Marx acertou. Delfim está apavorado

Marx está deixando Delfim Netto completamente doido.

O ex-ministro, ex-deputado, economista nacionalista, tem se mostrado, indisfarçavelmente, preocupado com os rumos do capitalismo, demonstrando temores, depois de ter sido ácido com os condutores do sistema nos últimos dez anos, quando se tornaram excessivamente laxistas no processo de controle de reprodução ampliada do capital, levando-o às bolhas especulativas autodestrutivas e,finalmente, à deflação, que destroi capital e salários.

Particularmente, ergueu-se como um dos maiores batedor nas taxas de juros que sobrevalorizaram a moeda e aumentaram as dívidas, fragilizando, estruturalmente, o sistema economico nacional.

Mas, a crise emergente veio com tanta força, agora,  que seus efeitos destrutivos pegaram-no de surpresa, levando-o, consequente e assustadoramente, da posição crítica a uma mais conservadora. Ao mesmo tempo, passou a sentar a pua nos teóricos do socialismo, que previram o desastre do capitalismo, como Marx e Lenin.

Em vez dele avançar nas críticas, buscando , pela dialética, abrir novas fronteiras sobre uma realidade que está se desmoronando, para dela tirar algo ainda não teorizado, suficientemente, à luz dos fatores em jogo, volta-se, apavorado,  para o passado como fuga.

Demonstra temor e tremor de que dos escombros do estresse decorrente do aumento das forças produtivas em confronto com a estrutura produtiva concentradora de renda e socialmente excludente, característica fundamental do sistema em decomposição, emerja o que o apavora, o que está denominando de estado autárquico.

O pavor delfiniano não é outro senão a possibilidade da viabilidade do estado socialista, ao qual o capitalismo, agora, em crise de realização, se recolhe, pedindo socorro, depois que as livres forças do mercado privado deixaram de funcionar.

Banqueiros e empresários falidos – olha os gigantes da indústria automobilística passando o chapéu no Congresso americano! – , todos buscam proteção estatal contra o risco de empreender-se competitivamente via propriedade privada.

A autarquia estatal – isto é, a destruição da propriedade privada, do espírito empreendedor egoísta, – seria emergência socialista, avançando, radicalmente, em relação à social democracia, que bate biela? O socialista fabiano inglês, Delfim, apavora-se, brandindo teses cuja credibilidade, na crise, é nenhuma.

Seria , verdadeiramente, autárquica solução alternativa ao que está se decompondo a olhos vistos, ou algo ainda não experimentado pela humanidade, com características, historicamente, peculiares, fruto das correlações de forças políticas novas que estão se formando na afirmação do Grupo dos 20 no plano global?

Negando-se a avançar nessa especulação futurista, o ex-ministro faz incursão passadista. O gordo Delfim, aparentemente, é pesado, mas acomoda-se como uma lebre ligeira em situações difíceis, como um rei do disfarce.

De início, criticou que a excessiva flexibilidade quanto às regras levou ao desastre, mas, em seguida, passou a alertar aos quatro ventos – cuida, preferencialmente, disso, agora – que o excesso de regras, colocadas como alternativa ao desastre, trás de volta o estado autárquico socialista.

Vendo a autarquia como fantasma, ele procura desancar pretensas soluções socialistas e desacretidar os seus pregoeiros históricos, Marx, Lênin e Trotski.

No Valor Econõmico, terça, 18, demonizou Marx e Lenin, colocando em ambos a pecha de promotores do autarquismo econômico, historicamente, fracassados. Sobretudo, destaca que o marxismo não foi solução, portanto, retornar a ele , seria retornar à autarquia.

Mas, não são, exatamente, as teses de Marx que estão apontando para o desastre do capitalismo nos Estados Unidos e Europa , onde as forças produtivas e as relações sociais de produção, plenamente desenvolvidas, estão em confronto encarniçado, com quebradeiras generalizadas e desemprego em massa?

 

Condições marxistas estão dadas nos EUA e Europa

Pelo que consta dos escritos de Marx, ele nunca teorizou o estado autarquico como resultado do estágio final do desenvolvimento capitalista contraditório das forças produtivas, de um lado, e o das relações sociais da produção, de outro, abrindo espaço para revoluções sociais e transformação do capitalismo em socialismo.

Nos países em que as tentativas socialistas foram buscadas sem que fossem obedecidas as determinações marxistas do pleno desenvolvimento das forças produtivas, as experiências se relevaram fracasso histórico.

Allende caiu na do socialismo chinelo em 1973. Dançou na mão da CIA e dos golpes imperialistas de Kissinger e Nixon. Não tinham sido ainda no país desenvolvidas totalmente os pressupostos básicos marxistas para a virada histórica do sistema capitalitas para o socialista. Emergiu o terrorista Pinochet, armado pela Casa Branca.

Em 1964, no Brasil, idem. A CIA armou a direita empresarial, que financiou governadores e militares, como demonstra , minuciosamente, o historiador uruguaio René Armand Dreifuss, em “1964: A conquista do Estado – Ação política, poder e golpe de classe”, editora Vozes, 1981.

Em diversos países latino-americanos, o samba de uma nota só ditatorial tocou interminavelmente, até a emergência atual de neonacionalismo com tendências socialistas. A guerra civil espanhola, igualmente, foi ilusão socialista sem que existissem as condições que Marx relacionou, cientificamente, ao avaliar, em O Capital, o sistema capialista.

Especialista em história americana e soviética, o historiador Luis Alberto Moniz Bandeira, destaca em “Presença dos Estados Unidos No Brasil” como o não desenvolvimento pleno das forças produtivas representa o fracasso das revoluções de esquerda mundo afora, ao longo do século 20, com destaque para a América Latina.

A própria União Soviética, na qual Lenin, Trotski e Stalin lutaram para instalar o socialismo, depois de 1917, culminando com a derrocada em 1989, na queda espetacular do Muro de Berlim, não conseguiu alcançar o paraíso socialista, porque lá, também, não estava completada a etapa final do pressuposto básico a partir do qual o socialismo se viabiliza, de acordo com o marxismo. Este não teria, ainda, encontrado, historicamente, o seu elemento essencial.

Onde tal elemento, historicamente, está dado, na fase atual do desenvolvimento do capitalismo?

Indiscutivelmente, nos Estados Unidos, onde a ciência e a tecnologia, colocadas a serviço da produção e da produtividade, desembocam na terrível deflação.

Por isso, o temor conservador delfiniano, depois do colapso do crédito, aguçou seu pensamento marxista para tentar espantar Marx e Lenin.

A verdade, no entanto, é que em vez de espantar, está sendo espantado. Ninguém chuta cachorro morto. Se está chutando, é porque ainda não morreu.

 

Deflação e desemprego, morte do capital

Se o não desenvolvimento pleno das forças produtivas representa o não socialismo, o seu oposto, isto é, o desenvolvimento pleno de tais forças, expresso, atualmente, na realidade econômica do capitalismo americano em colapso, comprovaria a materialização da tese marxista.

Nos Estados Unidos, onde as forças produtivas e, também, as destrutivas, guerreiras, desenvolveram ao máximo as suas potencialidades, surgem os fatores marxistas que apavoram os conservadores: derrocada financeira e industrial e desemprego em massa.

