Impasse cambial fortalece esquerda e desespera direita no processo eleitoral

BC SEM PODER
– É O SEGUINTE, MINHA GENTE, O PODER NÃO ESTÁ AQUI, ESTÁ COM O TRUMP. QUE POSSO FAZER, SENÃO DANÇAR O JOGO DO IMPÉRIO SOBRE O QUAL NÃO TENHO CONTROLE ALGUM?

Poder imperial dá as cartas

Bate desespero no BC: se subir juro, para segurar dólar, aumenta recessão e desemprego; se diminuir, para combater recessão, acelera fuga cambial. Se ficar, o bicho pega; se correr, o bicho come.

Fantasma de Macri bate à porta de Temer. Balançam candidatos da direita, centro-direita e ultra-direita, cujos programas econômicos copiam o Ponte para o Futuro, temerista, em colapso. Aumentam, em contrapartida, chances da esquerda. Se ela se unisse, nesse momento, ficaria, simplesmente, imbatível, diante do governo ilegítimo.

A desvalorização, por enquanto, incontrolável do real diante do dólar deixa o BC, comandado por homem do Itaú, Ilan Goldfajn, sem chão. Fica evidente que não há nenhuma autonomia real do Banco Central para fazer o que gostaria, que é controlar a situação. O poder não está no BC, está em Wall Street, que manda no BC americano, disposto, agora, a aumentar juros, para enxugar a praça mundial, encharcada de dólares e gerar inflação nos Estados Unidos.

A fragilidade do BC tupiniquim, frente aos movimentos de Washington/Wall Street, desmente comentaristas da grande mídia, que tentam, inutilmente, convencer leitores/ras de que a situação das economias periféricas decorre de desajustes internos, produzidos pelo laxismo relativamente aos déficits e inflação etc.

Escondem o essencial: a culpa é do modelo neoliberal imposto, imperialmente, pelo Consenso de Washington, que impede as economias periféricas de ganharem autonomia real por meio do desenvolvimento das suas próprias forças e orientações nacionais. São elas, mediante decisões políticas nacionalistas, que produzem as reservas cambiais necessárias, para se protegerem dos choques externos, impostos pelas deteriorações cambiais nos termos de troca, desde sempre.

A Argentina neoliberal macrista é o exemplo visível. O arrocho neoliberal, incapaz de produzir reservas cambiais necessárias à autonomia econômica, entrou em crise. A alternativa é passar o chapéu em Washington, pedindo socorro a Christina Lagarde, do FMI, subordinada à Casa Branca. Ou seja, Tio Sam está no comando da economia portenha, arriada diante da decisão de Trump de puxar os juros e inflação, sem a qual o capitalismo não se sustenta, especialmente, no ambiente de excesso de oferta deflacionária de moeda especulativa, o fenômeno produzido pelo crash de 2008.

Herança salvadora

Por enquanto, Temer e cia neoliberal ltda da Fazenda contam com a herança benéfica de Lula e Dilma, que acumularam reservas de 375 bilhões de dólares. Fortaleceram o mercado interno, com salários reajustados pela inflação e PIB projetado para crescer, por decisões tomadas em favor do aumento do crédito à produção e ao consumo, por meio dos bancos oficiais.

Ao revés, congelamento neoliberal em vigor fragiliza, extraordinariamente, a economia, impossibilitando-a de fazer caixa. Sem gastos sociais circulando não se tem arrecadação disponível para investimentos em infraestrutura, educação, saúde, segurança etc; resultado: instabilidade crescente.

A inflação cai não pela higidez da economia, mas, ao contrário, devido à sua fragilidade galopante, sinalizadora de deflação, aceleradora do desemprego. Nesse contexto, se Ilan Goldfajn resolve se proteger do movimento de Trump, subindo os juros, reproduz a estória do cavalo inglês: dieta absoluta do animal que morre de fome, já está sem comer, graças à recessão temerista/meirellista.

Eleitoramente, tal contexto é desastre para governo e aliados. Se tenta resistir, sem aumentar as taxas, os especuladores, que não estão acreditando, de jeito nenhum, na terapia do congelamento neoliberal, para recuperar investimentos, fogem para o dólar, como decidiram fazer os especuladores argentinos.

