Lula fortalece Dilma e Marina em Copenhague

Copenhague será o palco em que Dilma e Marina estarão frente a frente em meio a uma expectativa geral do mundo relativamente à proposta brasileira, dada a responsabilidade do Brasil por dispor da floresta amazônica, pulmão do mundo, e de uma base industrial, cujo preço de sustentação é permanente agressão contra a natureza, por sustentar-se em cima da concentração da renda e da exclusão social
Copenhague será o palco em que Dilma e Marina estarão frente a frente em meio a uma expectativa geral do mundo relativamente à proposta brasileira, dada a responsabilidade do Brasil por dispor da floresta amazônica, pulmão do mundo, e de uma base industrial, cujo preço de sustentação é permanente agressão contra a natureza, por sustentar-se em cima da concentração da renda e da exclusão social

A posição de Lula em Compenhague o transforma em líder mundial que faz história: redução de 40% da oferta de CO2 na atmosfera e diminuição de 80% do desmatamento da floresta amazônica entre 2009 e 2020.  Isso, compatível com uma estratégia de desenvolvimento econômico, que contempla crescimento médio de 5% a 8% do PIB, nos próximos anos, patamar que contribui para elevação constante da taxa de emprego, enquanto mantém, no limite, equilíbrio tênue da relação economia-meio ambiente. Uma no cravo, outra na ferradura. Ou seja, trata-e de posição que incomoará relativamente o mundo econômico, mas ganhará aplauso global por contribuir, decisivamente, para a sustentabilidade ecológica terrestre. O titular do Planalto vai de encontro à senadorA Marina Silva(PV-AC), que pede garra, em proposta ambiental, mas com Dilma a tiracola, como candidata preferida para sucedê-lo em 2010.

O fato é que os países ricos, até o estouro da grande crise em outubro e 2008, estão dando vexame geral. Estados Unidos e Europa não avançam além de redução de 20% do gás de efeito estufa, que balança a estrutura básica que assegura a sobrevivência humana. Estão sob pressão das ONGs, para que cheguem até 30%. O Congresso americano não deliberou nada. Deixa Barack Obama falando sozinho discurso de sustentabilidade econômica global. Os europeus, igualmente, resistem a avanço ousado. O modelo de desenvolvimento econômico capitalista dispõe de capacidade instalada que acostumou a agredir ao meio ambiente, destituindo as reservas naturais para transformá-las em manufaturas cujos sub-produtos poluem o ar em escala relativamente controlável. Não há saída fácil.

Os emergentes, nos quais a economia global aposta, diante da situação em que os ricos se encontram falidos de joelhos diante do Estado protetor, em meio à bancarrota financeira, dão uma lição. Lula, com a responsabilidade da floresta amazônica sobre as costas, carregando pulmão do mundo, vai , com sua proposição, abalar geral. Propõe o dobro do que tentam fixar os países ricos. Aplausos são o que não faltarão. Tudo isso poderá render votos para Dilma ou para Marina, se a grande seringueira soltar o canto do Uirapuru.

 

Shakespeare na Dinamarca

A retórica ambiental radical de Minc atrai Lula para o palco internacional onde pode ser grande lider, capaz de levá-lo à presidência da ONU, enquanto as resistências políticas explodiriam no Congresso por parte das forças cujos interesses estariam contrariados pela ousadia ambiental carlosminquiana, politicamente, inrteressante ao titular do Planalto , no cenário do reinado shakespeareano da Dinamarca
A retórica ambiental radical de Minc atrai Lula para o palco internacional onde pode ser grande lider, capaz de levá-lo à presidência da ONU, enquanto as resistências políticas explodiriam no Congresso por parte das forças cujos interesses estariam contrariados pela ousadia ambiental carlosminquiana, politicamente, inrteressante ao titular do Planalto , no cenário do reinado shakespeareano da Dinamarca

Celso Minc, ministro do Meio Ambiente, joga no ataque. Sabe que o meio ambiente entrou na campanha eleitoral. Pode faturar o governo do Rio de Janeiro ou o senado federal. Provoca náuseas no agronegócio. A presidente da Confederação Nacional da Agricultura(CNA), senador Kátia Abreu(DEM-TO), considera, em artigo no Estado de São Paulo, nessa segunda,  maluquice a proposta de Minc , que pode emplacar em Copenhague. Ao mesmo tempo faz uma profissão de fé nas anistias aos agricultores como forma recorrente de o Estado conceder perdão a uma categoria social responsável por produzir alimentos e riqueza exportadora para o país. A ética do perdão à degradação ambiental em nome da produção de alimentos parece, no entanto, estar atingindo seus limites. A redução da emissão de CO2 em 40% e em 80% o desmatamento da floresta amazônica repreentaria freio ao avanço da exploração econômica do agronegócio na fronteira agrícola.

O agronegócio teria que intensificar a produtividade para manter sua lucratividade em área constante, menor, nos próximos anos. Acabaria a velha história da desvatação da natureza como carro-chefe da taxa de lucro do agricultor e do pecuarista. Os conceitos de produtividade deles teriam que mudar , conferindo ao capitalismo no campo  nova contabilidade de custos, produtividade e racionalidade, para sustentar o aumento da produção com margem de lucro adequada. Ou seja, investimentos maciços em tecnologia. Os limites territoriais não seriam mais vistos como durante a epópeia lançada por JK, para ampliar as fronteiras nacionais e abrir espaço à construção do mercado interno, com maior oferta de alimentos, evitando pressão inflacionária. 

Nesse sábado, o titular do Planalto e a ministra Dilma Rousseff, que vai representar o Brasil na conferência internacional – para não perder espaço para Marina, que estará lá como estrela de primeira grandeza entre os ambientalistas globais –  baterão o martelo na proposta brasileira. Está em jogo a campanha eleitoral em que o meio ambiente se transforma em motivo de mobilização popular. Afinal, os grandes centros urbanos estão cada vez mais sensíveis aos desastres ambientais, apresentados, diariamente, em escala crescente, pela Michele Loretto, no Bom Dia Brasil, com riqueza de detalhes. As discussões em Copenhague ganharão as manchetes e as consciências gerais. Se a proposta brasileira for chinfrim, Marina fatura. Se for ousada, Dilma ganha um tremendo fluxo de ar nos pulmões.

 

Serra consolida candidatura

Serra antecipou-se a Aécio relativamente a Copenhague, ganhando espaço ao sancionar lei do meio ambiente que rivalirza com a proposta do Planalto, consolidando ação proativa que favorece sua justa ambição de chegar à presidência da República em 2010, conferindo proposta ambiental compatível com o desenvolvimento paulista acelerado na linha lulista. Joga com Dilma , fazendo aparência de oposição
Serra antecipou-se a Aécio relativamente a Copenhague, ganhando espaço ao sancionar lei do meio ambiente que rivalirza com a proposta do Planalto, consolidando ação proativa que favorece sua justa ambição de chegar à presidência da República em 2010, conferindo proposta ambiental compatível com o desenvolvimento paulista acelerado na linha lulista. Joga com Dilma , fazendo aparência de oposição

O governador José Serra, de São Paulo, não deixou passar batido, como aconteceu com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves.  O titular do Bandeiras saiu, igualmente, com a proposta, considerada pela sua equipe de meio ambiente ousada, enquanto Aécio Neves ficou na estação, depois de perder o trem. Serra joga no ataque, posicionando sobre o assunto, para o eleitorado paulista, sensível à questão ambiental. Vira exemplo para os demais governadores. Considera que sua proposta de redução de 20% das emissões de CO2 diz respeito a termos absolutos, enquanto a do ministro Carlos Minc corresponderia, apenas, a termos relativos, pois compreende, essencialmente, a uma desaceleração. Haveria diferença de qualidade entre uma desaceleração de emissão de 40% e uma redução absoluta de 20%. Comparativamente, o absoluto representaria maior significado prático que o relativo.

Lula, indisposto a discutir tecnicamente o assunto, como é do gosto do economista e matemático José Serra, que deseja politizar as proporções numéricas das propostas paulista, de um lado, e federal, de outro, joga o resultado final, não na matemática, mas na política. Inicialmente, o titular do Planalto fez gesto de compreensão em favor das pretensões do agronegócio. Recebeu cacetadas de Marina por todos os lados. Na ONU, posicionou-se, timidamente. Se salvou, na ocasião, porque o tema predominante não foi o meio ambiente, mas o golpe jurídico-militar em Honduras, dado por Michelleti e comandos do exército, destituindo Zelaya.

