Aposentadoria digna para o gênio global

O ESTADO TEM QUE ASSUMIR O GÊNIO.
PROJETO DE LEI JOÃO GILBERTO CONCESSÃO DE PENSÃO, ASSISTÊNCIA SOCIAL E MORADIA PARA JOÃO EM USUFRUTO CAPAZ DE GARANTIR VELHICE
DIGNA ÀQUELE QUE PROJETOU A ARTE BRASILEIRA MUNDO AFORA.

Tem coisas que, parece, só acontecem no Brasil.

Esse episódio que vive João Gilberto, 86 anos, um dos maiores talentos da música popular brasileira, pai da bossa nova, patrimônio mundial, reverenciado em toda a parte, é muito triste.

O cara está caindo na miséria total, depois de viver uma vida de glória, de muito trabalho, dedicação a sua arte, com obstinação extraordinária.

Brasil, brasileiro, caboclo inzoneiro, dedicou-se às coisas do seu país, com entrega total.

O Brasil vai deixa-lo cair como fez com Lima Barreto?

Como todo gênio, tem lá suas excentricidades, que incomodam os medíocres, mas, por outro lado, encantam, também, os que sabem que os que são talentosos, em excesso, como é o caso de João Gilberto, merecem compreensão, por que não, perdão?

Errou, é um chato, caprichoso, prepotente etc, diz a mediocridade ambulante, nesses tempos de intolerância e ódio fascistas.

Atire a primeira pedra quem nunca…

O dinheiro, para ele, serviu, apenas, enquanto podia gastá-lo, enquanto o possuiu, sem suntuosidade, pelo que se sabe, dada sua discrição cantada em verso e prosa.

Talvez imaginasse que nunca acabaria ou nem se preocupou com isso.

Sua praia era outra, a arte radical e bela.

A verdade é radical.

As coisas materiais tiveram valor menor do que a preocupação da beleza espiritual, artística.

Lembram de Dale Turner, em Round Midnight, vivido por Dexter Gordon, personagem misto de Charlie Parker, Mile Davis e Chet Baker?

Desligado do mundo exterior, voltado, apenas, ao mundo interior, musical.

Isso acontece de montão com os gênios.

João viveu como cigarra, cantando, não como as formigas, acumulando.

Agora, está sendo despejado, insultado, humilhado, o escambau.

As estórias, geralmente, são mal contadas.

A gente está vendo isso, com esse golpe fascista aí…

Olha o lance da criminalização generalizada dos políticos etc, graças a uma legislação eleitoral permissiva, abusiva.

Fica ao sabor dos juízes: uns se salvam, outros se fodem.

A democracia está indo para o brejo, com o STF criminalizando foro por prerrogativa de função, arma democrática contra ditadores, desde o século 17.

Olha como querem destruir o maior político brasileiro de todos os tempos, encarcerado em Curitiba.

Esse lance do tríplex….

Sem provas.

No caso do João, dizem que duas mulheres, nos últimos vinte anos, disputaram seu amor, seu dinheiro, sua fama.

Os filhos – como sempre acontece – cada um foi para seu lado, enquanto o cara batalhava dia e noite, como um mouro, apurando sua arte maravilhosa.

Depois, os rebentos, marmanjos, chegam atrás da herança.

Filho é presente de Deus, mas, também, do diabo, às vezes.

Os direitos autorais do artista, pelo que se noticia, alcançaram R$ 10 milhões(mixaria, não tem preço, esse cara!).

Foram adquiridos por um banco – o Opportunity –, do Daniel Dantas.

Vítima da agiotagem.

Banqueiro não tem alma.

Foram negociados como como garantia, para cobrir demanda com gravadora, em luta judicial em torno da monumental obra do artista.

Pegou a metade, a outra ficou no caixa do especulador.

Porém, como a capacidade dele de administrar essa grana era nenhuma, o negócio foi se deteriorando.

Ao lado do gênio distraído, concentrado, apenas, na sua arte, espertos e espertas, vivendo ao lado dele, meteram a mão.

