Globogolpe racha direita e une esquerda. Mercado completamente atordoado

FORÇA ELEITORAL IRRESISTÍVEL
Só tem um verdadeiro candidato eleitoralmente viável: Lula. As caravanas que ele promove pelo País são maior movimento popular que se expande incontrolavelmente para desespero dos golpistas. Os militares deram chega prá lá neles, que queriam adiar calendário eleitoral. Os candidatos da direita juntos não são páreo para ele. A direita, com o golpe, se inviabilizou eleitoralmente. Só ficam no poder mediante golpe que as forças armadas, como se expressaram há duas semanas, não respaldarão. O mercado perdeu confiança no golpista Temer. Os congressistas, idem, fogem dele. Quem vai ficar perto de quem possui apenas 3% de aprovação? Tentam demonizar o candidato petista, mas o golpe é a maldição condenatória dos que dele participaram. A força popular, anunciada pelas pesquisas, vai fazendo estrago, para horror do mercado financeiro, que jogou todas as suas fichas no golpe, que se desmancha.

Nunca antes….

A ironia política brasileira, nesse momento, é a seguinte: centro-esquerda, relativamente, unida, vítima do globogolpe, que deixa o mercado completamente atordoado, centro-direita golpista, completamente, rachada, e ultra-direita louca. A relatividade da unidade centro-esquerda decorre da existência, por enquanto, de 4 candidaturas: 1 – PT e aliados, com Lula; 2 – PC do B e aliados, com Manuela; 3 – Ciro Gomes, PDT, e 4 – Álvaro Dias, Podemos. São adversários no primeiro turno. No segundo turno se uniriam, certamente, em torno de Lula, sem maiores atritos. Já centro-direita, PMDB/PSDB e demais coligados, é puro saco de gatos, junto com a ultra-direita, nazista, livre atiradora, bolsonarista. O PMDB não se sustenta em pé. Basta ver que seus líderes, na Câmara e no Senado, já negociam, abertamente, com Lula aliança eleitoral. O sucesso da Caravana-Lula, no Nordeste e em Minas Gerais, evidenciou o óbvio: os peemedebistas levantam a bandeira Lula 2018. Próximos passos da caravana funcionarão como arrastão eleitoral. Lula preso, como sonham muitos,  por justiça sem credibilidade, como acaba de acontecer, no Rio, em que ordem judicial é derrubada no Legislativo? Talvez nem a direita e o mercado queiram isso, porque piorariam – e muito – as expectativas da economia em meio à radicalização política revolucionária que tal evento detonaria. É bem capaz que o próprio mercado, se as coisas ficarem pretas para o lado dele, defenda, candidatura Lula, como destaca o repórter Beto Almeida,  da Telesur/TV Comunitária.

Fumaça fedorenta

O PSDB, abraçado ao PMDB/Temer, virou aquela coisa… Peido fedido. Espanta todo mundo. O presidente do partido, senador mineiro Aécio Neves, é execrado entre os próprios tucanos. Sujou, tá cagado. Ficar perto dele dá azar. O núcleo tucano paulista, que, há mais de duas décadas, dá as coordenadas partidárias, fugindo de prévias livres, nacionais, obrigatórias, não tem candidato, por falta de consenso. O velho cacique, FHC, cuida de aumentar o racha, para ele se transformar no que mais deseja, figura capaz de unir. Mas, como aliado do PMDB, no golpe, FHC não é mais aquele. Está carimbado na testa como golpista. João Dória, o prefake, queimou na largada por excesso de ganância. O Ceará, com o senador Tasso Jereissati, rebelou-se; não se rende, por enquanto, à pretensa candidatura paulista do governador Geraldo Alckmin. Da mesma forma, Goiás, com o governador Marconi Perillo, apoiado pelo agronegócio, igualmente, tenta afastar-se do poder tucano-paulista. Joga com o Mercoeste: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantis, buscando estender, ao norte, ao Amazonas e Pará, e, ao sul, Rio Grande, Paraná e Santa Catarina. Conseguirá? A convenção, ao final, unirá ou desunirá de vez o tucanato?

Mídia golpista

O partido midiático Rede Globo, que ajudou, decisivamente, a dar o golpe e agora se encontra enroladíssimo com a corrupção na FIFA, investigado pela justiça dos Estados Unidos, tenta construir candidatura Luciano Huck, jogando-o nos braços do PPS, ex-partido comunista. Afinal, não acredita mais  na viabilidade eleitoral de quem apoiou: os golpistas PMDB-PSDB etc. Garoto propaganda do Itaú/Globo, que manda no Banco Central de Temer e mantém a economia em banho maria, sem energia para crescer, porque tem que alimentar a ganancia bancária antes de alimentar o povo brasileiro, Huck não desperta confiança. Até a mulher dele, Angélica, está preocupadíssima: perderá dinheiro se o marido se candidatar. Voariam pelos ares gordos contratos publicitários que a sua condição de apresentadora de programa  global de variedades lhe proporciona. A família Huck-Angélica está rachada como a própria direita.

