, para garantir a ditadura econômica, graças à governabilidade eternamente provisória. As lideranças políticas neorepublicanas, comandadas pelo pensamento único neoliberal washingtoniano, renderam-se ao FMI, capitão do mato a serviço do capital, cujo mandamento número um é constante rechaço às organizações sociais que buscam se projetar nos partidos populares. Os partidos, no tempo neorepublicano neoliberal , não se firmaram porque a governabilidade eternamente provisória foi conveniente ao capital que se sobreacumulou especulativamente até que veio a grande crise de 2008 e implodiu com tudo.

 

Neo-capitalismo nacionalista

 

O mercado interno, bombado por programas sociais, garantiu o país contra a crise, mas não contra os desmandos políticos individualistas, que, ao largo dos partidos, teimam em construir falsa democracia, como se fosse verdadeira, impedindo que a sociedade de se organizar politicamente de forma autosustentável.
O mercado interno, bombado por programas sociais, garantiu o país contra a crise, mas não contra os desmandos políticos individualistas, que, ao largo dos partidos, teimam em construir falsa democracia, como se fosse verdadeira, impedindo que a sociedade de se organizar politicamente de forma autosustentável.

O nacionalismo não pegou, verdadeiramente, no século 20, porque não se construiu mercado interno sustentável. Com a grande crise econômica de 2008, que é resultado de encavalamento de crises que se sobrepuseram, ao longo dos últimos cinqüenta anos, abre-se espaço para o poder popular, justamente, por meio do avanço do consumo interno, que requererá, por sua vez, o complemento da organização social por meio de partidos com suficiente legitimidade e autenticidade. Por isso, as elites temem as reformas políticas. A vitória social lulista, por meio do aumento do consumo das massas, representa avanço histórico extraordinário, mas não suficiente, se ele não for acompanhado da conquista política, expressa na representação dos partidos populares. O PT sujou geral na corrupção. Perdeu credibilidade sob esse ângulo histórico. Nesse sentido, o primeiro presidente brasileiro metalúrgico, originado das classes populares, avançou pouco. Em vez de aprofundar as conquistas populares por meio do partido, realizando reforma política democrático-revolucionária, preferiu deixar prá lá. Limitou-se a construir individualismo lulista. Rendeu-se ao populismo. Ancorou-se, a exemplo dos seus antecessores presidentes neorepublicanos neoliberais, não na força político partidária, aprofundando a organização popular, mas na governabilidade provisória. Essa estratégia não se sustenta fora da individualidade intrínseca a si mesma. Poderia ser transferida para Dilma a característica individualista lulista de modo a levá-la a vitória? E o conteúdo do dilmismo, qual seria? Se Dilma, na campanha eleitoral, colocar com principal bandeira o avanço do poder popular, na consolidação do mercado interno por meio do aprofundamento da distribuição da renda nacional, via organização partidária, estaria aberta nova etapa histórica. Se continuar o vício político expresso no esmagamento dos partidos, como resultado da produção político-machista sul-americana, o resultado seria a continuidade do populismo , agora, vestido de saias. Ou ela, se eleita, daria uma de Cristina Kirchner? A reforma política argentina, ao fortalecer os partidos como os canais por meio dos quais serão erguidas as lideranças políticas, previamente, escolhidas, antes de serem submetidas às eleições gerais, para conhecimento antecipado de suas propostas populares, representa o norte da educação política renovadora revolucionária sul-americana para reconstruir a destruição neoliberal anti-democrática anti-partidária. Se Serra seguir, durante a campanha, por esse mesmo caminho, o horizonte democrático brasileiro terá novo conteúdo. Mas, o que se vê até o momento é pura enganação, covardia histórica de candidatos que se comportam como as velhas elites conservadoras reacionárias. Vamos esperar prá ver.

Aécio, blefe democrático

Reclamou que abandonou o barco da candidatura à presidência da República porque o tucanato decidiu boicotar as prévias eleitorais que dariam consistência democrática à sucessão presidencial, mas, em Minas, agiu opostamente, ou seja, escolhe o candidato que tentará sucedê-lo no dedaço, antidemocraticamente, negando a fazer nas Alterosas o que prega no plano nacional, isto é, as prévias eleitorais, configurando-se democrata de meia tigela. Não tem moral para falar de ninguém sobre democracia partidária.
Reclamou que abandonou o barco da candidatura à presidência da República porque o tucanato decidiu boicotar as prévias eleitorais que dariam consistência democrática à sucessão presidencial, mas, em Minas, agiu opostamente, ou seja, escolhe o candidato que tentará sucedê-lo no dedaço, antidemocraticamente, negando a fazer nas Alterosas o que prega no plano nacional, isto é, as prévias eleitorais, configurando-se democrata de meia tigela. Não tem moral para falar de ninguém sobre democracia partidária.