Música, música, mulheres e uma maconhazinha, porque… é isso aí.

A dilapidação do patrimônio, pelos espertos, foi um crime.

Se os administradores/administradoras tivessem se preocupado em comprar uma casa ou apto para ele, pelo menos, hoje, estaria garantido, ou não, né.

Pelo visto, não.

Afinal, depois que vem a bancarrota, as dívidas acompanham, provocando devastações, multas, juros, mora, o cacete, além de penas judiciais, podendo até dar cadeia etc.

Há, dizem, demanda judicial, que rola há vinte anos ou mais.

Ele – ele, não, seus agentes, certamente – acionou gravadora que tentou passar-lhe para trás.

Esses capitalistas são, sempre, uns filhos da puta.

Mas, já viu, né, justiça, no Brasil: preterições, preterições, preterições, até chegar as prescrições etc e tal.

O gênio não se preocupa com essas coisas, não tem tempo para isso.

O som mágico invade seu cérebro e ele fica envolvido no negócio.

Dexter Gordon… assistam “Por volta da meia noite”, sensacional, direção de Bertrand Tavernier.

Tem a cena em que ele conversa com psiquiatra, apenas gesticula, the sound, the sound, the sound, invasão do cérebro, inquietude genial etc.

Não dá para ligar para dinheiro, pagamento de aluguel de apto, essas coisas mundanas etc.

Já os espertos…

Os que administram o dinheiro, que compram as drogas, que acertam os compromissos do gênio, falam por ele, inventam, mentem, armam ciladas…

Resultado: na desgraça, filhos e filhas, agora, não se entendem, acusam-se, mutuamente, rompem-se com as mulheres do gênio, estas brigam entre si e com os filhos dele, que tentam se aproximar, justiça entra na parada, a pedido das partes, mentiras, armações, o processo se estica e vira aquele angu, uma monstruosidade.

A estória é longa, dá para esticar, porque as versões se multiplicam, cada um acrescenta um parágrafo, encheria espaços e mais espaços, desdobrando-se ao sabor das línguas venenosas, maledicentes.

Estórias fantásticas, fantasmagóricas.

Mas, para além das controvérsias, apenas, cuidando do valor do gênio, do homem, do artista, que deu tudo de si para a arte brasileira, valeria ou não iniciativa, por alguma excelência por aí, de projeto de lei, para tramitar em regime de urgência, que garanta a um ancião genial brasileiro, afetado em sua sanidade, reconhecido, mundialmente, pela sua arte, final de vida com dignidade?

Proposição legislativa asseguraria a ele aposentadoria, moradia e assistência social em usufruto até final dos seus dias.

Do jeito que caminha a situação dramática dele, esse desfecho pode, talvez, não estar muito longe.

O cara está doente, maltrapilho, sem casa e sem plano de saúde, com os sanguessugas em cima, querendo tomar tudo.

Horrível.

Certamente, essa iniciativa é polêmica, vai levantar discussão, mas, com certeza, projetará quem a propor em nome do espírito humanitário.

Dará manchetes no Brasil e no mundo: o cara que emergiu na Era JK, época de ouro, da afirmação nacional, sucumbe-se, na miséria, na era neoliberal, do ilegítimo Temer etc.

Pode ser, até, que governo de outro país se sensibilize com a situação do João e faça o que deveria ser feito por alguém – esse governo de merda, por exemplo – que dignifique sua arte, nacional, internacional, planetária.

O cara é um patrimônio mundial.

Se isso acontecesse, seria uma vergonha nacional.

Metamorfose ambulante do general. Triunfo do Consenso de Washington

Dois anos depois do golpe de 2016, comandante do Exército fecha com os princípios de Washington, deixando de lado defesa do nacionalismo econômico.

Há dois anos, véspera do golpe do impeachment, que derrubou presidenta eleita com 54 milhões de votos, sem crime de responsabilidade para caracterizá-lo, o general Eduardo Villas Boas, comandante do Exército, dizia, em palestra no Ceub, que o grande problema brasileiro era a especulação financeira, que destrói a nação.