A saída nacionalista-keynesiana, evidente, seria jogar parte das reservas cambiais na circulação, para elevar, relativamente, preços e reduzir, relativamente, salários, ao mesmo tempo em que reduz, também, relativamente, juros e dívidas do governo, dos empresários e dos consumidores. Trata-se do único movimento criador de expectativas capazes de despertar o espírito animal dos investidores.

Ou seja, o que Lula fez, em 2008, para fugir da crise da escassez de dólar, incrementando poder de compra, para bombear mercado interno, a partir do qual reequilibrou o sistema, cujo resultado foram aumento das reservas – o jogo do Japão, da China, dos próprios Estados Unidos, Europa, especialmente, Alemanha, o jogo de Putin, na Rússia, que garantiu reeleição folgada dele, mês passado etc. O jogo capitalista nacionalista social democrata.

Sem o desenvolvimento do mercado interno, como disse Ciro Gomes aos prefeitos, a dívida tem que ser financiada, diariamente, no hot money, transformando-se em fonte bombástica de déficit, que inviabiliza o capitalismo tupiniquim.

Aí ficam os comentaristas neoliberais da grande mídia oligopolizada dizendo que o problema são os gastos sociais excessivos, o déficit da previdência etc.

Demonizam a solução, para defender a anti-solução.

Fazem o jogo da Febraban, que quer abocanhar a Previdência, na bacia das almas.

 

 

Revolução à vista na América do Sul

FMI DE VOLTA COMO XERIFE DE TIO SAM NA AMÉRICA DO SUL PARA TENTAR MINIMIZAR OS ESTRAGOS PRODUZIDOS PELO NEOLIBERALISMO ESPECULATIVO DE WALL STREET. É SOLUÇÃO OU GASOLINA NO FOGO DA REVOLUÇÃO?

Impasse democrático

O receituário de Washington está entrando em buraqueira na América do Sul. Na Argentina, dançou. Macri tenta sobreviver passando o chapéu no FMI, para levantar socorro emergencial. Senão, cai.

Temer, por aqui, está na corda bamba. Mantém-se em pé graças a herança de Lula e Dilma, das reservas cambiais de 375 bilhões de dólares, acumuladas entre 2003 e 2014, tempos de nacionalismo econômico, melhor distribuição de renda, promoção dos salários, do mercado interno, preservação e ampliação de conquistas sociais etc. Manter isso, não é mais negócio para Washington.

Tio Sam precisa de vira-latas, para obedecer suas determinações, como as contidas no Consenso de Washington. O problema é que tal receituário é incompatível com democracia. Submetido às urnas, não avança. Só prejudica o povo, porque precisa extrair o máximo de direitos e riquezas da população, para continuar acumulação neoliberal.

Como essa terapia economicida é incompatível com ambiente democrátcio, o receituário neoliberal não tem futuro eleitoral. Lula preso dá banho em toda direita e extrema direita juntas, comprometida com neoliberalismo.

Adeus, Keynes

A periferia sub-capitalista não pode mais fazer o que o capitalismo cêntrico, especialmente, americano, faz, que é a receita keynesiana. Joga-se dinheiro na circulação, pelo estado emissor de moeda estatal, única variável econômica independente sob capitalismo, segundo Keynes, para elevar preços, reduzir salário e juros e perdoar dívida dos capitalistas contraída a prazo. Eis a arma para ativar consumo, produção, distribuição, circulação, arrecadação e investimentos.

Trump decidiu interromper esse circuito silogista capitalista  na periferia, porque, segundo ele, cria concorrentes para os produtos americanos, com os dólares que Estados Unidos espalharam, no pós guerra, para salvar o capitalismo do perigo comunista, a partir da Europa.

O problema são as contradições desatadas pelo próprio sistema, como destaca Marx. Que fazer com os trabalhadores, com suas famílias, com conquistas produzidas pelo sistema, no seu processo de acumulação de riqueza, de um lado, e pobreza, de outro, se, ao paralisar o circuito do dinheiro, como Temer faz com o congelamento de gastos sociais, via do PEC do Teto, o sistema desaba?

