Falta de crédito leva SP e montadoras ao crash

 

O governo quer jogar o pepino da quebradeira à vista dos pequenos bancos para os grandes bancos, mas estes, espertos demais, resistem em cair na armadilha, utilizando depósitos compulsórios, poupança pública, para executar a tarefa.

Se continuarem nessa posição, condenarão as montadoras e São Paulo, berço da indústria automobilística brasileira, carrro-chefe da demanda nacional, a tremenda bancarrota, ao crash.

Está na cara que os devedores de prestações , a perder de vista, acertadas, principalmente, na compra dos automóveis, na fase áurea do crediário, a juro extorsivo, com prazos dilatados, não poderão liquidar seus papagaios. Estão na mesma situação dos devedores das prestações das casas próprias, nos Estados Unidos, condenados à forca. Compraram ativos que tendem a se desvalorizar, rapidamente.

Os pátios das montadoras estão lotados. Os caminhões cegonheiros deslocam-se pelas estradas Brasil afora rumo às concessionárias, mas estas reclamam que os clientes desapareceram.

Quem vai consumir com os juros meirellianos e prazos comprimidos, depois que o crédito desapareceu? O que farão com os estoques?  Em Anápolis, porto seco, inundam veículos sem condições de serem desovados.

Serão devolvidos às fábricas? Centenas de desempregados, lojas fechando, famílias amargando desespero etc estão à vista.

 

Bancos tamboretes detêm bomba atômica creditícia

Os pequenos bancos, criados pelas montadoras, como o Banco Fiat, ou os que se especializaram no financiamento das vendas no varejo, como o Banco Votorantim, entre dezenas de outros, que destinam seus negócios ao financiamento tanto de carros como dos demais bens duráveis em geral, eletroeletrônicos, DVD, celulares etc, nesse momento, pendurados na brocha, são candidatos à bancarrota.

Pode pintar estouro monumental. O Palácio do Planalto está agitadíssimo. Bolha tupiniquim em fermentação explosiva. São R$ 133 bilhões dependurados no crediário em julho, 43,8% maior do que o mesmo valor em julho de 2007, correspondente a 4,5% do PIB, bancados em prestações que variam de 42 a 72 meses, de acordo com a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras(Anef). Crescimento vertiginoso do crédito na casa dos 39% do PIB na Era Lula.

Apavorado com a possibilidade de descarrilhamento geral dos negócios, dado que o crédito desapareceu, o governo tenta agir rápido, para evitar o previsível: quebradeira do mercado automobilístico nacional – de resto, possibilidade que ameaça montadoras em diversos países, todos afetados pela suspensão dos financiamentos, nas águas da primeira grande crise monetária do século 21, detonando o capitalismo financeiro altamente especulativo, desregulamentado, completamente, doido varrido.

A saída buscada pelo presidente Lula e toda a equipe econômica, nesse instante de correria atabalhoada, é a de envolver os grandes bancos no negócio. Eles entrarão nessa fria? Caso fujam, poderão ser estatizados. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Teriam que comprar as carteiras dos pequenos bancos, atolados nas prestações que não serão, provavelmente, pagas, como não estão sendo quitadas as prestações dos devedores dos imóveis na terra de Tio Sam. O fenômeno é semelhante.

O descasamento entre o valor dos veículos, que tende a despencar, e o preço, em alta, das prestações contratadas a juros flutuantes, anuncia o colapso, pois, se seus proprietários forem vender, não encontrarão cotações adequadas, senão desvalorizações inevitáveis. Mico brabo.

Assim como nos Estados Unidos estão sendo vendidas, nesse momento, casas por até 1 dólar, igualmente, no Brasil, automóveis poderão ser liquidados na bacia das almas, se estourar a bolha tupiniquim.

Mercado despencou; prejuízo é certo

Com os grandes bancos tendo em sua contabilidade o risco dos pequenos bancos adquiridos com poupança pública, isto é, depósitos compulsórios repassados pelo governo a juro zero, a situação voltará ao normal, se o crédito for retomado ao juro alto de 8% ao mês?

Ganhariam dinheiro ou estariam comprando inadimplências?

O presidente da Federação Brasileira dos Bancos – Febraban – , Fábio Barbosa, do Santander,  em entrevista ao repórter Vicente Nunes, do Correio Braziliense , demonstrou todo o seu temor nesse sentido.

Destacou que não pode ser tomada decisão apressada. Trata-se, disse, de estudar, minuciosamente, os passivos que serão adquiridos dos pequenos bancos pelos grandes conglomerados financeiros. Busca empurrar a situação com a barriga, claramente.

Distribuirão os bancos o prejuízo entre si com dinheiro do contribuinte, oferecido pelo Presidente Lula, em nome da salvação das montadoras, prestes a estourarem, não apenas no plano nacional, mas internacional? Difícil acreditar.

O panorama para as montadoras é tétrico. A capacidade instalada da indústria automobilística mundial, atualmente, é de produção de 70 milhões de veículos/ano, mas o consumo global não alcança, no despencar consumista, sequer, 30 milhões.

Especialistas do setor sinalizam que, no compasso da bancarrota financeira mundial, esse montante pode cair, ainda mais, para 20 milhões.  O que seria feito com 50 milhões de unidades disponíveis, sem consumo?

Tal previsão se ancora na incapacidade de emergir consumidores suficientes, especialmente, na praça consumidora mais poderosa, Estados Unidos, capazes de alavancar, se não houver oferta de financiamentos baratos. A desconfiança generalizada dos agentes financeiros entre si, para azeitar a máquina consumista americana, tornou-se obstáculo número um. No Brasil, idem.

 

Fim do crédito e do consumo: inadimplência à vista

Na Europa, a situação ainda é pior. Os europeus, atolados nos papéis que lhes foram repassados pelos americanos, correspondentes aos títulos do mercado imobiliário, sem lastro, porque o setor de imóveis americano está quebrado, dificilmente, comprarão carros novos em 2009, na escala necessária para dinamizar as indústrias montadoras. Estas, por isso, já estão, no plano geral, paralisando suas atividades e dando férias coletivas. O minério de ferro da Vale do Rio Doce para fazer chapas de aço ficará debaixo da terra, sem gerar demanda, enquanto a situação crítica perdurar.

Ao mesmo tempo, os grupos empresariais do setor buscam realizar grandes fusões, para fugirem, o mais rapidamente possível, do inevitável, isto é, iminentes prejuízos, cujos efeitos serão destruição de riqueza fantástica e desemprego em massa.

Ora, os bancos grandes, poderosos, cheios de dinheiro no caixa, adquiridos, graças à especulação com a dívida pública interna, onde, no Brasil, principalmente, ganham sem fazer força, no juro real mais alto do mundo, estarão dispostos a irem ao sacrifício, mesmo que com o pescoço do contribuinte, expresso dos depósitos compulsórios? Partirão para o haraquiri? É acreditar em papai noel.

O tempo pedido para analisar a situação de cada banco pequeno atolado em dívidas, conforme destaca Fábio Barbosa, presidente da Febraban, é sintomático. Nesse contexto, o governo Lula tem que ser duríssimo com os bancos.

Ou eles atuam para atender o clamor, desesperado, do Planalto, ou o Planalto, sem alternativa, terá que colocar o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES, para executar a tarefa, que o secretário da Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo, vocalizando sugestão do governador José Serra, proclama e exige.

A oposição, portanto, pede socorro por meio da estatização bancária, para fazer fluir o crédito, a fim de que a economia não caia no abismo, puxada pelo colosso industrial paulista, dependente, fundamental, das montadoras, para ter crescente a arrecadação de ICMS, da qual o governo estadual necessita, para realizar investimentos públicos.