Defendia, com energia, o nacionalismo econômico, capaz de resgatar o País da crise, criando empregos, renda, produção, estabilidade política e democracia.

Promover indústria brasileira, a partir de visão nacionalista, para fortalecer defesa do país, representaria, para o general, opção desenvolvimentista, um dos principais carros-chefe da economia.

Relacionava os gastos com defesa ao multiplicador keynesiano desenvolvimentista, a exemplo do que acontece nos países capitalistas desenvolvidos, especialmente, Estados Unidos.

Nada mais nacionalista.

Destacava que o pouco apego à defesa das ideias nacionalistas, no Brasil,  decorria de formação histórica preconceituosa.

“Preferimos elogiar o nacionalismo dos outros, enquanto condenamos o nosso.”

Lembrava que a estabilidade política requer prioridade ao desenvolvimento nacionalista, maior instrumento para garantir soberania nacional.

Certamente, vocalizava as conquistas que, nos governos Lula e Dilma,  as forças armadas, pela primeira vez na história, alcançaram, com aprovação, no Congresso, em 2005 e 2007, do Programa Nacional de Defesa(PNE) e da Estratégia de Defesa Nacional(EDN), respectivamente.

Ali estão, praticamente, consignados os sonhos dos militares brasileiros de possuir programa nacionalista de desenvolvimento econômico a partir do multiplicador de Keynes, produzido por meio da indústria de defesa.

Era o que os generais, Geisel, à frente, defendiam, quando no poder, para irritação das potências imperialistas, contrárias à afirmação de verdadeira geopolítica brasileira, no contexto global.

Villas Boas fechava, naquela ocasião, com o conceito de segurança nacional moderno, desenvolvido pela Escola de Copenhague, o qual está intimamente ligado à manutenção do emprego, da renda, da educação, da saúde e da preservação ambiental.

Segurança nacional é desenvolvimento nacional sustentável.

A soberania nacional, portanto, requer desenvolvimento econômico nacionalista com justa distribuição da renda, o que não ocorre com economia dominada pela especulação financeira, cujo propósito essencial descarta o social em favor do meramente econômico-financeiro, comprometido com a concentração absurda da renda.

Ou seja, para o general, o maior problema nacional era a desigualdade social decorrente de opção econômica equivocada, invertida pela prioridade concedida à especulação.

Rendição a Tio Sam

Agora, ele fala outra coisa.

Cala-se diante da estratégia neoliberal de Temer/Meirelles/Guardia, sintonizada com o Consenso de Washington, que acelera desmobilização das bases econômicas desenvolvimentistas, como Petrobrás, Eletrobras etc, bem como da supressão de direitos e garantias dos trabalhadores asseguradas na Constituição.

Passados dois anos de sua pregação aos universitários, quando rolava golpe parlamentar-jurídico-midiático, que colocou o país em estado de exceção, conforme denunciam juristas nacionais e internacionais, o problema maior, não é mais a desigualdade social, a especulação financeira, concentradora de renda, mas a corrupção.

Vocaliza o mesmo discurso do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pense, pronunciado, semana retrasada, em Lima, Peru, durante reunião dos presidentes das Américas, para alinhar pensamento continental às diretrizes de Tio Sam.

A corrupção, que se alastra na América do Sul, do ponto de vista ideológico de Washington,  do governo Trump, das suas agências financeiras – FMI, Banco Mundial, BID etc – está centrada no estado nacional.

Muito ativo na economia, tal estado, segundo Tio Sam, precisa, urgentemente, desfazer dos seus ativos produtivos e financeiros (Petrobrás, Eletrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal etc), como  a forma de combater a corrupção.

Mas não foi com esse Estado, assim articulado, que o Brasil virou sétima potência mundial, e que, com o golpe neoliberal, desarmado, volta-se à condição de colônia, pré revolução de 1930?

