Aposentados testam o Lula social-eleitoral

As/os aposentadas/os são os que têm o bom senso de conduzir os filhos e os seus gastos que dinamizam a economia pelo consumo, fator responsável, na Era Lula, pelo fortalecimento do mercado interno, da moeda, da produção e da credibilidade da economia no cenário internacional, permitindo-a superar a bancarrota financeira dos Estados Unidos, pelo menos, até o momento.
As/os aposentadas/os são os que têm o bom senso de conduzir os filhos e os seus gastos que dinamizam a economia pelo consumo, fator responsável, na Era Lula, pelo fortalecimento do mercado interno, da moeda, da produção e da credibilidade da economia no cenário internacional, permitindo-a superar a bancarrota financeira dos Estados Unidos, pelo menos, até o momento.

A aposentada Dona Canô, mãe do cantor e compositor Caetano Veloso, recebeu, na quarta, 19, telefonema do presidente Lula, para dizer a ela que não se preocupasse com as agressões verbais e preconceituosas que seu filho lhe fêz. Disse que já esqueceu e que gosta de ouvir Caetano. Freud entra em campo: as palavras servem para esconder o pensamento. Na primeira hora da agressão, o presidente destacou que iria esquecer o assunto, ouvindo Chico Buarque. Ou seja, lido, freudianamente, ou seja, ao contrário, o titular do Planalto, chateado, deu um tapa de luva no baiano, que, segundo dizem, morre de ciúme do Chico. Mais, Lula considerou Caetano burro por entender que analfabetismo está relacionado à falta de estudo. Ele não estudou e é presidente da República, porque Dona Lidu mandou ele teimar. “Teima, teima, teima”, para arrumar emprego, como diz ela , no filme, “Lula, o filho do Brasil”. Teimou e chegou lá. Resumindo, o presidente , ao conversar com Dona Canô, não esqueceu a agressão e ao dizer que gosta de ouvir Caetano, na verdade, quis dizer que ama Chico. Mas, a relação do líder nacional com a aposentada dona de casa mais famosa da Bahia remete sua relação conflituosa, não com Caetano, mas com os aposentados, nesse instante. Estes estão em pé de guerra contra o presidente.

O conflito Lula-aposentados representa o principal teste social do governo. Indiscutivelmente, os aposentados, que ganham salário mínimo, representam a sucata nac ional. Com um mínimo de miseráveis R$ 500, 300% inferior ao salário mínimo pago na Era Vargas, nac ionalista, esvaziada, a  partir dos anos de 1990 pelo modelo neoliberal ditado pelo Consenso de Washington, ao qual os neorepublicanos brasileiros se renderam, os aposentados, há mais de um mês, sentam praça no Congresso, pressionando os parlamentares, para que 1 – haja reajuste real do mínimo de 63%, para os que ganham mais do que mínimo, pois os que percebem o mínimo usufruiram desse benefício de 2003 a 2008, com efeito retroativo até 2006; 2 – seja eliminado o Fator Previdenciário, que, na prática, representa fator de redução do rendimento dos aposentados, funcionando como multiplicador de empobrecimento nacional.

Trata-se de 28 milhões de aposentados, dos quais 8 milhões, que ganham mais do que o mínimo, insistem em receber reajuste salarial acrescido da proposta governamental de dar ganho real de acordo com a evolução do PIB e relativamente acima da inflação. Se a cada aposentado corresponder a 5 integrantes familiares, tem-se um universo humano de 120 milhões de habitantes. Se 40% desse total implicar em eleitores e eleitoras aptos a votarem no próximo ano, os aposentados terão poder de influência eleitoral decisivo sobre um universo  50 milhões de eleitores e eleitoras. Pesarão, portanto, no resultado final. Por isso, o Congresso, nas últimas semanas, está dividido. O governo e sua força de coalizão se encontram confusão, sob ataque das galerias.

R$ 150 bilhões de déficit

Estão destruindo o SUS por dentro, via desvio de dinheiro e de privatizações e sucateamento da saúde, afetando a vida dos aposentados, que teriam uma previdência , hoje, com orçamento de 150 bilhões de reais e não de, apenas, 48 bilhões, caso fossem crumpridas as determinações constitucionais, rompidas para desviar a garantia previdenciária dos aposentados para os credores da dívida pública interna
Estão destruindo o SUS por dentro, via desvio de dinheiro e de privatizações e sucateamento da saúde, afetando a vida dos aposentados, que teriam uma previdência , hoje, com orçamento de 150 bilhões de reais e não de, apenas, 48 bilhões, caso fossem crumpridas as determinações constitucionais, rompidas para desviar a garantia previdenciária dos aposentados para os credores da dívida pública interna

Os governistas, como o deputado Pepe Vargas(PT-RS), destacam que perto de R$ 150 bilhões serão necessários para pagar os aposentados. Ou seja, a quantia que não foi paga , historicamente, aos trabalhadores inativos. Esse valor não está no orçamento da Previdência, que, com a crise, sofreu redução de receita. Mas, a realidade da Previdência Social é profundamente contraditória, pois os recursos dos trabalhadores, recolhidos ao longo da sua vida de trabalho, foram, permanentemente, desviados para outros fins. O SUS, por exemplo, segundo o deputado Jofran Frejat(PR-DF), um dos maiores conhecedores, no Congresso, do sistema previdenciário, padece de descaminhos, cujas origens estão em desvios de recursos, que criaram interesses poderosos dentro das alianças governamentais.

Estão, disse ele, destruindo o SUS  por dentro e, consequentemente, a vida dos aposentados. Sem recursos, os hospitais públicos terceirizam serviços que implicam em jogo de interesses que elevam os gastos desenecessariamente etc. Além disso, ressalta Frejat, os aposentados recolheram suas reservas para a previdência, para que recebessem, compativelmente, quando aposentassem, o que não está ocorrendo. Previdência Social, escândalo nacional.

Dessa forma, o deficit previdenciario não é, para Frejat, deficit financeiro, mas carência de gestão e de cumprimento das determinações constitucionais. Se os recursos da Previdência seguissem o que diz a Constituição, destaca, a receita previdenciária, hoje, seria de R$ 140 bilhões e não, apenas, R$ 48 bilhões.