A queda de braço entre governo federal, certamente, apoiado pelo governo de São Paulo, de um lado, e os grandes bancos, ressabiadíssimos, de outro, diante da ameaça paralisante da indústria automobilística, está sendo e promete ser, ainda mais, tremenda. Grandes lances e tensões se desenham à vista para os próximos dias, semanas e meses. O Congresso se transformará numa fogueira política especulativa.

 

História de sucesso ameaçada

O que está em jogo é um parque produtivo poderoso. O presidente da Anfavea, Jackson Schneider, destacou, durante a abertura do 25.0 Salão do Automóvel em São Paulo, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na quarta, 29, na presença do presidente Lula e do governador José Serra, acompanhados de uma penca de autoridades, que se faz necessário urgentemente salvar o setor que emprega 1,5 milhão de pessoas.

São 24 fabricantes instalados no país, a partir de 16 de junho de 1956, quando o presidente Juscelino Kubistchek inaugurou o Grupo Executivo da Indústria Automobilística(GEIA), com instalação da primeira fábrica, em São Paulo, da Mercebes Benz do Brasil. De lá para cá foram fabricados 46 milhões de veículos(automóveis, bondes, caminhões, tratores, caminhonetes, ciclomotores, microônibus, motocicletas, ônibus, tratores, utilitários variados etc).

Tal estrutura produtiva e ocupacional representa 12% do PIB, responsável por exportações de 13 bilhões de dólares/ano e 106 mil empregos diretos, dinamizando 500 revendedores em 27 estados da federação.

Tanto o presidente Lula como o governador Serra e o ministro da Indústria e do Comércio Exterior, Miguel Jorge, fizeram promessas. O titular dos Bandeirantes destacou que o banco paulista, Nossa Caixa, vai trabalhar em parceria com o Banco do Brasil, para não deixar a peteca do crédito cair. Conseguirá?

Já o presidente Lula ressaltou que não apenas a indústria automobilística, mas, também, a construção civil, que emprega muita mão de obra, serão socorridas pelos cofres públicos, por intermédio dos depósitos compulsórios repassados aos bancos privados e aos públicos, para executar a tarefa de resgate do consumidor enforcado no juro alto. Por enquanto, apesar de toda a retórica e pressões para não remunerar os compulsórios, obrigando a banca a agir, não está dando resultado satisfatório.

Os grandes bancos, nesse contexto, sob intensas pressões, para que adquiram os bancos pequenos, falidos, porque não conseguem livrar-se das tremendas dificuldades emergentes, jogam na retranca, sentem-se frente aos leões – Lula e Serra – esfomeados.

Brasil diante de sua crise de 1929

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não se deve esquecer que a grande crise de 1929 teve como epicentro a indústria automobilística americana.

Naquele ano fatídico, a indústria de veículos, nos Estados Unidos, produzia 5 milhões de automóveis/ano, para uma frota nacional de 27 milhões de unidades. Com o crash, a produção caiu para 700 mil!(Lauro Campos, “Crise da ideologia keynesiana”, 1980, Campus).

Somente em 1943, 14 anos depois, as empresas voltaram ao nível de produção anterior à bancarrota, mas, aí, já não era mais a indústria de bens duráveis que puxava a demanda global, sob padrão ouro, até 29, mas a indústria bélica e espacial, voltada para a guerra, dinamizada, keynesianamente, pelos gastos do governo, forma encontra pelo capitalismo, via moeda estatal inconversível, para continuar mantendo ampliada a reprodução do capital.

De lá para cá, acrescentou-se ao aumento dos gastos públicos, como locomotiva da economia mundial, a utilização, pelo mercado financeiro, da arquitetura inteligente  para produzir riqueza a partir do próprio dinheiro especulativo, cujo limite foi alcançado, agora, na grande crise monetária nos Estados Unidos, colocando ponto final numa etapa histórica do sistema capitalista, em 2008, depois de vais e vens especulativos ao longo do pós-guerra, quando os Estados Unidos, com o dólar forte, promoveu divisão internacional do trabalho, fixando os termos de trocas internacionais favoráveis aos seus interesses de vencedor da guerra.

No Brasil, a indústria automobílística alvancou porque os Estados Unidos fizeram o transplante da sucata industrial que havia entrado em colapso no final dos anos de 1920. Foram tantos os incentivos oferecidos por JK que o economista conservador Eugênio Gudin destacou ser total desperdício, visto que ela viria sem nenhuma concessão, já que se transformara em estorvo, depois do crash de 1929.

São Paulo pode virar uma Detroit sucateada

Agora, o Brasil pode padecer do mesmo impasse, tendo que enfrentar, 52 anos depois, a sua grande crise automobilística, desguarnecida do suporte que os Estados Unidos levantaram, com a dinâmica keynesiana, para tirar o país do crash. O grande estado de São Paulo, que se ergueu graças a uma infra-estrutura econômica, montada a partir da transferência de riqueza dos estados mais pobres, via extração tributária, capaz de formar um mercado consumidor poderoso no centro sul, corre real perido.

Nas próximas semanas e meses, a indústria automobilística, que, nos Estados Unidos, passou a depender, fundamentalmente, da renda gerada na escala de gastos governamentais em diversas direções – sendo a principal delas a guerra – , sofrerá intensos solavancos, no mundo e no Brasil.

Aqui, onde o crediário implodiu e as prestações se acumulam nas carteiras dos pequenos e médios bancos, o sinal das tensões se intensifica, principalmente, na poderosa praça paulista. Os milhões de nordestinos que, como as empresas americanas, que sairam dos Estados Unidos e agora podem retornar ao país, teriam, também, que retornar à velha terra, para enfrentar, novamente, as agruras da catinga?

Assim como ocorreu a explosão capitalista no país mais rico do mundo, os Estados Unidos, no Brasil, a possibilidade de colapso, igualmente, tende a ser produzida no centro do capitalismo nacional, São Paulo.

O desespero, contido, apenas, aparentemente, pelo governador José Serra, temeroso da queda de arrecadação, por conta da interrupção do crediário, que inviabiliza a continuidade da produção em alta escala de automóveis, demonstra o tamanho do problema que o presidente Lula terá que enfrentar.

Seria tal crise o remédio amargo capaz de esvaziar o grande centro urbano invadido pelo mar de gente deslocada de todos os quadrantes nacionais em busca do eldorado nacional, ameaçado, agora, de virar sucata? Ironia da história: sob presidente metalurgico, o colosso industrial se verga, candidatando-se a se transformar numa Detroit sucateada.

Lula perde controle da economia

O presidente Lula e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, estão batendo cabeças. O titular do Planalto, apavorado, porque sua popularidade corre risco, se a economia continuar descambando, pede aos consumidores que comprem mais. Precisa que os negócios girem. Se não, a arrecadação cai. Caindo, adeus investimentos. Sem investimentos, o PAC empaca. Os recursos a ele destinados já sofrem restrições, apesar do discurso oficial. Dilma Roussef, como candidata previsível para sucessão lulista, dançaria.

O que faz o presidente do BC? O contrário, mantém os juros nas nuvens, a maior taxa real do mundo. Quem vai comprar, se cairá na armadilha da dívida cara no crediário? O claro enígma presidencial demonstra que a sua ação política está sendo totalmente bloqueada pelo sistema financeiro, que não cumpre sua determinação. Ao mesmo tempo, o titular do BC parte para uma jogada de completa subordinação a Washington, decidindo trocar o real por dólar, sob argumento de que falta moeda americana no mercado interno, a fim de lubrificar a circulação econômica. 

