Fracasso neoliberal derruba emprego, salário e inflação e favorece Lula Livre

ECONOMIA DO DESEMPREGO DANÇA E BOMBA CANDIDATURA LULA NA PRISÃO

Ladeira abaixo

Amplia-se, a olhos vistos, o fracasso da política econômica glacial neoliberal do governo golpista que derrubou presidenta eleita com 54 milhões de votos.

O PIB continua rastejando e a inflação desabando.

O Banco Central, sem saber o que fazer, diz que vai mudar a meta de inflação.

Projeta-se ela para 3,75% em 2020, 2021, para antecipá-la no presente, como algo dado, para efeitos estatísticos.

A inflação cadente vira problema, se o governo – a única variável econômica verdadeiramente independente no capitalismo – não gasta para ativar as forças produtivas, de modo a aumentar preços, diminuir salários, reduzir juros e perdoar dívida contraída a prazo, para despertar espírito animal investidor,  na linha keynesiana.

A situação fica crítica, sem essa variável independente, que é o aumento da oferta de moeda na circulação capitalista pelo estado emissor. A anulação dela em favor do discurso político, econômico, ideológico do estado mínimo como forma de combater a corrupção, conforme narrativa construída em Washington e espalhada pela sucursal de Tio Sam, a Rede Globo, não deixa a economia avançar.

A deflação em marcha, no ambiente do congelamento de gastos sociais, que puxa a demanda global, visto que representa 60% do PIB,  joga a inflação no despenhadeiro, por falta de consumo das famílias: 2,8% em 12 meses, seguindo a trilha de 0,5% mensal.

Optar pela deflação, diz Keynes, é um erro eterno.

Com taxa de inflação na casa dos 2,5%(com um país com tudo por fazer, sem infraestrutura etc), não tem jeito, tem que continuar reduzindo o juro selic e, igualmente, o juro no crédito direto ao consumidor.

Mas, diminuir juro só não basta.

Quem vai investir em máquinas novas para colocar no lugar das que estão paradas, só porque o juro cai?

Juro cadente deixa banqueiro com barbas de molho, apavorado.

Agora, tentam aliviar o custo jurista do cheque especial.

Atacam as consequências, não a causa.

Armadilha jurista

Na verdade, é uma armadilha contra o devedor.

Fala-se em reduzir de 340% para 47% ao ano o juro no cheque especial.

O fato é que ninguém está pagando, faz tempos, esse juro extorsivo, coisa de ladrão, uma das maiores fontes ilegítimas de lucro dos bancos.

O devedor parou de pagar para fazer uma reservazinha.

Com ela, está conseguindo manter as despesas, ali, no osso.

Se tiver desempregado, aí é que não paga mais nada.

Diante dessa situação, o que imagina o Banco Central e a Febraban que manda no BC, com o homem do Itaú lá dentro?

Ah, bom, se não pode pagar 340%, paga “só” 40,7%.

Ladroagem.

Querem raspar o fundo do taxo da reserva financeira popular que está indo para o consumo.

O espírito comum da população de que é melhor limpar o nome para salvar a honra do crédito cairá nessa armadilha para pagar esse juro estratosférico, absurdo?

Os agiotas, agitados, esfregam as mãos, ansiosos, diante de novo assalto à bolsa popular.

Bancarrota consumista

Certamente, o mercado interno vai cair, ainda, mais; o desemprego continuará pipocando; a renda disponível para o consumo vai pru sal; cai produção, arrecadação e investimento.

O silogismo capitalista – consumo, produção, distribuição e circulação – sofre ruptura, se mais uma bocada dos banqueiros for dada no bolso do consumidor, com essa armadilha de renegociação da dívida do cheque especial.

Ora, o que aconteceria com a inflação?

Menos consumidores conseguirão desovar os estoques dos capitalistas, temerosos de apostarem na produção e nos investimentos.

Os preços despencam sem consumidores.

Deflação, maior inimiga do capitalismo, dizia Keynes.

Configura-se o desastre neoliberal.

O estado fragilizando, descarnado, sem arrecadação, não tem dinheiro em caixa suficiente para capitalizar suas empresas; consequentemente, vendê-las passa a ser a pregação discursiva racionalizante neoliberal economicida.

Caminha-se para o emagrecimento estatal de tal forma que o governo vai deixando de ter crédito para fazer dívida e sem dívida, que paga juros aos bancos, a saúde destes entra em colapso.

