Lula-Assange, uma só causa: luta antiimperialista

Lula: Assange é um herói do seu tempo - Diário do Meio do Mundo - DMMO rei está nu

Julian Assange violou a regra do reino: contou os segredos do rei, apontou os crimes, conheceu os personagens, as provas e as mentiras que estão no reinado do poder americano, o mais forte da terra. Tudo hamletiano. Por ele, ficamos sabendo que o vice-presidente Temer, que encabeçou o golpe de 2016, atuou como homem da CIA. Deu em Wikileaks, fundado por Assange, como associação internacional de colaboradores na tarefa de arregimentar informações estratégicas para interesses da humanidade e aqueles que violam seus interesses. A causa de Assange é a de desvendar a podridão dos impérios, nas suas mobilizações para guerras de rapinas coloniais, como a que o Brasil está sofrendo nesse momento pelos capitalistas financeiros, transformado em colônia financeira. Para que chegasse a essa situação, teve que aplicar espionagem e outras armas comuns à desestabilização democrática etc. O FBI o elegeu inimigo número um dos Estados Unidos, acusando-o de mobilizar hacker para violar computadores, espionando tudo etc e tal, e entregando para os inimigos dos americanos.

As relações internas dentro do reino e as externas entre o reino e as colônias são inevitavelmente marcadas pela desconfiança e espionagem. Assange ficou muito caro para o império americano para continuar sobrevivendo, pois detém informações estratégicas que violam a estabilidade imperial, se vierem a público. O imperador quer pegá-lo, onde estiver, e calá-lo para sempre. Assange deixou o rei nu no palco. Para tentar destruí-lo, depois de preso em embaixada do Equador, em Londres, inventaram mentiras e mais mentiras. É  vítima do lawfare, fofoca construída pelo reino para destruir o alvo a ser atingido por mentiras sistemáticas. Montam-se inquéritos, processos e tramitações jurídicas determinadas pela vontade do império.

Império implacável

Quem estiver com Assange tem que agir para atender a demanda dos Estados Unidos, implacáveis contra o crime que o Estado americano imperialista julga inapelável. Rafael Correa, ex-presidente equatoriano resistiu à ordem do Império para entregar Assange, na embaixada londrina. Hoje, Rafael Correa está com ordem de prisão de oito anos por crime inexistente. Recusou em obediência à soberania nacional equatoriana quanto às suas políticas internacionais. Não poderá, por isso, disputar eleições no Equador. Agora sob controle da Inglaterra, Assange enfrenta os julgamentos jurídicos colocados sob suspeitas pelos principais juízes e tribunais do mundo.Se for pego por Washington, ficará preso por 175. Ou seja, pena de morte. Quem vai viver 175 anos para se ver livre algum dia no final da vida?

Lula, o morto vivo

Lula foi o primeiro presidente que, em 2010, reconheceu o direito de Assange de exercitar livre divulgação de informações. Considerou-o cerceado, censurado, com liberdade ameaçada. Passa, agora, na cabeça de Lula, claro, que sua situação atual é semelhante a de Assange. Perseguido em seu próprio país por processos arranjados por Sérgio Moro, a exemplo dos processos que outros Sérgios Moros, arregimentados pelo Império, preparam para cercear o próprio Assange.

Como em seu discurso no Dia 7 de Setembro, Lula tem consciência de que sua condenação esconde o propósito imperialista de removê-lo como personagem resistente à estratégia imperial de recolonizar o Brasil, sucateando seu patrimônio para ser especulado no processo de financeirização econômica global em marcha. Calar Lula e perseguir seus advogados, como ocorre, nesse momento, com determinações judiciais de busca e apreensões em seus escritos, está dentro do roteiro do Império. Os imperialistas contam com seus sócios internos na colônia para não dar nenhum repercussão às declarações e pronunciamentos do ex-presidente. Transformaram-no em um morto vivo. Seu espaço existe apenas nas redes sociais de resistência democrática. Mais do que nunca vigora, contra Lula, ditadura midiática.

Colônia financeira

Depois de 2016, acelerou-se a especulação financeira sobre os ativos nacionais. O esquartejamento da Petrobrás e da Eletrobrás é isso aí. O capital financeiro não tem limite para realizar o seu lucro, transformando ativos dos devedores , na periferia, em liquidez para realização da riqueza acumulada pelo capital fictício. É a lógica colocada em prática para vender as estatais e o ensino nacional para poucos grupos oligopolizados no comando de fundos financeiros internacionais predadores.

A perseguição a Lula, de acordo com a lógica de ação do capital especulativo, que desarticula riquezas tangíveis para transformá-las em intangíveis, abstratas, fictícias, é necessária. Ela paralisa-abala resistência contra a política do capital, que submete a sua ordem os governos controlando sua dívida pública convertida em títulos nas mãos dos especuladores. Assange mostrou os personagens da maquinação financeira internacional. Lula é a vítima dessa maquinação. Os dois são vítimas de um só inimigo, porque suas causas são comuns.