BC dá facada no tesouro, favorece banca e descumpre LRF

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Bancocracia tupiniquim

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O BC, orientado pelo mercado financeiro, tenta dar uma de joão sem braço para cima do tesouro nacional; quer deixar de repassar ao caixa do governo os lucros das suas operações cambiais, mas, malandro, quer continuar recebendo do tesouro ajuda financeira – papeis da dívida –, quando essas operações dão prejuízo.
Orientado pela banca, o BC conseguiu aprovar, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, mais um privilégio para banqueiros. Se as operações cambiais derem prejuízo, o tesouro, claro, banca; emitiria títulos para cobrir o papagaio. Já, se derem lucro, este não seria mais canalizado ao tesouro; iria para fundo financeiro, para cobrir eventuais prejuízos futuros decorrentes das volatilidades monetárias; nesse fundo, o dinheiro dos especuladores renderia juro gordo, sempre.
Justificaram a necessidade de criação do fundo dizendo que o BC financia o tesouro, aumentando déficit; na verdade é o oposto; os lucros cambiais repassados ao tesouro somente podem ser utilizados para pagar dívida ou garantir emissão de títulos para cobrir prejuízos das operações cambiais, quando acontecem; nesse caso, aumenta o déficit por meio do crescimento especulativo da dívida quanto mais os prejuízos cambiais são realizados.
O tema, sobretudo, requer transparência, que não existe; a lei da transparência teria que ser acionada sobre o BC e suas operações cambiais.

Prejuízo à produção e ao consumo

Essa manobra parlamentar financeira que estende privilégios aos bancos, essencialmente, desvia o dinheiro da produção e do consumo para a especulação.
Com os lucros cambiais não repassados pelo BC ao tesouro, mas a um fundo financeiro, que remunerará os aplicadores, ou seja, os bancos, evita-se possibilidades de utilização deles para outra finalidade que não seja pagamento de dívida; hoje, quando ocorre prejuízo, o tesouro cobre, emitindo títulos da dívida; quando rola lucro, esteriliza-o, deixando render juros, especulativamente. Resultado: escassez de dinheiro na praça que se traduz em juro alto e pressão inflacionária permanente. O juro é o preço da escassez.
No fundo, esse projeto aprovado a jato na CCJ da Câmara representa última tacada do mercado financeiro, por meio do BC, comandado pela banca privada, no final de ano de final de governo; tremenda rapada de tacho de dinheiro dos cofres públicos para render na especulação, cujas consequências são danosas para a economia.

Medo de chumbo grosso

O BC, amplamente, dominado pelo mercado financeiro especulativo, segundo Maria Lúcia Fattorelli, coordenadora do movimento Auditoria Cidadã da Dívida Pública, trabalha para os bancos e, pior, não cumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal; sempre está violando-a; claríssimo crime de colarinho branco.
Segundo a lei, quando as operações cambiais feitas pelo BC dão prejuízo, ele tem que se virar e não pedir socorro ao Tesouro; ao não cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, o BC trabalha a favor dos juros altos; afinal, o tesouro, para cobrir prejuízos cambiais do BC, emite títulos da dívida, pressionando o déficit público. Parece que os banqueiros, dando pressão no BC, para segurar lucros cambiais, redirecionando-os para fundo financeiro, no qual seus capitais terão rendimentos elevados, estão sentindo cheiro de fumaça queimada à vista. Temem os militares que vão tomar conta do governo Bolsonaro; eles poderiam perguntar: se todos cumprem a LRF, por que o BC, serviçal dos banqueiros, não cumpre?
Pode vir chumbo grosso em cima do BC; seriam, certamente, afetados interesses do mercado; este, receoso, de olho no fundo de reserva,  continuaria faturando no juro alto produzido por escassez monetária calculada; os militares suportariam o absurdo de ter que emitir para cobrir prejuízos cambiais do BC, transgressor da Lei de Responsabilidade Fiscal?