Calote à vista

O estado mínimo, assim estruturado, para combater a corrupção, na narrativa neoliberal, não pode fazer dívida nem pagar juro.

Talvez seja por isso que o homem do Itaú, no Banco Central, Ilan Goldfanj, esteja dizendo antecipadamente ao mercado que ele precisará acostumar com juro baixo, daqui prá frente.

Claro, juro alto acelera a falência do estado e estado falido não paga juro.

Se o sistema bancário jurista oligopolizado somente sobrevive com o juro escorchante cobrado do governo, acabar com a dívida, na linha da redução crescente do juro, no compasso da queda da inflação, vira negócio ruim para banqueiro.

Aumentar a inflação está virando discurso do mercado, com medo de falências incontroláveis.

 

Daqui a pouco, o BC começará discurso favorável ao descongelamento de gastos para aumentar a inflação, o juro e o lucro deles.

Estão começando a ver fantasma do calote.

O tiro do golpe no PT deu xabu na economia.

Só está sendo uma beleza nos comentários dos sábios da Globonews.

 

 

 

 

Lula Livre x Lula Preso polariza eleição

Mobilização da emoção

Depois que prenderam Lula sem culpa no cartório por juízes que rasgaram a Constituição para prendê-lo, nasceu o Partido Lula Livre.

Irresistível.

Não se trata de mobilização de massa, mas de emoção.

Ela tende a crescer com Lula preso.

Lula é a massa.

Lula preso é a massa presa.

Lula preso não dá voto.

Lula Livre é democracia.

Lula preso é ditadura

Quem se habilita ao suicídio político?

Quem quer ficar com proposta político eleitoral que não tem viabilidade político eleitoral?

Os partidos oficialistas estão com batata quente.

A polarização não dá chance de opção, enquanto Lula estiver preso pelo STF que destruiu a Constituição para encarcerá-lo.

O povo não gosta de injustiça.

Lula está preso injustamente.

Consequentemente, o povo já escolheu seu candidato:

Vai votar no PLL – Partido Lula Livre, partido nascido com prisão de Lula.

Só dois partidos estão em cena depois de Lula preso: Lula Livre, de um lado, Lula preso, de outro.

Que fazer?

Que fazer diante de Lula preso por Constituição rasgada pelo STF?

Os partidos se dividem.

O PMDB está rachado.

Os líderes querem Lula Livre, para salvar o partido.

Rodrigo Maia, Democrata, disse que não se sente confortável com Lula preso.

Tenta sair pela tangente: quer PEC contra prisão em segunda instância.

Papo furado.

Não é possível votar PEC com intervenção militar, como a do Rio de Janeiro.

A constituição proíbe.

Temer partiu para a ambiguidade.

A Constituição, disse, tem que prevalecer.

Qual Constituição?

A Constituição que o STF rasgou?

Ou a Constituição que condena prisão em segunda instância, sem presunção de inocência?

Os tucanos defenderão Lula preso para pedir voto ao eleitor?

Dilema destrutivo

Lula preso é bola fora eleitoral.

O que aconteceu com Ciro é sintomático.

Cometeu a burrice de dizer que não iria solidarizar-se com Lula para não ser puxadinho do PT.

O que o populacho entendeu?

Que Ciro, se não é Lula Libre, é Lula preso.

Teria a simpatia de petistas que poderiam tê-lo como segunda opção, se não for possível a Lula ter seu nome registrado na urna eleitoral.

O arrependimento bateu firme.

Agora, está dizendo que vai visitar Lula na prisão.

Corre contra o prejuízo.

Justiça é Lula Livre

 

Consequentemente, Lula Livre passa a ser o partido do povão, que faz a leitura essencial:

Democracia! Lula Livre!

Ditadura! Lula preso.

Nunca a realidade foi tão dual.

Dualismo político eleitoral irresistível.

 

 

Tio Sam amplia poder colonial no Brasil com Lula preso. LulaLivre é a resistência

 

LULA NA LUTA ANTICOLONIAL

Washington manda

O capitalismo especulativo internacional cravou grande tento com a prisão de Lula.

Conseguiu, afinal, encarcerar o inimigo número um.

