Biden racha Governo Bolsonaro

A vitória de Biden marca uma derrota para Bolsonaro, o "Trump dos trópicos" - ISTOÉ Independente

Presidente perdido

Com a vitória de Biden sobre Trump, nos Estados Unidos, aumenta o cacife político dos ministros desenvolvimentistas do governo Bolsonaro: general Braga, coordenador; Tarcísio de Freitas, Infraestrutura; e Rogério Marinho, Desenvolvimento Regional. Em contraposição, o ultrarradical neoliberal Paulo Guedes entra em quarentena de banho maria, porque sua política, que produz 14 milhões de trabalhadores desempregados, é fracasso total; só se dá bem com ele os banqueiros, cheios de dinheiro em caixa, mas que recusam a emprestar às empresas com medo de calote diante da política pauloguedeseana antidesenvolvimento.
Desencantado, Guedes lamenta não ter conseguido, até agora, realizar nenhuma privatização. Mas quem vai comprar empresa de governo, se o consumo nacional está no chão com o desemprego em alta e o salário em baixa?
Apoiados pelos generais, no Planalto, Freitas e Marinho, mesmo em meio às dificuldades decorrentes da falta de dinheiro, sufocados pelo teto de gastos, tocam projetos de concessões de serviços públicos nos setores de infraestrutura e projetos de desenvolvimento regional em parceira com governadores.
Bolsonaro, nesse cenário, fica de braços cruzados, sem capacidade de agir como estadista.
Com Braga, os três mosqueteiros desenvolvimentistas vão mexendo os pauzinhos, para não deixar morrer o programa Pró-Brasil, fazendo das tripas coração, debaixo do garrote do teto neoliberal de gastos, que coloca a economia em semiparalisia.

Guerra de bastidores

Eles fazem, nos bastidores, frente para romper a ortodoxia defendida por Guedes, em aliança com os banqueiros, que celebram, nesse momento, aprovação, no Senado, da autonomia do Banco Central e da aprovação para transformar suas sobras diárias de caixa em depósitos voluntários, remunerados pela Selic. O dinheiro deles fica parado no BC, enquanto a praça permanece seca de dinheiro, o que favorece seus interesses na manutenção do teto em nome do ajuste fiscal.
Apesar desse garrote antidesenvolvimentista, Freitas e Marinho têm conseguido raspar fundo do taxa de reservas de fundos de desenvolvimento, graças aos assessores militares de Bolsonaro, inerte na disputa entre eles e Paulo Guedes. Mas, não têm ido além disso, por falta de gás político, no Executivo e no Legislativo.

Sem esperança

Já, Guedes está no pau da goiaba. Não se entende com o Congresso, para articular orçamento para o próximo ano, insiste em reduzir auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300, o que aprofunda a recessão, não consegue convencer bancos a emprestar às empresas sufocadas para pagar 13º e os empresários em geral deixaram de alimentar esperança em relação a ele. Não tem capacidade de tocar reforma tributária e só pensa em reforma administrativa para matar servidor, colocando granada no bolso deles.
Para piorar, a derrota de Trump para Biden cria discurso oposto ao que Guedes pratica. O presidente eleito promete irrigar a circulação capitalista global para alavancar indústria e comércio, nos Estados Unidos. Fará tudo para aguentar competir com os chineses. Nova estratégia democrata favorece, portanto, Marinho, Braga e Freitas, deixando Guedes de saia justa, para continuar discurso do qual todos estão fugindo, Congresso, empresários e trabalhadores. Bolsonaro, que aprofunda sua própria desmoralização, sem saber se decide ou não telefonar para Biden, desgrudando, de vez, de Trump, está perdido. Sente que com o Posto Ipiranga por perto se lasca. Está inseguro e não tem certeza de que será bem recebido pelo novo representante de Tio Sam na Casa Branca.
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