O dinheiro foi desviado para as obras públicas, que estimularam outras demandas, mas o gap social ficou crescente, de modo que a luta dos aposentados, nos corredores do Congresso e nas assembléias e fóruns da categoria, espalhados em todos os estados da Federação, transforma-se no fato político mais intenso. Representa, sobretudo, teste eleitoral para o presidente Lula, quanto mais avança as disputas entre os potenciais  candidatos. Se os candidatos tucanos, governador José Serra, São Paulo, e governador  Aécio Neves, Minas, penderem para os aposentados, o Planalto terá que rever sua posição. Senão, dança, eleitoralmente. Se salvou os empresários da crise, por que não salvaria os aposentados, que terão mais renda disponível para o consumo?

Todos os reajustes concedidos aos aposentados , na Era Lula, que, em relação a eles, seguiu o caminho aberto na Era FHC, representam, segundo Pepe Vargas, ganho líquido de 50% para os que percebem acima do salário mínimo, enquanto para os que ganham o mínimo o benefício ocorreu em sua totalidade. Acrescentar mais o reajuste real acima do mínimo e a extinção do fator previdenciário – que pune quem completou 35 anos de recolhimento de aposentadoria, mas não tem idade suficiente , para , somando aos 35, chegar aos 85, para homem, 80, para mulher, sofrendo, portanto, corte nos rendimentos – significariam pressão orçamentária insuportável.

Social versus econômico

Os aposentados tiveram ganho real para os que ganham até o mínimo e os que ganham acima do mínimo tiveram seu reajuste equiparado ao mínimo, correspondente a ganho real ao longo da Era Lula, embora o salário mínimo continue sendo uma miséria social que não chega à proposta social avançada de Getúlio Vargas
Os aposentados tiveram ganho real para os que ganham até o mínimo e os que ganham acima do mínimo tiveram seu reajuste equiparado ao mínimo, correspondente a ganho real ao longo da Era Lula, embora o salário mínimo continue sendo uma miséria social que não chega à proposta social avançada de Getúlio Vargas
Jogando na vanguarda das reivindicações dos aposentados e aposentadas, o senador Paulo Paim é a face social do governo Lula que a orientação neoliberal da Fazenda  tenta anular, negando os recuros para os projetos de lei que encaminhou e que causa a união dos aposentados em favor da rendenção dos seus rendimentos destruídos pelo Consenso de Washington, durante a Nova República neolibaralizante.
Jogando na vanguarda das reivindicações dos aposentados e aposentadas, o senador Paulo Paim é a face social do governo Lula que a orientação neoliberal da Fazenda tenta anular, negando os recuros para os projetos de lei que encaminhou e que causa a união dos aposentados em favor da rendenção dos seus rendimentos destruídos pelo Consenso de Washington, durante a Nova República neolibaralizante.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, na quinta, 20, disse que o presidente Lula vai vetar a rejeição do Fator Previdenciário, se os deputados negarem ele. O veto nesse sentido já fora dado ao projeto de lei aprovado no Senado. Para a equipe da Fazenda, o peso orçamentário dos aposentados, agora, pressionaria o deficit público, já sob pressão das desonerações fiscais e emissões financeiras realizadas pelo tesouro nacional, a fim de superar a crise global, que reduziu o nível geral de atividades. Calcula-se subsidios e doações da ordem de R$ 150 bilhões, para o setor produtivo e financeiro. Mais R$ 150 bilhões para os aposentados?

Os aposentados e os oposicionistas, como o deputado Fernando Coruja(PSDB-SC), contrargumentam que a superação da dívida social do governo para com a categoria politicamente influente pode muito bem ser suportada pelo tesouro. Representa, diz, apenas, R$ 6 bilhões por ano. O mesmo diz o senador Paulo Paim(PT-RS). Como o governo, de acordo com o projeto que renacionaliza o petróleo, dominará 44% das receitas a serem extraídas, poderá, muito bem, emitir títulos da dívida para quitar, não apenas o setor produtivo, mas o social, principalmente.

Na verdade, desenrola-se queda de braço entre categorias sociais antagônicas. Os empresários pregam subsidios às exportações, para enfrentar o desafio cambial, decorrente da desvalorização do dólar e da valorização do real, que impede vendas externas. De outro lado, os trabalhadores aposentados querem de volta os R$ 150 bilhões que representariam o atendimento de suas reivindicações.

A quem o governo vai atender: aos empresários, que incrementam a produção, mas não geram arrecadação correspondente, porque a produção, sob o modelo atual, implica concentração de renda e poupança de mão de obra,  que gera insuficiência estrutural de consumo,  ou aos trabalhadores, que, com mais renda disponível para o consumo, gerariam arrecadação imediata para os cofres do tesouro, afetados pelo deficit?

Para enfrentar a crise  financeira internacional, que se abateu sobre as finanças brasileiras, em forma de dólar desvalorizado, responsável por elevar a dívida e sustentar juros altos, o presidente Lula potencializou o consumo mais que a produção. Havia capacidade instalada. O problema não era mais investimento, mas mais consumo. Somente este poderia reaniamar aquela.

Mais dinheiro para os pobres aposentados, agora, seria mais negócio para o governo, porque o dinheiro se reverteria ao tesouro via arrecadação imediata, enquanto mais dinheiro para a produção, ainda, tatibitate, não corresponderia a uma arrecadação, proporcionalmente, acelerada.

Está em cena, portanto, a disputa capital-trabalho em torno dos recursos orçamentários, em tempo de eleição: Lula atenderá, preferencialmente, o social ou o econômico, sabendo que foi , no seu governo, o primeiro o responsável pelo sucesso do segundo?

