Silêncio empresarial alarma Bolsonaro e favorece Lula

Lula livre e Bolsonaro em guinada populista preocupam, mas a bolsa sobe | Bolsas e índices | Valor Investe

Silêncio gritante antibolsonarista

O silêncio dos empresários depois do jantar com o presidente  Bolsonaro foi um fato gritante; Maria Cristina Fernandes, no Valor, revelou que “Grande empresariado rejeita percepção de que Bolsonaro tem seu apoio”; a palavra de ordem na classe empresarial é “me tira fora dessa”; ninguém teceu comentários depois do convescote entre milionários e bilionários desesperados com o titular do Planalto; estão diante da possibilidade de seus negócios irem para o buraco na pandemia com a política negacionista; ela está perdendo interesse para o eleitorado bolsonarista formado pela classe média, candidata à miséria, à recessão e ao desemprego neoliberal; a proletarização dela entra em choque com o negacionismo bolsonarista quanto mais aumentam o número de vítimas na pandemia, propulsora miséria que ronda por todos os lados; nesse cenário, as pesquisas do mercado financeiro já dão Lula 2022 na cabeça caminhando para mais de 40%; por que o silêncio, então? Ninguém quer se comprometer e escorregar diante do capitão presidente; todos têm medo de represálias; normalmente loquazes, depois de encontros com presidentes, naquela de puxa-saquismo explícito, os empresários mostram-se otimista; não foi isso que aconteceu nesse jantar de quarta feira, em São Paulo; ficaram, em relação a Bolsonaro, excessivamente, silentes.

Vacina contra recessão

O desejo ardente dos empresários, que Bolsonaro não está atendendo, é um só: vacina para recuperar os negócios; querem-na, no curtíssimo prazo, para manter suas ações competitivas na bolsa; o negacionismo à ciência virou risco alto; isso passou a ganhar corpo, especialmente, depois que Lula entrou em cena como candidato virtual em 2022, autorizado pelo STF contra Lavajato antilulista; quanto mais se evidencia a candidatura Lula, com grandes chances, mais os empresários se preparam para se posicionar diante daquele que tem mais chances eleitorais; o empresariado discute nesse momento mais a nova política fiscal e monetária que Lula executaria, se voltar ao poder, do que a que está em curso, condenada por 9 entre dez economistas e pela totalidade dos trabalhadores; Lula, se eleito, seria esse arrocho recessivo monetarista de Guedes e Bolsonaro ou será o que os próprios economistas confiáveis aos empresários estão dizendo, ou seja, com Lula a economia giraria e sairia do atoleiro, para garantir consumidores aos empresários?

Nova expectativa

A perspectiva Lula cria novas expectativas; Delfim Netto, a voz do empresariado e de todos os governos da Nova República, menos Bolsonaro, já se posicionou a favor de Lula, considerando-o imprescindível ao momento nacional; com a terapia Guedes-BC, que seca o dinheiro na praça para pagar juro e amortização da dívida, enquanto não sobra nada para o consumo e a produção, não se ganha eleição; o Plano de Reconstrução Nacional lulista é, nesse momento, debatido amplamente nas redes sociais por trabalhadores e empresários; vai virando bíblia pré eleitoral; junto com o Plano petista, discute-se, também, “Projeto Nacional – O Dever da Esperança”; ambos do mesmo teor; Ciro e Lula se confrontam nesse momento, nas apresentações dos seus programas sociais democratas; e aí: Lula ou Ciro? Quem conquistará os empresários, desencantados com o bolsonarismo em debacle que apoiaram para fugirem do PT? O pragmatismo empresarial certamente fala mais alto, no momento; Ciro tem, de acordo com as pesquisas, 3% do eleitorado; Lula, caminhando para os 40%, no caos da pandemia; quem vai brigar com os números? Os empresários realistas e pragmáticos seriam os últimos a fazê-lo, para desespero antecipado de Ciro.

