Brasil ficará do lado derrotado?

Opção desastrosa

A fatídica reunião do dia 22 de abril, que repercutiu no cenário internacional, demonstrou racha do governo Bolsonaro, na economia, na política, na diplomacia e, sobretudo, na geopolítica global.
A preferência bolsonarista por Washington, o fato oculto da reunião, censurado pelo medo governamental de se expor, tentando desdenhar a China, demonstra opção pelo equívoco e pelo despreparo.
Isso ocorre no momento mais intenso da diplomacia global, em que Trump, temeroso de perder a eleição, engrossa discurso contra a China, tentando culpá-la pela emergência inesperada do Codiv-19, contra o qual foi pego de calça curta.
O império de Tio Sam, frente ao seu maior concorrente, levou tiro certeiro.
Evidenciou seu despreparo, para encarar com responsabilidade o inimigo desconhecido, perigoso e letal.
Arrogância e presunção desastradas.
A pandemia deixou tudo mais claro relativamente à incapacidade americana frente ao modo de agir chinês.
O Brasil, que deixou de lado a soberania nacional, para subordinar-se a Tio Sam, agiu da mesma forma, arrogantemente, infantilmente.
Agora, nem entrar nos Estados Unidos, podem os brasileiros, rechaçados por Trump, para não piorar as coisas por lá.
Os dois, Trump e Bolsonaro, são, hoje, considerados os relapsos do mundo.
Vergonha.
Hegemonia americana em debacle
Tá na cara, ou melhor, tá nos números, a superioridade chinesa frente aos americanos no enfrentamento da Covid-19.
No embate contra o coronavírus, mais de 100 mil já morreram nos Estados Unidos.
Já, na China, perto de 5 mil tombaram.
Levando em consideração a população chinesa, muito maior que a americana, trata-se de derrota fragorosa, tipo aqueles 7 x 1 dos alemães no Mineirão, em 2014.
A competência dos chineses de atuarem preventiva e amplamente diante da tempestade virótica, controlando-a e saindo dela, na medida do possível, dando visibilidade ao mundo da eficácia de sua ação, diz tudo.
A leitura que a humanidade faz é a de que a China está muito mais estruturada econômica e sanitariamente do que os Estados Unidos.
Representa vitória material e moral.
Os chineses, com isso, estão vendendo mais confiança ao mundo, enquanto adota diplomacia da cooperação sanitária, ao lado de Cuba e Rússia, ganhando aplausos aonde chegam.
Acabou a supremacia de Tio Sam. 

Aposta no mercado interno

Depois do crash capitalista de 2008, a China vem dando um banho.
Deixou de comprar títulos da dívida americana, na proporção em que vinha fazendo, até então, para faturar e ampliar seu poder, apostando no fantástico mercado interno chinês.
Isso significa que o modelo econômico chinês distribui melhor a renda do que o modelo americano.
É o que aliás se vê em plena pandemia.
Faltam, nos Estados Unidos, respiradores para o povo enfrentar a Covid-19, para só dizer isso, sem falar na estrutura hospitalar americana, incapaz de atender a população.
Afinal, a prioridade não é a população, mas o lucro dos investidores no mercado da saúde, o que extrapola para todos os demais setores.
O famoso way of life americano, que ficou famoso no pós segunda guerra, é coisa do passado.
Mais de 50 milhões de americanos estão na linha da pobreza.
Tio Sam priorizou guerras, esqueceu de priorizar saúde. Quando vem, agora, a pandemia, o desastre fica explícito. 

Domínio incontestável

Soma-se, portanto, duas vantagens comparativas: os chineses detêm mais de 4 trilhões de dólares em reservas, que balizam a saúde da moeda americana, para o bem e para o mal, a depender de Pequim, e o fortalecimento do mercado interno chinês .
Este vira o termômetro da nova potência, que bate sua concorrente no mercado internacional, por deter maior poder competitivo.
Trump está demonstrando a fraqueza de Washington ao tentar falar grosso, como se estivesse de bola cheia e não, como a que está em seu poder, murcha.
Cão que ladra demais não morte, como destaca o ditado popular.
Supremacia no campo nuclear não resolve, porque os chineses, também, têm bombas atômicas.
E a estratégia de saída econômica pela Eurásia, como nova fronteira do desenvolvimento global, está sob controle chinês.
A falência americana pode ser medida pela incapacidade de Washington de brecar navio do Irã, aliado da China, que levou combustível para Venezuela, numa ação cooperativa internacional.
O cão ladrou, ladrou, ladrou, mas não mordeu.
Fato.
Tio Sam, como mostra a realidade afetada pelo coronavírus, não é aquela brastemp.
Os sobrinhos dele estão de cabeça baixa.
A fase pós-coronavírus demonstrará o óbvio já à vista: a nova divisão internacional do trabalho, sob mando chinês.
E o Brasil, nessa, vai ficar ao lado do derrotado?
https://br.sputniknews.com/sputnik_explica/2020052115606406-por-que-as-relacoes-entre-eua-e-china-atingiram-ponto-tao-baixo-/