Mas, como circular a moeda, se o juro meirelliano impede?

O Banco Central imobiliza o governo. Não conseguiu agir duro contra os banqueiros que empoçam dinheiro. Em vez de impor a vontade soberana do BC, sua verdadeira independência, tão reivindicada pelo mercado, transforma-se na expressão completa da dependência governamental aos credores. Como? O exemplo patente é a remuneração dos depósitos compulsórios a prazo. Estes, normamente, são remunerados pela taxa básica mais alta do mundo, a selic, que, na reunião do Copom, nessa quarta, ficou mantida nos absurdos 13,75%, enquanto, no mesmo dia, o BC americano reduzia de 1,5% para 1% o juro básico nos Estados Unidos, em nome do combate à recessão.

Presssionados pelo governo, para que joguem os recursos do compulsório, a poupança nacional por excelência, nas atividades produtivas, a fim de evitar que elas paralisem, elevando, consequentemente, a taxa de desemprego, o BC, em vez de cortar a remuneração bancária dos compulsórios pela Selic, assegura, numa atividade de completa subordinação à banca, a rentabilidade máxima dos bancos, mesmo que eles continuem jogando duro, ou seja, guardando o dinheiro, comprando com ele os títulos do governo, que rendem bilhões, sem precisar trabalhar. Sanguessumismo explícito, enquanto os consumidores fogem e as mercadorias apodrecem, sem poder realizar no consumo.

Lula faz o jogo da depressão econômica. De manhã, na quarta, reuniu-se com assessoria econômica por mais de duas horas, antes da reunião do BC, para decidir sobre a nova taxa. Nos jornais, pululavam comentários dos porta-vozes dos banqueiros, como o economista Affonso Celso Pastore, em entrevista ao jornal Valor Econômico, no qual pregava redução dos gastos governamentais e sustentação do elevado custo do dinheiro e mais desvalorização do real frente ao dólar.

Ou seja, o ex-presidente do BC defende, descaradamente, a recessão. Para Pastore, o Brasil padece de déficict em contas correntes em escala crescente, o que recomenda sua receita contracionista, sob aplausos da banca. O que faria W. Bush, presidente dos EUA,  se Pastore fosse Ben Bernanke, presidente do BC americano, sugerindo-lhe tal saída, mesmo sabendo que a economia americana, em escala muito mais ampla do que a brasileira, padece de crônicos deficits em contas correntes?

Com certeza, sentaria o pé no traseiro dessa inteligência a serviço do capital jurista.

 

Presidente repete desastre político de Cristovam

E o presidente Lula? Dispõe de quase R$ 600 bilhões e não faz, praticamente, nada. Sim, fez, deu aos empresários, graças ao programa Bolsa Família, mercado interno. Importante, sem dúvida. Mas, qual a obra de grande porte inaugurou?

Portos para serem construídos, estradas precisando de investimentos, plataformas da Petrobrás para serem erguidas, consumidores para comprar mercadorias, empresas pedindo água, em face do dinheiro escasso etc. O PAC não decola para valer, e, agora, sob crise de crédito, vai devagar, quanse parando.

São 200 bilhões de dólares de reservas, cerca de R$ 450 bilhões, e R$ 160 bilhões de depósitos compulsórios, que estão parados, esperando um Juscelino Kubistchek, para promover o desenvolvimento nacional. Em vez disso, os compulsórios ficam estacionados, servindo de motivos para manter os juros nas alturas, já que o recolhimento acelerado do dinheiro disponível da poupança popular mantém relativa escassez de oferta monetária cujo resultado é aumento do preço da mercadoria manipulada pelos banqueiros.

Enquanto o titular do Planalto dispõe dessa motanha de recursos, a dois anos do final do seu governo, em vez de convocar as forças produtivas autênticas, para dinamizar o país, já que este possui todas as condições disponíveis, como matérias primas – petroleo verde e negro, alimentos, metais, água, terra etc – , base industrial forte, mão de obra e moeda com lastro real, ou seja, farta dinheirama e condições materiais disponíveis, rende-se ao discurso do tesoureiro Henrique Meirelles. Este, como todo tesoureiro competente, só sabe entesourar, o que, segundo Sócrates já dizia a 2.500 anos, na Grécia, gera empobrecimento.

Faltam apenas dois anos para Lula deixar o governo e insiste em dar uma de Cristovam Buarque, que, quando governador de Brasília(1995-1999), preferiu deixar os servidores, professores e bancários sem reajustes, em nome do equilíbrio orçamentário, do que manter a economia girando. Teve, naturalmente, como resultado, a derrota para o ex-governador Joaquim Roriz, que, esperto, prometeu o contrário do super-inteligente ex-governador, hoje senador, mostrando sua imaturidade como governante.

Lula poderia, com os cofres cheios, colher, com a estratégia que adota, o mesmo, isto é, a derrota, para a oposição, que poderá ter como representante o governador de São Paulo, José Serra, ou o de MInas Gerais, Aécio Neves, ambos do PSDB, vitoriosos na eleição municipal, em SP e MG. 

 

SP e MG já jogam contra Lula

Enquanto o presidente Lula – peru de natal na bandeja dos banqueiros –  perde o controle da economia, por não conseguir determinar ao Banco Central ação enérgica contra os banqueiros, que embolsam o compulsório e ainda continuam faturando a taxa selic integral sobre os depósitos a prazo, comprovando, sobejamente, a condição de bancocracia sob a qual vive o Brasil, no contexto da maior crise monetária mundial, os governadores de Minas Gerais e de São Paulo tomam caminhos que, nas próximas semanas e meses, representarão opções contrastantes com a jogada estratégica do titular do Planalto, de falar uma coisa, mas permitir outra. Os dois governadores correm perigo sob a estratégia lulista dos juros altos, consumo em baixa e domínio bancocrático.

O governador mineiro, percebendo que o titular do Planalto começa a ficar como cego em tiroteiro, toma decisões que seriam de responsabilidade do presidente da República. Convocou, para os próximos dias, reunião dos governadores, para discussão da crise.

Ora, quem deveria atuar nesse sentido, auscultando os executivos estaduais, que caminham para uma crise federativa irreversível, no compasso da desaceleração do crédito, que bloqueia a circulação de dinheiro e, consequentemene, a arrecadação tributária? Claro, o presidente da Repúlbica. Não o fez até agora. Fica como o personagem de Raul Seixas: parado, boca aberta, cheia de dentes, esperando a morte chegar.

Aécio Neves marca, dessa forma, importante tento político, no plano federativo, demonstrando, efetivamente, o que faria se estivesse, no Planalto, no comando do governo, no lugar do ex-operário presidente, que demonstra não dispor de tirocínio necessário, para tocar a economia, em momento de alta delicadeza política, por falta de visão, dispondo, ao mesmo tempo, de tanto dinheiro no caixa. Entraria para a história como não fazedor de obras. Vai continuar fazendo economia, entesourando, empobrecendo, ou não sabe o que fazer com a grana, incapaz de reunir as lideranças no Congresso, para um pacto pela salvação do real?

Assim como Aécio Neves, que toma decisões de estadista, sendo governador de um dos estados mais importantes do país, onde demonstra ser possível fazer uma aliança política capaz de unir, relativamente, a sociedade em torno de discurso político desenvolvimentista, o governador de São Paulo, José Serra, da mesma forma, joga com o desenvolvimentismo , para pressionar o titular do Planalto a sair do discurso e partir para a ação.

