Paraíbas e Marmiteiros abrem sucessão 2022

Luta ideológica

O capitão presidente Bolsonaro pode ter caído na danação do brigadeiro Eduardo Gomes, um dos heróis das forças armadas brasileiras, eterno pretendente ao posto de presidente, mas derrotado por Getúlio Vargas, em 1944 e 1950.

Agora, como antes, pode ser fatal menosprezar os mais pobres, como fez o brigadeiro, na campanha eleitoral de 1944, chamando a base de Getúlio de malta, sinônimo de marmiteiros.

Bolsonaro chamou os nordestinos de “Paraíba”, uma variação de marmiteiros, na adjetivação genérica preconceituosa e racista contra quem os derrotou na campanha eleitoral.

Está montado cenário da próxima luta política eleitoral: Nordeste continuará na oposição, respaldado por Lula, versus Bolsonaro, que conseguiu juntar as forças antilulistas, em 2018.

Desde então, o capitão não suporta nordestino, sempre deixando vazar sua ira contra o que considera inimigos, aliados do lulismo.

A ojeriza bolsonarista contra o Nordeste se acentua, nesse momento, durante discussão e votação da reforma da Previdência, que destrói o sistema de seguridade social democrata brasileiro.

Os governadores nordestinos falidos desejam guarida na reforma, para se livrarem de despesas previdenciárias, que os sufocam, no ambiente de escassez financeira total.

Querem empurrar o abacaxi das despesas com aposentados para a União.

Os parlamentares nordestinos estão em cima do muro, temerosos quanto a se submeterem às pressões dos governadores, correndo perigo de serem punidos pelos eleitores.

Sucessor de Lula?

Bolsonaro está irritado com os governadores e, mais ainda, com o governador do Maranhão, Flávio Dino, que considera representação de Lula.

Essa polarização acelerada por Bolsonaro indica ou não que está escolhendo o adversário no Nordeste?

Jurista e político, ácido crítico da Operação Lavajato e executivo de sucesso, que ganha amplitude em pesquisas eleitorais, com vista à sucessão presidencial de 2022, Dino virou calo no pé de Bolsonaro.

Calculam-se, prospectivamente, forças oposicionistas que, se candidato, Flávio Dino, poderia unir o Nordeste.

Será?

Como ficaria Ciro Gomes, do PDT?

Embora seja do PC do B, Dino, no fogo cruzado contra Bolsonaro, abre-se, pragmaticamente, às composições, à possibilidade de comandar uma união oposicionista, podendo, até, transferir para o PT etc.

O presidente capitão, candidatíssimo à reeleição, quer comer o fígado do governador piauisene, que se ergue como contrapolo a ele, depois da agressividade preconceituosa e racista de taxa-lo o pior dos “Paraíba”.

Aqui se encontra a história se repetindo como farsa: a identidade política desastrosa do brigadeiro Eduardo Gomes e do capitão Bolsonaro.

Bolsonaro construiu o seu farofeiro, o Paraíba Dino, a ideia Lula em movimento.

Ignorância autoritária

Essa união extemporânea – do brigadeiro com o capitão – tem raízes na histórica política nacional.

Corresponderiam hoje os farofeiros aos paraíbas nordestinos, menosprezados por Bolsonaro.

As pesquisas, em 1944, campanha eleitoral, davam o brigadeiro udenista na cabeça, dado seu charme e engajamento, como militar, em lutas históricas pela democracia, desde 1926, quando participara da Coluna Prestes.

Sua história é heroica, cultuada nas forças armadas, especialmente, na Aeronáutica.

Fora gravemente ferido na batalha do 18 do forte.

Destacou em 1935 contra rebelião comunista stalinista, que fortaleceu laços militares com Washington contra Moscou.

Bonito e charmoso, o brigadeiro das doceiras do Rio, estava fortíssimo – segundo a mídia udenista – para enfrentar Getúlio, representado por Dutra.