Tio Sam e Wall Street não querem saber de Lula para reverter capitalismo antinacional que estão instalando no Brasil com a turma Temer-Meirelles, obedientes à Casa Branca.

Com Lula, não.

A Casa Branca fica refém de Lula no poder.

Lula, para a Casa Branca, é problema, porque empodera a população.

Mais renda, mais distribuição de riqueza, mais escola, mais saúde, mais segurança, mais universidades, escola para todos, farmácia para todos, medicina cubana.

Cruz credo!

Pô, onde isso vai parar?

Esse capitalismo lulista produtivo socialmente inclusivo vai acelerar reformas políticas demandadoras de democratização do poder.

Democratizar a mídia, como prometeu Lula, é ampliar informação para a sociedade ser protagonista do processo político, com representação partidária consequente com suas demandas etc.

Nada de Lula, é a palavra de ordem de Tio Sam/Wall Street.

Lula preso é triunfo de Tio Sam.

O contrapolo desse triunfo é o grito de LulaLivre.

Essa é a luta essencial.

O povo, que quer Lula, e o Império, que repudia Lula.

Apoio indispensável

Tio Sam conta com o apoio decisivo de sua empresa laranja, Rede Globo.

A vênus platina, 4º poder, cuida, agora, de criar mundo ideal sem Lula, subordinado a Washington.

Tal armação é a única que interessa ao capital financeiro que não quer Lula no comando do estado eleito democraticamente para desarmar a armadilha que está montada para negar direitos e garantias sócias, econômicas e políticas, a partir da destruição da Constituição.

Lula preso é o retrato da Constituição rasgada, ideal para Tio Sam.

O lulismo, com Constituição em vigor, aceleraria empoderamento popular incompatível com a taxa de lucratividade do capital financeiro nacional e internacional que engorda no hot Money tupiniquim.

Maná.

Lula é o capitalismo do chão de fábrica, que cria consciência proletária, em torno dos sindicatos, que se transformam em partidos políticos, para enfrentar o domínio do capital, civilizando-o.

O jogo do mercado especulativo é anti-civilizatório, é a barbárie.

Sua missão é antissocial: empobrecer a população; por isso não suporta quem o confronte, como Lula.

Armação imperialista

Tio Sam está satisfeitíssimo.

Seus agentes de espionagem, a CIA e o FBI,  fizeram trabalho perfeito com os parceiros sabujos internos, Polícia Federal, Procuradores, Juízes, Ministros dos tribunais superiores.

Construíram narrativa que convenceram, por meio da Rede Globo, o povo brasileiro de que o maior problema nacional não é a desigualdade social, mas a corrupção emanada de estado que precisa entrar em dieta neoliberal.

Enxugar o Estado é a arma eficiente para combater a corrupção do PT e seus aliados, a quadrilha no poder, segundo a narrativa imperial de Tio Sam/Wall Street.

Guerra híbrida.

Esvaziado o Estado, suas empresas e seu caráter economicamente ativo, para combater a corrupção da quadrilha petista, seria possível criar espírito de combate dos coxinhas moralistas, na tarefa de desmontar bases nacionalistas da economia.

Morte à quadrilha criminosa odienta!

Imposta a narrativa de Tio Sam, no campo político, operou-se a política econômica para justificála: congelamento econômico dos gastos sociais – os que puxam a economia – por vinte anos em nome do enxugamento neoliberal saneador do estado corrupto.

Quebrou-se o silogismo capitalista desenvolvimentista: consumo, produção, emprego, renda, arrecadação e investimento estatal para puxar demanda global.

Estado mínimo não arrecada; consequentemente, não pode capitalizar suas empresas estruturantes do desenvolvimento nacional.

Imprescindível vendê-las.

O estado mínimo dá o argumento para os neoliberais liquidá-las com toda a pompa argumentativa racionalizante dos comentaristas globais.

Adeus Petrobrás, adeus Eletrobrás, sustentáculos desenvolvimentistas.

Jogo da espionagem

Assim Tio Sam e seus amigos silvérios dos reis tupiniquins, como o pessoal da Lavajato, braço da espionagem americana na Petrobrás, no Palácio do Planalto, desarmaram o estado corrupto e pegaram o chefe da quadrilha: Lula.

Usaram, como apoio jurídico, a teoria do domínio do fato, muito utilizada pelos nazistas na Alemanha de Hitler.