 

 

Lula põe Biden em sinuca de bico na pandemia

Lula pede a Biden que convoque uma reunião do G-20 e garanta uma distribuição justa de vacinas - CartaCapital

O cara pensou grande

Por isso, FHC morre de inveja dele; Lula lançou desafio à humanidade ao propor governança global contra a pandemia; afinal, todos correm risco diante dela, mais, especialmente, os brasileiros, submetidos ao governo negacionista de Bolsonaro; o recado lulista, certamente, bate mais fundo em Joe Biden, presidente americano, que fica em sinuca de bico; afinal, junto com sua vice, Kamala Harris, até agora não responderam ao apelo brasileiro do presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco(DEM-MG), para que os americanos liberem parte dos seus estoques de vacina para o Brasil, onde ela está faltando; governança global é cooperação global; o governo americano, ao não responder, mostra todo o individualismo egoísta de Tio Sam diante da desgraça dos outros; a carapuça, evidentemente, não entra na cabeça de Putin e de Jiping, líderes da Rússia e da China, que são chaves para colocarem em prática a ideia lulista; ao contrário de Biden, China e Rússia se dispuseram ao apelo brasileiro, prontas que estão para trabalharem, na ONU, na alternativa sugerida por Lula; Putin atendeu telefonema do negacionista Bolsonaro, para fornecer a vacina Sputinik; esta, até o momento, ainda não foi liberada pela Anvisa; a razão está oculta: Biden repete Trump, que  havia determinado a Bolsonaro não comprar a vacina russa, nem a da China; o império, com Bolsonaro, pau mandado dele, quer sufocar o Brasil sem vacina; Jiping, como Putin, mostrou-se cooperativo; aliou-se ao Instituto Butantan, inicialmente, em negociações com o governador de São Paulo, João Dória, para fabricar a Coronavac-Butanvac; já Putin, agora, atendendo apelo dramático do presidente brasileiro, depois de Lula defender relação entre ambos, em caráter de urgência, tenta evitar que a vaca vá para o brejo; ou seja, o protagonismo político global de Lula agilizou relações Brasil-China e Brasil-Rússia; seu passo seguinte, o de defender governança global, representa, portanto, xeque-mate em Biden; se o chefe da Casa Branca negar, automaticamente, a geopolítica brasileira estará dando passos decisivos rumo à Eurásia, novo horizonte econômico mundial impulsionado pelas decisivas relações China-Rússia, para desespero dos Estados Unidos; a diplomacia da vacina saiu do chão da ignorância bolsonarista, para migrar-se para clarividência e vivacidade política lulista.

Saída está na geopolítica

O presidente petista apontou o novo caminho: geopolítica; não serve mais ao Brasil a geopolíca americana egoísta individualista imperialista que destrói o interesse nacional: trabalhadores, burguesia e Estado; os capitalistas da produção, por exemplo, já enxergam o óbvio: o mercado para os seus produtos não estão na América, mas na Ásia, na China, que, junto com a Rússia e seus tentáculos energéticos sobre a Europa, lançam as bases da neo-geopolítica global; a ressurreição dos BRICs, em cuja criação Lula, como presidente do Brasil, desempenhou papel decisivo, é a alternativa desenvolvimentista para os setores dinâmicos da economia brasileira, a começar pelo agronegócio, bem como, também, todo o setor de infraestrutura; o desenvolvimento desta dependerá da nova geopolítica e não da antiga geopolítica, comandada por Washington e Wall Street; para Washington, dominado pelo mercado financeiro especulativo, o que interessa, relativamente, ao Brasil, é submetê-lo e mantê-lo ao ajuste fiscal tocado por Paulo Guedes; dessa forma, anula o potencial nacional, destruindo o Estado e empresas estatais, sem as quais não se consegue puxar a demanda global desenvolvimentista; o ajuste fiscal neoliberal imposto por Washington, a partir do golpe de 2016, tem uma prioridade absoluta: impedir a volta de Lula ao poder; nesse sentido, o agente americano em ação, nesse instante, para tentar impedir o retorno de Lula, é FHC; dia sim, dia não, ele entra na grande mídia, porta voz de Tio Sam, para palpitar quanto à inconveniência, para o império, de ter Lula como candidato; tudo, portanto, deve ser feito para impedir essa possibilidade; a democracia pode ser exercitada, no Brasil, desde que Lula não dispute eleição; as chances dele, na pandemia, se multiplicaram; e, nesse ritmo, continua se expandindo, ainda mais, agora, com essa ação geopolítica em favor de governança global contra a pandemia, que o lança na cena internacional de forma irresistível.