Se existe lugar onde a palavra de ordem de derrubada do poder capitalista está madura para ser dia por num neo-revolucionário leninista ou trotskista, esse lugar, indubitavelmente, é os Estados Unidos.

A deterioração do capitalismo americano seria, historicamente, o ponto de inflexão, para a aferição da  tese de Marx, porque nos demais lugares, falar que houve marxismo, sem que tenha desenvolvido o ambiente descrito por ele como necessário ao início da experiência socialista, representaria heresia, fraude.

Plenamente desenvolvida, a contradição busca superação na pátria de Barack Obama, abrindo tempo que pode ser de revolução. Está sob teste verdadeiro o pressuposto marxista da revolução socialista , pela primeira vez na história.

Se explodir social e politicamente o status quo americano em desaceleração total, a energia política magnética que seria desatada poderia corresponder a uma onda global bem mais potente em termos de contágio rebelde do que o maio de 1968, na França.

Eis o medo de Delfim Netto, que, inteligente, percebeu o viés de baixa histórico do sistema capitalista. Tal evidência, em vez de levá-lo a avançar, impulsiona-o a retrocedoer.

Marx acertou na mosca. Delfim está apavorado.

 

Ignorância delfiniana sobre leninismo

O ex-ministro e ex-deputado deitou falação despropositada sobre Lênin. Demonstrou que não leu Lênin, especialmente, os aspectos econômicos desenvolvidos pelo líder soviético, o que seria sua obrigação, como expert em economia.

Soltou tremendo besteirol ao arrolar Lênin como pensador autárquico, tão cruel como Stalin. Mais moderno do que ele, ressaltou, seria Bukharin, autor do clássico “A economia mundial e o imperialistmo”, pensador marxista sofisticado,  a quem Lênin teria marginalizado, para favorecer aquele que seria o seu sucessor-ditador, Stalin, que mandou matar Bukharin.

Aqui, Delfim demonstra sua falta de conhecimento histórico.

Ficando, apenas, no terreno da economia – porque no da politica as versões sobre Lenin, Stalin, Trotski, são altamente controversas, ainda mais sendo comentadas por quem, como Delfim, serviu ao regime militar terrorista de 1964, que detonou a democracia brasileira -, o que se evidencia, relativamente ao leninismo econômico, é o oposto da acusação, sem provas, de Delfim.

Pelos documentos e falas de Lênin, no auge da crise de escassez de consumo, na União Soviética, em 1921/1922, a pregação leninista é a acabada representação de pensamento não-autarquico, mas, essencialmente, dinãmico, renovador, dialético, capitalista, inverso da teorização cerebrina furada delfiniana.

No brilhante relatório que preparou para o XI Congresso do PCR, realizado entre 27 de março e 2 de abril de 1922, Lenin destacou, claramente, que a Nova Política Econômica(NEP), em implementação pelo seu governo, somente teria chances de sobreviver se fossem multiplicadas por toda a União Soviética a experiência capitalista que buscou disseminar, expressa no que denominou de “empresas mistas”. Seriam , hoje, as PPPs, Parcerias Público Privadas.

Lênin pagou alto preço por tal proposição. Bukarin, por exemplo, não foi ao encontro, porque considerou a posição do chefe do poder soviético traição à revolução comunista de 1917. Com excessivo senso de realismo, para espanto dos integrantes do Congresso, Lênin destacou que o de que a União Soviética mais necessitava, com urgência, era não de teóricos comunistas brilhantes, mas de caixeiros viajantes. Pânico entre comunistas.

 

China adotou Lênin; Tio Sam, também

Exaltou Lenin o empreendedorismo individual dos camponentes e destacou que o fundamental não era fazer a distinção entre coletivo e individual, como propulsores do processo econômico, mas perceber que, qualitativamente, a integração de ambos seria fundamental como sobrevivência econômica do país.

A vantagem que os comunistas dispunham nesse contexto, frisou Lenin,  era o fato de que tinham o poder político para manejar interesses dos trabalhadores e dos capitalistas com suficiente flexibilidade, para dinamizar a economia.

A ausência do caixeiro viajante, do empresário, era o gargalo. Lenin considera fundamental sua participação no processo de desenvolvimento das forças produtivas sob a experiência socialista. A burguesia, com sua vivência histórica, não poderia ser descartada.

Ou seja, havia espaço para experimentos sob comando da política, mediante novos paradigmas, capazes de quebrar velhas crenças comunistas, ancoradas na teorização excessivamente abstrata dos brilantes intelectuais comunistas, porém, totalmente incompetentes em matéria de negócios. E dos negócios, em desenvolvimento pleno, dependia a União Soviética.

Essa proposição leninista foi, plena e amplamente, adotada pela China, anos mais tarde, como destaca o historicador Luiz Alberto Moniz Bandeira , em “Formação do império americano”(Civilização Brasileira, 2005, 851 pags).

O Estado chinês seria um estado lenista, conforme pregação de Lenin no último congresso do partido em que esteve presente, para dar seu recado final, cuja continuidade foi interrompida pelas tromboses cerebrais que eliminaram a sua capacidade de continuar no comando do poder soviético, matando-o.

Lembrou que poderia estar sendo alvo de risinhos da platéia em burburinho, mas lembrou, com extrema vivacidade,  que sem o espírito do caixeiro viajante, sob estímulos dados pelo Estado indutor da criação das “empresas mistas”, das PPPs, seria impossível resolver o maior problema interno, a oferta de alimentos.

 

NEP: socialismo-fordismo

Naquela altura, 1922, a NEP já completara três anos e os fracassos eram evidentes. Baixa produção e produtividade e alta de preços especulativos.

Lênin, ousadamente, como verdadeiro herege, lança tudo isso na cara dos companheiros comunistas, apelando para envio dos comunas aos Estados Unidos, Canadá, Itália, Espanha, para ganhar espírito e experiência empreendedora suficientes, de modo a alavancar a mistura entre o capital e o social, com relativo sucesso.

Robert Service, em “Lenin – a biografia definitiva”, Difel, 629 pags, destaca que o líder soviético era fã número um do espírito fordista americano que criava na classe trabalhadora espírito de disciplina invencível, tão carente nos operários soviéticos, na sua época, dado o pouco desenvolvimento, na União Soviética, das forças produtivas capitalistas.

Ou seja, Lenin tinha consciência de que o socialismo soviético carecia largamente dos pressupostos de Marx. A materialização do marxismo somente ocorreria em seu país depois do desenvolvimento que estava experimentando o capitalismo nos Estados Unidos.

Lênin, falando, em “Obras Escolhidas 3”, editora Alfa-ômega, pg 582, põe fim às especulações sobre seu propósito verdadeiro, naquele momento histórico:

“É indispensável organizar as coisas de modo a que seja possível o curso normal da economia capitalista e da circulação capitalista de mercadorias, porque isso é necessário ao povo. Sem isso não se pode viver. Para eles{os camponeses] tudo o resto não é absolutamente indispensável, com tudo o resto podem conformar-se

 

Complexo de édipo delfiniano

Onde está o pensamento autárquico leninista, que Delfim, levianamente, caracterizou, porque não percebeu o que Moniz Bandeira sacou, que Lenin, hoje , está na China?