Bancocracia avança

O neoliberalismo bancocrático, imposto por Wall Street, tem que arrasar a periferia, para continuar a acumulação no capitalismo cêntrico, agora, patrocinada, apenas, pela especulação.

Trump tenta, com a política monetária do BC americano, puxando juros,  esvaziar a periferia de dólar, rumo aos títulos americanos. Os estados nacionais periféricos, sob especulação de Tio Sam, perdem capacidade de capitalizar suas empresas e seus servidores públicos, tornando-os descartáveis. Não podem, consequentemente, exercitar o modelo keynesiano de alavancar demanda com emissão de seus títulos, como faz o próprio governo americano, desde os anos de 1940, para se tornar o que é hoje, potência mundial.

O nacionalismo trumpiano não é mais permitido nas periferias, como Brasil e Argentina. É uma prerrogativa, apenas, de Tio Sam, que sabe que sua receita, adotada pelos outros, lhe prejudica.

Aí entra a estória do Garrincha: está combinado tudo com os russos?

Os sul-americanos vão continuar por quanto tempo abaixando cabeça, como vira-latas, tipo Temer, FHC, Macri etc, se o resultado é aumento crescente do desemprego, da fome, da miséria, da exclusão social?

Essa loucura neoliberal exige expansão das prisões, acumuladas por decisões judiciais, meramente, punitivas, por judiciário, determinado, agora, a fechar a boca dos legislativos e encarcerar líderes populares, favoritos pela vontade popular, a comandar governos nacionalistas.

O germe da revolução está sendo adubado, vigorosamente, por Washington.

Só Lula estabiliza dólar na estagnação neoliberal e na especulação imperial

Império x periferia

Marx é excomungado pelos neoliberais equilibristas, porque o diagnóstico dele, para analisar as crises, é o melhor: vê o movimento do capitalismo com olho do capital, com a lógica do império, não com a da periferia, com o sentido do dominador, não do dominado, geralmente, vira lata.

Tio Sam tem raiva de Lula, porque ele não se comportou como vira-lata. Por isso, precisa ficar encarcerado, condenado sem provas, pelo judiciário obediente ao império.

Mas, vamos ao olhar do império.

Trump, durante campanha eleitoral, disse que os Estados Unidos se empobreceram, relativamente, à periferia capitalista, porque, no pós guerra, espalharam muito dólar no mundo.

Com a moeda americana, os países periféricos, disse ele, construíram suas indústrias e infraestruturas nacionais e, claro, viraram concorrente dos americanos, no mercado global.

Europa, com Plano Marshall, alavancou-se; China, idem, importando empresas americanas com compromisso de exportações para os Estados Unidos. Com isso, os chineses, hoje, têm reservas de 4 trilhões de dólares e ameaça Tio Sam.

Trump prometeu e agora busca cumprir sua promessa, tentando mudar a situação. O que está fazendo?

A guerra comercial é desdobramento desse discurso, com aumento das tarifas de importação, para proteger produtores e industriais americanos.

Outro lance de Trump é especular com o dólar, a partir da admissão de que o BC americano começará a puxar as taxas de juros, para ter um pouco mais de inflação, a solução para o capital. Com esse movimento, o titular da Casa Branca esvazia a periferia de dólar, rumo aos títulos americanos.

O risco é a dívida americana, que já está alta demais, mas isso fica para depois.

Portanto, são duas jogadas do império, para sufocar os concorrentes. Com o protecionismo comercial, Trump fecha a América para os americanos. Com juros mais altos, fragiliza a periferia, cujas elites, sempre antinacionalistas, entreguistas, correm para as verdinhas de Tio Sam e o resto que se lasque.

Periferia em pânico e a solução Lula

A crise cambial, portanto, ameaça o capitalismo periférico, que, complexo e cheio de contradições, começa a se abrir para era de revolta e revoluções.

Na Argentina, Macri se enlouquece. Temer, idem. Ambos compraram pelo valor de face o Consenso de Washington, jogando a economia no abismo das pontes para o futuro, que, agora, despencam.

Macri puxa os juros, para evitar fuga cambial, sangria total. Temer, ainda, respira, contando vantagens com as reservas cambiais de 375 bilhões de dólares, que Lula e Dilma acumularam, com o desenvolvimentismo nacionalista petistas, de 2003 a 2014.

