Petrobrás esquartejada: segunda morte de Tiradentes

Entreguismo acelerado

A decisão de esquartejar o complexo industrial Petrobrás(exploração, produção, comercialização, industrialização e distribuição), que fatura bruto, anualmente, R$ 90 bilhões e investe R$ 70 bilhões, no período 2018-2022, conforme plano de negócio da petroleira nacional, motor real do desenvolvimento brasileiro, há cinquenta anos, representa o fim da concepção desenvolvimentista nacionalista na revolução de 1930 com Getúlio Vargas.

O esquartejamento do plano de negócio da Petrobrás seria espécie de segunda morte de Tiradentes, cujo simbolismo expressa a luta do povo brasileiro pela independência nacional; a Petrobrás é inseparável da luta pela independência, como se eternizou na campanha do Petróleo é nosso.

Esquartejado, o complexo Petrobrás deixa, portanto, de ser um organismo empresarial estatal, em forma de oligopólio, competitivo internacionalmente; sobram partes e peças descoordenadas de uma unidade de comando estratégico rompida.

A privatização inicial dos setores industrial e de distribuição da empresa, deixando preservada, apenas, a exploração do óleo cru, com valor agregado da expertise da extração em águas profundas, elimina, praticamente, a fonte de capitalização permanente do complexo oligopólio petrolífero estatal; sem ele, evidentemente, inexistirão os planos de negócio estratégicos associados ao desenvolvimento sustentável.

A economia brasileira, ao longo das últimas cinco décadas, tem dependido, umbilicalmente, dos planos de negócio estratégicos da Petrobrás, a nortear os investimentos públicos e privados, em sintonia nacionalista.

Para a sociedade, seria uma boa ou uma péssima essa desestruturação do grande oligopólio estatal petrolífero, especialmente, no ambiente da globalização capitalista em plena guerra comercial entre os dois gigantes globais, Estados Unidos e China?

O esquartejamento da estatal abala o processo de industrialização em meio às instabilidades globais crescentes.

O interesse privado distribuído em cada parte da Petrobrás esquartejada não se ligará, evidentemente, ao planejamento estratégico típico da empresa como complexo econômico e financeiro a serviço do nacionalismo desenvolvimentista.

Ironicamente, Luís Fernando Veríssimo, no Globo, hoje, em “Fatiada”, destaca que os brasileiros, visto pelos meios petrolíferos, transformam-se, com a liquidação da Petrobrás, nos neobobos internacionais.

Ideologia no lugar da economia

A nova equipe econômica, capitaneada pelo ultraneoliberal Paulo Guedes, buscará, por meio da Secretaria de Privatização (ou secretaria do entreguismo?) acelerar o esquartejamento, utilizando argumento ideológico.

A nova narrativa que se coloca em prática é a de que o problema nacional número não é o desemprego, o subdesenvolvimento, o subconsumismo, mas a corrupção.

Combater a corrupção com privatização para acelerar economia de mercado vira nova panaceia econômica.

A ideologia entra no lugar da economia.

Calcula-se, ideologicamente, a utilidade da Petrobrás não pelo que ela é como potência econômica capaz de garantir a independência e soberania nacionais.

Considera-se, apenas, que será melhor, para a sociedade, privatizar o complexo oligopólico estatal do petróleo, a fim de sanar a corrupção.

Para alcançar essa meta nobre, dizem os ultraneoliberais de Chicago, na era bolsonariana, a melhor alternativa é a livre competição de preços entre os que abocanharem as partes esquartejadas da petroleira.

Combate à corrupção pelo livre mercado, eis a nova pós verdade econômica pauloguedeseana.

Visão ingênua da história

No mínimo, uma visão ingênua.

No princípio, o livre mercado é bom para o capital, dizem os grandes Sismondi,  Ricardo, Malthus, Marx, Keynes etc.

Porém, com avanço da ciência e da tecnologia a serviço da produção e da produtividade, que concentra renda e produz exclusão social, a oferta aumenta em relação à demanda e os preços se deflacionam.

