Palocci não acredita no Brasil

palocci pensa pequeno quando descarta utilizar os recursos do pré-sal não no brasil mas no exterior com medo de pressão inflacionária

O deputado federal Antônio Palocci(PT-SP), ex-ministro da Fazenda, que se safou de cassação política no Supremo Tribunal Federal. para ganhar fôlego e se transformar no relator do projeto de lei do governo que cria o fundo social com dinheiro do pré-sal, parece não acreditar no potencial econômico do país. Tem medo de que o excesso de dinheiro a ser levantado pela riqueza do ouro negro depositado a dez mil metros de profundidade venha criar problemas inflacionários, se for investido no Brasil, gerando complicações cambiais, via sobrevalorização da moeda nacional. Subordina-se a uma lógica quantitativa, enquanto renuncia às possibilidades da política. A sede de investimento que grassa na economia, carente de infra-estrutura – estradas, portos, plataformas petrolíferas etc – , não seria, portanto, mitigada, se depender de Palocci. Seu desejo é o de que a grana seja jogada no exterior. Dessa forma, não haveria excesso de moeda  em circulação, na economia nacional, cujas consequências seriam inflação. O governo teria que lançar mão de emissão de papéis, para enxugar o excesso de oferta monetária, para impedir enchente inflacionária. Elevaria, consequentemente, a dívida pública, que teria que crescer, dialeticamente, no lugar da inflação. Tudo, então, dependeria do fôlego do governo de ser capaz de enxugar dinheiro para conter alta dos preços, se a inflação, com o excesso de riqueza do petróleo, retornasse. Estando tal fôlego curto, devido ao excesso de dívidas contraídas para dinamizar a produção e o consumo afetados pela escassez de crédito, maior volume de dívida sinalizaria perigo para os credores, que elevariam os juros etc. Vale dizer, a inflação não emergiria por falta de dinheiro, que contribuiria para elevar o juro, obrigando os empresários a repassarem os custos aos preços; ao contrário, os preços subiriam  porque haveria excesso de oferta de dinheiro, que obrigaria o governo a elevar a dívida pública , cujas consequências seriam elevação dos jurosm como antídoto ao risco.

 

 

Complexo de inferioridade 

 

 

 

A riqueza brasileira sinaliza aos investidores externos de que o lugar de investir, atualmente, é no Brasil, e não no exterior, para fugir do medo da inflação, como recomenda o ex-ministro da fazenda

Palocci raciocina com o excesso de riqueza para construir inflação futura com dinheiro do petróleo do pré-sal, de modo a desviar a riqueza nacional, não para construir a infra-estrutura no país, fato que mudaria a dinâmica dos preços relativos, mas realizar essa proeza no exterior. Complexo de inferioridade. Além do mais, o deputado de Ribeiro Preto, que está com sua reputação moral parcialmente recuperada e parcialmente bichada, tem em mente situação estático-mecanicista  quanto às mudanças que o dinheiro do petróleo produziria no país, especialmente, se o presidente Lula e seus sucessores, seja a oposição, seja a situação, continuarem proposta dele de  utilizar a nova riqueza para distribuir a renda nacional, fomentando educação, pesquisa em ciência e tecnologia, alterando, consequentemente, os salários relativos.  A elevação da remuneração média decorrente do incremento da riqueza que se promete distribuir contribuiria para alterar o perfil do modelo de desenvolvimento concentrador de renda e poupador de mão de obra. Se haverá aumento da renda interna, consequentemente, do consumo, a estrutura produtiva e ocupacional brasileira, historicamente, dependente da poupança externa, voltada para as exportações, teria sua dinâmica interna invertida, no compasso da orientação nacionalista-dirigista-redistributivista lulista. Ou seja, o jogo seria dado pela economia política e não pela política econômica. O mercado interno ganharia maior dimensão, consequentemente, exigiria maiores investimentos em infra-estrutura que, necessáriamente, evitariam pressões inflacionárias, se a renda interna fosse fortalecida com a elevação proporcional do poder de compra dos salários. A menos que Palocci não leve em consideração que o petróleo do pré-sal não trará distribuição da renda. Seria mantida a lógica do modelo concentrador de capital e promotor de exclusão social, bombador de crônica insuficiência de demanda global, cujos resultados seriam a continuidade o status quo vigente, ou seja, fragilidade cambial, dada pela inflação, por conta da fragilidade do mercado interno. Os estoque se acumulariam e exigiriam desvalorizações cambiais, como antigamente, para serem exportados.  Não é o caso presente em processo de mudança histórica, com o fortalecimento do mercado interno. O quadro , com o petróleo elevando a renda interna, mudaria de figura. Seriam abertas novas expectativas e perspectivas para o aumento do rendimento interno , que contribuiria para minimizar desníveis econômicos estruturais. Palocci, no entanto, analisa a conjuntura para formar seu raciocínio macroeconômico, ancorado na subordinação histórica do modelo de desenvolvimento ao capital externo.

 

 

Medo da abundância holandesa

 

 

 

Palocci está com medo da ameaça da abundancia holandesa

Tremendo contrasenso a lógica palocciana de jogar o dinheiro do fundo social no exterior e não no Brasil, com medo de pintar maldição holandesa – abundância de riqueza –  em território nacional, quando, do ponto de vista do investidor externo, o panorama se descortina de outro modo, isto, pelo avesso da racionalização de Palocci. Os grandes investidores estão , isto sim, é com medo de investirem seus fundos nos países ricos, onde a crise financeira se instalou no reinado do juro negativo e da fuga do consumo pela sociedade excessivamente endividada no crediário. O megaespeculador americano Warren Buffett dá a demonstração cabal da nova tendência. Sua recomendação essencial aos milhares de investidores no seu fundo de investimentos é para que se desloquem da Europa e dos Estados Unidos, principalmente, para a América do Sul, para que não tenham que enfrentar fuga de acionistas, já que o retorno do capital investido não virá mais da especulação, mas da produção, desde que haja maior distribuição de renda interna. Como, segundo ele, na Europa e nos Estados Unidos, a oportunidade de investimentos torna-se, na grande crise financeira, escassa, pois , afinal, os dois continentes, estão, do ponto de vista da infra-estrutura, prontos, dispensando novos investimentos, restaria apostar na infra-estrutura que precisa ser construída nas novas fronteiras do capitalismo, que estão na América do Sul, especialmente, no Brasil. Se resolvessem os investidores europeus e americanos seguirem a recomendação de Palocci, de não investir-acreditar no Brasil os recursos do pré-sal, mas na Europa e nos Estados Unidos, ou na China e na Ásia em geral, para fugir da vaca holandesa, ou seja, da pressão inflacionária, concluiriam que o ex-ministro e deputado petista teria endoidado. Quer que os empresários europeus e americanos comprem máquinas novas para colocar no lugar das que estão paralisadas, por falta de crédito e consumo, no primeiro mundo, onde o dinheiro do pré-sal, na avaliação palocciana se alojaria. Irracionalidade.