Não é à toa, portanto, a articulação do departamento de justiça dos Estados Unidos, FBI e CIA,  com o Ministério da Justiça brasileiro e suas ramificações na PGR, Polícia Federal, na produção da Operação Lavajato, para acelerar espionagem geral sobre o governo Dilma, Petrobrás, Congresso etc.

Ou foi algo extemporâneo, desarticulado, tanto o golpe de 2016, como, agora, a prisão de Lula, impedido de candidatar-se à eleição de 2018, os responsáveis pela quadrilha criminosa que transformou o estado brasileiro no centro da corrupção nacional, como destaca o discurso de Washington, para pautar o poder midiático oligopolizado tupiniquim?

Mas, o estado enxuto, como prega Washington às colônias aliadas( visto que vê a América do Sul como quintal norte-americano), representaria, realmente, ataque à corrupção ou concessão de benesses aos gringos?

Armou-se, dessa forma, o raciocínio lógico imperial.

Estado enxuto neoliberal, segundo esse conceito,  como arma de combater corrupção, não pode capitalizar suas empresas, que, descapitalizadas, precisam ser vendidas.

Olhaí a Eletrobras: patrimônio de R$ 400 bilhões, sendo liquidado por R$ 12 bilhões!

Doação!

Seria a melhor forma de combater a corrupção, desmontar o estado nacional, liquidando suas bases de alavancagem desenvolvimentista?

Reforçaria ou não o modelo especulativo no lugar do modelo desenvolvimentista, na medida em que se enxuga o Estado desativando setores que geram renda disponível para o consumo, para favorecer especuladores do mercado financeiro?

Não seria essa lógica promoção da própria corrupção?

Desarma-se, no Brasil, com o golpe neoliberal washingtoniano de 2016, o agente desenvolvimentista que anima o capitalismo mundial, no século 20, desde a crise de 1929, a partir da maior potência econômica, os próprios Estados Unidos, empenhados, agora, em recomendar aos outros o que não pratica para si mesmo.

Como combater a corrupção por uma classe política que derrubou governo democrático cuja orientação destrói o Estado em sua capacidade de promover o que o general julga essencial para garantir soberania nacional?

Metamorfose batraquiana

Verifica-se, claramente, que o general Villas Boas adota, dois anos após o golpe parlamentar-jurídico-midiático, dois discursos, completamente, divergentes e contraditórios.

O nacionalismo, que defendeu no Ceub, é, inteiramente, incompatível com o discurso, orientado por Washington,  de combate à corrupção, para desarmar o estado nacional, sem o qual a estabilidade econômica e política pregada por ele torna-se, praticamente, impossível.

Por que a metamorfose batraquiana do general Villas Boas?

Ocorreu ou não pixotagem do PT na relação política com os generais?

Dilma Rousseff e seu voluntarismo explicam ou não?

No auge da crise, em que se armava a sua derrubada, no Congresso, ela, em 19 de abril de 2016, não compareceu ao desfile militar do Exército, no Forte Apache.

Mandou representá-la o ministro da Defesa, Aldo Rebelo, com o qual o general Villas Boas, como disse aos estudantes, no Ceub, convivia muito bem, apesar de ser comunista.

Não teria sido a hora exata para ela buscar apoio dos militares contra o golpe antinacional que os congressistas preparavam?

Que teria acontecido, se Dilma colocasse, no Ministério da Defesa, o general nacionalista Villas Boas, respeitado entre seus pares?

Outra jogada errada de Dilma: desprestigiou os militares com extinção do Gabinete de Segurança Institucional(GSI).

Foi ou não a gota d’agua, para afastá-los do seu governo?

O que fez  o ilegítimo Temer, na primeira hora que assumiu, depois do golpe?

Recriou o GSI e colocou, para comandá-lo, o general Etchgoyan, ala direitista do Exército, contrapolo da posição nacionalista do general Villas Boas, que se viu, naturalmente, esvaziado.