Belo Horizonte – Em Minas Gerais, Aécio Neves não está com essa bola toda que a gente percebe fora das Alterosas. Pinta-se um mundo em que o neto de Tancredo é o tal. Grande administrador, grande democrata etc.  Nada disso, se for ouvido o coração da gente mineira. Primeiro, a imprensa, em Minas, é uma enganação. Não há crítica. Um jornal católico, em São João Del Rey, por exemplo, foi censurado. Criticou o titular do Palácio da Liberdade, porque há, indiscutivelmente, uma tremenda insatisfação contra ele, especialmente, por parte do funcionalismo público. O bispo enquadrou a publicação. Não houve da parte do governo nenhuma bonança para com essa categoria. Ele foi o oposto do que fez o presidente Lula. Na prática, atuou como carrasco dos servidores. Em encontro com empresários, servidores e trabalhadores na indústria mineira, em uma confraternização geral em BH, numa rodada geral de papo político liberal, lingua solta, pude observar a insatisfação oculta e latente, que não sai nos jornais mineiros, ancorados na verba publicitária oficial. Falou mal, dança. Dos servidores, ouve-se o diabo. Salários baixos, arrocho, promessas não cumpridas. Escândalos, loucuras, rock and roll etc. De vendedores das empresas metalúrgicas mineiras, escutei elogios, não ao governador Aécio, mas ao governador José Serra, de São Paulo, porque o titular dos Bandeirantes adotou política fiscal atrativa que leva, nesse momento, vantagem sobre Minas, na cobrança do ICMS. Tanto é verdade que, agora, Aécio tenta fazer o que combatia, ou seja, guerra fiscal, tanto contra São Paulo como contra o Rio de Janeiro. Os vendedores das empresas mineiras estão reclamando que estão perdendo comissões de vendas porque, graças aos impostos mais altos em Minas, os clientes preferem comprar produtos paulistas e cariocas. Ouvi de fiscal do INPI algo que jamais pensei ouvir. Disse ele que Deus fora generoso com o Brasil por não ter permitido que Tancredo Neves chegasse à Presidência da República. Espantei-me. Por que? Quando o filho mais famoso de São João Del Rey chegou ao comando do governo mineiro(1982-84), adotou política fiscal de arrocho total em cima das empresas. Derrama tancrediana. Era como se na porta de cada estabelecimento comercial e industrial estivesse postado um homem de Tancredo, para arrecadar impostos, mandar ver nas multas, fiscalizando, acerbamente. Loucura. A mesma coisa, disse-me o funcionário do INPI, rola com Aéco. As empresas, atualmente, estão insatisfeiras com o governador mineiro, dada sua ganância fiscal, com  perseguição por meio de fiscais implacáveis etc. Voz do povo, voz de Deus. Ao mesmo tempo em que a derrama aeciana segue em frente, os produtos mineiros vão perdendo mercado para os produtos de São Paulo e do Rio de Janeiro. Mas, o mais importante é o lance político. Aécio Neves sai vendendo propaganda de democrata. Na sua carta de despedida como pré-candidato à presidência da República, porque não aguentou suportar os nervos de aço do governador José Serra, disposto a dar lance decisivo quanto a sua candidatura somente em março, o neto de Tancredo reclama do fato de que lutou por eleições prévias dentro do PSDB, a fim de escolher o candidato tucano ao Palácio do Planalto. Meia verdade. 

Dilma, autoritarismo puro, como comprovou em Copenhague, e Serra, artista do disfarce anti-democrátigo, trânsfuga das prévias, dão péssima demonstração de ação democrática ao povo brasileiro , quando renunciam às declarações favoráveis à escolha prévia dentro dos seus partidos para enfrentar eleições gerais com o aval da comunidade socialmente organizada partidariamente.
Dilma, autoritarismo puro, como comprovou em Copenhague, e Serra, artista do disfarce anti-democrátigo, trânsfuga das prévias, dão péssima demonstração de ação democrática ao povo brasileiro , quando renunciam às declarações favoráveis à escolha prévia dentro dos seus partidos para enfrentar eleições gerais com o aval da comunidade socialmente organizada partidariamente.

