Águas do Velho Chico unem Lula e Vargas. História para rememorar Tiradentes

Ao som de Águas de Março , de Tom Jobim e da sanfona de Gonzagão entoando acordes da canção que descreve o valor da   Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso, Lula realizou no mês de março, em Monteiro, na Paraíba, a Celebração das Águas, integrando as bacias do  Velho  Chico com rios do semiárido nordestino, tornando-os perenes, vivos o tempo todo.

Nas águas do Velho Chico navega o barco da aproximação histórica entre Lula e Vargas. O gaúcho Getúlio Vargas construiu a Usina de Paulo Afonso, levando energia para o nordeste, reduzindo sua dependência ao candeeiro, e o pernambucano Luis Inácio, leva água e vida para  região, beneficiando, pelo menos, 12 milhões de nordestinos e um projeto mais equilibrado para o desenvolvimento do Brasil

Lula criou por decreto a Semana Presidente Vargas

Esta aproximação política entre os dois presidentes mais populares que o Brasil já teve,  incomoda à esquerda e á direita, já sabemos. O PT quando nasce, exibia injusta hostilidade ao varguismo, mas tinha  entre seus quadros dirigentes, não por acaso, figuras como Francisco Werffort e José Álvaro Moysés, obedientes no esforço político de rotular tudo o que fora nacional-desenvolvimentismo como um “populismo arcaico”, muito embora tenha sido este movimento o que mais estruturou um projeto estratégico de nação soberana para o Brasil. A tarefa de distorcer a história e hostilizar o varguismo, foi  definida como prioridade política pela oligarquia paulista, assim assumida pela academia uspiniana, e que encontrou na mídia udenista ilimitados espaços de vassalagem para dividir politicamente as forças populares.

Eis que, entretanto, a obrigação de gerir o estado, leva Lula a revisar de forma objetiva a avaliação negativa que exibira contra Vargas no início de sua trajetória. Um exemplo, Lula criou, por decreto presidencial, a Semana Vargas, para homenagear “o grande presidente brasileiro”, conforme consta da exposição de motivos da decisão do Palácio do Planalto. Lula vai ainda mais longe quando, em declaração pública, chegou a taxar o movimento armado que a oligarquia paulista lançou para derrubar o governo Vargas, em 1932, como uma Contra-Revolução, muito embora todo o denodado esforço mistificador  da mídia dominante para rotular  aquilo como se democrático fosse.  Apesar do apoio que a oligarquia paulista recebeu dos capitais externos, Vargas resistiu ao golpe, de armas nas mãos, tal como havia chegado ao Catete, pela Revolução de 1930, derrocando a corrompida Republica Velha,  período em que as greves eram tratadas como “ caso de polícia”.como disse o oligarquíssimo presidente Washinton Luis.

Já é conhecido o fim que levaram ex-dirigentes do PT, da linha de Francisco Weffort e outros, no apoio aos governos neoliberais de FHC e , agora, na sustentação do golpismo de Michel Temer, que tem a própria cara da República Velha.

Excluindo as claras e objetivas declarações de Lula em reconhecimento ao importante papel de Getúlio Vargas, ao longo do tempo estas correções de avaliação do petismo em relação ao varguismo vêm sendo feitas de modo parcial, semiconsciente, meio envergonhado, salvo algumas elaborações mais aprofundadas  por parte de intelectuais petistas, que identificaram e destacaram o valor significativo desta aproximação histórica entre os projetos dos dois presidentes.

Vargas e Lula complementam-se

Durante algum tempo, o petismo hostilizava a própria CLT, rotulando-a até como “o AI5 da classe trabalhadora”, o que já não é mais mencionado. Ao contrário, sem reconhecer publicamente que errou na qualificação da CLT   –   um corajoso e bem elaborado trabalho de regulamentação do trabalho e um tremendo enfrentamento com o capital   –   hoje, a CUT defende energicamente as conquistas laborais da Era Vargas, inclusive com passeatas onde as reproduções em cartazes da Carteira de Trabalho,  as carteiras azul que FHC quase transformou num OVNI,  despontam com símbolo de uma época em que, de fato, se deu início efetivo à destruição da herança escravagista, a partir da Revolução de 30.

O mesmo se pode dizer em relação à Previdência Social, que só na Era Vargas ganhou o status de Ministério, tal como ocorrera com o Ministério do Trabalho, da Educação e Saúde e outros. Aqui também, na defesa da Previdência Pública, que recebeu movimentos de expansão  no regime militar (Funrural) e depois com Lula e Dilma, pode-se registrar  uma revisão prática, semiconsciente, não declarada, da condenação política que o petismo fazia em relação ao presidente gaúcho. Vale destacar  que a expansão da cobertura previdenciária estatal foi energicamente ampliada durante os governos Lula e Dilma, pelo o que se pode afirmar existirem entre estes e Vargas, muito mais complementaridade que contradições, como ainda é erroneamente acentuado, com exageros políticos interessados, à esquerda e à direita. Mas, reconheçamos, cada vez menos nas fileiras do petismo.

CLT: Vargas criou, Lula expandiu

Se na Era Vargas se criou a CLT, na Era Lula esta conquista foi expandida a sua aplicação prática, com 22 milhões de empregos com carteira assinada, a carteirinha azul que Temer quer destruir, tornou-se uma das grandes marcas dos governos Lula-Dilma. Se na Era Vargas foi criada a Petrobrás e o monopólio estatal do petróleo, e a empresa estatal foi fortalecida durante a gestão de Geisel  –   após o crime de quebra do monopólio  estatal, praticado por FHC  –   Lula retoma o sentido histórico da obra varguista, recriando o monopólio estatal do petróleo pré-sal, cuja existência,  já era prevista durante a ditadura, o que levou Dilma Roussef, então prisioneira política, a defender, com objetividade e grandeza,  as 200 milhas marítimas decretadas pelo governo Médici. Ou seja, tanto na questão  social, que a República Velha tratava como caso de política, como na questão da infra estrutura energética, que era praticamente inexistente antes da Revolução de 1930, há muito mais identidade e complementação entre varguismo e lulismo, o que sugere um bom debate para o Congresso do PT, uma agenda nem sempre tratada com objetividade no petismo,  por estar  sempre acompanhada de rótulos condenatórios que a direita lançou contra a Era Vargas.