O país respirava democracia lutando na Itália.

Getúlio, considerado fascista, estava, politicamente, por baixo, de saia justa com a vitória democrática norte-americana contra o fascismo.

Foi aí que nasceu a arrogante bobagem política fatal do famoso brigadeiro ao tentar menosprezar a base eleitoral getulista, ironizando os farofeiros, em palanque eleitoral.

Burro.

Dutra, brandindo o nacionalismo social getulista, faturou.

O brigadeiro feriu autoestima dos trabalhadores, indo contra interesse dos “Paraíba” farofeiros, desdenhados, agora, por Bolsonaro.

Orgulho nordestino

Bolsonaro revelou ignorância quanto nordestinos, desconhecendo sua história e a recente inserção histórico-desenvolvimentista do Nordeste na economia, com peso significativo na formação do PIB nacional.

Os nordestinos se rebelaram contra a condição de marginais no processo de desenvolvimento econômico brasileiro, quando se tornou insuportável o nível de exploração sobre eles, durante os anos 1990.

Sempre haviam sido bucha de canhão para fornecer valor à industrialização de São Paulo, graças a um sistema tributário colonial.

A tributação executada nos estados produtores e não nos consumidores, esvaziou economicamente o Nordeste, no sistema tributário militarizado do governo Castelo Branco.

Roberto Campos e Gouveia de Bulhões, os Paulo Guedes da ocasião, aplicaram o receituário neoliberal como “sangria depuradora”.

Desbalancearam a distribuição da arrecadação interna para bombear industrialização paulista e acumulação de renda numa classe social para comprar as mercadorias industrializadas paulistas.

Os nordestinos se rebelaram contra esse sistema tributário colonial por meio da atração de investimentos dos capitalistas do sul para irem produzir mais barato no Nordeste.

Nascia a guerra fiscal que levou para o Nordeste industrias historicamente instaladas no sul, no embalo da política desenvolvimentista lulista.

Base sólida

O lulismo criou base política que garantiu vitória dos governadores que levantaram a bandeira lulista.

Bolsonaro quer arriar essa bandeira lulista a qualquer custo.

Dino é uma variação do lulismo social democrata, polo oposto à política econômica antinacionalista, neoliberal recessiva colocada em marcha por Paulo Guedes.

Lula está preso, fisicamente, mas suas ideias estão soltas, comandando o processo político, organizando a oposição a partir da sua base eleitoral forte: o Nordeste.

Bolsonaro pode ter dado passo em falso que fortalece Dino, ao inocular espírito separatista na cena política nacional, cujas consequências afetam ainda mais, a economia em recessão.

A arrogância militar intrínseca à personalidade bolsonariana antecipa a luta eleitoral de 2022?

O brigadeiro e o capitão se encontram no espírito autoritário que abala, ainda mais, a democracia brasileira.

Grande Ataúlfo Alves

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Future-se ou Fature-se? Eis o neoliberalismo universitário

Privatização universitária e nova esquerda cooptada pelo Consenso de Washington reúnem Waintraub e Tábata no jogo neoliberal bolsonariano.

Financeirização universitária

Abraham Weintraub, ministro da Educação, homem do mercado financeiro, ideologicamente, neoliberal, como Paulo Guedes, quer transformar as universidades públicas em máquinas de ganhar dinheiro.

No ambiente do congelamento neoliberal de gastos públicos, em nome da austeridade fiscal a qualquer custo, elas virarão fundos de investimentos, a partir dos patrimônios da União, incorporados a eles, pelo MEC, a fim de serem transferidos, via concessão, aos investidores privados.

Cada pedaço da Universidade será explorado, concessionariamente, por empresários, com livre trânsito e direito, para comercializá-lo, na linha Coca-Cola.

Os fundos, formados pelos ativos públicos, geridos pelo setor privado – raposa tomando conta do galinheiro – atuarão conforme leis do mercado financeiro.