Serra está mais preocupado, ainda, do que Aécio Neves, porque comanda o estado mais rico do país, cuja dinâmica econômica puxa a demanda econômica nacional global, dado que em SP está o peso maior da indústria nacional afetada pelo crédito.

 

BC destroi candidatura Roussef

O que diz José Serra? Basta ler as declarações de Mauro Ricardo, Secretário da Fazenda, do governo paulista. Os bancos, destaca o secretário, estão empoçando dinheiro, impedindo a circulação monetária e, dessa forma, detonando o consumo, a produção, os investimentos e a consequente arrecadação governamental.

Inviabilizam, dessa maneira, os planos de desenvolvimento da administração bandeirante. Claro sintoma de que vem por aí muita cacetada na cabeça do Palácio do Planalto.

Em São Paulo, informa Mauro Ricardo, no Valor Econômica, nessa quinta, 35% da arrecadação dependem da atividade industrial. Por isso, uma contração do consumo e da produção terá efeito nefasto sobre a arrecadação paulista, cujo crescimento para 2009 está estimado em 19,92% em relação ao orçamento de 2008. Da receita total, 11,8% devem ser destinados a investimentos no próximo ano. Em 2010, ano das eleições presidenciais, os investimentos ddevem subir para 12%.

Claro, nada disso acontecerá, se a situação se deteriora, por conta da falta de credito. Toda essa armação do governo de São Paulo, assim como a dos demais governadores, que fizeram suas contas, baseando-se no rítmo de crescimento pré-crise, vai para o brejo.

Serra não cairá calado, saído de uma vitória eleitoral espetacular de seu candidato em São Paulo, Kassab, em cima de Marta Suplicy, afetada pelo homofobismo político de seu marketing eleitoral contra o prefeito reeleito. O mesmo pode ser dito de Aécio Neves.

O governador paulista portanto, afia suas garras para tocar fogo em cima da política jurista de Meirelles, que afeta, diretamente, as pretensões políticas dele, de sair candidato tucano em 2010 contra a candidata previsível de Lula, a ministra Dilma Roussef, da Casa Civil.

Roussef, por sua vez, dificilmente, emplacaria sua candidatura, caso o crédito continue empoçado, prejudicando a produção e o consumo, favorecendo, tão somente, os banqueiros e o seu porta-voz, Henrique Meirelles, que, agora, resolve comprar dólares com reais, jogando a moeda nacional, com lastro forte nas riquezas reais, diante de outra que não tem lastro nenhum e se encontra , totalmente, balançando nos tesouros dos países aliados dos Estados Unidos, temerosos de sofrerem bancarrota.

Desmoralização da moeda nacional

A opção meirelliana de trocar reais, com lastro, por dólar, sem lastro, para atender clamor do governo americano, para que os demais governos, como o brasileiro, detentores de títulos da dívida do tesouro dos Estados Unidos,  não decidam descontá-los, para limparem seus balanços de moedas podres, demonstra subordinação brasileira completa à estratégia desesperada da Casa Branca.

Para evitar a liquidação dos títulos americanos bichados pela crise, Washington emite dólares, sem lastro, para emprestar aos países que estão afetados pela bancarrota financeira.

Equivalente universal nas relações de trocas globais, desde o pós-guerra, o dólar é requerido pelos negócios em geral, para liquidação de posições entre credores e devedores, mesmo que sua saúde monetária, no ambiente global, seja um zero à esquerda, nesse instante histórico.

No Brasil, por exemplo, os aplicadores retiram dólares do país, para acertarem suas posições a descoberto em moeda americana, seja no próprio país, seja no exterior. O governo brasileiro, sob pressão, lança mão das suas reservas para acalmar o mercado.

Agora, diante da estratégia americana, deixa de fazê-lo. Em vez de jogar dólares das reservas no mercado, opta por utilizar os depósitos compulsórios, em reais, para comprar dólares do tesouro americano, trocando moedas, dando a Tio Sam a garantia de não resgate dos seus títulos, que se acontecesse seria um desatre para a saúde da moeda americana.

Trata-se de manobra que desvia poupança nacional, que poderia ser aplicada no crédito interno, não efetivado, por conta da resistência dos bancos brasileiros em emprestá-los, em clara desobediência à recomendação do governo Lula, que se mostra, dessa forma, sem força política para fixar posições diante da banca privada.

Por que não jogar o depósito compulsório nos bancos estatais – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES – para exercer o papel que os bancos privados recusam em fazê-lo, preferindo o Banco Central, em vez disso, trocar real por dólar, em prejuízo das atividades produtivas nacionais? 

O tesoureiro do reino condena ao desastre o seu patrão, o rei.

Crise prenuncia paz

 

O que a primeira grande crise monetária do século 21 está demonstrando, sobejamente? Que a mediocridade humana passou da conta.

Com seus exclusivismos, individualismos, egoísmos, narcisismos, amor próprio exarcerbados, o ser humano, que detesta o outro, que não perdoa um grande favor por pura inveja, reconhece, subitamente, no colapso, que é pequeno demais, que não dá conta do monstro que criou para si, tocado pela alienação ideológica do capital.

Prisioneiro dos baixos instintos detonados pela ambição, manobrou, historicamente, sob o capitalismo, situação global que destroi ele mesmo, porque, ao não pensar no outro, mas, em si, preferencialmente, colocou no chinelo a pregação de Adam Smith.

Deu em lambança geral  a tese do formigueiro, que inspirou o autor de “A riqueza das nações”, do formigueiro humano, que, trabalhando, como formigas, acumularia riquezas equitativamente, distribuindo-as como se trabalha para realizá-las, coletivamente, de modo a que o preço se equilibraria por meio de uma abençoada mão invisível. 

 

Formigas atômicas anti-solidárias 

Diferentemente das formigas, que trabalham, instintivamente, a besta humana acreditou na supremacia absoluta da racionalidade perdendo a instintividade. Quanto mais se afastou da natureza, mais perdeu os instintos, como destaca o professor Tomio Kikuchi, em  “Estratégia”. Sem sensibilidade instintiva, dada pela natureza da qual o ser humano é extensão como pretensa forma de protegê-la, julgou-se superior a ela, destruindo-a.  

Detestou ser considerado natureza. Partiu, idiotamente, para seu próprio aniquilamento. Muita inteligência acumulada pelos desvios ideológicos do utilitarismo mecanicista.

Na bombástica crise monetária neoliberal,  os vaidosos correm, prá lá e prá cá, buscando gente, para juntar, em torno de uma só causa. Qual? A salvação de todos. O que isso demonstra? Incapacidade do individualismo.

Depois da crise de 1929, cada país foi para o seu canto, tocar seu nacionalismo nazi-fascista. Foram, cada qual, buscar seu Hitler, seu Mussolini, seu Getúlio, seu Roosevelt, seu Stalin etc. Roosevelt, no seu livro “Mil dias”, reconhece que o que fazia nos Estados Unidos, na sua ocasião, era a mesma coisa que Hitler e Stalin estavam fazendo, só que ele atuava de maneira mais organizada… 

E agora, na grande crise de 2008, muito mais global do que a de 1929?

Vai pintar neo-nazismo, neo-fascismo, se o que está entrando em crise é justamente a moeda fascista, estatal, sem lastro, keynesiana, impulsionadora da economia de guerra, da qual os Estados Unidos lançaram mão para neutralizarem avanço do comunismo, durante todo o século 20. Roosevelt teve amplas razões para compará-lo a Stalin e Hitler.

O nazismo perdeu a guerra, mas ganhou a paz.

 

Individualismo dançou na ganancia bancária

Os gritos nacionalistas não se ecoam, fortemente, nesse instante, porque a experiência de cada um tentar se salvar sozinho já foi negada historicamente. Repetir falsa e farsamente a história?