Resistiu o titular do Planalto, nos últimos dias, a uma meta numérica. Nem 20%, nem 30% , nem 40%. Destacou que esperará uma posição internacional, porque seria melhor uma negociação e a obtenção de um consenso. Não gostaria de ser percebido como alguém que está querendo impor uma meta para os outros. A luta política em torno de um consenso seria o resultado razoável e refletiria, consequentemente, as correlações de forças adequadas, unindo todos. Mas, a ministra Dilma Rousseff, em São Paulo, nessa segunda, no mesmo dia e hora em que José Serra sancionava em lei sua proposta ambiental, fazendo barulho, resolveu deixar de fazer segredo em torno do número do governo. Serão, disse, os 40%, podendo variar para mais, ou seja, 42%, ou para menos, 38%, tipo metas inflacionárias do BC, com intervalo para menos e para mais. Evitou que Marina Silva fizesse novas pressões. Segue, portanto, para Copenhague de bola cheia.

 

Jogo de cena necessário

Coutinho fixa investimentos compatível com crescimento econômico acelerado que compatibilizaria o presidente Lula mais com os interesses dos produtores e industriais do que com os dos ambientalistas, em meio a tentativa de conciliação de posições das classes antagônicas em Copenhague
Coutinho fixa investimentos compatível com crescimento econômico acelerado que compatibilizaria o presidente Lula mais com os interesses dos produtores e industriais do que com os dos ambientalistas, em meio a tentativa de conciliação de posições das classes antagônicas em Copenhague

Poderá rolar, também, jogo de cena, necessário, para formar as aparências, porque a essência do modelo de desenvolvimento econômico , poupador de mão de obra, concentrador de renda e ambienalmente incorreto, por ser, intrinsecamente, agressivo à natureza, implicará convivência contraditória do governo com os produtores e industriais, poderosos, no Congresso. A compatibilidade entre a proposta ambiental ousada e os interesses econômicos que ela contrariria, para sustentar crescimento variável de 6% a 8% do PIB, ao ano, representará avanços e recuos , isto é, uma gangorra permanente na relação das categorias sociais em confronto. O jogo radical de Carlos Minc é incompatível com crescimento acelerado destruidor da natureza que a estratégia de desenvolvimento em marcha, em ano eleitoral, prenuncia. Lula destaca que pisará no acelerador, de acordo com as projeções de investimentos, especialmente, da Petrobrás, na camada do pré-sal, e do BNDES.

Luciano Coutinho, presidente do BNDES, anuncia que terá mais R$ 100 bilhões para novos investimentos. Sob pressão do Banco Central, que teme pressão do consumo sobre a capacidade instalada, suscitando alta de preços, que levaria ao aumento dos juros, o BNDES quer emprestar ao máximo para as indústrias. Tal ação sinaliza elevação da oferta que afastaria suposta pressão de demanda a justificar aumento da selic pelo BC. Os grandes investimentos, ampliados pelo BNDES, estariam sendo compatíveis com o crescimento da produção e do consumo, configurando avanço de 6% a 8% do PIB. Tal expansão econômica corresponderia ao avanço do agronegócio sobre os espaços territoriais na fronteira agrícola, tensionando a relação do governo com os ambientalistas.

O Planalto vai preferir essa tensão com os ambientalistas do que com os eleitores, que, desempregados, por falta de investimentos na produção e no consumo, votariam na oposição, enforcando, eleitoralmente, Dilma Rousseff. Da mesma forma, as tensões com os ambientalistas poderão aumentar relativamente ao avanço da exploração de petróleo no mar, afetando o meio ambiente, em ritmo de crescimento econômico acelerado em ano eleitoral. Estão previstos investimentos de 100 bilhões de dólares em atividades exploratórias, isto é, atentados ao meio ambiente. Toda a cadeia produtiva do petróleo será ativada, gerando aumento da renda interna e, consequentemente, do consumo, em escala que coloca em marcha constante agressão à  natureza, incompatível com a sustentabilidade ambiental.

 

Tensões congressuais

A bela senadora e lider do agronegócio no Brasil, como presidente da CNA, posiciona-se pelo perdão permanente aos seus pares pelas áreas degradadas em nome da expansão da fronteira econômica e considera ousada demais a proposta de Lula-Minc, que, no entanto, compatibiliza-se com a defesa katiana de um PIB na casa dos 6% a 8%
A bela senadora e lider do agronegócio no Brasil, como presidente da CNA, posiciona-se pelo perdão permanente aos seus pares pelas áreas degradadas em nome da expansão da fronteira econômica e considera ousada demais a proposta de Lula-Minc, que, no entanto, compatibiliza-se com a defesa katiana de um PIB na casa dos 6% a 8%

No Congresso, evidentemente, ganhará espaço o discurso do desenvolvimento dos ruralistas e dos industriais que pregarão taxa de juro mais baixa, para alavancar os investimentos, quanto mais o governo precisar elevar a oferta de títulos públicos, na escala necessária capaz de bancar aceleração desenvolvimentista anti-ambiental. O boom de investimentos estará, certamente, relacionado, às expectativas abertas pelos eventos desenvolvimentistas da Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas de 2016. Ambos elevarão a demanda efetiva global da economia brasileira, que, já, no estado de devastação financeira do dólar, nas esconomias americanas e européias, responsável pelo empoçamento geral do crédito no sistema financeiro falido, atrai ao Brasil grandes investidores internacionais em infra-estrutura.

As tensões cambiais, nesse período , estarão a mil, porque os dólares que não estão rendendo nada na taxa de juros negativa vigente nos países outrora ricos do G-7 tenderão a se deslocarem para a praça sul-americana, onde os investimentos previstos em infra-estrutura garantirão maior retorno do que as aplicações financeiras, especialmente, se forem cumpridas promessas de analistas de que vem aí mais estouros de bolhas financeiras. O dólar em desvalorização busca  encarnar-se em ativos reais nos países emergentes.

Enfim, trata de pressão monetária e cambial que poderá levar o governo brasileiro a permitir abertura de contas em dólar, internacionalizando a base monetária, cujas consequências poderão ser redução drástica da taxa de juros. Como o juro em dólar está negativo, quem vai tomar reais emprestados a juros altos? Talvez, por isso, o esperto ex-presidente do Banco Central, Armínio Fragas, esteja cantando a bola de que o juro vai ter que cair. Estaria se candidato a retornar ao cargo num eventual governo oposicionista, ou poderia ser, também, em governo governista de Dilma, já que tal previsão soa bem aos ouvidos de Dilma e de Lula? O perigo, evidentemente, como alerta o deputado Paulo Maluf, PPS-SP, é, em outro momento, o dólar e os juros subirem, deixando micos e quebradeiras para todo o lado. A economia capitalista, como destaca o empresário Lourival Dantas, é doida demais. Todo cuidado é pouco.

 

 

 

 

 

Grosseria inconsciente do falso elitismo

O filho de dona Canô sente mal diante dos toscos, dos analfabetos, do ser outro em si  mesmo, que revela o incômodo sartreano de que o inferno são os outros que precisam ser extirpados
O filho de dona Canô sente mal diante dos toscos, dos analfabetos, do ser outro em si mesmo, que revela o incômodo sartreano de que o inferno são os outros que precisam ser extirpados

Caetano Veloso, artista espetacular, projetou, freudianamente, sua essência – a grossura – sobre Lula , querendo colar ela nele, chamando o titular do Planalto de grosso, analfabeto, desmedido etc. Exagerou. Revelou consideração e ojeriza, amor e ódio pelo presidente, pois realçou o que considera o bem e o mal, inclusive, contrariou a insistência do repórter do Estadão sobre posições do artista, na tentativa buscar identificá-lo com os pregadores do estado mínimo, quando revelou horror a Margareth Thatcher e a Ronald Reagan, os conquistadores do Muro de Berlim, agora sob os escombros do capitalismo mergulhado em grande crise global. Qual a nova estética que essa pulsante derrocada capitalista, que fracassou em dar nova ordem sobre o socialismo soviético fracassado, abre ao espírito do poeta da tropicália? Não se soube. 

Freud saberia explicar a malaise que tomou conta do poeta da tropicália em cuidar da aparência para desviar da essência que revela o si mesmo, incômodo pulsante e latente
Freud saberia explicar a malaise que tomou conta do poeta da tropicália em cuidar da aparência para desviar da essência que revela o si mesmo, incômodo pulsante e latente

Preocupado em desopilar seu fígado em cima do presidente, perdeu a nobreza espiritual , para ler a confusão reinante. Situou-se como um ET, no exterior da realidade, algo a-histórico, fora do  lastro histórico social. Abstrato. Essência? Chato. Não teceu avaliações de conteúdo quanto à grossura presidencial. Ficou na aparência preguiçosa do incômodo produzido pela sonoridade do tom de voz – desafinado? – , solto, extrovertido, exagerado, do metalúrgico, que se tornou chefe de Estado em país da periferia capitalista sul-americana, historicamente, dependente da poupança externa, que a massacra. Marx destaca que a dívida externa é instrumento de dominação internacional. Com a dívida vem o ponto de vista e a cultura do emprestador de dinheiro, do comprador das artes, na prática do mecenato.

