Show de Bachelet: UNASUL desbanca OEA

Show político de Michelle Bachelet, presidente do Chile e pro-tempore da União das Nações Sul Americanas – Unasul. No sábado, 12.08, convocou, emergencialmente, reunião da entidade política, no auge da crise boliviana, afetada pelo terrorismo fascista, disposto a destronar o presidente Evo Morales, dado o temor radical pela democracia direta em curso sob poder político socialista indigenista.

Competente, ela utilizou o instrumento político da UNASUL, para executar a tarefa. Desencadeou, com essa jogada política genial não apenas a aposentadoria da Organização dos Estados Americanos(OEA), tardia e morosa em suas ações, ao mesmo tempo que causou confusão geral entre os presidentes sul-americanos. Estes se confundiram na imediata interpretação da estrategia politica micheletiana e da convenIência do encontro, visto de óticas individuais. Foram dominados pelo pensamento individualista, enquanto Bachelet jogou com a totalidade, pensando na América do Sul.

A confusão foi geral. Lula ficou na dúvida; Cristina Kirchner fechou na hora; Alan  Garcia se machucou, não comparecendo, porque viu equivocadamente articulação chavista no ar; Álvaro Urite titubeou, temeroso de radicalismos vindos do presidente Chavez; e Morales, quase nas cordas, diante dos ataques fascistas, temerosos da democracia direta, jogou com competente realismo.

O presidente boliviano viu o lance político genial de Bachelet e disse que foi iniciativa para discutir assuntos sul-americanos comuns. Avanço em relação à histórica prática da OEA de tormar partido sempre dos governantes norte-americanos, que impuseram na marra a expulsão de Cuba do organismo.

Agora, depois do histórico lance político Bachelet, inguém mais vai querer ficar na organização. Fossilizou, graças à astúcia política da chilena socialista.

Morales viu a luz brilhar. Não tinha outra saída, senão ser socorrido pelos colegas sul-americanos na Unasul, criada em junho em Brasília. Soprou vento politicamente forte dado por uma líder sul-americana. O jogo Bachelet rompeu impasses e impôs novo paradigma politico sul-americano.

Passadas as incompreensões políticas múltiplas, dadas pelo individualismo de cada presidente e o aspecto cioso que procuram manter, para tentar ser, cada qual, o líder maior, todos chegaram ao consenso. Simples, Bachellet bombou políticamente no cenário sul-americano.

Aproveitou as incompreensões dos seus colegas, de não buscarem superar, logo, as idiossincrasias individuais, e viu o coletivo. Estadista.

As mulheres ganharam, com Bachelet, agora, grande espaço político no contexto da Unasul.

 

Parlamento sul-americano

A Unasul, sob Bachelet, ao jogar no armário de antiguidades latino-americanas a OEA, dá, na prática, passo fundamental para inaugurar o parlamento sul americano. Desbanca o pensamento neoliberal americano sob a instituição, detonando-a, colocando em seu lugar uma tentativa de pensar a Unasul com pensamento sul-americano. Onde melhor exercitar isso, senão no parlamento sul-americano? Bachelet faz história.

Dominada, historicamente, pelos poderosos interesses dos Estados Unidos, na América do Sul, a OEA, quase, sempre, nas crises sul-americanas jogou com interesses americanos que contribuiram para a divisão política sul-americana. Não havia a voz nítida da América do Sul. Era um ruído, filtrado pelos interesses que se impopularizaram porque foram financiadores de ditaduras sanguinárias e não de líderes democráticos, como Allende, vítima das conspirações que tentam destruir Evo Morales.

Morales, político brilhante, viu, no primeiro lance,  o que nem Lula nem Chavez viram, ou seja, que a Unasul, sob Bachelet, colocava em cena o pensamento sul-americano em informal parlamento sul-americano, expresso na Unasul. Chavez saiu dando tiro, Lula sacando nota diplomática chinfrim, Uribe ouriçou, enquanto Cristina não vacilou diante da genialidade política da colega chilena.

Teria pintado inveja de homem?

Diante dessas incompetências que surgem quando interesses pessoais predominam, a presidente do Chile sublimou politicamente com grande talento. Sua performance no recibmento dos convidados espraiava áurea espetacular de auto-confiança infinita na sua jogada. Viu o todo. Transcendeu às partes.

Resultado: é a nova líder sul-americana.

Põe em funcionamento a Unasul, cujas propostas estão inseridas no parágrafo único do art quarto da Constituição brasileira de 1988, que prioriza “a integração política, econômica, social e cultural dos povos da América latina, visando uma comunidade latino-americana de nações”. Simplesmente, Unasul.

Bachelet, como verdadeira líder, tira do papel e lança ao ar uma conquista política sul-americana, no sentido de dominar sua própria voz, para buscar solução para as crises políticas na América do Sul. A OEA não fez o dever de casa, que seria condenar o terrorismo e afirmar-se contra a negação, pelos fascistas, da democracia boliviana.