Passa a ser necessário, controles de preços, para evitar o maior inimigo do capitalismo, segundo Keynes, a deflação.

A história econômica demonstrou que se caminhou, como pretensa solução, para os monopólios e oligopólios, para se fugir do livre mercado deflacionário, que destrói consumidores, com a concentração de renda.

Historicamente, portanto, o oligopólio estatal nasce em nome do interesse público, para contrapor-se ao oligopólio privado, que destrói interesse público, ao fugir do livre mercado deflacionário.

Seria essa a briga de gigantes nos estertores do capitalismo, na visão futurista de Jack London, por exemplo, em “Tacão de ferro”, prefaciado por Trotski.

Em nome do interesse público, o oligopólio estatal lutaria e derrotaria o oligopólio privado, ameaça à sociedade etc.

Lego engano.

No Brasil, pelo menos, está começando, na Era Bolsonaro, o contrário: o oligopólio privado destroça o oligopólio estatal.

A volta ao livre mercado, inexistente, hoje, na economia global em guerra comercial,  destruiria o oligopólio privado que nasceu dele para se auto-proteger?

O interesse público, portanto, vai para o sal, no compasso do segundo esquartejamento de Tiradentes, símbolo dramático do nacionalismo brasileiro.

Falácia da Petrobras quebrada

Bolsonarismo ressuscita, como farsa, a velha Arena

Novo centrão 

A dupla PSL-DEM, que se desponta como novo centro político a dominar o Executivo e o Legislativo, no governo Bolsonaro, pode reviver a história, possivelmente, como farsa.

O DEM é uma metamorfose política; começou como Arena, partido de apoio à ditadura militar; virou PDS, que traiu os militares na transição democrática e; juntou-se ao PMDB, como PFL, na Nova República, transformando-se em âncora do neoliberalismo tucano, na Era FHC, subordinada ao Consenso de Washington.

Na Era Lula, transmutaria de PFL em DEM, que vira, enfim, braço direito de Bolsonaro, somando-se, claro, ao PSDB e PMDB, que, na eleição presidencial, viraram baixo clero, não alcançando 5%, cada qual, do eleitorado.

Haveria, agora, evolução qualitativa, com o quadro democrático.

Ao contrário da Arena antiga, serviçal dos militares, no faz-de-conta do legislativo no período ditatorial, a nova Arena, vestida de DEM-PSL, berço do bolsonarismo, teria, também, a retaguarda das forças militares; com um detalhe importante: o carimbo da democracia.

A nova Arena = PSL/DEM, no governo bolsonariano, com apoio militar, é o ensaio geral que se inicia pela economia, com semelhanças e dissemelhanças relativas à velha Arena.

Neoliberalismo castelista 

A Arena antiga deu amplo apoio ao programa econômico militar neoliberal do Governo Castelo Branco(1964-1967), ditado por Washington, depois do golpe de 64; porém, mudou quando mudaram as circunstâncias políticas e econômicas, que levariam ao desenvolvimentismo econômico militar concentrador de renda.

A nova Arena, PSL/DEM, que, também, começa com proposta ultraneoliberal, de Paulo Guedes, teria fôlego político suficiente para banca-la, se não romper com a praga do desemprego, alavancado pelo neoliberalismo golpista de Temer?

A dupla econômica da ditadura de 1964, Roberto Campos e Octávio Gouveia de Bulhões, conseguiu, facilmente, passar, no Congresso, todas as proposições econômicas liberais ditadas pelo presidente Castelo Branco, monitorado pelo embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon.

No entanto, a terapia ortodoxa Campos-Bulhões revelou-se eleitoralmente suicida, como destacou Carlos Lacerda, ao dizer que o governo Castelo, cercado de generais neoliberais, governava para os Estados Unidos, atendendo os interesses de Washington, não do Brasil.