Serão aplicados recursos no mercado de ações, buscando as melhores oportunidades, para obtenção de máximas rentabilidades.

É o que aconteceu com os fundos de pensão, nos anos 1980 e 1990, Era FHC, seguida, também, da Era Lula, na tarefa de dinamizar mercado de imóveis.

A grana dos fundos das estatais foi potencializada, no mercado, para garantir aposentadorias futuras.

Mas, como é da natureza do capitalismo, o risco é a tônica do negócio: pode dar certo ou errado.

Quando o dinheiro, seguindo a lógica da especulação, apostou em ativos superaquecidos – ou superaquecendo-os, em busca da maior e melhor lucratividade – que acabaram, em meio à volatilidade, desvalorizando-se, quem jogou, perdeu.

É o negócio da bolsa: os espertos, que chegam na frente, ganham.

A boiada, que vem atrás, dança.

Incerteza total

Os patrimônios de funcionários e servidores e, igualmente, de trabalhadores privados, que entraram nessa onda, ficaram sujeitos aos vais e vens da economia capitalista global em permanente instabilidade, sujeitas não às determinações internas, mas, naturalmente, às externas, acabando por virar, muitas vezes, pó.

O crash de 2008 foi bastante didático.

O que se imaginou para o futuro, aposentadorias gordas, resultantes de rendas auferidas nas aplicações de grandes empreendimentos imobiliários, nem sempre se realizou.

Entraram em bancarrota, no ambiente da economia brasileira, eternamente, sujeitas às ondas cambiais impostas pela deterioração nos termos de troca, dadas as características dela de ser primário exportadora – vende barato matérias primas e importa caro manufaturados, endividando-se para pagar o prejuízo, em permanente círculo vicioso.

No princípio, tudo maravilha, o capital – interno e externo – impulsiona os negócios.

Num segundo instante, como o capital visa a sobreacumulação, sempre, e precisa ser remunerado, obriga o devedor a tomar mais empréstimos, pagando, por isso, juros sobre juros, em escala incontrolável, em meio à economia dependente, que sobreacumula, em contrapartida, insuficiência crônica de consumo.

O que se pensa, relativamente, às universidades públicas, seguirá ou não esse mesmo caminho, se a lógica capitalista obedece o mesmo padrão de acumulação?

Modelo Tio Sam

Waintraub busca modelo das universidades americanas, bancadas pelos investimentos privados e sustentadas pela sociedade rica, que paga mensalidades caras, submetendo-se à pratica do acúmulo histórico de poupança, pelas famílias, para garantir educação dos filhos.

Não há o espírito da escola pública, na linha nacionalista, pensada por Anísio Teixeira, Chico Campos, Darci Ribeiro, Brizola etc.

É o ensino norte-americano, financiado pelas fundações privadas, que, desde os anos 1960, cuida de disseminar, ideologicamente, as diretrizes do Acordo de Bretton Woods, de 1944, no pós guerra.

Os Estados Unidos, poderosos vencedores, com o dólar a ditar as regras da divisão internacional do trabalho, cuidaram de administrar ensino politicamente conservador, para fazer frente às ideologias socialistas, disseminadas depois da revolução soviética de 1917.

Para afastar o espectro do comunismo, os americanos partiram para o Plano Marshall, cujo objetivo foi, no plano econômico, acumular déficits comerciais, bancados por superávits financeiros, oriundo do poder de emitir moeda internacional, a fim de reerguer a Europa, evitando avanço soviético.

O Banco Mundial – seguido de fundações privadas poderosas, como a Fundação Ford, Rockfeller etc – cuidaram da disseminação de “nova” esquerda, ideologia social alternativa à pregação socialista, para evitar a avalanche revolucionária leninista-trotskista.

No Brasil, esse esquema funciona desde os anos 1960, e a Fundação Ford, cuidando de exercitar esse papel, atua desde 1962, financiando intelectuais cooptados, à esquerda e à direita.