Os chineses adotaram o leninismo econômico, objeto do desejo inconsciente de Delfim, que pregou, no Brasil, a solução chinesa, quando era o czar da economia nacional sob Médici, na ditadura.

Delfim, inconscientemente, estaria incorporado por Lenin, sem saber que o lider soviético, agora, chicoteado por ele, temeroso da implosão capitalista nos Estados Unidos, fez sua cabeça.

Maconha leninista deixa Delfim muito doido.

Lenin faz a cabeça não apenas de Delfim, mas do governo W. Bush e dos governos europeus, que, diante da bancarrota, estatiza o crédito e busca regulamentar o sistema, afastando-o do excesso de liberdade irresponsável, como Lenin propôs, no seu último congresso comunista.

Por que a ojeriza delfiniana contra Lenin? Rejeição paterna. Só Freud explica.

 

Distribuir a renda contra deflação-inflação

Alavacar, ainda mais , as forças produtivas, no ambiente de desaceleração dada pela limitação dessas proprias forças, sob predomínio do espírito absolutamente privado?

Deflação nos países ricos, inflação, nos pobres. Fenômeno dialético global, como resultado da bancarrota capitalista americana-européia. O desemprego crescente na Europa e nos Estados Unidos, apesar das decisões governamentais de aumento de gastos, demonstra que o remédio inflacionário deixou de ser plenamente satisfatório porque, como a deflação, também, deixou de ser solução, para se transformar em problema.

A inflação, sob deficits elevados, como alertou o presidente do BC americano, Ben Bernamke, em São Paulo, durante a reunião do Grupo dos 20, alcançou seus limites.

Qual seria a síntese, depois de superação da tese, o livre mercado,  e da antítese, o estado deficitariamente baleado?

Ressuscitaria o velho estado gerador de renda, como vaca leiteira, para o setor privado, ou outras bocas chegaram para mamar, também?

A questão estaria não mais no incremento da produção, mas da justa distribuição da renda nacional, que, excessivamente, acumulada, sob a exclusividade do emprendedorismo privado, se impõe como nova necessidade histórica a ser superada.

Esse é o recado fundamental de Lauro Campos, teórico socialista-marxista, autor de “A crise completa – a economia política do não”(Boitempo, 2002) e “A crise da ideologia keynesiana”(Campus, 1980). Ele previu que a inflação, que veio para dar sobrevida ao capitalismo sob deflação, em 1929,  entraria em crise com o estresse keynesiano, agora, consumado, diante da impossibilidade de os gastos públicos dinamizarem o consumo em colpaso, nos Estados Unidos.

Sobretudo, anunciou, amplamente, o que está em evidência: a bancarrota da indústria automobilístico como o apito derradeiro do trem capitalista antes do desastre de realização da produção no consumo, afetado pela falta de crédito, no contexto de desconfianças generalizadas no seio do sistema financeiro.

Delfim, atacado pelo complexo de Édipo, ciúme da mãe – o capitalismo – e raiva do pai – o socialismo – , recorre-se , reprimidamente, à castração sexual-ideológica.  Apela-se aos velhos paradigmas economicamente conservadores, que o impedem de ver que, ao pregar o modelo chinês, mostra que é filho do pai ao qual lança chamas, ou seja, Lenin.

 O líder da revolução russa, incorporado como dragão chinês, consciente de que, no seu tempo, seria impossível, na União Soviética, materializar o socialismo puro, adaptou, pragmaticametne, discurso compondo articulação regida pela combinação de Marx e Henry Ford.

Onde está a autarquização leninista que desperta tanto medo em Delfim?

Neo-poder multilateral exige nova mídia

Domenico de Masi, sociológo italiano, autor de “O ócio criativo”, no domingo , 09.10, disse, em entrevista ao repórter Roberto D’Ávila, em Conexão Internacional, que deixou de ler jornais. Prefere o rádio. Na Itália, destacou, a profissionalização radiofônica é fantástica. O ouvinte dispõe de programação ampla que supre todas as necessidades dos que desejam se informar e se divertir.

Por que os jornais deixaram de interessá-lo? Tornaram-se repetitivos em excesso. Ler um é ler todos. Pão de queijo sem queijo. Não suprem mais necessidades de espíritos mais exigentes. Não possuem fôlego para maiores mergulhos, temerosos de não conseguirem voltar à tona.

O lastro deles é comum. Uma mesma argumentação para uma problemática complexa, como se a uniformização e homegeneização fossem verdades do processo social.

Fazem o que Keynes fez com a economia: redução da unidade de salário relativamente à unidade de trabalho, de modo que o aumento do nível de emprego lance impressão de distribuição de riqueza a partir do sentido homegeneizador da realidade. Ilusão, safadeza.

É isso. Os jornais, essencialmente, têm um projeto editorial comum, isto é, homogeneizar a consciência social, como se a sociedade capitalista não fosse dividida em classes sociais antagônicas em seus interesses econômicos constrastantes.

Se o aumento de uma unidade de salário a menor para uma unidade de trabalho a maior proporciona elevação do nível de emprego, homogeneizam-se os interesses, como se a média fosse a verdade e não as diferenças concretas colocadas pela realidade.

Um editorial do Estadão, da Folha, do Globo, por exemplo, é uma só pasta sem sabor, insossa. Onde estão as diferenças humanas, dadas pelas características sociais determinadas pelo desenvolvimento do capital em sua caminhada rumo à sobreacumulação, à formação das bolhas especulativas e, consequentemente, à explosão das expectativas super-dimensionadas?

Não foi possível, desde setembro até agora, quando estourou a crise, jogando o sistema capitalista para o ar, ler nos jornalões uma resenha crítica decente do capitalismo em sua essência autodestrutiva. Fugiram da verdade como o diabo da cruz.

Por que?

Evidentemente, porque os jornais, sensaboria nenhuma em suas linhas editoriais tortas e alientadas, não se mostraram dispostos a ser verdadeiros relativamente aos leitores. Tentam não formar , mas desinformar opiniões, eternizando-se em suas próprias contradições.

Quando tudo estava, teoricamente, dando certo, não tinha o que discutir. Quando, agora, tudo, praticamente, dá errado, não há porque discutir. Nem po-den-do, como diz o humorista global.

 

O negócio é mentir

Os teóricos mais abalisados, como Keynes, por exemplo, destacaram que o negócio não é a verdade, mas a utilidade, por isso, o essencial é fingir. Fernando Pessoa foi na mesma linha ao destacar que o ser humano é um fingidor nato. O autor de “Teoria Geral do Juro e da Moeda” fingiu, mas não conseguiu esconder de todo a verdade, que não se vê nos editoriais do poder midiático.

O lastro real das relações de troca, na economia monetária, dada pela moeda fictícia, disse, deixou de ser convenientemente riquezas reais, palpáveis, para ser a construção abstrata da taxa de juro. Isso está claro na entrevista que ele deu ao repórter e economista Santiago Fernandes, do Jornal do Brasil e do Banco do Brasil, em 1944, em Bretton Woods, transcrita em “A Ilegitimidade da Dívida Externa do Brasil e do III Mundo”, editora Nordica, 1985.