Obama fatura natal de Lula

Barack Obama reclama da moeda chinesa sobredesvalorizada, mas fica super-feliz com a moeda brasileira sobrevalorizada. Com os chineses, acumula déficit, que ameaça o dólar; com os brasileiros, acumula superavit ,que ajuda a moeda americana. Para a China, as empresas americanas não vendem nada; para o Brasil, faturam alto, vendendo tudo. Enquanto isso, cresce a desindustrialização brasileira e sul-americana.
Barack Obama reclama da moeda chinesa sobredesvalorizada, mas fica super-feliz com a moeda brasileira sobrevalorizada. Com os chineses, acumula déficit, que ameaça o dólar; com os brasileiros, acumula superavit ,que ajuda a moeda americana. Para a China, as empresas americanas não vendem nada; para o Brasil, faturam alto, vendendo tudo. Enquanto isso, cresce a desindustrialização brasileira e sul-americana.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deverá mandar um lindo cartão de natal ao seu colega brasileiro, presidente Lula, agradecendo pelo belo presente que o governo da coalizão governamental lulista está proporcionando à economia americana, graças ao real sobrevalorizado. Ao final, desejará boas festas e próspero ano novo.

O presidente brasileiro , por outro lado, comemorará as boas vendas com o brinquedo dos outros, e não dos brasileiros. Com a moeda nacional sob ataque cambial, excessivamente, valorizada, os industriais brasileiros perderão competitividade com os concorrentes internacionais. Acelera-se a desindustrialização nacional.

Os vendedores das grandes lojas de departamento e de supermercados estão otimistas. Prevêem queda de preços nos produtos importados da ordem de 20% a 30% em relação ao ano passado. Nos últimos doze meses, o dólar se desvalorizou quase 40% em relação ao real. Ninguém, nesse contexto, vai comprar, no natal, produto nacional, mas, sim, importado. Afinal, pintará natal com deflação. Papai Noel vestido de Tio Sam.

Partes, peças e componentes importados para as indústrias de linha branca, favorecidas por desoneração fiscal, bem como para computadores e celulares, terão suas vendas elevadas, segundo os vendedores, na casa dos 50%, podendo alcançar, até, 200%, no caso dos tevês mais modernos, LCD. Um show de importações baratas em dólar que se despenca na praça internacional em meio à bancarrota financeira global dos Estados Unidos.

Da mesma forma, bens duráveis, como automóveis, idem, as importações ficarão baratas e as exportações caras. Com o dólar a R$ 1,70, podendo cair para R$ 1,60 – alguns prevêem R$ 1,50 – a indústria nacional quebra e os competidores, como as indústrias chinesas e americanas, com seus dólares desvalorizados, jogam suas mercadorias a preço de banana em toda a América do Sul. Parece com o cenário no início da Era FHC, em que o ex-presidente do Banco Central, Gustavo NEOLIBEAL Franco, pregou que as empresas brasileiras fossem se instalar na Bolívia, com a sobrevalorização do real como arma de combate à inflação. Combate a inflação, mas eleva a dívida e destroi as empresas, os empregos etc.

O dólar sobredesvalorizado cria, por sua vez, ambiente de impasse na relação comercial sul-americana, como é o caso do conflito comercial Brasil-Argentina, devido, principalmente, ao fato de que os argentinos se fecharam para as mercadorias brasileiras, mais caras, e se abriram para as chinesas e americanas, mais baratas. Da mesma forma ocorre na Venezuela. Os chineses estão colocando lá os computadores e celulares pela metade do preço, descartando os produtos similares fabricados e montados em São Paulo.

O Mercosul não dá certo porque os sul-americanos estão sob ataque do dólar, enquanto dormem no ponto, não alavancando a moeda sul-americana e o Banco do Sul, para integrar o continente na nova divisão internacional do trabalho à vista, com a derrocada financeira norte-americana.

Enquanto isso, os exportadores estarão penando prejuízos. A valorização de quase 40% do real frente ao dólar impede as exportações. Como o modelo de desenvolvimento econômico concentrador de renda e poupador de mão de obra é dependente de poupança externa e de importação de partes, peças e componentes, para montar as indústrias sob ataque especulativo do dólar, evidentemente, sob política cambial e monetária bancada por juros altos, enquanto na Europa e nos Estados Unidos prevalece taxa de juro negativa, a situação é péssima para o parque produtivo brasileiro.

No tempo da eutanásia do rentista , juro negativo, e da desvalorização do dólar, os especuladores têm salvação no juro positivo-especulativo brasileiro. Maná.

Tal contexto coloca a indústria brasileira sem condições de exportar em um mercado internacional onde o espírito de poupança passou a prevalecer sobre o da gastança, especialmente, nas praças comerciais ricas, Europa, Estados Unidos, Japão.

Se já seria difícil vender para esses países, se o real estivesse desvalorizado, valendo cada dólar em torno de R$ 2,20, supostamente, imagine com a moeda americana na casa dos R$ 1.70, tendende à maior apreciação, ainda, como estimam os analistas, em geral!

A visita de Barack Obama aos países asiáticos, pregando desvalorização da moeda da China, do Japão e da Coréia, para que elevem os gastos públicos para aumentarem o consumo interno, a fim de facilitar a redução dos deficits americanos, pode não colher resultados positivos. Em compensação, no Brasil, onde nem precisa vir, a situação é favorável aos americanos.

A disposição da China de manter desvalorizado o yuan na relação com o dólar significa, simplesmente, declaração de intensificação da guerra comercial em curso.

Os países em geral, para terem sucesso no comércio exterior, terão que seguir o mesmo caminho, ou seja, desvalorização cambial, guerra cambial. Carnificina monetária.

Indústria sob ataque do dólar barato

Os industriais exportadores estão pedindo água ao ministro Mantega, porque estão trabalhando para enriquecer os empresários americanos e a aliviar o deficit do governo Barack Obama, garantindo o natal mais agradável aos sobrinhos de Tio Sam. Pagam para trabalhar.
Os industriais exportadores estão pedindo água ao ministro Mantega, porque estão trabalhando para enriquecer os empresários americanos e a aliviar o deficit do governo Barack Obama, garantindo o natal mais agradável aos sobrinhos de Tio Sam. Pagam para trabalhar.

Todos correrão para desvalorizar, a fim de garantir uma melhor posição de vendas externas. Do contrário, mantida a desvalorização do dólar, que sobrevaloriza as demais moedas, haverá ampla desindustrialização, especialmente, na periferia capitalista.