Criação de fantasma assustador

A tarefa indigna da elite nacional, cujo vocalizador maior é FHC, cuida de criar fantasma do Lula radical, que botará fogo no país, se voltar ao poder, levando-o ao comunismo, aos dois maiores comunistas da atualidade, Jiping e Putin; o discurso reacionário das forças antilulistas não se sustenta: ironicamente, a quem recorre Bolsonaro, representante dessas forças, para tentar salvar o Brasil do colapso? Justamente pede socorro aos líderes da China e da Rússia, enquanto o chefe do mundo capitalista, Biden, não atende pedido de ajuda dele! Como, nesse contexto, Lula seria o inimigo radical, se é ele que se relaciona excepcionalmente bem tanto com Jiping como com Putin? Ou seja, é aliado das forças que têm capacidade de criar as condições de tirar o Brasil do buraco econômico e financeiro em que está jogado pelos neoliberais de Washington!

Desespero conservador

 Encontrar, hipoteticamente, o candidato de centro para isolar os radicais Bolsonaro, de um lado, e Lula, de outro, é a tarefa conservadora; quem seria capaz dessa façanha, se não dispuser de base social consistente para ganhar eleição? O PSDB de FHC não tem mais essa base, como demonstrou o resultado eleitoral de 2018; os tucanos não alcançaram sequer 1,5% do total de votos, no primeiro turno; virou um fantasma ambulante sem base política; o PMDB, idem, não consegue se reanimar sem potentes viagras, cloroquinas etc;  ambos, PMDB e PSDB, somente, estão vivos, mas de muletas, porque subiram na garupa do fascismo bolsonarista, do qual tentam, desesperadamente, desembarcar, depois do desastre em curso da pandemia e da recessão que Bolsonaro quer combater com auxílio emergencial de R$ 150; o denominado centro, que se afundou com o presidente negacionista, desespera-se por candidato minimamente viável; uma hora, apelam, para Huck; outra prá num sem quem; mais outra para fulano das couves; mais adiante pensam em Ciro, mas têm medo dele; e Ciro, também, fica imaginando fantasias irrealizáveis; apela para os santos, para que Lula desista, em nome de uma quimera chamada bom senso etc; a contradição Ciro se evidencia a cada momento quanto mais vislumbra apoio das forças conservadoras; estas, porém, estão, sem confessar, ainda, abertamente, não atrás de Ciro, mas de Lula; afinal, Ciro, para eliminar Lula, tenta ser de centro, mas se mostra um centro nervoso demais, quase explosivo, com suas teorizações inscritas em livro cujo conteúdo apavora a direita etc.

A força das idéias

O desespero conservador aumenta quanto mais Lula ousa, seja contra o neoliberalismo economicida de Paulo Guedes, contrapropondo auxílio emergencial de R$ 600, no lugar da merreca de R$ 150, e a outra, igualmente, ousada, de pregar emissão monetária de R$ 500 bilhões – prá começar – a fim de puxar as atividades produtivas, atoladas no brejo do teto de gastos, que, há quase cinco anos, mantém a economia em recessão, desemprego e fome; metade do Brasil passa fome e a outra metade não pode crescer, porque, com fome, inexiste mercado consumidor, investimento, emprego, renda, arrecadação e investimento; e, para culminar o desespero conservador, tem, agora, essa MEGA IDÉIA lulista de defesa de governança global para enfrentar o novo coronavírus; ela bate fundo na consciência universal, justamente, porque é lançada por quem tem base social segura e vislumbra e defende o bem estar do outro, sem, antes, pensar no seu próprio. Nesse sentido, Lula coloca o presidente americano e as elites tupiniquins na sinuca de bico.

Deus está na consciência ou na igreja?

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Deus, Coronavírus e STF

Fechar igreja, agora, é restringir direitos ou garantir vidas? Nesse instante mundial extraordinário, que é mais importante: garantir vidas, restringindo aglomerações, ou assegurar direitos, ameaçando vidas? Se Deus – como diz o Espírito da Verdade em resposta a Kardec, no Livro dos Espíritos, questão 621 – está na consciência e não na igreja, seja ela de que culto religioso for, cultivá-lo em casa, no auge da pandemia, é ou não ato de preservação da vida e refúgio contra morte? A restrição não é, portanto, de culto, mas de aglomeração; o direito de exercitar a crença religiosa não estaria em questão, mas, tão somente, a recomendação científica, sabendo dos conhecimentos científicos quanto à natureza do novo coronavírus, cuja disseminação decorre da sua circulação facilitada pela aglomeração; no silêncio do quarto de cada um, com sua consciência, onde abriga Deus, está ou não o templo comum de todos, em tempos de necessidade de precaução? Onde, “em meu nome”, disse Jesus nas escrituras, se reúne, para orar a Deus, “nosso pai”, seja em casa, seja na igreja, seja na rua, está ou não o templo divino? Se, presentemente, o perigo da vida está não em casa, no recolhimento/isolamento espiritual, mas no templo ou na rua, onde se se aglomera, para garantir circulação ao vírus assassino, é ou não burrice adorar a Deus fora do lar, se ele está na consciência de cada um? Por que buscá-lo fora de si, se ele está em si, mesmo?

