Kátia se entrega ao mercado e trai Ciro Gomes

Senadora Kátia Abreu afirma que seguir como vice de Ciro Gomes é o maior desafio da sua vida - Conexão Tocantins - Portal de Notícias

Privatização do BC

Ciro Gomes deve estar puto dentro das calças com a senadora Katia Abreu. Ele tem dito que se o Congresso aprovasse autonomia formal – porque a informal, claro, já existe – do Banco Central, teria chegado a hora de ir para a rua e quebrar tudo. Seria o fim do país soberano, como tem dito, também, o ex-senador Roberto Requião.
Representaria, segundo ele, a entrega total da economia para os banqueiros, para a Febraban, lobista deles, como denunciou Paulo Guedes.
Kátia Abreu, que disputou eleição com Ciro, indo de Vice, em 2018, estava radiante, ontem, com aprovação da matéria no Senado. Pouco antes, ela havia relatado outro projeto, PL 3877/2020, de autoria do senador Rogério Carvalho(PT-SE), também, de interesse da Febraban, favorável à utilização das sobras diárias de caixas dos bancos, transformando-as em depósitos voluntários no BC, pelos quais receberão juros selic. Eles substituirão as operações compromissadas(trocas de sobras de caixas por títulos da dívida pública), que somam R$ 1,8 trilhão, correspondente a 26% do PIB!!! O governo aumenta sua dívida para proteger a banca, enquanto a economia fica seca de dinheiro, em nome do combate à inflação e do ajuste fiscal em plena pandemia. Ou seja, o contrário do que ocorre no mundo, nesse momento, em que os BCs ordenam os bancos irrigarem a economia para sustentar oferta de emprego etc. Como o BC não tem responsabilidade em relação ao emprego, mas, apenas, em relação à inflação, pouco importa, para ele, o desemprego recorde, desde que o mercado financeiro esteja numa boa.
Seja remunerando os bancos com títulos da dívida, seja com juros selic, o fato é que o dinheiro sai do Tesouro, cujo resultado, no final das contas, é aumento de despesas financeiras públicas. Dívida e déficit. Jamais o mercado, graças ao congelamento de gastos públicos, entra no esforço geral para o controle do déficit fiscal. Ao contrário, com os depósitos voluntários, contribuirão para aumentá-lo e não diminui-lo. Reduziria ele, se jogasse o dinheiro recolhido na circulação capitalista, para dinamizar consumo, produção, emprego, arrecadação, investimentos, isto é, o silogismo capitalista. Como não fará isso, mas, somente, remunerará a banca, tal remuneração jogará dinheiro não na produção, mas na especulação. Os bancos, ao final, comprarão, com o lucro dos juros sobre seus depósitos voluntários, mais títulos etc e tal. Ou não?
Katia Abreu relatou o projeto do petista senador Rogério Carvalho externando extrema satisfação. Disse que esse trabalho foi um dos mais importantes da sua vida parlamentar e, ao concluir, depois de cumprimentar seus pares, agradeceu o economista Cláudio Adilson, um craque do mercado financeiro, considerado gênio das finanças, desde o tempo da ditadura militar, que a ajudou na elaboração do relatório amplamente aprovado. Ela confessou que Adilson ficou por conta dela mais de duas semanas, configurando seu voto que contribuirá não para o desenvolvimento mas para secar ainda mais a liquidez na praça, agravando situação econômica nacional. Voto vendilhão da pátria, aprovado por ampla maioria.
Os consultores do Senado, que recebem salários polpudos para fazer esse trabalho, foram dispensados, pelo que se deduz dos elogios da senadora a um profissional do mercado financeiro especulativo. Não apenas Adilson fez lobby da Febraban, mas assessorou diretamente a parlamentar tocantinense. Kátia enfiou a faca nas costas de Ciro Gomes, com um sorriso exuberante, além de rejeitar destaque que tentaria segurar o BC na sua liberdade de fixar Selic, em nome da liberdade de mercado. Depois de dar seu voto, disse que vivia momento feliz e que, na sequência, haveria a consumação da obra, isto é, da privatização do BC, pelo Senado. “Se Deus quiser”, acrescentou, “vamos aprovar ainda hoje a autonomia do Banco Central”. Que dirá Ciro Gomes sobre sua ex-companheira de chapa eleitoral?