Guerra fria em Brasilia: Lula apoia China e bate nos EUA

Reflexos no espelho - 22/08/2018 - Ruy Castro - Folha

Conflito diplomático

Lula deu sarrafada diplomática no embaixador americano, Todd Chapman, que alertou Bolsonaro que os Estados Unidos não aceitarão opção brasileira pelo 5G, plataforma tecnológica chinesa que coloca chineses à frente de Tio Sam no cenário econômico e financeiro internacional.  Abriu-se imediata crise diplomática. O embaixador Yang Wanming, da China, rebateu que não aceitará pressões de Washington, disposto a barrar Huawei, no Brasil. Bolsonaro não deu um pio em resposta ao pito imperial do embaixador de Washington. Assiste em silêncio a maior disputa diplomática que se realiza na capital brasileira relativamente às divergências entre as duas potências. O comportamento de Bolsonaro demonstra a vassalagem brasileira aos americanos ao não responder à altura a imposição do representante dos Estados Unidos em território nacional.

Na prática, os Estados Unidos estão proibindo o governo brasileiro de fazer opção pelo que melhor atende os interesses brasileiros no campo científico e tecnológico. A atitude de Bolsonaro foi de antipresidente antibrasileiro, enquanto a de Lula foi de estadista em defesa dda soberania nacional. O reflexo político dos posicionamentos de ambos no cenário nacional e internacional será alvo de debates na sociedade. Evidencia-se necessidade dela de escolher entre a vassalagem bolsonarista ou a independência lulista, no trato com os americanos, de agora em diante.

Medo de competir

A polarização Lula x EUA/Bolsonaro sobre o 5G envolve a população como um todo diante do interesse social de sintonizar-se com os desafios da tecnologia e sua utilização prática. O comércio, a indústria, a agriculta, os serviços e os sistemas bancários, no ambiente 5G, ganharão maior velocidade e interatividade na cena nacional e internacional. Quem tiver a melhor tecnologia e o melhor preço estará melhor posicionado no mercado global concorrencial. A reação do embaixador Todd é a de quem está com medo da concorrência e a favor do domínio do mercado pela imposição política imperialista americana.

Como não terão poder de competição com os chineses, os americanos ameaçam com golpes. Os empresários americanos, como Trump, atuam, cada vez mais, extrovertidamente, no ambiente sul-americano, com propensão imperial. Na Bolívia Elon Musk, empresário e financista em Wall Street, vangloriou-se de participar do golpe que derrubou Evo Morales, para apropriar-se da exploração do lítio boliviano. Não haverá tecnologia da informação sem o lítio que serve à fabricação de celulares. Dominar essa fonte de abastecimento é prioridade para o império, assim como resguardar o mercado de 200 milhões de consumidores brasileiros para as empresas americanas, e não para as chineses e seu 5G.

Guerra total na pandemia do coronavírus

A guerra diplomática que se trava em Brasilia, colocando América do Sul sob ataque dos Estados Unidos, para que sul-americanos não se aproximem da China, é pura intervenção imperialista. Ela ocorre brutalmente no contexto da pandemia, na qual os chineses, também, se mostram à frente dos americanos, na preparação da vacina contra a Covid.

China e Rússia se adiantam e aceleram relações na América do Sul. Os embaixadores americanos no continente sulamericano reagem em uníssono em favor das empresas americanas para tentar deter o avanço chinês. Trump impõe jogo duro para fazer da China sparring dos EUA, para faturar campanha eleitoral. Lula, nesse momento,  se agigantou com líder sul-americano, enquanto Bolsonaro se mostra antipresidente que engole, sem saliva, de quatro, o sapão Trump.

Miami com Copacabana