Culto à vida ou à morte?

Morrer indo à igreja, na busca da adoração a Deus, não é uma violência contra a vida, se você, em casa, pode preservá-la, garantindo sua crença, sabendo que esta é sua própria consciência, onde Deus habita? Estaria ou não pensando nesse sentido o papa Francisco na sexta feira da Paixão quando rezava na   praça vazia de São Pedro para os fieis em seus lares em todo o mundo, de modo a se resguardaram do perigo de morte? Por outro lado, o negacionismo bolsonarista à ciência, para afirmação de crendices fundamentalistas, mediante presença em cultos religiosos, ou seja, face às aglomerações, onde se encontra terreno propício ao vírus, não representaria negação à vida e culto à morte? O embate judicial, nessa quarta feira, entre os ministros do STF, Kássio Nunes Marques, favorável à abertura das igrejas, e Gilmar Mendes, ao fechamento delas, no auge do perigo de circulação do vírus, será, portanto, pedagógico; estará frente a frente a ciência e o obscurantismo, a civilização e a barbárie, no país onde a mutação agressiva do novo coronavírus recomenda fuga do perigo que representa, quando já matou mais de 330 mil pessoas. O problema, naturalmente, apaixonante, põe em cena a ação política e administrativa do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, cuja racionalidade, colocada a serviço da preservação da vida, passa a ser julgada tanto pela justiça como pela população, ambas sujeitas à razão e à paixão, dado seu grau de civilização.

Congresso negacionista bolsonarista embala Lula 2022

Lula anuncia que está "de volta" e lança ofensiva contra Bolsonaro - ISTOÉ Independente
Volta da renda emergencial mostra prioridades do Congresso | Monitor Mercantil

Poder negacionista

Lula só tem a ganhar com o poder negacionista bolsonarista que tomou conta do Congresso na pandemia, na elaboração e aprovação do orçamento 2021; priorizou o acessório e deixou de lado o essencial; favoreceu interesse do mercado financeiro em prejuízo da população que afunda na recessão, no desemprego e nas mortes; tal orçamento, fundamentalmente, neoliberal, é tão genocida quanto o comportamento negacionista do presidente Bolsonaro quanto à gestão da saúde no Brasil, cujas consequências já são perto de 330 mil vítimas fatais;  presidentes das duas casas parlamentares, senador Rodrigo Pacheco(DEM-MG) e deputado Arthur Lira(PP-AL), diferenciam-se, apenas, aparentemente, de Bolsonaro, no trato da saúde em plena pandemia; insensíveis à dor, sofrimento e desesperado do povo, orientaram os congressistas a manterem o piso federal de 2017 em relação ao SUS, determinado pelo Palácio do Planalto; isso representa retirada de R$ 60 bilhões na comparação com o orçamento de 2020; um escândalo no auge da emergência sanitária. “Quem responderá por tanta morte, dor e sofrimento em meio ao SUS com recursos, calculadamente, escassos”, indaga em carta aberta o Conselho Nacional de Saúde(CNS); os co-autores do genocídio são ou não os que aprovaram o novo orçamento, um dos maiores crimes da história do parlamento brasileiro? Em oposição a essa irracionalidade econômica, política e social, Lula prega o auxílio emergencial de R$ 600 , contra os R$250 de Lira e Pacheco, e uma injeção de R$ 500 bilhões na circulação econômica para puxar a demanda global estagnada.

