Mercado pressiona Bolsonaro abandonar agenda de Lula

Banca pressiona líderes do Congresso a reverter tentativa de Bolsonaro de suprimir teto neoliberal de gastos para garantir programas desenvolvimentistas como PRO BRASIL e RENDA BRASIL, de perfis petistas, antineoliberais.

Guedes resiste 

O mercado financeiro especulativo se alarmou com a possibilidade de o TETO NEOLIBERAL de gastos públicos ir para o espaço por pressão da ala desenvolvimentista no Planalto apoiada pelos militares.

Na prática, os generais estão interessados na agenda Dilma do PAC concebida pelos petistas à qual tentam atrair Bolsonaro, para garantir reeleição.

Essa possibilidade é algo improvável, se o presidente continuar avalizando a agenda neoliberal de Paulo Guedes, cujas consequências, agravadas pelo novo coronavírus, são desemprego, fome e miséria incontroláveis.

Para conter a demanda dos generais, o mercado pressionou os presidentes da Câmara e do Senado a apoiarem Paulo Guedes contra a tendência populista de direita bolsonarista.

Ao lado da ressurreição dilmista, pregada pelos ministros Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura, Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, e do general Braga Neto, coordenador do PROGRAMA PRÓ BRASIL, de perfil desenvolvimentia-petista, tem-se, ainda, a ressurreição lulista.

O lulismo se expressaria no desejo de Bolsonaro de apropriar-se do BOLSA FAMÍLIA, com nova denominação: RENDA BRASIL.

O titular do Planalto está seduzido por essa ideia, a partir dos efeitos políticos produzidos pelo Auxílio Emergencial de R$ 600, aprovado pelo Congresso, para enfrentar a pandemia.

O prestígio dele deu uma empinada no território petista do Nordeste.

Quem vai pagar a conta?

O problema é que tudo isso – o PAC dilmista, transmutado em PRÓ BRASIL, e o RENDA BRASIL, repeteco do BOLSA FAMÍLIA – custa dinheiro.

Onde pegar a grana?

De duas uma: ou se faz uma expansão monetária, como a que foi feita para salvar os bancos da bancarrota produzida pelo coronavírus, ou fura-se o TETO DE GASTOS, para garantir tanto o RENDA BRASIL como PRÓ BRASIL.

O mercado resiste à tentativa da expansão monetária, para propósitos desenvolvimentistas, colocando o Banco Central para capitalizar RENDA BRASIL e PRÓ BRASIL.

O pessoal da financeirização econômica resiste à expansão do déficit que não seja para garantir riqueza financeira abstrata por meio do Banco Central, operando troca de títulos públicos por títulos privados que apodreceram com emergência da Covid-19.

Na prática, com a pandemia, ocorreu versão tupiniquim do EXPANSIVE EISE salvacionista da banca, como rolou, logo após o crash de 2008, quando os bancos centrais trocaram títulos de dívida pública por títulos privados desvalorizados apodrecidos.

Fizeram isso para garantir riqueza fictícia, abstrata, especulativa, com o descolamento de capital dos setores de bens e serviços, que haviam despencado, para se reproduzir na financeirização econômica.

Nova política monetária

Entrou em cena aí novo modelo monetário, o que os economistas chamam de MMT – Moderna Política Monetária, cuja premissa teórica é a de que o Estado não tem limite para gastar para garantir pleno emprego.

Esse é o novo instrumento que garante expansão da riqueza abstrata especulativa.

Desde então, o papel dos BCs mudou.

Eles deixaram de ser, prioritariamente, guardiães da moeda, na tarefa de controlar inflação, por meio de metas inflacionárias etc, para garantir expansão da riqueza fictícia, à custa da dívida pública, como destacam os professores Luiz Gonzaga Belluzzo e Ricardo Carneiro, da Unicamp.

Eis aí o EXPANSIVE EISE tupiniquim engendrada na pandemia do novo coronavírus.

Expansive Eise Social

Mutatis mutantis, daria para engendrar, também, um EXPANSIVE EISE para alavancar, além da riqueza fictícia, gastos desenvolvimentistas em infraestrutura, como PRÓ BRASIL e RENDA BRASIL, como desejam Bolsonaro e os generais que lhe dão sustentação?

Essa é a batalha que vai se desenrolar de agora em diante, com o Congresso voltado para as eleições municipais, em novembro, e a presidencial, em 2022.

A reação forte do mercado abalou Bolsonaro que se viu obrigado a recuar, momentaneamente, diante da aliança que se formou entre os presidentes da Câmara e do Senado, para apoiar Guedes contra ele.

O governo rachou entre suas próprias forças.

A oposição, que reforça programa desenvolvimentista, apoiado na supressão do TETO DE GASTOS e na proposição de reforma tributária distributiva de renda, tenta atrair para si os descontentes governistas.

Se conseguir ganha espaço para combater o neoliberalismo abalado pela crise econômica intensificada pelo COVID-19 e seus mais de 105 mil mortos.

Cultura da resistência