Milícia bolsonarista racha Forças Armadas

Jair Bolsonaro e o ministro da Defesa, Fernando Azevedo

Tensão política máxima

A resistência contra transformar portas de quartéis em ponto de concentração política do bolsonarismo militante derrubou o ministro da defesa Fernando Azevedo e Silva; as forças armadas, disse o general, não fugirão de suas funções constitucionais;  ou seja, o ministro não concordou com politização das forças armadas para engajar-se no bolsonarismo que visa conquistar segundo mandato para Bolsonaro em 2022; os bolsonaristas milicianos querem as forças armadas como triunfo para tentar emplacar reeleição; os milicianos, base fundamental do poder bolsonarista, reclamam que os militares, fortalecidos no governo, pelo presidente Bolsonaro, precisam praticar reciprocidade, expressa em alinhamento militar ao projeto político presidencial; Fernando Azevedo e Silva não se engajou no bolsonarismo bonapartista; sem alcançar apoio à unidade das forças armadas, para sua proposição, politicamente, controversa, general renunciou.

Bombeiro contra incêndio

O novo ministro da Defesa, general Braga Netto, alma do governo, no Planalto, coordenará nova unidade no Ministério da Defesa na linha defendida pelas milícias? Fernando Azevedo não conseguiu consenso entre as forças; isso significa que há quem defenda engajamento político das forças armadas objetivando o futuro de Bolsonaro mediante segundo mandato; o preço desse embate, em plena pandemia, ficou caro para Azevedo, contrário ao engajamento político militar no movimento bolsonarista; Braga, novo ministro da Defesa, seria ou não mais flexível em utilizar os quarteis como base de sustentação do bolsonarismo, como defendeum os bolsomínios, para conquistar reeleição em 2022? A nova unidade terá que ser alcançada, portanto, com comandante do Exército, preponderando sobre eventuais divergências com Aeronáutica e Marinha. Historicamente, na hora H, Exército sempre prepondera sobre as duas forças nos embates políticos decisivos; é a afirmação da força terrestre sobre as forças do mar e do ar.

Guerra civil no horizonte?

A militarização cresce, assim na ação emergencial de apagar incêndios dentro das próprias forças armadas diante da radicalidade política crescente dos milicianos bolsonaristas; estes se transformam em poderosos compressores sobre  militares para se comprometerem politicamente com o bolsonarismo; as movimentações milicianas articuladas para ocorrerem no aniversário do golpe de 1964 invertem o papel constitucional das forças armadas; o general Fernando Azevedo renuncia abraçado à Constituição contra o golpe tentado pelas milícias bolsonaristas; a tarefa do general Braga será encontrar meio termo entre forças armadas e milícias, base política bolsonarista sem a qual o presidente não se reelege; se não houver freio à radicalização miliciana, que acaba de rachar as forças armadas, o horizonte de guerra civil poderia ou não pintar como possibilidade? A marginalidade miliciana abala as forças legais e aprofunda crise política; haveria ou não semelhança ao que aconteceu na Colômbia, que culminou com intervenção externa americana contra aliança entre milícia e narcotráfico?