Pouco adiantaria aos países capitalistas periféricos disporem de dólar barato, capaz de facilitar as importações, principalmente, de bens de capital, para modernização dos parques industriais, se estes produzirão sem competitividade frente à guerra cambial em marcha internacional.

Essa começa a ser a realidade do parque produtivo nacional, cujos líderes se esperneiam , desesperadamente.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria, deputado Armando Monteiro Neto(PTB-PE), pregou , em encontro dos seus pares com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, aceleração de medidas que facilitem saída de dólares do país, para que o real se desvalorize, a fim de salvar a produção interna. Mantega prometeu continuar o processo de desoneração fiscal por mais algum tempo, mas essa estratégia terá que parar, porque o aumento do deficit público sinaliza juro alto, cujas consequencias seriam mais dificuldade para a produção.

O cenário desenhado otimisticamente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na CNI, nessa terça, 18, em que a economia brasileira crescerá 6% nos próximos anos, configurando o avanço de 50% do PIB até 2016, dado o potencial econômico nacional, que atrai investidores internacionais em grande escala, nesse momento, pode não ser satisfatório para os industriais brasileiros, se o dólar continuar desabando, sinalizando papel pintado nos próximos anos, por conta dos deficits americanos.

A eleição presidencial do próximo ano poderá ser impactada fortemente pelo dólar barato. Depois de escolhidos, os candidatos dos respectivos partidos terão que concentrar na realidade do dia a dia dos trabalhadores, deixando para lá o dia a dia das brigas partidárias. Nesse momento, a desvalorização do dólar frente à excessiva valorização do real produzirá pressões, no Congresso, que levarão o governo a acelerar mudanças na política cambial.

O governo será pressionado pelos próprios números do endividamento, pois o dólar entrando sem controle significa dívida maior, pressão altista dos juros, tensão inflacionária, porque a dívida cresce, dialeticamente, no lugar da inflação, e, consequentemente, menor nível de atividade e queda cadente de arrecadação. Dilma Rousseff só teria a perder. Aécio Neves ou José Serra, a ganhar.

Certamente, o presidente Lula não vai deixar a coisa chegar ao ponto de perturbar eleitoralmente o governo. Antes, medidas cambiais deverão estar em ação. Caso contrário, o presidente Barack Obama, não apenas em 2009, mas, também, em 2010, mandará novos cartões de natal para o colega Lula da Silva, o cara..

Nacionalismo artístico lulista

"Lula, o filho do Brasil" estréia em meio à nova política econômico-cultural proposta pelo governo e aprovada no Congresso em que se fortalece o consumo interno de produção cinematográfica, assim como  se fortaleceu o consumo de alimentos. Prioriza-se  consumo e não, apenas, a produção, por meio de subsídio ao consumidor. Se deu certo no plano econômico, dinamizando o mercado interno, por que não daria no plano cultural, onde os produtores estão entrando em crise diante do mercado pirata e a disposição da classe média de curtir cultura só dentro de casa, com o acesso aos DVDs?
"Lula, o filho do Brasil" estréia em meio à nova política econômico-cultural proposta pelo governo e aprovada no Congresso em que se fortalece o consumo interno de produção cinematográfica, assim como se fortaleceu o consumo de alimentos. Prioriza-se consumo e não, apenas, a produção, por meio de subsídio ao consumidor. Se deu certo no plano econômico, dinamizando o mercado interno, por que não daria no plano cultural, onde os produtores estão entrando em crise diante do mercado pirata e a disposição da classe média de curtir cultura só dentro de casa, com o acesso aos DVDs?

 

Lula joga com a arte como joga como o programa bolsa família. Dá dinheiro para o pobre consumir cinema , a fim de que com mais consumo alcance maior arrecadação para elevar os investimentos púlblicos capazes de aumentar a renda interna. Consumo é produção, produção é consumo(Marx) 

 O jogo nacionalista do mercado interno na Era Lula tem, no plano artístico, viés varguista-nacionalista-villaloboista. A lei aprovada agora no Congresso que dá um subsídio ao consumidor para assistir espetáculos fílmicos representa a base do crescimento econômico da arte cinematográfica nacional, a partir da valorização do nacional.

Trata-se da aposta, não no produtor do filme, mas no consumidor da obra de arte, que será o povo, ganhando 50 reais por mês, para tal finalidade. Getulismo, nacionalismo, lulismo. No ambiente de universalização da internet, os artistas estão no sal. Suas obras se universalizam pela cópia pirata, enquanto as famílias de classe média que teriam poder aquisitivo para pagar ingressos de 30 reais, nos cinemas, preferem esperar o lançamento do DVD, para assistirem em casa.

Ou seja, não adiante fomentar a produção de filmes, se não houver o consumidor das obras de arte dos artistas nacionais. Nacionalismo. O filme espetacular do cineasta Sérgio Resende sobre a violência urbana e a relação dela com o narcotrafico a partir das articulações políticas dos traficantes nas cadeias ficou apenas duas semanas em cartaz. Fracasso de bilheteria. O governo apoiou a produção, com a lei Rouanet, mas, sem consumo, a mercadoria apodrece na prateleira.

O debate é a universalização do consumo, porque , ao consumir, o povo aumenta o ingresso tributário no tesouro nacional, possibilitando ao governo realização dos investimentos sociais e produtivos, que puxam a demanda global. As artes terão que expandir para o povo consumi-las com o subsídio estatal, enquanto se vive na era das cavernas do salário mínimo de 500 reais.

Villa-Lobos é o norte. O povo tem que consumi-lo mediante exoneração fiscal para beneficiar culturalmente o povo, governo tem que estimular o consumo de Villa como beneficia economicamente os empresários , na crise, para que sustentem o nível de emprego e a taxa mínima de consumo em crescimento relativo da arrecadação tributária.