Mas, dura até quando essa galinha dos ovos de ouro, que os neoliberais da Fazenda estão matando, adotando o congelamento de gastos públicos, os que dinamizam o consumo, produção, distribuição, circulação, arrecadação e investimentos?

Economia parada e desemprego saindo pelo ladrão, já viu, né, jamais ganha eleição.

A solução Lula, nesse momento, é a mais adequada, porque não é a do viralatismo colonial adotado por Macri-Temer.

O ex-presidente, encarcerado por crime não comprovado, foi considerado prepotente, quando disse, em 2008 que não temia o tsunami, para ele, uma marolinha.

Qual foi a sua arma?

Fortalecer o mercado interno, mediante aumento de salário e de financiamento ao consumo e à produção. Abriu as portas dos bancos oficiais, porque, se fosse contar com bancos privados, estaria lascado. Obama, na crise global, lamentou não possuir um BNDES.

Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES irrigaram o capitalismo tupiniquim, para elevar a demanda interna, que salvou os empresários da bancarrota externa anunciada.

Se Lula fosse vira-lata, adotaria o que Temer e Macri estão adotando: arrocho salarial, cortes de gastos até não mais poder e destruição do mercado interno, ao lado da privatização dos ativos nacionais, estruturantes do desenvolvimento nacionalista.

Lula comprovou que a melhor arma, contra o domínio colonial/imperial, é apostar no potencial nacional. Se o País tem petróleo, ouro, minérios, água, sol, terras para dar até duas safras anuais, energia e biodiversidade infinita, além de classe empresarial e laboral diligentes, por que ficar na mão do império?

Tio Sam e seus capachos, na periferia tupinquim, agora, dominada pela ditadura do judiciário, que calou o legislativo, com o fim do foro privilegiado, prenderam Lula, para ele não provar, de novo, que pode virar o jogo contra o imperialismo.

Números não mentem

Vejam o que aconteceu entre 2003 e 2014(dados levantados pelo historiador Moniz Bandeira e publicados nos sites Pátria Latina e GGN):

1 – 2002(Era FHC), PIB nacional, R$ 1,48 trilhões; 2013(Era Lula-Dilma), R$ 4,84 trilhões;

2 – PIB per capita 2002, R$  7,6 mil; em 2013, R$ 24,1 mil.

3 – Lucro do BNDES, 2002, R$ 550 milhões; 2013, R$ 8,15 bilhões.

4 – Lucro do Banco do Brasil: 2002, R$ 2 bilhões; 2013, R$ 15,8 bilhões.

5 – Lucro da Caixa Econômica Federal: 2002, R$ 1,1 bilhão; 2013, R$ 6,7 bilhões.

6 – Safra agrícola: 2002, 97 milhões de toneladas; 2013, 188 milhões de toneladas.

7 – Produção de veículos: 2002, 1,8 milhões de unidades; 2013, 3,7 milhões.

8 – Taxa de Desemprego:  2002 , 12,2%; 2013, 5,4%.

9 – Reservas Internacionais: 2002, 37 bilhões de dólares; 2013, 375,8 bilhões de dólares.

10 – Dívida líquida do setor público: 2002, 60% do PIB; 2013, 34% do PIB. 17.

11 – Salário Mínimo: 2002, R$ 200 (1,42 cestas básicas); 2014, R$ 724 (2,24 cestas básicas).

12 – Valor de mercado da Petrobras: 2002, R$ 15,5 bilhões; 2014, R$ 104,9 bilhões.

13 – Lucro médio da Petrobras: Governo FHC, R$ 4,2 bilhões/ano; Governos Lula e Dilma, R$ 25,6 bilhões/ano.

14 – Gastos Públicos em Saúde: 2002, R$ 28 bilhões; 2013, R$ 106 bilhões.

15 – Gastos Públicos em Educação: 2002, R$ 17 bilhões; 2013 – R$ 94 bilhões.

16 – Investimento Estrangeiro Direto: 2002, 16,6 bilhões de dólares; 2013, 64 bilhões de dólares.

17 – Empregos gerados: Governo FHC, 627 mil/ano; Governos Lula e Dilma, 1,79 milhões/ano.