Economicídio antieleitoral

A direita e ultra direita, incluindo aí o radical Bolsonaro, com o programa econômico neoliberal, não despertam apoio popular. Pelo contrário. Só têm apoio do mercado financeiro, que, por sua vez, teme Bolsonaro. As pesquisas mostram o governo apoiado apenas por 3% da população. O povo quer, dizem pesquisas, é Lula. Que força política pretende ficar perto de quem tem apenas 3% de apoio eleitoral? Caixão e vela preta. Essa é a razão central do racha nas forças golpistas. 3% não dão liga para nenhuma candidatura. Depois de fazer a lambança completa na vida do trabalhador, sequestrando-lhe direitos trabalhistas e impondo-lhe escravidão com sua nova expressão em forma de trabalho intermitente, a direita no poder permanece nele apenas mediante ditadura.

Ditadura, não

Mas, generais, marechais e brigadeiros das Forças Armadas lançaram manifesto nos quarteis: ditadura nunca mais. Democracia, segundo eles, tem de ser consagrada nas eleições de 2018. Os golpistas, por isso, estão perdidos. Eles tentaram, há poucos dias, emplacar manobra de adiar calendário eleitoral. Suspenderiam as eleições do próximo ano e promoveriam coincidência de mandatos gerais em 2020. Golpe descarado, que tinha como mentor o presidente da Câmara, deputado golpista Rodrigo Maia(DEM-RJ). O Forte Apache mandou bala nele. Os militares deram o recado ao pretenso novo globogolpe e até à estratégia imaginada por Bolsonaro de arregimentar a direita e, no poder, fazer um governo de militares, ocupando os ministérios, pavor do mercado financeiro.

Estrategia nazista

A saída da direita no poder, sem legitimidade política, com Temer, é repetir Hitler-Goelbs: mentir ao povo. Dizem que a economia vai indo bem. Bafo. O repórter Ribamar Oliveira, no Valor Econômico, quinta feira, reportou, com dados irrefutáveis, que estão recorrendo às remunerações da conta única do tesouro nacional remuneradas pelo BC para bancar despesas correntes. Estão raspando o fundo do tacho. A política de congelamento fiscal – que congela gastos, apenas, dos setores sociais, enquanto descongela gastos para os agiotas – não produz arrecadação suficiente para girar investimentos, sem os quais as expectativas positivas não se formam no horizonte. Ou seja, é mentira a recuperação das forças produtivas. No mesmo dia, também, no Valor, o especulador Guilherme Figueiredo, do fundo especulativo Mauá, ex-diretor do BC, previu chabu geral: racha governamental eleva temperatura política ao extremo capaz de produzir fugas de capital. Investidor travou negócios. Temer, também, conforme Valor, já joga o congelamento no abismo: desbloqueia 7,5 bilhões de reais do orçamento para cumprir despesas que a economia congelada não suporta. Governo do mercado financeiro com apoio de apenas 3% do eleitorado(ou seja, apenas, do próprio mercado) não consegue ter voz de comando no Congresso, cujos membros estão de olho na opinião pública, nos eleitores que votarão em 2018. Não sai de jeito nenhum mais contrarreformas da previdência e outras, como a tributária, para ferrar salários e salvar capital. Beneficiariam, apenas, especuladores.  Não passam mais, antes da eleições, providências de Temer que afetam o interesse popular. Talvez, nem as privatizações, como a da Eletrobrás. Nova lógica, a eleitoral, entrou em cena. 2017 acabou e 2018 já começou.

Cristão comunista contra capitalismo

SAMBA DO CRIOULO DOIDO
Papa latinoamericano peronista populista cristão comunista abala os alicerces do capitalismo que vai deixando de ser solução com sua proposta neoliberal para se transformar em desespero para a humanidade. Os mercados já sinalizam abalos sísmicos que fazem as certezas se esfacelarem numa salve-se quem puder, cujas consequências, como se sabe, são sempre pau no lombo dos mais pobres. Cristo ou Marx? Francisco sugere mistura dos dois como alternativa para a humanidade não se dissolver na irracionalidade da economia de guerra, marca registrada do capitalismo concentrador de renda e poupador de mão de obra, no mundo do desemprego estrutural.