Dois anos depois do golpe parlamentar-jurídico-midiático, o general nacionalista se rende ao discurso do Consenso de Washington de que o principal problema nacional não é a desigualdade social, que ele identificou avançar com o país sucateado pela especulação financeira, mas a corrupção entranhada no Estado nacional, que justifica a desnacionalização comandada por Temer, tendo ao lado um general de direita.

O Consenso de Washington triunfou.

 

Adiar eleição, último cartucho dos golpistas

1 ANO DEPOIS, GOLPISTAS, DE NOVO, EM AÇÃO
– Olha, meus caros tucanos, no voto, nos estamos fudidos. Democracia não é prá nós. Só chegamos lá, depois de quatro mandatos petistas, derrubando eles, no parlamento, com ajuda do judiciário. Vê aí se vocês articulam novo golpe, prá gente adiar esse troço. Do contrário, é ferro na boneca. O Moro não está dando conta do recado. Eu não aguento mais mobilizações de massa, cês sabem disso, né?

Sem ter prova concreta do contrato de compra e venda registrado em cartório para comprovar que Lula e Mariza realmente são donos do bendito triplex em Guarujá, eventual condenação seria farsa, que multiplicaria, país a fora, as manifestações populares de repúdio ao judiciário que se abastardou, totalmente, por ser um dos agentes ativos do golpe político parlamentar contra Dilma Rousseff, como vai ficando cada vez mais claro. Como, claro? Basta ver as contradições do comportamento dos integrantes da justiça, local onde, hoje, vaca desconhece bezerro. Olha o quebra-pau entre ministros do STF, entidades jurídicas críticas do juiz Sérgio Moro etc! Isso sem falar que a desconfiança relativamente ao judiciário vem de longe, com as tais vendas de sentenças que evitam condenações e prisões dos poderosos, restando as grades, apenas, para os pobres, pretos, pardos, ladrões de galinha etc. A tentativa, que se engrossa nos bastidores, de que, embora sem provas concretas para julgar Lula, Moro possa condená-lo em primeira instância, levou, inegavelmente, duro golpe em Curitiba. A jararaca está viva. Poderá, sem dúvida, haver forçação de barra para empurrar o ex-presidente a julgamento na 4ª Região, no Tribunal Regional Eleitoral, em Porto Alegre, onde nunca foi reformada, até hoje, condenação efetuada pelo juiz Sérgio Moro. Evidentemente, essa hipótese, essa tese, vai levar, dialeticamente, a sua antitese, isto é, à pressão popular. Qual seria a síntese hegeliana? O Brasil se deslocaria para o Rio Grande do Sul, em escala bem maior do que rolou na capital do Paraná. O governo golpista suportaria tal movimentação política em escala nacional, num contexto em que a paciência da população em relação a ele está se esgotando, rapidamente, diante do desastre econômico neoliberal, do qual se extrai, tão somente, aumento do desemprego? O ilegítimo Temer sente a barra. Nessa semana pediu calma aos ânimos exaltados em escala incontrolável. Ele não tem mercadoria saudável para entregar à população, salvo desemprego e sequestro de direitos e conquistas sociais, como ocorre em relação às contrarreformas trabalhista e da Previdência. O clima, no Congresso, é de resistência. Na Câmara, nova Previdência, como o governo quer, dificilmente, passa; se passar, vai estar super-amenizada, ao ponto em que poderá, até, ficar palatável aos oposicionistas, embora não entrarão em acordo, porque querem faturar eleitoralmente o desgaste político do governo. No Senado, o relator Ferraço, da contrarreforma trabalhista, aprovada pelos deputados, admite “pontos sensíveis” à sensibilidade dos senadores, temerosos dos efeitos sobre eles em forma de rejeição nas urnas. Mas, qualquer modificação, lá, remete o assunto de volta à Câmara. Aí a vaca iria para o brejo. Os deputados caminhariam para outro desgaste ou sucumbiriam às pressões? É nesse clima que Lula, visto pelo povo como vítima, cresce politicamente, tornando-se imbatível em 2018. Por essa razão, amplia as articulações para adiar eleições em nome da necessidade de coincidência de mandatos a ocorrer em 2020. Na prática, seria outro golpe, para dar mais dois anos a Temer. É o que os neoliberais, o pessoal do mercado financeiro especulativo, quer a todo custo. Seriam aceleradas contrarreformas do seu interesse, com privatização da previdência e o sucateamento trabalhista. O problema é que as expectativas produzidas pela ação do mercado financeiro, ao assaltarem o poder, desarticulam a economia, no compasso das consequências decorrentes do neoliberalismo politicamente fascista, ou seja, redução da renda disponível para o consumo, sem o qual os investidores, no ambiente do congelamento de gastos públicos, por vinte anos, fogem. Os golpistas estão com sede de mais um golpe, porque sabem que com democracia em cena terão que sair do controle do poder, no qual chegam ou permanecem rompendo com o processo democrático. A natureza deles é a mesma do escorpião: picar o povo, mortalmente.