Usina de Paulo Afonso e Transposição, alcances históricos

A Celebração das Águas, a obra de integração das bacias do Velho Chico  com os rios do semiárido nordestino , tem alcance histórico para o país na mesma envergadura da construção da Hidrelétrica de Paulo Afonso,  obra de Vargas, mas que a pilantragem oportunista de  Café Filho tentou usurpar , tal como a vergonhosa tentativa de usurpação de Michel Temer sobre a transposição das águas do grande rio. Certamente , a tentativa de retrocesso à República Velha, a demolição dos instrumentos estratégicos criados na Era Vargas (Petrobra, BNDES, Previdência Social, CLT etc) indicam a sintonia absoluta dos remanescentes daquela carcomida oligarquia paulista com os interesses das Aves de Rapina do capital externo, denunciadas  por Vargas em sua Carta Testamento, que deveria ser do conhecimento de todos os brasileiros, e também dos petistas que tanto condenaram , injustamente, o ex-presidente gaúcho.

O tremendo alcance que a obra da Transposição das Águas do Velho Chico possui para  o Nordeste, representa uma continuidade de grandes obras também realizadas por Vargas para aquela região. Além da Usina de Paulo Afonso,  Vargas criou o Banco do Nordeste, o Instituto do Açúcar e do Álcool, o Estatuto de Lavoura Canavieira, entre outras alavancas estruturantes para o desenvolvimento da economia nordestina

“Dr Getúlio” e Lula, nos braços do povo

Os artistas populares não esquecem os heróis nacionais. Mano Décio, do Partido Comunista, exaltou Tiradentes, em versos geniais. Chico Buarque e Edu Lobo, igualmente, exaltaram Getúlio. O poder midiático oligopolizado, vendilhão da pátria, cuida de boicotá-lo.

Vargas contou com o apoio de destacados intelectuais e artistas para seus projetos na área da cultura e da informação. Villa Lobos presidiu o Instituto Nacional de Música; Roquete Pinto e Humberto Mauro dirigiram o Instituto Nacional de Cinema Educativo; Sérgio Buarque de Hollanda e Mario de Andrade foram diretores do Instituto Nacional do Livro ; Vinícius de Morais e Cecília Meirelles trabalharam no jornal varguista A Manhã , e Carlos Drummond de Andrade , na Rádio Mauá. Lula também conta com o apoio de notáveis pensadores, artistas e cientistas, que reconhecem o valor histórico de seu governo,  bem como o seu direito de disputar as eleições presidenciais previstas para 2018 e,  tal como Vargas, voltar nos braços do povo.

 

Beto Almeida

Membro do Diretório da Telesur

A despedida vergonhosa de Barack Obomba

A história demonstrará a verdadeira face desse farsante que traiu os negros americanos e atuou ao lado do estado industrial militar como legítimo serviçal do sistema especulativo gerreiro, elevando a taxa de instabilidade mundial. Bem feito para quem o concedeu tão cedo o nobel, a farsa do século
A história demonstrará a verdadeira face do 44º presidente americano que não vacilou em incrementar o estado de guerra no mundo, elevando a instabilidade no planeta durante oito anos em que governou sob crise capitalista intensa a partir de crash de 2008 produzido pela irresponsável desregulamentação financeira global estimulada pelo império americano em decadência.

O fim do mandato de Barack Obama tem sido motivo para repetidos balanços  de sua gestão , fartos na mídia, quase todos coincidindo num olhar benevolente sobre o seu período , como que a contrastar com o mandato de Donald Trump que se inicia, para o qual a grande mídia oligopolizada, derrotada em seu intento de eleger Clinton para dar continuidade a uma política que favorecia a industria da guerra e ao rentismo,  já tem plena autorização até para debochar do empresário eleito presidente.  Nunca um presidente norte-americano foi tratado com tamanho deboche e achincalhe como o que os meios de comunicação, até mesmo nas semi-colônias, como aqui se vê pela linha editorial da Globo, foi tão crítica, mordaz e aparentemente “independente”, como agora em relação a Trump.

Por isso mesmo, o  primeiro a ser questionado é a veneração que a mídia oligopolizada mundial  dedica ao Prêmio Nobel da Paz, Barack Obama, já em que seu mandato foram multiplicadas as ações guerreiras dos EUA, os orçamentos para a indústria bélica, em detrimento da indústria em geral, sem que se tenha visto, em contrapartida, uma única assinatura de um acordo de paz, que justificasse aquele prêmio.  Barack Obama, com a participação de Hillary Clinton, à frente de um ministério composto por ex-membros dos governos Clinton e Bush,  levou ao extremo uma política de desprezo por qualquer acordo com a Rússia, chegando ao cúmulo de estimular uma guerra na Geórgia , vencida pelo governo de Moscou, e um sangrento e fascista golpe de estado na Ucrânia,  com enorme perda de vidas, isso sim uma interferência ilegal em outro país, além de uma  escalada sem precedentes nas tensões contra os governos de Putin e de Medvedev.