 

 

Prisioneiro do pensamento mecanicista

 

 

domina a cabeça do político paulista o determinismo econômico das políticas de laboratório e não a autonomia dada pela economia política, atua como objeto e não como sujeito da história

Como objeto, crente na política econômica , e não como sujeito, que comanda a economica política, Palocci é, congenitamente, prisioneiro da ideologia neoliberal, do pensamento industrial que norteou a industrialização brasileira, especialmente, a paulista, a partir dos anos de 1950 em diante. Essa industrialização,  realizada à custa de poupança externa, de um lado, e, de outro, de sistema tributário, que obrigou transferência de renda dos estados mais pobres para os mais ricos, de modo que criasse mercado consumidor para os bens duráveis em geral, nas regiões sul e sudeste, esgotou suas potencialidades. O que a movia, capital externo, encalacrou-se na grande crise financeira, pois os investidores fugiram justamente da insuficiência de consumo produzida pelo modelo concentrador para a especulação financeira desenfreada. E  o sistema tributário virou um monstrengo concentrador de renda.  Essa superestrutura produtiva dependente  requer, agora, que o dólar se desvaloriza , de rápida distribuição de renda. O dinheiro do petróleo seria induzir a isso,  mas, conforme a cabeça de Palocci, ocorreria o oposto. Como os problemas do capitalismo, agora, não estão relacionados à escassez de produção, mas de consumo, o nome do jogo passaria a ser distribuição da riqueza, mediante modernização do sistema político e econômico, tarefa para qual o dinheiro do petróleo teria papel fundamental, principalmente, se for seguida a recomendação do presidente Lula.  Com visão estreita, o parlamentar de São Paulo, não percebeu , ao que parece, a lógica do pensamento que o presidente Lula coloca em marcha, visualizando a libertação nacional da dependência externa, e não o aprofundamento da falta de independência, embora esteja com o bolso cheio de dinheiro para gastar. Palocci precisa de reciclagem macroeconômica, pois está prisioneiro do pensamento mecanicista neoliberal, quando o momento requer o pensamento dialético, que entende que produção é consumo e consumo é produção, como destacou Marx. No compasso do pensamento de Palocci, o dinheiro do petróleo, indo para o exterior, e não para o interior do B rasil, preservaria a correlação de forças entre capital e trabalho, onde a insuficiência de consumo faz preponderar a produção sobre o consumo, levando a economia para perigosa destruturração deflacionária. Inviabiliza o próprio jogo político econômico lulista que visa dinamizar a economia mediante fortalecimento do consumo interno, algo que contribuiu para fortalecer o real e o poder de paridade de compra do país em termos de PIB, no fogo da grande crise.

Moeda podre pode comprar BB, Flamengo etc

flamengo poderia virar uma potencia se fizesse o que o presidente lula começou a fazer com o banco do brasil, abrir ao captial externo; teria o interesse dos chineses, que estão com dólares candidats à desvalorização sobrando em busca de bons negóciosO BB, aberto ao capital externo, pode ser amplamente atrativo pelos chin3eses, para alavancar emprestimos por meio de uma casa de crédito que tem como garantia o ativo real mais valorizado energia e alimentos
Os chineses, rebelados contra o protecionismo americano em alta e predispostos a se associarem a grandes empresários, na América do Sul, pois estão cheios de reservas em dólares candidatos à desvalorização, vão às compras adoidado. Querem desfazer do risco de possuírem moeda sob desconfiança internacional, ao mesmo tempo em que se associam,  no âmbito dos BRICs, ao Brasil e à Rússia, para criar comércio paralelo de moedas, algo de detona o dólar e, consequentemente, abre tempo de guerra. A busca dos bons negócios, pelos chineses, nesse sentido, pode bater nas portas do Banco do Brasil. Pode, inclusive, visitar o Flamengo, quebrado, mas com o maior patrimônio popular do planeta, para alavancar marketing dos produtos chineses em território nacional e global. O presidente Lula colocou à venda 20% do Banco do Brasil. O aumento do déficit público limita a capacidade do Tesouro de endividar para capitalizar o BB, a fim de alavancar, ainda mais, a sua capacidade de emprestar. Tenta fazer isso, vendendo uma parte da jóia da coroa. Os chineses passariam a ser influentes no banco estatal que garantiu, junto com outros dois estatais, o BNDES e a CEF, a estabilidade econômica em plena bancarrota financeira internacional. Ou seja, adquiririam um patrimônio em alta no cenário financeiro internacional abalado pela falência dos grandes  bancos americanos. O BB vale mais do que o Citybank, falido no colo do governo Barack Obama. A China não brinca em serviço.
Já , no Flamento, os chineses jogariam o mengão para as núvens. Renovariam, totalmente, o plantel sofrível atual. Primeiro, derrubariam a diretoria. Depois, comprariam Messi, Júlio Batista, Lúcio, Cristiano Ronaldo , Kaká, Abramovick. Transformariam o Flamengo num Real Madri. Contratariam Felipão. Dariam configuração internacinal ao clube. Abririam para proposta de campeonato global inter-clubes. Tempos de globalização. Mengão nas cabeça.
O cacife dos chineses são os mais de 2,5 trilhões de dólares que acumularam ao longo das décadas de 1980 a 2008, vendendo para os Estados Unidos, mediante moeda desvalorizada. Com as burras cheias, mas sob desconfiança, tentam mudar o perfil das suas aplicações monetárias, comprando patrimônio valorizado na América do Sul, aliando-se aos governos, abrindo bandeiras ideológicas novas, que misturam capitalismo com socialismo, que , na China, é ditadura.
Ou seja, o Banco do Brasil e o Flamengo – e outros bons ativos brasileiros que estiverem pela frente – , graças à decisão do presidente Lula de capitalizar o banco estatal no exterior, podem ser adquiridos por moeda fragilizada pela crise financeira. Os chineses passariam o mico para os trouxas.
O que vale mais no momento, o petróleo do pré-sal ou os dólares que poderiam comprá-lo, se a capacidade monetária americana de sustentar as trocas internacionais vão sendo afetadas pelo risco de hiperinflação?

Impulso tucano-lulista

tucano entra em cena no governo lula para capitalizar a petrobrás com moeda que se desvaloriza no mercado internacional
O impulso tucano do titular do Planalto, de colocar à venda o BB, para que o tesouro não tenha que capitalizar o banco para alancar sua capacidade de emprestar, coloca em cena novo programa eleitoral para a oposição. Em 2006, Lula ganhou a eleição do seu adversário do PSDB, Geraldo Alckmim, em cima do argumento de que os tucanos queriam vender o Brasil.
Agora, na crise, o presidente Lula faz a mesma coisa que condenou nos tucanos. Abre o Banco do Brasil à moeda que corre perigo, na grande crise global, de apodrecer, porque o ativo real do dólar, o consumo interno americano, diminuiu, drasticamente, na crise.
A ideologia privatista anteriormente condenada passa a ser, apenas, parcialmente, condenada. Na prática, o perigo de explosão do déficit público representa a c autela principal. O fôlego keynesiano dos governos, mergulhados na bancarrota financeira global, é curto.
O do governo Obama, dos Estados Unidos, por exemplo, está no limite. O poder que ancorava a força dos títulos do tesouro americano, ou seja, o poder da moeda nacional, fortalecida pelo mercado interno, exauriu-se. Como ocorreu uma queda de quase 40% nesse patrimônio, em face da disposição dos americanos de poupar, em vez de gastar, visto que estão excessivamente endividados no crediário, o poder do dólar, evidentemente, sofreu baque semelhante, no conceito do poder de paridade de compra(PPP), norteador do poder das nações capitalistas desenvolvidas.
Nesse contexto, o presidente Lula coloca ativo real, como o Banco do Brasil, que tem o potencial de inverter crises financeiras, ancorado nas riquezas nacionais, que estão atraindo interesse global, para ser adquirido pelos investidores externos cujo poder financeiro é moeda que se desvaloriza.
Trocar o valorizado pelo desvalorizado?
Possível chegada dos chineses no Banco do Brasil, se se disporem a atender a proposta do presidente Lula , abre novas conjecturas. As ações do BB, nos próximos dias, semanas e meses dirão a verdade. Elas podem pular.
O BB entra no jogo da globalização financeira oligopolizada.  Se amanhã o BB não der o lucro esperado pelos investidores, o governo poderia, de n ovo, capitalizar a instituição para comprar as ações, ou chamar capital, conforme permite lei das S/A. Quem acompanharia , senão aqueles que aceitassem redução do valor nominal de suas ações , mas em face de um capital maior e mais lucrativo, atuando em escala global, dando mais lucros proporcionais?
 