Bolhas explosivas

O papa Francisco está agitando o canteiro da direita mundial. O capitalismo, com pensamento único, pautado pelo mercado financeiro especulativo, não é solução, é problema. Ninguém acredita. Por isso, bate biela, segundo os mais atinados de Wall Street. A supervalorização das ações, na base da especulação, não está guardando correspondência com a realidade. Pinta novo crash global. A velha pregação marxista nunca esteve – sempre está, nas crises – tão atual. O lucro cadente na esfera produtiva descola dela para a especulativa, para manter constante ou em ascensão sua lucratividade. Lucro sem produção, sem emprego, sem riqueza real. Nossos lúcidos comentaristas, Belluzo, Assis, Nassif e outros apontam pavores expressos por especialistas como Blanchard e Summers, descrentes do foguetório neoliberal dos bancos centrais. Têm certeza da derrocada inercial secular da taxa de lucro do capital no compasso da superconcentração capitalista, cujas consequências são bolhas que implodem, inapelavelmente.

Brasil perdido

O Vaticano está de olho nesse movimento. O papa contraria os cardeais ligados ao mercado especulativo. Sabe que não existe nada mais anticristão que essa jogatina financeira, que lança a humanidade na mais profunda incerteza. O cristianismo se aproxima do socialismo como força material. Ambos se mostram descrentes do desgoverno que a ambição, a ganância produzem, jogando os seres humanos nas guerras e destruições etc. Trump só consegue puxar a demanda global do capitalismo de Tio Sam,  inchando os orçamentos militares, jogando dinheiro grosso na produção bélica e espacial, na dissipação completa do capital. Diz que lançará na circulação mais 1,5 trilhão de dólares. Demanda estatal. Quem acredita em estado mínimo é só a elite golpista tupiniquim, com Temer à frente, mais perdido que cego em tiroteio. A contrapartida dessa opção é destruição da popularidade da direita e centro direita. Não têm chances na disputa democrática. Por isso, o golpe parlamentar jurídico midiático é sua arma, como rolou com derrubada de Dilma.

Saída revolucionária

A ordem de Francisco é leninista, no momento. Manda a Igreja reunir todas as frentes de luta, para conversar, polemizar, criar ambiente de organização social, lógica da política de transformação revolucionária, para resistir aos golpes. Domingo, em Brasília, rolou esse espetáculo, por ordem do Arcebispo Dom Sérgio Rocha, sintonizado com orientações do Vaticano, para horror dos conservadores. Todo o poder às associações, às organizações, aos comitês, aos sovietes. Dirceu, com tornozeleira,  segue o Papa. Quer sovietes por todo o Brasil para defender candidatura de Lula, ameaçada pela onda reacionária de direita, ancorada no judiciário, que se transformou em barreira às transformações democráticas autênticas. Trata-se do poder patrocinador de golpes. Ele dá jeito em tudo, para manter o status quo e seus falsos líderes, tipo Aécio Neves. As contrarreformas da direita não dão voto, não suportam testes democráticos, as pesquisas apontam, previamente, sua derrota. Econômica e socialmente, falando, é desastre: redução da renda disponível para o consumo, quanto mais precarizam-se salários, jogando sistemas previdenciários na falta de sustentabilidade. A taxa de desemprego, num primeiro momento, diminui, relativamente, mas não se sustenta, diante da perda estrutural do poder de compra dos salários. Os investimentos, decorrentes da queda de arrecadação tributária, não se realizam na escala necessária capaz de lançar bases da industrialização, visto que a competitividade diminui, contraditoriamente, com diminuição de custos de produção. Os empresários se equivocam. O aumento da produtividade decorre dos salários mais altos, não dos salários mais baixos. Para fugirem daqueles, investem em máquinas e equipamentos, poupadores de mão de obra. Salário baixo não é para aumentar produtividade, é para roubar mais valia dos trabalhadores e eternizar colonização capitalista na periferia. A derrocada industrial é atestada a cada pesquisa da CNI. Esse é o resultado macroeconômico do modelo neoliberal entreguista de Temer, onde a taxa de lucro cadente sinaliza especulação com moedas virtuais, temor máximo do presidente do BC, Ilan Goldfajn.

Tio Sam perdidão

Nesse cenário, Trump, em meio ao ceticismo de Wall Street, vê a Ásia ampliar seu poder diante dos Estados Unidos. Borra de medo do novo poder, o Yuan chinês, aliado de Putin, com seu rublo, que, também, começa ganhar musculatura, com avanço do BRICs e seu banco de desenvolvimento. Trump, circulando entre os asiáticos, há duas semanas, baixou o facho diante de Putin, de Jiping e até de Rodrigo Duterte, das Filipinas, ditador/matador de oposicionistas. O mandatário de Tio Sam tentou arregimentar apoio contra Coreia do Norte; não conseguiu. Volta para casa com o rabo entre as pernas. Talvez se volte, agora, com ferocidade, contra a Venezuela, onde Maduro chama credores para renegociar dívida, disposto a liquidar papagaios com moeda chinesa, obtido com venda de petróleo. Bolsonaro assusta a Globo porque prega isso, assustando mercado, com sua promessa de governar com militares. E, agora, dólar? A moeda de Tio Sam, em meio a tantos vieses contraditórios e assustadores, vai sendo escanteada no mundo novo bipolar que nega sua hegemonia unipolar. Nesse ambiente, o papa Francisco, consciente de que o capitalismo perde seu poder hegemônico, dada impossibilidade de satisfazer anseios populares por vida digna, proporcionada por melhor distribuição de renda, ressalta semelhanças entre comunismo(chinês?) e cristianismo, demonizando capitalismo. Vaticano, Pequim e Moscou de mãos dadas. Lenin, propulsor da NEP, mais vivo do que nunca. Ultra-surpreendente.