Não há necessidade de provas para acusar, julgar e prender alguém; necessita-se, apenas, de suposições, teses e convicções abstratas.

Montaram o processo do tríplex de Guarujá, sem contrato de compra e venda do imóvel, que comprovaria a tese, e, em seguida, rasgaram a Constituição.

A Constituição brasileira, do ponto de vista de Tio Sam, é subversiva; passou a ser revolucionária, do ponto de vista de Lula e dos trabalhadores.

O enredo imperial da corrupção como inimigo número um do povo associada ao congelamento dos gastos públicos como fator de saneamento do estado corrupto, eis o discurso eficaz, divulgado, diuturnamente, pelo poder midiático oligopolizado, que o Tio Sam/Wall Street puseram de pé, para destruir o lulismo.

A estratégia de descapitalização do estado para descapitalizar as empresas, justificando sua venda a preço de banana é o novo saque colonial.

Contramão colonizada

Brasil anticapitalista desarmado economicamente está, desde o golpe de 2016, na contramão dos capitalistas desenvolvidos, que avançam em sentido contrário, na crise do capitalismo global em guerra comercial.

Olha o Trump nos Estados Unidos!

Tributa os concorrentes externos para preservar capitalismo interno.

China, idem, contrataca puxando, também, as tarifas, além de ameaçar parar de comprar títulos da dívida pública americana, o que seria desastre para Tio Sam.

Os capitalistas russos estão sendo estimulados, pelo nacionalista Putin, aos investimentos em toda a America Latina.

Ora, é claro que Tio Sam repudia que Lula diga que fará parecerias estratégicas com Putin e Jiping.

O Brasil, com Lula, fortaleceria a Eurásia, tendo junto, também, a Índia, todos irmanados nos BRICs, rumo ao mundo multipolar, enterrando o mundo unipolar que os Estados Unidos sustentam desde o pós segunda guerra mundial.

Lula deu, com essa declaração, tapa na cara de Tio Sam, estando condenado pela justiça brasileira por crime sem prova.

O discurso de Lula é profundamente antagônico ao de Trump.

Ele levaria Estados Unidos à guerra contra o Brasil, como está acontecendo com a China, nesse exato momento.

Resistência anticolonial

Esqueça esse papo de que Lula é amigo, avisa Tio Sam.

Obama falou o que império gostaria que não falasse, que Lula é o cara.

Tio Sam vê Lula e associa-o a Hugo Chavez, a Fidel Castro, aos comunistas cubanos, resistentes há mais de cinquenta anos a um bloqueio econômico imperial, sem baixar a cabeça.

Já pensou nova Cuba, do tamanho do Brasil, sem baixar a cabeça para as ordens de Washington?

Impensável, para Tio Sam.

O golpe de 2016 é isso aí.

Derrubou Dilma e, em seguida, Lula.

Sem essas duas providências, como acelerar o emagrecimento do estado nacional, o saque as suas empresas essenciais, as suas riquezas potenciais, culpando a quadrilha do PT, para levantar o ódio da direita e ultra-direita?

O problema é que Tio Sam não contava com o novo partido que nasceu com o golpe que deu:

LulaLibre!

Ele cresce no coração do povo com velocidade de raio.

Ninguém ganha eleição pregando Lula preso.

LulaLibre é a corrente humana que despertou para ser a voz de Lula que Tio Sam não conseguirá encarcerar.

Lula está solto, fazendo estragos; preso, apenas, o seu corpo.

A prisão de Lula mostrou que a luta é, essencialmente, anticolonial.

Golpe militar-jurídico-midiático contra Lula gerou monstro: AI-5 de toga. Eleição já!!!!!!!


1964 REPETE-SE COMO FARSA EM 2018
General dá golpe, no grito, sem por tanques nas ruas. Apenas manobrou ministros togados para agirem como representação dos quarteis, a fim de manterem farsa constitucional. Repetiu Marechal Deodoro da Fonseca, sem precisar montar a cavalo, para derrubar a ameaça Lula. Conseguiu se afirmar ou deu passo decisivo para sua desmoralização histórica, ao agir como marionete de Washington/ Wall Street, idealizadores maiores do golpe? Eleição 2018 corre perigo.

Toga fardada

O primeiro golpe, para derrubar Dilma, foi parlamentar-jurídico-midiático.