Aqueles que, como os chineses, dispõem fartamente de dólares, que, embora baleados, continuam dando as cartas nas relações de trocas globais, poderiam se candidatar.
 
Os dólares disponíveis, sob desconfiança generalizada, no espaço global, dados os prenúncios dos próprios bancos centrais da Europa e dos Estados Unidos, relativamente, ao excesso de moeda americana e seus derivativos tóxicos, que emperram as relações de trocas globais, chegariam para arrematar a joia da coroa.
 
 
 
As novas oportunidades
 
 
 
eike-e-eliezer, pai e filho de sucesso empresarial aliados dos asiaticos que ambiconam jogar investimentos na infra-estrutura brasileira
O que haveria de melhor, nesse instante, senão os ativos brasileiros, sul-americanos? O empresário Eike Batista que o diga.
 
A cobiça internacional dos detentores de dólares, temerosos de sua desvalorização, volta-se, totalmente, para os países emergentes. Sendo o Brasil o maior deles, junto com Índia e China, dominando amplamente o universo geográfico da  América do Sul, denotando sua importância geoestratégico-político fundamental, chama para si, dadas as suas imensas riquezas, a atenção geral.
 
O avanço do PIB em meio à devastação financeira que assola a Europa e os Estados Unidos virou atrativo para os empresários internacionais, que não têm onde investir, em matéria de infra-estrutura, em seus países. A Europa e os Estados Unidos estão, desse ponto de vista, prontos.
 
Novos investimentos na Europa e Estados Unidos seriam em cima dos que já existem, necessitando, portanto, destruição de capital. Não é à toa que a Assembléia Legislativa de Paris aprovou, recentemente, projeto de lei  que visa criar a Paris futurista, a pairar acima da velha Paris. Seria o novo chic parisiense impulsionado por gasto público para puxar a demanda global francesa. O BB, capitalizado por capital externo, participaria desse empreendimento francês futurista, que vai surgindo como demanda de novos investimentos em face do esgotamento deles na estrututura produtiva existente, que entrou em colapso?
 
Infra-estrutura seria o nome do jogo. Os empresários americanos e europeus estão seguindo o conselho do mega-investidor Warren Buffett: o negócio é apostar em ativo real. Buffett, esperto, chamou seus acionistas – que encheram um estádio – para dizer-lhes que o tempo de ganhar especulativamente em cima da moeda sem lastro – o dólar – e seus derivativos – tipo subprime – acabou. Aconselhou-os, simplesmente, a jogarem suas economias nos ativos brasileiros, chineses, sul-africanos, em toda a África, como reserva futura de valor, mais importante que o dólar que se desvaloriza. Do contrário, os acionistas fugiriam.
 
As terras das regiões oeste e norte brasileiras poderão, no rítmo de compras atuais, registradas nos cartórios das cidades do interior, por profissionais de alta qualidade, poderão passar às mãos dos capitalistas externos.
 
Em Luiz Eduardo, no oeste baiano, 50 mil pessoas, oito anos de história, os empresários internacionais se cruzam nas ruas empoeiradas onde os bairros dos mais ricos sequer estão ainda asfaltados. São mais de 1,5 mil grandes carretas que trafegam diariamente em ruas empoeiradas, criando caos no trânsito. Algodão, soja, gado, indústrias intermediárias de energia e alimentação são alvos de investidores canadenses, australianos, americanos, japoneses, misturados com os gaúchos e paranaenses que chegaram primeiro para rasgar as fronteiras.
 
 
 
O lastro seguro
 
 
 
Warren B uffet acredita mais no Brasil do que a própria oposição e empresários brasileiros, ao alertarem para os investidores do fundo que dirige que o futuro está aqui e não lá, nos Estados Unidos, onde os investimentos não existem para dinamizar o capital que estava sobreacumulado na especulação
Agora, na grande crise, em que os alimentos representam a commodity de maior segurança, porque, com crise ou sem crise, todos comem – e os espaços para a produção dos alimentos é limitada, globalmente, a uns poucos países que dispõem de potencial para alimentar o mundo – , o que se verifica é uma corrida pelo ativo terra para que os capitalistas investidores assegurrem a reprodução do seu lucro em ativo seguro , já que o ativo especulativo se esfumaçou na bancarrota financeira.
 
Nesse contexto, o Banco do Brasil, do qual o presidente Lula lançou mão para salvar o capitalismo nacional ameaçado pela escassez de crédito, abre-se a uma nova experiência internacional: o capital externo que vai entrar nele para capitalizá-lo, certamente, vai alavancar seu poder de emprestar. Repetiria a mesma história da compra do Banco Votorantim pelo BB. Aumentou o poder de alavancagem para girar o crédito direto ao consumidor no mercado de automóveis novos e usados. Se valeu para o mercado interno, por que não valeria, também, para o externo?
 
Como destacou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, as oportunidades de bons negócios no exterior, onde as empresas quebraram , durante o colapso do crédito, estão abertas, para quem tem faro para os negócios.
 
friboi marca brasileira passa a fazer parte do cenário internacional bombado pelos financiamentos internos de bancos estatais de investiments para dominar o mercado globalA ação oligopólica da JBS é isso aí.  A fusão JBS-Bertin, no Brasil, levou à fusão JBS-Bertin-Pilgrim’s americana. Empreendimento global sob comando nacional, cujo poder financeiro tem como lastro emprestimos do BNDES, banco estatal. Juntou-se a maior produtora mundial de proteina animal(JBS), Grupo Friboi, com a segunda maior produtora do país, a Bertin, e a maior dos Estados Unidos, a Pilgrim’s. É esse tipo de jogo que, segundo Luciano Coutinho, ideólogo do desenvolvimentismo, prega para novas ações das agências estatais, impulsionando o capital nacional no cenário global. Os chineses enxergam longe.
 
O Banco do Brasil, capitalizado por dólares candidatos à desvalorização, a virar possível moeda podre, se pinta hiperinflação, teria condições, com esses mesmos dólares quentes, dos quais todos passaram a temer, de agredir o mercado internacional, onde ativos bons estão à venda? Ganharia, se isso for possível, espertise empresarial e tecnológica, dando salto à frente, jogando seu capital nos grandes grupos como o JBS.
 
Vale dizer, investimento global sob comando majoritário do capital nacional. Não é à toa que os trabalhadores da Pilgrim’s Pride , adqurida pelo JBS  Friboi estão chiando e começando a criar problemas para o presidente Barack Obama. O disco estaria virando.
 