  

Incômodos sul-americanos

   

 

 

 

 

 

 

 

A estética nacionalista repugna os estômagos formados pelo liberalismo cínico que busca confundir igualdade jurídica com injuustiça social para criar a realidade invertida das consciências adulteradas
A estética nacionalista repugna os estômagos formados pelo liberalismo cínico que busca confundir igualdade jurídica com injuustiça social para criar a realidade invertida das consciências adulteradas

Quem, na periferia, tentar desarticular essa dominação, como foram e são os casos dos governantes de visão nacionalista, Getúlio, Peron, Cardenas, Evo Morales, Chavez, Lula, Cristina, Rafael Correa, Fidel, Alvarado etc, são taxados pelos beneficiários do mecenato de toscos, esteticamente, repugnantes. Um coleguinha, que acompanhou Lula, em Londres, durante seu primeiro mandato(2003-2006), se disse envergonhado diante da extroversão lulista, chamando os comandantes de estados europeus e americanos como camaradas de bate-papo, em coletiva. “Falei, ontem, com o Blair”. “Pedi ao Bush”. “Comuniquei à Merkel”. “Conversei com o Sarkozy”. “Liguei pru Putin” etc. A intimidade expositiva do presidente na relação com os seus pares do primeiro mundo, sendo ele de terceiro mundo, cobriu de vergonha o ouvinte. Ego presidencial exacerbado? Sede de aparecer? Auto-afirmação além da conta?  Lula, na avaliação de Caetanto Veloso, não guarda seu lugar, invade os espaços, exacerba. Precisa ser chamada sua atenção pelos bons modos,  como diziam os senhores de escravos para aqueles pretos que não queriam obedecer as ordens sob coleiras no pescoço, ansiando pelo mundo de Zumbi dos Palmares. Fala pelos cotovelos. Incomoda , principalmente, os bons costumes adquiridos pela educação sofisticada da importação colonial, paga a juro alto, para esconder, por trás da farsa, sua própria brutalidade histórica. A verdade, como disse Trotski, é que os intelectuais, facilmente, comprados pelo dinheiro, não construiram, historicamente , na periferia do capitalismo, uma orientação honesta, capaz de constituir partidos políticos com os quais o pensamento evolucionista, libertador, revolucionário, se organizaria, mesclando e evoluindo no antagonismo de classe.

  

Nacionalistas analfabetos, toscos

   

 

 

 

 

 

 

 

Pensar sul-americana é expressar um primitivismo que repugna a sofisticação estética do capital que precisa dos seus porta-vozes para desacretidar e destruir a auto-estima da periferia capitalista, taxando-a de demodé
Pensar sul-americana é expressar um primitivismo que repugna a sofisticação estética do capital que precisa dos seus porta-vozes para desacretidar e destruir a auto-estima da periferia capitalista, taxando-a de demodé

A cooptação ideológica, principalmente, praticada  pelo liberalismo inglês, criador do espírito da propriedade privada, que estabelece a correlação segundo a qual a igualdade jurídica corresponde à desigualdade social, na tentativa de inverter a realidade, acaba fazendo a cabeça de pensadores e artistas honestos, convertendo-os em agentes sofisticados da cultura e dos modos importados. Cria-se, destaca Trotski, um gap entre o ideal e o real, para além do antagonismo de classe, deixando espaço para a emergência de lideranças extrovertidas, populares, populistas, que se lançam no vácuo das misérias políticas periféricas, subordinadas ao capital. O peronismo, o varguismo, como lembra Beto Almeida, é isso, a expressão da ausência dos partidos de esquerda, porque , na sua ânsia do ideal, condenam o real-nacional, como foi o caso do Partido Comunista Brasileiro, relativamente, a Getúlio. Essa impotência dos falsos intelectuais e artistas, decorrente da sua inadaptação ao nacional por ser internacional, na formação orgânico-dialética, subordina-os aos conceitos estéticos determinados pelo próprio capital, na evolução do seu processo de sobreacumulação,  ditando comportamentos, cujos resultados são lucros. Trata-se de organizar a divisão social combinada com o interesse da reprodução sobreacumulativa do capital, principalmente, no campo da cultura. Como a indústria cultural é transnacional, a visão nacional , reprodutora da cultura popular, incomoda as determinações do processo lucrativo cultural. As mentes mentem.  As rádios, as tevês, os comentaristas, todos precisam sintonizar-se com a estética dominante. No Governo Perón, transbordou-se a cultura popular; no de Getúlio, que tinha muita admiração pelo líder argentino, idém; os artistas iam ao Palácio. Gegê saia do serviço para ouvir Linda Batista nos cassinos. O que diziam os bens pensantes, os fernandos henriques cardosos, os caetanos velosos, a esquerda chic, sobre Gegê? Lacaio de Washington. O cara estava sendo bombardeado pelos jornais americanos, que orientam a linha editorial dos jornais sul-americanos da grande mídia, e a esquerda o considerava atrasado, ligado às raízes populares, abrindo espaço para o artista nacional.Vargas queria fazer da Rádio Nacional uma emissora internacional, com reprodução dos seus programas em todas as linguas. Queria internacionalizar o analfabetismo, os Lulas brasileiros com seus talentos. Chegou a ampliar pilotos em países do leste europeu. Almejava o que a tevê Globo está fazendo, isto é, ambientando o cenário internacional às suas novelas com conteúdo nacional, mas , diferentemente,  do que antevia Vargas, subordinado aos padrões estéticos de roliúde, como dizia Glauber Rocha. O grammy que Caetano Veloso ganhou é uma disseminação cultural multinacional global americana. Getúlio Vargas estava de olho nessas potencialidades culturais brasileiras, sabendo que a dominação cultural acompanha o desenvolvimento do capital. Queria, portanto, sob nacionalismo, globalizar a cultura brasileira. Afinal, não foi isso que Tio Sam fez com o cinema durante o século 20, ampliando o American way of life? O poder de roliúde não deixou  prosperar o sonho cultural nacionalista-getulista. Do mesmo jeito, Perón já prenunciava um esquema de comunicação sul-americano; em 1955, na conferência de Bandung, na Indonésia, pregou a TERCERA POSICION, equidistância, tanto do capitalismo como do comunismo, ficando longe da guerra fria, para pregar a construção do sul-americanismo.

  

Desintegrar para dominar 

  

 

 

 

 

 

 

 

A estética nacionalista precisa ser destruída pela orientação da estética construída pelo capital que busca o lucro e o consumismo para homogeneizar consciências destituídas de energia auto-confiante, evolucionista
A estética nacionalista precisa ser destruída pela orientação da estética construída pelo capital que busca o lucro e o consumismo para homogeneizar consciências destituídas de energia auto-confiante, evolucionista

A TELESUR, criada pelo presidente Hugo Chavez, da Venezuela, visa a universalização sul-americana da pregação peronista.  A cidade do cinema em Caracas, conforme relatou reportagem do caderno cultural do Valor Econômico, movimenta os artistas de toda a América do Sul. Energia cultural sul-americana em efervecencia total.  Busca-se a construção da estética artistico-ideológica continental, para além dos estúdios de roliúde, das informações da CNN, da pasteurização ideológico-consumista-grammymista, que amaciam o pensamento dos artistas desejosos de que sobre si se eternize o spotlight narcísico, individualista, elitista. Essa vertende do padrão cultural em desenvolvimento, que acompanha a mudança dos ventos políticos na América Latina, levanta a implicância dos conservadores, cuja ojeriza pelo nacionalismo cultural-econômico-político-social reproduz o padrão de desenvolvimento econômico dependente de poupança externa. FHC aprofundou os estudos sobre a raiz da dependencia da América Latina, mas se rendeu a essa dependência, arriando seu pensamento às determinações do capital para o comportamento das elites, subordinada a ele, no plano cultural, político, econômico e social. Henfil , certa vez, disse que deixou de confiar em FHC porque durante as campanhas pelas diretas já em 1984 o sociólogo marxista se recusava a pisar com seu sapato lustrado no barro das ruas das periferias para levar o recado da democracia. Elitista, falso democrata, FHC, identificador das raízes da dependência, desenvolveu ojeriza total aos politicamente resistentes à dependência, como são os casos de Lula, Peron. Veste, agora, uma toga udenista lacerdista, como destaca o sociólogo Emir Sader.  Caetano Velosso vai nessa linha, no plano político, sentido mal estar na extroversão política de um herdeiro da escravatura, feito metalúrgico, no regime do trabalho assalariado, feito presidente. Nem Caetano nem FHC se mostram à altura da sua inteligência para evoluir do plano da aparência, em relação a Lula, para o plano da essência.

