Reforma ou revolução. Pandemia renova dilema histórico

Veja gráfico com evolução de casos da Covid-19 por região, no DF ...

Nova moral internacional

O assunto do momento na economia mundial é a mudança da política monetária que remove restrição do Estado para gastar de modo a salvar vidas.

Desse modo, garante renda ao trabalhador para ficar em casa protegido do novo coronavírus.

Trata-se, sobretudo, de questão moral.

Ela confere nova personalidade ao Estado, por meio da nova economia monetária, emergente pela pandemia, que nasce no exterior da realidade objetiva contra a qual os governos não têm poder imediato para determina-la.

O que resta ao Estado fazer, para amenizar as mortes, é, como única variável econômica, verdadeiramente, independente, no capitalismo, fazer dívida para girar a economia.

Ao lançar dinheiro em circulação, cria renda, consumo, produção, arrecadação e investimentos.

O Estado, como diz Hegel, sopra no papel a criação da sua própria alma, cuja representação passa a ser o dinheiro.

Mas, o Estado é uma abstração.

Ele somente existe pelo direcionamento que lhe dá o ser humano no contexto da realidade social onde a essência é a luta de classes.

Assim, historicamente, o dinheiro é criado por quem comanda o Estado, no contexto do desenvolvimento das relações econômicas e sociais.

Como diz Marx, o Estado é o comitê executivo da burguesia industrial e financeira, que ela comanda a partir do parlamento burguês.

Estado popular

Mas, no desenvolvimento da luta de classes, com a correlação de forças política mudando, no correr do tempo histórico, chega o momento em que o Estado, na democracia, é transferido às mãos dos trabalhadores, como na social democracia.

A partir daí, graças à luta de classes, o poder de emitir o dinheiro deixa de ser atribuição histórica dos representantes da burguesia e passa ser dos representantes dos trabalhadores, se estiverem, solidamente, organizados, nos sindicatos e nos parlamentos.

Essa virada histórica empodera as classes trabalhadoras, com aumento de seus direitos e conquistas sociais e econômicas no cenário social democrata.

Os sociais democratas caminharam para a reforma do capitalismo para não perder o poder para a revolução socialista soviética, depois que os soviéticos derrotaram Hitler e avançaram sobre a Europa.

Por isso, a burguesia teme o empoderamento popular, que assegura aos trabalhadores o comando das políticas fiscais e monetárias.

Com elas, sob seu comando, colocam nos orçamentos públicos prioridade aos interesses dos trabalhadores, como começou a fazer o PT, durante 13 anos de exercício do poder com Lula e Dilma.

A nova matriz econômica dilmista objetivou colocar em prática, para desespero da burguesia, isso aí.

Na verdade, ela significou antecipação do que viria acontecer no mundo, quanto mais o capitalismo financeiro foi entrando em bancarrota, depois do crash de 2008.

Hoje, o que Dilma pretendeu fazer, visto como exceção apavorante para o capitalismo financeiro, virou regra geral, para salvar os próprios capitalistas.

Pandemia política

Nesse novo estágio histórico – agora, acelerado pelo novo coronavirus – mudam, naturalmente, as concepções econômicas ditadas pela burguesia de que o essencial é manter escassez de dinheiro na circulação para a demanda ser maior que a oferta e os preços se manterem elevados.

Dessa forma, os lucros dos capitalistas são ascendentes diante dos salários, eternamente, arrochados, pela falsa teoria neoliberal de que inflação decorre do excesso de demanda, que justifica restrição salarial permanente.

As políticas fiscais e monetárias restritivas, porém, evaporam-se com a emergência do novo coronavírus. Com ele, cai por terra o receituário neoliberal, erguido pelo capital para ludibriar os trabalhadores, fazendo crer que aumento de salário é a causa primária da inflação etc.

Ao colocar como pressuposto básico que os trabalhadores – e, também, os capitalistas – devem ficar em casa para se protegerem da pandemia, o novo coronavírus ensina a lição básica de como ele, mesmo, deve ser combatido: pelo aumento da emissão monetária, para garantir o isolamento social.

Ela assegura a oferta de dinheiro em circulação pelo Estado como seu triunfo maior de ser variável econômica independente para proteger a população.

Os neoliberais, os banqueiros, etc, que controlam as políticas monetárias, estão apavorados.

Perdem, graças ao coronavírus, a primazia de ditar a seu favor, a favor do interesse privado, o poder de emissão.

Estado social dá as cartas

A prioridade passa a obedecer não mais o interesse privado, mas o interesse social, em nome da preservação de vidas.

O empoderamento político de emitir passa a ser dado pela receita do novo coronavírus.

Os trabalhadores sentem necessidade de se empoderarem politicamente para controlar, no lugar da burguesia, a variável econômica independente por meio do comando político do Estado.

O empoderamento democrático dos trabalhadores cria a nova realidade: controle popular da emissão de dinheiro, para  tocar a nova economia, que ganha dimensão global com o novo coronavírus.

Na Argentina, o peronista Fernandez expropria setor privado em falência e salva os empregos com emissão monetária estatal.

Ou seja, o Estado Social, no lugar do Estado dominado pelo setor privado, socializa o capital.

Novo momento histórico qualitativamente superior.

Socialização dos meios de produção

Se o empoderamento político popular dá as cartas, o novo momento histórico caminha no sentido da socialização dos meios de produção.

Tal empoderamento, portanto, com a nova política monetária, imposta pelo coronavírus, impõe sua própria lógica: recuperação dos salários e dos direitos e conquistas sociais dos trabalhadores, destruídos pelas reformas neoliberais.

A emissão monetária é, fundamentalmente, estratégia política determinada, agora, por algo exterior à realidade, isto é, pelo novo coronavírus.

Nesse contexto, a burguesia financeira especulativa está sendo obrigada a ir contra sua própria natureza, se quiser sobreviver.

Por isso, está assombrada com possibilidade de volta ao poder do PT.

Ele, necessariamente, elevaria a emissão monetária e os gastos públicos para crescer o bolo orçamentário social.

Essa é a nova política econômica que os governos capitalistas sociais democratas estão seguindo.

Seria ou não nova reforma burguesa para evitar a revolução?

Dar os anéis para preservar os dedos.