 

Lição sul-americana-chilena

Curiosamente, vence, no plano ideológico, a astúcia política chilena, sob comando de uma líder provada na vida dura de filha de mártir da liberdade, assassinado pela ditadura Pinochet. Bachelet, seguramente, depois que sair da presidência é nome sul-americano para a ONU.

Enquanto isso, está mostrando sua habilidade, que não é dada nem pela excessiva indefinição de Lula no trato da questão boliviana, nem pelo excessivo açodamento adotado por Hugo Chavez.

Caminhou exuberantemente com a experiência chilena. É isso a conquista política socialista chilena, com discurso ajustado pela mistura adequada do pensamento socialista com pensamento capitalista, não à moda chinesa, que padece de democracia, mas dentro dos pressupostos democráticos.

Estes, sob o pensamento socialista chileno, está, com Bachelet, caminhando mediante compromissos maiores do capital para com o social, via política fiscal, a fim de fortalecer o mercado interno nacional.

Em outros modos, a mesma coisa é tentada, no Brasil, com Lula; na Venezuela, com Chavez; na Argentina, com Cristina; na Bolívia, com Morales; no Paraguai, com Lugo; no Equador, com Correia; no Uruguai, com o politicamente apagado ex-guerrilheiro, Tabaré Vasquez; e no Peru, com Garcia, que, lamentavelmente, fez um papelão ao não ter ido a Santiago.

Violenta mancada diplomática. Ficou na rabeira do campeonato de liderança política sul-americana. Coisa boa.

Bachelet coloca dentro da Unasul a discussão que é de todos os presidentes sul-americanos, independente das variantes políticas idiossincráticas existentes no plano da aparência: maior investimento no social para equilibrar o desequilíbrio provocado pelo capital oligopolista em expansão. Este destrói a concorrência e faz emergir o seu oposto, em movimento dialético, isto é, o oligopólio estatal, em nome do interesse público, como previu Jack London, em Tacão de Ferro, prefácio de Trotski.

Lula está nesse jogo, dividindo prioridades entre o social e o capital, bancando juros altos para atrair dólares que estão apodrecendo na crise bancária global, empobrecendo Estados Unidos e Europa e lançando raízes de desastres monetários e políticos. O fascismo alimenta-se disso.

 

O jogo econômico nacionalista sul-americano

O presidente brasileiro deu aos empresários o que eles não tinham: consumo interno. Antes, quando os estoques encalhavam, vinha sobredesvalorização. Com consumo interno emergiu sobrevalorização. Ele jogou na circulação capitalista 50 milhões de consumidores, colocando dinheiro estatal keynesiano – sempre Keynes! – para garantir poder de compra dos miseráveis que viviam sob o subconsumismo econômico histórico nacional, bombador de crises políticas sul-americanas.

Na circulação, como destaca Marx, é que o capital se reproduz. O bolsa família, apesar de o valor destinado a dar aval a 12 milhões de cartões de crédito contra a fome, corresponda a pouco mais de 1% do PIB, a circulação multiplicou, triplicou, o capital e o governo arrecadou mais. Caminhão novo para transportar 40 milhões de quilos de comida por dia, correspondente ao programa Bolsa Família, somente com sete meses de espera.

Na circulação, o capital multiplica não apenas para si, mas, também, para o governo, que é o maior beneficiado pela circulação das mercadorias. A arrecadação bate seguidos recordes.

Sem o consumo dos miseráveis, os cofres estariam vazios. O país estaria vulnerável à bancarrota financeira global. O ministro Guido Mantega para que está até gozando com a situação. Se o governo não tivesse aumentado os gastos mais que o crescimento do PIB, solução manteguiana-nacionalista, a tempestade estaria aí, rebentando tudo. Os neoliberais são suicidas. Teriam que ler Sócrates e Marx que consideram entesourar empobrecer. Não é mecanicismo, é dialética.

O milagre da circulação popularizou Lula, Chavez, Bachelet, Cristina, Correia, Morales e, agora, Lugo, mediante políticas nacionalistas destinadas a fortalecer o poder de consumo nacional. É um novo tempo de emergência dos movimentos sociais em toda a América do Sul, cuja exigência é por maior distribuição da renda nacional.

 

Sócrates entra em ação

Por isso, como é de urgência, a democracia direta vai se transformando em imperativo categórico, como diria Kant. Instrumento político de transformação das massas.

Como a democracia representantiva foi corrompida pelo capital e se encontra, minoritária, contra a sociedade, pois abandonou a política pelas medidas provisórias, a democracia direta, nos contextos onde as contradições econômicas, políticas e sociais, historicamente, estão mais radicalizadas, como na Bolívia, a maioria no poder impõe o jogo, sob os pressupostos democráticos.

As bombas contra Morales representam bombas na democracia direta, que acelera a distribuição da renda e forma nova correlação de forças políticas dada pelo aumento das conquistas e direitos da maioria, antes marginalizada, politicamente. Revolução democrática.

Não dá, dessa forma,  para engolir o comentário de William Waack de que o Brasil de Lula está sendo conivente com a Bolívia por não endurecer o discurso contra Morales. E a história, Waack, não vale nada? Francamente, pobre.