  

Aparência e essência

  

 

 

 

 

 

A estética do capital é o poder da moeda do rico sobre o pobre para estabelecer a verdade ditada de fora para dentro pelo capital cuja lógica é a sobreacumulação e subsersão cultural total
A estética do capital é o poder da moeda do rico sobre o pobre para estabelecer a verdade ditada de fora para dentro pelo capital cuja lógica é a sobreacumulação e subsersão cultural total

Aparentemente, Lula é isso aí: tosco, analfabeto, repugnante, como , igualmente, tosco, repugnante é Hugo Chavez, esse crioulo cafuzo beiçudo, cabelo enrolado, como destacou, outro dia, um colunista da Veja etc. Estridentes, falam demais. Essencialmente, no entanto, Lula como Chavez tentam, a duras penas, reverter uma situação histórica brutal para os povos da periferia capitalista. Principalmente, a partir do final do século 19, os capitalistas europeus decidiram intensificar a exploração sobre as colônias, para que pudessem distribuir melhor a renda entre os trabalhadores europeus que estavam adquirindo forte consciência política. Durante todo o século 20, o Brasil foi fornecedor de mais valia para o trabalhador americano , enviando matérias primas baratas, revertidas em produtos manufaturados, vendidos ao câmbio favorecido, na periferia. Keynes, em Bretton Woods, em 1944, disse ao repórter do Jornal do Brasil e economista do Banco do Brasil, Santiago Fernandes, que a periferia era explorada pelo capitalismo cêntrico por intermédio do câmbio… e das artes, da cultura. A moeda do país rico cobra senhoriagem sobre a do país pobre. Resistir a essa tendência imposta pelo capital, ao longo de todo o século  20, por parte de governos nacionalistas, mereceu o mais eficaz dos remédios, a compra da consciência dos intelectuais , que operam na grande mídia, para desmerecer a posição da resistência nacionalista, inviabilizando a sua materialização por intermédio de partidos fortes e correntes artísticas fortes e determinadas. O vácuo é isso aí, os populistas, identificados com a massa, perigo para a elite que considera tal identificação analfabetismo congênito. A arma dos sofisticados é a tentativa perene de desacreditar do próprio potencial nacional, colocando em cena mitologias estéticas importadas. Acaba-se com o mito do Saci, para que predomine o do halloween. De que modo? Dizendo, por exemplo, que o Saci fede, porque vive no mato etc. Como o padrão roliudiano é o da limpeza aparente para esconder a essência suja da economia de guerra que sustenta o capitalismo, o padrão lulista , analfabeto, tosco, sujo, anti-estético é politicamente incorreto. Substantivamente, Lula e Chavez revertem, com suas políticas nacionalistas, anti-estéticas, perante o pensamento neoliberal, que prega a lipoaspiração total do Estado, a condição subordinativa da periferia. Causam horror quando resolvem marchar como representante de categoria social historicamente excluída do padrão elitista de desenvolvimento, bancado pela dívida externa. Permitem com seu nacionalismo que os excluídos consumam. O capitalismo depende do consumo, mas, na periferia, contraditoriamente, o aumento do consumo das massas, que fortalece o mercado interno, energiza a moeda nacional, diminui a inflação e infla a auto-estima popular, incomoda as elites. O aumento do poder de compra, pela opção governamental em favor da valorização dos salários, eleva a demanda da indústria dos ricos, mas contraria os bem pensantes. Chegam à mesa deles outros modos, outra estética, rústica, de um pessoal analfabeto, que não sabe falar, que não se enxerga…. O baiano, filho de dona Canô, se sente mal…. Solta o inconsciente, grosso, se traindo, conferindo a verdade de Freud de que as palavras servem para esconder o pensamento. 

 

  

 

 

     

Dólar elege oposição no sul e sudeste

A desvalorização da moeda americana por conta da política monetária do governo Lula coloca a governadora do Rio Grande do Sul no páreo da sucessão gaúcha com chances de vitória, porque seus oponentes, os governistas coaligados no plano federal, são obrigados a apoiar, nesse momento, seus argumentos, contrários ao dólar barato que empobre o Rio Grande do Sul
A desvalorização da moeda americana por conta da política monetária do governo Lula coloca a governadora do Rio Grande do Sul no páreo da sucessão gaúcha com chances de vitória, porque seus oponentes, os governistas coaligados no plano federal, são obrigados a apoiar, nesse momento, seus argumentos, contrários ao dólar barato que empobre o Rio Grande do Sul

Não está afastada a possibilidade de a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius(PSDB), disputar e reeleger-se, em 2010, embora tenha se desgastado pelas denúncias de corrupção no seu governo, caso o dólar continue se desvalorizando e jogando a indústria exportadora gaúcha no chão, detonando desemprego, queda de arrecadação, investimentos etc. Estado, fortemente, exportador, o Rio Grande do Sul padece com a sobrevalorização do real. Ela torna os empresários incompetitivos. Num primeiro momento, eles buscam compensação fiscal, tanto junto ao governo estadual como federal. Redobram suas forças e seus gritos em favor de créditos tributários, que o governo enrola para devolver, porque contingencia os recursos, a fim de pagar juros da dívida pública interna. Somente, no ano passado, quando estourou a grande crise, a conta de juros alcançou R$ 280 bilhões. Num segundo instante, se a ajuda fiscal e monetária oficial for insuficiente, os empresários partem para o horror, ou seja, demitir trabalhadores, o pior dos mundos, algo que , nesse momento, por causa da crise, devasta o cenário político nos Estados Unidos e Europa. Nesse contexto, o discurso da governadora, de combate ao dólar barato, já começa a despertar a atenção dos eleitores e a preocupar os governistas. O PMDB, com o prefeito José Fogaça, que tentaria desbancar Yeda, em face do dólar barato, que desestrutura a economia do Rio Grande do Sul, fica obrigado a sintonizar com o discurso da governadora, no plano que interessa, ou seja, o econômico. Da mesma forma, ocorre com o PT.

Se o governo não colocar uma quarentena no dólar, a economia dos estados exportadores será prejudicada, com consequências eleitorais, ressalta Pepe Vargas, especialista do PT em Previdência Social, empenhado em destacar para os aposentados que a proposta do governo é boa para eles, embora estejam vaiando.
Se o governo não colocar uma quarentena no dólar, a economia dos estados exportadores será prejudicada, com consequências eleitorais, ressalta Pepe Vargas, especialista do PT em Previdência Social, empenhado em destacar para os aposentados que a proposta do governo é boa para eles, embora estejam vaiando.

Tarso Genro, ministro da Justiça, que está  mais no sul do que no planalto central, nesses dias em que intensifica campanha, para ser escolhido candidato do PT ao governo estadual, teme o dólar barato. No RGS, tanto oposição e governo centram suas forças contra a desvalorização da moeda americana, que ameaça a todos. Como têm parceria forte com a Argentina, e o governo de Cristina Kirchner adota protecionismo contra o real valorizado, os gaúchos arrancam os cabelos e pressionam o Congresso e o Palácio do Planalto. Fundamentalmente, o dólar mina, politicamente, a aliança PT-PMDB. Tal possibilidade se estende , igualmente, com todas as suas semelhanças e pequenas variações, nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, os maiores críticos do Mercosul. Quase dois terços do superavit comercial brasileiro estavam sendo realizados nos países integrantes do Mercado Comum do Sul que o dólar em desvalorização ajuda a evaporar.  Nesse espaço geográfico, está o poder industrial brasileiro. As relações capital-trabalho se acirram quando o dólar começa a desempregar gente nas indústrias e a impor prejuízo aos exportadores de grãos, que se deslocam de Goiás para Mato Grosso do Sul, a fim de desembarcarem suas mercadorias nos portos sulinos. Se o governo gaúcho tucano, que é oposição ao governo federal, desembainha a faca para tentar furar o dólar, não apenas os oposicionistas estaduais e governistas nacionais do Rio Grande do Sul perfilam nesse sentido. Da mesma forma, acontece com as correlações de forças políticas em Santa Catarina, Paraná e São Paulo, onde o discurso do governo de manter a atual política monetária faz estragos em escalada crescente, desestabilizando empresas, temerosas de continuarem investindo , se o retorno sobre o capital aplicado, no jogo do dólar desvalorizado, não acontece, satisfatoriamente.