Tudo é relativo. Além do mais, a bomba atômica, expressão maior da economia de guerra, erigida pelos Estados Unidos, na força do dólar, que agora pede água, não confere mais poder geoestratégico.

Perdeu sua função, de fazer afirmação pela força por parte de quem a detém. Soltar a bomba seria mais uma vez tentar destruir o outro sem imaginar que o si mesmo explodiria também. O si e o outro são o outro e o si, interativamente, dialeticamente. Sucata atômica.

Para beleza geral, fortalecendo o discurso da paz,  os americanos, pelo menos, por enquanto, não terão fôlego para continuar mantendo em pé o estado industrial militar dos Estados Unidos, assim denominado por Eisenhower, em 1960, para ser o gendarme do mundo contra o avanço comunista.

Qual seria a opção preferencial do império americano, sob Barack Obama, Democrata, ou sob John MacCain, assim que pisarem o pé na Casa Branca, a partir de 2009? Jogar a poupança popular, expressa na capacidade do estado americano emitir moeda, na guerra do Iraque e na do Afeganistão, para abater Bin Laden, ou tentar, urgentemente, salvar os americanos do terremoto financeiro que, como uma guerra autodestrutiva, empobrece os outrora ricos e poderosos?

A guerra não é mais externa, mas interna. Até agora os governos nacionalistas americanos construiram seus heróis nas guerras externas. Poderão, de agora em diante, virar bandidos a serem caçados, como acontece, politicamente, em relação aos banqueiros nos Estados Unidos.

Os problemas internos requererão gastos prioritários que resultarão em diminuição de recursos para os setores da guerra, antes prioritários, agora, podendo ficar secundários. A paz aplaudiria, ou não? A grande crise da economia de guerra entra em total contradição, abrindo espaço ao seu contrário, a paz, como solução. Show.

O caos capitalista seria seguido pelo caos nacionalista, o caos individualista? Seria optar pelo caos para se salvar do caos!

 

O susto cria novas realidades

02Os sucessivos encontros dos assustados e assustadas líderes, como Angela Merkel, da Alemanha, mostra que alguma humildade está pintando. Os europeus, que cairam no conto de Tio Sam, comprando papéis podres do mercado imobiliário, para distribui-los na praça européia, correram para juntar-se aos asiáticos, também, caloteados. Rearrumação geral da casa global em novas bases.

No próximo dia 15 de novembro, data, seguramente, histórica – aliás, os dias atuais estão burbulhantes, historicamente – os ricos, Grupo dos Sete, outrora grandes, vão se reunir com o Grupo dos 20, atuais emergentes, não se sabe até quando, para discutirem juntos a saída da abismal bancarrota financeira global.

O que isso sugere senão reconhecimento do fracasso doindividualismo a pedir socorro a um espírito cooperativo?

Os estados nacionais, isoladamente, fonte do poder nos séculos 18 e 19 , quando surgem com avanço do capitalismo, alterando , no século 20, o status quo das monarquias, com suas moedas de ouro e prata, demonstram ser, nesse instante, menores do que a crise.

Ela sobrepujou a todos, monstrando o poder educativo das tempestades. O todo orgulhoso de Wall Street, Henry Paulson, secretário do tesouro americano, coitado, abriu o bico e disse que ser humilde é a melhor saída. Fazer o que?

Depois da queda do muro de Berlim, todos lembram, Tio Sam arrotou unilateralismo eterno. Tal qual Hitler, que pregou poder de mil anos para o nazismo, sob hitlerismo suástico, o velho caquético do Norte, do alto dos escomboros do envergonhado muro, que veio ao chão, com o comunismo, pregou o fim da história. Pretensão infinita.

 

Feliz início da decadência do inútil

Esqueceu de ver que seria o inicio da decadência de sua própria história. W. Bush, completamente, desmoralizado, pede unidade mundial, porque todos, segundo ele, são os náufragos. Confissão do fracasso.

O mea culpa espetacular de Alan Greenspan é altamente educativo. Sua velhice lhe confere dignidade, para reconhecer o grande erro histórico que praticou. Não deixou a vaidade cegá-lo, pondo-o a negar evidências que a história confirmará – já está confirmando. Sensacional.

Foi uma enxurrada monumental de equívocos porque a abstração tomou conta da realidade, deixando todos iludidos com a falsidade de suas próprias fragéis certezas e convicções furadas. Trem bão essa crise, sô. Que purgante brabo, meu!

Os temerosos de que a democracia pode ruir, como o economista e sociólogo Eduadur Gianetti, têm que se antenarem, antes, na possibilidade de o individualismo, que destroi o sistema democrático, transformar-se em alternativas.

O próprio comportamento dos falsos líderes-profetas mundiais atuais, de correrem para se aninharem no colo um do outro, demonstrando impotência para enfrentarem, isoladamente, o monstro, é sintoma de comportamento comunitário buscado ansiosamente como antídoto ao comportamento individualista. Quem tem buraco tem medo.

Utilitarismo perde utilidade na crise global

O jogo da guerra está deixando de ser interessante para os sete grandes, porque terão que gastar muito internamente, transformando-se os conflitos bélicos em preocupões, no quadro de emergencias catastróficas econõmicas gerais, de segundo plano.

Os orçamento da guerra tenderiam a murchar em nome da paz para conter ameaça interna de guerra civil dentro dos próprios Estados Unidos, caso aprofunde a expropriação financeira das famílias americanas e européias.

Teria que haver guerra antes de haver paz? Tudo pode acontecer, com a emergência da irracionalidade econômica capitalista, que, como Marx demonstrou, sobrevive, sob a moeda estatal, dinamizando as forças destrutivas, na guerra.

O grande bem da grande crise é a negação explícita do modelo da economia de guerra, porque o seu promotor, o governo, mediante moeda estatal deslastreada, perdeu o fôlego financeiro, está sob desconfiança na praça.

Outro dado excelente da crise é que ela questiona as lideranças nacionais. Estas se revelaram um bando de incompetentes, os verdadeiros empecilhos ao avanço da humanidade, como sentenciou Trotski.

Os governos que tais desmoralizadas lideranças comandam foram estimulados, por legislação, amplamente, avalizadas por eles, a apostarem na ilusão especulativa em detrimento da visão realista dos fatos e de sua produção como fruto, não de construções cerebrais, formuladas nos laboratórios de macroeconomia, em esquizofrenia completa, mas da relação entre classes sociais antagônicas, que circulam, contraditoriamente, no interior dos partidos.

 

Falsas lideranças, maior problema nacional

Viajaram na maionese, todos a serviço da elaboração de produtos especulativos, derivativos, pura arquitetura maquiavélica jurista-bancária-fictícia. Esse mundo implodiu geral no colapso do subprime. Positivo, para as mentes em busca de clareza, liberadas da ideologia despistadora neoliberal.

No novo ambiente, em que as bases do velho status quo viraram fumaça, as formulações novas estão pedindo líderes, como papel em branco para ser escrito com criatividade. Tal hipótese ainda está por surgir, pois o que de novo existe na praça é velharia que tenta ressuscitar.

O presidene do Banco Central, por exemplo, acredita que o dólar continua forte. Por isso, quer utilizar o real para comprar moeda americana, a fim de lubrificar a praça que está especulando com ela, jogando contra a moeda nacional.