Obama foi muito mais  além nesta agenda negativa escondida pela mídia. Como Prêmio Nobel da Paz descumpiru ,oficialmente, acordos em torno de mísseis balísticos, dando seguimento à política de confronto de George W Bush, porém  superando aquele  demente que quase levou o mundo ao precipício da guerra nuclear.  A retirada parcial de contingentes militares dos EUA do Iraque, foi substituída pelo apoio à formação de dispositivos militares terceirizados, tal como reconheceu a Secretária Hillary Clinton, confessando a participação direta dos EUA na formação da Al Qaeda. Talvez isto ajude a explicar porque o corpo do declarado morto, Bin Laden, nunca apareceu…..

Obama , crescimento e concentração.

Para  aqueles que, afrontando a necessidade de contextualização,pretendem  apresentar o período de Obama como de um êxito econômico,  citando a recuperação de um nível de crescimento anual em torno de 3 por cento na economia dos EUA,  recomenda-se  confrontar  o resultado   a crise financeira de 2008 resultou em muito maior concentração econômica, , com o estado salvando grandes bancos e empresas, tendo talvez , como um único preso, o financista Maddof, empresário que teria lesado toda a Wall Street, sendo muito mais um atestado de uma fraude sistemática , e admitida,  a forma de funcionar do sistema de finanças daquele país, do que na realidade um exemplo de punição. A recuperação de segmentos da economia, sobretudo aqueles vinculados à economia de guerra,  contrastam com o crescimento do desemprego, com a queda dos salários, com o empobrecimento generalizado da população, resultado tão negativo na Era Obama que foi um dos fatores que pesou na própria derrota eleitoral de Clinton para Trump.

 

Destruição econômica criminosa

O s analistas que se dobram ante estas descontextualizadas taxas de  crescimento econômico dos últimos anos do governo Obama, não se referem nunca à destruição causada pelas guerras levadas à frente pelo Prêmio Nobel da Paz contra a Líbia, a Síria, o Afeganistão, o Iraque (a retirada parcial de tropas , não representou o fim da intervenção militar naquele país).  No caso da Líbia, a pequena recuperação da economia dos Eua é o oposto da destruição da economia líbia, país que oferecia os mais elevados indicadores de IDH da África, com saúde, educação, habitação gratuitas, renda per capita muito elevada e um salário mínimo que alcançava a 1300 dólares. Nestes casos,  os que a mídia registra como custa da guerra, é na verdade, um sanguinário lucro das empresas de guerra.

 É interessante notar que entre os  tantos os que querem fazer louvações aos supostos logros econômicos de Obama,  encontram-se segmentos progressistas, como o Movimento Negro no Brasil, e uma parte da esquerda européia, que silenciaram ante a ocupação militar à Líbia, comandada por Obama, que  promoveu um bombardeio  ininterrupto de 166 dias àquele países que não era nenhuma ameaça para os EUA, ou a França, ou a Inglaterra.

 

A Gargalhada macabra de Hillary Clinton

No caso da Síria, as estatísticas que a mídia oligpolizada escondem, apontam que a ilegal intenção do vergonhoso Prêmio Nobel da Paz , transformada em demolição de toda a infra-estrutura da progressista nação árabe, com vistas a derrubar seu presidente,  somou o lançamento de 26 mil bombas sobre aquele povo durante 4 anos. Nos casos, Líbia e Síria, os países imperialistas inventaram pretextos, nunca provados, para levar a ONU a vexaminosa, como sempre, posição de hipócrita destruição de países. No caso da Líbia, resulta inesquecível a gargalhada macabra de Hillary Clinton a ver a foto do cadáver de Moamar Kadafi……Mas, a imagem que a mídia busca demolir hoje, não é e nunca foi a da candidata derrotada, mas a de Trump.

Líbia e Síria: alertas ao Brasil

Certamente, estas duas tragédias devem servir de alertas para os militares brasileiros, responsáveis por garantir a soberania sobre igualmente farto petróleo brasileiro, além de outras riquezas , como o nióbio,  pois, ficou provado que diante de qualquer resistência, os países otanistas se unem para submeter ,a qualquer custo, os países que  se opõem aos sinistros planos de dominação planetária, como os cultivados pelo falso Prêmio Nobel da Paz. Se contra  países pequenos como a Síria e a Líbia, organizaram gigantescas operações militares  de dominação e rapina,  pode-se imaginar a envergadura dos planos que já devem possuir contra um país-continente como o Brasil. O que explicaria a intenção do golpista Temer em paralisar projetos  brasileiros de  defesa e deixar ser estraçalhada a engenharia nacional.

Mas, devem  também fazer parte de qualquer avaliação do período Obama, quando pela primeira um negro freqüentou a Casa Branca não como serviçal,  que foi em seu período que mais cresceram as ajudas militares e financeiras dos EUA para Israel,  apesar do aparente desentendimento entre os dois governos. Além disso  , o presidente negro teria autorizado um total de 1214 ataques de drones contra povos muçulmanos, verdadeiras execuções de inocentes, penas de morte voadoras, sem julgamento, sem condenação , sem investigação,  totalmente ilegais e injustificáveis,ou seja, nada que o fizesse merecer o tal Prêmio de Oslo. Estes cálculos deveriam fazer parte das avaliações do Movimento Negro no Brasil….

 

Obama se vai, a Revolução Bolivariana continua

Para fechar qualquer balanço de Obama, deve-se fazer menção à declaração recente de seu insuspeito Secretário de Estado, John Kerry,  informando que “ Obama apoiou o Estado Islâmico na intenção de que a sua atuação na Síria ajudasse na derrubada do Presidente Assad, mas, a Rússia entrou na cena e frustrou nossos planos”.  Não é um blog de esquerda quem diz isto, é o próprio Secretário de Estado, falando de seu presidente!!!! Ademais, abundam as provas que de este instrumento de terror internacional, o Estado Islâmico, possui apoio financeiro, material e  assessoria militar formal e direta dos EUA. Este é o fruto da gestão do Prêmio Nobel da Paz, Barack Obomba.