A desnacionalização do capitalismo americano, na grande crise de 2008-2009, representa repeteco da crise financeira do dólar no final dos anos de 1970-1980, quando os nipodólares e os petrodólares estavam comprando ativos , agressivamente, nos Estados Unidos. Despertaram o nacionalismo político protecionista  que inviabilizou a onda no Congresso.
JSB está sendo considerado pelos americanos como invasão do capital externo na economia americana. Naquele tempo , os japoneses tentaram comprar até a Estátua da Liberdade. Agora, Barack Obama começa a repetir a dose, lançando mão do protecionismo. Guerra comercial à vista.
 
 
 
Infra-estrutura, o espaço para o lucro
 
 
 
lula-e-hu-jintao , brasil e china se preparam para negociações em sua propria moeda, livrando-se do dólar, no qual tendem a acreditar cada vez menos, mas os dólares chineses seriam desovados na america do sul, para não virarem mico na china
A abertura do BB ao capital externo ocorre em situação em que a vantagem comparativa pode ser dada não para quem está comprando, mas para quem está vendendo, se os novos investidores contribuirem para a abertura da ação do Banco do Brasil nos países ricos que enfrentam bancarrota financeira, acumulando perigos de falência. Os bons negócios, no entanto, não estão no exterior. Estão mesmo, como disse Buffett, nas novas fronteiras.
 
O alvo do principal empresário brasileiro, no momento, Eike Batista, é claro: a infra-estrutura. O pai dele, Eliezer Batista, criador da Cia Vale do Rio Doce, que traçou o mapa geoestratégico de um desenvolvimento integrado entre as regiões do centro-oeste e norte, visualizando a implementação da estratégia juscelinista de expansão das fronteiras econômicas nacionais, abrindo-se para a integração sul-americana, conscientizou o filho sobre o potencial brasileiro. E ele está fazendo isso com quem? Com os chineses, claro.
 
Investir na infra-estrutura da nova fronteira econômica global tornou-se prioridade número um para Eike, em parceria com os chineses, que tentam  desfazer-se do excesso de dólares disponíveis, sem lastro, apostando em ativo com lastro. Nada melhor do que associar-se com aquele que mais conhece as potencialidades minerais brasileiras.
Os investidores externos, capitalizados em moeda americana sob suspeita internacional, estão atrás dos Eike Batista brasileiros, atendendo ao conselho de Warren Buffett, para dar valor às suas ações. Caso contrário, serão abandonados pelos acionistas, que irão para outras oportunidades. 
 
No pré-sal, a mesma coisa. Os dólares , que estão queimando nas mãos dos seus possuidores, querem ser transformados em óleo bruto tirado a dez mil metros de profundidade. Trata-se de adquirir  riqueza real e desfazer de riqueza fictícia, como é o caso do dólar deslastreado – visto que o lastro existente, o consumo interno americano, na crise, esfumaçou.
Os alertas dos bancos centrais, especialmente, o do Banco Central Europeu, na semana passada, demonstram que a desconfiança dos banqueiros está centrada, fundamentalmente, no dólar, pois, empoçado nos bancos, perdem utilidade. Deixa, dessa forma, de atender o pressuposto número um da filosofia utilitarista que norteia o capitalismo. “Tudo que é útil é verdadeiro. Se deixa de ser útil, deixa de ser verdade”(Keynes). 
 
 
 

Lula desideologiza Serra e fortalece PSDB

 Lula assina o passaporte ideológico de Serra para a sucessão ao descarta-lo como político de direita e anti-nacionalista, como acusam os petistas, que ficarão de saia justa

Ao considerar que não haverá candidato de direita em 2010 , porque todos são democratas em disputa, o presidente Lula avalizou, na entrevista de quinta feira, 16, ao Valor Econômico, a candidatura eventual do governador de São Paulo, José Serra, na medida em que afasta a possibilidade de os petistas lançarem mão do argumento ideológico segundo o qual o titular do Bandeirantes é direitista, ligado aos interesses anti-nacionais, como sempre destacam. Ao mesmo tempo, o titular do Planalto, desideologizando o comandante político da paulicéia desvairada,  fortaleceu o PSDB, os tucanos em geral, ao defender a capitalização do Banco do Brasil, em até 20%, não via repasses do Tesouro Nacional, mas mediante abertura ao capital externo. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso exultou. Parabenizou o presidente e destacou que essa fora a estratégia adotada pelo seu governo, boicotada pelos petistas.

Para Lula, Serra não sendo de direita, está livre dos ataques ideológicos do PT. Joga balde de água fria nos petistas e na esquerda em geral. Estes consideram o governador paulista aliado do capital e não do trabalho, razão pela qual, no governo, se vier a ganhar a eleição da candidata governamental, Dilma Rousseff,  no próximo ano, entraria na onda privatista, de forma generalizada. Se Serra, segundo Lula não é de direita nem entreguista,  o aval lulista representa  descarte do discurso da coalizão governista que viesse considerar Serra anti-nacionalista.

O viés entreguista-anti-nacionalista posto pelos petistas em geral sobre Serra foi negado por Lula ao destacar que,  no auge da crise financeira, a alternativa negociada entre o governo federal e o governo de São Paulo, ou seja, entre Lula e Serra, para a estatização da Nossa Caixa paulista, transferindo-a para o Banco do Brasil, representou medida econômica anti-cíclica que reverteu perigo de quebradeira financeira. Não houve entreguismo serrista.

O Banco do Brasil, ao adquirir a Nossa Caixa , disse Lula, que negociou com Serra, garantiu o crédito direto ao consumidor mais competitivo do que a oferta de crédito dos bancos privados, fugitivos na hora H da grande bancarrota financeira global, deixando o governo na mão.

A dobradinha Lula-Serra, naquele momento crucial, capaz de permtir o BB dispor de maior poder de alavancagem, foi fundamental. Serra teria sido ator coadjunte da jogada nacionalista de Lula e não um opositor anti-nacionalista, como tentam os petistas considerá-lo.

fhc não perdeu oportunidade para brindar a aproximação ideológica de lula ao psdb ao abrir o capital do banco do brasil ao investidor estrangeiro, o que coloca o presidente petisa aliado aos tucanos, mais uma vezNão sendo Serra de direita, o que descarta ataques petistas nesse sentido, para tentar desestabilizá-lo, caso seja candidato tucano, e sendo, como Dilma Rousseff, Marina Silva e Heloísa Helena, candidato democrata, como destacou Lula ao Valor Econômico, restaria aos petistas,  do ponto de vista ideológico, atacar Serra como centrista. E olhe lá.

Entrariam, entretanto,  em contradição, pois não haveria ninguém mais centrista, politicamente, que o governo Lula, na sua conformação político-partidária ideológica, tendo como peso específico a posição de centro do PMDB, maioria nas duas casas do Congresso. Serra seria Lula e Lula, Serra.

Se Serra for atacado, não porque seja de direita, mas por ser de centro, colocaria os petistas, que viessem a acusá-lo disso, em total contradição durante a campanha eleitoral.

O aval político-ideológico de Lula a Serra colocou a sucessão no plano da disputa anti-ideológica. Pintaria  adversidade entre PT-PMDB, de um lado, e PSDB-DEM, de outro,  apenas, no plano administrativo.

Lula antecipou essa tendência ao ressaltar que Dilma Roussef é, excepcionalmente, competente para administrar o país. Serra, no entanto, nesse campo, não perderia para Dilma, dada a reconhecida competência política e, sobretudo, técnica dele.