Eleição 1965

Interessado em disputar a eleição presidencial em 1965, como estava, supostamente, prevista, já que os militares disseram que interviriam no poder, em 1964, até às eleições, Lacerda atacou o entreguismo econômico militar castelista, de subordinação a Washington, porque percebeu ser ele eleitoralmente inviável; passou a pregar aumento de salários para fortalecer consumo interno, a fim de puxar desenvolvimento.

Lacerda sabia que não competiria com JK, em 65, se, como candidato do sistema, tivesse que defender arrocho salarial e recessão econômica de Campos e Bulhões, em nome do combate à inflação e ao déficit público.

Emergia discurso econômico lacerdista neodesenvolvimentista para disputar, eleitoralmente, com JK, que detinha o prestígio de ter criado Brasília e alargado a fronteira econômica nacional, rumo ao oeste do País, com discurso favorável ao agronegócio.

Os militares, pressionados pelos golpistas nacionais e internacionais, coordenados pela Casa Branca, tinham outra proposta política: suspender a eleição de 1965 e prender JK e Lacerda, contrários ao arrocho neoliberal Campos-Bulhões.

No campo da economia, porém, mudaram de rumo: contiveram a onda neoliberal, que jogava a economia no buraco, e retomaram discurso desenvolvimentista varguista-juscelinista, a partir do governo Costa e Silva(1967-1969), intensificando-o, gradativamente, com Médici(69/74), Geisel(74-79) e Figueiredo(79-85).

Corrupção e ideologia

Mutatis mutantis, a nova Arena travestida de PSL/DEM, novo Centrão bolsonarista, começa, também, com seu guru, Paulo Guedes, nova marcha ultra-neoliberal, semelhante à praticada, em 1964, por Campos-Bulhões.

Volta ao útero materno?

Primeiro, liquidar, logo, o patrimônio público, para pagar dívida, com a justificativa de combater a corrupção, anseio nacional, que desaguou na vitória de Bolsonaro, portador da nova moral da direita eleitoralmente vitoriosa.

O discurso ideológico anti-corrupção passa servir para apressar tanto as privatizações das estatais como a acelerar economia de mercado, com a justificativa de que o mercado ajuda combater a corrupção.

Associa-se estatal à corrupção e corrupção à estatal, em miscelânea ideológica; desvia-se, dessa forma, do assunto principal: desmobilização patrimonial do estado nacional.

Nova panaceia

Enquanto queima a discussão ideológica, colocando combate à corrupção como prioridade nacional e não a mudança do modelo de desenvolvimento econômico concentrador de renda e promotor de exclusão social, fica mais fácil acelerar a solução à mão, privatização, como a nova panaceia.

Por meio dela, seria possível tirar a economia do buraco, que o modelo neoliberal de Temer abriu, gerando 13 milhões de empregos, 30 milhões de desocupados, 63 milhões de inadimplentes dependurados no SPC etc?

A nova Arena(DEM/PSL) seguirá, adiante, com a terapia neoliberal de Paulo Guedes, enquanto ela der certo, do ponto de vista da popularidade do governo bolsonariano.

Portanto, terá que passar no teste da eleição municipal de 2020.

Se até lá, ou antes, a depender de circunstâncias instáveis, internas e externas, o programa de Paulo Guedes não der no couro, sairia no segundo tempo(2020-2022) do mandato presidencial.

Experiência fardada

Foi o que aconteceu na passagem do governo Castelo Branco para o de Costa e Silva, quando saiu de campo  o neoliberalismo de Campos-Bulhões para dar lugar ao desenvolvimentismo nacionalista militar delfinista, que se estenderia aos governos Medici, Geisel e Figueiredo.

O processo somente se interromperia com a crise do petróleo e do câmbio, com a puxada radical dos juros americanos, de 5% para 20%, em nome da valorização do dólar, cujo resultado detonou a ditadura militar, financeiramente, endividada, abrindo espaço à Nova República.

O teste ultraneoliberal de Paulo Guedes depende, portanto, da sua capacidade de ultrapassar o desastre deixado pelo neoliberalismo de Temer, expresso no desemprego incontrolável, torcendo, também, para que, no meio do caminho, não haja crise internacional.