Economicídio neoliberal

Prevaleceu, até o momento, a visão ultraneoliberal bolsonarista comandada pelo ministro Paulo Guedes, em nome do ajuste fiscal a qualquer custo, para atender o mercado financeiro especulativo, enquanto o país se transforma num grande cemitério; o ti-ti-ti no Congresso, como efeito do desastre anunciado, já sinaliza bancarrota do ministro serviçal da banca diante das previsões sombrias, já em processo de materialização, dos epidemiologistas; estes informam que a incapacidade do sistema de saúde de atender os atingidos pela pandemia, que aumentam sem parar e sem controle das autoridades sanitárias, transformadas em bombeiros impotentes, permitirá acúmulo de cadáveres nas portas de hospitais ou mesmo nas ruas por falta de atendimento; mortes que se acumulam em enfermarias, leitos, carentes de equipamentos necessários; corpos poderão, se os números se expandirem, incontrolavelmente, ser, até, arrastados em pás carregadeiras, jogados em cima de caminhões, levados às covas; o Congresso  foi, totalmente, arrastado pela visão monetarista restritiva do Banco Central, que se transformou em maior fonte de destruição econômica, para atender a prioridade número um da economia: pagar juros e amortizações da dívida pública capaz de atender teto de gastos estabelecidos pela PEC 95, imposto pelo golpe neoliberal de 2016, que derrubou governo Dilma.

Negacionismo macroeconômico

A saúde e as mortes são consideradas segundo plano; em plena pandemia, o Congresso legisla a favor dos bancos e contra o povo; primeiro, liberou R$ 1,3 trilhão para a banca socorrer sistema produtivo e proteger empregos; não cumpriu essa tarefa e não foi, até agora, punida; logo em seguida, aprovou remuneração de sobras diárias de caixas dos bancos, transformando-as em depósitos voluntários remunerados pelo BC a juros contratados com os credores da dívida; tal política provoca, pelas leis do mercado, escassez de oferta de dinheiro em circulação e eleva brutalmente a taxa de juro à produção e ao consumo; os juros no cartão de crédito e no cheque especial estão pela hora da morte, respectivamente, 300% e 200%, aproximadamente; a política monetária do governo, portanto, sufoca pequenas e médias empresas, que, sem demanda, não conseguem recolher impostos, derrubando arrecadação e investimentos; agora, monitorado pelo mercado financeiro, o Congresso neoliberal negacionista aprova uma merreca de auxílio emergencial de R$ 250 para mal socorrer cerca de 65 milhões de pessoas socialmente excluídas pela recessão, aprofundada pelo novo coronavírus.

Contramão do mundo

Os congressistas brasileiros, rendidos ao BC, agem na contramão de todos os parlamentos do mundo; nesse momento, a palavra de ordem neoliberal está, por todo lado, indo para a lata de lixo da história econômica; a expansão dos déficits públicos se torna imperativo categórico para combater recessão e pandemia; por isso, mudam as políticas monetárias; nos Estados Unidos, na Europa, Japão, China, Rússia, Ásia, Argentina, onde há rebelião contra FMI e Banco Mundial, passam a predominar teorias monetárias das finanças funcionais, pragmáticas, resolutivas dos impasses produzidos pelas restrições monetaristas neoliberais; o novo consenso global é o de que déficit público não é inflacionário, como insiste BC tupiniquim, se realizado com moeda nacional, emitida pelo governo; dívida pública não se paga, renegocia-se, já dizia, no século 18, Adam Smith, o teórico do livre mercado; isso, somente, ocorre, se o déficit for realizado com moeda estrangeira.

Modelo petista pragmático nacionalista

No Brasil, graças aos governos petistas(2002-2016), registra-se o oposto; há um superávit de reservas externas da ordem de 350 bilhões de dólares, decorrente da política desenvolvimentista tocada por Lula e Dilma, cujas consequências produziram superávit fiscal, mercado interno forte, graças à política salarial distributiva de renda;  no final de 2014, a taxa de desemprego foi da ordem de 4%; em termos capitalistas, tal percentual é considerado pleno emprego; depois do golpe neoliberal de 2016, a situação se inverteu; a taxa média do PIB é inferior a 1,5% e o desemprego supera 14% da população economicamente ativa(PEA); a diretriz errada do capitalismo brasileiro na pandemia fica explícita se comparada, por exemplo, com as recentes decisões do presidente Biden, que, em menos de 3  meses de governo, já expandiu a dívida pública americana em 3,6 trilhões de dólares; o BC americano alinha-se à teoria das finanças funcionais, como faz, também, a China, desde os anos 1990, ao negar diretrizes do Consenso de Washington; por isso, a inflação e os juros despencam; Biden paga, agora, auxílio emergencial de 1,4 mil dólares semanais aos desempregados; a economia, consequentemente, recupera-se, com população seguindo regras sanitárias determinadas pela OMS, com lockdown e isolamentos quando necessário; o mesmo ocorre nos demais países desenvolvidos; no Brasil, porém, com  o BC dominado pelos abutres  especuladores da dívida pública, a economia afunda-se na pandemia; nesse contexto, o contrapolo chamado Lula só expande, com suas propostas sintonizadas com as demandas sociais urgentes; se o Congresso/Planalto demorar em demitir Guedes, o cacife eleitoral lulista subirá feito foguete, principalmente, depois de tomar segunda dose da coronavac, podendo se deslocar pelo país inteiro, espalhando suas já conhecidas ideias e práticas desenvolvimentistas.

