7×1: vitória acachapante de Dória em Bolsonaro

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas em pé e terno

Banho de bola político

O governador de São Paulo, João Dória, está por cima da carne seca em relação ao presidente Bolsonaro; o ministro Pazzuelo não deu conta do recado, deverá, nos próximos dias, perder o cargo, já que o presidente jogou no colo dele o fracasso da gestão da Saúde, pulando fora de suas responsabilidades; a decisão bolsonarista de distribuir por todo o país a vacina chinesa, negociada, com bastante antecedência por Dória, é a de quem joga a toalha; vai na garupa de Doria, que está com aquele sorriso aberto, curtindo a vitória política sobre o presidente, que lhe abre as portas para disputa vantajosa com ele na sucessão 2022.
O fato relevante é o seguinte: as vacinas anglo-saxônicas são problemáticas e escassas, conforme denotam os testes; os cientistas e laboratórios ocidentais correm contra o tempo e se sujeitam aos vais-e-vens, diante das agencias estatais que aprovam ou não o produto, para comprá-lo e distribui-lo às populações no mundo inteiro, ansiosas para se vacinarem e se livrarem das ameaças de morte; estas avançam intrepidamente, no Brasil e nos Estados Unidos, principalmente, os dois países cujos presidentes se destacam pelo negacionismo.
Evidentemente, os ingleses e americanos vão, primeiro, atender seu mercado interno; não farão graça para outras praças interessadas em seu produto, enquanto não resolverem seus problemas domésticos, com vacinação; se ficar na dependência dos ingleses e americanos, Bolsonaro estará na mão de calango; o desgaste político será monumental para seu governo; pode até pintar debandada de sua base eleitoral; então, que faz? Corre, agora, atrás dos chineses, com quem tem se desgastado; afinal, são eles que têm o produto em grande quantidade, pois estão abastecendo o mundo, como os epidemiologistas brasileiros têm destacado.

Nas mãos de Jiping

Ou seja, Bolsonaro está na mão de Xi Jiping, e não tem conversa; Dória, empresário esperto, conhecer do mercado de oferta e demanda, correu na frente e acertou sua vida com os chineses; Bolsonaro, lerdo, com seu comportamento negacionista, ficou na dependência da vacina anglo-saxã, que não dá para todos e tem problemas técnicos complicados, que exigem dos clientes adaptações às características peculiares dela; a prioridade dos governos americano e inglês, claro, é para o mercado interno; já pensou se o governo inglês abastece, primeiro, Bolsonaro, para, depois, cuidar do mercado inglês? O primeiro ministro cairia em desgraça, claro. Estaria no sal, tranquilamente; já Dória, mesmo, que não tenha autonomia para dispor de ações amplas, pois essa função não é do governo estadual, mas federal, para atender o mercado interno, ganha a parada de Bolsonaro; todos dirão que Bolsonaro está distribuindo a vacina que Dória acertou com Jiping, que não está nada satisfeito com Bolsonaro; Dória fez opção correta e antecipada; mostrou competência e capacidade de gestão em meio ao mercado mundial em polvorosa para garantir abastecimento do produto, no momento em que a pandemia do corona ganha força com a mutação incontrolável do vírus; Bolsonaro, na verdade, dormiu de toca; quem vai pagar o pato será Pazzuelo, porque a corda arrebenta pelo lado mais fraco; o presidente negacionista vai ter que comprar o produto escolhido, primeiramente, por Dória, para espalhá-lo todo o território nacional, em caráter emergencial; segundo, pagará preço alto, porque foi negligente. O governador paulista pousará de vencedor da corrida por ter feito a melhor opção; Bolsonaro corre contra o tempo e Dória, nesse momento, posa de cavaleiro; a vitória dele sobre o titular do Planalto será acachapante, especialmente, se Jiping conseguir aprovar a Coronavc na Organização Mundial de Saúde; vai faturar barba, cabelo e bigode em cima do capitão presidente incompetente;

Desgaste dos militares

Dória deve estar dando boas risadas; e, claro, o prestigio político dele sobe, na disputa presidencial de 2022; o negacionismo bolsonarista deve cobrar preço político alto do presidente; preferiu se desgastar nas questões ideológicas e minimizou o essencial: o interesse público; agora corre atrás do prejuízo, para comprar a vacina anglo-saxã não da Inglaterra, mas da Índia; Boris Johnson vai, antes de mais nada, atender os ingleses; os brasileiros ficam na fila esperando ver se sobra o produto; e, evidentemente, o titular do Planalto enfrentará mais e mais desgastes políticos; nesse momento, pede desesperadamente pressa aos indianos, para despachar a vacina; já arranca os cabelos e culpa o coitado do Pazzuelo por tudo; como a demanda está infinitamente maior que a oferta, não tem outra saída para Bolsonaro senão esperar na fila; é o que dá não se cuidar do essencial para ficar na politicagem ideológica fundamentalista.