18 – Exportações: 2002, 60,3 bilhões de dólares; 2013, 242 bilhões de dólares.

19 – Inflação Anual Média: Governo FHC, 9,1%; Governos Lula e Dilma, 5,8%.

20 – Falências Requeridas em Média/ano: Governo FHC,  25.587; Governos Lula e Dilma, 5.795.

Consumo x Câmbio

Não é à toa que, com mercado interno em desenvolvimento, com as famílias consumindo(60% do PIB), as oscilações cambiais, simplesmente, inexistiram, no período 2003-2014, possibilitando acúmulo de reservas extraordinário.

Ficou comprovado que a estabilidade do câmbio depende, fundamentalmente, da estabilidade do consumo, sem o qual ocorre o que se vê na era neoliberal temerista/temerosa: estagnação e crise cambial.

Para encurtar conversa: Lula e sua proposta desenvolvimentista são, naturalmente, a solução contra as crises, simplesmente, porque ela não obedece receituário do império, que obriga os vira-latas a baixarem a cabeça.

Com estagnação e especulação, a direita golpista vira-lata fica sem candidato e se desespera.

LULA LENDA: FAKENEWS BARATO INCONSEQUENTE DE RUY CASTRO

LENDA OU SOLIDARIEDADE?

Ruy Castro, escritor e jornalista, saiu, quarta-feira, na sua coluna, na Folha, com uma inconsequente bobagem – bobagem é sempre algo inconsequente –, dizendo que os visitantes de Lula buscam, apenas, manter viva a lenda.

Nesse caso, ele, como repórter, diz, não teria nada a fazer lá, como se tudo já tivesse sido dito, seja em torno do personagem, seja em torno das circunstâncias fatuais que o envolvem, nesse momento, histórico.

Será?

Como repórter, atilado que é, estaria convencido da veracidade das informações que levaram à condenação do ex-presidente pelo juiz Moro, a 9 anos e seis meses de prisão, e pelos desembargadores do TRF-4, a 12 anos e 1 mês, ao considerarem irrefutáveis os argumentos moristas, se estes dividem, amplamente, consagrados juristas?

Como escritor de biografias brilhantes, que escreveu “A noite do meu bem”, não teria o mínimo de curiosidade, para aprofundar investigações sobre se realmente o tríplex do Guarujá pertence a Lula, antes de defender essa esdrúxula tese de que os que vão visitá-lo somente desejam alimentar uma lenda, e não prestar solidariedade?

CADÊ O REPÓRTER?

A propalada propriedade do imóvel a ele atribuída, sem prova concreta, será ocultação de patrimônio ou armação dos interessados para não ter ele como candidato competitivo nas eleições, fazendo de tudo para condená-lo e afastá-lo da disputa?

É verdadeira ou falsa declaração obtida, para condenar alguém, mediante delação premiada, sem compromisso de dizer a verdade, como é o caso da afirmação do diretor da OAS, Léo Pinheiro, de que o tríplex é de Lula, sem ter em mãos a prova concreta sobre o que disse?

Castro colocaria ou não suas barbas de molho, relativamente, ao verdadeiro valor do tríplex, calculado por Moro, depois da invasão do imóvel pelo MTST, que filmou todo o seu interior e verificou ser balela a informação de que foram feitas, nele, reformas personalizadas, para servir de futura morada do ex-presidente, elevando seu valor de mercado para quase R$ 3 milhões?

Verdadeira ou falsa tal informação?

Se, realmente, o tríplex pertencesse a Lula, por que teria sido dado em pagamento para credor da OAS?

Ou o apto seria da OAS e não de Lula?

Não seria, para um repórter especial, como Castro, motivo capaz de despertar gana por descobrir a verdade, nesse cipoal que envolve o assunto, cercado de contradições levantadas por especialistas de toda a natureza, em vez de teorizar uma bobagem inconsequente?

CIÊNCIA OU CHUTE?

Não lhe chamaria a atenção unanimidades de pontos de vista convergentes de procuradores, juízes, desembargadores e ministros, no trato do caso Lula, quando a controvérsia é um dado essencial do direito, aberto às mil e uma interpretações, justamente, por não ser ciência?

