Requião prega Lula-Getúlio para Reconstrução Nacional

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Novo Grito do Ipiranga

O lance político mais ousado que ocorreu no lançamento do Programa de Reconstrução Nacional lançado pelo PT foi dado pelo senador Roberto Requião. Ele, como convidado de honra do PT para lançamento do programa, ousou: o Partido dos Trabalhadores deve pedir a Petrobrás de volta para o povo brasileiro. Assumir o discurso de Getúlio com Lula e levantar o País contra neoliberalismo. Os neoliberais simplesmente estão roubando a Petrobrás do povo, ao desmonta-la como organismo econômico vivo do desenvolvimento nacional. Ela é o instrumento de agregação da nação no plano econômico, político, social e cultural que levou o Brasil a ser a oitava economia mundial. Antes da Petrobrás, o Brasil era uma grande fazenda de café. Getúlio Vargas criou a empresa e mudou a cara do Brasil perante o mundo. De fazenda a país industrializado, competidor internacional. Requião considera que a entrega, de bandeja, da Petrobrás para investidores externos, representa apropriação indébita de patrimônio da população. O STF, numa das mais horripiltantes e antinacionalistas decisões da história autorizou venda/esquartejamento da Petrobras e desabilitou o Congresso de exercitar soberania nacional, aprovando ou rejeitando, em plenário, a venda da mais importante estatal da América do Sul e do Brasil. Crime de lesa pátria.

Fio da história

No Senado, Requião, desde então, pede o reembolso em favor do povo do patrimônio que considera roubado. As manobras econômicas, monetárias e jurídicas, que se somaram às condenações judiciais, conduzidas pela Lavajato, em trabalho de parceria com a justiça americana, representaram o golpe perfeito na Petrobras. Hoje o governo Continua sendo sócio majoritário, mas a maioria das ações está com os acionistas privados. A ordem é vender o conjunto que vai do poço ao posto – extração, produção, refino e distribuição – por partes, até completar desnacionalização da estatal petrolífera. O resgate desse patrimônio é a pregação de Requião como parte fundamental do programa de reconstrução nacional. Sem a geração de riqueza capaz de acumular capital para o desenvolvimento nacional, a Petrobras não é Petrobras. É mera ficção. O ex-senador do PMDB do Paraná coloca o PT, com essa proposta, diante de uma posição de vanguarda política capaz de mobilizar a sociedade, em reação ao assalto à riqueza popular sem a qual não haverá soberania nacional. Requião quer Lula repetindo Getúlio.

Nacionalismo x neoliberalismo

Suspender a privatização e reestatizar o que foi privatizado, como prioridade, é, para Requião, o novo Grito do Ipiranga. Getúlio criou. Lula, se for candidato, ressuscitaria, na íntegra, o patrimônio getulista, como novo grito nacionalista. O fato é que a Petrobras representa patrimônio tangível e intangível. Está entranhada na alma popular. A campanha do Petróleo é Nosso mexeu com a Nação. Os neoliberais estão dando de bandeja o patrimônio popular erguido pelo presidente nacionalista que se suicidou para salvá-lo. O gesto de Requião impactou a esquerda que precisa de discurso forte para mobilizar, física e emocionalmente, a população, de cabeça baixa, sem autoestima, aparente, para se reanimar. Há outro discurso mais forte do que a Petrobrás é Nossa, junto com a Amazônia é Nossa, para a esquerda levantar a autoestima nacional? Requião repete o mesmo discurso que fez em novembro de 2017, conclamando a unidade nacionalista Getulista-Lulista, para levantar o Brasil contra o neoliberalismo e a financeirização econômica colonial em curso.

Gegê em Buenos Aires