Para finalizar, Obamba não descartou fazer uso dos expedientes imperiais de sempre contra países da América Latina, entre outros a espionagem, que atingiu até mesmo Dilma e a Petrobrás, como também o apoio às ações de desestabilização e golpe, aplicadas contra governos democráticos  do Brasil, do Paraguai e de Honduras. Além disso,  jamais descansou na intenção de fazer fracassar a Revolução Bolivariana, declarando a Venezuela, por decreto presidencial, “uma ameaça extraordinária aos EUA”. Só se for por seu exemplo moral, de ser um país que jamais agrediu qualquer outro país, de possuir um governo que edificou um sistema justo de educação pública e gratuita, eliminando o analfabetismo, e um sistema de saúde de causar inveja aos EUA, onde quem não puder pagar, fica de fora dos hospitais. Pois bem, apesar de 8 anos de sistemática e ilegal sabotagem de Obomba,  a Revolução Boliivariana segue em frente, apoiada na exemplar união cívico  militar, enquanto o decreto do falso Prêmio Nobel da Paz  segue como marca de um mandatário que não conseguiu sequer assinar um único acordo de paz!

 

Beto Almeida

Jornalista

Mercado interno forte com Lula presidente para vencer crise Temer e salvar capitalismo nacional

A eleição direta seria o ponto de pacificação nacional. Não há possibilidade de transição com o neoliberalismo Temer. Ele já está desagradando os empresários e os militares. Os empresários, porque sentem que suas empresas estão indo para o buraco. Sem consumidor, que é eliminado pelas reformas trabalhista e previdenciária, de um lado, e pela PEC 55, de outro, ao congelar a economia por vinte anos. E os militares, por sua vez, já perceberam que o plano neoliberal, o plano que eleva o desemprego e a pobreza, constitui-se em promotor da insegurança e da violência que leva à guerra civil. Stedeli defende Lula já nas ruas, mas não afasta uma alternativa, possivielmente, com Nelson Jobim, parar fazer programa de transição, cujas premissas devem ser enterrar imediatamente propostas malucas como as da Previdência e a trabalhista, cujas consequências são destruir o próprio capitalismo brasileiro. Temer é um fantasma que precisa ser enxotado, rapidamente, como consenso que une as forças produtivas contra o remédio amargo que propõe e que tem como avalista o capital externo, disposto a destruir o Brasil.
STEDELI, LIDER DO MST. A eleição direta seria o ponto de pacificação nacional. Não há possibilidade de transição com o neoliberalismo Temer. Ele já está desagradando os empresários e os militares. Os empresários, porque sentem que suas empresas estão indo para o buraco. Sem consumidor, que é eliminado pelas reformas trabalhista e previdenciária, de um lado, e pela PEC 55, de outro, ao congelar a economia por vinte anos. E os militares, por sua vez, já perceberam que o plano neoliberal, o plano que eleva o desemprego e a pobreza, constitui-se em promotor da insegurança e da violência que leva à guerra civil. A geopolítica nacional e sulamericana vai para os ares com o neoliberalismo. E isso deixa os militares em pânico, porque inviabiliza o sonho deles: o nacionalismo econômico ancorado na indústria de defesa. Stedeli defende Lula já nas ruas, mas não afasta uma alternativa, possivelmente,  Nelson Jobim, parar fazer programa de transição, com compromisso de convocar diretas em outubro de 2017, cujas premissas devem ser enterrar imediatamente propostas malucas como as da Previdência e a trabalhista, que representaria destruição do próprio capitalismo brasileiro. Temer é um fantasma que precisa ser enxotado, rapidamente, como consenso que une as forças produtivas contra o remédio amargo que propõe e que tem como avalista o capital externo, disposto a destruir o Brasil(CF).

 

Stedile na Globo News: a política econômica neoliberal aprofunda a crise 

 

Foi, realmente, uma grata surpresa assistir a entrevista João Pedro Stédile, economista e membro da Coordenação do MST, concedida ao programa Diálogos, com Mario Sergio Conti, na Globo News. Como nesta emissora, a programação tem sempre sintonia com uma linha editorial que favorece a defesa e consolidação das políticas e dos privilégios da oligarquia financeira internacional, do grande poder econômico privado e um ataque implacável ao papel protagonista do Estado, a presença de Stedile nesta tela surpreende pela objetividade, coragem e lucidez com que analisa a crise atual do capitalismo no Brasil.

A começar por destruir mitos, construídos, entre outros, por este mesmo canal, televisivo, como se a corrupção fosse a explicação da crise e o centro de todos os males. Stedile mostrou claramente que o problema é da economia, de uma política econômica que leva à concentração de riquezas, redução produtiva e, consequentemente, a mais desemprego e mais miséria.

 

 

Lula nas ruas já para enfrentar os entreguista do patrimônio nacional que afeta segurança do país

 

 

É bem possível que a abertura deste espaço televisivo para Stédile guardasse também a esperança de que o mesmo ajudasse a criar mais dispersão e dificuldades para o campo progressista, após a deposição de Dilma Roussef, sem provas, e também sem reação à altura do significado do golpe. A valer este raciocínio, certamente a emissora se arrependeu do convite, pois ele permitiu a Stédile explicar com visão popular vários problemas brasileiros atuais. Mas, principalmente, porque Stédile com sua desenvoltura peculiar, defendeu que Lula esteja nas ruas, em campanha, por ser quem tem autoridade, moral e capacidade de unir as forças progressistas e de falar à grande massa de brasileiros, especialmente aquela fora dos sindicatos e dos movimentos sociais organizados.

