Bolsonaro não seguiu orientação do Exército na pandemia

 (crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Negacionismo calculado

O presidente Bolsonaro desconheceu completamente as orientações do Exército no combate à pandemia, conforme deduz-se de declarações do general Paulo Sérgio, chefe do departamento-geral de pessoal da força, em entrevista ao Correio Braziliense, nesse domingo; desde fevereiro do ano passado, diz ele, o Exército percebeu que o país enfrentaria um dos maiores desafios de saúde do século; os números de mortes e casos que aumentavam rapidamente na Europa alertaram a tropa terrestre mais poderosa da América Latina; ao departamento que dirige foi incumbida missão de aplicar medidas sanitárias, realizar campanhas e proteger o contingente militar da covid-19; além dos militares da ativa, os da reserva e seus dependentes, em torno de 700 mil pessoas, passaram a ser diuturnamente monitorados em 60 unidades de saúde entre hospitais, policlínicas e postos avançados em todo o país; por isso, a taxa de mortalidade, no Exército, pela vírus situou-se em 0,13%, bem abaixo do índice de 2,5% registrado na população em geral do país; por que?

Dois pesos e duas medidas

Trata-se de procedimento inteiramente contrário ao adotado pelo governo federal junto aos 210 milhões de brasileiros e brasileiras; a política de comunicação, dentro do Exército, para conscientização virou, segundo general Paulo Sérgio, obsessão; por que essa estratégia comunicacional não foi adotada por Bolsonaro em relação aos civis, enquanto os militares tiveram tratamento especial, a ponto de registrar resultados tão diferenciados, em prejuízo da população? Dois pesos e duas medidas; as comunicações internas, os protocolos ditados conforme a ciência, expedidos pela Organização Mundial de Saúde, no dia a dia, foram, rigorosamente, obedecidos; as providências do Exército, frente aos ativos e inativos, começaram no momento em que a pandemia começou, ainda, na Europa, no final de 2019; no momento, diz o general, a corporação militar providencia ações visando 3ª onda da covid, como agem os governos nos países europeus e asiáticos, especialmente, China, que se transformou, com a vacina coronavc, referência mundial no combate à pandemia; enquanto isso, no Brasil, o governo Bolsonaro sequer promoveu campanha de conscientização, até o momento; mantem-se, calculadamente, a população ignorante dos efeitos e consequências mortíferas da covid-19 que já matou mais de 310 mil pessoas, derrubando, diariamente, média de 2.000, no momento atual de recidiva do vírus;

Genocídio programado

Trata-se ou não de genocidio programado? Com a terceira onda à vista, não se sabe o que o governo apronta, salvo manter comportamento negacionista, somente, agora, atacado pelas lideranças políticas no Congresso, propensas a autorizar o impeachment do presidente, no compasso de crescente pressão popular; fica claríssimo na entrevista do general Paulo Sérgio que o governo determinou ao general Pazuello, ex-ministro da Saúde, que seguisse comportamento diferenciado do que adota seu colega, como Pazuello, especialista em logística; fica evidente o desconforto de Paulo Sérgio diante das indagações de Renato Souz, repórter do CB, ao questionar por que vigoram orientações diversas entre os dois generais; um, Paulo Sérgio, desconsidera orientações de Bolsonaro, em seu sentido negacionista; o outro, Pazuello, segue o presidente, desobedecendo o comportamento do próprio Exército; por que os generais deixaram a situação catastrófica ir tão longe?

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https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2021/03/4914583-general-paulo-sergio-diz-que-exercito-ja-espera-3—onda-da-covid.html?fbclid=IwAR1ZpHpNMDjrLlxYltjQ8FnR73gBTdoUxJziIEt0gg1zmAotuCM1U-CH94M