Felizmente, pintou quem seguisse o conselho de Sócrates na República de Platão: sabedoria, ousadia e ponderação. Nem Chavez nem Lula foram tão brilhantes, pois se comportaram como se estivesse em jogo a capacidade de um dos dois de resolver a questão, já que são os mais ricos, os donos do petróleo. Resquícios do machismo sul-americano. 

Bachelet, craque, deu o chapeu e completou de primeira. Destronou a OEA e pode ganhar a ONU. Emerge irrestivelmente como voz sul americana de coragem, de ousadia e de ponderação. Socrática.

Moeda sul-americana já

EDITORIAL – A pauta principal da União Sul Americana, UNASUL, hoje, em Santiago, sob presidência de Michelle Bachelet, certamente, é a crise boliviana, que ameaça emergência de separatismo na América do Sul.

Trata-se, claro, de algo que interessa às forças desintegradoras internacionais, dominantes no cenário global. Estas, que enfrentam, nesse instante, a derrocada geral do dólar, no contexto da crise bancária, com efeito dominó sobre as grandes instituições financeiras internacionais, não gostariam que ocorresse a união da América do Sul, que, com suas riquezas reais sobrevalorizadas em face do dólar sobredesvalorizado,  virando papel de parede no compasso do século 21, aponta para influente poder futuro no cenário global.

Assim, a UNASUL, além da pauta boliviana, precisa, urgentemente, debater a grande crise, o tsunami financeiro que está varrendo os Estados Unidos e a Europa. Os ricos estão ficando pobres, por conta da desvalorização da moeda de referência internacional, bancada pelo sopro do Estado nacional americano, abalado pelos deficits insuportáveis, incapazes de dar tranquilidade ao mercado, para enxugar a liquidez e evitar inflação exponencial.

Por isso, faz necessário e urgente, a moeda sul-americana, já.

Tal realidade, se fixada, faria emergir nova potência global. Por isso, a clássica lição imperialista, de dividir para governar, continua sendo o objetivo principal das grandes potências, que agem, coordenadamente, no G7.

Ocorre que essa força internacional poderosa está atordoada pela bancarrota financeira neoliberal, cuja responsabilidade cabe exclusivamente, a ela. A sobreacumulação de capital nos países ricos, por conta da desatada especulação financeira com o dólar derivativo, que passou a ser a forma adequada de reprodução ampliada do capital – já que não consegue fazê-lo mais na produção, prejudicada pelas contradições do próprio capital – , deixa os poderosos sem o que fazer, de forma efetiva, senão torcer para que o maremoto não leve tudo de roldão.

Chegou, portanto, a hora da UNASUL aproveitar o embalo para criar não apenas a moeda sul-americana, mas, também, o banco central sul-americano, o parlamento sul-americano, a segurança sul-americana. O lastro que a America do Sul possui é poderoso.

Qual? A riqueza do petróleo, das matérias primas, dos alimentos, do sol, da terra, da água – que garantem até três safras anuais – , ativos reais abundantes em solo sul-americano. Não é ficção, como a moeda referência, que vai sendo corroída pela bancarrota.

Trata-se de superar, rapidamente, as divisões internas sul-americanas e partir para essa unidade, tendo como ponto de encontro a moeda, ancorada em riqueza real, não fictícia.

Chegou a hora da política sobrepor-se à economia.

Esse é o momento da afirmação continental sul-americana, na linha proposta pelos libertadores do continente, como, por exemplo, Vargas, Tiradentes, Tancredo Neves, Marti, Bolivar, Peron, Fidel, Guevara etc.

Mãos à obra UNASUL.

Lula ganha de Chavez espaço na crise boliviana

O presidente Lula ganhou importante espaço político no contexto da crise boliviana, para tentar coordenar a conciliação entre governo e oposição. Está deslocando, com discurso conciliador, o presidente Hugo Chavez, que optou pelo discurso incendiário.

O presidente Evo Morales, contatado pelo titular do Planalto, na semana passada, para ajudar nos entendimentos, recusou apoio, num primeiro momento. A oposição, diante do vácuo, entrou pedindo o passe de Lula para ser agente da solução de consenso entre as duas partes em confronto.

Morales, sob pressão violenta dos adversários, ao dispensar a oferta lulista, deu a entender dispor de cacife suficiente. Não emplacou. A oposição mostrou força. Morales, então, foi ao contra-ataque, para expulsar o embaixador americano, considerando-o fomentador dos conflitos no país, articulado com a força reacionária, contrária ao avanço da democracia direta por meio de referendo. 

A próxima batalha, nesse sentido, deverá ser em 7 de dezembro, quando haverá ou não ratificação, pela população, da nova Constituição, que faz avançar o poder popular, hoje, em mãos dos indígenas, cujo líder maior é o presidente Morales.

Nessa Constituição, tirada de Assembléia Constituinte revolucionária, os estados mais ricos poderão perder autonomia e riqueza. Neles, estão as grandes fontes de petróleo e gás, sobre as quais Morales quer ampliar cobrança de impostos, para bancar programas sociais. Deseja fazer reformas do capitalismo boliviano, semelhantes às em curso, no Brasil, como forma de estabilizar crescimento e inflação, via melhor distribuição da renda nacional.