Terá Castro engolido, sem questionamento, que a Constituição está sendo, rigidamente, cumprida, quando o STF deixa de lado a presunção de inocência, consagrada no inciso 57 do art. 4º, como cláusula pétrea, para dar lugar à condenação em segunda instância, algo a dividir a própria jurisprudência da suprema corte, sem falar no mundo jurídico, nacional e internacional?

Não desperta Castro para o fato de que Lula, no xilindró, sem provas cabais – como a inexistência do contrato de compra e venda do imóvel –, motiva espírito de solidariedade na sociedade?

Quem estaria criando a lenda, o espírito de solidariedade social ou a insistência equivocada de jurisprudência passível de questionamento por especialistas, nacionais e internacionais?

O espírito de solidariedade dos que chegam a Curitiba visa somente sustentar a lenda ou defender o que o ex-presidente representa pelo que, realmente, fez, ou seja, uma obra socialmente comprometida com bem estar da maioria da população?

LENDA OU VERDADE?

Se não fosse isso, o que significaria o favoritismo teimoso registrado nas pesquisas de opinião, dando ele como pule de dez nas apostas eleitorais, diante do conjunto dos demais candidatos?

Seriam pura lenda as pesquisas?

A conclusão de Castro teria validade, se, depois de investigar o assunto, como sempre procede nas pautas que lhe movem, apresentasse os fatos cabais capazes de justificar sua teoria.

Esperamos que o faça, como repórter profissional, para conferir veracidade e segurança as suas afirmações.

Enquanto isso não acontecer, sua tese não passa de mera inconsequência irresponsável, indigna do repórter que é, talvez, só, para agradar os Frias.

Por enquanto, é mero fakenews.

 

 

EUA destroem Lula para evitar ressurreição de Vargas. Golpe detonou presidencialismo

LULA DISCURSA NO TÚMULO DE GETÚLIO E APAVORA TIO SAM

Irritação imperial

Do ponto de vista de Washington, Lula cometeu dois pecados capitais:

1 – colocou o lenço vermelho de Vargas no pescoço e foi a São Borja, no Rio Grande do Sul, discursar no túmulo do grande nacionalista brasileiro.

Vargas, em 1952, no dia 1º de maio, disse ao povo que “hoje, estou no poder; amanhã, o poder será exercido por vocês”.

Previu ou não Lula, naquele discurso histórico?

O Brasil nacionalista que Getúlio construiu, com indústria nacional forte e trabalhadores com direitos constitucionalmente assegurados, somente, ficaria de pé com representante dos trabalhadores no poder.

Lula, expressão legítima do povo no poder, conforme demonstrou como presidente da República, representa visionarismo varguista, empoderamento político popular, profundo incômodo a Washington.

2 – na sequência, Lula declarou que, se eleito, faria aliança estratégia com Rússia e China, por uma geopolítica multilateralista.

Já, no poder, ele havia articulado com russos e chineses, mais os indianos, a criação dos BRICs, com banco de desenvolvimento internacional.

Armava-se nova divisão internacional do trabalho, alternativa à que Estados Unidos implementaram, depois da segunda guerra, com FMI e Banco Mundial, para manterem o dólar senhor do mundo.

Com BRICs, pinta nova geopolítica global, que seria acelerada com Lula fazendo parceira com Putin e Jiping, para irritação suprema de Trump.

Diante dessas duas iniciativas lulistas, em campanha eleitoral, com as caravanas, arrastando multidões, pelo Brasil afora, a ordem de Tio Sam veio imediata:

Prendam o homem!

Ele não pode falar!

E ele está trancafiado, calado.

Ninguém pode vê-lo, nem médico.

O que está saindo das masmorras, onde os golpistas o colocaram, é só versão da fala de Lula.

O que emerge das masmorras?

Que Lula vai lançar Gleisi candidata para substituí-lo; que Lula apoia Haddad; que Lula pensa em apoiar candidatura de Lulinha, seu filho; que Lula quer conversar com Ciro Gomes; que patatipatatá.

Quem acredita na versão das masmorras?

Era o que Washington e seus agentes internos, no Legislativo, Executivo e Judiciário, monitorados pelo oligopólio midiático, queriam: multiplicidade de versões lulistas para confundir a opinião pública.

