Maia-Guedes fortalece Lula e enfraquece Bolsonaro

Bolsonaro versus Lula, um pesadelo sem fim - ISTOÉ Independente

Auxílio Emergencial na guerra eleitoral

Os banqueiros serão os mais beneficiados com supressão do Auxílio Emergencial que Maia e Guedes patrocinam. Fortalecem Lula e fragilizam Bolsonaro para disputa eleitoral em 2022. Quem, repentinamente, uniu o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia(DEM-RJ) e o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, depois da desunião que os dividiu? É só perguntar quem está contra manutenção do Auxílio Emergencial, aprovado pelo Congresso, graças à união do Centrão e da esquerda. Sim, justamente, o mercado financeiro. Ele discorda frontalmente dos R$ 600.Sem essa grana, não teria sido possível enfrentar a pandemia de desempregos/fome e bancarrota empresarial que se encavalou na relação crise neoliberal + covid-19. Os cálculos dos neoliberais da bancocracia os deixaram alarmados: se fosse necessário distribuir os R$ 600 para 65 milhões de pessoas, conferindo desembolso de R$ 39 bi/mês e R$ 468 bi/ano, caso permanecesse indefinidamente o caos econômico decorrente da nova situação emergencial – algo não descartável – , os banqueiros iriam perder.Não seria mais possível sustentar o teto de gasto neoliberal que assegura, desde o golpe de 2016, 45% do total do Orçamento Geral da União em gastos financeiros, para eles, às custas do congelamento dos gastos não-financeiros correspondentes aos 65% do restante do OGU. O Auxílio Emergencial representou pé do povo no orçamento que o congelamento neoliberal tirou. A banca, portanto, pressiona pela antecipação do fim da pandemia, para garantir sua parte do leão no orçamento. da União. A redução do Auxílio Emergencial de R$ 600 para R$ 300 ainda obriga, para atender 65 milhões dos socialmente excluídos, R$ 19,5 bilhões/mês ou R$ 234 bi/ano.

Gasto ou investimento?

Seria gasto jogado fora? De jeito nenhum. A realidade demonstrou o contrário: o Auxílio, em vez de se mostrar gasto, se revelou investimento. A economia, com ele, reagiu, fortemente, a ponto de provocar desabastecimento. A arrecadação tributária aumentou e investimentos que o governo toca em infraestrutura, como estradas e ferrovias, receberam aportes de capital, como anunciam Ministério do Desenvolvimento. Mais dinheiro na circulação capitalista reduziu expectativas de tombo do PIB estimado em mais de 10%, antes do Auxílio Emergencial.
Desse modo, mantido o chamado Orçamento de Guerra, aprovado pelos congressistas, que permite suspensão do teto de gasto, para enfrentar a pandemia, que, ainda, está aí, como ameaça, como se comprovam fatos mundo à fora, haveria natural redução dos gastos financeiros – juros e amortizações da dívida – em favor do aumento dos gastos não-financeiros, os que geram renda disponível para o consumo, como ficou provado com a liberação e circulação do dinheiro do Auxílio Emergencial.

Luta de classes acirrada

Está em cena, portanto, encarniçada luta de classes entre os rentistas e a população desempregada, à qual o orçamento de guerra assiste, como forma de protegê-la da morte. Defendem a banca, de forma explícita, nesse momento, Rodrigo Maia e Paulo Guedes. Há poucos dias, ambos estavam de relações cortadas. Mas, essa controvérsia entre eles foi superada por razões superiores, dadas pelo interesse do mercado financeiro que representam.
O presidente Bolsonaro está no fio da navalha, especialmente, depois da semana que passou, em que seu governo foi duramente manchado por corrupção praticada por aliados, como o caso do dinheiro na cueca do senador Rodrigues, do DEM. O Centrão e a oposição, estão contra redução dos R$ 600 para R$ 300. Se for suprimido o Auxílio, como querem Rodrigo, Guedes e seus superiores, os banqueiros, os aliados do presidente perderão apoio e os votos nas eleições municipais, com vista à eleição de 2022. Ou seja, a reeleição de Bolsonaro vai para o sal. Quem ganha com isso é Lula, potencial candidato petista, se ficar livre da condenação, no STF. O ex-presidente se aferra na defesa dos R$ 600, bem acima das verbas para o Bolsa Família, garantido no orçamento de 2021. É a guerra que se intensificará na semana que se inicia.

Quando se canta todo mundo bole