 

Precipitação chavista

Nesse contexto, em meio à reação diplomática radical de Morales, o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, apostando no acirramento diplomático, agiu de forma semelhante, expulsando, no mesmo dia, em solidariedade ao colega boliviano, o embaixador americano no país, enquanto destaca, simultaneamente, que estava desarmando complô golpista contra seu governo.

A corda esticou, puxada pelos dois presidentes, Evo e Hugo, contra Washington, considerada por eles culpada pelo acirramento da crise. Evidenciou, então, para os adversários de Morales que seria impossível contornar a crise boliviana, mediante solidariedade de Chavez a Evo, que dispensara ajuda brasileira ofertada por Lula.

As tensões internas explodiram em dois dias, com 30 mortos e outro tanto de feridos, especialmente, em Pando, para onde tropas governistasse se descolocaram. Evidenciou-se o que os analistas já estavam prevendo: nem a oposição, sozinha, tem condições de vencer a parada, assim como o governo, também, dificilmente, sairia vencedor contra as forças dos oligopólios que dominam a economia nacional, tendo a oposição radicalizada como cabeça de ponte.

Com ambos os lados exaustos, falou alto a defesa feita por Lula pelo entendimento. Só que o apelo para a participação do presidente brasileiro como conciliador não partiu, dessa vez, do presidente Morales, mas dos líderes da oposição.

Ou seja, atenderá o apelo direto dos que são contra Morales, aliado a Chavez, que perdeu, pelo açodamento, condições de liderar, na Bolívia, um consenso, pois radicalizou demais antes da hora.

O que Morales e Chavez deveriam fazer, desde o primeiro momento dos ataques terroristas e fascistas da oposição contra o governo, seria a cobrança ao inimigo deles, o presidente W. Bush, de apoio às forças políticas constitucionais, pois, afinal, os Estados Unidos mantêm cruzada permanente contra os terroristas.

No dia 11 de setembro, teria sido o momento ideal, pois representava data dos atentados terroristas em Nova York, há sete anos. W. Bush, com essa cobrança, ficaria no curé.

Em vez disso, Morales expulsou o embaixador, seguido, no gesto por Hugo Chavez. Deu motivo para Bush ficar na dele, parcial, no ataque, contra as forças democráticas bolivianas, expressas por manobras realizadas pelo seu representante no país, com conhecimento pleno dos seus chefes em Washington, claro.

 

Teste para liderança chilena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nessa segunda feira, os desobramentos da crise rolam em Santiago, Chile, com reunião da União das Nações Sul Almericanas – UNASUL -, sob presidência da presidente Michelle Bachelet, que a convocou para discutir a crise boliviana.

Será o primeiro teste barra pesa da nova organização continental, nascida para promover as demandas por integração econômica e política da América do Sul.

Lula chega lá polarizando com Chavez, no plano diplomático, fortalecido por ter se tornado elemento que poderá gerar consenso entre as partes em conflito, sabendo que o Brasil é o mais interessado no processo de paz, já que depende do gás boliviano para abastecer as indústrias em estados fortes como São Paulo e Rio de Janeiro.

Pode ser a hora do presidente brasileiro destacar-se no plano diplomático sul-americano, com ênfase, dadas as condições favoráveis que dispõe, tanto no plano político, por estar bombando nas pesquisas de opinião, diante da economia nacional em crescimento, enquanto a economia mundial mantém expectativas pessimistas, mas, também, porque o Brasil, com as descobertas trilhonárias de petróleo, na camada pré-sal, passou a ser respeitado no plano continental e global.

Obtém cacife extraordinário, para ser voz de comando no contexto da união sul-americana, pregando moeda sul-americana, banco central sul-americano, segurança sul-americana, tribunal sul-americano e parlamento sul-americano.

As riquezas sul-americanas sobrevalorizadas no ambiente em que as relações de trocas internacionais vivem incertezas diante da sobredesvalorização do dólar, moeda referencia global, podem ser o lastro da união, com o Brasil despontando-se com maior expressão nessa nova conjuntura. 

Ou a riqueza, em vez de união, geraria discórdia?

Democracia direta detona guerra civil na Bolívia

Não dá para tapar o sol com a peneira. Os adversários radicais do presidente Evo Morales, depois de perderem a parada do referendo nacional sobre se Morales continuaria ou não presidente, adotam o terrorismo político, para tentar melar o jogo democrático.

Fundamentalmente, os opositores bolivianos, nas regiões ricas da Bolívia – Pando, Beni, Santa Cruz, Chuquisaca, Tarija, formando a chamada “Meia lua”, agora, lua vermelha, manchada de sangue, na região leste, de norte a sul, fronteira com Brasil –  estão temerosos de que o referendo constitucional, no próximo dia 7 de dezembro, dê outra vitória acachapante ao representante político do pensamento socialista indigenista sul-americano.

Partiram para a ignorância fascista. Poderá dar, é claro, nova reviravolta na questão política, favorável à nova ideologia política no poder boliviano, extraída da força popular. Acelerará a democracia ou antecipará o golpe?