O limite para a produção já chegou. Produção adicional, no cenário de crise, em que há carência de consumo, não é solução. Esta estaria no aumento do consumo popular, das artes nacionais, fomentadas pelo Estado, para que tal consumo reverta em maior arrecadação. A utilidade do consumo é o oxigênio do capitalismo que não tem saída na produção que está no limite. A indústria de bens duráveis, que , sempre, puxou a demanda global no cenário da economia de mercado – a indústria automobilística – dispõe, globalmente, de capacidade instalada capaz de produzir 85 milhões de carros/ano. São consumidos, apenas, 45 milhões, com tendência para queda, no cenário de elavação da poupança e economia da gastança.

O capitalismo pedagogizou que a produção puxa o consumo correspondente. A história provou que não há essa correspondência sob capitalismo, em que se concentra organizamente a renda , sendo necessário o Estado criar demanda para a produção diante da insuficiência do consumo decorrente da sobreacumlação do capital.

Lula, no plano artístico, joga em cena o consumo popular como revitalizador das artes. Villa-Lobos, cujo nacionalismo foi repudiado pelos adeptos do cinema de roliúde, estaria aplaudindo a política cultural lulista de bombar o consumo da arte nacional, dividindo os benefícios do Estado não apenas com o capital, mas, também, com o social e o artístico. É isso que a direita não suporta e a esquerda não entende.

Nacionalismo universal brasileiro

Espírito global a partir do nacional que desperta a consciência de si por si mesmo, como destaca Hegel, Villa Lobos jogava todas as suas cartas na força cultural da nacionalidade brasileira como afirmação universal. Ganhou as honras do mundo, o repúdio dos medíocres e aplauso dos amantes da verdade e da arte a partir do sentimento popular
Espírito global a partir do nacional que desperta a consciência de si por si mesmo, como destaca Hegel, Villa Lobos jogava todas as suas cartas na força cultural da nacionalidade brasileira como afirmação universal. Ganhou as honras do mundo, o repúdio dos medíocres e aplauso dos amantes da verdade e da arte a partir do sentimento popular

Viva Villa-Lobos, nacionalista universal. Esse é um dos aspectos que está sendo deixando de lado na discussão do papel histórico do genial compositor brasileiro.

No momento em que o capitalismo global entra em bancarrota, em que o pensamento único neoliberal desaba e deixa sob os escombros verdades tidas como definitivas pelo pensamento mecanicista, exigindo o sentimento nacional como prerrogativa fundamental da nacionalidade, seria importante destacar qual teria sido, acima de todas , a faceta mais espetacular do grande mestre, vulcão incendiário de idéias que atropelou a mediocridade eternamente invejosa e despeitada.

A variedade de posições que cabe dentro da discussão sobre tal assunto ultrapassa a inteligência inferior, afogada nos ti-ti-tis das brigas partidárias que , sob dominio do capital, cuida de destruir o nacional, para implementar o internacional. A música genial e suas variáveis infinitas, a partir da simplicidade do “manosolfa”, que permitiu milhares de professoras ensinarem aos seus alunos e alunas as bases da educação artístico-musical, quando a música, ainda, constava no currículo escolar, caberiam ou extrapolariam no universo.

A força do gigante, no entanto, tinha uma origem, que era sua própria característica: a ação. Em rápida entrevista colocada ao ar, hoje, no Bom Dia Brasil, por Renato e Renata, em singela e bela homenagem ao grande artista, Villa Lobos lança o suprassumo da sua personalidade revolucionária. Não preocupava a ele, disse, se o que fazia estava certo ou errado. Se tivesse certo, explicou, poderia ser melhorado. Se estivesse errado, acrescentou, poderia ser consertado. Errar é acertar e acertar é errar. O importante, concluiu, é a ação. AGIR. FAZER. E sumiu sua voz, como um anjo, rápido.

O que compunha a essência da força villaloboniano era seu amor pelo nacional, pelo Brasil, pela gente e sua expressão artística, que corresponde à síntese dos humores espirituais que se formam e se traduzem em poesia. O nacionalismo musicial de Villa-Lobos significa o internacionalismo villaloboniano. Era a força da antropologia nacional. Consciente dela, fez-se presente , com naturalidade, misturando-se aos grandes, que, igualmente, como ele, são e serão, sempre, expressão exata das forças populares, nacionalistas.

Wagner = nacionalismo alemão. Universalismo alemão. Chopin = nacionalismo francês. Internacionalismo francês. Beethoven = nacionalismo alemão. Internacionalismo alemão. Villa-Lobos = nacionalismo brasileiro= internacionalismo nacional. Tratou-se e se trata de convivência de respeito entre o nacionalista internacional Villa-Lobos e seus colegas nacionalistas internacionalista Igor Stravinski , russo, e Claude Debussy, francês, nos anos de 1910-20, em Paris. Villa se impunha como nacionalista brasileiro, sem xenofobismo, mas, artisticamente, de forma superior, por ser, fundamentalmente, homem de ação internacionalista.

Essa predisposição nacional, Villa-Lobos ansiou, sempre, transferir para os jovens, em forma de música, cuja musicalidade criasse a verdadeira alma nacional pela motivações que ela traz por ser intrinsecamente composta de elementos formais e informais de natureza brasileira. Fruto de pesquisa profunda, que iniciou desde a infância, e da sua ação de sair pelo mundo aprendendo de forma autodidata no âmbito, essencialmente, popular.

O sentimento de nacionalidade , verdadeiramente, internacionalista, porque a arte nacional é a arte internacional – Tom Jobim – , era, para Villa Lobos, o valor maior do artista, que com ele contamina, emociona e agrega , formando consciências fortes, determinadas, por ser fruto da essência da arte que habita na vontade humana de fazer.

O despertar da nacionalidade proposta por Villa Lobos, que eleva ao infinito a auto-estima individual no ambiente da coletividade, é um transmissor antropofágico, que espalha em forma de emoção e arrebatamento antes de conquistar a ponderabilidade em permanente movimento de transformação, contendo em si perene vulcão.

As mentes medíocres não suportaram Villa-Lobos. A esquerda o combatia, porque era a força nacional contra a tentativa de os meios de comunicação, dominados pelo setor privado e pela consciência cultural e econômica norte-americana, alienarem geral a consciência nacional. Já a direita não o engolia , porque era dose exagerada de libertação de consciência nacional. Os valores conservadores se evoporavam diante das sugestões revolucionárias-musicais-sociais-políticas de Villa-Lobos.