Lula se afirma candidato na Band contra Bolsonaro

Lançamento de campanha

O presidente Lula se impôs candidato em 2022 ao chamar Bolsonaro de ignorante, defender auxílio emergencial de R$ 600, para socorrer mais de 60 milhões de socialmente excluídos, e mandá-lo calar a boca por sor falar besteira na pandemia; cala boca já morreu; Bolsonaro está, portanto, convocado pelo seu principal adversário a responder as acusações de ser o pior do mundo diante da pandemia, ao deixar o povo desguarnecido pelo Estado à própria sorte; se não responder nada, paga recibo; se responder, abre a campanha eleitoral; Lula disse que não quer tratar 2022 em 2021, mas isso, são meras palavras; essencialmente, ao acusar o presidente de genocida, deu pontapé no debate; no mínimo, terá de convocar Advocacia Geral da União e o Ministério Público; qual a resposta  de ambos ao rebater a acusação do mais alto grau político, com  repercussão internacional? Lula politizou a pandemia no sentido contrário utilizado por Bolsonaro; Lula quer salvar vidas; Bolsonaro propõe o inverso, a morte, ao acelerar transmissão do vírus; é a guerra da ciência contra o fundamentalismo negacionista; as considerações do governo jogam o capitão presidente na controvérsia internacional; Bolsonaro se transformou em foco pernicioso global; tornou-se fator de preocupação geral; hoje,  América Latina o isola; foi acusado pela The Economist de charlatão; Lula jogou a pá de cal: não tem credibilidade nem previsibilidade.

Ataque à gestão desastrada

Despreparado, Bolsonaro colhe, com os ataques de Lula ao desastre da sua gestão, no plano político, econômico, social, ambiental e, sobretudo, sanitário, sua segunda grande derrota política em menos de uma semana; o choque desnecessário que patrocinou contra os militares, sua maior base de apoio, aprofunda o descrédito acelerado, agora, pelo isolamento em  que se encontra na comunidade nacional e internacional; a fuga do bolsonarismo negacionista foge do controle das redes sociais bolsonaristas, regadas a fake news; se está isolado é porque ninguém acredita; credibilidade zero; as forças que o apoiaram estão em debandada; fazem, agora, manifesto pela democracia depois de leva-lo  à vitória em 2018; agora, o veem como presidente golpista; a evidência nesse sentido ficou clara na crise militar que derrubou os comandos das três armas; Exército, Aeronáutica e Marinha. A tentativa dele de cooptar as Forças Armadas para a aventura bolsonarista objetivando segundo mandato em 2022 comprometeu sua capacidade de tocar o país com o mínimo de estabilidade; foi negado pela seu principal ponto de apoio, o denominado partido militar; por isso, o descontrole da pandemia que o levou ao golpe para barrar Lula, está fortalecendo o que está virando unanimidade, isto é, o impeachment.

Impeachment em cena

Lula acentuou essa tendência ao descrédito de Bolsonaro com um puxão de orelha na classe empresarial brasileira que apoiou o negacionista terraplanista; pura irrealidade ideológica; Lula  destacou que a maior estabilidade que construiu foi a de garantir mercado interno consumidor aos capitalistas; sem ele não há investimento, mas instabilidade, decorrente da concentração de renda e da acumulação de desigualdade social, cujas consequências são fuga de capital; não vai dar certo a solução Bolsonaro, apregoou Lula, porque ela destrói a estabilidade e a previsibilidade;  Bolsonaro, acrescentou, é a instabilidade; o modelo neoliberal que destrói a Petrobras, a alavanca desenvolvimentista, compromete a segurança nacional; Bolsonaro acelera, portanto, insegurança nacional, concluiu Lula; Reinado Azevedo, o repórter da Band que entrevistou Lula vai ter que escutar o outro lado da notícia, ou seja, Bolsonaro; ele falará?;  A entrevista na Band é o pontapé Lula 2022, embora diga, ironicamente, que não quer tratar do assunto nesse ano; não só tratou mas detono.