Vale dizer, os países ricos, vencedores da guerra, com os Estados Unidos à frente, ditaram o poder através das suas moedas na fixação da divisão internacional do trabalho. Emprestadas a juros, elas fixam o que Marx chamou de dominação internacional por meio da dívida externa.

A deterioração dos termos de troca são estabelecidas, então, não a partir do poder das mercadorias em si, mas da sua representação fictícia – fetichismo das mercadorias – , imposta ideologicamente pelo poder monetário dominante. Promovem trocas fixando senhoriagem cobrada pelo poder emissor.

Mas, agora, quando se vê que esse fetichismo está exposto à desmoralização total, os economistas que fazem a cabeça da grande imprensa não ressaltam que a deterioração dos termos das relações de troca se vira pelo avesso, com o poder se deslocando das moedas para as mercadorias.

Ficou clara essa jogada, quando os árabes, antes do estouro da crise destrutiva em curso, decidiram subir o preço do barril de petróleo, cotado em dólar, para pagar importações cotadas em euro, como forma de compensação por perdas cambiais. Impuseram a inflação que, na desaceleração, ameaça virar deflação.

Evidenciou o óbvio, a moeda fictícia não é o poder,  mas sim a mercadoria da qual todos necessitam a partir de uma ação política do cartel do petróleo.

Assim, o Brasil – e a América do Sul – , por exemplo, que têm todas as mercadorias disponíveis, em relativa escassez, que eleva o preço, para atender a manufatura mundial, relativamente, abundante, em razão do desenvolvimento científico e tecnológico, que aumenta a oferta e diminui, consequentemente, sua cotação, disporiam de vantagens comparativas no novo cenário de destruição da moeda pela especulação desenfreada na sobreacumulação de capital.

Por que não se discute isso na grande mídia, dominada pelo poder monetário fictício?

 

Falsos líderes cultivados por velha mídia

O espaço está aberto para o novo debate, no momento em que o G 20 se transforma no neo-poder multilateral global. FHC, em recente encontro do PSDB, em Brasília, destacou esse novo perfil do capitalismo global, no contexto da desmoralização da ficção monetária. Inverteram-se os termos das trocas cambiais no plano da superação do unilateralismo ditado pelo dólar que , afetado pelos deficits americanos, sinaliza incapacidade de continuar sendo, sozinho, o equivalente monetário global. Sua expressão real, agora, é uma só: deflação, para os ricos, e inflação, para os pobres.

Mas, quem vai discutir, senão a imprensa, que não deseja essa discussão, mas, tão somente a eternização de conceitos que o vendaval financeiro destruiu?

Uma nova imprensa é reclamada, urgentemente, pelos novos tempos. A que está aí poderá ser ultrapassada, porque não atende a sede de exigência imposta pela nova correlação de forças que emerge dos escombros de uma velha ordem que se esvai.

Certamente, o caos terá que se aprofundar até não poder mais, para que da terra arrasada saiam espíritos renovados pelo sofrimento, que puxa a consciência da sua própria miséria, estabelecida pela divisão intrínseca fixada pela propriedade privada alienante.

O resultado da reunião do Grupo dos 20 é a materialização do fim do Grupo dos 7, cujas certezas estão sendo ultrapassadas. O G7 , depois da queda do Muro de Berlim, tentou eternizar o unilateralismo dos ricos. Querer dizer que somente os Estados Unidos fizeram e aconteceram de 1989 até agora, no auge no unitaleralismo, é falso. O Grupo dos 7 foi o avalista amplo das ações de Tio Sam.

Se, de alguma maneira, os aliados, cinicamente, berraram contra a invasão imperialista do Iraque e do Afeganistão, em busca dos terroristas, que teriam explodido as torres gêmeas, algo que ainda a história não comprovou, ficando, por enquanto, no território das afirmações sem provas cabais, no geral, avalisaram o unilateralismo econômico, que, na prática, revelou-se, igualmente, terrorista em suas destruições generalizadas.

Barack Obama, antes de tocar as duas guerras em curso, terá que priorizar o combate a guerra interna, nos Estados Unidos, muito mais destrutiva – auto-destrutiva -, que empobrece, violentamente, a população, pela ação do capitalismo predatório, sustentado na ficção monetária, cujos efeitos políticos são incognita.

O neo-poder mundial, expresso na emergência do Grupo dos 20, é esperança para renovar o pensamento midiático alienado pelo capital fictício que vendeu como eterno o que não passou de meramente efêmero.

 

O suicídio passa a ser solução

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A efemeridade vazia demonstrou ser característica básica da grande mídia, a ponto de, agora, o prêmio nobel de economia, Paul Krugmam, queridinho do poder midiático, destacar que a virtude do capital para a ser a destruição do próprio capital. A prudência dos medrosos se transforma em opção suicida. O suicídio passa ser a solução para o capitalismo.

Os editorialistas, amarrados em pontos fixos e prisioneiros do circulo de giz ideológico em que se encontram,  não sabem mais o que escrever, como demonstram suas elocubrações cheias de obviedades falsas.

 As teses do mercado único foram para o espaço. Ficam, agora, para consideração dos editoriais, em seu cinismo parcial, uma nova espécie de mercado, cuja face não se sabe bem qual é, reclamada e realçada na reunião desse final de semana, em Washington.

Tudo ainda está meio sonolento. Porém, uma coisa está clara: a sobreacumulação de capital, sem limites, sem regras, dada pela moeda fictícia, carente de lastro, sofreu baque espetacular, cuja recuperação, a partir das bases da própria ciência econômica capitalista, torna-se problemática.

O cenário impõe, consequentemente, discussão política ampla, que a grande mídia se recusou até agora promover, porque ela é parte da sobreacumulação que explodiu com os seus próprios pressupostos.

Regulamentação e transparência para a ação do capital, essencialmente, acumulador, serão as melhores(ou únicas) alternativas, se a lógica da sua existência é a produção de crônica insuficiência de demanda global, que leva o sistema à especulação e à intrínseca necessidade da negação da regulamentação e transparência?

Ou haverá que se discutir, politicamente, como melhor distribuir a renda, como forma de evitar que a especulação ressurja em novas bases?

Cartazes de protestos contra o sistema, nas grandes cidades americanas e européias,  dão conta de que os líderes levaram a humanidade a um beco sem saída. 

O multilateralismo, que se afirma no fortalecimento do G 20, levaria a grande mídia cínica a rever seus conceitos ou vai tudo continuar como antes no quartel de Abrantes?

Os jornalões seguirão seus passos errados até perder leitores, como expressão da sua falta de utilidade, como destaca Dominico de Masi, ou cairão na real, para salvar as aparências?

Banco assalta consumidor e gera desemprego

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os bancos estão sendo vítimas de assaltos de bandidos, mas, eles, também, estão assaltando os consumidores. O assaltado é, igualmente, assaltante. O dinheiro dos depósitos compulsórios que o governo, por meio dos bancos oficiais, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, está repassando a juro zero aos bancos e financeiras privadas, para financiar o crediário, na compra de bens duráveis e apartamentos, está espantando o consumidor. Quem tomá-lo, nas atuais circunstâncias, estará sendo, literalmente, garfado.