 

 

Visão fascista da Globo da Greve Geral

Globo, protegida pelas forças repressoras, organicamente, incorporada a elas, julga, ideologicamente, como instrumento de manipulação e repressão, greve geral não como ato político revolucionário mas como movimento de provocação, para esvaziá-lo politicamente

Durante a greve geral, que paralisou dois terços  do setor produtivo do país,  evidenciando movimento nacional, conforme mapeamento realizado pela Rede Globo, o comportamento da emissora dos irmãos Martinho comprovou função essencial do poder oligopólico midiático antinacionalista, entreguista, golpista, de praticar não o jornalismo isento, mas o antijornalismo militante, ideológico, comprometido com as forças governistas, opressivas.

Não se trata de instrumento de comunicação ou de mera empresa de comunicação.

Ao contrário.

Houve uma evolução quantitativa e qualitativa desse poder oligopolizado ao serviço  das classes dominantes , engajado na defesa dos interesses antinacionais, particularmente, norte-americanos, responsáveis pelo golpe político parlamentar que, em 2016, derrubou a presidente Dilma, democraticamente, eleita.

Foi possível verificar in loco tal mudança durante cobertura da movimentação dos grevistas na praça  Panamericana, em São Paulo, onde localiza a residência do presidente Temer, cercada pelas multidões, alvo do protesto político dos trabalhadores, durante a greve geral.

Os repórteres da Rede Globo, orientados por ordens superiores, se posicionaram atrás das forças policiais de repressão.

Ou seja, estavam protegidos por tais forças repressivas do Estado, diante do movimento grevista, enquanto cobriam o desenrolar do mesmo, no desdobrar dos acontecimentos.

Importante: cobriam os repórteres da Globo a greve geral do ponto de vista, do ângulo das forças repressivas, pois estavam ao lado delas, ou melhor, atrás delas, protegidos por elas.

Não viam uma greve geral, mas um movimento considerado pelo governo de protesto, de provocação, a merecer tratamento brutal, repressor, das forças repressivas, ao lado das quais se situavam, em condição de protegidos por elas.

Expressavam a realidade conforme a visão não da resistência dos grevistas expostos à  repressão, mas conforme a lógica da ação e visão das forças repressoras do movimento, sem que sofressem qualquer constrangimento, ao qual estavam expostos os demais participantes que as enfrentavam, desprotegidos, munidos, apenas, de palavras de ordens, desarmados, expostos à brutalidade inaudita.

Nessa condição de privilégio, em condições excepcionais de segurança,  emitiam os repórteres da Globo juízos conforme a ação dos repressores, cuja tradução,  naturalmente, confere posicionamento invertido relativamente aqueles submetidos às  forças  repressoras.

A reportagem global, na prática, traduzia e emitia visão da repressão contra os resistentes a  ação policial repressora.

Eis que tal fato, evidente quanto ao posicionamento da cobertura global, chancela conclusão justificadora da repressão como ato correto, justo, contra os resistentes à  repressão.

A cobertura jornalística da Globo, nesse contexto, em que é feita ao lado das forças repressoras, representa, implicitamente, justificação da própria repressão à greve geral.