Inventaram crime de responsabilidade sem prova consistente para caracterizá-lo, a fim de obter aprovação do impeachment no Congresso.

Agora, o que destrói Lula, para inviabilizar sua candidatura, configura figurino militar-jurídico e, também, midiático.

Ambos vestiram a farda-farsante constitucional, para não mostrar claramente seu caráter ilegal, inconstitucional.

As peças se encaixaram perfeitamente como operação cirúrgica.

Nesse segundo golpe, contra Lula, o comandante do Exército, general Villas Boas, pressionado por suas tropas, contra liberdade para o ex-presidente, deu a senha, veiculada, antecipadamente, no Jornal Nacional, da Globo, laranja de Washington, para chegar aos ouvidos dos ministros do Supremo Tribunal Federal(STF), com força de tiro de canhão.

Recado claro: não se poderia desrespeitar a Constituição.

Mas, qual Constituição?

Aparentemente, tudo rolou de acordo com a lei maior do país.

Essencialmente, ocorreu o oposto.

A lei foi, claramente, burlada, com o STF fazendo o papel de marionete para enganar a opinião pública, enquanto rasgava o texto constitucional.

Grande encenação midiática, ao vivo, durante onze horas, no plenário da suprema corte, que ficará na história como tremenda infâmia inconstitucional.

O caráter farsante do golpe militar-jurídico-midiático anti-Lula ficou explícito com a rebelião proclamada pelo ministro Gilmar Mendes, que, no seu voto, denunciou a farsa.

Ressaltou, irado, que o que se estava querendo legalizar, isto é, a prisão em segunda instância, contra o que diz a Constituição, favorável à presunção de inocência, havia sido erro de cálculo dos próprios ministros do STF.

A falência humana se mostrou evidente entre os homens da corte, comprovando-se que, também, erram e que, consequentemente, precisam consertar seus erros.

As Ações Diretas de Constitucionalidade(ADC), ora relatadas pelo ministro Marco Aurélio Mello, visando reajustar o absurdo inconstitucional, são provas gritantes do erro praticado por suas excelências, que a presidente do STF se recusou a rever, para julgar, antes, o habeas corpus, negado a Lula, pelo voto decisivo da ministra Rosa Weber.

O resultado do estupro constitucional produziria, como se vê, monstro solto, incontrolável: ditadura (in)constitucional.

A decisão do STF “legalizou” estado de exceção.

Foi para o sal a letra da lei para dar lugar à interpretação dela.

A presunção de inocência, gravada, como cláusula pétrea, no artigo 5º, 57, que determina prisão do réu apenas depois de trânsito em julgado da sentença condenatória, foi substituída pela autorização de prisão em segunda instância.

O guardião da lei maior, o STF, abriu mão dessa missão constitucional para o seu subordinado, o tribunal de segundo grau.

Não foi à toa que Gilmar destacou que a autorização de prisão em segunda instância acabou virando simplesmente “ordem de prisão”.

O JURISTA E O DITADOR

STF produziu novo AI-5

Mutatis mutantis, configurou-se a pregação do jurista Pedro Aleixo, vice-presidente do general Costa e Silva, quando ressaltou que, baixado o AI-5, em 1968, para fechar, ainda mais, o regime militar, empoderou-se o policial da esquina, para fazer o que bem entendesse na sua função contra o cidadão.

Gilmar ressaltou que o STF, igualmente, empoderou os juizecos, tipo Moro e desembargadores do TFR-4, para agirem ao seu bel prazer, lançando mão da teoria nazista do domínio do fato, para produzir condenações sem provas concretas.

Com efeito, o pedido negado de habeas corpus contra prisão de Lula, para se proteger de condenação, sem provas, decidida pelos juízes de primeira e segunda instância, materializou a pregação de Gilmar.

O ministro, depois de ver e sentir, em Portugal, a repercussão mundial negativa contra o STF, arrependeu-se, por meio do seu voto, por ter concordado, em 2016, no calor do golpe parlamentar-jurídico-midiático contra Dilma, com interpretação da Constituição no lugar da sua expressão real, dada pelos constituintes de 1988.

O empoderamento dos juizecos, pelo STF, criou monstro do qual serviu o comandante do Exército para reforçar prisão de Lula, mediante argumentação, claramente, distorcida em defesa da Constituição estuprada.