A emergência de um tufão cultural nacionalista villaloboniano dividiu os menos afortunados em inteligência diante daquela brilhante mente vulcânica, que não estava nem aí para os erros e os acertos, sabendo que eles existem para ser praticados em forma de ação cotidiana da aprendizagem universal.

Villas, sobretudo, não cabia dentro do mecanicismo, nem do  neoliberal da direita, adepta do entorpecimento educativo do povo, nem no da esquerda, especialmente, influênciada, segundo Glauber Rocha, por Rui Barbosa, copiador do constitucionalismo americano, quando deveria professar o nacionalismo internacionalista  sertanejo e amazônico de Euclides da Cunha.

Ou seja, um elemento revolucionário que propunha aos brasileiros o que considerava para si mesmo, a tomada da consciência de si por si mesmo no plano da brasilidade.

O internacionalismo do capital em nome do lucro, que se esborracha no abismo, no cenário da grande crise;  que passa a depender das forças nacionais para sobreviver , corresponde à exigência de Villa-Lobos, relativamente, à valorização do potencial brasileiro, alvo de atrativos internacionais.

Seria a organização de uma nova nacionalidade com valor agregado que potencializaria, no século 21, o que o grande compositor almejou em forma de afirmação musical-social-econômica-política do Brasil no mundo.

Villa-Lobos tem que abrir a conferência de Compenhague, com sua orquestração genial para a Amazônia, a fim de que paire sobre a consciência universal o grito da auto-estima universal artístico-revolucionária, sinalizando a valorização do nacional como valor essencialmente internacional.

A direita americana, que quer jogar todos os dólares do mundo no Brasil, para apossar do território nacional, que , com a arte brasileira, é valor que se valoriza ao infinito, não quer saber de Villa-Lobos nas escolas.

Os ditadores nacionalistas equivocados de 1964 baniram o ensino de música nas escolas. Medo conservador da explosão artística que o próprio nacionalismo proporciona, abrindo-se ao internacional, justamente, por ser nacional.

A esquerda consticionalista ruibarbosiana se equivocou com Getúlio Vargas e com Villa Lobos, considerando-os lacaio de Washington. Enquanto isso, os jornais americanos e as agências de propaganda dos Estados Unidos, nos anos de 1940 e 1950, tentavam destruir a mensagem nacionalista de ambos, porque interferia nos interesses nacionais dos próprios isteites.

Direita e esquerda dançaram na história cultural brasileira.

Estratégia populista social-eleitoral no DF

Flávia, primeira dama do DF, entra em cena , para tocar, na Band, programa eminentemente social, como alternativa para ajudar o governador Arruda a se popularizar junto à massa com a qual não criou empatia capaz de levá-lo a um confronto, amplamente, favorável com seu maior adversário, Joaquim Roriz, altamente, popular, candidato a voltar ao Buriti(nga)

Flávia, primeira dama do DF, entra em cena , para tocar, na Band, programa eminentemente social, como alternativa para ajudar o governador Arruda a se popularizar junto à massa com a qual não criou empatia capaz de levá-lo a um confronto, amplamente, favorável com seu maior adversário, Joaquim Roriz, altamente, popular, candidato a voltar ao Buriti(nga)

Pouco identificado com o social, por conta de decisões que o tornaram impopular, na medida em que adotou política de enxugamento neoliberal de gastos – o contrário do presidente Lula – , cujos resultados foram demissões em massa de pessoas pobres , anteriormente, empregadas, no Governo, pelo ex-governador Joaquim Roriz, profissional do assistencialismo político, o governador José Roberto Arruda, que faz administração dinâmica de ampliação crescente de obras públicas e institucionalização da chamada Brasília Legal, tenta correr contra o prejuízo, minimizar essa carência empático-governamental, no plano social, lançando mão de estratégia alternativa. Esta está sendo dada pela ação da primeira dama, jovem e bela, Flávia Arruda, por intermédio de programa  jornalístico-assistencial-político-populista, intitulado “Voz da Gente”, que foi ao ar, pela primeira vez, no domingo, 15, na TV Bandeirante.

Flávia , dessa forma, ergue-se como arma do governador Arruda para tentar popularizar seu governo junto à massa dos eleitores, com a qual não criou empatia suficiente, para ir à luta contra o seu mais difícil adversário, na eleiç�%Ao do próximo ano, Joaquim Roriz, campeão de popularidade, graças às políticas sociais que empreendeu ao longo de três mandatos, no Distrito Federal. A estréia pública de Flávia representa o fato político mais importante colocado em cena no contexto da sucessão governamental na Capital da República, com repercussão nacional-internacional inevitável.

A primeira dama estreou com desenvoltura, na Band, demonstrando extroversão , que, certamente, desdobrar-se-á em progressos maiores no dia a dia da realização do trabalho, no aperfeiçoamento, no enfoque social, na empatia popular, dado o conteúdo da pauta programática social-eleitoral-populista. Centra-se na aparência dos problemas, mas não vai fundo na essência.

O reflexo do programa poderá ajudar bastante a imagem do governador, porque os enfoques estarão sendo realizados em obras do governo, como é o caso da cadeia pública feminina brasiliense onde foi realizada a cobertura do concurso de miss presidiária, apresentado pela primeira dama.

O objetivo é a auto-ajuda, elevar o moral das detentas, belas, emocionantes, inteligentes, arrependidas de terem entrado na fria do narcotráfico, pela mão do amor, com os namorados traficantes, que as jogaram em cana, utilizando  o trabalho e a inexperiência ingênua de jovens cuja estrutura familiar está desajustada.

 

Aposta na força da mulher

O eleitorado feminino foi impacto pela estratégia do primeiro programa de Flávia, focalizando as detentas na cadeia feminina do DF, em desfile de moda, jogando a auto-estima delas para cima e vendendo forte programa de auto-ajuda em que o efeito fica, midiatiaticamente, maior do que a causa dos problemas abordados. Mas, o impacto político-social-emocional  marca posição.
O eleitorado feminino foi impacto pela estratégia do primeiro programa de Flávia, focalizando as detentas na cadeia feminina do DF, em desfile de moda, jogando a auto-estima delas para cima e vendendo forte programa de auto-ajuda em que o efeito fica, midiatiaticamente, maior do que a causa dos problemas abordados. Mas, o impacto político-social-emocional marca posição.