Os juros subiram, incontrolavelmente, nas lojas e corretoras pelo país afora. O crédito pessoal está na casa dos 100% ao ano e o cheque especial no cartão magnético passou dos 10% ao mês. Os empréstimos para as empresas passaram dos 45% ao ano para mais de 75%. O juro básico selic, de 13,75%, o mais alto do mundo, demonstra dispor de poder de alavancagem dez vezes maiores, quando a realidade se transporta para o mundo movido a crédito na indústria, no comércio e nos serviços. Alavanca do subprime creditício nacional, generalizando o assalto. E ninguém vai preso.

Só o BNDES está se transformando em tábua de salvação geral para a produção. Passou a emprestar a 1,18% ao mês para investimento industrial e comercial e a 0,5% no cartão BNDES. Créditos na casa de R$ 50 mil saem rapidamente, nesse instante, depois das pressões feitas pelos empresários, desesperados na escassêz de dinheiro.

Endividar-se com o dinheiro repassado pela Caixa às financeiras privadas é comprar a corda para ser enforcado, principalmente, porque os horizontes, para o consumidor, ficaram nublados.

O assalto financeiro a ele, com as prestações mais caras e os prazos de pagamento mais curtos, traz o perigo de desemprego e reforça, consequentemente, o espírito anti-consumista, quanto mais altos estiverem os juros.

O presidente Lula, na terra do Papa, essa semana, pregou aumento do consumo ao povo brasileiro. Porém, seu discurso, na terra do juro barato, Itália, Europa em geral,  ficou sem substância na sua terra do juro caro. Mantida tal situação, o desemprego, pior dos mundos para os trabalhadores, cresceria e a popularidade presidencial minguaria.

Se as eleições municipais, recentes, demonstraram a pequena força do presidente para transferir votos, debaixo da sua imensa popularidade, num contexto em que seu prestígio popular caísse, fortemente, em face de possível avanço do desemprego, desapaceriam as possibilidades de fazer a  ministra Dilma Roussef, da Casa Civl, sua sucessora, preferida confirmada em Roma, em meio às bençãos papais.

 

O governo perde controle sobre especuladores

As indústrias, sem mercado, diante da queda de rentabilidade, dada pelo aumento dos custos operacionais, não apenas suspenderão investimento, mas aumentarão as demissões. Em outubro, conforme divulgou a Federação das Indústrias de São Paulo(Fiesp), 10 mil postos de trabalho viraram fumaça – queda de 0,13% no índice de emprego da indústria paulista.

A atitude empresarial, por sua vez, é um tiro no pé da própria empresa, porque , sem apetite para os investimentos, num quadro de desaceleração do consumo, seus papéis, na Bolsa, despencam.

Os custos operacionais do negócio sobem relativamente à taxa de lucro, sinalizando bancarrota, que se expressa em juro mais alto para a produção, por conta do risco falimentar, determinado pelo colapso do consumo.

A semana demonstrou que a estratégia do presidente de repassar dinheiro público para as financeiras privadas dinamizarem o consumo foi completo fracasso. O rítmo veloz da crise exigirá, no inicio da semana, providências urgentes de correção de rumos.

O titular do Planalto voltará de cabeça cheia de Washington, onde, nesse final de semana, o Grupo do 20 reúne para debater a crise e a saída para ela sem que ninguém saiba quão o tamanho do problema que ela desatou, econômica e politicamente, no cenário global.

A sucessão do presidente Lula vai se dar, mantido o rítmo dos acontecimentos, nos próximos meses, em precipitações econômicas e políticas incontroláveis, especialmente, se o aumento do desemprego levar às greves, como fruto dos juros altos que espantam os consumidores e sinalizam desemprego. Pensamento de esquerda tenderia a ganhar força.

Os questionamentos estarão se avolumando no compasso da desaceleração global. As próximas eleições testarão os governos sociais democratas europeus, como ocorreu, nos Estados Unidos, com a vitória de Barack Obama. Foram favoráveis à ascensão do primeiro presidente negro à Casa Branca os estragos que a crise provocou no governo W. Bush, estendendo seus efeitos desestabilizadores para o candidato republicano, John MacCain.

 

Crise favorece inflação e esquerda

A esquerda democrata nos Estados Unidos ganhou maioria no Congresso, na Câmara e no Senado. Na crise, terá que escrever sua história, pautada no discurso obamista da mudança. A social-democracia europeia tenderia a caminhar no mesmo sentido, especialmente, em razão da elevada consciência política do povo, o mais bem formado e sofrido, pelas guerras? As passeatas que começam a ser esboçadas na Espanha e na Argentina demonstram o potencial político explosivo detonado pela grande crise.

Correntes esquerdistas terão diante de si novas oportunidades, no rítmo da queda dos investimentos e do avanço do desemprego. No Brasil, a esquerda estaria preparada para chegar lá?

A ex-senadora e vitoriosa vereadora alagona, Heloísa Helena, que não teve espaço em 2006, teria em 2010, bradando contra o colapso do mercado, que levou o consumidor à incapacidade de consumir, dada a dominação financeira na condução do processo produtivo?

Nesse  ambiente em que todas as certezas se evaporaram e todas as teses econômicas são amplamente questionadas, vai, curiosamente, se destacando que a inflação, como já disse Keynes, passa a ser a solução e não o problema. Ou seja, a “Unidade das soluções”.

A recomendação dos ministros de economia e presidentes dos bancos centrais, em São Paulo, na última semana, na reunião do G 20, que deverá ser reiterada na  reunião, em Washington, nesse final de semana, é a confirmação da tese inflacionária. Que os governos gastem mais.

Vale dizer, como o governo é, sob a economia monetária, dominada pela moeda estatal, o emissor e entesourador geral do sistema capitalista, caracterizado pelo economista inglês, John Maynards Keynes, como a única variável econômica verdadeiramente independente, sob o capitalismo, o aumento dos gastos governamentais passam a ser o instrumento de combate à crise.

O aumento da quantidade de oferta de moeda no meio circulante pelo agente estatal verdadeiramente independente, segundo Keynes,  gera, simultaneamente, 1 – aumento dos preços; 2 – redução dos salários(diminuição da unidade de salário relativamente à unidade de emprego, que se traduz, homogeneamente, em aumento da oferta global de mão de obra); 3 – diminuição dos juros e 4 – perdão da dívida empresarial contraída a prazo. 

Ou seja, emerge quadro inflacionário salvacionista – que reduz salário e eleva lucros – com solução de paz política diante da alternativa destruitiva de política de guerra que se expressaria na emergência do seu oposto, ou seja, quadro deflacionário, que destroi capital e trabalho. Escolha de Sofia.


Obama pede união; Lula seguiria? 

Em meio ao terremoto financeiro, que leva a uma corrida especulativa contra o real, estimulada, adicionalmente, pela resistência dos bancos em comprar títulos públicos pelo custo oferecido pelo governo, tentando impor seu preço caro, o presidente Lula não consegue efetivar suas medidas anti-cíclicas.

Tenta, inutilmente, repassar dinheiro do contribuinte a custo zero para os banqueiros que resistem a diminuir o custo do dinheiro para o consumidor puxar a demanda global empoçada na inexistência do crediário em condições satisfatórias.