Se não der conta do recado, certamente, cai fora.

Ensaio geral do entreguismo nacional

Salvar industrias?

A declaração de Paulo Guedes de que salvará a indústria, apesar dos industriais brasileiros, alarma o meio empresarial; que diabo é essa combinação frasista escalafobética?

A Confederação Nacional da Indústria(CNI) está em polvorosa, especialmente, depois que Guedes disse que Mercosul não é prioridade; como reagirão as indústrias automobilísticas, que têm seu mercado mais forte na Argentina e México, devido aos acertos realizados pela combinação de governos e empresas, armados em torno do BNDES, candidato à desativação?

Sem o Mercosul, com sua tarifa externa comum, as indústrias instaladas, no Brasil, ampliarão seu mercado nos Estados Unidos, Europa, Japão e China, em plena guerra comercial global, aberta pela Era Trump?

Também, o pessoal do agronegócio, na Confederação Nacional da Agricultura,  está de cabelo em pé; os árabes são, depois da China, maiores consumidores de frango brasileiro; se Bolsonaro diz que abrirá embaixada brasileira em Jerusalém, acompanhando os Estados Unidos, isso não poderia prejudicar os exportadores de aves para o Oriente Médio?

E a China, 75% das exportações brasileiras, maior importadora de grãos do Brasil, ficará de braços cruzados diante da neo-prioridade geoestratégica bolsonariana de fechar com os Estados Unidos, que não importam nem 1 grão de soja brasileira?

Os industriais se alarmam com a superconcentração de poder nas mãos do novo czar Paulo Guedes, que controlará Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio; correrá ou não perigo a indústria nacional – ou o que resta dela – de sucateamento total, se for cumprida a pregação pauloguedeseana de liberação geral das porteiras econômicas e financeiras?

O carro-chefe da indústria nacional, há 50 anos, a Petrobrás, vai ou não sucumbir, mantida estratégia de preços dos combustíveis, que achata os salários e diminui consumo interno?

População estará submetida às cotações dos preços geradas a partir da variação do dólar e do preço do óleo, no mercado especulativo global, enquanto gasta em real; bonito!

Os militares, que mandarão prá cachorro no governo Bolsonaro, suportariam até quando a estratégia antinacionalista, entreguista, de Paulo Guedes, se, eleitoralmente, ela é suicida, como demonstrou a experiência de Temer, à qual o programa de governo Bolsonaro se baseia?

Sistema S, adeus

Assim como o golpe neoliberal de 2016 detonou, no rastro da reforma trabalhista, o imposto sindical, para acabar com sindicatos dos trabalhadores, a estratégia anti-nacionalista de Guedes, agora, detonaria, também, pelo que já se comenta nos bastidores, a arma financeira da mobilização do patronato empresarial: o Sistema S(Sebrae, Senai, Sesi, Sesc, Senar etc).

Esses organismos, controlados pelos empresários(indústria, comercio, agricultura e serviços), sobrevivem por meio de percentual incidente sobre a folha nacional de salário; tal recurso, por sua vez, é aprovado, controlado e fiscalizado por organismos estatais, como TCU etc.

Sem a bilionária grana do Sistema S(R$ 2,7 bilhões, em 2017), que Guedes quer abocanhar, buscando o mesmo objetivo, fazer ajuste fiscal, para sobrar mais recursos ao pagamento de dívida pública, o complexo confederativo empresarial(sindicatos e federações), criado na Era Vargas, desaba; como ficaria o ensino técnico empresarial bancado pelo Sistema S, se o Estado não poderá supri-lo, caso permaneça congelamento geral de gastos sociais, por vinte anos, determinado pelo neoliberalismo de Temer, orientado pelo Consenso de Washington?

Exterminar a Era Vargas(Getúlio foi pai dos pobres e mãe dos ricos, como destaca Samuel Wainer, em “Minha razão de viver”) é o objetivo final do modelo ultra-neoliberal que Paulo Guedes quer colocar em pé, com ampla ajuda da grande mídia oligopolizada conservadora antinacional.