Criou-se , no programa , um ambiente agradável no qual vivem as detentas. Corredores limpos, tudo asseado, pensamento positivo delas, para enfrentar os problemas, a partir da força da experiência na criação da desgraça individual. Ou seja, a aparência vendeu uma imagem de competência, gerência, administração, eficiência e proatividade social relativamente ao trabalho que se desenvolve na cadeia feminina pública. Algo , totalmente, diferente das cadeias super-lotadas de gente, qualidade de vida péssima, tratamento desumano etc.

Com a simpática presença de Flávia, a cadeia , produzida para o programa, virou um glamour. Glamour carcerário. O humano – e não o desumano – flui nas imagens da cadeia feminina gerenciada pela administração arrudista, apresentada como programa social pela primeira dama.

As entrevistas comandadas por Flávia Arruda focalizaram os problemas individuais, expondo as consequências, mas não as causas da exclusão social que produz as detentas. O desemprego dos jovens brasilienses e brasileiros, em meio a uma estrutura produtiva e ocupacional , que exclui, em vez de incluir trabalhadores, visto ser poupadora de mão de obra e concentradora de renda, fica ao largo do enfoque, como fator energético principal da produção do desemprego, em meio a uma massa de jovens desqualificados , profissionalmente, mão de obra preferencial a ser arrebanhada pelo narcotráfico.

As bases da formação do exército terrorista do narcotráfico, os jovens desempregados e profissionalmente desqualificados, não foram mencionadas pelo programa, nem apresentados. A desestrutura familiar a partir dessa causa social básica de desajustamento social passou ao largo como pressuposto para abordar a questão central das jovens detentas na cadeia feminina brasiliense.  Pode ser que o tema, que é quentíssimo, venha a ser desdobrado. 

 

Populismo rorizista tenta ressurreição

O populista juscelinista-peronista Joaquim Roriz tenta de novo chegar ao poder com a política social em primeiro lugar, algo que deu certo com Lula que com o social alavancou o econômico e a popularidade eleitoral
O populista juscelinista-peronista Joaquim Roriz tenta de novo chegar ao poder com a política social em primeiro lugar, algo que deu certo com Lula que com o social alavancou o econômico e a popularidade eleitoral

Não há como descolar  o profissional do político, no programa de Flávia Arruda. O papel institucional da primeira da dama, no regime republicano, é o de ser uma contribuidora ativa da política governamental, especialmente, no campo social. Nesse sentido, a maior contribuição dada pela mulher brasileira, no campo social, talvez tenha sido a da socióloga  Ruth Cardoso, com o COMUNIDADE SOLIDÁRIA, na Era FHC. Ou seja, a primeira dama é , essencialmente, um produto governamental, público. Flávia, trabalhando, como primeira dama, no setor privado, profissionalmente, como jornalista, inaugura a era em que a dama primeira usufrui da decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, de acabar com o diploma de jornalismo, por tratar-se de profissão de cozinheiro.

As donas de casa que forem competentes, extrovertidas, bonitas, inteligentes, primeiras damas, com garra,  como Flávia, que diz ter queda pelo social, desde a experiência de caridade sempre desenvolvida pelo seu pai, com quem se identificou material e espiritualmente, poderão, sem diploma de jornalismo,  habilitar-se. Por que não? Ela ab re experiencia feminina nova no B rasil.

As mulheres, que correspondem a 51% do eleitorado nacional, segundo o IBGE, estão de bola cheia no campo profissional midiático. Pesquisas de marketing das agências de publicidade descobriram que os clientes dos produtos anunciados prestam mais atenção nos programas televisivos comandados pelas mulheres. 

Soma-se a esse atributo feminino de atrair o olhar a possibilidade de exercitar o jornalismo sem precisar ser jornalista, mas, apenas, saber comunicar-se com inteligência e sensibilidade, como parece ser o caminho escolhido por Flávia Arruda, tem-se o objeto necessário para conquistar mercado.

A política, no cenário em que tudo vira mercadoria, tornou-se, fundamentalmente, exercício midiático. O senador Mão Santa(PSC-PI), graças à TV Senado, transformou-se em fenômeno político popular, explorando, inteligentemente, um perfil de comunicação , extrovertidamente abundante.

 

Lula é meu mestre no social

Meu nome é Lula. Meu sobrenome é Lula. No DF, sou a encarnação lulista, para enfrentar o populismo rorizista e o neopopulismo feminista arrudista. Mas a bandeira petista seria somente o social? E a bandeira ética pestista que está no sal, como fica?
Meu nome é Lula. Meu sobrenome é Lula. No DF, sou a encarnação lulista, para enfrentar o populismo rorizista e o neopopulismo feminista arrudista. Mas a bandeira petista seria somente o social? E a bandeira ética pestista que está no sal, como fica?

Flávia tem presença e simpatia, movimenta-se descontraidamente e busca fixar, preferencialmente, sua preocupação com a saúde da instituição FAMÍLIA, desgastada, na periferia, pelos descaminhos dos jovens, atraídos pelo exército do narcotráfico.

Na campanha eleitoral do próximo ano, o trabalho , que começa a ser desenvolvido, preliminarmente, por ela , tenderá a compensar a carência do governador Arruda no plano social?

Ele formará com ela uma dupla governamental populista, tipo Perón-Evita ou o casal Kirchner, na Argentina, sob o manto peronista? Ou casal Rosinha-Garotinho?

A diferença é que Arruda não é peronista, mas liberal, liberal que lança mão da experiência de Perón, que transformou Evita em fenômeno de comunicação. Flávia seria esse repeteco no DF?