Cinismo neoliberal descarado

MENTIR, MENTIR, MENTIR, O JOGO DO GOVERNO ILEGÍTIMO
Desembarque do PSDB da pinguela Temer, como prega, hoje, FHC,  pode balançar violentamente o mercado financeiro especulativo. Significará fim do governo e incertezas totais, prolongando recessão, desemprego e desinvestimentos no capitalismo tupiniquim de pernas bambas. O presidente do BC, Ilan Goldfajn, em entrevista ao Correio Braziliense, mostra-se perdido. Só fala abobrinha. Tudo no condicional. Não tem certeza de nada. As autoridades econômicas, mostram suas declarações, não governam. São governadas. O cenário interno depende, totalmente, do cenário externo. Nele, a liquidez excessiva em dólar leva o BC americano, agora, com novo chefe, a forçar endividamento da periferia capitalista, mediante desregulamentação. A crise vem de fora para dentro. Sempre. Trump, por sua vez, virou refém de Putin e Jiping. Ambos manipulam nova moeda, Petro-Yuan/Rublo, ancorada em reservas de petróleo, tanto da Venezuela, como do Irã. Novo cenário internacional joga a moeda americana no ritmo balança mas não cai. Nova dinâmica global. Fato novo: Venezuela chama credores para renegociação de suas dívidas, no próximo dia 13. Promete esticar prazos e juros e pagar principal com moeda chinesa/russa. Mercados aceitarão? Nesse cenário, as palavras de Ilan Goldfajn promovem, apenas, despistes, como o de insistir que o problema é o déficit da Previdência, para produzir recuperação econômica sustentável. Há, há, há.

Essencial descartado

O titular do BC, empregado do Itaú, insiste no que interessa aos bancos: conter o déficit da Previdência Social. Privatizá-la, para destruir o SUS, maior programa de distribuição da renda nacional, construída pela social democracia brasileira, no bojo da Constituição de 1988. Ele não discute o essencial: o congelamento neoliberal de gastos públicos, por vinte anos, imposto pelo Consenso de Washington. O remédio neoliberal diminui arrecadação, investimento, emprego e renda, e consumo só avança, marginalmente, de forma precarizada, com menos renda disponível, decorrente da reforma trabalhista, tiro no pé do capitalismo tupiniquim. Inflação cai por isso e acelera inadimplência das famílias e empresas. O aumento do déficit da Previdência vem daí. Como combatê-lo, se as receitas desabam? Os juros, nesse ambiente economicamente depressivo, não sobem, porque estouraria a dívida. Os banqueiros, que mandam no BC, estão apavorados. O calote vem por conta do congelamento defendido por eles como solução ideal. Equívoco total. Congelamento rouba renda orçamentária apenas para pagar juros e amortizações da dívida, que comem 44% do Orçamento Geral da União, de R$ 2, 6 trilhões, realizados em 2016. Nesse ano, idem. Previdência custa, comparativamente, 27,5%! Quem produz o déficit, na prática, os agiotas ou os aposentados? Não sobra praticamente nada para os setores sociais cujos investimentos(não, gastos, como insistem os neoliberais) elevam o PIB.

Cadê Keynes?

Ilan Goldfajn não leu Keynes. Diminuir juros só não basta para dinamizar produção, se o governo não maneja a única variável econômica verdadeiramente independente no capitalismo, que é, segundo o autor de “Teoria Geral do Juro, do Emprego e da Moeda”, o aumento da quantidade da oferta de dinheiro na circulação. Sem esse movimento – jogar dinheiro na circulação -, que eleva preços, diminui salários, perdoa dívida contratada a prazo e reduz juros, não há investimento. Impossível despertar espírito animal empreendedor, como destaca o genial economista inglês. A estratégia econômica glacial de Temer/Meirelles mata o espírito animal do empresário. Não produz eficiência marginal do capital(lucro). O investimento é função do gasto público que gera renda disponível para o consumo. Sem capacidade ociosa das empresas, dependentes da poupança pública, ora congelada,  haveria investimento, bombeado pelo gasto privado, limitado pelo aumento das dívidas dos consumidores e, claro, das empresas. Como gerar produção, emprego, circulação e distribuição no capitalismo tupiniquim, sem esse movimento keynesiano?