A classe empresarial estaria ou não dando tiro no pé ao apoiar o ultra-neoliberalismo bolsonariano?

Desnacionalização bancária

Depois da desestabilização dos industriais, o próximo passo seria  desnacionalização do sistema financeiro nacional; a ampla autorização para criação das Fintechs – financiamento tecnológico -, em nome do aumento da concorrência bancária, no país, para diminuir juros, representaria ou não primeiro passo para os grandes bancos internacionais se instalarem e fazerem a festa?

Por que um Citibank ou Banco de Boston etc não atuariam nesse sentido, inicialmente, por meio de financeiras, aparentemente, inocentes, para, depois de certo tempo, abocanhar um Itaú ou Bradesco, comprando maioria de suas ações, dominando, na sequência, o mercado bancário nacional?

O oligopólio grande come o oligopólio menor e assim por diante; como se tem visto, o que tem barrado o oligopólio privado é o oligopólio estatal; se o oligopólio internacional entra em cena, já viu, né!

Fintech,  startup que trabalha para inovar e otimizar serviços do setor financeiro, possui custos operacionais muito mais baixos que de bancos tradicionais, conseguindo utilizar tecnologias que elevam a eficiência dos processos.

Ainda que seja difícil de incomodar os bancos tradicionais em volume de operações, é possível, se as fintechs tiverem por trás de si grandes corporações financeiras para bancá-las, oferecer mais opções aos consumidores, com cartão de crédito sem anuidade, e tomar mercado dos grandes.

E assim a festa da desnacionalização industrial e bancária vai prosseguir na dança ultra-neoliberal pauloguedeseana.

Tio Sam está satisfeitíssimo com Bolsonaro

Dominação imperial

Tio Sam nunca pensou que fosse tão fácil abocanhar geopolítica e economicamente o Brasil, montando estrutura de poder militar com candidato adequado a essa nova ordem com amplo prestígio popular.

O trabalho requereu, apenas, inteligência e espionagem, algo que a CIA sabe muito bem fazer.

O trabalho que ela, anteriormente, tinha feito no Oriente Médio, com a tal da Primavera Árabe, que se revelou movimento de direita para desestabilizar movimentos de oposição, para não alcançarem poder político, está sendo sucesso no Brasil.

A guerra híbrida, calcada em pressupostos abstratos, que se realizam pela utilização da nova arma política, a cibernética, criadora de movimentos virtuais geradores de adversários ideológicos, que se guerreiam, mutuamente, para se autodestruírem, instalou nova geopolítica.

Construiu-se forma de envolvimento psico-social em torno de pautas abstratas, como as denominadas lutas identitárias e as religiosas, para dividir e distrair a população, enquanto se realiza o grande assalto, a rapinagem geral do patrimônio público, empresas estatais, petróleo, pré sal, água, biodiversidade etc.

A campanha eleitoral se desenrola sem o envolvimento do debate político ideológico central, qual seja, o confronto entre o modo nacional de gerir o País, nacionalista, e o modo anti-nacional, neoliberal, imposto de fora para dentro, pelos credores da dívida pública, quase do tamanho do PIB nacional.

Ao longo das últimas quatro eleições, lá se vão vinte anos, tem saído vitorioso, nessa pendenga, o discurso nacionalista, avesso às privatizações, à liberação geral da economia e das finanças, como deseja o mercado financeiro especulativo, monitorado por Wall Street-Washington.

A esquerda social democrata, PT e aliados, entre eles, o PMDB, não deixou, entre 2003-2014, a direita anti-social democrata, PSDB e aliados, pró-Wall Street-Washington, evoluir, a ponto de ganhar o poder, democraticamente, pois seus programas de governo antinacionais não foram aprovados nas urnas.

