Pró Brasil afasta Bolsonaro/militares de Trump

Sérgio Moro, a Lava Jato e os Estados Unidos de Trump

Moro-2022, candidato de Tio Sam

Os militares, que assessoram governo Bolsonaro, estão se afastando do Governo Trump por imperiosa necessidade de sobrevivência. A orientação neoliberal, que Tio Sam determina para o Brasil, por meio de Paulo Guedes – sucateamento do Estado nacional, privatização das empresas estatais, ajuste fiscal, arrocho salarial, desemprego, colapso na arrecadação, desarticulação federativa, rebelião no Congresso etc –, entrou em colapso total com emergência do Covid-19, novo coronavírus. Aprofundou-se, exponencialmente, a crise capitalista neoliberal, que reclama o Estado interventor, para evitar convulsão social. A tese Guedes – domínio do Estado pela iniciativa privada, incapaz de atender a demanda social, diante da avalanche de mortes e desesperos, que toma conta da sociedade, apavorada – produziu a sua antítese, o Plano PROBRASIL, de viés social democrata keynesiano nacionalista. Lançado pelo general Braga Neto, ministro da Casa Civil, denominado presidente operacional, em face do desastre político inoperante e incompetente Bolsonaro, o PROBRASIL representa o contrapolo Guedes: mais Estado, para puxar demanda global, na linha do PAC petista-dilmista, que prevê retomada dos gastos sociais – especialmente, saúde, SUS – e investimentos em obras públicas, objetivando criação de 1 milhão de novos empregos. Nada mais anti-Tio Sam.

Síntese explosiva

Consequentemente, a antítese nacionalista PROBRASIL produz a síntese inevitável: choque com o governo americano que havia derrubado Dilma, em 2016, com o plano neoliberal PONTE PARA O FUTURO. Com ele, Tio Sam colocou no poder o presidente Temer, homem da CIA, segundo Snowden. Na sequência, entrou em cena o ultraneoliberalismo, tocado por Guedes, tendo como representação institucional a fraude fakenews eleita, em 2018, o capitão Bolsonaro. Imediatamente, ele priorizou relações com Trump e cuidou de aproximar, também, da CIA. Agora, porém, a obediência bolsonarista à estratégia de Tio Sam, com prioridade ao sucateamento neoliberal brasileiro – esvaziamento do Estado e venda de patrimônio nacional – foi, violentamente, atropelada pelo somatório de crise econômica + novo coronavírus. Resultado:  Plano PROBRASIL, nova síntese, afasta, pelo menos temporariamente, o governo Bolsonaro do governo Trump, que, também, mudou de rumo, para enfrentar a pandemia. O titular da Casa Branca, tal como faz o presidente operacional brasileiro, amplia papel do Estado na economia, para viabilizar-se, eleitoralmente. Nesse novo contexto, de distanciamento de Bolsonaro de Washington, graças ao Plano militar PROBRASIL, Tio Sam afasta-se do presidente capitão, encalacrado pelo encavalamento de crises econômica, sanitária e ético-moral, dada sua propensão irresistível a comandar a Polícia Federal, para livrar os próprios filhos de investigações criminosas.

Desutilidade explícita

Bolsonaro deixou, portanto, de ser útil ao Império, que acelera sua substituição pelo ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, como seu novo agente e candidato na periferia Brasil, para disputar a eleição em 2022. O capitão presidente, detonado pelos panelaços intermitentes, virou desutilidade explícita para Washington. A saída de Moro é, portanto, armação washingtoniana. Ela preserva o ex-ministro do desgaste de continuar no governo desgastado de Bolsonaro e o prepara para ser o homem de Washington na sucessão presidencial.  Afinal, como ex-juiz de Curitiba, Moro, expressão da anti-corrupção, virara mito da classe média, endeusado pela Globo, como operador da Lavajato. Com ela, detonou candidatura Lula e virou garoto-propaganda do capitão, elegendo-o presidente. Prestou, dessa forma, inestimáveis serviços a Tio Sam, abrindo espaço para empreiteiras americanas, no Brasil, e evitou vitória da esquerda. A realpolitik imperialista, por razões que lhe convém, descarta, agora, Bolsonaro, que deixou de ser útil, e abraça Moro.

Império agita polarização na periferia

A periferia capitalista em crise se agita no embate Moro x Bolsonaro, que desvia a atenção da sociedade do essencial para o aparente no jogo da polarização ideológica. É o que interessa a Tio Sam, para, ao largo do debate público, apressar doação do patrimônio nacional, conforme concepção do Plano Guedes. Descartado por Washington, Bolsonaro, se quiser sobreviver, tem, agora, que se ancorar no plano PROBRASIL, que se afasta do neoliberalismo imposto pela matriz americana, por forças das circunstâncias emergentes. Ao mesmo tempo, busca apoio do Centrão, que se divide, nesse instante, entre o desgastado presidente, ancorado nos militares, e em Sérgio Moro, novo homem de Washington. Nas próximas semanas, a mídia pró Tio Sam esquentará sucessão presidencial de 2022, antecipando-a.  Embalado por pesquisas de opinião, que lhe dão 65% de popularidade, Moro – a nova Direita, dissidente da ultradireita bolsonarista – apresenta-se como candidato do status quo que o Império defende: Brasil sem soberania geopolítica, comandado por Washington. Pintou tremenda contradição. Como ficará a esquerda nesse novo contexto? Moro-Washington ou Bolsonaro-PROBRASIL?