Agiotagem criminosa

Vem, então, o discurso cínico de Ilan segundo o qual as coisas começarão a animar-se com a reforma da previdência. Safadeza neoliberal consciente. Desemprego de 13 milhões da mão de obra economicamente ativa diminui ou aumenta arrecadação da Previdência? Recuperação do emprego com precarização da renda é outro componente do déficit previdenciário. Quem vai recolher, se a economia caminha para pejotização total, transformação do trabalhador em empresário de araque, que vira empreendedor apenas para evitar que as empresas recolham direitos e garantias trabalhistas que evaporaram? Por outro lado, como, dr. Ilan, recuperar renda e investimento, se os bancos atuam como agiotas, minando renda dos consumidores? Sem renda, inadimplência não cai e o grau de segurança sobe, em movimentos contrários, reagentes entre si, dialeticamente. Goldfajn só fala no condicional, não tem certeza de nada, parece barco à deriva, sem bússola, em mar revolto, fingindo de morto. Ele conduz política monetária à situação de inadimplência, que levará o governo, em algum momento, a chamar credores para renegociar dívida. Ou não?

Mentira necessária

A garantia das empresas em estado geral de inadimplência dos consumidores carentes de renda é nenhuma. Reduzem, por isso, garantia geral do sistema financeiro, cujas consequências são aumento do custo do crédito ou rigidez total na queda do custo do dinheiro. Ilan falseia: diz que no Brasil vigora situação sui generis. Indaga: por que no resto do mundo não existe metade do empréstimo a juros subsidiado e outra metade subsidiada, como aqui? Claro, concentração de renda exagerada aqui diminui força da produção, afetada pela falta de renda. A taxa de lucro do investidor cai e ele somente vai ao investimento , se for subsidiado nos seus custos, com juros baixos, bancados pelo caixa do tesouro. É condição sine qua non para investir, ter sua taxa de lucro superior à taxa de inflação, mediante subsídio creditício disfarçado. Por que não deduzir do imposto de renda os juros pagos nas atividades produtivas, no caso da compra de casa própria? Isso aumentaria ou não a renda disponível para o consumo, como ocorre nos países capitalistas desenvolvidos? Superconcentração da renda produz perda de 70% do crédito emprestado. O juro extorsivo embute essa expectativa de perda. O roubo é feito por quem concentra ou quem sofre os efeitos da concentração?

Armadilha da dívida

Mas, o medo real de Ilan fica encoberto. Ele está de olho no BC americano, cujos movimentos esconde armadilhas, com declarações do novo presidente, Jerome Powell. O FED se perdeu, depois da bancarrota capitalista de 2008. Joga dinheiro no mercado para aumentar inflação, mas a inflação não sobe. Joga o juro para baixo, inflação diminui. Os livros de economia perderam utilidade. Antes, diziam que inflação aumenta com aumento da oferta de dinheiro. Aumentou-se a oferta e a inflação caiu. O que é preciso falar não se fala, porque não interessa aos bancos. O juro cai não porque a inflação precisa aumentar, de modo a evitar deflação, mas porque a dívida está alta. Estouraria a banca, se o FED fizesse o que fez no passado, para combater pressões inflacionárias. China e Rússia, no comando do Banco Brics, nova força monetária global, ganharia a parada do dólar, afetado pela dívida pública americana que rompeu a casa dos 20 trilhões de dólares. A dívida passou a governar o governo. As autoridades monetárias não governam, são governadas. Precisam ficar inventando abobrinhas para enganar o freguês. O BC brasileiro é dependente do que faz o BC americano. Mas, isso Ilan não explica, embora diga transparência é sempre meta essencial. A mentira virou matéria prima da economia.

 

Assis Valente eterno

Com Putin-Jiping Maduro enfrenta Trump

NOVO DISCURSO NACIONALISTA LATINO-AMERICANO
O presidente Nicolas Maduro convocou, soberanamente, os credores da Venezuela, para discutirem, no próximo dia 13, renegociação da dívida externa. Tem apoio da China e da Rússia, para enfrentar Estados Unidos, nessa parada. É o novo momento político da América do Sul, que recusa continuar suportando neoliberalismo radical de Washington, cujas consequências são desnacionalizações das riquezas sul-americanas e preparação de clima político insuportável em meio à exploração dos povos do continente. Com esse discurso que busca saída econômica para Venezuela, o presidente arma-se para campanha presidencial de 2018. Dará, certamente, o tom da campanha no Brasil, igualmente, sufocado por dívida interna, que é dívida externa internalizada, via especulação financeira, no momento em que Washington pressiona para a América do Sul tomar mais empréstimos em dólar a juros baixos, na base da desregulamentação total do mercado financeiro especulativo.