O referendo e o plebiscito são as novas armas da revolução sul-americana, que, estão, também, na constituição dos Estados Unidos, como suprassumo da representatividade democrática.

A conscientização política, sob governos dispostos a praticar a democracia participativa, assombra os fascitas, que tentam esconder-se por trás do biombo da democracia representativa, como falsos democratas.

Pretendem, resistindo, conservadoramente, ganhar o poder e exercê-lo com os interesses de cúpula política, mediante sistema viciado de distribuição do jogo eleitoral do poder em que os partidos carecem de representatividade popular.

Pode ser que próximas etapas de mudanças serão dadas pelo referendo. Antes, virá o referendo maior, o de 7 de dezembro de 2008, que chancelará ou não a nova Constituição.

Depois, não estaria afastada hipótese de novos avanços da democracia participativa para discutir e votar sobre política energética nacional, como já reivindicam os partidários de Morales.

Historicamente, o poder sempre esteve em mãos da cúpula política e empresarial associada ao capital externo que mandava e desmandava na política energética. O poder indigenista sentou à mesa e quer participar, legitimamente, via democracia direta, do novo poder. Força política consciente irresistível.

Tudo deixa de ser previamente dado para ser tudo plenamente discutido nas ruas. As cúpulas sempre tiveram medo das ruas. Preferem o udenismo golpista. A nova Constituição boliviana está adequada aos interesses das forças políticas que chegaram ao poder e sentiram que, por serem maioria, terão o mando de campo por algum tempo, que pode ser longo, se souberem manter-se unidas. Seu ponto de unidade é o pensamento indigenista, o mais humilhado na história da América do Sul.

Pensamento socialista indigenista

Agora, tal pensamento, que foi teorizado por José Carlos Mariategui, em livro genial, internacionamente, respeitado,  “7 ensaios de interpretação da realidade peruana”(1927), e que vem fazendo a cabeça ideológica da nova esquerda sul-americana, voltada para cultivar as tradições políticas indígenas, destruidas pelos colonizadores, começa a fazer efeito bravo no compasso dos plebiscitos e dos referendos democráticos. Revolução democrática.

Como sempre foram minorias que só conseguiram maiorias por meio da manipulação da democracia representantiva, cujo peso maior é o jogo econômico associado do capital interno e externo, os interesses econômicos privilegiados pelo status quo sob ataque se desesperam. Não dispõem de base popular suficiente para se submeterem,  com sucesso, aos pressupostos básicos da neodemocracia direta. Vêem seu poder esfumarçar-se sob impactos de referendos e plebiscitos democráticos.

Deixa de ser útil, para os interesses conservadores, os pressupostos democráticos em sua radicalidade popular, expressa na democracia direta, que supera, quantitativa e qualitativamente, a democracia representativa, viciada pela corrupção do capital. Um salto ousado e perigoso.

Seria diferente no Brasil? Aqui, por exemplo, a democracia representativa se transformou em farsa, depois que se subordinou, completamente, aos interesses dos credores, que induzem o governo a administrar o país por medidas provisórias. Os interesses que sustentam essa situação não ficariam de pé sob impactos de referendos plebiscitários.

Novos donos do poder

Nova Constituição, via assembléia constituinte, como rola na Bolívia, poderia  eliminar o suprassumo do poder dos banqueiros, expresso na letra b, do inciso II, do parágrafo terceiro do artigo 166, da Constituição brasileira, que transformou em direito e causa pétrea o pagamento dos serviços da dívida, tornando-o livre de contingenciamentos.

Estes somente podem abater-se sobre o lombo da população em forma de contingenciamentos de recursos destinados aos investimentos em educação, saúde, segurança, infra-estrutura. Tudo garantido por medidas provisórias que excluem o debate social entre as forças antagônicas por intermédio dos partidos.

No contexto do referendo e do plebiscito, é outra história. A sociedade é chamada a dar opinião. Por isso, Morales está causando a rebelião fascista contra si. Os fascitas estão temerosos de perderem o poder no plebiscito no próximo dia 7 de setembro. Querem rebentar, antes, um golpe, dividindo, perigosamente, o país. Separismo radical.

Hugo Chavez, presidente da Venezuela, percebeu o jogo dos golpistas, pois sofreu na pele. Reagiu e avisou que mandará bomba. Expulsou o embaixador dos Estados Unidos na Venezuela, sob pretexto que descobrira golpe interno contra si por militares aliados de Washington, repetindo o gesto de Morales, que justificou a expulsão do embaixador americano por estar conspirando contra os interesses da democracia boliviana.

Washington considerou absurdo e expulsou, também, os embaixadores dos dois países nos Estados Unidos.

Morales bobeou por não ter cobrado, na hora, dos Estados Unidos apoio ao governo boliviano contra o golpe fascista e terrorista, antes da radicalização final. Precipitou-se, quando poderia tirar partido da data de 11 de setembro, quando, em 2001, Nova York foi bombardeada pelo terrorismo.