Os bancos impõem seu jogo e subordinam a ação estatal. A prova dessa subordinação é a super-permanência do juro em ascensão, apesar das medidas e dos discursos. 

O panorama econômico, pelo que demonstra a realidade, altamente, volátil, deixou de ser conduzido por regra estabelecida. Os governos poderão precisar, rapidamente, formar gabinetes de crise, para coordenar programas e diagnósticos que poderão ser pura experimentação, sujeitas a chuvas e trovoadas.

A política reclamaria mais espaço, naturalmente. Barack Obama já joga essa alternativa. Abriu espaço para os republicanos governarem com os democratas. Sozinho poderá não dar conta do recado. 

O presidente Lula teria fôlego ou precisará agir na mesma direção?

Em Roma, abençoado pelo Papa, o titular do Planalto, questionado pelas ações anti-ciclicas tomadas por governos oposicinistas de José Serra e Aécio Neves, em ação politicamente sucessória, visando 2010, fez chamamento aos governadores.

O que eles fizerem nesse sentido serão bem vindos. Significaria tal gesto que o governo poderá flexibilizar endividamentos estaduais de agora em diante, para abrir espaços aos investimentos e alianças políticas sucessórias?

Os governadores estarão, totalmente, sufocados pela ascensão dos juros e das pressões dos bancos em exigirem maires vantagens para financiar a dívida pública interna.

O Banco Central, sob monetarismo radical, suportará as pressões conjuntas de governo federal, governos estaduais e Congresso nacional, para flexibilizar a taxa de juro ou insistirá em nadar contra a corrente?

Moratória obamista e lulista em marcha global

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vai ficando cada vez mais claro qual a saída dos novos líderes mundiais, seja nos países ricos, seja nos países emergentes e pobres, para enfrentar a crise bancária internacional que levou o crédito ao colapso: o calote. Para afastar o estigma desse nome pavoroso para o mercado, quebrado, e para os comentaristas econômicos em geral, que se mostram como virgens na expectativa da primeira noite de núpcias, quando se pronuncia tal substantivo, torna-se necessário substituí-lo por moratória, para ficar mais politicamente correto.

Nos Estados Unidos, antes mesmo do desfecho eleitoral, o surpreendente John MacCain, que fez discurso belíssimo, reconhecendo a derrota, fato que o engradeceu, já destacara a necessidade de perdoar as dívidas dos mutuários do setor imobiliário, atolados, incapazes de combinar queda dos preços dos imóveis que compraram com os valores das prestações em altas, determinadas pelos juros flutuantes e por uma legislação draconiana, incapaz de sentir pena dos queimados no incêndio financeiro.

Obama, assim que eleito, apressado e sob pressão dos acontecimentos econômico-financeiros extraordinários, que tiram o sono de todos, dele, principalmente, de agora em diante, arregaçou as mangas. Dispõe-se a seguir as recomendações de MacCain., que perdeu a guerra, mas ganha a paz com sua ousada e salvadora proposta. Pode ser aplaudida, porque atende a conveniência de todos, devedores e credores.

Haverá, certamente, sob o novo presidente, moratória obrigatória para os endividados. Tal alternativa representa, para os Estados Unidos, sobrevivência econômica fundamenal. Dois terços da economia americana dependem do crédito direto ao consumidor. Os consumidores, encalacrados, com seus diversos cartões de créditos impossibilitados, nesse momento, de serem renovados e, consequentemente, poderem renovar os estoques das estoques das indústrias e do comércio, fazendo a produção realizar-se no consumo, poderão jogar a maior nação capitalista do mundo no abismo, já, se não puderem, com tranquilidade, irem às compras.

A sugestão maccainiana, assumida pela onda obamiana em ascensão irresistível, é a salvação geral. Fica, assim, demonstrada a essência do discurso da vitória de Obama, de chamamento à união, dado que sua principal ação política será a de seguir à risca a recomendação do seu adversário. 

O capitalismo financeiro, de joelhos, demonstra que precisa do calote como oxigênio, para continuar sua dura luta de acumular riqueza e pobreza, simultaneamente, levando-o, ciclicamente, aos desastres. Sensacional.

 

Adam Smith destrona Keynes

Emerge, no contexto dos Estados Unidos, não a solução de Keynes, de elevar os gastos do governo, para puxar a demanda global, mas a recomendação simples e eterna de Adam Smith, de renegociação das dívidas, já que estas, como destaca em “A riqueza das nações” jamais são pagas, mas roladas.

Como seguir o modelo keynesiano na América, se o que entrou em crise foi exatamente o remédio aplicado pelo grande economista inglês John Maynard Keynes, como solução aplicada, depois de 1936 pelo presidente Roosevelt, algo que Lauro Campos, em “A crise da ideologia keynesiana”, previu em 1980, sendo reconhecido, por isso, pelo economista Edmar Bacha, prefaciador do livro, considerando ousadíssima a pregação laurista, afinal, confirmada na grande crise bancária americana de 2008?

Expandir os gastos governamentais, que elevaram, nos últimos 50 anos, a capacidade de os Estados Unidos dominarem o mundo com moeda estatal sem lastro, ancorada na força militar e no jogo dominador da taxa de juros, que impõe, deterioração nos termos de troca na relação favorável aos ricos e prejudicial aos pobres, como reconhece Keynes, representa saída que esbarra em um déficit público próximo dos 6% do PIB.

Tal solução tornou-se principal responsável pelo enfraquecimento relativo do dólar e razão pela qual o mercado mundial cogita de nova arquitetura financeira mundial, depois do estouro monetário global, paralisador da locomotiva econômica internacional, simplesmente, porque a moeda americana vai deixando, no compasso da sua desmoralização, decorrente dos volumosos déficits, de ser equivalente monetário geral nas trocas comerciais.

Não custa lembrar que a onda inflacionária recente começou com a resistência, há pouco mais de oito meses, dos árabes, no sentido de elevarem os preços do petróleo, cotado em dólar, para fazer frente ao aumento do valor das suas importações européias, cotadas em euro. Para compensar a defasagem cambial entre o euro, avançando, e o dólar, recuando, os espertos árabes elevaram o preço do seu produto, do qual depende a manufatura mundial. Resultado: inflação global e explosão da bolha imobiliária.

 

Árabes começaram o jogo da depressão econômica

O petróleo, que, recentemente, chegou a quase 150 dólares o barril, puxando os preços das commodities, recuou, no compasso da desaceleração econômica mundial, para menos de 70 dólares, demonstrando o fator especulativo presente na onda de desvalorização da moeda americana, sob desconfiança dos agentes econômicos em geral.

Obama conseguirá reverter esse processo, mediante unilateralismo econômico, ou o multilateralismo é inevitável, para fixar nova conjuntura internacional, cujo início poderá ser dado , no próximo dia 15, na reunião do Grupo dos 20, a subsitutir, provavelmente, o grupo dos 7?

No contexto da desconfiança generalizada no poder de agregação da moeda americana, cujo resultado, ao final, foi a bancarrota imobiliária, nos Estados Unidos, os devedores, no processo desaceleração econômica, perderam fôlego para continuar sustentando o modelo de desenvolvimento que se apoia no crédito direto ao consumidor em escala exponencial.