Nova guerra fria

América do Sul virou campo de prova na disputa entre Estados Unidos, de um lado, e China e Rússia, de outro, no momento em que a Venezuela chama seus credores para renegociar 84 bilhões de dólares de sua dívida externa de 150 bilhões, sendo que os restantes 66 bilhões já estariam sendo financiados pelo Banco BRICs, garantido pelas moedas chinesa(yuan) e russa(rublos), lastreadas pelo petróleo venezuelano, cujas reservas são as maiores do mundo, 296 bilhões de barris. Está em questão, portanto, o poder imperial do dólar, que vai deixando de ser referência monetária nas relações de trocas globais.

Os mercados aceitarão o que Maduro deverá propor, no próximo dia 13, em Caracas, ou seja, pagamento de dívida externa não em dólar, mas em yuan/rublo, garantida pelo petróleo, em intermediação do banco de financiamento BRiCs? Trata-se do maior desafio à moeda de Tio Sam, desde o acordo de Bretton Woods, em 1944, que marcou a predominância absoluta dos Estados Unidos nas relações monetárias globais.

Certamente, se Maduro estivesse politicamente desamparado, sem apoio de Putin e Jiping, as chances dele seriam zero à esquerda. Trump quer pegá-lo na primeira esquina que puder. Mandaria boicotar a renegociação, dando-lhe nome de calote, embargaria riquezas venezuelanas, imporia sansões, como as que já colocou em prática, desde agosto, e iria sufocando a economia Venezuela aos poucos, como faz Tio Sam com quem ousa contestar seu poder.

Mas, agora, o buraco é mais embaixo.

Os russos compraram 49% da principal refinaria petrolífera da Venezuela, Citgo, que detém 4% do mercado consumidor nos EUA, e os chineses possuem 4 trilhões de dólares em reservas. Já pensou se, ameaçados por Washington, a China jogasse esse dinheirão, na circulação global, já encharcada das verdinhas de Tio Sam? A briga, portanto, é de cachorro grande. Maduro ancorou bem sua mudança de estratégia do dólar para o yuan/rublo.

Já a situação financeira dos Estados Unidos preocupa os mercados. A mudança de guarda no BC americano, com Trump trocando Yellen por Jerome Powell, esconde fragilidades possíveis da economia, embora em crescimento de 3% ao ano, com pleno emprego. Powell, que não é economista, mas administrador de ativos especulativos, com os quais acumulou fortuna de 55 milhões de dólares, tem alertado, como integrante do BC, que há excessiva especulação com ações em Wall Street. O futuro titular do FED, que toma posse em fevereiro, está, sobretudo, apavorado, com o excesso de liquidez em dólar, no mundo, herança da bancarrota financeira americana de 2008.

Putin e Jiping se preparam para enfrentar o dólar, em estado crítico, devido ao excesso de liquidez mundial em moeda americana, que tenta invadir economias capitalistas periférias. São os comandantes do BRICs, que passam a emprestar YUAN/RUBLO, ancorados em garantias petrolíferas, nova moeda global que cria novo sistema monetário internacional. Briga de gigantes em território sul-americano, numa nova guerra fria.

Dólar x Yuan/Rublo

É isso que impede aumento da taxa de juro, nos EUA, de modo a evitar explosão da dívida pública americana, hoje, superior a 20 trilhões de dólares. Jerome tem medo do dólar quente, especulativo, perigoso. Quer exportá-lo a juro baixo. Diz, tentando enganar a freguesia, que o perigo hoje não é o endividamento da periferia capitalista. Esta estaria em condições de absorver dólares em circulação, evitando excesso de liquidez dentro dos Estados Unidos, onde bombeia especulação de ativos, propensos a implodirem a economia de novo.

Por essa razão, o futuro titular do BC de Tio Sam tende a defender desregulamentação bancária. Os bancos poderiam ampliar oferta de empréstimos bem acima do capital registrado. Romperia leis internas americanas voltadas a evitar propensão à imprevidência na busca de lucros a qualquer custo. Isso já aconteceu antes e deu merda. Perigo para o dólar: BD teria que puxar juros, como fez em 1979, a fim de evitar inflação mundial em moeda americana. O problema, agora, é que a dívida de Tio Sam está nas nuvens. Seria o fim do dólar ou sua completa fragilização relativa extraordinária, diante dos BRICs, nova potência mundial, ancorada na força da China e da Rússia. Ambas já renegociam dívidas de países produtores de petróleo, recebendo como garantia a produção do óleo, do qual depende a economia mundial.