Seria um teste para a política anti-terrorista bushiana.

A radicalização política favoreceu a Casa Branca, que ficou livre de maiores explicações, por ter o governo boliviano pré-julgado participação do governo americano em conspiração contra Morales, ancorado no novo poder indígena.

O campo ficou aberto para as bombas. O terrorismo político está sendo a resposta dos temerosos de perderem o poder sob plebiscitos e referendos. A luta pelo poder sempre foi sangrenta, na América do Sul, mas os referendos e plebiscitos surgiram como possibilidades de mudanças sem sangue, mas com paz.

A quem interessa, numa economia dominada pelos oligopolios privados, a guerra que põe em campos opostos o governo popular e os interesses contrariados com a mudança brusca via plebiscito democrático?

Atualidade jacklondoniana

Emergiu na Bolívia a previsão de Jack London, em “Tacão de ferro”(1907), prefaciado por Trotski, de que do ventre do oligopolio privado nasceria, em nome do interesse público, o oligopólio estatal.

A estatização total das riquezas energéticas bolivianas é a emergencia do oligopólio estatal que desbanca, via referendos e plebiscitos, o oligopólio privado na exploração das riquezas do gás e do petróleo, razão maior do radicalismo fascista.

As prioridades políticas que levaram Morales ao poder exigem que tire mais dinheiro dos ricos do petróleo e do gás, para fazer o mesmo que o presidente Lula está fazendo no Brasil, bombando com dinheiro público os programas sociais, para sustentar o consumo interno e dar estabilidade econômica à Bolívia.

Diante da exigencia de maior transferência de riqueza, via política fiscal, os interesses contrariados jogam bombas na democracia direta, pois ela se transformou em seu algoz.

O cinismo mostra que não tem limites. Os fascitas se auto-intitulam “grupos cívicos”, neologismo com o qual tentam encobrir o que realmente são, ou seja, grupos terroristas, jogando bombas nas armas da economia, as exportações do gás, e da política, referendos e plebiscitos.

No último referendo, que assegurou sua continuidade no poder, 65% apoiaram Morales.  Se rolar o mesmo percentual no próximo dia 7, estará dada a base legal para aprofundar reformas econômicas, que, necessariamente, implicam maior distribuição da renda nacional, concentrada nas mãos dos falsos democratas que passaram a ter como arma não a palavra mas bombas.

Faltou solidariedade bushiana

A falta de solidariedade de Washington à democracia participativa de Morales, semelhante à democracia participativa direta americana, responsável por levar o governador da California, Arnold Schwarzenegger, ao poder, demonstra caráter anti-democrático. Para ele, as Farcs contra o presidente Álvaro Uribe são terroristas; mas, os bombardeadores da democracia boliviana são “grupos cívicos”.

O jogo, pelo menos nessas horas quentes, é de radicalização, mas pode, também, ter muito fogo de palha, porque os opositores e governistas, na Bolívia, já sabem que, isoladamente, não conseguirão governar. Os antagonismos fizeram explodir as contradições que buscarão sua superação dialética.

A tese – o pensamento econômico colonialista – fez emerger radicalmente a antítese – o pensamento econômico socialista indigenista. Qual a síntese?

A política, segundo ensina Sócrates, na República de Platão.

As partes terão que sentar à mesa. O banquete da renda nacional terá que ser dividido por bem ou por mal, graças ao predomínio do plebiscito.

A burguesia boliviana, porém,  ainda não percebeu que o combate ao subconsumismo nacional, como está sendo feito no Brasil, com maior distribuição da renda, via garantia de consumo dos mais pobres, dinamiza a economia,  alavanca a própria renda nacional, estabiliza relativamente a inflação e fortalece a democracia.

Ninguém faz revolução de barriga cheia. Fidel Castro que o diga. Lula , igualmente, nada nas alturas da popularidade.

O jogo na Bolívia é como se invertesse a história. Os índios chegam ao poder para explorar os brancos e dominar suas riquezas, a fim de exportá-las e obter o fruto para aplicação nos projetos sociais indígenas.

Estes passam a obedecer a uma lógica econômica dada pela política indigenista, inversa ao pensamento predominante historicamente desenvolvido pelos outrora detentores exclusivos do gás, dos minérios, do petróleo e da política.

Entra em cena a força ou a fraqueza do estado nacional para conter os oligopólios econômicos.

O Estado nacional já era

O economista Marcio Porchaman, presidente do IPEA, tem destacado que os estados nacionais, no contexto da globalização, foram ultrapassados pelos oligopólios econômicos. Estes, na Bolívia, eram os donos absolutos do poder.

Agora, são os donos relativos. Vencerá o absolutismo ou a relatividade? Como resgatar o poder do estado nacional em meio à contestação social violenta em reação à melhor distribuição da renda no país?

Para Porchman, o episódio, preocupante para toda a diplomacia sul-americana, destaca a necessidade de sedimentar a união sul-americana, alvo de grandes resistências que cobiçam as riquezas da América do Sul.

Desejam dividir para governar. A Bolívia tem sido alvo dos separatistas, depois que o pensamento socialista indígena josecarlosmariateguiano chegou ao poder.