As palavras, repetindo Freud, servem para esconder o pensamento. É preciso ler o contrário do que está postado na missiva aeciana. O que  faz ele relativamente a sua própria sucessão? O mesmo que o presidente Lula faz em relação à candidata Dilma Rousseff, escolhida no dedaço, à revelia dos petistas em todo o país, negando a história do partido, tido como internamente democrata. O candidato de Aécio Neves, Anastasia, como Dilma, nunca disputou eleição. Igualmente, está sendo escolhido sem consulta prévia, no dedaço. Aécio senta no próprio rabo e deita falação sobre a vida dos outros. Não há disposição dele em escolher, democraticamente, o candidato tucano que tentará substitui-lo. A carta que escreveu é a negação da própria democracia, falsa, praticada por ele. Se não faz dentro de casa o que prega fora dela, qual a moral de sair chiando contra o PSDB? Sua ação configura puro gesto anti-democrático. Farsa. Assim como Lula demonstra ser um anti-democrata anti-partidário na sua disposição de conduzir Dilma à vitória, sem levar em conta o debate interno dentro do PT, onde há candidatos, essencialmente, populares, que deram mostra disso nas eleições anteriores, por meio das quais chegaram aos governos estaduais, da mesma forma Aécio se revela anti-democrata, quando impõe Anastasia, um administrador, tido como competente, como Dilma, mas ignorante em política como ela, a exemplo do que demonstrou em Copenhague, fiasco total. Dá para desconfiar porque os que estão no poder, dominando com mão de ferro as ações governamentais, por meio de administradores e administradoras competentes, como são Anastasia e Dilma, escolhem tais figuras, alheias à política, para substitui-los. Claro, se houvesse escolha prévia de candidatos, quem fosse escolhido teria o respaldo político necessário para ter voz própria, para não ser comandado. Mas, se a escolha é anti-democrática, feita ao largo das agremiações partidárias, certamente, quem escolheu continuará, na gestão seguinte, dispondo de poder capaz de conduzir quem ajudou a chegar lá. Aécio Neves e Lula da Silva, com seus gestos anti-democráticos e autoritários, simplesmente, demonstram que suas declarações em favor de reformas partidárias são mentirosas. Não estão empenhados nesse processo, como não tiveram, também, os que os antecederam.

Os presidentes neo-republicanos revelaram suas vocações de líderes de calças-curtas por renunciarem à decisva ação política favorável às reformas, preferindo jogar com as medidas provisórias, ditadas pelo Consenso de Washington, que, na prática, determinou a governabilidade, em nome dos credores internacionais, depois da crise monetária dos anos de 1980-90, provocada pelos Estados Unidos, jogando a periferia capitalista na crise econômica e na falsa provisoriedade democrática neorepublicana neoliberal.
Os presidentes neo-republicanos revelaram suas vocações de líderes de calças-curtas por renunciarem à decisva ação política favorável às reformas, preferindo jogar com as medidas provisórias, ditadas pelo Consenso de Washington, que, na prática, determinou a governabilidade, em nome dos credores internacionais, depois da crise monetária dos anos de 1980-90, provocada pelos Estados Unidos, jogando a periferia capitalista na crise econômica e na falsa provisoriedade democrática neorepublicana neoliberal.