Meirelles, na prática, quando faz isso, está jogando, também, contra o real, ele e os banqueiros. Por que? As resistências dos grandes bancos em trabalhar com os depósitos compulsórios, em reais, para irrigar a praça, a fim de combater a inflação, demonstram insegurança que transferem para a moeda, detonando-a, na medida em que lançam desconfiança. Ou seja, total falta de compromisso com o real e total compromisso com o dólar.

Preferem apostar no dólar. Qual é o lastro do dólar, nesse momento? Nenhum. Pura moeda podre. Emite-se moeda sem lastro para cobrir papéis sem lastro que apodreceram.

Qual o lastro do real? Petróleo, metais, alimentos, terras, energia, biodiversidade incalculáveis, brasileiras e sul-americanas.

Não acreditar no real, em tal contexto, é não acreditar em si mesmo. O Congresso vai cair nessa conversa fiada do presidente do BC?

Apostar no rico que está ficando pobre e desdenhar da força do podre, emergente, que tem condições plenas de ficar rico? Falta total de autoestima e disposição política para lutar pelo que é autenticamente nacional, sua moeda.

Se depender das falsas lideranças nacionais, para sair da crise, o Brasil está lascado. Historicamente, essas lideranças sempre pensaram com a cabeça dos outros, dos europeus , dos americanos e de suas medicações extravagantes.

Ora, os outros, como reconheceu Greenspan, entraram pelo cano. O espírito de manada é o de entrar na tubulação geral?

 

Economia política do NÃO

“A crise completa – Economia Política do Não”(Lauro Campos, Boitempo, 2002) candidata-se a ser orientador geral dos fracassados líderes nacionais e internacionais, a partir de um pensamento autenticamente brasileiro-sulamricano, florescido, abundantemente, na Era FHC, enquanto exerceu senatoria, mas, completamente, escanteado pela grande mídia, que o considerava doido.

“Minha loucura é minha lucidez”, disse Glauber Rocha aos seus críticos, quando defendeu o nacionalismo de Geisel contra o neoliberalismo de Carter, em 1976, com a grande imprensa torcendo pelo americano, alienadamente. Agora, os mais inteligentes e espertos estão excitados com o “poder” do dólar, sem lastro, que precisa do real, como troca.

O Congresso começa a debater a grande crise a partir dessa semana com a corrente neoliberal falida, comandada pela grande banca, pedindo reais para comprar dólares, dos quais os japoneses, por exemplo, estão fugindo.

Por que ? Perceberam que as dívidas americanas de posse do tesouro do Japão são papeis podres. Preferem o yen, valorizando a moeda nacional na crise. Qual o lastro do yen? A vontade política japonesa, já que os japoneses não têm riquezas reais para alimentar sua própria manufatura.

Já o Brasil, dispõe das riquezas reais, mas não tem vontade política, subtraída pela subordinação de falsos líderes a uma conjuntura que explodiu e exige novos paradigmas.

Vendilhões dos templos assustados, sem condições de formulações sadias, porque pensarem sempre pela cabeça alheia, detonada pela crise.  Como construir o modelo da paz, se sua cabeça é formada pela economia de guerra? O fim desta é o prenúncio da paz ou da guerra. Negação da negação.

Ataque ao real antecipa sucessão presidencial

Na próxima semana, quando o Congresso, desconsiderado, até agora, no desenroladar da crise financeira global, que afeta o governo Lula, voltar, inteiramente, a esquentar suas turbinas, abaladas pelo nepotismo, estará instalado novo contexto que guiará a sucessão presidencial no compasso do ataque ao real com ajuda dos grandes bancos.

Qual será a reação dos congressistas no ambiente em que o PMDB, no período pós-eleitoral, sai forte das eleições municipais, pronto para ter seu candidato à presidencia da República em 2010?

Ao se recusar a colaborar com o governo para salvar pequenos bancos e irrigar a praça seca de moeda com recursos dos depósitos compulsórios, a custo zero, que preferiram jogar no overnight, a grande banca, que triplicou sua riqueza ao longo das Eras FHC e Lula, enquanto o setor produtivo penou no juro e impostos altos, obrigaram o governo a estatizar, bancos tamboretes e empresas,  levantando dúvidas generalizadas e consequente desvalorização da moeda nacional. Contribuiu, decisivamente, para jogar a economia em completa desorientação geral.

Não há dúvida quanto à motivação sucessória: a violenta crise financeira global, ao fragilizar, com a falta total de colaboração dos poderosos banqueiros relativamente aos esforços governamentais, abalados em seu otimismo exagerado, intensifica explosões contraditórias que se expressarão na disputa eleitoral, já antecipada pela bancarrota neoliberal.

A surpreendente valorização do dólar, mais intensamente, no Brasil, quando as previsões apontavam seu enfraquecimento, coloca a sucessão presidencial lulista na ordem do dia do Congresso. Ao desvalorizar a moeda nacional, põe em risco iminente de bancarrota a estrutura produtiva e ocupacional brasileira.

Pintariam desemprego, escassez de consumo, queda de arrecadação e suspensão dos investimentos, diante de tombos de fortes empresas, cujos efeitos são destronarem outras médias e pequenas empresas que fazem parte da cadeia produtiva delas. Receita certa para derrota eleitoral. A desaceleração econômica, naturalmente, jogaria a favor dos adversários do governo, o governador Aécio Neves, de Minas Gerais, e José Serra, de São Paulo, possíveis vitoriosos nas eleições municipais, nesse domingo.

Com a desvalorização do real, que pegou o setor produtivo comprado na especulação esquizofrência do dólar futuro, o patrimônio nacional, erguido de Getúlio Vargas até agora, pode ir para o espaço, caso as decisões, que estão sendo tomadas, atabalhoadamente, não redundem em condições competitivas para as empresas conseguirem sobreviver, tanto interna como externamente.

Serrra e Aécio estarão diante de excelentes motivações.

Para Serra, a política monetária atual, seguida pelo presidente do Banco Central, é suicida. Destroi o patrimônio, o emprego e a renda nacionais. Politizou, desde já, o assunto economia.

Aécio ficaria para trás, sabendo que os empresários mineiros estão apavorados com possíveis fechamentos de empresas, dado o colapso creditício?

Ambos, Aécio e Serra, assumiram o discurso do vice-presidente José Alencar Gomes da Silva, contra os juros extorsivos brasileiros. A base da coligação governamental tenderia a rachar sob impacto dessa tríade – Alencar/Serra/Aécio – crítica da política monetária favorável à especulação. Lula, com sua candidata preferida, Dilma Roussef, ministra da Casa Civil, gerente-mor do PAC, ficaria para trás?

Todos estão na Arca de Noé, furada pelo maremoto financeiro global, que a jogou no icerberg mil vezes mais potente do que o que detonou o Titanic numa noite gelada.

 

Crise imporia compromisso comum Lula-Serra-Aécio? 

A fragilidade do real frente ao dólar, que se segura no espaço, sem lastro, é o novo fato político com o qual o presidente Lula terá, obrigatoriamente, que se envolver, no Congresso, com cores sucessórias.

Poderia , como já se cogita, a situação levá-lo , de novo, ao FMI ou ao tesouro americano, falido, pedir dinheiro?

Repetiria FHC no final de mandato? Seria uma ironia da história. Correria chapéu em Washington, se, na semana passada, mandava tiros no xerife?

O senador Sérgio Guerra, do PSDB, faturaria em cima, com grande eloquência e regozijo. Que fariam os governadores José Serra e Aécio Neves, previsivelmente fortalecidos depois das eleições?

Vem empréstimo ponte por aí, como prevê o economista Eduardo Starosta, da Estplan,  ou o governo compraria , sem parar, dólares com reais, nas trocas de moedas, para irrigar a praça, como já começou acontecer nessa sexta feira, 24, diante do ataque especulativo sobre a moeda nacional?