Tango chinês em Buenos Aires

Cardápio indigesto para Trump

Não dá mais para o império de Tio Sam ditar regra aos outros.
Dançou em Buenos Aires, no G-20.
Revela nova correlação de força global a trégua de 90 dias acertada entre Jiping e Trump: EUA não aumenta tarifa de importação sobre produtos chineses e China compra um pouco mais de mercadorias americanas, com seu espantoso superavit comercial. 
O fato concreto é que com 4 trilhões de dólares de reservas em caixa, Jiping botou o galho dentro.
Supostamente, se jogar, 1 trilhão de verdinhas na praça, para comprar, à vista,  o montante das estatais que Paulo Guedes deseja liquidar por 800 bilhões de reais, num entreguismo tresloucado, com benção de Bolsonaro, a moeda de Tio Sam desaba.
A dívida pública americana teria que ser enxugada com puxada violenta dos juros, pelo FED.
Pintaria crise global.
Os chiliques de Trump são, perfeitamente, explicáveis: chororô de perdedor.
Colbert, ministro das Finanças de Luis XIV, já dizia: a dívida pública é o nervo vital da guerra.
A China, grande credora da potência imperialista superendividada – mais de 25 trilhões de dólares -, está ganhando a guerra comercial.
Só no Brasil, os neoliberais tratam a dívida como produto neutro nas relações capitalistas.
Burrice.
Por isso, está no buraco.

Craque brasileiro no G-20

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Trump é o grande derrotado moral na reunião do G-20, em Buenos Aires.
O grande vencedor é o brasileiro Roberto Azevêdo, comandante da Organização Mundial do Comércio(OMC), ligada a ONU.
China e EUA não se entenderam na guerra comercial que enfrentam.
Estava escrito nas estrelas.
Os americanos tentaram, sem conseguir, derrubar o multilateralismo, para reafirmar o protecionismo trumpiano, mas os 19 restantes do grupo não concordaram.
Reafirmaram a tese de Azevêdo, a do plurilateralismo, que, certamente, vem a dar no mesmo.
Seria tentativa de reformar o comércio internacional, não no âmbito do G-20, mas na OMC, ou seja, da ONU, mais abrangente.
Sai vencedora, também, a tese óbvia do aquecimento global, como fruto da exploração irracional dos recursos naturais pelo capitalismo dominado pelo lucro a qualquer custo.
Brilhante vitória de Azevêdo, que costurou, bem feito, o jogo com o presidente Macri, da Argentina, anfitrião do encontro.
Perderam, na parada, Trump e Bolsonaro, que o acompanha nessa de negar prejuízo ao meio ambiente pela ação da irracionalidade capitalista, condenando o Acordo de Paris.
Sinceramente, Azevêdo deveria ser o chanceler brasileiro, convocado pelo presidente eleito, se a ideologia não estivesse tomando conta da armação do ministério, na área internacional.
O mundo agradeceria.

Grande Gardel

Bolsonaro carimba petistas de comunistas para anular marca histórica social democrata do Partido dos Trabalhadores

PT comunista?

A direita, com Bolsonaro no poder, ao lado dos militares, quer, agora, taxar o PT de comunista.

Deseja tomar do Partido dos Trabalhadores aquilo que, realmente, conquistou na prática política histórica brasileira: a social democracia.

Precisaram os trabalhadores chegar ao poder, com Lula, para a social democracia, no Brasil, sair do papel.

O PSDB sempre foi, apenas, social democracia de fachada.

Não colocou, como Lula, o social como prioridade.

Os salários, na era tucana, não tiveram políticas definidas; sujeitaram-se à excessiva liberdade do mercado.

Predominava, no tempo dos tucanos, a verdade de que salário é custo e não renda no ambiente econômico.

Se a inflação é fruto do aumento de custo, aumentar custo(salário), aumenta inflação.

Para o empresário, na lógica capitalista, individualista, o negócio é reduzir custo, para ter mais lucro.

Assim, se combatida a inflação, preferencialmente, na Era FHC.

Lula, ponto de vista do trabalhador, inverteu, historicamente, essa equação.

No poder, com seu pensamento de classe operária, tratou salário como renda.

Chancelou comprovação marxista de que a sociedade é dividida em classes antagônicas; portanto, a luta de classe é o móvel natural do sistema capitalista etc.