Evidentemente, Serra se tornou credor político de Lula por ter o presidente eliminado as restrições ideológicas que os petitas alimentam quanto a ele. Ao  negociar a Nossa Caixa com o Banco do Brasil, fortalecendo o braço financeiro estatal do governo Lula, na crise, Serra teria sido não um entreguista, mas autêntico nacionalista.

O desconforto produzido pelas declarações lulistas, que destituem o caráter político ideológico que motivavam os petistas a se indisporem, organicamente, contra Serra, aumentou o cacife do governador paulista.

A saia justa petista se evidencia, ainda mais, depois que o titular do Planalto anunciou estratégia digna dos tucanos, ou seja, a abertura de capital do Banco do Brasil ao capital estrangeiro.

Os tucanos, sem dúvida, estarão enfregando as mãos de satisfação , enquanto os petistas estarão coçando a cabeça. Para os petista, Lula, certamente, escorregou; para os tucanos, evidentemente, tucanou.

 

 

 

Campanha anti-ideológica 

 

 

 

 Dilma e os petistas ficam desautorizados a abrir luta ideológica contra Serra pois as posições lula-serra se combinaram na c rise para salvar a economia, fortalecendo o nacionalismo econômico

O governador José Serra se mostrou capaz de confundir tucanos e petistas. Quando foi ministro do Planejamento, entre 1995-1996, chegou a ser acusado, dentro da administração fernandina, de ser petista. Batalhava contra os juros básicos elevados. Nada mais nacionalista.

Considerava que os juros elevariam perigosamente a dívida pública interna e provocariam, consequentemente, colapso cambial, no cenário de baixa oferta de crédito internacional. Acertou na mosca. Durante duas oportunidades, o governo FHC rendeu-se, totalmente, ao FMI.

O país vivia sob as ordens do Consenso de Washington. O dólar ainda não havia dobrado os joelhos, como aconteceu depois da crise de 2008. O poder americano sobre a periferia capitalista endividada, depois da crise monetária dos anos de 1980, era total. O incômodo Serra, nesse contexto, produziu sua demissão. Trombara com o poder financeiro. Entrou em choque com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, hoje, consultor de banqueiros. Caiu.

No segundo mandato do presidente FHC(1998-2002), Serra, forte dentro do PSDB, para ser, totalmente, descartado, ganhou espaço para ser Ministro da Saúde. Continuou reclamando da falta de verbas e dos contingenciamentos impostos pelos bancos, no orçamento da União, em nome da formação de superavits primários elevados, de modo a pagar os juros da dívida pública interna. 

A pedra Serra no sapato dos banqueiros continuou.

A insatisfação dos credores com o então Ministro da Saúde, ponta de lança indescartável dos tucanos, para ser candidato de FHC , na sua sucessão, em 2002, aumentou quando o hoje governador de São Paulo propôs que os orçamentos das empresas estatais não fossem considerados deficits públicos, mas investimentos.

As empresas estatais, ao investirem, segundo a lógica do Consenso de Washington, provocavam deficits que levavam o governo a aumentar a taxa de juro em nome do combate à inflação para manter equilibrada a relação dívida-PIB.

Para Serra, quando a Petrobrás investe, ao contrário de gerar déficit, gera aumento de demanda, que , por sua vez, eleva a taxa de consumo, cujas consequências são aumentos de arrecadação tributária. Antecipou, naquela ocasião, decisão que Lula, como presidente, tomaria no futuro, em nome do nacionalismo.

Como economista, Serra, nos seus tempos de estudante, trabalhou o fenômeno do subconsumismo capitalista. Escreveu teses sobre o assunto, acumulou conhecimento marxista segundo o qual o sistema capitalista produz, ao buscar lucro, crônica insuficiência relativa de demanda global, sinalizando, consequentemente, deflação.

sergio-guerra, presidente do PSDB, passa a comandar candidatura avalizada ideologicamente pelo titular do planalto, deixando petistas desconfortáveisA sobreacumulação de capital , de um lado, e o aumento da exclusão social , de outro, produzem escassez de consumo, que , por sua vez, inviabilizava a saúde sustentável da produção.

A compensação, sempre buscada pelos empresários junto ao governo, no auge das crises subconsumistas,  era a defesa da desvalorização cambial que fizesse a desova dos estoques de mercadoria nas exportações, na ausência da suficiência consumista interna.

Ou seja, no Governo FHC, o governador atual de São Paulo atuou não como entreguista ou anti-nacionalista, como acusam os petistas, mas , justamente, como nacionalista, para valorizar o patrimônio nacional, contrariando os banqueiros, ao condenar o conceito contábil-ideolígico do FMI segundo o qual investimento estatal é sinônimo de déficit. 

Originário das categorias sociais dos trabalhadores industriais paulistas, isto é, filho da industrialização, cuja ideologia abraçou, reservando-se para manter posições críticas, relativas à produção contraditória do subconsumismo que nega o próprio sistema, José Serra, que foi o primeiro presidente da União Nacional dos Estudantes(UNE), no tempo da ditadura, que o levou ao exílio, acabou, durante a Era FHC, sendo taxado de inimigo dos banqueiros, quando a ordem de Washington era a de privatizar.

Construiu, ideologicamente, antes de chegar ao governo, reputação política de esquerdista; ao chegar ao governo, foi considerado nacionalista , enquanto PT, diante das posições serristas, o enxergava como agente dos banqueiros, isto é, da direita.

Lula, agora, joga por terra essa pecha. Avaliza Serra do ponto de vista ideológico como próximo ou aliado dele. Aplaudiu sua posição relativamente ao conceito nacionalita de partilha para as reservas do pré-sal. O titular do Planalto coloca o governador de São Paulo como politicamente de confiança pelas próprias forças da coalizão governamental.

Xeque mate lulista nos petistas que eleva o cacife serrista na sucessão presidencial.

Lula põe Getúlio na sucessão

 

getuliovargas dá o compasso da sucessão lulista com a decisão do presidente de alavancar o social mais que o econômico como saída para a economia capitalistao presidente veste o paleto de getulio em dilma jogando no movimento social para consolidar a democracia por intermédio do fortalecimento do consumoO inconsciente político do presidente Lula está no presidente Getúlio Vargas. Vargas promoveu a Consolidação das Leis do Trabalho(CLT). Garantiu dignidade ao trabalhor, contraditoriamente, na ditadura. Lula, agora, na democracia, quer a Consolidação das Leis Sociais, como adiantou em entrevista ao jornal Valor Econõmica, na quinta, 17. Vargas criou um mundo para o capital industrial reproduzir-se politicamente equilibrado com vantagem evidente para o capital em relação ao trabalho, em um tempo de grave crise econômica, pois se vivia sob estragos provocados pelo crash de 1929. Lula, agora, diante dos estragos devastadores da crise de 2008, tenta complementar Vargas com a equiparação do social ao econômico. A cartada política lulista, expressa na CLS, que complementa a CLT varguista, representa proposta de conquista social em plena campanha eleitoral que gera nova correlação de forças políticas no país, em nome da salvação do capitalismo nacional. Ela complementa, por sua vez, o consumo como fator principal de dinamismo para a produção – e não o inverso – via crédito ofertado por bancos estatais. Chegou a estatizar um banco pequeno, o Votorantim, especializado em crédito para bens duráveis, como forma de agir, estatalmente, no crediário, para incrementar a produção.