O general Villas Boas, ao pressionar o STF, por meio do Jornal Nacional, produziu tremor nas instituições; estas, desde o julgamento de quarta-feira, apresentam-se, completamente, desestabilizadas.

O problema é que, se queriam acabar com a candidatura Lula, geraram o seu contrário: o fortalecimento dela no espírito popular, enquanto destroça, como consequência, todos os seus adversários, alvos a serem combatidos, democraticamente, pela negação, a eles, do voto nas urnas.

A divisão político-partidária da direita, sem candidato capaz de se eleger, amplia-se, incontrolavelmente, para fugir dessa maldição golpista.

A prioridade, agora, no contexto da campanha eleitoral, é, como diz o historiador, Luis Fiori, defesa da liberdade de Lula, que, mesmo preso, pode registrar sua candidatura e movimentá-la na condição favorável de vítima do desmoralizado STF.

Os ministros, em vez de se protegerem da ação dos pretorianos fardados, renderam-se às suas pressões.

Vergonha.

Materializou-se novo golpe, como o de 64, com participação ativa, nos bastidores, dos pretorianos, só que estes não precisaram botar tropas nas ruas.

Usaram, maquiavelicamente, os juízes da Suprema Corte, para não se desgastarem.

Napoleão tinha razão: “os advogados da burguesia são meras prostitutas a serviço do capital, conduzido pelo parlamentarismo”.

São, também, como fica claro, agora, prostitutas dos pretorianos, protetores dos interesses do império de Tio Sam.

Abril de 1964 repete-se como farsa em abril de 2018.

Lula repetirá Jesus carregando sua cruz?

Depois de vitimado pelo golpe da justiça seletiva do STF, comandado pela esperteza de Carmem Lúcia, Lula decide, pelo que declara, após negado habeas corpus, para evitar sua prisão, seguir caminho de Jesus rumo ao calvário.

Resistência passiva

As declarações de Lula de que não se exilará, não se suicidará, nem se rebelará, caso seja preso por Moro, depois da renúncia do STF à defesa da presunção de inocência para ele, condenado, sem provas, em segunda instância, pelo TFR-4, evidenciam que está preparado, conscientemente, para adotar a prática política de Jesus Cristo, condenado, também, sem provas, à morte na cruz pelos tribunos de Roma, em Jerusalém.

Manterá resistência passiva.

Sua candidatura, portanto, será a do sacrifício.

Carregará sua cruz, enquanto seus correligionários, de fora da cadeia, sustentarão, até o fim, seu discurso nacionalista, que lhe mantém favorito absoluto nas pesquisas eleitorais.

O jurista ex-ministro do STJ, Gilson Dip, em entrevista à Revista Fórum, destaca ser possível que pessoa que esteja presa concorra às eleições, com base na Lei da Ficha Limpa.

Em seu artigo 26, diz, a lei permite que recurso especial ou extraordinário de pedido cautelar suspenda a condenação.

Com o efeito suspensivo, a condenação deixa de valer até que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) examine o tema.

Destacou Dip que inúmeros prefeitos usaram essa possibilidade legal para obter o registro, mesmo considerados fichas sujas.

Concorreram, tiveram expedição do diploma e exerceram o cargo.

Unanimemente, os ministros que votaram contra concessão do habeas corpus ao ex-presidente destacaram que a presunção de inocência está afastada depois da condenação em segunda instância.

Suas excelências, no entanto, não entraram na essência do problema: as provas da condenação.

Não foi apresentada, pela acusação, a prova do contrato de compra e venda que revelaria a propriedade do triplex do Guarujá.

Os procuradores prepararam o processo para julgamento do juiz Moro com base em associações de ideias, convicções e suposições.

Moro escutou 70 testemunhas, para checar a veracidade.

Nenhuma disse ser possível afirmar a culpa do acusado.

Lançaram, procuradores e Moro, mão da teoria do domínio do fato, nascida nos tribunais nazistas de Hitler.

A delação premiada do empreiteiro que fez a acusação – de que Lula recebeu o imóvel em troca de favores que teria concedido – foi colhida, mediante prisão coercitiva, sem o compromisso do delator de dizer a verdade.

Eis, portanto, processo de pé quebrado, que o TFR-4 acolheu como verdade absoluta, sem controvérsia, contrassenso essencial diante da realidade, que, fundamentalmente, é dual, contraditória, relativa, interativa, dialética.