Os ex-presidentes José Sarneyy, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, igualmente, falaram, falaram, mas não entraram firme no processo de renovação política nacional. Em algum momento, manter o jogo político partidário indefinido, ao sabor das forças e dos interesses dominantes, tornou-se indispensável aos presidentes, ao longo da Nova República neoliberal, que nasceu com o propósito de remover a ditadura política e econômica nacional herdada de 20 anos de ditadura militar. Os militares cagaram para o Congresso, jogando os políticos em geral na merda deles. Que bom, Lula abriu espaço para o palavrão. Governaram por meio de decretos-leis. Transformaram o Legislativo em mera fantasia. Substituiram-nos os presidentes neorepublicanos, munidos não mais dos decretos-leis ditatoriais, mas das medidas provisórias. Entronizaram a governabilidade eternamente provisória, adequada aos interesses dos banqueiros que haviam obrigado os constituintes a aprovarem o artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, da Constituição, que da vida boa aos credores da dívida pública interna. Enquanto todos os demais setores econômicos e sociais podem, no âmbito do orçamento da União, ter suas dotações orçamentárias contingenciadas, o mesmo não pode acontecer com o dinheiro destinado ao pagamento dos serviços da dívida pública interna. A bancocracia se protegeu, mediante cláusula pétrea constitucional, no âmbito do parlamento nacional neorrepublicano neoliberal sob MPs. O debate público do orçamento foi para as cucuias. Os parlamentares, rendidos às determinações dos banqueiros, na Nova República, sob subordinação do Consenso de Washington, construiram a comissão de orçamento por meio da qual, como demonstrou a história neorepublicana, até agora, passaram as mais gordas jogadas de interesses escusos, desde a fatídica CPI dos anões do orçamento. Ao mesmo tempo, os governos neoliberais neorepublicanos introduziram, no Congresso, os seus líderes de governo, por meio dos quais, disputando espaço com os líderes dos partidos, levaram para dentro do legislativo a influência do executivo ditatorialmente impostor da eternidade da governabilidade provisória. Na condição de líder do governo de FHC, no Senado, o então senador José Roberto Arruda, tucano, naquela ocasião, compactou-se, criminosamente, com falecido senador baiano Antônio Carlos Magalhães, do PFL, na prática da bisbilhotice sobre a lista de votação da cassação do corrupto senador Luís Estevão. ACM e Arruda escapuliram da degola, porque renunciaram. ACM  e FHC exercitaram, como denominou o falecido senador Lauro Campos(PT-DF), a ditadura compartilhada neoliberal neorepublicana. Ao servir a dois senhores, na condição de líder do governo, Arruda meteu os pés pelas mãos, como, demonstrando que não aprendeu com seus erros, tornou a enfiar o pé na jaca da corrupção, agora, sendo autuado em flagrande por Durval Ferreira. Tá lá o corpo estendido no chão.

Os filiados e não filiados dos partidos argentinos poderão comparecer às PRÉVIAS NACIONAIS SIMULTÂNEAS no mês de agosto de cada eleição presidencial para escolherem quem vai comparecer às eleições gerais, indo todos para a escolha geral popular já com suas fichas limpas. A comunidade organizada é que faz a lista eleitoral e não os presidentes que atuam no dedaço. Contribuição decisiva do governo Cristina Kirchner para a democracia autêntica sul-americana.
Os filiados e não filiados dos partidos argentinos poderão comparecer às PRÉVIAS NACIONAIS SIMULTÂNEAS no mês de agosto de cada eleição presidencial para escolherem quem vai comparecer às eleições gerais, indo todos para a escolha geral popular já com suas fichas limpas. A comunidade organizada é que faz a lista eleitoral e não os presidentes que atuam no dedaço. Contribuição decisiva do governo Cristina Kirchner para a democracia autêntica sul-americana.

É isso aí: Aécio Neves é produto desse tempo neorepublicano falsamente democrata. Levou para Minas os ensinamentos da Nova República. De democrata pouco tem, porque os líderes falsos não quiseram realizar a reforma política, como acaba de fazer, na Argentina, a presidene Cristina Kirchner, a fim de democratizar o âmbito partidário. Previamente, segundo a reforma portenha, as escolhas dos candidatos que disputarão eleições passam a ser obrigatórias. Limpam suas fichas nas urnas e não nos tribunais, que, também, na Nova República se corromperam eticamente. A prova é a controvertida decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento da censura prévia ao jornal Estado de São Paulo, para fazer graça para os interesses do senador José Sarney(PMDB-AP), cujo filho, Fernando Sarney, recorreu aos juízes amigos para não ter sua vida investigada pelo grande matutino conservador, historicamente, representativo da democracia do capital. Agora, Fernando Sarney, talvez, melhor, certamente, influencidado pelo pai, que, inegavelmente, quando presidente, atuou como democrata, sem, contudo, encaminhar a reforma política, por falta de apoio dentro das forças conservadoras, recua e retira, envergonhado, a ação movida contra o Estadão, deixando os senhores juízes do Supremo com a cara no chão. Enfim, enquanto não rolar uma autêntica reforma política, em que os políticos que enfrentarem eleições sejam escolhidos previamente dentro de suas agremiações partidárias, pelo voto tanto dos filiados como dos não filiados dos partidos – como passou a acontecer no país dos hermanos e hermanas, nesse final de ano – a sociedade brasileira, escanteada pela falsa democracia burguesa tupiniquim, ficará como a  Januária do samba de Chico, debruçada na janela vendo passar a banda dos falsos democratas vestidos de palhaço.