José Fogaça, PMDB, e Tarso Genro , PT, embora sejam adversários, no plano estadual, são obrigados a se renderem ao discurso econômico de Yeda, que clama aos céus contra o dólar barato, que destroi as exportações gaúchas, especialmente, para o Mercosul, onde o protecionismo da presidente Cristina Kirchner campeia solto, dando prioridade aos produtos chineses do que aos brasileiros
José Fogaça, PMDB, e Tarso Genro , PT, embora sejam adversários, no plano estadual, são obrigados a se renderem ao discurso econômico de Yeda, que clama aos céus contra o dólar barato, que destroi as exportações gaúchas, especialmente, para o Mercosul, onde o protecionismo da presidente Cristina Kirchner campeia solto, dando prioridade aos produtos chineses do que aos brasileiros

Acaba, nos estados do sul e do sudeste, aquilo de que o capitalismo mais precisa, isto é, do espírito animal do empresário. Se ele não vê, na sua frente,  o que disse Keynes, ou seja, “a eficiência marginal do capital”, o lucro, desanima, vai para casa, desativa a produção, vai viver de juros. Opta pela liquidez do seu capital, em vez de arriscá-lo em ativ idades de baixo retorno.O presidente da Confederação Nacional da Indústria(CNI), deputado Armando Monteiro Neto(PTB-PE), está sob intensa pressão das federações das indústrias de SP, PR, SC e RS. O governo federal trabalha para mudar o câmbio, rapidamente, pois, no calor da campanha eleitoral, se as coisas continuarem como estão evoluindo, a sorte dos petistas e peemedebistas nos estados mais ricos da federação será caixão e vela preta. Os petistas se desesperam. O deputato Pepe Vargas(PT-RS) entende que se torna urgente adotar o cercadinho sobre o dólar, a chamda quarentena, segurar a saída da moeda americana, evitando especulação do entra e sai, a fim de faturar no juro alto pago pelo Banco Central, enquanto os bancos centrais americanos e europeus adotam o juro zero ou negativo. Os empresários americanos tomam dólar a custo negativo e aplicam no Brasil a 8,75%, menos 4% de inflação, lucro real de 4%, negoção. Esse é o jogo internacional dos investidores, já que a produção européia e americana estão paradas pela combinação de opção pela poupança por parte da população, excessivamente, endividada, com quebradeira financeira dos bancos. Da mesma forma agem os chineses, entupidos de dólar, que entram na América do Sul arrsando quarteirão, inviabilizando a integração econômica sul-americana.

 

 

Agenda social abalada

 

 

A força de trabalho inativa vai atrás do seu valor que considera ser os R$ 130 bilhões que o governo considera elevado para pagá-los, enquanto eles argumentam que esse dinheiro é deles e vai se transformar em consumo que fortalece o mercado interno e aumenta a arrecadação de impostos, com os quais o governo realimenta os investimentos sociais etc. Ou seja, para os trabalhadores, o gasto não seria custo, seria renda, para sustentar o discurso desenvolvimentista lulista
A força de trabalho inativa vai atrás do seu valor que considera ser os R$ 130 bilhões que o governo considera elevado para pagá-los, enquanto eles argumentam que esse dinheiro é deles e vai se transformar em consumo que fortalece o mercado interno e aumenta a arrecadação de impostos, com os quais o governo realimenta os investimentos sociais etc. Ou seja, para os trabalhadores, o gasto não seria custo, seria renda, para sustentar o discurso desenvolvimentista lulista

A agenda econômica mistura, dialeticamente, com a agenda social. Se o dólar barato eleva a dívida pública interna – pois a moeda americana precisa ser trocada pelo real quando entra, cujas consequencias são as de o governo emitir para enxugar a base monetária, a fim de evitar enchente inflacionária – e pressiona para cima os juros, que encarecem, por sua vez, a dívida, falta, evidentemente, recursos para o governo executar sua política social. Entre estas, está a de reajustar os salários dos aposentados, que, durante a Nova República, foram sucateados pelo neoliberalismo do Consenso de Washignton, para fazer superavit primário , indispensável ao pagamento dos juros, prioridade número um da política econômica. Não está tendo dinheiro para dar aos aposentados. Estes, consequentemente, ameaçam ir para a oposição. São 25 milhões de trabalhadores inativos. Durante a Era Lula, de 2003 a 2006, diz o governo, 17 milhões desse total tiveram reajuste real , acima do salário mínimo, de 63%. Os que ganham mais de um mínimo, 8 milhões, que tiveram reposição pela inflação, durante o período, na sequência do que começou a fazer o governo FHC, querem, agora, o benefício que obtiveram os que percebem, apenas, o mínimo. Mas, o governo diz que não tem como dar eses 63%. Impasse.

Vigorosamente vaiado pelos aposentados, das galerias do plenário da Cãmara, o deputado Cândido Vaccarezza, líder da bancada, que disputa espaço dentro do partido, com o deputado Henrique Fontana, líder do governo, que contornou as vaias, emergem-se num discurso incompreensível para as massas inativas, porque a essência dele precisa ficar oculta e latente, já que falta dinheiro, porque precisa pagar anualmente aos banqueiros uma conta de juros de R$ 280 bilhões. Tudo é contigenciado para favorecer a bancocracia
Vigorosamente vaiado pelos aposentados, das galerias do plenário da Cãmara, o deputado Cândido Vaccarezza, líder da bancada, que disputa espaço dentro do partido, com o deputado Henrique Fontana, líder do governo, que contornou as vaias, emergem-se num discurso incompreensível para as massas inativas, porque a essência dele precisa ficar oculta e latente, já que falta dinheiro, porque precisa pagar anualmente aos banqueiros uma conta de juros de R$ 280 bilhões. Tudo é contigenciado para favorecer a bancocracia

Haveria um buraco de 6 bilhões por ano, R$ 150 bilhões, no médio prazo, quebradeira, portanto, da Previdência. Os aposentados não deixam por menos: suspendam, destacam, as compras dos aviões que estão sendo negociadas com a França, sob protestos dos Estados Unidos e da Suissa. Sobraria dinheiro, calculam. Utilizem, insistem os aposentados, as reservas cambiais, para pagar, como reivindicam, nesse instante, os agricultores, prejudicados pelo dólar barato. Emitam títulos com lastro no petróleo do pré-sal, artgumentam. Não faltam discurso aos aposentados, que estão sendo enrolados pelas derrogações dos parlamentares em decidirem sobre seus pleitos, cujo maior beneficiado será o senador Paulo Paim(PT-RS). O fecho de galão que os aposentados articulam é o discurso de que com o dinheiro do reajuste ajudarão o governo a aumentar a arrecadação, pois os aposentados irão às compras. O consumo, na crise capitalista atual, em que os investimentos na produção não se realizam, diante das expectativas sombrias da economia sob dólar barato, tornou-se o puxador da demanda global. O mercado interno dinamizou-se, na Era Lula, justamente, porque o consumo, por intermédio dos programas sociais lulistas, realizou a produção capitalista nacional, assegurando os investimentos públicos, favorecidos pelo aumento da arrecadação que os gastos dos salários proporcionam. O dinheiro dos aposentados voltariam, portanto, para os cofres do governo, agitando o mercado interno e garantindo o dinamismo da demanda global.

O deputado Ferando Coruja(PPS-SC) considera a política cambial suícida e os aposentados não podem pagar o pato, sendo necessário que o Planalto garanta para do que vai arrecadar com o petróleo do pré-sal, para garantir a renda dos aposentados, como foi garantida a dos empresários, no auge da crise financeira global. R$ 5 bilhões por ano para os aposentados é perfeitamente pago pelo óleo negro
O deputado Ferando Coruja(PPS-SC) considera a política cambial suícida e os aposentados não podem pagar o pato, sendo necessário que o Planalto garanta para do que vai arrecadar com o petróleo do pré-sal, para garantir a renda dos aposentados, como foi garantida a dos empresários, no auge da crise financeira global. R$ 5 bilhões por ano para os aposentados é perfeitamente pago pelo óleo negro

O discurso dos petistas , na Câmara, ontem, foram de confusão. O líder do partido, deputado Cândido Vacarrezza(PT-SP), recebeu vaiA estrondosa. Explicou mal, do ponto de vista popular. Falou difícil. Já o líder do governo, deputado Henrique Fontana, centrando, desesperadamente, no chamamento ao diálogo, conseguiu sair ileso das vaias. A postura do governo é percebida pelos aposentados como oposta àquela que o governo adotou perante os empresários. Para estes, o governo liberou a política fiscal em nome do desenvolvimento sustentável, da aceleração do consumo, para garantir arrecadação relativa. Teria colhido o desastre, nos ingressos tributários, se não tivesse dado incentivos ao setor produtivo.