A decisão de estatizar o petróleo e o gás e as demais riquezas estratégicas levantou a ira dos velhos grupos oligopólicos energéticos, que atuam na Bolívia, como extensão da sua abrangência global, desde a primeira metade do século 20.

Em outras ocasiões, derrubaram governos nacionalistas, para sustentar seus interesses. Contavam sempre com argumentos, repetidos no Brasil pelos tucanos sobre a expropriação ilegal de riquezas dos investidores, referindo-se à Petrobrás, para resistir, se possível com tropas nas fronteiras Brasil-Bolívia.

Os interesses petrolíferos internacionais, acionistas da Petrobrás, depois da abertura do capital da empresa na Era FHC, somente não radicalizaram demais o discurso anti-Morales, porque o presidente Lula não caiu no conto golpista tucano neoliberal-guerreiro.

Evitou neo-Iraque sul-americano, via armadilha contra Saddam Hussein, estimulando-o a invadir o Kuwait, para, em seguida, ser invadido e executado.

Lula desarmou a bomba que os interesses multinacionais projetavam, vale dizer, criar zona de conflito na América do Sul. Acirraria, ainda mais, a polarização guerreira entre o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, e o dos Estados Unidos, W. Bush. Fogueira.

Beleza pura para os interesses da guerra.

 

Com a América do Sul, rica em petróleo, sob guerras separatistas, o mercado de armas se ampliaria extraordinariamente.

A gravidade política do momento pode exigir dos 12 países sul-americanos maiores esforços para intensificar a UNASUL – União das Nações Sul Americanas, como instância política maior para debater os problemas sul-americanos, buscando soluções próprias, para além do estado nacional, vulnerável, possíveis, já que o continente, graças as suas riquezas reais, aumentou seu cacife político na negociação global.

Por que a quarta frota norte-americana estaria avançando em mares sul-americanos, quando estouram conflitos separatistas e terrorismo político na Bolívia?

O Congresso nacional discute a bisbilhotice da ABIN, na CPI dos Grampos, mas não debate a bisbilhotice da Casa Branca em terras e riquezas  da América do Sul. Depois reclama quando Hugo Chavez o chama de papagaio de Washington.

A América do Sul está diante das possibilidades de integração e de desintegração, simultaneamente.

Brasil e Argentina deram pontapé  no sentindo da integração, dispensando o dólar das relações comerciais brasileiro-portenhas, a partir de outubro, lançando germe da moeda sul-americana. Os radicais terroristas do separatismo boliviano sinalizam o contrário, desinteração.

Quem vencerá? Bomba ou democracia?

Conspiração golpista contra Morales

As reações políticas separatistas na Bolívia, expressas na resistência dos terratenientes de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija, Chuquisaca entre outras cidades importantes do sul do país rico em se submeterem ao poder central de La Paz estão sendo fomentadas por conspiração internacional semelhante às praticadas pela CIA em diversos continentes. Não se deve esquecer o que aconteceu em 1973, no Chile, de Allende, vitimado pela conspiração anti-democrática, por trás da qual esteve a CIA.

Tenta-se criar crise de abastecimento, interrompendo a oferta de gás boliviano ao Brasil. Colocaria uma região como São Paulo, consumidora do produto, em situação de grande inquietação. Da mesma forma, Buenos Aires, que utiliza parte do gás, ficaria intranquila. Haveria pressões políticas sobre os governos brasileiros e argentino para engrossarem discursos contra tal situação, sinalizando tensões crescentes.

Trata-se de gerar instabilidade capaz de abalar governos que ameacem os capitalistas internos aliados aos capitalistas externos, profundamente, contrariados com o status quo indigenista boliviano sob comando do presidente eleito Evo Morales. Nem a reafirmação do poder dele por meio de plebiscito recente consegue deter a conspiração em marcha.

As forças conspiratórias na Bolívia jogam no separatismo porque em tal situação abre-se espaço para intronização, na América do Sul, de forças de paz internacional capitaneadas pela ONU, a exemplo do que já aconteceu em diversos países, como Kosovo, e como acontece, atualmente, no Iraque.

A América do Sul estaria envolvida, então, em guerra separatista, já que evento-tese política dessa natureza criaria antíteses, igualmente, políticas cujas consequências desestabilizadoras suscitariam intervenções externas convenientes aos interesses que estão sendo contrariados pelo poder boliviano nacionalista.

Os poderosos do sul resistem, basicamente, que seja transferido do sul para o norte, sob comando do poder em La Paz, a arrecadação dos impostos extraídos das riquezas do gás e do petróleo da região sul. Cobram royalties elevados e bloqueiam os canais de escoamento, tanto para o mercado interno como externo, na tentativa de gerar caos econômico financeiro. Morales tenta reformar o poder a partir de nova Constituição popular, mas as resistências às suas tentativas indicam que o seu poder está sob intenso perigo. A corda pode romper, gerando tensões sul-americanas crescentes, que seriam capitalizadas pelos que interessam na divisão política continental.