Entre a convicção e a conveniência, Rosa, com sua verborragia esquizofrênica, que só Freud explica, optou por dar uma de Pilatos: lavou as mãos.

Voto de Pilatos

O STF, analisando o pedido de HC,  dividiu-se ao meio, o que, por si só, condena a unanimidade do TFR-4 e, igualmente, a do STJ, que, também, por unanimidade de 5 ministros, aceitou condenação, negando o HC.

Cinco ministros do STF julgaram inconstitucional prisão em segunda instância, que rompe cláusula pétrea constitucional(art. 5º,57), segundo o qual prisão em sentença condenatória, somente depois do trânsito em julgado.

Acentue-se: cláusula pétrea.

Outros cinco ministros aceitaram veredito de instância jurídica inferior à superior em assunto altamente controvertido.

E para piorar, negou o colegiado do STF apreciar o que seria o óbvio, como destacou o ministro Gilmar: pedido para julgar conjuntamente o habeas corpus e a Ação Direta de Constitucionalidade(ADC).

Relatada pelo ministro Marco Aurélio Mello, a ADC, solicitada pela OAB, contesta prisão em segunda instância em choque com a Constituição, que a repele.

Evidenciou-se, com essa sugestão de Gilmar, que a presidente do STF, ministra Carmem Lúcia, foi, intelectualmente, desonesta, ao pautar, separadamente, os dois assuntos em plenário.

Primeiro, colocou em votação o habeas corpus solicitado pela defesa de Lula; segundo, deixou, convenientemente, para depois,  a ADC.

Certamente, a prioridade deveria ser analisar a essência do problema, isto é, apreciação da ADC.

Mas, essencialmente, não estava em jogo questão jurídica, mas política.

Carmem, voto de desempate, deu o golpe da justiça seletiva: separou o habeas corpus da ADC. A primeira só pega Lula, para inviabilizar sua candidatura. A segunda livra os amigos de sempre, os golpistas como a Rede Globo, Aécio Neves, os tucanos em geral etc

Justiça seletiva

Pressionada pela Rede Globo e golpistas fascistas que derrubaram Dilma em 2016, Carmem preferiu privilegiar o acessório(habeas corpus) antes do essencial(ADC).

O voto cínico da ministra Rosa Weber escancarou a seletividade do seu voto: antes, em outros julgamentos, ela, como disse, votara a favor da sua própria convicção, ou seja, contra prisão em segunda instância, por violar a Constituição.

No entanto, preferiu, diante da manobra golpista/sinistra de Carmem Lúcia, optar, convenientemente, por decisão colegiada do STF, ocorrida em 2016, favorável à prisão em segunda instância, contestada pela ADC da OAB.

Agiu, como disseram Alex Solnix e Asmahan Abdallah, como Maria vai com as outras.

Apegou-se ao espírito de equipe, que decidiu, pela súmula 122, relatada pelo falecido ministro Zavascki, como possibilidade provisória de prisão para condenado em segunda instância.

Vale dizer, se Carmem tivesse colocado em primeiro plano a discussão e votação da ADC, Weber teria posição diferente: condenar prisão em segunda instância.

Como Carmem deu o golpe, invertendo a pauta, priorizando votação do habeas corpus, como algo separado da ADC e não como irmão gêmeo dela, Weber se rendeu à conveniência da posição colegiada em prejuízo da sua convicção.

Jogou o jogo de Carmem.

Denotou-se, com isso, que o objetivo central do julgamento foi impedir liberdade para Lula e sua possível candidatura, se conseguisse liminar, para disputá-la em condição de sub judice.

Evidentemente, depois das eleições, quando a ADC for colocada em pauta, Rosa retornará a sua convicção contrária à conveniência esperta e malandra que a levou detonar o ex-presidente.

Conspiração de ministras?

O fato é que Carmem desempatou os 5 x 5, depois de envolver, maquiavelicamente, Rosa Weber na sua ação golpista.

É nesse contexto, claro e explícito, de cartas marcadas, que Lula decide pela resistência passiva, para levar adiante sua candidatura.

Não reagirá à prisão, depois de condenação sem provas.

Opta por carregar, como Cristo, sua cruz rumo ao calvário.

Qual a reação social diante dessa opção política pelo sacrifício?

As massas não levantaram para proteger Cristo.

Levantariam para proteger Lula?