Em permanente campanha em favor da concessão do reajuste de 63% reais dado ao salário mínimo, entre 2003 e 2008, para os que ganham acima do mínimo, retroativamente, a 2006, o senador petista Paulo Paim estimula os aposentados às pressões ao máximo , deixando o Planalto em estresse total.
Em permanente campanha em favor da concessão do reajuste de 63% reais dado ao salário mínimo, entre 2003 e 2008, para os que ganham acima do mínimo, retroativamente, a 2006, o senador petista Paulo Paim estimula os aposentados às pressões ao máximo , deixando o Planalto em estresse total.

Já , para os aposentados, as lideranças governistas levantam o discurso de ajuste fiscal, ou seja, o inverso, dois pesos, duas medidas. Entram em grande incoerência política, que os coloca em contradição. As demandas fiscais para o capital, podem; para o trabalho, não. Talvez, por isso, os aposentados e aposentadas estampam em suas camisetas sua ironia: “O Brasil é um pais de QUASE  todos”. O dólar e os aposentados apertam o calcanhar do governo.

FHC e Armínio conspiram contra democracia

Jogador especulativo internacional, ex-presidente do Banco Central, na Era FHC, Armínio prega, subrepticiamente, a ditadura política, para sustentar a liberdade do capital , que detonou o capitalismo e exigiu que o Estado entrasse em cena em nome do interesse público, para sustentar o processo democrático. O jogador tenta fazer valer o inverso da realidade, dando um lance de poquer
Jogador especulativo internacional, ex-presidente do Banco Central, na Era FHC, Armínio prega, subrepticiamente, a ditadura política, para sustentar a liberdade do capital , que detonou o capitalismo e exigiu que o Estado entrasse em cena em nome do interesse público, para sustentar o processo democrático. O jogador tenta fazer valer o inverso da realidade, dando um lance de poquer
O ex-presidente , conhecedor das tecnicas do fetichismo, que levou Marx a perceber as relações invertidas sob capitalismo, em que a igualdade jurídica corresponde à desigualdade social, denuncia autoritarismo lulista que, inversamente, corresponde à sustentação da democracia em face das verdades que FHC-Armínio pregam como puro fetichismo econômico-monetário
O ex-presidente , conhecedor das tecnicas do fetichismo, que levou Marx a perceber as relações invertidas sob capitalismo, em que a igualdade jurídica corresponde à desigualdade social, denuncia autoritarismo lulista que, inversamente, corresponde à sustentação da democracia em face das verdades que FHC-Armínio pregam como puro fetichismo econômico-monetário

O professor Delfim Netto, competente,  explica, no Valor Econômico, como ocorre o casamento e o divórcio, de um lado, e o divórcio e o casamento, de outro, simultaneamente, entre os mercados comercial e financeiro, dependendo das circunstâncias, que, na grande crise em curso, demonstram o que Marx afirmou, que tudo que é sólido desmancha no ar. As teorizações de que  o presidente Lula caminha para o autoritarismo estatizante do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em seu artigo “Para onde vamos?”, e do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fragas, no Governo FHC, em entrevista à repórter Cláudia Safatle, semana passada, também, no Valor, denotam, nesse cenário de incerteza total, completa irrespondabilidade e… inveja. Não demonstram dispor de pensamento dinâmico a partir do desenvolvimento do capital, que vai afetando, discriminadamente, todas as instituições econômicas, políticas e sociais no ambiente global. Trata-se, na prática, de um desmoronamento de edifício, cujas bases não se sustentam. As correlações entre capital e trabalho, sob especulação financeira que os Estados Unidos venderam, enquanto tinham saúde para fabricar dólares sem lastro, a fim de inundar o mundo e cobrar de todos os terráqueos juros sobre tal emissão inflacionária, como se fosse possível manter tal condição ad eaternum, não estão sendo consideradas pelos oposicionistas ao governo Lula, para formulação de suas estratégicas político-partidárias, de modo a tentar voltarem ao poder, se conseguirem derrotar a candidata do presidente Lula, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil.  Praticamente, tudo virou de cabeça para baixo. O que era responsável, transformou-se em irresponsável, e o irresponsável, responsável. A questão do Estado, como colocam FHC e Armínio, à luz da explicação de Delfim, é repeteco de discurso velho. Querem voltar ao útero materno. Freud explica. O que Delfim está ensinando, professoralmente, com base na sua larga experiência na relação com o poder, que lhe conferiu mente politicamente dialética, enquanto FHC jogou a dialética fora, no plano econômico, é que, em relação à política cambial,  quando o “mercado comercial” – de bens e serviços –  se vê impedido de ampliar suas possibilidades pelo “mercado financeiro”, começa a descolar aquele deste porque a sobrevivência das relações de troca se truncam totalmente, embaraçadas pela falta de utilidade da equivalência monetária, no caso, o dólar, que entrou em estresse. Nesse contexto de desagreção, o Estado interventor é democracia e não ditadura.

 

 

Flexibilidade dialética

 

 

O descolamento do mercado comercial do mercado financeiro representa afirmação da realidade sob a ficção que deixa de ser referência segura para as relações de troca, obrigando o governo a intervir no comércio de moedas para evitar que o dólar devaste o comércio internacional antes de implodir tudo como já está prevendo Roubini
O descolamento do mercado comercial do mercado financeiro representa afirmação da realidade sob a ficção que deixa de ser referência segura para as relações de troca, obrigando o governo a intervir no comércio de moedas para evitar que o dólar devaste o comércio internacional antes de implodir tudo como já está prevendo Roubini

A crise em marcha batida rumo a outro estouro de bolha especulativa, como alerta, angustiadamente, o economista Nouriel Roubini, destacando que o juro zero sobre o dólar estimula especulação global contra todas as demais moedas do mundo, criando base para um rebote americano em forma de juro alto, para evitar estouro, demonstra que a pregação de Delfim, de organização da economia pela mão estatal, em parceria com o setor privado, representa o novo pensamento útil, responsável, no desenvolvimento da flexível ideologia máxima do capital, o Utilitarismo. FHC e Armínio, ao contrário, irresponsavelmente, demonstra terem perdido utilidade, ao berrarem contra o que julgam excesso de  intervenção do governo na economia, mas não falam nada que essa solução levou o governo americano a adquirir 34% do maior banco dos Estados Unidos, o Citybank, embora os banquueiros privados continuem, não se sabe até quando, dando as coordenadas privadas, com emissão estatal salvacionista. Se pintar outro estouro, essa mamata acaba.  Sem a intervenção estatal obamista, a democracia americana poderia ter sido abalada, caso o povão corresse, desesperadamente, aos bancos para sacarem suas economias. O estatismo financeiro teria salvo a democracia americana.  Como a continuidade de tais emissões , que estimulam tomada de dólares a custo zero, nos Estados Unidos, para comprar ativos fora – no Brasil, a juro meirellianos de 8,75% –  prenunciam bolhas espetaculares, configurando que as prioridades privadas intrínsecas são defesa do interesse próprio, contrárias, inversamente, ao interesse público, a intervenção dos governos contra as enxurradas de dólares, assim como ocorreram as intervenções estatais, para recompor o crédito, seriam não a construção do estatismo anti-democrático, mas o seu oposto, a luta pela preservação da democracia. Esta poderia, também, no caso brsileiro, ser levada de roldão, se o presidente Lula seguisse o conselho de Armínio Fraga  de afrouxar a interferência estatal, em nome do fortalecimento do setor privado. Jogaria o país na ditadura, visto que o setor privado, sem o concurso estatal, revelou-se impotente em todo o mundo. Armínio, que , quando empregado do mega-especulador  George Soros, se transformou no maior jogador de poquer dolarizado do planeta, inclusive, contribuindo para detonar a Tailândia e a libra esterlina, que ajudou a fechar o Banco da Inglaterra, assim, como FHC, desdenham o utilitarismo capitalista e se mostram, aos olhos do capital, completamente irresponsáveis. São puras desutilidades práticas.

 

 

 

Propaganda socialista

 

 

 

Nas anarquias monetárias, detonadas pela desrealização do capital financeiro especulativo, as oscilações selvagens no valor das moedas produzem  sensação aguda de perda do poder de compra dos salários, predispondo as populações ao radicalismo político, ao mesmo tempo em que avançam generalizadamente as guerras comerciais. Esse , segundo Lenin , que está fazendo, no Brasil, a cabeça do economista Yoshiaki Nakano, é o momento ideal para avanço do pensamento socialista.
Nas anarquias monetárias, detonadas pela desrealização do capital financeiro especulativo, as oscilações selvagens no valor das moedas produzem sensação aguda de perda do poder de compra dos salários, predispondo as populações ao radicalismo político, ao mesmo tempo em que avançam generalizadamente as guerras comerciais. Esse , segundo Lenin , que está fazendo, no Brasil, a cabeça do economista Yoshiaki Nakano, é o momento ideal para avanço do pensamento socialista.