John MacCain(da velha escola republicana caloteira americana, algo que sedimentou-se ao longo do século 19, quando os Estados Unidos deram vários calotes na praça mundial, bem como, também, no século 20, como ocorreu com Richard Nixon, em 1971, que, ao desvincular o dólar do ouro, deu, igualmente, tremendo beiço na praça global) foi ao ponto essencial: não há saída fora do calote.

Barack Obama, se quiser ver os americanos, de novo, voltarem às compras, a fim de evitar que a decadência economica dos Estados Unidos prossiga, não terá outra opção: unir, como destacou no seu discurso, republicanos, vencidos, e democratas, vencedores, em torno de um só propósito salvador: limpar os passivos gerais, para que, limpos, possam dar passagem a novas dívidas adamsmitianas.

 

Mantega salva São Paulo e montadoras do crash

O presidente Lula vai na mesma linha caloteira, usando o instrumento estatal, para permitir renegociação e perdão de dívidas. Salva os bancos pequenos e adia pagamento de impostos para que os empresários disponham de capital de giro para tocar seus negócios.

Tentou jogar cooperativamente com os grandes bancos privados. Estes, vendo riscos e fantasmas por todos os lados, pularam fora.

Teria o titular do Planalto outra salvação, relativamente, às indústrias de bens duráveis brasileiras, que estão à beira da falência, como as fabricantes de automóveis, eletroeoletrônicos, eletrodomésticos, microeletrônicos, DVDs, celulares etc e tal, nos seus negócios, diante de consumidores incapazes de saldar compromissos, no contexto da nova ordem desestabilizada pela crise?

A principal cidade brasileira e sul-americana, São Paulo, que sedia a indústria automobilística, responsável por quase 15% do PIB, candidata-se a um monumental crash, se não for socorrida tal indústria com oferta de crédito farto, para continuar a roda consumista. Elas, que criaram seus próprios bancos, agora, falidos, para financiar os consumidores, jogaram a toalha.

Com a impossibilidade desses bancos tamboretes de continuarem buscando no exterior crédito barato para financiar carros, no mercado interno, emergiu a falência inevitável. O presidente Lula, depois de tentar se socorrer junto aos grandes bancos, pensando serem estes seus aliados, na hora do aperto, mesmo dando a eles o dinheiro do compulsório para ser emprestado a juro zero, ficou na rua da amargura.

Que fez a banca? Deu uma banana para o titular do Planalto. Passo seguinte, para se fortalecerem, os poderosos banqueiros do Unibanco e do Itaú uniram suas forças para uma fusão bancária gigante, a fim de se fortalecerem diante do ímpeto estatizante da administração lulista, expressa na medida provisória 443 em tramitação no Congresso. Não cairam na armadilha planaltina os bancocráticos sorridentes e poderosos.

 

Falta de compromisso com a sociedade

Lula não quis ou não pode seguir o conselho de Lenin, que em “A catástrofe iminente e as formas de conjurá-la”, pregou, no auge da crise financeira que atingiu a União Soviética, boicotada pelos banqueiros internacionais e seus aliados internos, o mesmo que Gordon Brown fez, agora, no auge da crise bancária: partiu para a estatização do crédito como solução. Capitalismo vira comunismo e comunismo, capitalismo, em meios as contradições que levam os dois sistemas a entrarem em conflito encarniçado.

Por que iriam os grandes bancos assumir tamboretes quebrados , colocando em seus ativos sadios passivos podres? Ativos sadios, vírgula, pois o Unibanco, sócio da maior corretora mundial, a AIG, quebrada, socorrida pelo tesouro dos Estados Unidos, também, poderia ser alvo de corrida dos correntistas aos seus caixas, agora salvos pela incorporação dos seus ativos pelo Itaú.

Fugiram os dois bancos como o diabo da cruz de qualquer compromisso salvacionistas dos pequenos bancos, seus concorrentes. Quem já viu concorrente forte salvar concorrente fraco, senão metendo-lhe o pé nos traseiros ou incorportando-o aos seus domínios, como fez o Itaú com o Unibanco?

Ao mesmo tempo, recuaram, igualmente, em emprestar o dinheiro do compulsório como alternativa para esquentar o crédito direto ao consumidor para dar sustentação às demais indústrias de bens duráveis e semi-duráveis, da mesma forma que continuam fazendo corpo mole em sustentar a dinâmica do comércio exterior, mesmo sob protestos dos ministros da área econômica e dos políticos no Congresso.

Restou ao governo entrar na fogueira sem nenhuma proteção, com seus bancos oficiais, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES, para resgatar do incêndio as montadoras, as construtoras e demais que estão abrindo o bico, pedindo, desesperadamente, água. Lá, na frente, quem sabe, se pintar um governo neolibertal, outra vez, na linha tucana de FHC, os grandes bancos, diante dos bancos oficiais encalacrados, engoliriam os bancos oficiais. Pode ser? Sim e não, depende das circunstâncias.

Ficou claramente demonstrado o compromisso dos grandes bancos com a sociedade: dela querem somente o sangue, como bons vampiros sanguessugas. Buscam unir-se não para a cooperação, mas para fuga, enquanto são paparicados pelos puxa-sacos de sempre.

Obama: vitória do poder comunitário digital

A fantástica vitória de Barack Obama, primeiro presidente negro da América, conquistando 338 delegados, bem além dos 270 necessários, fazendo, ao mesmo tempo, maioria no Senado e na Câmara, e credenciando-se para enfrentar os desafios impostos pela violenta crise monetária, que ameaça a estabilidade do dólar, no mundo, tem sua base no poder das organizações sociais americanas e na mobilização política da comunidade, onde ele se formou.

Mas sua amplitude extraordinária, de forma organizada, concatenada, objetiva, ancorada no discurso da tentativa de união das contradições desatadas pelo capitalismo financeiro especulativo, que se encontra de joelhoes , em busca de uma nova síntese política, foi amplamente facilitada pela revolução tecnológica digital a serviço do poder comunitário.

Desde o primeiro momento, Obama soube, com competência, trabalhar com as novas tecnologias, You Tube, internet, celulares, por meio das quais criou a empatia necessária para fazer seu discurso renovador de mudanças, impondo, no coloquialismo comunicativo, a sua força capaz de atrair os adeptos, até, mesmo, no campo adversário, realizando reviravoltas espetaculaes, como ocorreu no eleitorado do sul, tradicionalmente, republicano.

Mobilizou recursos humanos e financeiros da comunidade, ancorado em uma mensagem expressa em linguagem dela, para conquistá-la com compromisso que soou quase familiar. Conversa de amigo para amigo, na nova comunicação global em que a instantaneidade, alavancada pela tecnologia da informação, proporciona. Obteve, dessa forma, praticamente, a totalidade dos estados americanos, construindo em cada cidade dos Estados Unidos centenas de centros comunitários. Emergiu, nesse compasso, força política irresistívelmente poderosa, interativa, dialética, impulsionadora de movimento sintonizado com ênfase mudancista-obanista. John MacCain, republicano, não conseguiu segurar a onda. Sucumbiu-se.

