Teto de gastos pressiona inflação e Guedes balança

Guedes sobre crítica de Bolsonaro ao Renda Brasil: 'Ele é quem decide' - Notícias - BOLInflação joga Bolsonaro contra Guedes

O presidente Bolsonaro já está dando uma de Sarney dos anos 1980, apavorado com a inflação, decorrente, principalmente, da alta dos preços dos alimentos consumidos pelos mais pobres: arroz, feijão, macarrão etc – ou seja, produtos da cesta básica dos trabalhadores, sobre os quais recaem impostos indiretos altíssimos. Como sempre, são os de baixo de sustentam os de cima.
Mas, como diz muito bem o economista José Carlos de Assis, a produção está parada ou andando a passos de cágado desde imposição do teto de gastos, previsto para durar 20 anos, com o golpe neoliberal de 2016 que derrubou Dilma Rousseff. De 2016 a 2020, o PIB anual não superou 1,5%. Com a pandemia do novo coronavírus, tudo piorou. Esse ano, PIB sofre tombo de 8%, 9%, conforme os mais pessimistas, ou 5%, 6%, os mais otimistas. No segundo trimestre, desabou 9,7%.
Na era ultraneoliberal golpista, com o teto, o consumo interno desabou, reduziram-se à casa dos 10% os investimentos, insuficientes, em todos os sentidos, para garantir sustentabilidade. A desigualdade social se aprofundou, barbaramente, com a nova política salarial, que, praticamente, destruiu o salário mínimo.
Antes reajustado pela inflação mais crescimento do PIB nos dois anos anteriores, o mínimo agora está regrado pelo negociado no lugar do legislado. Como a oferta de trabalho é inferior à demanda dos trabalhadores, os preços caem. O neoliberalismo tupiniquim alcançou o pleno emprego. Só não trabalha quem não quer, desde que se disponha a pagar para trabalhar.

Investimento cai com queda de consumo

O teto de gastos sociais representou ducha de água fria nos investidores, que suspenderam seus negócios por aqui, enquanto promoveram fuga de capitais, quanto maior foi se ampliando a desigualdade social. A estratégia ultraneoliberal de Guedes de acelerar privatizações, especialmente, de energia, gás, petróleo etc, atuou como fator de inibição adicional de novos investimentos. A Petrobrás, com Guedes, está sufocada e não elaborou mais planos de desenvolvimentos quinquenais, cuja função era a de organizar a vida empresarial e industrial no país, com base na grande demanda da estatal, motor do crescimento nacional. Caíram, os investimentos e, com isso, arrecadações tributárias.
O resultado foi esgotamento financeiro de Estados e Municípios, por sua vez, estrangulados pela Lei Kandir, que isenta de ICMS exportações de produtos primários e semielaborados, inviabilizando, consequentemente, industrialização regional, criação de novos empregos etc.

R$ 600 ou desastre

O teto de gastos, em nome do ajuste fiscal a qualquer preço, destroçou a economia, que, na pandemia, caiu de quatro. Só começou a andar, tropeçando nas pernas, nos dois últimos 2 meses, com o Auxílio Emergencial de R$ 600, aprovado pelo Congresso. Não fosse essa providência, da qual o governo Bolsonaro estava fugindo, justamente, para sustentar, em plena pandemia, o aprofundamento da miséria social, o país poderia estar em guerra civil, bombeada pela fome e desespero populares, em meio aos quase 130 mil mortos.
A liberação dos R$ 600 jogou na circulação cerca de R$ 120 bilhões e o mercado, com isso, respirou. No segundo trimestre, o PIB só não caiu 20%, por conta desse Auxílio, que, agora, Guedes/Bolsonaro corta para R$ 300, enquanto libera para o sistema financeiro mais de R$ 1,5 trilhão, para salvá-lo do acúmulo de dívida podre que acumulou com emergência do novo coronavírus.
Os preços do arroz e do feijão saíram de controle por conta dos R$ 600, com aumento do consumo dos mais pobres que, como se vê, faz a alegria dos nobres. Nesse momento, já há desabastecimento desses produtos, que produz inflação e alarma Bolsonaro, pedindo patriotismo aos empresários.

Neoliberalismo: coisa de louco

Para superar essa situação, o jeito é injetar dinheiro no mercado represado pelo teto de gastos, que vai se tornando causa principal da retomada inflacionária. As empresas necessitam urgente de capital de giro para produzirem e aumentarem a oferta. Caso contrário, a inflação ganha velocidade e o castelo de cartas bolsonarista, expresso em pesquisas de opinião que eleva popularidade, desaba.
Em setembro, vence prazo de suspensão de pagamento de impostos, fundos de garantia etc autorizados pelo Congresso para as empresas poderem sobreviver nesse período. Como o socorro financeiro emergencial, especialmente, para as micro e pequenas empresas, foi insuficiente, se não esticar moratória por longo prazo, a situação fica insustentável, como admite o ex-secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, crítico da reforma tributária que Paulo Guedes encaminhou ao Congresso, totalmente, despropositada, segundo ele.
No momento em que o País passa pela sua maior crise, em vez de o governo alavancar a economia, freia ela com aumento de imposto, como é o caso da combinação de PIS e COFINS, para criar a tal CBS, subindo-a de 3% para 12%. Mais pressão de custos que resultará em inflação sem que se fomente a produção. Neoliberalismo é coisa de louco.