Que dirá Serra, que comentará Aécio sobre essa manobra financeira arriscada, adotada pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sob crítica de ambos os governadores? Serão chamados a discutirem com o presidente?

Reunião de governadores com o presidente, no calor da crise?

Qual seria mais vantajoso, tirar real dos depósitos compulsórios, poupança popular, para comprar dólar, cuja saúde ninguém sabe se dura ou não, nos próximos dias e semanas,  ou tomar emprestado dólar do FMI, sem precisar mexer, nem nas reservas nem nos depósitos compulsórios?

Ou, ainda,  não tomar nenhum empréstimo e apostar no real, cuja garantia é riqueza real nacional, expressa em matérias primas básicas, base industrial forte e reservas cambiais e depósitos compulsórios gordos?

Questões dessa natureza merecerão, no rastro da decadência neoliberal, solução, eminentemente, política, que passará a agitar os congressistas neste resto de ano legislativo.

O dólar tenderia a acalmar, se empréstimo ponte em dólar, caso tomado, não resolvesse?

No Japão, ao contrário do que ocorre no Brasil, a moeda japonesa, o yen, sobe relativamente ao dólar, porque os japoneses estão percebendo o óbvio: os créditos do governo japonês em dólar estão desacreditados na praça. Igualmente, o fenômeno ocorre na Europa.

Por que no Brasil sobe o dólar, com simultânea derretimento do real, quando o centro da crise não é o real, mas o dólar?

Seria vantagem trocar real por dólares, se os japoneses fogem, espertamente, da moeda americana?

Todos esses problemas se transformarão em assuntos emergentes no Congresso, sinalizando sucessão presidencial apimentada na dança diabólica da crise global. 

Estado vira empresário e banqueiro. Baixará juro?

 

As medidas provisórias 442, que dá poderes totais ao Banco Central para comandar os movimentos mais amplos da economia, no ambiente de devastação monetária, e a 443, que autoriza a estatização bancária e empresarial, transformando o governo, simultaneamente, em empresário e banqueiro, colocam em cena, não apenas a discussão da economia, mas da política e da sucessão.

A oposição, que não tem interesse em aprofundar a crise, para não se tornar culpada por ela, vai se render à lógica da estatização posta em marcha, diante da fuga dos bancos privados em ajudar o governo a equalizar o mercado financeiro, ou buscará uma composição política que poderia causar surpresas, já que tudo foi para os ares e novos paradigmas poderão surgir, tanto no plano econômico, como político?

Qual o preço do entendimento? Negociação do custo do dinheiro no país a partir de uma concertação maior da economia, na qual se envolveriam governo e oposição, nessa hora grave, em que empresas e bancos quebram e obrigam o Palácio a estatizar tudo, mesmo que a contragosto, em nome do interesse público?

Conseguirá a estatização bancária em curso diminuir os juros por meio do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, em nome da sustentação, a qualquer custo do desenvolvimento?

Os congressistas, sabendo que seus eleitores estão dependurados no crediário ao juro alto e pedindo socorro, porque seus rendimentos ficarão insuficientes para saldar suas dívidas, tornando-se, consequentemente, condenado à escravização jurista, poderão botar boca no trombone?

O desafio dos parlamentares é sobre o que fazer com a taxa de juro. Com ela alta como está, em meio à crise, que paralisa a economia, a tendência seria a revolta popular, como está acontecenda na Europa e nos Estados Unidos, com o povo na porta dos bancos, protestando.

Seria bom ou ruim para Lula, levar a crise para a rua e pedir ao povo o apoio, com o crédito de sua popularidade de quase 95%?

 

Greenspan: confissão do fracasso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Revelou-se patente que a economia de mercado pregada pelos neoliberais dançou completamente. As desculpas pedidas por Alan Greenspan, ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos, no Congresso, na quinta, 23, foram grandiosas e patéticas, para as pretensões neoliberais, que oposição e governo, na Era FHC e Era Lula abraçaram.

Praticaram o laxismo excessivo em relação ao lucro bancário especulativo, impondo sacrifícios intensos aos setores produtivos.

Greenspan, com sinceridade tocante, destacou que errou ao liberar geral. Se viu, ao final, surpreendido. O sistema financeiro não funcionou conforme o modelo abstrato que estava na cabeça dele e dos neoliberais esquizofrênicos, crentes na equalização do mercado pelas suas próprias forças dinâmicas em permanente contradição. Não deu certo.

O que faz o ministro Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, senão repetir Greenspan, nesse instante, quando troca real por dólar no mercado futuro para irrigar no presente, sob crença na força da moeda americana, desacreditada pelos japoneses?

A monumental crise dos mercados livres, que está abalando as estruturas gerais, torna-se, preferencialmente, o assunto no Congresso, na sucessão lulista. O interesse popular está em jogo.

A entrada do governo na economia de forma mais direta, sobrepondo-se aos concessionários destacados na condução do crédito, isto é, os bancos privados, conforme prevê legislação nacional, demonstra que o Estado brasileiro avança no vácuo da incapacidade de o setor privado fazê-lo.

Se a taxa de juro não cair, pode pintar, no Congresso, movimento nacionalista para derrubá-la. Os congressistas, com a Constituição de 1988. estabeleceram limite de 12% ao ano para as taxas de juros, mas nunca regulamentaram o assunto, até ser removido, pelas forças neoliberais, na Era FHC.

Se tivesse em vigor o artigo 192 da Constituição, tudo ficaria mais fácil, porque seria apenas a batalha da sua regulamentação.

Poderia pintar nova investida dos congressistas, para controlar os juros? Ou  ficariam de fora dessa discussão?

Quando Alan Greenspan decide aliviar sua consciência de culpado, falando a verdade, perante a nação americana e ao mundo, o que dizer mais do modelo neoliberal especulativo, senão que fracassou geral?

O Congresso estará entre este modelo ou o novo que está surgindo, com Lula à frente, como empresário e banqueiro, assumindo posições gerais no processo econômico, para o bem e para o mal, como diria o General Geisel.

Calote americano valoriza dólar

É incrível, mas os fatos demonstram ser verdade, pelo menos, hoje, já que tudo está mudando, velozmente. O dólar está se fortalecendo na crise global, quando as avaliações, baseadas nas leis da economia, dizem o contrário, relativamente, ao movimento das mercadorias com oscilações dos seus respectivos preços no jogo da oferta e da procura. O excesso de dólares, no mundo, ampliado pela derivação especulativa com a moeda americana, cujos efeitos espalharam, quebrando geral, bancos, empresas, seguradoras etc, em vez de desvalorizá-los, está produzindo o oposto, sua valorização.

Por que?

Para o economista Eduardo Starosta , da Estplan, tal força decorre do calote que o governo americano deu e continua dando na praça global. A moeda derivativa e os títulos da dívida pública americana estão nas mãos dos chineses, dos europeus e dos americanos, condenados a valorizarem o dólar, para não entrarem, totalmente, num monumental cano. A valorização do dólar seria antídoto a um calote ainda mais fantástico. Entrega-se o anel, para não perder os dedos.

O prejuízo dos aliados europeus e asiáticos, detentores das moedas pobres, jogadas na circulação capitalista global, somente, pode ser evitado, se o dólar se valorizar. Dá a sensação que eles, os aliados entubados com a moeda americana, estão relativamente saudáveis, mesmo com o cofre cheio de moeda podre. Jogo político estratégico dos endividados e dos credores, para manter as aparências.