A direita sempre defendeu disseminação dessa ideologia amansadora de consciências propensas à revolução marxista.

Porém, a herança universitária brasileira, ancorada no nacionalismo varguista, disseminou-se país afora, embora ocorresse o contraponto, com criação da Universidade de São Paulo(USP), nos anos 30, para reagir à revolução varguista, com a contrarrevolução de 1932.

Nem os militares conseguiram destruir o processo universitário de linha nacionalista, porque eles, como Geisel, vinham do tenentismo que bancaram a revolução de 1930.

Consenso de Washington em cena

A coisa começou a mudar a partir da Nova República, com a falência da economia, endividada em dólar, depois que os americanos, no final dos anos 1980, puxaram as taxas de juros e quebraram a periferia capitalista, submetendo-a ao Consenso de Washington.

Com Lula, no poder, o ensino universitário democratizou-se, ampliando viés nacionalista, mediante programas de inserção dos mais pobres nas universidades, mas, também, incrementou-se, por meio do Fies, financiamento público para pobre estudar em universidade privada.

Depois do golpe neoliberal de 2016, o espírito privatista ganhou impulso.

O que se vê, agora, com Waintraub no Ministério da Educação, é mudança estrutural da universidade pública, tornando-a privada, abrindo-a à denominada Nova Esquerda, de viés liberal, cooptada pelos princípios do Banco Mundial e das fundações privadas.

A deputada Tábata Amaral(PDT-SP) é um desses expoentes da Nova Esquerda, cooptada pela fundação privada do bilionário Paulo Lemman, que a banca, para votar pelo fim do Sistema de Seguridade Social Democrata, no Brasil.

Com ela nasce o “Future-se” de Waintraub, com o nítido espírito de “Fature-se”.

Disseminar novo conceito universitário, na linha americana, empreendedorista, calcada no individualismo, eis a nova ordem universitária.

Ela bate pelo fim do espírito coletivo, que, politicamente, consciente, agita, ideologicamente, pelas mudanças mais radicais, socialistas.

Nesse sentido, a universidade pública, ancorada no empreendedorismo utilitarista, caminha no sentido da privatização do total do ensino público.

É a missão bolsonarista, agitada por Waintraub, em marcha.

República dos tolos

 

 

Reforma ou Revolução?

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Colapso social democrata

O pessoal que apostou na aprovação da deforma da previdência como pressuposto básico para retomada do desenvolvimento está chutando para todos os lados.
Pela vigésima vez, as previsões da Pesquisa Focus, nessa semana, apontam incertezas, expectativas e prognósticos falsos.
Os empresários, como mostra reportagem do Valor Econômico, estão mais perdidos que cegos em tiroteios.
O capitalismo tupiniquim, desde Vargas, tem apostado no consumo garantido pela estratégia econômica ancorada nos direitos sociais.
Lula seguiu essa linha.
Os gastos sociais, historicamente, têm assegurado renda disponível para o consumo.
Com o golpe neoliberal de 2016, congelando os gastos públicos por vinte anos, em nome de austeridade fiscal a qualquer preço, especialmente, em forma de destruição do Estado, congelaram-se, também, as expectativas.
Como o capitalismo vive de expectativa….
Sem consumidor….
Marx dizia que o sistema capitalista padece, desde seu nascimento, de crônica insuficiência de demanda global.
Malthus, conterrâneo do autor de O Capital, repetia ser a economia ancorada na busca do lucro uma ciência permanentemente triste.
Pregava necessidade de ineficiência, para combater o seu oposto, a eficiência excessiva do capital, expressa em crescimento exponencial da produtividade/desemprego.
É preciso aumentar taxa de trabalhador improdutivo – não trabalha, mas consome.
O capitalismo precisa de quem come e caga sem parar, para girar a produção.
O corpo humano é perfeita máquina de produção, que começa pela boca e termina pelo cu.
Se interromper o processo de consumo de alimentos pela máquina humana, emerge crise.
Lula estava certo quando garantiu 3 pratos de comida aos mais pobres.
A reforma da Previdência, assim como a trabalhista, reduz renda disponível, que aumentará estoques de mercadorias, tensionando processos deflacionários.
A social democracia surgiu para relativizar avanço do comunismo, depois do fracasso do lassair faire, que os neoliberais querem ressuscitar.
Os pesos e contrapesos foram políticas sociais distributivistas, compensatórias, para segurar o tsunami desatado pela Revolução de 1917.
Se se acaba com eles, chama-se novamente ao palco político Lenin e Trotski, para comandarem o processo.