Nesse contexto, Maduro inaugura nova etapa da economia mundial com renegociação da dívida da Venezuela, mediante apoio chinês/russo, cujas moedas se associam em torno do banco BRICs. Ou seja, nítido ensaio de novo sistema monetário global, na esteira de novo discurso nacionalista sul-americano. O nacionalismo sul-americano não morreu, como apregoam os neoliberais. Ele, certamente, polarizará com o neoliberalismo econômico que o Consenso de Washington tenta impor à América do Sul, como ocorre, no Brasil: sucateamento econômico mediante golpe político parlamentar jurídico midiático, apoiado por Wall Street.

O jogo imperialista é claro: congela-se, em nome de ajuste fiscal irracional, gastos públicos, sem os quais desaparece renda disponível para o consumo, base essencial para gerar emprego, aumentar produção, renda tributária e novos investimentos. O sufocamento do estado, para levá-lo a entregar, na bacia das almas, as empresas estatais, ao lado dos ajustes fiscais, que paralisam forças produtivas, entraria em xeque, se se espalha resistência política ensaiada pela Venezuela, com proposta de renegociação da dívida.

Antes, Tio Sam fazia isso com pé nas costas; agora, com dólar fragilizado, sob pressão da China e Rússia, que avançam nas economias sul-americanas, a situação ficou mais difícil para o império comandado pela especulação desenfreada de Wall Street, ameaçada pelo excesso de liquidez hiperinflacionária.

Chavismo nacionalista morto?

 

Salsa revolucionária

Pré sal desnacionalizado esvazia lavajato


O GRANDE ASSALTO SEM DAR UM SÓ TIRO
Tio Sam jorrou grana na bolsa da grande mídia tupiniquim para ficar caladinha sobre o grande roubo do século. Assim, o povo fica sem saber o que realmente aconteceu: vendeu o que vale 800 bilhões de dólares por apenas 6,5 bilhões de dólares. O pré sal foi comprado pelos gringos por trinta dinheiros. Entregamos nossa maior riqueza de bandeja, além de outras vantagenzinhas: 1 – isentamos os gringos de impostos; 2 – cedemos tecnologia para extração, sem cobrar um tostão; 3 – emprestaremos R$ 20 bi, pelo BNDES, para os saqueadores pagarem o que levou de graça; 4 – vamos mudar a partilha para concessão; 5 – não seremos mais os únicos operadoras de nossa própria riqueza e ficaremos sujeitos às lorotas contadas pelos exploradores; 6 – emagreceremos nossos orçamentos públicos para financiar educação, saúde, infraestrutura etc. A recolonização econômica veio de uma pancada só, para aleijar, pela mão dos golpistas de 2016.

Alívio golpista

Os políticos envolvidos na Operação Lava Jato, candidatos a serem julgados como réus pelo STF, poderão respirar aliviados, depois dos leilões de poços de petróleo na bacia do pré sal, regidos por novas regras, que beneficiam as multinacionais petroleiras. Estavam ameaçados pelas práticas de corrupção na Petrobrás por agentes que indicaram aos cargos influentes na petroleira com missão de repassar dinheiro aos partidos políticos, conforme regras dos governos de coalisão neorepublicana. Para se safarem da justiça e da prisão, tiveram que aprovar privatização do pré sal, sob pressão das petroleiras americanas, concorrentes da empresa estatal brasileira. Somente assim se livrariam das ações dos procuradores e do juiz Moro, municiados de informações estratégicas, fornecidas por agentes de espionagem americanos, a serviço das multis e dos interesses de acionistas privados estrangeiros, na Petrobrás.

Armação imperial 

Sentindo-se prejudicados em seus interesses privados, os acionistas da Petrobrás acionaram-na, juridicamente, com pleno apoio do Departamento de Justiça, dos Estados Unidos, exigindo elevadas indenizações. Sendo empresa de capital aberto em que maioria das ações, 56%, são privadas, com registro de atuação na bolsa de Nova York, portanto, sujeita às regras e leis americanas, a corrupção política na Petrobrás virou alvo de investigação legal dos acionistas americanos, prejudicados pelos corruptos que jogaram a estatal brasileira em situação dramática. Era o motivo que as multis do petróleo americanas esperavam para intensificar pressão sobre a concorrente brasileira, para fazê-la abrir-se aos interesses delas, de olho no pré sal. Pintara, portanto, oportunidade para o império jogar com suas armas sujas contra o governo brasileiro, intensificando ataques sobre suas práticas de governança na empresa estatal, onde interesses políticos se misturavam com interesses corporativos, até então considerados frutos do jogo político eleitoral brasileiro.

