Abra o olho, general!

Miopia bolsonarista

Os generais influentes dentro do governo Bolsonaro, como Braga Neto, ministro da Casa Civil, estão todos no bolso ideológico de Paulo Guedes e seu ultraneoliberalismo, que ninguém sério no mundo segue por ser totalmente inadequado e ineficaz para enfrentar a nova realidade global de combinação de crise capitalista com novo coronavírus, paralisando geral a economia.
Braga Neto, com suas admoestações descabidas, prevendo o caos, se as atividades econômicas não forem ativadas, deveria ver o que os países capitalistas estão fazendo.
Não acreditam mais na receita de Paulo Guedes, que é, simplesmente, suicida, pois paralisa, em vez de ativar a economia.
Atacar o novo coronavírus com terapia neoliberal, com austeridade fiscal, é puro economicídio.
Em vez de ajudar, prejudica, porque anula a principal arma que os governos dispõem para enfrentar o inimigo desconhecido, perigoso e letal.
Braga precisaria ouvir o “comunista” Larry Summers, brilhante economista ex-assessor do governo Obama, que destrói, hoje, no Valor Econômico, a tese de Guedes, que Bolsonaro engole, acriticamente, ao antagonizar saúde e distanciamento social em relação à paralisa econômica produzida pela pandemia.

EQUIVOCADO

Está na cara, sr. general, que o problema não é, nesse momento, nem a economia, nem a saúde, mas a pandemia. Cuidar, separadamente, uma da outra, é não entender as causas do problema e tentar atacá-lo a partir das consequências.
O próprio general lançou outro dia um esboço de programa econômico de viés nacionalista oposto ao de Paulo Guedes completamente entreguista, cuja essência é a destruição do Estado nacional como agente desenvolvimentista.
Não é, portanto, o isolamento o problema que poderá trazer o caos.
É a anulação da arma contra o vírus, o Estado, com sua capacidade de desempenhar papel social fundamental, de modo a garantir o isolamento, garantindo sua convivência com a economia, certamente, numa base precária, diante da nova conjuntura.
Não há, como diz o economista André Lara Resende, restrição à capacidade do Estado de gastar, para sustentar a demanda global.
E esse gasto, agora, é o de garantir o consumo dos trabalhadores com a permanência deles em casa, mediante expansão fiscal, como sugere Summers.

A RECEITA É OUTRA, GENERAL

O economista americano destaca que não se trata mais de manejar política monetária, mas política fiscal, entendeu General?
O salário que o Estado vai bancar, abandonando austeridade fiscal, para que o trabalhador se proteja do coronavírus, será gasto e, consequentemente, transformado em receita tributária, com a qual o governo cobrirá despesas orçamentárias.
Evidentemente, em razão da nova realidade, isso se dará em bases mais restritas, é certo, mas conforme uma proporção adequada às circunstâncias extraordinárias que a situação impõe.
Se, nessa conjuntura extraordinária, o general assina em baixo do que Paulo Guedes está fazendo, simplesmente, ajudará aprofundar a desestruturação do Estado, ou seja, a arma sem a qual o coronavírus irá destruir tanto a economia como o consumidor.
Abra o olho, general.
O Estado neoliberal de Guedes é maléfico para o produtor e o consumidor, assim como a cloroquina é para os cardíacos, que podem morrer, se obedecerem, cegamente, o presidente Bolsonaro.

https://www.correiobraziliense.com.br/…/ministro-pais-pode-…

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