 

Interatividade tecnológica dialetica impõe nova ética

Barack Obama, produto genuínamente político-comunitário, expressa, dessa forma, de maneira emocionante, como a mobilização social, no compasso do desenvolvimento científico e tecnológico, colocado a serviço da política comunitária, abre novo espaço transformador. Lança exemplo inquestionável para os partidos políticos, em todo o mundo, a fim de agirem nesse sentido.

Sobretudo, demonstra a inconfundível característica americana, de apostar na inovação tecnológica, dando o tom das transformações econômicas, políticas e sociais que, certamente, estarão na base das providências que o governo, sob seu comando, imprimirá aos Estados Unidos, para tentarem continuar dando as cartas no plano global, em meio à maior crise econômica da história mundial dos tempos modernos.

A própria essência do fato político relevante embute nova lógica: a comunicação exige o diálogo interativo, uma nova percepção de que sem a busca de um consenso multilateral, a política americana não superará os seus impasses, bloqueados pelo pensamento unilateral politicamente falido.

A tecnologia digital demonstrou sua força transformadora no campo da mobilização político-social, conferindo, não apenas o compromisso novo no contexto partidário transformador, mas, principalmente, quanto ao carater revelador de transparência desse mesmo compromisso.

No campo das doações financeiras, por exemplo, o candidato deixou aberta na internet, para seus milhões de seguidores, a movimentação dinâmica das receitas e despesas de campanha. A conferência dos dados permaneceu aberta ao crivo, dispondo o contribuinte de acesso on line  a todos os dados da contabilidade partidária.

Nasceu, assim, nas águas da revolução científica e tecnológica, colocada a serviço da política, uma nova ética, pois, a contribuição individual e coletiva pode ser aferidade, dando caráter de honestidade ao movimento dos números associados ao discurso. Os engajados na campanha tiveram a consciência de estar movimentando o seu próprio dinheiro, seu próprio candidato e, consequentemente, suas próprias esperanças. Algo absolutamente inédito.

Mundo digital ganha status político

Claro, essa experiência será levada adiante na formulação dos orçamentos nas cidades, nos bairros, nas comunidades, nos centros comunitários, na formulação das políticas, na condensação das reivindicações populares, para que, assim que chegarem ao poder decisório, em sua mais alta instância, se transformará, objetivamente, em expressão genuína da vontade popular.

O mundo digital ganha status político com a chegada de Obama à Casa Branca. Os demais governos do resto do mundo, dado o efeito demonstração da experiência obamista de movimento de transparência ética total que traduz, em termos de evolução democrática, terão, obrigatoriamente, que seguir esse exemplo, sob pena de cairem em descrétido, caso atuem em sentido contrário.

Os gastos públicos, no governo Obama, precisarão seguir a lógica imprimida a sua campanha vitoriosa, com a qual nasce uma nova consciência sobre a necessidade da transparência em todos os sentidos, jogando para o espaço as armações dos ladrões que se disseminam por todos os cantos, pautando-se pela obscuridade quanto às informações fundamentais relativamente ao dinheiro do contribuinte.

No rastro da decadência do capitalismo financeiro americano, nasce um novo comportamento que exigiria, para ser coerente, uma nova mentalidade capitalista. Seria isso possível, sabendo que a lógica do capital é a lógica da acumulação, de um lado, e da exploração, de outro? Contradições a mil à vista, para conferir novo status à democracia representativa na terra de Tio Sam.

Ganha, portanto, novo impulso o poder político comunitário digital, nos Estados Unidos, cuja Constitição já prevê a democracia direta, capaz de corrigir erros dos políticos, até mesmo para ejetá-los do poder – exemplo esse existente em Constituições na América do Sul, como na Bolívia, na Venezuela e no Equador, enquanto, no Brasil, infelizmente, tal contexto continua tateante, com a classe política, relativamente à contabilidade do dinheiro de campanha política, representa uma vergonha, como demonstra o exemplo da excrescência praticada pelo governador Ivo Cassol, de Rondônia, felizmente, cassado pelo tse.

 

Núcleos comunitários digitais, nova força politica

A experiência histórica da campanha de Barack Obama lança raízes globais. No Brasil, onde o discurso anda à frente das ações efetivas, não passando, ainda disso, como demonstra os 20 anos de existência da Constituição de 1988, ainda sem regulamentação uma série de reformas transformadoras no campo econômico, social, político e ético, o desafio é redobrado, em meio ao desenvolvimento científico e tecnológico, na era da informação eletrônica instantânea.

Os planos dos governos são vários, mas os interesses obscursos ainda impedem avanços significativos, para firmar uma nova relação governo-comunidade, pautada pela ciência da informação, impulsionada pela tecnologia digital.

As cidades tecnológicas, as avenidas digitais, por meio das quais a comunidade vai trafegar, com suas propostas comunitárias renovadoras, requererão investimentos que ainda estão no plano das promessas, mas sob intensas pressões sociais e políticas, que não querem esperar mais, para efetivar a relação democrática mais intensa da sociedade com os seus representantes, ainda inconscientes do papel renovador da transparência total, dado que são impedidos pelos seus interesses pessoais, desligados do compromisso social.

Experiências exitosas em diversas cidades estão em curso. Na recente campanha eleitoral, a maior promessa, por exemplo, do candidato Fernando Gabeira, do PV, derrotado no Rio de Janeiro, teve como âncora a tecnologia da informação e seu engajamento numa plataforma política voltada para a impulsão das cidades digitais.

 

Brasilia Capital Digital, por enquanto, no papel

No Brasil, o governo Lula trabalha para intensificar a sociedade do conhecimento, mas a prioridade, ainda, não é essa, mas o pagamento da dívida pública interna, que exige desembolsos de quase R$ 200 bilhões aos bancos, enquanto o conhecimento fica em segundo plano, por enquanto, apesar de os projetos governamentais serem grandiosos, porém, devidamente, guardados nas gavetas da burocracia.

No DF, igualmente, o secretário de Ciência e Tecnologia, Izalci Lucas, realizou, nos últimos tempos, intensa mobilização com os empresários, para a construção do projeto Brasília Capital Digital, por enquanto, andando a passos de cágado, porque não se chegou, até o momento, ao consenso sobre a parceira governo-iniciativa privada, a fim de dar curso mais veloz ao empreendimento, embora a sociedade esteja ávida para participar dos avanços que tal progresso proporciona no campo do conhecimento.

Não é mais possível o ensino verdadeiro sem a instrumentação da tecnologia digital, que coloca o ser humano diante da informação que deseja e precisa, para resolver seus problemas relacionados ao conhecimento, antes acessível, apenas, a uma minoria de privilegiados.

No plano político, como demonstrou a campanha vitoriosa de Obama, os núcleos comunitários tendem a se transformar nas plataformas a partir das quais a organização política ganharia força, formulando questões a serem encaminhadas à administração pública, sinalizando intensa interatividade político-administrativa, para conferir à administração pública suficiente autenticidade na relação governo-comunidade. Esse é o novo tempo da democracia participativa, que ultrapassa a democracia meramente representativa, que, deixada à sorte dos políticos, sucumbe pela falta de suficiente autenticidade, bloqueda pela corrupção.