Rigorosamente, não é banal esta defesa de Lula, por Stédile e na Globo News, porque é exatamente nestas  telas que Lula vem sendo criminalizado, tem sua imagem atacada cotidianamente, e é acusado, sem provas, por uma prática fascista que ganhou espaço militante no judiciário, ressuscitando práticas medievais do direito. E por que não Aécio, Serra e Temer, perguntou Stédile, não são sequer mencionados?  É só para o Lula? O constrangimento do jornalista era evidente. E pode ter surpreendido muitos alguns setores progressistas, que andam meio confundidos diante do dilúvio de acusações facciosas e falsas com que a direita tenta conta condenar Lula,  antes mesmo de julgá-lo.

 

Industrialização, Fidel Castro e   Era Vargas

 

Outros pontos importante foram levantados corretamente por Stédile, aproveitando bem o espaço quase sempre fechado para ideias de esquerda. Por exemplo, quando denunciou a redução do espaço da indústria no conjunto da economia brasileira, que já foi de 50 por cento na época do regime militar e, agora, está reduzido a 13 por cento. Foi correta também a responsabilização de FHC que, em seus governos, seguindo orientação do Banco Mundial, reduziu juros para a agricultura, para debilitar a indústria. Neste particular, vale lembrar importante análise feita por Fidel Castro sobre a ditadura brasileira, na época de Geisel.  Segundo o líder cubano, que não será apagado da História, “a ditadura brasileira é industrializante e estatizante, enquanto a ditadura argentina é desindustrializante, privativista”.

 

 

A soberana nacional ameaçada e o debate com os nacionalistas

 

Como não é tema simples de debate, mesmo na esquerda, a justa colocação de Stédile permite contextualizar que a industrialização no Brasil teve forte impulso a partir da Revolução de 30, com a Era Vargas, e tudo o que foi instalado neste período, com forte presença estatal e apoio popular, é o que está sendo demolido hoje pelo usurpador Michel Temer. Este  além de seguir à risca as política de FHC que anunciou a decisão de “destruir a Era Vargas”, vai ainda mais além, e planeja levar o Brasil de volta à República Velha. A ditadura cívico-militar não pretendeu demolir a CLT, nem a Previdência, nem a Petrobrás, ao contrário, a estatal foi fortalecida, embora sob políticas autoritárias. Vale lembrar que Geisel, quando jovem, foi um tenentista e um varguista militante. Também deve-se recordar que quando Lula, na presidência, mencionou positivamente o período de Geisel, suas palavras foram recebidas com incompreensão em alas da esquerda.  Na entrevista, Stédile levanta novamente o tema, que deve ser debatido com profundidade e contextualização.

 

Soberania nacional em perigo

 

Outra denúncia importantíssima feita por Stédile na Globonews refere-se à violação da soberania nacional. Como se sabe, há ameaças de interrupção do Programa Nuclear Brasileiro,   também fundado na Era Vargas , sendo que  um de seus mais qualificados quadros, o Almirante Othon Pinheiro,  ex-presidente da Nuclebras encontra-se preso, também sem provas , como ocorre com a nova prática medieval do judiciário de prender para pressionar e coagir. Nesse sentido, Stélide levantou um tema extremamente importante para debate inclusive com os nacionalistas, de dentro e de fora das Forças Armadas, pois é sabido que o Almirante Othon nega-se, de forma patriótica e altiva, a repassar qualquer informação estratégica sobre as tecnologias nucleares brasileiras que sempre foram cobiçadas pelos EUA, interessados em impedir o desenvolvimento científico-tecnológico   brasileiro nesta área.  Assim, o tema levantado por Stédile merece ser amplamente debatido por toda a sociedade, sobretudo no meio militar.

 

 Temer não tem condições de fazer governo de transição

 

Contextualizando, o golpe  que forças imperiais promoveram contra Dilma e lula em 2016, tem como pano de fundo o intervencionismo ocorrido em outros países com riquezas energéticas ou com importante desenvolvimento industrial e em tecnologia de defesa, como a Yugoslávia, esquartejada, a Líbia e o Iraque, demolidos, e, agora, com a Síria, que apenas não  foi totalmente dominada pelo intervenção imperial mercenária ,  em razão da  determinação de seu governo e de seu povo, bem como ao apoio decidido da Rússia, do Iran e também do Hezbolah,  um expressão impactante e prática  da teologia da liberação.

 Registre-se que empresas brasileiras foram expulsas do Iraque e da Líbia por meio de bombardeios da Otan , favorecendo  a ocupação de mercados por empresas brasileiras. Se nestes países acima citados, a intervenção imperial visando a recolonização, deu-se por meios militares, com gigantesca manipulação midiática para justificar as chamadas “guerras humanitárias”,  disfarce de guerra imperial, no caso do Brasil a intervenção externa se dá por meio do parlamento, do judiciário e também da mídia, tendo já alcançado uma expressiva paralisação produtiva de projetos ligados à Petrobrás e realizados pelas empresas de engenharia nacional, agora alvo de ataques descarados por meio do Departamento de Justiça  dos EUA.