FHC e Armínio destacam que Lula avança para o autoritarismo político porque coloca os fundos de pensão, dominados pela burocracia a serviço de interesses sindicais, como  nova ordem econômica, concluindo dai que o país vai para a ditadura econômica. Não consideram que o interesse público foi deixado de lado pelo interesse privado intrínseco à organização empresarial da Cia Vale do Rio Doce, sob orientação do Bradesco, afeito mais à especulação do que à produção, embora atuando no ambiente público-privado, visto que , dentro da Vale, a participação dos fundos de pensão de empresas estatais é majoritário. Tais sócios, na avaliação de FHC e Armínio, deveriam compatibilizar-se com a orientação do Bradesco, que correu da raia quando o presidente Lula, representante do Estado, dos fundos de pensão, que compõem, majoritariamente, a Vale do Rio Doce, solicitou continuidade dos investimentos. O titular do Planalto adotou a posição do espírito animal empreendedor, ou seja, as energias correspondentes ao mercado comercial de bens e serviços, que geram emprego, renda, consumo, arrecadação tributária, investimentos públicos, aquecimento da demanda global etc. Já o Bradesco, que deveria incorporar tal espirito, vestiu o manto da covardia. Praticou a  verdade pregada por Roberto Campos  de que banqueiro quando vê risco, simplesmente, foge. Covarde, natureza capitalista bancorcrática especulativa. Interferir , para corrigir essa anomalia, em nome do interesse público, pareceu a Armínio Fraga e a Fernando Henrique Cardoso, posição autoritária, anti-democrática, subperonista. Jogaram ambos contra o utilitarismo capitalista, atuando, como farsantes, em defesa do capital. Lula, ao contrário, manteve  produção e consumo em ritmo relativamente satisfatorio em função de decisões de economia política. Resultado: enquanto os investimentos recuam mundo afora, no Brasil estão aumentando. Nos Estados Unidos, a ação de Barack Obama, para salvar o setor privado, via intervenção estatal, corresponde à sustentação do status quo democrático; no Brasil, sob o critério de FHC-Armínio, o oposto, didatura. Bombardear o Estado interventor, esse instrumento político econômico-estatal, criado pelo próprio desenvolvimento capitalista, seria jogar o país na ditadura arminista-fernandohenriquecardosista. Se Obama, nesse momento, seguisse o conselho de FHC-Armínio , levaria os Estados Unidos ao fascismo, acelerando o nível de desemprego. Hitler estourou na Alemanha quanto a taxa de desemprego atingiu 40%. Nos Estados Unidos e na Europa o desemprego caminha para os 30%.

 

 

 

Bomba relógio global

 

 

 

O governo americano estimula emprestimos em dólar a juro zero para que os investidores americanos comprem ativos pelo mundo , formando bolha que configura o perigo que Lenin previu em forma de anarquia monetária que destroi poder de compra da população e democracia, abrindo-se as possibilidades socialistas
O governo americano estimula emprestimos em dólar a juro zero para que os investidores americanos comprem ativos pelo mundo , formando bolha que configura o perigo que Lenin previu em forma de anarquia monetária que destroi poder de compra da população e democracia, abrindo-se as possibilidades socialistas

Um novo estouro de bolha global, ou seja, do dólar em excesso, sobrevalorizando as moedas nacionais pelo mundo afora, tenderá a aprofundar o que Delfim está falando, ou seja, a uma separação, cada vez mais acentuada,  do mercado comercial do mercado financeiro, porque este não reflete o interesse daquele, quando os preços do dólar impõe, em favor dos exportadores americanos, perda acelerada nas relações de troca aos exportadores brasileiros. O custo do saco de soja está em torno de 35 dólares, mas o agricultor só consegue vender a 25. Poderá ver seu produto, no ritmo incontrolável da variação cambial, valer 10 dólares. Paga para trabalhar. As mercadorias, diante da irrealidade do dólar, vai dar seu grito de guerra, talvez em forma da pregação do economista Yoshiaki Nakano, de que a moeda americana detonou guerra comercial global. A commodities já se descolam da moeda americana. Quem vai esperar ela chegar a zero para vender sua mercadoria? Salve-se quem puder. Isso aconteceu com as moedas européias depois da guerra, fato que implodiu, inicialmente, a tentativa de formação da União Européia, como acontece , agora, quando a anarquia decorrente do dólar barato, detona, também, as possibilidades de União Sul-americana. A intervenção estatal dirigista , que se materializa de forma generalizada no mundo, é a inteligência do espírito universal, como diz Hegel, em ação pela preservação da sua sobrevivência. Certamente, tal ebulição mexe com as instituições e o que é sólido, desmanchando no ar, abre expectativas para balanço geral do sistema. A ditadura do capital, que construiu democracia representantiva burguesa, para ser a sua regra e compasso, desde que Napoleão lançou seu famoso código napoleônico, depois da revolução francesa, balança, igualmente, de cima a baixo. No cenário de desorganização, patrocinado pelo próprio movimento de sobreacumulação do capital, emitido, pelos governos, sem lastro, como é a história contemporânea do dólar, somente o governo emissor tem a autoridade de preservar o status quo democrático, intervindo. O Estado é o capital. Armínio e FHC agem ingenuamente. Mecanicitas, lançam mão de discurso cuja utilidade foi a zero na grande crise, enquanto Delfim, explicando sua economia política, que serve de norte ao governo Lula, nesse instante, adota o pensamento dialético, essencialmente, flexível, democrático, evolucionista. A ação estatal, na crise, preserva a democracia e, consequentemente, o capital. A desestatização, ansiada por FHC-Armínio, joga com a ditadura. O que parece ser, a democracia como expressão da liberdade do capital, não é; e o que não é, é, como na analogia feita pela repórter Rosângela Bittar, para analisar a movimentação dos partidos na fase preliminar da campanha eleitoral, sobre suas reais intenções.

FHC, candidato do PSDB contra Dilma

Se Serra e Aécio pisam em ovos para contrapor ao governo Lula, temerosos de que, agindo em oposição ao presidente, venham a perder votos junto ao povo, FHC, livre, diante da indecisão dos dois tucanos, joga para dividi-los, ao mesmo tempo em que vai ao ataque. Se obtiver ressonância, colherá o prestígio que precisaria para disputar com Dilma, afastando os concorrentes dentro do PSDB. Alea jacta est.
Se Serra e Aécio pisam em ovos para contrapor ao governo Lula, temerosos de que, agindo em oposição ao presidente, venham a perder votos junto ao povo, FHC, livre, diante da indecisão dos dois tucanos, joga para dividi-los, ao mesmo tempo em que vai ao ataque. Se obtiver ressonância, colherá o prestígio que precisaria para disputar com Dilma, afastando os concorrentes dentro do PSDB. Alea jacta est.

O ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, exerce, nesse domingo, no artigo, “Para onde vamos?”, o seu jogo predileto, isto é, o sarcasmo e a ironia como arma política, para tentar desbancar o governo Lula, cuja popularidade, por enquanto, não está transferindo prestígio para a candidata que escolheu para substitui-lo, a ministra da Casa Civil , Dilma Rousseff. Fundamentalmente, FHC, com sua inteligência penetrante, trabalha para minar, não apenas Lula e Dilma, mas, principalmente, a situação dentro do seu próprio partido, o PSDB, dividido entre dois candidatos que, simultaneamente, correm para lados diferentes, como a história dos dois burros que se desentendem diante do monte de feno, para se alimentarem e continuarem com forças para trabalhar. De um lado, o governador de São Paulo, José Serra, que se posiciona na frente nas pesquisas, deseja esticar ao máximo a data da escolha do candidato do partido, para lá de março; de outro, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, quer o oposto, ou seja,  a coisa para ontem. Ambos não se entendem e fazem teatro do entendimento. Jogo de contrários. No vácuo, FHC busca fazer o que nenhum dos seus correligionários tenta fazer, ou seja, posicionar como verdadeira oposição. Sem medo de criticar o governo Lula, FHC, no seu artigo, dá uma geral na estratégia administrativa e política da coalizão governamental, construindo raciocínio segundo o qual o país caminha para o autoritarismo político em face do avanço do Estado sobre a economia como antídoto necessário para vencer os obstáculos colocados pela bancarrota financeira global , desencadeada pelos Estados Unidos, que puxaram a Europa e a China para baixo, generalizando recessão mundial.