Por essa razão, para os repórteres da Globo, protegidos, pelas forças repressivas, do perigo de sofrerem quaisquer constrangimentos, o movimento grevista revelou-se provocação, protesto, prática de violência e não resistência política da classe trabalhadora à tentativa governamental de cassar-lhes direitos constitucionais, contidos na proposta de contrarreforma da previdência e trabalhista.

Tal inversão dos fatos, observada do ponto de vista das forças repressivas, contribui, evidentemente, para conclusão ideológica dos comentaristas da Globo segundo a qual não ocorreu greve geral, mas, apenas, movimento de protesto e violência dos grevistas.

Tudo isso, naturalmente, construído, ideologicamente, para descaracterizar o movimento político que representou, essencialmente, a greve geral, em seu aspecto, eminentemente, revolucionário.

Sucesso da greve que uniu trabalhadores sinaliza união das esquerdas para 2018

O que o governo de direita golpista e o seu braço midiático, o oligopólio Rede Globo, mais temiam aconteceu com a greve geral: a união das centrais sindicais. Movimento político fundamental logrou sucesso em todo o país, apesar de os comentaristas globais tentarem descaracteriza-lo, taxando-o de protesto e violência, como se o aparato militar desproporcional nas ruas não tivesse funcionado como fator mais além de preventivo, especialmente, provocador, espalhando gás pimenta e cacetadas para gerar correrias, dispersão, como sempre acontece por parte das forças repressivas, não raro infiltradas por elementos provocadores. A classe trabalhadora revelou maturidade e consciência de sua postura essencialmente política capaz de levar adiante a defesa intransigente dos seus interesses, abastardados, nesse momento, pelo capital em plena mobilização num Congresso conservador na tarefa de produzir contrarreformas politica e economicamente reacionárias antipopulares. O desdobramento dessa manifestação política consciente e madura, certamente, afetará posições de congressistas à direita e ao centro, diante das proposições do governo golpista, que detém, nesse momento, 4%, apenas, de apoio, segundo pesquisas de opinião. Quanto às esquerdas, o recado da união dos trabalhadores, também, foi muito claro: é preciso, para conquistar poder, no Executivo e no Legislativo, união dela, hoje, espalhada em diversas siglas, cuja pulverização fragiliza seu discurso político, cada qual percorrendo, com seus programas conflitantes, caminho próprio, desperdiçando tempo, energia e poder, deficultando tarefa de atrair mais e mais adeptos. Sem essa estratégia, não arregimentarão forças para garantir direitos e conquistas constitucionais que os golpistas estão derrubando num parlamento conservador e reacionário. A movimentação, essencialmente, revolucionária dos trabalhadores, como fruto da greve geral, deu duro recado aos golpistas que atentaram contra democracia ao derrubarem presidenta Dilma eleita por 54 milhões de votos. Seguir com o golpe, apoiado e conduzido por Washington e departamento de estado norte-americano, é pedir, segundo sinalização do movimento popular, para ser cassado nas urnas, nas eleições do próximo ano. A classe política brasileira recebeu sua mais dura advertência. Os que forem favoráveis às contrarreformas da previdência e trabalhista, cuja essência é pura supressão de direitos e destruição do poder de compra dos trabalhadores, estarão assinando sentença de morte política. Na prática, os trabalhadores, unidos em torno de suas centrais, atuando combinadamente em busca de objetivo comum, pela primeira vez, desde o inicio da Nova República, desenharam ato revolucionário. Afinal, greve geral, como dizia Lenin, representa véspera de revolução. O desejo dos trabalhadores não poderia ser mais claro, direto e poderoso: o jogo é aprofundar democracia direta para além da mera democracia representativa que tem sido conduzida por elites que estão dando as costas aos verdadeiros donos do poder, o povo. As pressões populares sobre os parlamentares, que precisarão de votos, para se reelegerem, nas próximas eleições, aumentarão, e o que era aparentemente seguro para o governo, torna-se completamente inseguro de agora em diante. O que parecia sólido se desmancha no ar.