 
Ficou comprovado que o dinamismo econõmico depende mais do incentivo ao consumo do que à produção. Com a capacidade instalada existente, encontrando-se na ociosidade, os empresários jamais se disporiam ao chamamento para mais investimentos  para puxar consumo. Não topariam comprar máquinas novas para colocar no lugar das que estão paradas, nem que tivessem oferta de juros negativos, o que comprova que redução dos juros não é solução para a produção, se o governo não incrementa, com seus gastos, a demanda efetiva global. 
 
Consolidar as conquistas sociais, mediante CLS, nesse ambiente de ampla ação estatal, seria conquistar, consequentemente, a própria sobrevivência do capital que entrara em crise de realização, quando o crédito internacional faltou. Sendo o modelo de desenvolvimento econômico nacional dependente da poupança externa, desde o seu nascimento , nos anos de 1940, a falta de oferta de dinheiro internacional representaria o fim.
 
O consumo interno entrou em cena pela mão do Estado, para evitar o aprofundamento da insuficiência dele frente à produção. Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BNDES , braços financeiros estatais, garantiram o aquecimento das atividades produtivas. O social, ou seja, o consumo, incrementado, evitou o empoçamento dos estoques de mercadorias. Sem o social, o econômico não sobreviveria.
 
Em tal contexto , pintou um novo entendimento governamental sobre o processo de desenvolvimento. As empresas, que estavam complementando sua taxa de lucro na especulação, antes da crise, quando esta chegou e destruiu a especulação, a salvação foi o Estado, financiando o consumo.
 
Sustentou a sobrevivência, em bases mais modestas, no auge da crise, da taxa de lucro do capital investido, cuja produção, sem consumo correspondente, produziria, apenas, deflação. Os deficits fiscais salvacionistas do governo produzem a inflação, disfarçada de dívida pública, como fuga da deflação, para incrementar, via consumo, a produção.
 
A crise global acaba de demonstrar que a opção pelo consumo, via juro mais barato, é a saída para o aumento da arrecadação, em vez de priorizar, apenas, medidas que incrementam a produção que não gera consumo correspondente, mas aumento de deficits fiscais consequentes.
 
A queda de 1 ponto percentual na carga tributária , nos 12 meses de crise, setembro de 2008-setembro de 2009, sinaliza ao governo que a opção dele não é mais jogar política fiscal em cima da produção, mas do consumo. Caso contrário, com arrecadação tributária cadente, não conseguirá realizar investimentos públicos, para puxar a demanda. Sob democrácia, seria como pedir para sair. Com  a CLS, o governo dá grito de basta a prioridade ao econômico, abrindo espaço ao social. Segura, dessa forma, o PMDB, que perderia a atratividade política de render ao cando de seria do PSDB.
 
 
 
 
 
Carta eleitoral decisiva
 
 
 
Os empresários comprovam que sem o governo para salvar o setor privado quando o credito externo expirou haveria quebradeira geral na economia
O pacote econômico e social lulista joga no debate sucessório no compasso da Consolidação das Leis Sociais, no Congresso, unificando providências para institucionalizar políticas de distribuição de renda, dando maior equivalência à relação capital-trabalho. Garante, na prática, reprodução, na produção, do próprio capital, que padece de insuficiência de consumo, na economia brasileira, desde o início da industrialização getulista nos anos de 1940.
 
Lula , que jogou no ataque, ao promover o lado econômico, por intermédio do social, antes relegado a segundo plano, pela natureza do modelo concentrador de capital e poupador de mão de outra, coloca a oposição em questão. Sua arma são os agentes econômicos e financeiros estatais.
 
O BNDES, ao longo dos últimos 12 meses de crise, jogou na circulação mais de R$ 100 bilhões, dinamizando investimentos puxados pela demanda estatal: infra-estrutura, produção bélica e espacial, produção de petróleo, entrada da Petrobrás no etanol e no biodiesel, investimentos da empresa em parceria com a Venezuela e Argentina. Sem esse braço estatal, o capitalismo brasileiro estaria em crise total.
 
A demanda interna não estaria dinamizada, se dependesse da boa vontade dos banqueiros privados, que fugiram da raia na hora H. O próprio presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, destacou, na Câmara dos Deputados, quinta feira, que os bancos brasileiros não acreditaram no potencial econômico nacional. Preferiram render-se ao medo do risco. Covardia.
 
O Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES, braços financeiros do Estado nacional, enfrentam a parada. Demonstraram à larga que o setor privado depende da demanda estatal, do crédito estatal, pois, caso contrário, emergiria bancarrota, no momento em que , depois da quebra, há 12 meses, do mercado financeiro americano, os empréstimos foram suspensos e a especulação deixou de criar renda disponível para o consumo, especialmente, da classe média.
 
O empresário Giannoti da Fonseca, no programa Painel, do jornalista William Waack, destacou que ficou, naquela hora crucial, sem pé nem cabeça, para tocar o negócio das exportações. Os bancos privados deram no pé, apavoradamente. Demonstrartam ser capitalistas pregadores do risco que fogem do risco quando têm que enfrentá-lo.
 
Resultado: a economia girou – PIB cresceu 1,9% no segundo trimestre, os estoques começam a ser repostos pela capacidade instalada – porque o governo imprime moeda, cria deficit, não deixa a máquina parar, bombando, inflacionáriamente, o social mais que o econômico.
 
O exemplo mais evidente da dinâmica econômica impulsionada pelo poder financeiro estatal é, segundo o Bradesco, o programa governamental Minha Casa, Minha Vida. Trata-se de investimento público correspondente a um terço do PIB, mais de R$ 600 bilhões. Ou seja, dinheiro estatal puxando a demanda global. 
 
Nas décadas de 1970 a 2000, as categorias sociais que tinham acesso à Caixa Econômica Federal eram as classes média e alta. O resultado sempre foi alta inadimplência, porque os juros cobrados nos empréstimos são impagáveis. O governo subsidiou o prejuízo e cobrou dos pobres via tributos indiretos em cima dos produtos conumidos pelas categorias sociais desfavorecidas. A taxa média de juro básico na Nova República, a partir de 1986, ficou em torno de 20%, enquanto a economia cresceu , em média, 2,5% a 3%. Superacumulação de renda na esfera financeira, riqueza transferida via taxa de juro, para o grande capital.
 
A reversão dessa lucratividade imensa via programa social para os mais pobres consumirem residências no crediário representa a expressão do contexto econômico em que a Consolidação das Leis Sociais se insere como novo fator política, que representa conquista política, a ser debatida na sucessão presidencial.
 
 
 
Jogada para segurar PMDB
 
 
O presidente da Camara, deputado michel temer, que quer ser vice de Dilma, aceleraria, certamente, o debate sobre a consolidação das leis sociais no congresso, aceleradamente, para favorecer a candidatura dilma com ele na garupa
A Consolidação das Leis Sociais entra na cena política como fator de aglutinação da sociedade, que, no cenário da revolução da informação, ganha dimensão exponencial, com tendência para a organização política comunitária. O fenômeno da vitória do presidente B arack Obama foi isso aí.
 
A crise econômica não dá fôlego ao governo. O excesso de dólares que está entrando na economia, valorizando o real e inviabilizando as exportações exige o avanço social em forma de distribuição da renda para que o país possa viver do dinamismo do seu mercado interno.
 
As exportações de manufaturados(46%) passaram a perder para as de produtos primários sem valor agredado(44%), pela primeira vez , desde 1978. Vale dizer, o consumo interno teria que compensar a queda do consumo externo. A CLS emerge nesse contexto.
 