Entreguismo neoliberal mata Paulo Henrique Amorim

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Nacionalista militante

Paulo Henrique Amorim, do site Conversa Afiada, estava sendo perseguido implacavelmente pelo governo ultraneoliberal de Bolsonaro-Guedes, empenhado em entregar os ativos nacionais a preço de banana para os gringos, o mais rapidamente possível.

Era um dos grandes críticos da atual política econômica de esvaziamento sistemático do mercado interno, mediante terapia recomendada pelos credores, FMI e Banco Mundial, de combater a inflação com desemprego e fome do povo.

Nessa batida, com 13 milhões de trabalhadores desempregados, com o PIB sinalizando crescimento negativo, agentes econômicos sem ânimo para nada e quedas seguidas de arrecadação, adeus investimentos públicos, congelados por 20 anos pelo neoliberalismo econômico dominante.

PHA via no sucateamento sistemático da Petrobras, maior empresa brasileira, o ponto central do articulado movimento neoliberal comandado por Paulo Guedes, de modo a levar o Brasil à condição de colônia, à fase anterior a Getúlio Vargas, à República Velha.

Adepto do nacionalismo varguista janguista brizolista, o repórter botava prá ferver no seu site praticando desvairada liberdade de imprensa, sem medo de ser feliz, sempre com conhecimento de causa.

Liberdade, liberdade…

Virou um dos mais enérgicos críticos da Operação Lavajado, montagem americana, segundo ele, para destruir a infraestrutura nacional e dar espaço ilimitado aos vendilhões da pátria.

O exercício da liberdade em sua voltagem máxima, gerando impactos, verdades, mentiras e controvérsias, dentro do mundo bolsonariano de viéS fascistas colocou Amorim, nacionalista, como candidato ao ódio.

Estava marcado para morrer.

Inteligente, contratou, sem pedir, infarto fulminante e escapuliu antes.

As voltagens elevadas de lado a lado (bolsonarismo x nacionalismo)  aumentaram os decibéis e o caldo entornou.

Bolsonaro cortou cabeça de Amorim, na Record, do bispo Macedo, seu ganha pão.

Contra Bolsonaro, manter Amorim, sentando a pua no bolsonarismo, no Conversa Afiada, ficou caro para o bispo.

Amorim era o outro lado que Bolsonaro quer extirpar, ou seja, o pensamento nacionalista midiático.

Os comentários críticos de Amorim estavam fazendo contraponto perigoso ao pensamento neoliberal expelido pela Rede Globo, em cadeia oligopolizada, que engloba a própria Record, no plano da economia e da ideologia do capital.

Neoliberalismo radical

O golpe neoliberal de 2016 levou Amorim ao auge da crítica antinacionalista, entreguista, do novo poder, iniciado por Temer e, agora, democraticamente eleito, Bolsonaro, que cumpre agenda radical de campanha eleitoral balançando estabilidade política nacional.

Amorim buscou energia no nacionalismo para enfrentar bolsonarismo, no ambiente democrático, que não faz efeito diante do capital financeiro, que comanda a economia e os meios de comunicação.

O talentoso jornalista finca raízes nacionalistas em José Bonifácio, construtor mor da nação brasileira, pós-chegada do império português, em 1808..