Relaxam e gozam, como disse Marta Suplicy, que pode dançar, no domingo, em São Paulo, por acercar-se, espetacularmente, de grandes marketeiros homofóbicos.

Se o dólar for para o sal, vão, com ele, os aliados. Salvar o dólar representa salvação dos aliados. Jogo de duas mãos, que interessa a ambas, pois, caso contrário, correm perigo de decapitação.

O calote dado nos aliados é uma manobra política pensada pelos Estados Unidos, não de agora?

Os deficits gêmeos americanos vêm subindo extraordináriamente desde o fim da segunda guerra mundial, que representou o inicio da guerra fria entre ocidente capitalista e oriente socialista. Houve muito tempo para pensar estrategicamente ou a coisa emergiu de supetão?

O avanço dos deficits sinalizou fragilidade estrutural da economia americana e consequentemente debacle monetária, isto é, fim do poder do dólar, nos moldese estabelecidos desde Bretton Woods.

Acossado, o governo americano, acostumado às artimanhas das guerras, que precisam sempre ser provocadas para criar mercado capaz de sustentar o estado industrial militar americano, assim considerado por Eisenhower, em 1960, armou arapuca para seus credores, enquanto ficava mandando os países endividados pagarem em dia seus papagaios aos bancos.

Armação geoestratégica caloteira

A armação estratégica americana do pós guerra colocou os Estados Unidos no pólo do consumo mundial e os aliados no polo da produção.

Produção destinada ao consumo, na terra de Tio Sam, que pagaria as mercadorias com o dólar, ancorado, inicialmente, a partir de 1944, no ouro.

Essa ancoragem, em 1974, foi para o espaço, porque o mercado desconfiando da saúde financeira americana, sob a guerra do Vietnan. em 1973, provocou, a partir da Alemanha, corrida contra o ouro, depositado nos Estados Unidos.

Na hora, o governo Nixon deu o calote na praça. Desvinculou o dólar do ouro e a moeda flutuou espetacularmente. Beiço geral no mercado. Quem devida em dólar, na ocasião, se deu bem. De lá para cá, a financeirização especulativa inundou a praça, sem lastro monetário algum para o dólar desvinculado do ouro.

As engenharias e arquiteturas financeiras foram imaginadas abstratamente para reproduzir o dólar deslastreado em montanhas de derivativos criativos inovadores multiplicadores de riqueza via bolhas especulativas globais. Binga bang em 2008.

Quem segurou o poder do dólar, nesse período?

O grande mercado consumidor americano e , principalmente, poder bélico militar e espacial, mantido mediante endividamento expresso em títulos do tesouro dos Estados Unidos adquiridos pelos aliados, concordes em ter a América vitoriosa no pós-guerra como gendarme do mundo, destinada a preservar o capitalismo, como barreira ao avanço do socialismo e do comunismo.

A dívida americana, portanto, no pós-guerra é , sobretudo, uma dívida politicamente negociada, porque o credor é devedor e o devedor, credor, emissor do poder monetário que , como diz Keynes, estabelece deterioração nos termos de troca em favor da moeda mais forte, que fixa as regras.

O excesso de endividamento americano estaria, num jogo de cena fantástico, sendo combatido, portanto, no plano político, porque se a China, o Japão e a Europa discordarem de dar sustentação à moeda americana, suas reservas em títulos da dívida do tesouro dos Estados Unidos, vindo o dólar a dançar, dançariam, também. 

 

Dólar forte sinaliza protecionismo à vista

É plausível imaginar que esse calote tenha sido programado e acionado para dar um choque mundial no capitalismo, como um jogo de guerra, promovido pelos altos estrategistas americanos, como arma para manter a sustentação da América no comando mundial mediante revalorização do dólar por meio do simples beiço na praça?

Verdade ou não, o fato está aí. O calote, se for levado em conta os números, já foi dado e a moeda americana segue se valorizando.

Basta citar uma informação, diz Starosta. O nível de alavancagem das dívidas dos governos ultrapassou em quatro vezes os limites fixados pelo acordo de Basíléia, para o comportamento das políticas fiscais públicas, no plano da ação dos bancos centrais.

No início dos anos 2000, cada unidade monetária, seja dólar, seja euro, seja real, seja peso etc, poderia , noâmbito orçamentário dos governos, alavancar 11 vezes. No auge da crise atual, do subprime, essa alavancagem é de 40 vezes.

Os governos europeus e asiáticos se entupiram de títulos americanos e de derivativos, ou seja, moedas podres, candidatas ao calote em curso. 

Na prática,  o calote, que se expresssa na sustentação do dólar pelos governos aliados, cheios de papagaios americanos, representa enxugamento de liquidez na praça global, enxarcada de numerário dolarizado. cujo resultado é a valorização monetária cambial.

As consequências dessa redução da oferta de dólares, valorizando-os, são, na sua opinião, emergência de um neo-protecionismo generalizado.

Nesse contexto, a tendência, prevê, é fechamento de mercado e apostas internas, para salvar a demanda e sustentar a dinâmica das empresas. Essa é a saída para os governos. Caso contrário, enfrentarão quedas violentas de arrecadação e carências de investimentos. Paralisia geral, crise política e consequente vitória da oposição em pleitos presidenciais.

O fortalecimento do dólar frente ao real pode levar ao pior, ou seja, a uma corrida contra a moeda nacional, fragilizando-a, fato que, na sua opinião, poderia induzir o país a buscar um empréstimo ponte no FMI ou no governo americano.

Talvez, aposta,  seja essa a estratégia de aproximação de Lula com Washington, para ter que se socorrer, caso continue forte o sangramento cambial em curso.

 

Estratégia de rendição aos EUA

Como se daria essa aproximação? Com relativa rendição, expressa em aumento de compra de moeda americana com reais, como forma de irrigar a praça.

De um lado, fortaleceria o comércio exterior, interrompido pela falta de crédito. De outro, representaria entrada do governo brasileiro na fila da China, da Europa e do Japão, com disposição de gastar moeda nacional, para estabilizar a moeda americana.

Assim como os chineses , europeus e japonês entubaram uma montanha de dívida americana, tomando calote, como forma de concordãncia necessária à preservação dos seus próprios interesses, nas relações dialéticas com os Estados Unidos, o BC brasileiro agiria no mesmo sentido.

Compraria ativos financeiros americanos para valorizar o cacife do dólar, atraído pelo juro alto brasileiro, irrigando a praça que está monetariamente seca, inviabilizando a vida das empresas.

O BC, sob Meirelles, vai operando no sentido de ficar mais perto possível dos Estados Unidos, para tentar solucionar os problemas internos brasileiros agudizados em decorrência da acelerada desvalorização do real frente ao dólar.

Chegar mais perto dos americanos, com o dólar que se valoriza com o calote de Tio Sam na praça global, é a palavra de ordem do império aos súditos.

Terá força o dólar para tanto, dessa vez?

Pelo sim, pelo não, relativamente, ao Brasil, orientado por Meirelles, o avanço do dólar, em relação ao real, é concreto e real.

Eventual empréstimo-ponte, garantido pelas reservas de 200 bilhões de dólares em caixa, funcionaria como azeitamento de relações estratégicas entre Brasília e Washington.

Em troca, o BC lançaria mão da poupança popular, isto é, o dinheiro dos depósitos compulsórios, em torno de R$ 160 bilhões, para comprar dólares e euros?

Enquanto o dólar se valoriza, sinalizando que Tio Sam caminha para relativa recuperação, os americanos, certamente, apostarão na sua grande especialidade, isto é, eterna valorização do produto americano, seja real ou abstrato.

Até quando, só Deus sabe.