Congresso negacionista bolsonarista embala Lula 2022

Lula anuncia que está "de volta" e lança ofensiva contra Bolsonaro - ISTOÉ Independente
Volta da renda emergencial mostra prioridades do Congresso | Monitor Mercantil

Poder negacionista

Lula só tem a ganhar com o poder negacionista bolsonarista que tomou conta do Congresso na pandemia, na elaboração e aprovação do orçamento 2021; priorizou o acessório e deixou de lado o essencial; favoreceu interesse do mercado financeiro em prejuízo da população que afunda na recessão, no desemprego e nas mortes; tal orçamento, fundamentalmente, neoliberal, é tão genocida quanto o comportamento negacionista do presidente Bolsonaro quanto à gestão da saúde no Brasil, cujas consequências já são perto de 330 mil vítimas fatais;  presidentes das duas casas parlamentares, senador Rodrigo Pacheco(DEM-MG) e deputado Arthur Lira(PP-AL), diferenciam-se, apenas, aparentemente, de Bolsonaro, no trato da saúde em plena pandemia; insensíveis à dor, sofrimento e desesperado do povo, orientaram os congressistas a manterem o piso federal de 2017 em relação ao SUS, determinado pelo Palácio do Planalto; isso representa retirada de R$ 60 bilhões na comparação com o orçamento de 2020; um escândalo no auge da emergência sanitária. “Quem responderá por tanta morte, dor e sofrimento em meio ao SUS com recursos, calculadamente, escassos”, indaga em carta aberta o Conselho Nacional de Saúde(CNS); os co-autores do genocídio são ou não os que aprovaram o novo orçamento, um dos maiores crimes da história do parlamento brasileiro? Em oposição a essa irracionalidade econômica, política e social, Lula prega o auxílio emergencial de R$ 600 , contra os R$250 de Lira e Pacheco, e uma injeção de R$ 500 bilhões na circulação econômica para puxar a demanda global estagnada.

Economicídio neoliberal

Prevaleceu, até o momento, a visão ultraneoliberal bolsonarista comandada pelo ministro Paulo Guedes, em nome do ajuste fiscal a qualquer custo, para atender o mercado financeiro especulativo, enquanto o país se transforma num grande cemitério; o ti-ti-ti no Congresso, como efeito do desastre anunciado, já sinaliza bancarrota do ministro serviçal da banca diante das previsões sombrias, já em processo de materialização, dos epidemiologistas; estes informam que a incapacidade do sistema de saúde de atender os atingidos pela pandemia, que aumentam sem parar e sem controle das autoridades sanitárias, transformadas em bombeiros impotentes, permitirá acúmulo de cadáveres nas portas de hospitais ou mesmo nas ruas por falta de atendimento; mortes que se acumulam em enfermarias, leitos, carentes de equipamentos necessários; corpos poderão, se os números se expandirem, incontrolavelmente, ser, até, arrastados em pás carregadeiras, jogados em cima de caminhões, levados às covas; o Congresso  foi, totalmente, arrastado pela visão monetarista restritiva do Banco Central, que se transformou em maior fonte de destruição econômica, para atender a prioridade número um da economia: pagar juros e amortizações da dívida pública capaz de atender teto de gastos estabelecidos pela PEC 95, imposto pelo golpe neoliberal de 2016, que derrubou governo Dilma.

Negacionismo macroeconômico

A saúde e as mortes são consideradas segundo plano; em plena pandemia, o Congresso legisla a favor dos bancos e contra o povo; primeiro, liberou R$ 1,3 trilhão para a banca socorrer sistema produtivo e proteger empregos; não cumpriu essa tarefa e não foi, até agora, punida; logo em seguida, aprovou remuneração de sobras diárias de caixas dos bancos, transformando-as em depósitos voluntários remunerados pelo BC a juros contratados com os credores da dívida; tal política provoca, pelas leis do mercado, escassez de oferta de dinheiro em circulação e eleva brutalmente a taxa de juro à produção e ao consumo; os juros no cartão de crédito e no cheque especial estão pela hora da morte, respectivamente, 300% e 200%, aproximadamente; a política monetária do governo, portanto, sufoca pequenas e médias empresas, que, sem demanda, não conseguem recolher impostos, derrubando arrecadação e investimentos; agora, monitorado pelo mercado financeiro, o Congresso neoliberal negacionista aprova uma merreca de auxílio emergencial de R$ 250 para mal socorrer cerca de 65 milhões de pessoas socialmente excluídas pela recessão, aprofundada pelo novo coronavírus.

Contramão do mundo

Os congressistas brasileiros, rendidos ao BC, agem na contramão de todos os parlamentos do mundo; nesse momento, a palavra de ordem neoliberal está, por todo lado, indo para a lata de lixo da história econômica; a expansão dos déficits públicos se torna imperativo categórico para combater recessão e pandemia; por isso, mudam as políticas monetárias; nos Estados Unidos, na Europa, Japão, China, Rússia, Ásia, Argentina, onde há rebelião contra FMI e Banco Mundial, passam a predominar teorias monetárias das finanças funcionais, pragmáticas, resolutivas dos impasses produzidos pelas restrições monetaristas neoliberais; o novo consenso global é o de que déficit público não é inflacionário, como insiste BC tupiniquim, se realizado com moeda nacional, emitida pelo governo; dívida pública não se paga, renegocia-se, já dizia, no século 18, Adam Smith, o teórico do livre mercado; isso, somente, ocorre, se o déficit for realizado com moeda estrangeira.

Modelo petista pragmático nacionalista

No Brasil, graças aos governos petistas(2002-2016), registra-se o oposto; há um superávit de reservas externas da ordem de 350 bilhões de dólares, decorrente da política desenvolvimentista tocada por Lula e Dilma, cujas consequências produziram superávit fiscal, mercado interno forte, graças à política salarial distributiva de renda;  no final de 2014, a taxa de desemprego foi da ordem de 4%; em termos capitalistas, tal percentual é considerado pleno emprego; depois do golpe neoliberal de 2016, a situação se inverteu; a taxa média do PIB é inferior a 1,5% e o desemprego supera 14% da população economicamente ativa(PEA); a diretriz errada do capitalismo brasileiro na pandemia fica explícita se comparada, por exemplo, com as recentes decisões do presidente Biden, que, em menos de 3  meses de governo, já expandiu a dívida pública americana em 3,6 trilhões de dólares; o BC americano alinha-se à teoria das finanças funcionais, como faz, também, a China, desde os anos 1990, ao negar diretrizes do Consenso de Washington; por isso, a inflação e os juros despencam; Biden paga, agora, auxílio emergencial de 1,4 mil dólares semanais aos desempregados; a economia, consequentemente, recupera-se, com população seguindo regras sanitárias determinadas pela OMS, com lockdown e isolamentos quando necessário; o mesmo ocorre nos demais países desenvolvidos; no Brasil, porém, com  o BC dominado pelos abutres  especuladores da dívida pública, a economia afunda-se na pandemia; nesse contexto, o contrapolo chamado Lula só expande, com suas propostas sintonizadas com as demandas sociais urgentes; se o Congresso/Planalto demorar em demitir Guedes, o cacife eleitoral lulista subirá feito foguete, principalmente, depois de tomar segunda dose da coronavac, podendo se deslocar pelo país inteiro, espalhando suas já conhecidas ideias e práticas desenvolvimentistas.