Com a renda-salário, raciocina Lula, compram-se coisas, geram-se empregos.

A despensa do trabalhador fica abastecida, a família operária, feliz.

O governo arrecada mais e investe mais.

Multiplicação dos investimentos sociais

Do ponto de vista do trabalhador, de Lula, do PT, os programas sociais não são custos, são investimentos que se multiplicam, gerando emprego, renda, consumo, produção, circulação, distribuição, arrecadação e novos investimentos etc.

Silogismo capitalista clássico.

Do ponto de vista do salário como renda, Lula é o verdadeiro social democrata.

Para ele, a regra é clara, como diz o árbitro Arnaldo César Coelho: reajuste de acordo com crescimento do PIB mais a média da inflação dos dois anos anteriores.

Essa regra claríssima fez a cabeça do povo: transformou-o em consumidor, que determina o ritmo da economia capitalista brasileira, como aconteceu com Lula do poder.

Mais consumo vence a insuficiência orgânica da qual padece o capitalismo, desde seu nascimento, levando o sistema ao subconsumismo deflacionário, como destacou Marx, para permitir efetividade da social democracia, que se pauta pelo nacionalismo e pela opção ao social como motor da economia.

Agentes desenvolvimentistas

Os direitos e conquistas dos trabalhadores, segundo a social democracia, são agentes do desenvolvimento capitalista; ao contrário, na periferia do capitalismo subdesenvolvido, vira lata, sem vergonha, brasileiro, representam custos de produção, que precisam ser cortados, principalmente, para pagar juros da dívida etc.

Lula priorizou o social e se orgulha de dizer que com ele o povo enfiou seu pé no orçamento da União; a opção pelo social aumentou a renda disponível para o consumo; nasceria um mercado interno de 40 milhões de novos consumidores; festa capitalista embalada pela social democracia lulista.

Lula virou, consequentemente, máquina de produzir votos.

Jamais a social democracia de fachada tucana conseguiu vencer eleição, depois de FHC, que se rendeu ao Consenso de Washington  e ao Fundo Monetário internacional; acabou sentado no colo de Clinton, como Bolsonaro, através do seu filho, já está sentando no de Trump, com chapeuzinho de campanha e tudo.

Social Democracia x Comunismo

A social democracia petista foi resultado de desenvolvimento histórico e social,  comandado do ponto de vista do trabalhador social democrata, expresso, nitidamente, na Constituição de 1988.

Não tem nada de comunista, como querem fazer crer Bolsonaro e sua equipe econômica ultraneoliberal.

De 2003 a 2014, período histórico petista, não se pregou, no PT, supressão da propriedade privada, marca registrada do regime comunista.

Demonizam os petistas de comunistas para avançar com o programa neoliberal de Paulo Guedes, na tarefa de destruir o conceito de que salário é renda e não custo.

Guedes e a turma de Chicago querem impor o conceito, já ultrapassado, historicamente, de que salário é, meramente, custo.

A lógica pauloguedeseana é linear, mecanicista: aumento de custo aumenta inflação; então, é preciso cortar salário para diminuir custo e, consequentemente, inflação.

Ele nega o pensamento neoliberal que o contrário também pode ocorrer: salário-renda combate a inflação ao elevar oferta em relação à demanda, diminuindo preços, no contexto do livre mercado.

Guedes quer praticar livre mercado apenas para vender patrimônio público, sob argumento de que patrimônio público promove corrupção, que provocaria inflação; papo puramente ideológico.

Agora, para aumentar a renda da população com objetivo de diminuir preços, com mais produção relativamente ao consumo, ele foge da raia; a lei não funcionaria.

Ressurreição de Ricardo

Guedes dá passo atrás, conservador, reacionário, na história.

O guru de Chicago ressuscita aquilo que a história ultrapassou: a lei dos rendimentos decrescentes de Ricardo.

Arrocho salarial, conforme o conceito ricardiano, elaborado no século 19, justificava-se quando a renda da terra comandava o sistema de acumulação capitalista, antes do domínio da indústria e das finanças.

As variações da renda da terra determinavam redução dos salários para compensar o aumento de custo decorrente da exploração das novas terras, mais distantes.