Somente com novo discurso social, ao lado do econômico, teria o governo condições de enfrentar as contradições que a desestruturação do modelo de concentração de renda provoca, desagregando a sociedade.
 
Se o modelo não abrir para o social, para presevar o econômico, que sempre mereceu prioridade, o próprio econômico não terá fôlego. Faltar-lh-ia o consumo para sustentá-lo. Os aliados políticos fugiriam. A consolidação das leis sociais cria fato político aglutinador no momento em que inicia a campanha eleitoral. O PMDB pensaria dez vezes antes de cair no canto de sereia dos tucanos, em vez de alinharem-se à Dilma, sob chamamento lulista.
 
A Consolidação das Leis Sociais, a ser encaminhada ao Congresso Nacional, até final do ano, como destacou o presidente, abre o debate oficial sobre a distribuição da renda nacional como fator de sustentação do capitalismo brasileiro.
 
Representa tal ação política lulista o brado do próprio governo no sentido de que ele esgotou sua capacidade de sustentar os lucros da produção, no Brasil, como garantiu desde os anos de 1950 em diante, para promover a industrialização nacional , transferindo renda dos estados mais pobres para os mais ricos, via sistema tributário concentracionista.
 
Tal superestrutura econômica dependente da poupança externa chegou aos seus limites no ambiente da crise mundial.
 
A Consolidação das Leis Sociais, no debate no Congresso, ganharia, em ano eleitoral, o perfil eminentemente político. Intensificaria a disputa capital-trabalho pela renda nacional. O trunfo governamental, nesse instante, é a evidência de que o socorro estatal ao capital cujo investimento não gera consumo correspondente para que haja equilibrio com o trabalho se tornou indispensável. Mudou a correlação de forças políticas que a própria crise vai criando.
 
Se o presidente é o que abre o grande debate político social, antecipando a campanha eleitoral, evidentemente, toda a discussão que o tema levantará corresponderá ao aumento do cacife político do próprio governo pai da idéia.
 
Resta saber se o presidente Lula conseguirá transferir totalmente os bônus políticos de sua iniciativa soberana, à moda de Getúlio Vargas, para a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. Lula, com a CLS, veste Dilma com o paletó de Getúlio. 

Dólar cadente exige distribuição de renda e reforma política consequente – ou revolução

a falência do dólar exige distribuição da renda para capitalismo mundial oxigenar-se; caso contrário, emerge, cada vez mais forte, guerras comerciais e protecionismos e desvalorizações monetárias sangrentas
A desvalorização do dólar, que atingiu R$ 1,80,  e a valorização da bolsa, alcançando os 60 mil pontos, nessa quarta, 16, representam jogos combinados, que sinalizam avanço do protecionismo mundial, no contexto da crise deflacionária, cujas consequências, especialmente, nos países capitalistas periféricos, como o caso brasileiro, dependentes de poupança externa, para se desenvolverem, impulsionam movimentos políticos favoráveis à maior distribuição da renda nacional e abrangentes reformas políticas.
Ambas, por sua vez, decorrem das novas correlações de forças produzidas pelo movimento quantitativo e qualitativo de transformação econômica e política, responsáveis por sinalizar empobrecimento relativo dos países capitalistas ricos,que estavam dinamizando suas economias na base da especulação com moedas ficitícias, e enriquecimento relativo dos países emergentes, a exemplo do Brasil, detentores de matérias primas essenciais à manufatura global e de espaço para novos investimentos, a fim de dar vazão aos capitais sobreacumulados no capitalismo cêntrico, canditados a sofrerem quedas em suas taxas de lucro, graças à insuficiência de oportunidades onde se sobreacumulam.
 
falência do dólar exige distribuição da renda, mudança política e cesta de m oeda para fluir as relações de troca em nova divisão internacional do trab alhoO jogo bruto do comércio internacional significa, simplesmente, que todos os países estão se preparando para jogar seus excedentes internos no espaço econômico global. Nos Estados Unidos, maiores consumidores do mundo, cujo consumo está em queda, porque a sociedade está superendividada, depois da grande crise, cuja duração ainda é incognita, podendo esticar, embora de forma menos atenuada do que no momento de maior pânico, como ocorreu há um ano, o fato evidente é o excesso de excedentes. Estes, historicamente, no grande país, sempre eram consumidos internamente, graças à divisão internacional do trabalho que ocorrera depois da segunda guerra mundial, em que o dólar despontou como equivalente geral nas relações de troca globais, desbancando a libra inglesa.
 
Os grandes deficits americanos representavam a saúde econômica do capitalismo, porque tinham como contrapartida , em favor dos Estados Unidos, os superavits financeiros, decorrentes da senhoriagem obtida com o dólar todo-poderoso. Déficit comercial, de um lado; superavit financeiro, de outro. A compensação era amplamente vantajosa para os americanos.O resultado correspondia a vantagens comparativas dadas pelo poder da moeda americana nas trocas cambiais. Europa e Ásia, grandes exportadores, realizavam suas produções no consumo dos Estados Unidos, que, por sua vez, evitavam estouros inflacionários, mediante grandes investimentos públicos em guerras, bancando mais deficits, com ampliação da produção bélica e espacial(não-mercadorias), gerando demanda sem aumentar oferta. Evitavam, desse modo, queda de preços nos setores de bens duráveis, que provocaria deflação, como ocorreu em 1929,
 
 
 
Remédio getulista para falência keynesiana
 
 
 
lula parte para o social com mais força que getúlio para salvar o capitalismo de debache
Ou seja, tudo dependia do jogo keynesiano, expresso no aumento da dívida pública americana. Com uma mão, Tio Sam jogava , barbaramente, dinheiro na circulação, para ativar a produção; com a outra, lançava títulos da dívida pública, para enxugar parte da liquidez monetária, a fim de evitar enchente inflacionária. A dívida crescia, dialeticamente, no lugar da inflação. Do pós-guerra até a década de 1970, os Estados Unidos trabalharam com o dólar-ouro; depois dos anos 70 em diante, com elevação dos deficits, acumulados com a guerra fria, guerra do Vietnam, corrida bélica e espacial etc, gastos que ameçavam a saúde da moeda, desatrelaram o dólar do ouro. A moeda flutuou.
 
Iniciava o tempo da especulação sem limites. Dos anos de 1970 a 2009, ocorreram as bolhas especulativas intermitentes, até que em 2008, com a desregulamentação total do mercado especulativo, em que as rendas capazes de bancar o consumo eram produzidas em cima da moeda fictícia, tudo foi aos ares. O dólar não aguentou. Os países exportadores para o mercado americano, principalmente, os europeus e asiáticos, lotados de moeda americana, ficaram com o grande mico na mão. Eles, que trabalharam ao longo desses anos, com moeda desvalorizada, para ganhar em cima do dólar forte, valorizado, viveram tempos de grande bonança. Onde jogarão os excedentes, se o mercado americano , como destacou o presidente Barack Obama, não será mais a fonte de consumo capaz de puxar a demanda global, na esc ala anterior, senão abrindo guerras comerciais, que, por sua vez, estimularão protecionismos renitentes, enquanto serão forçados a fortalecerem o mercado interno, possível, somente, via distribuição mais acelerada da renda nacional?
 
