Pandemia detona deflação e Guedes e empina Pró Brasil

NA CALADA DA NOITE, BOLSONARO LANÇA MEDIDA PROVISÓRIA DA MISÉRIA ...

Bancarrota capitalista tupiniquim

A deflação de 0,31% em abril que levou o BC, em caráter de emergência, cortar mais 0,7% na taxa de juros, levando-a para 3%, é prova de que o ministro Paulo Guedes está blefando ao alertar para perigo de desabastecimento. Todos empresários são unânimes em afirmar que o consumo está baixíssimo, sobra mercadorias, preços e taxas de lucros desabam. No compasso da pandemia ganha dimensão extraordinária o subconsumismo com avanço do desemprego e, consequentemente, da desigualdade social. A alternativa ao Plano Guedes é o Plano PROBRASIL, apresentado pelo general Braga Neto, da Casa Civil, para se canalizam novas apostas do mercado.

O ultraneoliberal Paulo Guedes está completamente perdido, porque seu receituário que antes da emergência do novo coronavírus já era um fracasso, se tornou completamente inviável, depois da chegada dele. O paradigma mudou e ele insiste no velho paradigma que morreu. O Estado neoliberal não sobrevive mais em nenhum lugar do mundo, por ter perdido utilidade. “Tudo que é útil é verdadeiro. Se deixa de ser útil, deixa de ser verdade.”(Keynes).

Insistir nele é apostar não apenas no aprofundamento da crise, como dar adeus à democracia. Somente, por meio de regime de força será possível conter as demandas populares, quando o desemprego, que já era elevado, vai ganhando contornos de pandemia, tal como o coronavírus.

Vexame presidencial

Guedes alertou em praça pública, depois do vexame dado por Bolsonaro de ir ao STF pressionar juízes para romper isolamento social, que a economia entra, rapidamente, em colapso. Por que? Simplesmente, porque ele insiste no velho paradigma que se esgotou, ou seja, a austeridade fiscal, quando a demanda é por mais gastos pelo Estado social.

Faz-se necessário elevar os gastos públicos, mediante aumento da dívida pública, via emissão monetária, para dar conta do recado. É a receita universal diante do novo coronavírus, que ameaça a vida da população, cuja preservação exige seu afastamento físico do trabalho, para evitar aglomerações e transmissão do vírus desconhecido e letal. Isso requer prioridade não ao equilibrismo orçamentário neoliberal, mas à salvação de vidas, como fator de segurança nacional.

As decisões do Congresso, em meio à pandemia, visam, essencialmente, cumprir essa obrigação racional e humana e, ao mesmo tempo, manter economia funcionando em condições, reconhecidamente, precárias. Mas, as previsões de Guedes, nesse contexto, estão completamente loucas. Ele alerta para perigo de desabastecimento quando a verdade são descompasso entre oferta de mais e consumo de menos. A deflação em marcha evidencia o equívoco total do ultrarradical neoliberal.

Socorro econômico

O Congresso votou orçamento de guerra para dar sustentação básica de consumo à população impossibilitada de trabalhar. Os R$ 600 para mais de 50 milhões de desempregados e trabalhadores informais, numa população economicamente ativa estimada em 120 milhões, demonstra que quase metade da população entrou no subconsumismo.

Nesse cenário, falar em desabastecimento, como disse o ministro, é induzir o presidente ao erro de dizer que Guedes é o senhor da razão. Por isso, para atender o ministro, voltou atrás no que havia concordado com suas próprias lideranças no Congresso, na votação do orçamento de guerra.

Os congressistas recusaram a pregação de Guedes de congelar por dois anos salários dos servidores, em nome da austeridade fiscal. Ao mesmo tempo, aprovaram liberação de quase R$ 90 bilhões para Estados e Municípios fazerem frente às quedas de arrecadação de ICMS e ISS. O Governo cortou para R$ 60 bilhões e voltou atrás, prometendo vetar decisão dos legisladores, para atender o sr. da razão.

Ora, se já não havia perigo de desabastecimento econômico, por conta da queda de demanda global, acelerada pelo novo coronavírus, com mais razão, ainda, essa possibilidade estaria afastada com diminuição drástica do poder de compra dos servidores públicos, associada ao arrocho salarial geral dos trabalhadores.

Colapso neoliberal

O colapso econômico, alardeado pelo sr. da razão, está muito mais relacionado à tendência deflacionária do que a sustentação/preservação dos aumentos de salários dos servidores e transformação em permanente do que se prevê temporário, a liberação de R$ 600 para desempregados e informais.

Garantindo a estes renda básica permanente, ao lado da concessão do Bolsa Família, para perto de 14 milhões de famílias(65 milhões de pessoas), se estará, na prática, afastando o perigo da deflação, maior inimiga do capitalismo.

Guedes, com suas formulações irreais, está desconectado da caracterização de sr. da razão, dada pelo presidente, por ser enganosa. Elas abrem espaço para seus adversários dentro do governo. O Plano PROBRASIL, apresentando pelo general Braga Neto, da Casa Civil, vai se transformando no funeral do titular da Fazenda. Afinal, a deflação emergente é sinal de pânico e alerta geral de que o Plano Guedes tem que ser, imediatamente, descartado, para evitar, aí, sim, a bancarrota capitalista nacional.