A clareza com que Stédile defendeu que Lula esteja em campanha significa também defender o papel central do estado e da engenharia nacional no seio de um projeto que vise recuperar as políticas de distribuição de renda, de geração de empregos em massa, de inclusão social, o que inclui a reforma agrária, o fortalecimento dos bancos públicos, hoje estrangulados, e um esforço efetivo de democratização dos meios de comunicação. Trata-se de entrevista muito útil, ilustrativa e que deve merecer atenção e reflexão de todos segmentos comprometidos com uma saída democrática e soberana para a crise brasileira

 

Precisamos de um governo de salvação nacional para evitar guerra civil

 

Trotsky, Vargas e o golpismo imperial

 

Trotski, assassinado por Stalin, sacou que o fenômeno populista latinoamericano decorria da fragilidade dos partidos dominados pela direita entreguista que não tinha apoio interno, do povo. Por isso, apoiou Vargas, sua proposta nacionalista, social, a mesma que agora Temer e os golpistas desejam destruir para atender os interesses externos, cassando Dilma Rousseff por impeachment sem crime de responsabilidade com apoio do Supremo Tribunal Federal. Uma página infame na história do Brasil.
Trotski, assassinado por Stalin, sacou que o fenômeno populista latinoamericano decorria da fragilidade dos partidos dominados pela direita entreguista que não tinha apoio interno, do povo. Por isso, apoiou Vargas, sua proposta nacionalista, social, a mesma que agora Temer e os golpistas desejam destruir para atender os interesses externos, cassando Dilma Rousseff por impeachment sem crime de responsabilidade com apoio do Supremo Tribunal Federal. Uma página infame na história do Brasil.

 

O FIO DA HISTÓRIA VAI MOSTRANDO

 

CLARAMENTE QUE LULA E DILMA SÃO

 

CONTINUAÇÕES DE GETÚLIO VARGAS

 

Foi num dia 20 de agosto como hoje, em 1940, que foi assassinado no México, a mando de Stalin,  o fundador do Exército Vermelho e presidente do Soviet de Petrogrado, Leon Trotsty. A lembrança não é apenas homenagem à sua vasta obra e sua vida,  que já encontra na TV russa espaços de difusão, como por exemplo, na data de fundação do Exército Vermelho,  em que foi transmitido, recentemente,  o discurso de Trotsky naquela solenidade. Quem sabe  seria uma mensagem de alerta ante  as ameaças e agressões que a Rússia vem recebendo da parte do imperialismo  e dos países da Otan?  Aliás, é admirável a coordenação e cooperação crescentes, na esfera militar também, entre Rússia e China, Russia e  Irã, Russia e Síria e a aliança entre Rússia, Irã, Síria e Hezbolah para enfrentar as agressões terroristas apoiadas pelo imperialismo visando o esquartejamento da Síria, tal como se fez antes com a Yugoslávia, o Iraque e a Líbia, neste caso até com o apoio de intelectuais franceses à  esquerda  ecoando no tempo a política dos comunistas franceses que não entenderam a Revolução na Argélia.

Mas, hoje, a menção a Trotsky decorre de uma análise por ele feita ao chegar ao seu exílio mexicano, quando chamou a atenção para processos nacionalistas-revolucionários como os dirigidos por Lázaro Cárdenas, no próprio México e por Getúlio Vargas, no Brasil. Ele os classificava como uma espécie de bonapartismo sui generis com potencial revolucionário, destacando que estes dois governos e movimentos atendiam parcialmente o programa do proletariado, referindo-se especificamente à estatização do petróleo, das ferrovias, dos minerais, a expansão do voto às mulheres e a legislação trabalhista,  num claro enfrentamento com o imperialismo e as oligarquias. E concluía recomendando aos revolucionários que dessem apoio crítico a Cárdenas e a Vargas.

 

A  reflexão sobre esta menção colhe atualidade, hoje,  em razão da importante publicação em Carta Maior, uma mídia de esquerda e petista, sem ser partidista, da Carta Testamento de Vargas, quando se busca, corretamente, fazer uma analogia histórica com os momentos que estamos vivendo no Brasil, com o golpe de estado em marcha, mesmo com características diversificadas. Inequivocamente, trata-se de uma conspiração geopolítica, com matriz externa, visando interromper um processo de transformação gradual no Brasil, digamos que uma espécie de reformismo progressista com forte potencial transformador social, e que projetava o Brasil para ser, concretamente,  um protagonista na arena internacional, compondo com as forças e países que se articulam para uma estratégia de resistência ao imperialismo. E, mais que isto, organizando caminhos alternativos concretos, como a Celac, a Unasul, os Brics, o Mercosul.

Vítima das forças internacionais associadas às forças internas antinacionais
Vítima das forças internacionais associadas às forças internas antinacionais

A escolha da Carta Testamento de Vargas   –    documento da maior importância na história política do Brasil, e que chegou a ser censurado pelos inimigos de trabalhismo, visando o retorno à República Velha  –    tem absoluta sintonia política nesta  experiência trágica que o povo brasileiro está vivendo com o governo golpista de Temer, pondo em marcha a segunda tentativa de destruição da Era Vargas. A primeira, foi com Fernando Henrique Cardoso, que anunciou sem qualquer vergonha a sua intenção,  confirmando a impressão negativa que seu tio, o General Cardoso, um nacionalista e defensor da Petrobras,  tinha dele.

A iniciativa da Carta Maior é ainda de maior relevância se recordarmos a decisiva releitura dialética que Hugo Chávez  –   ele também um admirador de Trotsky, bem como de Cárdenas e de  Vargas  –     fez de Simon Bolívar, colocando-o a caminhar pelas ruas de Caracas, nos diálogos de bairro do povo,  reluzindo os versos das canções de Ali Primera, trilha sonora da Revolução Bolivariana. Neste contexto, e na tentativa de criar uma grande união de forças progressistas e nacionais, não apenas de esquerda, para derrotar o golpe imperial contra Dilma, a recuperação da Carta de Vargas como instrumento de unificação popular é um gesto certeiro. É um começo. Não se podem assegurar tantas conquistas como as da Era Vargas  (Petrobras, Eletrobras, BNDES, CLT, Previdência Social, Voz do Brasil, etc)  sem conquistarmos esta unidade para fazer  frente ao governo exterminador do futuro.