O mercado financeiro, então, partiu para a ignorância; embarcaram, de cabeça, na direita radical, ultraneoliberal, com Bolsonaro, que os militares, sem espaço na social democracia petista e tucana, disposta a enquadra-los na Comissão da Verdade, abraçou, para atuarem como agentes políticos, igualmente, sintonizados com Tio Sam.

O jogo de Bolsonaro foi, até agora, o de desprezar, completamente, a falsa democracia tucana neoliberal, ligada ao partido Democrata americano, pró-guerra contra Rússia e China, e abraçar o neoliberalismo radical, muito adequado a Trump e ao mercado financeiro especulativo, de olho nas reservas do pré sal, nas estatais, nas terras agricultáveis do Brasil, em sua biodiversidade etc.

Detonar PT

A barreira a ser transposta seria o PT e sua liderança popular maior, Lula.

Tornou-se necessário criminalizar narrativamente o discurso nacionalista como fruto da corrupção patrimonialista, expressa, segundo os neoliberais,  no aparelhamento do Estado pelo Partido dos Trabalhadores.

Fixou-se e expandiu-se estratégia conservadora antinacional empenhada em formar consenso midiático ideologicamente calculado de que a fonte da corrupção, no estado patrimonialista, está no governo, e não no mercado financeiro especulativo, que depende da dívida pública, para expandir seus lucros na base da agiotagem desenfreada.

O efetivo combate aos corruptos seria, então, acabar com a fonte da corrupção, ou seja, o Estado.

A jogada, por tabela, é vender os bens do Estado para satisfazer o mercado financeiro, credor da dívida.

Não seria tiro no pé matar a galinha dos ovos de ouro, a dívida, que rende juros especulativos, como principal fonte de lucro dos credores?

O que é mais negócio para o credor: continuar com o endividado com capacidade de pagar, renegociando, sempre, com ele, como acontece nas democracias desenvolvidas, ou liquidá-lo, tornando-o inadimplente, candidato a caloteiro?

A inadimplência estatal não seria total, depois de liquidar bens públicos, cuja soma, por mais generosa que seja, não seria suficiente para acabar com a dívida, que cresce bombeada por juros especulativos?

O que sobrará para honrar os papagaios, se não haverá mais patrimônio como garantia?

Teria vida longa estratégia bolsonariana, seguindo linha ultra-neoliberal, incapaz de entregar a promessa eleitoral que Bolsonaro faz em campanha de combater desemprego, se no horizonte se sinaliza o contrário?

Talvez, por isso, o senador reeleito de Alagoas, do PMDB, Renan Calheiros, candidato à presidência do Senado, esteja, já, prevendo naufrágio do barco bolsonariano, em seis meses; o discurso de prioridade à segurança como fator de geração de emprego teria vida longa?

Se o desemprego não recuar, o prestígio popular de eventual governo se esvaziaria, rapidamente, porque o pressuposto moralista e religioso de combate ao estado patrimonialista corrupto, simplesmente, não enche barriga, depois de certo tempo de manipulação ideológica.

Até lá, Tio Sam já teria abocanhado as riquezas fundamentais que já está se apropriando, com facilidade incrível, sem nenhuma resistência.

Ele deve estar gozando a cara dos brasileiros: “povo frouxo!”

 

 

 

 

 

Jogo da Globo na guerra cibernética pró-Bolsonaro

Crime explícito

Merval Pereira, Globo, diz que, baseada, apenas, em reportagem “inconclusa” da Folha, de Patrícia Campos de Mello, dando conta do violento ataque cibernético das empresas, engajadas na candidatura Bolsonaro, para detonar a de Haddad, burlando legislação, não dá para interromper campanha política, afetada por claro crime eleitoral.

Por que não, se ocorreu flagrante delito?

Imaginem, leitores e leitoras, se esse escandaloso crime ocorresse em plena campanha nos Estados Unidos, na França, Inglaterra, Itália etc!; seria uma auê dos diabos, com população indo às ruas, exigindo correções imediatas etc.

156 empresas, segundo Patrícia, cotizaram-se, cada qual com R$ 12 milhões, para impulsionar propaganda pró-Bolsonaro e detonar Haddad.

