Congresso trai federação e se rende a Bolsonaro

O parto do filho de Maia é atormentado por Alcolumbre | VEJA

Jogo da rendição e da traição

O presidente do Senado deu facada nas costas do presidente da Câmara.

Alcolumbre se aliou a Bolsonaro contra Maia.

Os representantes do povo, na Câmara, haviam aprovado orçamento de guerra de R$ 86 bilhões para Estados e Municípios enfrentarem o novo coronavírus.

Fizeram isso a partir de projeções de que nos próximos dois meses haverá queda abrupta de arrecadação de 50% a 60% do ICMS e Municípios.

Sem ela, entrarão em bancarrota.

No entanto, Alcolumbre, atendendo os neoliberais de Paulo Guedes, na Fazenda, reduziu o orçamento para R$ 60 bilhões, capando R$ 26 bilhões.

Rendeu-se à austeridade fiscal e ao jogo de chantagem de Bolsonaro contra os governadores, que não obedeceram suas recomendações malucas contrárias ao isolamento social, recomendado pela ciência e OMS.

Para atenuar a ira federativa, os senadores, traindo governadores e prefeitos, concordaram com um lenitivo passageiro: adiamento do pagamento de dívidas de R$ 60 bilhões, a ser retomado depois da pandemia, sem juros.

Com R$ 26 bi a menos, logicamente, será impossível garantir sobrevivência das unidades federativas, e a rebelião delas está à vista.

Alcolumbre, rendendo-se à austeridade fiscal neoliberal, estaria ou não estimulando rebeliões federativas?

Centrão, novo poder

A promessa de Bolsonaro em abrir o governo para o Centrão, desde que aprovasse redução do orçamento de guerra, para atender o mercado financeiro, atingirá, profundamente, o interesse federativo regional.

O presidente Maia sofre grande derrota e Alcolumbre não pode se proclamar vencedor, porque, como representante do Senado, puniu/traiu Estados e Municípios.

Não, apenas, ocorre redução drástica dos recursos para as unidades federativas, bombardeadas pela bancarrota da arrecadação tributária, mas, também, do ponto de vista macroeconômico, a população sai prejudicada pela prioridade – mais uma – concedida ao mercado financeiro.

O Banco Central, com orçamento de guerra, poderá tomar até 25% dos recursos orçamentários do Tesouro para comprar títulos da dívida privada no mercado secundário, com argumento de salvar empresas.

Será?

Como o BC não comprará títulos diretamente das empresas, mas dos bancos que os acumula em suas carteiras, trocando-os por títulos da dívida pública, quem estará sendo salvo serão os bancos.

Afinal, com esses títulos em caixa irresgatáveis, o BC estará trocando dívida do governo por papeis candidatos a apodrecerem no compasso da depressão econômica.

Garante novo PROER à banca, fortalecendo o poder real, no Estado fascista bolsonarista: a bancocracia.

Pato manco

O presidente da Câmara, com orçamento de guerra, que conseguiu aprovar, atuou, na prática, como presidente do Senado, para socorrer estados e municípios, mas o presidente do Senado votou não em favor destes, mas dos interesses neoliberais do Executivo, para garantir mais dinheiro ao mercado financeiro especulativo.

Executivos estaduais e municipais ficaram órfãos: Alcolumbre não agiu em favor dos entes federativos e Maia rendeu-se à pressão do Centrão, que se alia a Bolsonaro, para lhe garantir sustentação no parlamento.

Alcolumbre ficou, politicamente, bem com o Planalto, mas, mal do cenário federativo, enquanto Maia vai se diminuindo com o passar do tempo, visto que as articulações do Centrão para ocupar seu lugar já ganham velocidade.

Depois dessa derrota para Alcolumbre, associado a Bolsonaro, Maia virou pato manco.

Quinta coluna

Alcolumbre atuou como quinta coluna contra governadores e prefeitos, alvos de defesa institucional obrigatória dos senadores.

Jogou na contramão dos parlamentos do mundo que nesse momento votam orçamentos que ampliam dívida pública e emissão de moeda para garantir mais recursos aos governos para enfrentarem a guerra contra o novo coronavírus.

Em jogada política antifederativa, Alcolumbre rasgou conteúdo político institucional parlamentar do Congresso bicameral, com duas casas legislativas: uma para representar a população, outra, os estados e municípios.

Em tempos extraordinários, como o atual, tal institucionalidade afirma-se com muito mais vigor.

Mas, Alcolumbre rompe a institucionalidade em defesa do Estado Neoliberal, que apregoa como princípio a destruição do Estado social, mais do que nunca necessário no momento histórico atual de pandemia econômica e sanitária.

Jogou contra sistema político federativo para favorecer os rentistas.