Ora, no capitalismo financeiro industrial, altamente, especulativo, os rendimentos são crescentes; não justifica que os salários continuem sendo reajustados conforme a dinâmica da lei da terra, se a acumulação capitalista é dada por outra dinâmica de acumulação.

Surreal.

Paulo Guedes, para arrochar salários, ressuscita Ricardo como farsa; sua turma, no Ministério da Fazenda, já está pregando a mudança da regra salarial; o salário tem que ser ditado pelo mercado, como no tempo de Ricardo, sob a lei dos rendimentos decrescentes.

Geralmente, o economista do presente, como Guedes, ironizaria Marx, está sempre preso a uma ideia do passado, que já fracassou.

 

 

 

Política, novo desafio do poder cívico-militar

Política em cena

O maior desafio dos militares, a partir de agora, é fazer política.

Terão que relacionar, intensamente, com os civis.

Não, apenas, Congresso, mas organizações sociais, sindicatos, associações, todo poder representativo, conforme autoriza a Constituição de 1988, empoderando, politicamente, a sociedade.

O governo Bolsonaro, apoiado e operado pelos militares, em postos chaves, essencialmente, políticos, poderá dar pontapé em governo cívico militar democrático.

O presidente foi eleito pelas regras democráticas.

Pode-se chiar que houve fraude.

Se Bolsonaro tivesse perdido, estava pronto para denunciar que fora roubado; externou essa predisposição mais de uma vez, na campanha eleitoral.

Exigir apuração faz parte da democracia, e essa luta será levada adiante pela oposição; porém, esticar essa discussão, eternamente, seria produtivo?

A população, a partir de determinado momento, encheria o saco; o assunto não enche barriga; passaria a ser percebido como fuga do problema principal; pintaria reversão de expectativa, como enjoativo repeteco de samba de uma nota só.

Povo quer emprego

A população, pragmática, quer é mais emprego, mais salário, mais consumo, sem o qual a crise econômica continuaria, na batida neoliberal.

Seria continuidade de Temer o programa proposto por Paulo Guedes, essencialmente, ultra-arrocho no lombo do povo.

O programa Temer revelou-se fracasso eleitoral.

Os dois partidos, PMDB e PSDB, que deram sustentação ao presidente, depois do golpe de 2016, dançaram, fragorosamente; não passaram do primeiro turno.

Os militares voltariam ao poder, com Bolsonaro, depois de 33 anos de ausência dele(1984-2018), para seguirem programa eleitoral inviável e se desmoralizarem perante o povo?

Sairiam, moralmente, enxotados, como o governo Temer, com menos de 5% de apoio popular?

Dariam tiro no pé?

Não é o que parece.

Nacionalismo x Neoliberalismo

O general Fernando Azevedo e Silva, futuro ministro da Defesa, confirmou, no Correio Braziliense, domingo, a disposição do governo Bolsonaro trilhar caminho desenvolvimentista; ou seja, incompatível com a terapia econômica neoliberal de Paulo Guedes, à direita da de Temer.

O ministro foi taxativo: as forças armadas querem investimentos em cibernética(Exército); submarino nuclear(Marinha) e; tecnologia espacial(Aeronáutica).

Trata-se de proposta de política industrial.

Somente lançando mão das vanguardas tecnológicas, as forças armadas, segundo o ministro da Defesa, teriam plenas condições de exercerem seu papel constitucional, de garantia da soberania nacional, como fator de dinamismo econômico.

Novo poder cívico-militar, segundo o general, estará aberto e propício aos investimentos no setor de defesa; será a via pela qual os militares pretendem contribuir para o desenvolvimento econômico.

A estrutura produtiva e ocupacional brasileira seria dinamizada, na visão de Azevedo, pela renovação do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, como vetores de novo desenvolvimentismo, com base no Plano Nacional de Defesa(PND), essencialmente, nacionalista, aprovado, em 2005, no Governo Lula.

Limitação orçamentária

Tem um porém esse plano desenvolvimentista militar, executado pelos capitalistas ocidentais e orientais, todos, nacionalistas, Estados Unidos, Europa, China e Rússia: ele não cabe no orçamento ultraneoliberal de Paulo Guedes, o guru econômico de Bolsonaro.