Ressalte que, graças à mídia digital, a fartura de dados, certificando ação de guerrilha cibernética criminosa, encontra-se disponível, com dia, hora e segundos concernentes aos disparos, que já teriam sido efetuados em ações anteriores e que estavam programados para serem repetidos 48 horas antes da eleição de segundo turno, no próximo domingo.

Portanto, nada mais fácil chamar os 156 empresários que contrataram os serviços para dar depoimentos, mediante os recibos emitidos pelas empresas contratadas por eles.

Materialidade mais explícita, impossível.

Advogado de Bolsonaro

Merval, atuando mais como advogado de Bolsonaro e menos como repórter, lembra que ações na justiça eleitoral, como a encaminhada pelo ex-presidente do PSDB, Aécio Neves, derrotado nas urnas, para contestar eleição de Dilma, em 2014, levaram quase 3 anos para serem investigadas; ainda assim foram deixadas no meio do caminho.

Por que?

Simples, o objetivo de afastar a presidenta fora alcançado com o impeachment sem crime de responsabilidade para caracterizá-lo, em 2016; a causa, portanto, perdera objeto, convenientemente.

Afinal, o PSDB, com Dilma fora do poder, aliou-se a Temer e seguiu com ele, ao lado do PMDB, com seu programa neoliberal “Ponte para o futuro”, que fracassaria, de forma retumbante, no primeiro turno, diante das derrotas tucana de Alckmin e peemedebista de Meirelles.

A contestação judicial tucana revelara-se mero golpe institucional oportunista, para inviabilizar o governo petista e viabilizar o impeachment dilmista.

Merval destaca, ainda, que ocorreram ações petistas em eleições passadas, nas quais o objetivo era o mesmo que se visa,  agora, com Bolsonaro, fujão dos debates, para tentar ganhar a eleição, na falcatrua cibernética, movida a bilhões de reais.

Certamente, faz sentido sua argumentação; porém, não havia materialidade explicita dos fatos, como agora; requeria apuração mediada por delações premiadas contra petistas, extraídas a fórceps pelos procuradores da Lavajato, em troca de redução de penas dos delatores, prontos a aceitarem o jogo para se livrarem do xadrez.

Na mão grande

No caso da guerra cibernética, agora, não; salta aos olhos as ações criminosas, com farta comprovação, a requererem, inquestionavelmente, ação dos juízes do TSE, para investigar o bombeamento cibernético de votos pró-Bolsonaro.

O caso – tentativa de levar a eleição na mão grande – já rolara no primeiro turno e estava tudo engatilhado para ser detonado, no segundo, evidenciando, incontestavelmente, farta comprovação dos fatos.

Declarações de empresários, que contribuíram para multiplicar notícias falsas(fake News), pagando fortunas, foram captadas, configurando pressa deles em liquidar fatura, já, no primeiro turno, para evitar novos gastos, no segundo.

Fantástico escândalo.

Ao contrário do que afirma Merval, a reportagem de Patrícia demonstra claras informações envolvendo os criminosos, cuja ação foi interrompida pela ação do Facebook.

Nesse sábado, em propaganda milionária na mídia, o próprio Facebook, como se fizesse mea culpa por estar sendo usado como bombeador da guerra cibernética, alerta sobre como se proteger e identificar fake News.

Portanto, evidencia-se, claramente, a ocorrência de falcatruas.

Merval, ao dizer que a notícia da Folha é inconclusa, não apenas minimiza o trabalho de Patrícia, que dá nome aos bois, como deixa de ser preciso, para dizer o mínimo, ao destacar que se trata de assunto que leva bastante tempo, para ser investigado, não podendo ser resolvido em véspera do segundo turno.

Jogou água fria na fervura, com intensões, certamente, inconfessáveis, sabendo-se ser destacado porta voz das Organizações Globo, empenhadas em dar o mínimo de destaque ao assunto no JN, deixando inequívoco em qual candidatura estão engajadas.