Ainda, assim, para desespero de Washington, as pesquisas bombam que ele é o favorito para ganhar eleição.

Nessa semana, veio ao ar que ele bomba em São Paulo, terra dos tucanos, e que bate Sérgio Moro, seu algoz, em popularidade, construída pela mídia golpista.

Fraude em marcha

Se não participar do processo eleitoral, por estar condenado, sem provas, por judiciário que rasgou a Constituição, a leitura popular será a de que o governo eleito, sem participação de Lula, não terá legitimidade.

As chances desse eventual novo governo, ilegítimo, de governar serão precárias, principalmente, se colocar em prática programa de governo semelhante ao que está sendo praticado pelos golpistas, de cunho neoliberal, rejeitado por 95% do eleitorado.

Afinal, o golpe de 2016 foi dado para isso, ao derrubar presidenta eleita por 54 milhões de votos.

No poder, o novo governo, com programa neoliberal golpista, logo, logo, seria contestado.

Crise institucional inevitável.

Que fazer, com presidente saído das urnas sem apoio da maioria?

Provável ingovernabilidade pintaria com vigor, a exigir solução prática, especialmente, no campo econômico, marcado por paralisia e arrocho salarial.

A exemplo do que já se verifica, o arrocho neoliberal não cria expectativa positiva para os agentes econômicos.

Ao contrário, destrói-se forças financeiras estatais, variáveis econômicas independentes capazes de alavancar economia, se forem mantidas medidas neoliberais.

São aplicadas em nome do combate ao déficit público; na prática, porém, aumentam o déficit, porque inviabilizam arrecadação, no ritmo da contração do consumo e dos salários, decorrente do congelamento dos gastos públicos, previsto para durar vinte anos.

Enquanto isso, as despesas crescem, vegetativamente, acima das receitas.

O buraco fiscal se alastra na era econômica glacial.

Puro anticapitalismo esquizofrênico tupiniquim.

Bancarrota presidencialista

Lula, nesse contexto pós eleitoral, de cujo processo não participaria, porque estaria na cadeia, continuaria ou não sendo o ponto de equilíbrio institucional, para evitar rupturas dramáticas, capazes de levar o país a uma situação de buraqueira econômica, social e política?

Pintaria ou não possibilidade de o novo poder, sem capacidade de governar, mergulhar em crise institucional, aproximando de ruptura que jogaria a democracia no lixo?

O sistema presidencialista entraria em caos total, restando, como alternativa democrática, o parlamentarismo.

Quem seria primeiro ministro, pacificador, capaz de promover união nacional, esfrangalhada pelo golpe de 2016, comandado pelo Supremo Tribunal Federal, que rasgou a Constituição?

O nome de Lula, respaldo, popularmente, entraria, de novo, em cogitações, claro.

Que fariam judiciário, legislativo e executivo, afetados, pela permissividade legal, mas, imoral, dada pela legislação eleitoral, que inverteu vontade popular ao eleger o dinheiro como prioridade para manter falsa maioria representativa?

Parlamentarismo salvacionista

Emergia ou não clamor por nova institucionalidade, como solução para o capitalismo financeiro especulativo em crise, incapaz de dispor de representação política sustentável para atender demandas sociais, no ambiente democrático?

Que vale o STF, supressor de cláusula pétrea constitucional, que prega presunção de inocência, para dar lugar à condenação em segunda instância, completamente, inconstitucional?

O país está na ditadura e o poder judiciário é o novo ditador.

No entanto, não haveria condições desse poder jurídico ditatorial ditar regras capazes de sustentar governabilidade ao poder eleito sem legitimidade, devido à ausência, na disputa, do candidato preferido pelo eleitorado.

Lula, nesse caos institucional, poderia ou não emergir como candidato de consenso para primeiro ministro parlamentarista?

E no Executivo, para exercer o papel de rainha da Inglaterra, quem ficaria?

Alguém, tipo Carmem Lúcia, por aí, com a tarefa de preparar a transição.

O golpe de 2016 produziu um monstro que está se revelando intragável ao próprio processo eleitoral, na tarefa atual de destruir o próprio presidencialismo de coalizão.

Os golpistas destruíram presidencialismo.