Orçamento de guerra continua contra teto de gastos

Congresso promulga emenda do Orçamento de GuerraPandemia impõe nova ordem

Deu o jeitinho brasileiro. O aprendizado começou com a decisão dos congressistas de aprovarem o auxílio emergencial de R$ 600 para enfrentar os estragos econômicos e sociais aprofundados pela Covid-19. Chegaram a um acordo segundo o qual pode-se gastar além do teto para enfrentar a emergência pandêmica. Combinaram prazo para vigência desse orçamento emergencial até dezembro. Ocorre, que a pandemia não foi embora e não marcou dia nem hora de partir. Pelo contrário, há perigos de retrocesso. Vários países cuidam de reforçar medidas preventivas. Bairros inteiros de grandes cidades estão em lockdowon. Não há segurança de nada, por enquanto, e a vacina não está disponível. Fazer o que, então?

Diante dessa situação, suspender as medidas emergenciais em nome do ajuste fiscal pregado pelos neoliberais representa completa insanidade. O que articulam os congressistas, mais uma vez? Estica a vigência do Orçamento de Guerra contra a covid! Solução natural. Ou seja, o teto de gastos deixa de valer enquanto durar a pandemia. E pode ser que tal orientação seguirá no pós pandemia, porque as consequências economicamente destrutivas desse momento histórico não serão removidas de uma hora prá outra. Calcula-se que somente depois de 2023 a vida no mundo volta ao normal.

Mas que normal? O de antes ou o de depois da pandemia? Incerteza total. O neoliberalismo, diante desse cenário, arriou-se, porque suas determinações se tornam incompatíveis com a realidade dos povos. Veja o que acaba de acontecer nos Estados Unidos. O presidente Trump, que está infectado, tentou uma manobra para agradar os neoliberais, cortando o auxílio emergencial, como se a experiência traumática tivesse passado. Os seus adversários revigoraram o discurso em favor da continuidade do auxílio e o eleitorado gostou. Trump, sem opção, teve que voltar atrás.

Nesse momento, Bolsonaro está sob as mesmas pressões. O mercado financeiro prega fim o auxílio de R$ 600, concorda-discorda, assim-assim, com um de R$ 300, mas essa alternativa está sendo duramente rechaçada pela oposição que defende continuidade do auxílio que ela propôs e foi aprovado, gerando outra expectativa. Bolsonaro levou os louros dessa providência parlamentar e sonha que levantando essa bandeira terá garantida sua reeleição em 2022. O adversário dele é Guedes e os banqueiros da Faria Lima paulista, sob argumento de que não se pode furar o teto.

Porém, a reação da nova base de apoio bolsonarista, o Centrão, está fechando-se, mais uma vez, com a oposição, agora, em torno do orçamento de guerra, o jeitinho para romper o teto que Guedes e o mercado insistem em manter a qualquer custo, mesmo que a economia caia em buraco profundo. Essa é a nova frente de luta na guerra contra o neoliberalismo, que o Papa Francisco acaba de declarar-se, levantando contra esse inimigo da humanidade, a arma da poesia de Vinícius de Moraes, com o Samba da Benção.

À benção, Vinícius; à benção, Francisco