Herdeiro de Bonifácio e Vargas, outro construtor da nação, Amorim se alinha ao janguismo, ao brizolismo e ao nacionalismo, essência política varguista.

Virou incômodo para o bolsonarismo.

Vai fazer falta suas críticas ao sistema Globo de comunicação, que via como a voz do dono, de Washington, ditando as orientações superiores de Tio Sam, como prioridade absoluta, na colônia tupiniquim.

Suas tiradas irônicas não têm preço: levou-o ao santuário e à execração dos fãs e detratores.

Libertação pós-morte

Morto, Amorim se liberta de penca de processos judiciais que correm contra ele por excessos e posicionamentos políticos ousados e destemidos.

Os antinacionalistas estão eufóricos, ficaram livre da sua faca afiada, temida.

Ele espalhou crítica para todos os lados, à direita, mais, mas, também, à esquerda.

Criticou Lula e o PT com espírito construtivo ao ressaltar que sempre faltou a Lula doses maiores de Getúlio e de Brizola, para conduzir o Brasil.

A esquerda, para Amorim, caiu no conto da falsa política social da direita americana, cultivada pelo Banco Mundial e fundações tipo Ford.

Foi, segundo ele, cooptada, rendendo-se ao equilibrismo orçamentário neoliberal, contra o qual se batia Brizola.

Controverso, Amorim tinha personalidade forte e ótimo farplay, construía sua imagem e sua popularidade com posições progressistas.

Explorou o espaço da esquerda para crescer com seu Conversa Afiada, neo-Pasquim eletrônico, com textos inteligentes, críticos, intensos e provocativos de famosos da mídia conservadora.

Fica no ar o espírito Paulo Henrique Amorim, farol crítico corrosivo.

Me parece que se ele se candidatasse pelo partido nacionalista getulista de resgate nacional das garras dos seus inimigos teria grande chances, para  senador de esquerda nacionalista, pelo Rio ou São Paulo.

Tinha popularidade nos dois grandes centros do país.

Miragem profissional

PHA almejava programa político na Record para abalar o noticiário político da Globo, cada vez mais-mais do mesmo, já enjoando, tipo doce de leite em doses cavalares.

O cara, nesse campo, era um craque.

Grande repórter e editor teve carreira internacional vitoriosa, depois do fim da ditadura indo para a  capital do mundo, Nova York.

Cobriu o neoliberalismo de FHC dos Estados Unidos, da matriz, seguindo as orientações de Tio Sam.

Voltou ao Brasil na Era Lula/Dilma, circulando pelas redações famosas da Band e não tão famosas assim, como Record, central de puxa-saquismo de Bolsonaro.

Pode exercer, entre 2002 e 2014, jornalismo relativamente crítico, sempre chamando atenção para a armadilha da dívida na qual o Brasil caiu para levá-lo, novamente, à condição de colônia, como sinaliza, entre outros sintomas, o acordo Mercosul-União Europeia, que desancou.

Seu auge como artista político engajado, tornando-se personagem singular, pela ênfase nas suas colocações, acontece, nesse tempo de mídia eletrônica, onde a liberdade ainda está livre.

O bolsonarismo, porém, o pegou no pulo e cortou-lhe as asas, na tevê comercial.

Deixou seu negócio, Conversa Afiada, abalado, sem expectativas de futuro, para receber verbas públicas, e encrencado em processos contra os quais lutava bravamente.

Certamente, o coração estressado de 77 anos de idade não aguentou o rojão.

PHA virou mais uma vítima do neoliberalismo tupiniquim.

Tricolar apaixonado

João Gilberto se vai no funeral do nacionalismo cultural varguista de onde veio para encantar o mundo

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Hegeliano-marxista

Sérgio Ricardo, genial compositor de Zelão, disse que as melhores lições de marxismo que recebeu na vida vieram de conversas com João Gilberto, pai da Bossa Nova, que acaba de morrer aos 88 anos.