Sebastião Gomes, criador do programa da sopa para os pobres, nos anos de 1970, que viria influenciar políticas sociais no paraná e no DF, inspirando, depois, iniciativas nesse sentido, no governo federal, vê no direito de consumo, a saída para o capitalismoA visão do presidente Lula de acelerar a consolidação das leis sociais, como destaca em entrevista aos repórteres Claudia Safatle, Maria Cristina Fernandes, Cristiano Romero e Raymundo Costa, do jornal  Valor Econômico, nessa quinta feira, 17, que fortaleceria o direito de consumo, pregado, neste site, pelo octogenário empresário brasiliense, Sebastião Gomes, do setor de  alimentação, criador do Programa Nossa Sopa, no DF, caminha na direção de fortalecer a estrutura produtiva e ocupacional brasileira, não mais priorizando a produção, que não gera consumo correspondente, mas, ao contrário, fortalecendo os programas sociais, que permitem os mais pobres a ampliar sua capacidade consumista.
Sem o consumo o governo não terá como elevar a arrecadação e aumentar os investimentos públicas, necessários ao atendimento das demandas da sociedade.
 
 
 
Protecionismo destrutivo em marcha
 
 
 
china-e-estados-unidos , se não se acertarem, partem para o protecionsimo e a autodestruição, como ensairam na última semana, com a guerra dos pneus
Com o estouro financeiro derradeiro das finanças americanas, expresso na debacle do mercado imobiliário, a era do dólar forte acabou. Sem poderem bancar moeda valorizada, para realizar a produção do mundo no consumo americano, os Estados Unidos, superendividados em  maiores proporções, ainda, depois do estouro, já que tiveram que elevar, mais perigosamente, o deficit público para a casa dos 13% do PIB, assustando geral, vêem o que não gostariam de ver, ou seja, o enfraquecimento do dólar, o perigo de que ocorra com ele o que ocorreu, nos anos de 1920, com o marco alemão, isto é, hiperinflação.
 
A queda do dólar frente ao real, caindo para R$ 1,80 – podendo despencar mais, se o Banco Central não continuar comprando as verdinhas, acumulando reservas candidatas à desvalorização – , demonstra, agora, que os Estados Unidos não podem mais continuar sustentanto, como outrora, deficites acumulados. Têm que realizar superavits comerciais, para compensar o fim da capacidade de produzirem superavits financeiros, senhoriagem valorizativa. Caso contrário, entrarão em buraqueiras de deficits em contas correntes. Seria o fim.
 
Os aliados comerciais, não podendo mais se sustentarem naquilo que acabou, ou seja, na divisão internacional do trabalho, inaugurada com o dólar todo poderoso, depois da segunda guerra mundial, a partir de Bretton Woods, somente, podem sobreviver, de agora em diante, com a combinação de distribuição da renda , para permitirem aumento do consumo interno, ou partirem violentamente para a guerra comercial.
 
Sem visão social abrangente o capitalismo, na crise de realização da produção no consumo, vai ao caos e à guerra caóticaOs chineses reagiram , prontamente, nessa semana, à ação do governo americano de impor sobretaxas sobre os pneus produzidos na China. O mesmo se repete em diversas outras mercadorias. Em nível mais modesto, na América do Sul, Brasil e Argentina travam, também, sua guerra comercial, correndo riscos de inviabilizarem a união sul-americana, ameaçada pelas políticas de segurança continental, como se evidenciou na reunião da Unasul.
 
As disputas comerciais, no andar da carruagem da desvalorização do dólar, tenderiam a disseminar-se. O protecionismo vai se configurando como alternativa nas relações de troca, combinando com pressões políticas internas. Estas, sem que haja melhor distribuição da renda nacional, poderiam disseminar-se em tensões políticas a desembocarem em guerras civis, quanto mais se acumularem excedentes produtivos que não encontrem canais de desovas nas exportações. Os governos teriam que desvalorizar suas moedas. Se todos caminharem nesse sentido, haveria carnificinas comerciais e total desarranjo monetário. Aceleraria, consequentemente, a superação do dólar como equivalente geral das trocas comerciais globais. Os movimentos dos países em partir para arranjos comerciais com suas próprias moedas sinalizam essa nova possibilidade.
 
Os excedentes, que sempre procuraram o mercado internacional, para serem desovados, com esse mercado mais enxugado, terão que ser consumidos internamente. O aumento do consumo interno, por sua vez, somente ocorreria com ampla distribuição da riqueza. Por outro lado, melhor distribuição da riqueza, especialmente, nos países capitalistas periféricos, representa rompimento de estruturas políticas que impedem alterações nos modelos de desenvolvimento econômico poupadores de mão de obra e concentradores de renda. Uma nova libertação da escravatura se põe em marcha no compasso da grande crise deflacionária.
 
 
 
Capitalismo mais humano ou revolução
 
 
 
O novo premier japonês do DPJ não vê saída no capitalismo, a menos que ele se transforme em face mais humana, para abrir espaço à distribuição melhor da renda para proporcionar maior consumo e arrecdação capaz de permitir aos governos realizarem programas sociais
Os governos, nesse contexto, estarão diante das pressões econômicas e políticas cada vez mais acentuadas por parte das classes sociais economicamente antagônicas. De um lado, o capital, como ocorreu, ao longo dos últimos meses, continuaria a pedir ao governo, diante da queda da produção, exoneração fiscal e vantagens creditícias, de modo a sustentar sua taxa de lucro. De outro, o trabalho solicitaria proteção contra o desemprego.
 
O fôlego do governo, para bancar deficits fiscais via desoneração de impostos – como está ocorrendo, quando a carga tributária recua 1 ponto percentual em 12 meses – , tenderia a esgotar-se rapidamente, porque os empresários, em face da redução do nível de atividade, não investiriam, para elevar o consumo e, consequentemente, a arrecadação. E mesmo que investissem, os investimentos não gerariam consumo correspondente, de modo a garantir ingressos tributários capazes de permitir novos gastos públicos para atender as demandas sociais.
 
1 bilhão de seres humanos passam fome; outros 2 b ilhões ganham 2 dólares. não podem comer, não podem sobreviver, não podem con tribuir para aumentar a arrecadação via consumo, para dinamizar o sistema capitalista que os excluemRestariam aos governos bombarem o consumo para produzir arrecadação e não a produção, incapaz de gerar efeito semelhante. Do contrário, os excedentes acumulariam, se houvessem investimentos sem o rspectivo consumo correspondente. E por que haveria aumento da produção de excedentes, via novos investimentos, se o consumo interno dos países da periferia capitalista padecem de crônica insuficiência relativa de demanda histórica?
 
A solução, portanto, não poderia ser estímulo dos governos à produção, em ambiente em que a simples capacidade instalada, se impulsionada, produziria excesso de oferta sem consumo correspondente, incapaz, portanto, de produzir arrecadação consequente. Dançariam os governos, em ambiente democrático.
O novo premier japonês, Yukio Hatoyama, deu o tom do novo rumo dos acontecimentos, ao destacar que precisa ser praticado “capitalismo humanizado”, ou seja, distribuir as benesses não apenas para o capital, produção, mas, principalmente, para o trabalho, o consumo. É este que vai diminuir o excedente interno que não encontra mais, na era do dólar desvalorizado, espaço para desova. Se não desovar, emerge a deflação. Com deflação, ocorre a destruição não apenas do trabalho, mas, principalmente, do capital.
 
Resumindo: dólar em queda impõe distribuição da renda ou revolução social.