Choques à vista.

Para executar essa tarefa, os militares, mais uma vez, terão que fazer política, muita política, para garantir, no Congresso, o orçamento para a defesa, como fator estratégico.

Por aí os militares consideram colocar em prática plano nacionalista que refletirá sobre toda a economia.

Para eles, uma Petrobras, uma Eletrobras, operando na linha de apoio à defesa, não poderiam ser privatizadas, por possuírem papel estratégico, essencial à soberania nacional etc.

Congelamento neoliberal, o impasse

Igualmente, entra em contradição com o Plano Guedes o congelamento de gastos públicos, por vinte anos, obediente ao teto variável, apenas, pela inflação do ano anterior.

Como o plano ultraneoliberal visa inflação baixa via ajuste fiscal drástico, os gastos, obedientes ao teto, seriam sempre decrescentes, insuficientes, portanto, para atender escala de produção industrial reivindicada pelos militares.

Guedes passaria a ser natural obstáculo ao nacionalismo econômico implícito tanto no Plano de Defesa Nacional(PDN), como na Estratégia Nacional de Defesa(END).

Haveria choque inevitável entre a tentação dos militares e a orientação maquiavélica de Guedes para zerar o déficit público de R$ 159 bilhões, preferencialmente, em um ano.

A estratégia paloguedeseana seria a de fazer o mal todo de uma vez, em um ano, para tentar alcançar o bem aos pouquinhos.

Essa tese criaria imediata antítese: a resistência política popular.

França à vista?

Assim como os franceses estão indo às ruas contra o ajuste fiscal neoliberal de Macron, poderia ou não acontecer o mesmo, no Brasil, com o super-arrocho – muito pior do que o do presidente francês – de Bolsonaro e Guedes?

O time de Bolsonaro, como disse o general, está, ainda, no vestiário, mas, doidinho, para entrar em campo, tentando dar novo rumo ao país.

Qual rumo?

Recessão à lá Temer, que não ganha eleição, ou desenvolvimentismo à lá Lula, que produz votos aos borbotões?

O fato é que, como diz o general Villas Boas, em palestra, no Ceub, no Dia do Soldado, em 2016, o país não sairá da crise se mantiver-se prisioneiro do mercado financeiro, que não pensa, estrategicamente, constituindo-se, em essência, em perigo para a segurança nacional.

O programa de Guedes é puro mercado financeiro.

Logo….

 

Direita, volver: militarização educacional-cultural anticapitalista-fundamentalista bolsonariana

Educação familiar

Os militares emplacaram o novo ministro da Educação, Ricardo Velez Rodrigues, colombiano, egresso da teologia acadêmica, na Universidade Federal de Juiz de Fora, e professor da escola de comando do Estado Maior.

Suas primeiras declarações são as de priorizar a educação familiar, na linha do projeto de lei bolsonariano, em tramitação, no Congresso, da denominada escola sem partido, pregada – e, agora, negada – pelo filósofo anti-acadêmico de direita, Olavo Carvalho; trata-se de ideologizar a educação brasileira, voltando-a, preferencialmente, para os valores familiares em relação aos valores mundanos, desenvolvidos na social democracia sintonizada com a Constituição de 1988.

De acordo com a nova ordem, o Ministério da Educação recomendaria, para concretização da educação familiar, a criação, nas escolas, dos comitês de ética, a objetivar união família-escola; a família conduziria a escola e não a escola a família; abre-se, dessa forma, conflito ideológico sócio-econômico-cultural, no Brasil, inserido, por sua vez, no contexto da globalização capitalista cultural ocidental.

A educação bolsonariana, monitorada pela cultura religiosa evangélica, fundamentalista, anti-ocidental, quer remover o que está assentado na Constituição de 1988, a pluralidade democrática, consagrada na lei de diretrizes e bases; sua origem cultural, por sua vez, está no pensamento ocidental, desenvolvido mais intensamente no século 20 no curso do progresso social democrata, no pós-segunda guerra mundial.