Bebia no materialismo dialético hegeliano, segundo o qual a consciência é como pássaro de Minerva, só voa quando a noite cai.

Hegel é a modernidade, que chega com a revolução francesa, colocando abaixo a velharia medieval sob as patas do cavalo de Napoleão, depois do vendaval jacobino.

No Brasil, o modernismo ganha corpo com revolução tenentista de 1930, comandada por Getúlio Vargas, herdeiro de José Bonifácio, que, embora temesse a república francesa, que, como estudante, viu nascer, nas ruas de Paris, almejava a unidade nacional, construtora dos alicerces básicos do desenvolvimento nacionalista integracionista.

João Gilberto é fruto do modernismo varguista-bonifaciano.

Modelou-se, politicamente, pelo movimento cultural dos anos 1930/50, ao som da música popular, tocada na mídia nacionalista da Rádio Nacional, criada por Getúlio, ideólogo do novo Brasil, que pôs abaixo a República Velha, agora, de volta, com Bolsonaro.

Herdeiro do positivismo e do socialismo, Getúlio conhecia, como destaca José Augusto Ribeiro, em sua monumental “A Era Vargas”, a dinâmica da luta social, desde seus primórdios, como leitor voraz das obras francesas, por meio das quais introduziu Freud e as leis sociais no Brasil.

A era social

O tenentismo revolucionário varguista, no poder, materializou a nova legislação, base essencial para dinamização do mercado interno, de modo a garantir consumidores para as indústrias que sua política econômica nacional-desenvolvimentista impulsionava, com forte dose de autoritarismo político, nos anos 1930-37, no Estado Novo.

A nova ordem social precisou de força para vencer o conservadorismo reacionário escravocrata.

A produtividade capitalista, como diz Marx, surge nas cadeias industriais intermediárias da transformação das matérias primas em manufaturados, expressão do avanço técnico especializado, no processo de divisão do trabalho.

Sem indústria não há divisão do trabalho, não há, portanto, desenvolvimento real do ser humano como produto das relações sociais que, necessariamente, se ampliam por meio dela, no ambiente cultural.

Com a indústria, ocorre a maturidade do homem, seus braços, nervos e cérebros se forjando pela tecnologia que o liberta da escravidão e o prepara para a cultura e a poesia, o paraíso futuro, vivido no sofrimento presente pelos visionários.

A Era JK, extensão da Era Vargas, quando João está com 24 anos, evidencia a euforia nacional decorrente do nacional-desenvolvimentismo varguista, bombeado pelas empresas e institutos estatais, leis do trabalho e da produção, justiça social e democratização do poder, no modelo social democrata europeu.

Trata-se de infraestrutura produtiva e superestrutura jurídica do capitalismo nacional, cujos alicerces serão rompidos pelo neoliberalismo que coloca o modernismo iluminista para escanteio no ambiente do fundamentalismo religioso bolsonarista retrógrado.

Nada a ver com João Gilberto, cuja formação cultural e artística surge com o nacionalismo, com o acordar do homem brasileiro para suas potencialidades artísticas globais, orgulhoso por empreender e sem medo de ser feliz.

João morre com a morte da estrutura produtiva varguista que vai sendo entregue na bacia das almas, pelos ultraneoliberais, aos algozes do desenvolvimento nacional, despertando sentimento contrário ao que propiciou o nascimento da Bossa Nova

Batida mágica

A batida do violão de João Gilberto, encanto mundial, é revolução modernista, que abre as portas da percepção artística do povo brasileiro.

Sem pedir licença, ela entra nos salões globais e encanta plateias, como Mozart, Bach e Beethoven encantavam.

João deslumbra Paris, como deslumbrou o nacionalista genial Villa Lobos, varguista, na tarefa de espalhar para as crianças, nos estádios, as lições de canto orfeônico.

Vargas e JK, que brigou com FMI, para construir Brasília, são o nacionalismo em movimento de afirmação do Brasil na cultura universal, deixando as vestes de colônia, para se expor como produto autônomo, soberano.

