Financeirização neoliberal traz FMI de volta ao Brasil

Bolsonaro diz que 'casamento' com o ministro Paulo Guedes está 'mais forte que nunca' - Jornal O GloboÀ beira do abismo

O relatório do FMI e a sua divulgação de forma extemporânea em meio ao caos fiscal e financeiro em que vive o país demonstra que Washington está fazendo intervenção mais direta na economia brasileira, coisa que havia deixado de existir na Era Petista, com Lula e Dilma. Mas, o FMI emite sinais contraditórios. Diz que é preciso aprofundar as reformas e alerta para teto de gastos. Defende novos investimentos, mas sabe que isso é só possível, se furar o teto com o qual Bolsonaro e o Centrão concordam.

O problema é que nem o FMI está seguro de seu diagnóstico e de suas recomendações sempre manipuladas por Washington. Na financeirização, o governo perde o rumo, não governa, é governado pelo mercado. O Centrão tem poder de governar o mercado? O aumento da dívida sai de controle do governo na financeirização. O crescimento da dívida ocorre endogenamente, descolado da realidade. O sistema financeiro montou o seu sistema da dívida. Ela se valoriza especulativamente à revelia da realidade.

Governo não governa, é governado

Na financeirização, a valorização do capital independe da economia real. Os títulos da dívida pública estão sujeitos às incertezas impostas pela financeirização. Não há soberania do governo sobre a política econômica no cenário da financeirização. O FMI está aqui agora para acompanhar possível estouro financeiro do Brasil na pandemia.

O país está na armadilha da dívida e a receita do FMI é a mesma de sempre: desestatização, corte de gastos, desburocratização, abertura da conta de capital, livre mercado, estado enxuto, eficiente, barato etc e tal. Portas abertas com reforma administrativa neoliberal que vem por aí, para facilitar negócios diretos entre os oligopólios e o Estado.

Como a pandemia não está sob controle e possível retrocesso pode agravar, a recomendação em favor de aprofundar reformas, como faz o FMI, aumenta divisão interna e politiza a dívida. O FMI bate de frente com a nova base política de Bolsonaro, com o Centrão. O receituário ortodoxo de Washington é veneno político para o Centrão, novo aliado de Bolsonaro. Não ganha eleição. Por isso, não para conspiração contra o teto de gastos no Congresso, apesar das aparências de neutralidade da maioria diante do assunto.

Guerra à Constituição

O FMI prega, abertamente, ataque à Constituição de 1988, que acaba de fazer aniversário, 32 anos, idade de Cristo, condenada à crucificação pelas reformas: desindexação, desvinculação, desconstitucionalização, como já aconteceu com as reformas trabalhista e da previdência. A próxima será reforma administrativa, que pretende detonar direitos dos servidores à estabilidade funcional em nome de redução de gastos. Objetivo central:  escancarar o Estado às negociatas sem fiscalização do servidor protegido pela estabilidade do emprego.

Discute-se o acessório, os gastos salariais dos servidores, e deixa a boiada passar: o sucateamento final do Estado. O Centrão, que, nesse caos, tenta levar Bolsonaro para o centro, vai concordar com o receituario de Washington, que não ganha eleição? Esse é o projeto do BIRD e do FMI. São os velhos patrões que chegam para implantar agora o estado neoliberal brasileiro. O poder de plantão, sem a estabilidade funcional, deita e rola. Ergue-se o Estado amoral.

A magia carioca-mineira