Ambiente contaminado pela crise mundial

No contexto em que os países ricos estão sendo abalados pela bancarrota financeira, ao mesmo tempo em que buscam influir no destino da riqueza poderosa do petróleo que está se ampliando na América do Sul, uma guerra separatista aumentaria a confusão adequada para suscitar paixões que desatariam em violência, quando mais vão ficando sombrias as perspectivas das forças liberais envoltas no fracasso econômico neoliberal na Europa e nos Estados Unidos.

Estaria criado ambiente que permitiria divisão territoral na Bolívia, bem ao gosto dos interesses  dos defensores de maior intervenção direta sobre as riquezas sulamericanas, como está sendo feito no Iraque.

Destaque-se que o Iraque, sob Saddam Hussein, caiu na armadilha dos interesses poderosos do petróelo que buscaram e conseguiram apossar das reservas iraquianas.

Os Estados Unidos estimularam Saddam a invadir o Kuwait, para em seguida se voltarem contra o mesmo Saddam, invadindo o Iraque. Vale dizer, Saddam caiu na armadilha de Tio Sam.

Algo nesse sentido, foi tentado na Bolívia, depois que Evo Morales se elegeu e passou a agir com base na sua plataforma política nacionalista, a partir da nacionalização das reservas de petróleo e gás boliviano.

As multinacionais do petróleo, cuja história na afirmação do negócio de exploração do ouro negro está manchada de sangue, não aceitaram , inteiramente, a soberania econômica afirmada por Morales.

A Petrobrás, que atua como multinacional na Bolívia, levantou controvérsias no Brasil relativamente à necessidade de resistência á ação nacionalista de Evo Morales, em termos quase belicosos.

Os tucanos, por exemplo, pregaram mobilização de tropas, para defender os interesses da Petrobrás, cujo monopólio foi, na Era tucana-FHC, rompido, para permtir ampliação dos interesses externos, ou seja, das próprias empresas multinacionais do petróleo, dentro da empresa outrora 100% estatal.  Pressões nesse sentido sobre o presidente Lula se avolumaram.

Armadilha da guerra

Era, exatamente, isso que os Estados Unidos e Europa desejariam, ou seja, a criação de uma tensão guerreira na América do Sul. Dividir para governar. Haveria um racha entre os sul-americanos.

Hugo Chavez, presidente da Bolívia, diante dessa possibilidade, acusou, na ocasião, disposição de ajudar Morales, caso mobilizações de tropas brasileiras fossem posicionadas na fronteira Brasil-Bolívia.

Haveria reação de Chavez , mobilizando tropas para fortalecer Morales, mediante discurso politicamente radical, de acusação, principalmente, ao presidente dos Estados Unidos, W. Bush.

Estaria formado o campo ideal para o separatismo e a guerra. Lula, naquele momento, poticamente, cautelo, contornou o perigo e não caiu na armadilha.

Agora, novamente, as forças derrotadas nas eleições resistem em aceitar que o poder nacional sob comando de Morales dê destino aos recursos arrecadados com o gás e o petróleo extraído em regiões dominadas pelas forças internas aliadas às forças econômicas externas, tanto americanas quanto européias.

As armadilhas estão sendo montadas e sua predisposição é para produzir radicalismos. Os interesses poderosos de Santa Cruz, que sempre colocaram a mão no dinheiro da arrecadação, resistem, bravamente, à utilização do dinheiro pelo governo para dar destino ao mesmo objetivando prioridades polítcas alternativas, como a de apostar em políticas sociais.

Resistência à distribuição da renda nacional

Crescem, extraordinariamente, as resistências à  opção política preferencial para incrementar programas sociais na Bolívia, como ocorre no Brasil sob orientação semelhante, produzindo maior volume de consumo interno, incrementando a economia boliviana com melhor perfil de distribuição da renda nacional, algo adequado à reprodução do próprio capital que se rebela contra Morales.

O fato concreto é que o separatismo visa bloquear a melhor distribuição da renda nacional. A fim de conseguir isso, a conspiração precisa ganhar força, para, se preciso for, ameaçar a democracia e derrubar o governo democraticamente eleito. Essa é uma tradição boliviana, onde o poder ligado à extração das riquezas minerais marca a histórica do país com sangue, suor e lágrimas.

As forças democráticas sul-americanas poderão ser obrigadas a agir, urgentemente, em torno da Organização dos Estados Americanas(OEA) e da União das Nações Sul Americanas(UNASUL), no momento em que bafejam ventos positivos de união continental, depois que Brasil e Argentina deram pontapé inicial à criação da moeda sul-americana, por meio da dispensa do dólar na relação comercial entre os dois países, abrindo espaço à valorização de suas respectivas moedas.

Logo, logo o peso e o real, unidos, tenderão à valorização, pois o lastro deles é a riqueza real sul-americana disponível, alvo de cobiça internacional, em processo de sobrevalorização em meio à bancarrota financeira que sobredesvaloriza o dólar em termos globais, sinalizando fugas espetaculares de investidores da moeda americana, ameçada de sofrer uma corrida especulativa, dada a desconfiança do mercado em sua saúde.