Vitima dos golpistas sediados no Congresso a serviço das forças internacionais
Vitima dos golpistas sediados no Congresso a serviço das forças internacionais

Durante muito tempo, hostilizou-se, nas fileiras da esquerda, e do PT em particular, a figura de Vargas, bem como de seus continuadores, Jango e Brizola. Pois agora, como alerta a iniciativa de Carta Maior, estamos todos assediados pela mesma voracidade rapinadora, pelas mesmas forças destrutivas. E sem unidade em torno do projeto de emancipação do Brasil Nação  –  e Vargas tinha um projeto   –   não poderemos organizar todas as forças de progressistas, intelectuais, nacionalistas, militares ou não, juntando-as aos sindicatos de trabalhadores e aos movimentos sociais. Como defender o programa nuclear, outra herança da Era Vargas,  garantir a construção do submarino nuclear, sem o que não haverá soberania brasileira sobre o petróleo pré-sal? Como assegurar que a indústria defesa brasileira, que foi bastante demolida por FHC, mas retomou um curso construtivo com Lula e Dilma,  não seja canibalizada e  internacionalizada, especialmente num mundo de intervencionismo militar imperial crescente?  Será esta uma tarefa apenas de sindicatos de trabalhadores, ou, pela sua grandeza e complexidade, exige também a participação das empresas de  engenharia nacional (hoje atacadas pelo golpismo)  e dos nacionalistas, civis e militares?

Lula, que teria dito algum dia ser a CLT  uma espécie de AI-5 da classe trabalhadora,  já revisou,  em boa medida, corretamente, a avaliação histórica que fazia de Vargas.  Hoje, denuncia, que o golpe veio para destruir os direitos dos trabalhadores, a CLT. Quando um documento tem pegada histórica, como a Carta Testamento, mesmo que passem anos e anos, sua atualidade e sua convocação para uma união nacional, permanecem vigentes. Bem como aquelas análises de Trotsky sobre o sentido anti-imperialista dos governos de Cárdenas e Vargas. Há muitas formas de fazer revisão e arrisco lembrar que o saudoso Luiz Carlos Prestes, também fez, com gestos,  a sua. No dia 24 de agosto de 1954, o jornal Tribuna Popular,  do PCB, trazia na manchete de  capa Prestes pedindo a renúncia de Getúlio Vargas, impressionado com a manipuladíssima campanha “Mar de Lama sob o Catete” . Quando o tiro ecoou do Catete e as massas expressaram sua legítima fúria, sua ira santa,  empastelando os jornais golpistas, os símbolos do império, a direção do PCB mandou recolher apressadamente  o Tribuna Popular das bancas, para que a proposta de Prestes não circulasse. Confrontava absolutamente com a legítima ira popular, ira que expressa a correta avaliação histórica sobre Vargas, tal como mencionara Trotsky, que gnhava razão ali, nas ruas do Brasil. O povo  percebeu que a morte de Vargas era resultado de uma ação dos inimigos do povo brasileiro. Mais tarde, ensina a história, Prestes termina seus dias de homem digno como presidente de honra do PDT de Leonel Brizola, um partido varguista. Tenho muitos amigos que dizem que “foi a única vez que vi meu pai chorar”

Lula, cassado dia e noite pelas forças internas antinacionais a serviço das forças externas.
Lula, cassado dia e noite pelas forças internas antinacionais a serviço das forças externas.

As declarações positivas de Lula sobre Vargas, inclusive criando, por decreto presidencial,  a Semana Getúlio Vargas,  em cuja exposição de motivos se menciona ter sido aquele o mais importante presidente brasileiro, deve ser tão conhecida como a própria Carta de Vargas. Hoje, dramaticamente, ela nos convoca a uma união como única possibilidade histórica de reversão do golpismo demolidor imperial. Esta é a grande percepção de Carta Maior, que, com coragem , recomenda a leitura da Carta de Vargas em ambientes que hostilizaram, injustamente,  o presidente gaúcho, assim como se deve recomendar, também, escutar a canção “Dr Getúlio”, composta por Chico Buarque e Edu Lobo, na voz de Beth Carvalho, revelando a síntese histórica que precisamos construir conscientemente. Estou entre aqueles que apontam o PT como um continuador inconsciente de Getúlio Vargas, a despeito da incompreensão  que ali  ainda se cultiva, razão pela qual também sugiro à Carta Maior, uma entrevista com o jornalista José Augusto Ribeiro, autor da trilogia “Era Vargas”, obra indispensável e sem concessões de nenhum modo ao udenismo. Por isso, não foi badalada pelos meios e foi quase escondida totalmente pela indústria editorial. Tal qual a censura sobre a Carta Testamento.

Num 20 de agosto como hoje, em 1940, no México, foi assassinado Leon Trotsky, que entre outras coisas, recomendava aos revolucionários que apoiassem o governo Vargas, assediado, então, pelo golpismo do imperialismo inglês. Meu reconhecimento à Carta Maior pela iniciativa de dar visibilidade a todos os instrumentos históricos que possam construir uma ampla unidade nacional contra o golpismo imperial. E minha lembrança de que Trotsky já acenava nesta mesma direção, em 1940.

Fidel, 90 anos

fidel

 

Junto com os revolucionários africanos,

 

Fidel Castro é o maior defensor da África

 

em todo o mundo em todos os tempos

 

Há inúmeros feitos históricos em que Fidel Castro teve presença direta e decisiva, como dirigente revolucionário. Agora, prestes a chegar seus 90 anos(13.08.1926), conscientemente dedicados ao progresso da civilização, é necessária, além de uma homenagem, uma aprendizagem sobre tantas lições de uma vida inteira ligada à revolução mundial. Neste pequeno artigo, busca-se refletir sobre um gigantesco fato histórico: a participação de Cuba na derrota das tropas do regime do apartheid  em Angola, na Namíbia e na África do Sul. A sua importância é tão colossal que, por isso mesmo, recebeu da parte da grande mídia um monumental e desprezível silêncio. O que é compreensível, embora indignante. Incompreensível é o fato não ter recebido de parcelas consideráveis da esquerda a atenção que merece.