Fim da pluralidade social democrata

Nos governos do PT, a pluralidade ganhou dimensão extraordinária, no compasso do processo de melhor distribuição da renda; nova regra para o salário mínimo, reajustado pelo desenvolvimento econômico, impulsionado como opção pelo social como base da dinamização econômica, criou nova realidade social participativa.

Maior poder de compra aumentou as demandas sociais culturais, que influenciam, decisivamente, a expansão de novos costumes, novos consumidores, sempre associados à necessidade de expansão consumista capitalista, para justificar investimentos em escala.

A extroversão cultural, sexual e ideológica, associada à liberação dos costumes etc avançou, significativamente, com a oferta de oportunidades às classes sociais mais pobres por mais educação, cobrindo todos os ciclos, do primário ao superior; ampliaram-se mercado de trabalho e mercado consumidor cultural capitalista, motor de reprodução do capital investidor, público e privado.

Haveria essa expansão em governos tucanos, por exemplo, se eles tivessem exercido, para valer, a social democracia – que o bolsonarismo ideológico generaliza como comunista -, e não um arremedo social democrata, cuja eficácia eleitoral inexistiu, ao longo de 4 disputas presidenciais entre PSDB e PT; os tucanos jamais  distribuíram renda; foram punidos nas urnas, seguidamente.

A social democracia tucana vigorou, apenas, da boca para fora, em comparação à social democracia praticada pelo PT, que se revelou, eleitoralmente, sucesso; somente foi barrada pelo golpe neoliberal de 2016, para prender Lula, candidato petista, sem prova concreta do suposto crime praticado.

Perigo revolucionário

A democratização social, econômica e cultural petista transformou a social democracia brasileira em perigo revolucionário, para o fundamentalismo evangélico, cultor dos valores conservadores; com Bolsonaro, a bancada evangélica quer reverter essa lógica; planeja expandir-se, política, social, comercial e ideologicamente, de preferência.

Sobretudo, a tarefa de destruição da social democracia, no governo Bolsonaro, visa, em nome do combate à corrupção, acelerar economia do livre mercado – melhor remédio contra a corrupção social democrata.

O livre mercado, portanto, requer a bancarrota da social democracia, fonte de corrupção dos valores e dos costumes, alvo preferencial a ser atacado pela cultura evangélica, restauradora de nova moralidade.

A educação social democrata, para os evangélicos, possui o germe destruidor da crítica; ele precisa ser eliminado, com supressão do pluralismo democrático, cuja essência é a liberdade; essa dinâmica libertária incomoda os evangélicos; consideram-na corruptora dos valores familiares; para mantê-los e fortalecê-los, tome escola sem partido, marcha fúnebre rumo à obscuridade cultural de neo idade média em pleno século 21.

Má notícia para negócios

Do ponto de vista dos capitalistas da indústria cultural, essa estratégia obscurantista, que marca fim da pluralidade ideológica, para estabelecer a ordem evangélica, inibe negócios e inviabiliza os lucros industriais, dependentes do comércio da cultura e da educação.

A estratégia educacional fundamentalista, que está por trás da escola sem partido, capitaneada pelo ministro Rodrigues, apoiado pelos militares, baterá de frente com os capitalistas da indústria cultural social democrata, essencialmente, plural – puro comunismo, segundo o bolsonarismo ideológico.

Seria uma boa para a imagem popular dos militares, que bancariam o novo ministro e sua política obscurantista culturalmente prejudicial aos negócios?

Os militares, em nome da ideologia, estariam dispostos a destruir a indústria cultural anti-fundamentalista, que precisa, para sobreviver, da pluralidade cultural capitalista, como negócio que se espalha, no mercado global?

A contradição essencial é que o imaginário social libertário, que movimenta a indústria cultural, dependente do mercado plural, teria que ser exterminado, para dar espaço ao obscurantismo evangélico bolsonarista militarista medieval.

O resultado, claro, seria mais desemprego, menos renda, menos consumo, menos produção, arrecadação e investimento e mais recessão e tensão social.

Greves universitárias estão à vista como antítese a essa tese bolsonariana conservadora anticapitalista.