O liberalismo governamental que Arruda praticou inicialmente no seu governo, caminhando na linha oposta do presidente Lula, que acelerou incremento do mercado interno com poupança pública, elevando o déficit, para girar consumo das massas, capaz de elevar a arrecadação, muda de face. Busca o bombeamento da popularidade por intermédio da mulher comunicadora. Uma neo-Evita? 

O consumo interno transformou-se no instrumento maior para impulsionar a economia depois da derrocada do regime neoliberal sob o qual as prioridades não são dadas ao consumo, mas à produção, como ocorreu durante toda a era desenvolvimentista sul-americana e brasileira depois da segunda guerra mundial sob os auspícios do modelo keynesiano.

 

Equilibrismo cristovista dançou

Cristovam despachou Keynes e adotou Friedaman durante a campanha eleitoral em que se preocupou com o mandamento máximo da era neoliberal fernandocradosista, de lipoaspirar o Estado e as rendas dos servidores em nome do ajuste equilibrista ditado pelo Consenso de Washington. Dançou para Roriz que se lixou para oa mandamentos neoliberais.
Cristovam despachou Keynes e adotou Friedaman durante a campanha eleitoral em que se preocupou com o mandamento máximo da era neoliberal fernandocradosista, de lipoaspirar o Estado e as rendas dos servidores em nome do ajuste equilibrista ditado pelo Consenso de Washington. Dançou para Roriz que se lixou para oa mandamentos neoliberais.

O jogo social de Arruda, comandado pela primeira dama, será arma arrudista para enfrentar a popularidade rorizista, ampliada a partir da Era Sarney, em que o governador Roriz abriu as portas da popularidade com programas sociais. Distribuição rorizista de lotes alavancou o mercado imobiliário, transformando o DF num dos maiores consumidores de cimento, no país, elevando a renda distrital, favorecida pelos fundos de participação dos municipis e dos estados, a que o DF, constitucionalmente, tem direito. Consequentemente, a arrecadação bombou , favorecendo investimentos públicos em infra-estrutura. Equilibrou sua imagem no econômico e no social, simultaneamente, como Lula.

O deficit – de 700 bilhões de reais, deixado por Roriz, ficou para Arruda pagar. Talvez o Arruda tenha pecado no time. Ele tentou liquidar a fatura de uma vez, incomodando categorias sociais socialmente excluídas do modelo de desenvolvimento concentrador de renda. A tese gerou antítese politicamente destrutiva, expressa em impopularidade junto à massa, sem conseguir, com ela, identificar-se, plenamente. Roriz, certamente, vai explorar isso.

Os programas sociais , na crise neoliberal, depois da Era FHC, transformaram-se em fator fundamental do processo econômico. O investimento produtivo não gera demanda social correspondente, porque o capital sobreacumula, excluindo e não integrante. O investimento social cria a demanda para o econômico que acumula e não distribui. Equilibra o processo e evita a revolução. O social, na era lulista,  revelou ser principal fator econômico e vice-versa, no contexto em que constitucionalmente se aponta para a democratização geral das oportunidades que despertam sonhos e reivindicações sociais cada vez mais amplas.

O presidente Lula, ao aumentar a renda interna, via deficit público, para aumentar a oferta monetária para os programas sociais, evitou a histórica formação de excedentes internos, que exigiam desvalorização cambial, para serem exportados, cujo resultado era concentração de renda e inflação, isto é, descapitalização populari, insuficiência global de consumo etc.

Roriz sempre deu banana para as sugestões neoliberais. Ganhou eleição prometendo romper equilíbrio orçamentário que Cristovam Buarque preservava, para atender a política econômica de FHC, subordinada ao Consenso de Washington, enquanto negava, em plena campanha eleitoral, reajuste de salários para os professores. Dançou, espetacularmente. Roriz prometeu conceder o reajuste de 28% e ultrapassou Cristovam na reta de chegada eleitoral, em brilhante vitória.

 

Sucateamento privado da saúde

As bandeiras sociais como as da promoção da saúde foram sucateadas privatizadas , como forma de destruir o SUS por dentro, abrindo espaço para as corrupções nas relações público privadas em escala nacional, incluindo o DF, denotando que o pensamento neoliberal privatizante destroi a segurança social.
As bandeiras sociais como as da promoção da saúde foram sucateadas privatizadas , como forma de destruir o SUS por dentro, abrindo espaço para as corrupções nas relações público privadas em escala nacional, incluindo o DF, denotando que o pensamento neoliberal privatizante destroi a segurança social.

O triunfo anti-neoliberal de Roriz o popularizou junto à massa. Arruda assumiu o governo e , imediatamente, neoliberalizou seu comportamento em nome do enxugamento da máquina, cujos resultados políticos foram perda de votos pelos que foram beneficiados pelas politicas anti-neoliberais de Roriz.

A popularidade rorizista estará em cena na campanha eleitoral em 2010. Arruda, sem  maior identificação com a massa, por  não estar identificado, politicamente, com o social, mas com o econômico, corre atrás do prejuízo com Flávia.

O cenário, como destaca, o deputado Jofran Frejat(PR-DF), é o de que a questão social, no cenário da crise global, vai preponderar, porque a massa está muito mal tratada, por conta da carência de investimentos públicos em saúde, segurança, educação, infra-estrutura etc. Os recursos são contingenciados para esses setores, para que sobre mais recursos ao pagamento dos juros da dívida pública interna, em forma de elevados superavits primários.

A insatisfação social está no ar, principalmente, em cenário de grande crise mundial, cujos desdobramentos são incógnita. Nesse sentido, a disputa eleitoral, no DF, pegará fogo.

O candidato do PT, provavelmente, Agnelo Queiróz, levará para as ruas, a proposta social lulista, sucesso global; Roriz, que não fica atrás de Lula em matéria de política social, sairá, igualmente, bombando promessas, como destacou no programa eleitoral do seu novo partido, o PSC; Arruda, sem bandeira social reconhecidamente popular, busc ará apoio na primeira dama.

Se der certo e ele ganhar, em 2014, Flávia poderia ser canidata ao Buritinga, se sua popularidade, com o progrma “Nossa Gente” virar sucesso. Pode garantir vaga de deputada distrital? O processo politico no DF acelera pela força da mulher.