Presa fácil 

O jogo sujo americano contra a Petrobrás se deu com a disseminação de informações do departamento de justiça americano para procuradores e juízes brasileiros, na cruzada anti-corrupção contra o fragilizado governo Dilma, em busca do objetivo central de fazê-lo mudar regras de exploração do pré sal, joia da coroa, rendendo-se às pressões internacionais. Assim, a Petrobrás tornou-se presa fácil do império de Tio Sam, sempre a serviço das suas multis petroleiras, para caçar petróleo pelo mundo, visto ser a fonte de energia que dá sustentação ao poder imperial do Estado Industrial Militar Norte-Americano, assim denominado por Eisenhower, em 1960.

Geopolítica petroleira

Torna-se indispensável contextualizar os fatos. Estados Unidos e Arábia Saudita, junto com Iraque, dominado pelos americanos, havia, em 2012/13, decidido aumentar oferta de petróleo mundial para diminuir poder da Rússia, dependente, em seu PIB, de 50% de suas reservas petrolíferas, objetivando fragilizar sua estratégia, ao lado da China, Índia e Brasil, na conformação dos BRICs. Os americanos reagiram drasticamente contra disposição dos Brics de lançar moeda concorrente ao dólar, ancorado em novo banco de investimento. A baixa imposta ao preço do óleo atropelou, não, apenas, a Rússia, mas, também, Venezuela, maior produtora mundial, com reservas de 296 bilhões de barris, e o Brasil, que acabara de descobrir pré sal, com reservas estimadas em 174 bilhões de barris.

Espionagem imperialista 

No mundo em que as multis americanas, as famosas sete irmãs, dispõem, apenas, de 5% das reservas mundiais, depois de terem possuído, ao longo do século 20, mais de 80%, o novo rearranjo geopolítico dos BRICs, fortalecidos por reservas petrolíferas, capazes de servir de lastro a moeda concorrente do dólar, tornou-se inaceitável para Washington. A vitória de Dilma em 2014, reforçando seu poder sobre o pré sal, com novas regras votadas no governo Lula, favoráveis ao regime de partilha, ao lado da garantia de ser Petrobrás operadora única na exploração da nova bacia petrolífera, cobiçada pelo mundo todo, incomodou, profundamente, Washinton, Wall Street e as petroleiras americanas. As pressões externas contra Dilma, expressas nas articulações dos golpistas, para derrubá-la, ao longo de 2015/2016, multiplicaram-se com práticas de espionagem, chantagens e arregimentação de forças internas, especialmente, no judiciário, somando-se em formação de frente antinacionalista golpista, adequada aos interesses das multis petroleiras em abocanhar o pré sal, como acaba de acontecer.

Vale tudo

Valeu tudo nessa cruzada, cujas consequências foram, no contexto de queda do preço do petróleo, desvalorização dos ativos da Petrobrás, de modo a torná-la barata aos investidores externos e alvo dos ataques dos operadores procuradores da Lavajato. Políticos do PMDB, como senador Renan Calheiros, presidente do Congresso, temeroso de dançar na Lavajato e não tendo apoio de Dilma, para se livrar dos procuradores, acabaria aliando-se aos tucanos, para aprovar projeto de Lei nº 131/2015 do senador José Serra, favorável aos interesses das multinacionais. O preço capaz de limpar a barra de todos os envolvidos em corrupção na empresa seria o que veio acontecer semana passada depois da eliminação de legislação nacionalista: privatização da exploração do pré sal. Os gringos, graças à lei Serra , passam a ser operadores, como a Petrobrás em 70 por cento das áreas de exploração. Como operadoras, as multis poderão exercer duas atividades promotoras de corrupção e roubo: redimensionamento dos seus investimentos e medição fraudulenta. Serão remuneradas pelo que informam que fazem e não pelo que efetivamente realizam. Foi para isso que o golpe de 2016 foi dado.

Cai a ficha 

A ficha caiu, no momento em que se pode juntar os pontos para ter visão de conjunto da jogada antinacionalista entreguista; ou como diz Hegel, “a consciência é como a ave de Minerva, só voa quando a noite cai”.  Os políticos que participaram do crime político contra democracia brasileira trocaram a entrega do pré sal pela sua liberdade ameaçada pela Operação Lava Jato, armada pelos gringos. Continuarão, nessa condição de traidores da pátria, como serviçais essenciais de Tio Sam. Do ponto de vista do império, são amigos a serem preservados. Por que prendê-los, se trabalharam tão bem pelos interesses imperiais? Por isso, a Lava Jato perde interesse. Já cumpriu sua função essencial: entregar o ouro aos bandidos.  Deverá continuar no papel de fantasma, apenas para assustar a classe política dominante, entreguista, antinacionalista, completamente, rendida a Washington e, totalmente, queimada, eleitoralmente, incapaz de impedir o foguete eleitoral em que se transformou Lula. A democracia vira, para ela, problema, não, solução. Por isso, sem ter candidato, as elites estão com medo até de inviabilizar politicamente o ex-presidente, temerosas de que pinte incêndio político que as levem de roldão. Vão engolir o sapo barbudo.