 Apesar das importantes inciativas de artistas como Chico Buarque, Martinho da Vila, Beth Carvalho, Taiguara e outros, com suas embaixadas culturais de solidariedade para com Angola, é justo reivindicar  da  esquerda brasileira uma reflexão. Apesar do Brasil ser país membro da CPLP, e de nossas arraigadas relações com países como Angola, ainda é necessário informar amplamente sobre a decisiva solidariedade cubana na África, e, também, refletir sobre a lacuna deixada pela falta de uma ação concreta em defesa da libertação em Angola, na Namíbia, e, portanto, em defesa política da extraordinária ação libertadora de Cuba naquele continente.

 

Chega prá lá em Kissinger

 

É bem verdade que a política externa brasileira, ainda nos governos militares, já vinha revelando uma mudança de posição que favorecia a luta contra o colonialismo, conflitando com interesses norte-americanos na região. Pouco divulgado, mas extraordinariamente importante, é o episódio em que Henry Kissinger, então Secretário de Estado dos EUA,  reclama do então Presidente Ernesto Geisel quanto a posição brasileira em Angola. Segundo Kissinger  “ o Brasil estaria fazendo o jogo dos cubanos na África” , obtendo como resposta, ao estilo Geisel, “que a política externa brasileira não estava em discussão”

Vitoriosa a Libertação de Angola, em 11 de novembro de 1975, sob o comando do médico e poeta Agostinho Neto,  a nação africana passou a ser alvo de criminosas agressões por parte de movimentos sustentados pelo imperialismo, seja dos Eua, seja do regime do apartheid da África do Sul, onde Mandela encontrava-se preso  e era crescente a luta do Congresso Nacional Africano. Ameaçada a soberania de Angola, Agostinho Neto pede diretamente a Fidel Castro apoio militar defender sua pátria. A resposta de Fidel é imediata! Organiza-se em Cuba a Operação Carlota, que transfere para território angolano tropas e armamentos cubanos, para enfrentamento direto contra a Unita de Jonas Savimbi, e a FNLA, de Holden Roberto, ambos financiados e armados pelo imperialismo, e com as próprias tropas da África do Sul.

 

Inversão das caravelas do tempo colonial

 

Uma gigantesca ponte aérea ligou a Ilha do Caribe a Angola, numa operação comandada em detalhes por Fidel Castro, registrando-se que era o sentido inverso das caravelas que traziam, séculos atrás, escravos e opressão da África para a Américas, inclusive para Cuba. Agora, a expedição feita por aviões, carregada de libertação e dignidade, chegou a levar para solo africano , durante todo o período em que durou a guerra de Angola, aproximadamente 400 mil cubanos, homens e mulheres. Uma solidariedade de fato, verdadeira, em que Cuba compartilhava seus modestos recursos com outros povos em luta. Mas, segundo  Fidel, “temos uma dívida para com a África e temos que pagá-la!”. A solidariedade da Revolução Cubana com a África havia começado muito  antes, quando  foram organizadas as primeiras brigadas médicas de apoio à Revolução na Argélia. Hoje há médicos cubanos em mais de 70 países.

Aquela  dívida  mencionada por Fidel foi paga. De Angola os combatentes cubanos trouxeram apenas sua honra e seus mortos, sequer uma pedrinha de diamante foi de lá retirada. A derrota das tropas da África do Sul em Cuito Cuanavale foi decisiva, mudando a geopolítica da África, em combates dirigidos diretamente por Fidel Castro, a partir de Cuba,  que levaram também à libertação da na Namíbia e, consequentemente,  deram o golpe mortal para o início do fim do regime racista sul-africano. Ao deixar o cárcere, depois de 27 anos de prisão, Nelson Mandela, foi a Cuba agradecer a solidariedade libertadora da Ilha. “Devemos o fim do apartheid a Cuba!”, disse Mandela. Essa página nobre e inapagável que Cuba escreveu na história da humanidade, e que tem a assinatura de Fidel, merece ser para sempre relembrada para educar as novas gerações de revolucionários em todo o mundo, em particular no Brasil,  que tem profundos laços históricos e culturais com Angola.

 

Por que não repetimos Mandela?

 

Nós também temos que pagar nossas dívidas, a começar por informar de modo veraz, sobre esta epopeia cubana em solo africano, com desdobramentos mundiais, como reconheceu Mandela, o que obriga a uma reflexão por parte do movimento negro brasileiro, onde registram-se, em certas alas,  concepções muito vinculadas às políticas norte-americanas, cujo governo apoiou sempre o regime do apartheid e agrediu, sistematicamente , à Revolução Cubana.  Enquanto Cuba enviou 400 mil combatentes, voluntários,  para defender a Libertação de Angola, o movimento negro brasileiro não enviou sequer uma aspirina para garantir a independência angolana!

Agora, décadas depois, quando  o Brasil já possui lei determinando o estudo da História e Cultura da África em nossas escolas, e que, também, já formou a UNILAB  – Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, montada no Governo Lula como parte do pagamento de nossa dívida histórica para com a Mãe África, é o momento também de passar às novas gerações o papel decisivo da Revolução Cubana, e seu dirigente Fidel Castro, na destruição do Apartheid –  único país que levantou-se em armas contra esta excrecência histórica  –  oferecendo à humanidade um dos mais elevados, nobres e concretos gestos em , favor dos direitos humanos, uma bandeira que muitas vezes foi usada, indevidamente, contra Cuba

 
Beto Almeida
Membro do Diretório da Telesur