O imperialismo, claro, estava de olho nessa transformação orgânica, assentada na riqueza do petróleo, base do moderno poder econômico mundial.

Não queria que a periferia se transformasse em potência e o ameaçasse.

O suicido de Getúlio é resistência à tentativa imperialista de retornar o Brasil à situação passiva de colônia, eterna produtora de matérias primas e semielaborados, subordinada à permanente deterioração nos termos de troca, a mantê-la eternamente dependente.

Nesse ambiente, a alma humana não se desenvolve por inteiro – é uma meia alma vira-lata.

João Gilberto já nos anos 1960, depois de JK, vê a situação política deteriorar-se, e se manda para os Estados Unidos, de onde, encantando plateias, viu avançar as botas da ditadura sobre a cultura emergente getulista-juscelinista.

Voltaria ao Brasil no final dos anos 1970, depois de viver em Nova York e México e circular pelo mundo, fazendo escola.

Fundamentalismo neoliberal triunfante

Sua volta o leva à reclusão total em um Brasil dominado por ditadura, com traços nacionalistas, mas que iria se desestruturar organicamente na fase liberal, submetida à orientação do Consenso de Washington, do poder de Tio Sam, americanizando geral a cultura nacional e sul-americana.

O ataque imperial às conquistas nacionalistas – como as deformas trabalhista e da previdência – foi e é uma constante empreendida pelos neoliberais da Nova República, no decorrer da qual a invasão cultural americana abastardou a alma brasileira.

A era petista desbancou os neoliberais, com o entreguista FHC à frente, mas não venceu o neoliberalismo alienígena.

O lamento lulista, nesse momento em que se encontra encarcerado em Curitiba, por ter colocado, no pescoço, o lenço vermelho de Vargas, no período pré-eleitoral de 2018, depois do golpe neoliberal de 2016, se volta para oportunidades perdidas de afirmação do nacionalismo cultural.

Lula não fez como Getúlio, abrindo a cultura à verdadeira energia nacionalista por meio de regulamentação do poder midiático oligopolizado antinacional.

Na Rádio Nacional getulista havia florescido a cultura popular e os movimentos culturais que desembocaram na revolução rítmica joaogilbertiana bossanovista.

Sem a cultura política de Getúlio, Lula se enganou e deixou a Rede Globo comandar o espetáculo anticultural conservador, politicamente, reacionário, golpista.

Personagem descontextualizado

João Gilberto, morto, encheu o espaço do JN, mas o seu obtuário, feito pelos globetes, não o revelou personagem sociologicamente produzido pela revolução de 1930, base da luta nacionalista, contra a qual a Globo, serviçal de Washington, se bate dia e noite.

O povo brasileiro, certamente, estranhou-se com o desconhecido artista genial no momento da sua morte, pois, a divulgação da sua arte, em vida, não foi uma constante, no oligopólio midiático global, capaz de torna-lo popular, consagrado pelas massas.

Ele aconteceu lá fora e se impôs pelo silêncio aqui dentro, deixando todo mundo atarantado com sua reclusão.

Transformaram-no em ser exótico, alvo de chacotas, antes de ser respeitado como revolucionário marxista da cultura nacional.

Sua reclusão é sua fuga à mediocridade tupiniquim.

João, isolado e esmagado por dívidas, morre quando empresários, igualmente, endividados pela política econômica entreguista, suicidam-se, inconformados com o sucateamento privatista da empresa estatal, que deu impulso ao movimento cultural no qual se consagrou o autor de Obalalá.

O neoliberalismo bolsonariano aniquila as bases nacionalistas sobre as quais ergueu a arte brasileira moderna que produziu João Gilberto.

Sua morte é sua libertação de tormento fundamentalista anticultural, que pesa sobre os brasileiros, sem data para terminar, eivado de presságios e expectativas pessimistas.

Adeus, Brasil!