 

 

Sem medo de ser oposição

 

 

Quanto mais Serra e Aécio se desentenderem, mais FHC jogará areia para aprofundar tal discordia, saltando como alternativa do PSDB para tentar voltar ao Planalto, sem intermediário, para ser seu próprio representante da Era FHC contra a Era Lula. Se venceu Lula duas vezes, por que não poderia derrotar sua candidata, que se mostra tímida nas pesquisas?

Quanto mais Serra e Aécio se desentenderem, mais FHC jogará areia para aprofundar tal discordia, saltando como alternativa do PSDB para tentar voltar ao Planalto, sem intermediário, para ser seu próprio representante da Era FHC contra a Era Lula. Se venceu Lula duas vezes, por que não poderia derrotar sua candidata, que se mostra tímida nas pesquisas?

A ação estatizante, como estratégia anticíclica, que, num primeiro momento, salvou as atividades produtivas, no país, do colapso geral, pode não ter fôlego financeiro suficiente, para muito tempo, trazendo em seu contrapolo o deficit público em escala incontrolável, em  face da conjugação de baixo crescimento, elevado endividamento e queda acelerada de arrecadação. Trata-se de combinação que joga no chão o principal triunfo político, econômico e social  do titular do Planalto: o Programa de Aceleração do Crescimento(PAC). Sem dinheiro, pode sobreviver somente na base do marketing, com as obras andando em ritmo de banho maria, no plano real e acelerada no aspecto virtual. Tudo pode piorar, ainda mais, se  houver maiores estragos, nos próximos meses, provocados pelo dólar barato, que eleva a dívida, a hiperinflação escondida dentro dela e os juros. A política cambial, conduzida pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, atua em favor dos propósitos de FHC, detonando os de Dilma. Ela mina a indústria nacional e bombeia, consequentemente, o desemprego. Transfere poupança nacional para combater o deficit em contas correntes dos Estados Unidos, à custa do empobrecimento da periferia capitalista, quanto mais Tio Sam acelera desvalorização da moeda americana, para favorecer exportadores americanos. Meirelles trabalha, valorizando o real, para Barack Obama, e não para Lula/Dilma.  Ao lado dessa conjuntura, que, como destacou o titular do BC, em reunião com a bancada do PMDB, na quarta, 27, é totalmente incerta, FHC, no compasso do fortalecimento do Estado frente ao setor privado, que entrou em banc arrota, por conta da escassez do crédito internacional, do qual o modelo econômico nacional é dependente, prevê tendência de fortalecimento do autoritarismo político e do rompimento da democracia, na condução dos assuntos internos.

 

 

Meirelles, aliado de Obama

 

 

FHC  se fortalece com a política de Meirelles que desestrutura o setor industrial, eleva o desemprego e destroi exportadores, jogando em favor da estratégia de Obama

 FHC se fortalece com a política de Meirelles que desestrutura o setor industrial, eleva o desemprego e destroi exportadores, jogando em favor da estratégia de Obama

A desvalorização do dólar, graças à política cambial do BC, coloca os exportadores brasileiros para trabalhar para cobrir deficits americanos, enquanto FHC , ao desbancar Aécio e Serra, sai favorecido pela contradição da política econômica de Lula, bombeadora de desemprego

 A desvalorização do dólar, graças à política cambial do BC, coloca os exportadores brasileiros para trabalhar para cobrir deficits americanos, enquanto FHC , ao desbancar Aécio e Serra, sai favorecido pela contradição da política econômica de Lula, bombeadora de desemprego

Lula, segundo FHC, deixa, na crise, de ser democrata, para atuar autocraticamente, construindo sub-peronismo sul-americano. Logo quem, que deu uma de Manuel Zelaya, para introduzir na Constituição brasileira a reeleição, sem que fosse afastado pelos militares sob ordem do Supremo Tribunal Federal, como aconteceu em Honduras. Vale dizer, livre, leve e solto, FHC faz o que nem Serra nem Aécio fazem: atacar o governo. Os dois governadores tucanos, na estrutura do estado patrimonialista brasileiro, não ousam peitar o titular do Planalto, para não sofrer retaliações. Temem criticá-lo. Poderiam ser rechados pela imensa popularidade presidencial. FHC, que já venceu Lula duas vezes nas urnas, se sente suficientemente disponível e forte para falar o que os dois tucanos temem dizer, para não perder o eleitorado. Ousadamente, o ex-presidente lança chamas contra o lulismo, sinônimo, segundo ele, de peronismo. Ou seja, FHC ataca a política nacionalista de Lula, que tenta desbancar o modelo neoliberal, com o qual, com a ajuda de Washington, FHC governou o país durante oito anos. Tenta ressuscitar o que a crise detonou. Reclama FHC que Lula, ditatorialmente, escolheu no dedaço”, sua candidata, Dilma, sem consultar os aliados, como Geisel escolheu Figueiredo, para substitui-lo. Lula, para FHC , é puro militarismo político. Da mesma forma, na base da aceleração de providências, ilegais, inicia campanha eleitoral, com dinheiro público, antes da hora, levando Dilma Rousseff a tiracolo, pelo Brasil afora, tentando emplacá-la nas pesquisas;   cria, igualmente, diz, situação anti-republicana ao anunciar preferência pela compra bilionária de aviões franceses, antes de encerrar concorrência internacional, da qual participam, também, Estados Unidos e Suissa, oferecendo preços mais convidativos;  força o Congresso a acelerar a nova lei do petróleo, sem promover, no plano nacional, ampla discussão popular sobre o tema, como ocorreu com a campanha do petróleo é nosso, para ver se o mais conveniente, para o país, é a  estatização total, via regime de partilha, ou a concessão, com a participação do setor privado; tenta passar por cima do TCU, que alerta para procedimentos ilegais, na condução das obras públicas, e, principalmente, ataca o fortalecimento do poder político petista por intermédio dos fundos de pensão/investimento, cuja força se constitui em ingresso nos conselhos de administração das empresas privadas e na elaboração de estratégias de atuação cujos protagonistas são, não os empresários, mas os aliados políticos etc. FHC enxerga no FUNDACIONISMO ECONÔMICO o novo nome da ditadura econômica petista.

Novo desafio de Dilma  

 

 

Dilma parece pedir a Lula para detonar a política cambial do BC antes que o dólar detone ela e favoreça a estratégia colocada em marcha por FHC, para tentar voltar ao poder, rachando o PSDB, para que saia como tertius diante das indecisões tucanos de não democratizar o PSDB via prévias eleitorais que fortaleceria o partido, igualmente, adepto do "dedaço" lulista, denunciado pelo ex-presidente em plena campanha

Dilma parece pedir a Lula para detonar a política cambial do BC antes que o dólar detone ela e favoreça a estratégia colocada em marcha por FHC, para tentar voltar ao poder, rachando o PSDB, para que saia como tertius diante das indecisões tucanos de não democratizar o PSDB via prévias eleitorais que fortaleceria o partido, igualmente, adepto do “dedaço” lulista, denunciado pelo ex-presidente em plena campanha

A novidade poilítica da entrada de FHC em cena balança o cenário eleitoral, graças a sua coragem, despreendimento e extroversão total para falar o que nem Serra nem Aécio ousam. Ataca, fortemente, o estilo petista de governar, com as forças políticas governistas agindo, segundo ele, na base do marketing, construindo mundo virtual, para fazer crer que se caminha no mundo real. O Palácio do Planalto, que torce para que haja um confronto de posições entre a ministra Dilma Rousseff, de um lado, e José Serra, de outro, para que se possa realizar comparação entre a Era Lula e a Era FHC, pode criar condição capaz de realizar confronto alternativo: Dilma versus FHC. O ex-presidente, que, evidentemente, torce para que Aécio e Serra se desentendam, completamente, de modo a favorecê-lo em mais uma tentativa de voltar ao palco do poder, passou a jogar no ataque. Criou fato político que o coloca, dentro do PSDB, como aquele que não tem medo de cara feia de quem já derrotou.  Se é ele que está demonstrando essa coragem, e não Serra ou Aécio, que se mostram , excessivamente, tímidos, medrosos em exercitarem a veia oposicionista eleitoral, para não perderem, previamente, votos, logo os tucanos passariam a evocá-lo, na falta de melhor alternativa. FHC, aos 78 anos, com a mente solta, para o que der e vier, poderia ser o candidato? Serra, sem confiança suficiente no taco, sairia para reeleição em São Paulo, onde as chances são maiores, enquanto  Aécio optaria para o Senado. Isso, se o titular do Palácio da Liberdade, angustiado diante dos nervos de aço do titular do Palácio dos Bandeirantes, disposto a adiar ao máximo sua decisão sobre se sai ou não candidato, partisse para a precipitação, ou seja, para a ejaculação política precoce, jogando sua candidatura na rua. Seria tudo o que FHC não quer.