Veto ao orçamento impositivo favorece corrupção e ameaça democracia

Resultado de imagem para bolsonaro e os militares impõe o poder militar aos civis

Neo-corrupção à vista

Grande contradição bolsonarista.
O presidente diz que não tem corrupção no governo dele.
Porém, luta, encarniçadamente, agora, contra as emendas impositivas, que representa conquista parlamentar, substituta do velho e viciado toma lá dá cá, mãe da corrupção na relação legislativo-executivo.
Que estória é essa, então de presidente, dizer que no governo dele não tem corrupção, se se apega, nesse momento, ao mecanismo que mais corrupção gerou ao longo da história neorepublicana, herdeira do regime militar?
Vetar emenda parlamentar impositiva é colocar, novamente, os congressistas a passarem o chapéu, no Palácio, a fim de obter recursos para suas bases.
As relações dos congressistas com elas, em modos republicanos, livraram prefeitos e vereadores de se submeterem, caninamente, ao executivo.

Novo federalismo

O orçamento impositivo virou o jogo a favor da representação parlamentar e de um novo federalismo brasileiro, livre dos vícios da barganha financeira neorepublicana que ganhou dimensões incontroláveis nos governos de coalisão.
As emendas impositivas deram lugar ao fortalecimento do espírito federativo, relação dos representantes do povo(deputados) e dos estados(senadores), lançando germes de uma nova institucionalidade civilizatória.
Quando deputado, por 28 anos, no Congresso, o presidente acusava o toma lá dá cá de fator originário da corrupção.
Quase pediu fuzilamento para presidentes, como foi o caso de FHC, sem falar nos presidentes petistas, totalmente, excomungados por ele, responsáveis, segundo os bolsonaristas, pelo maior fenômeno de corrupção da história brasileira etc e tal.

Militarização do poder 

No executivo, cercado de militares por todos os lados, o que faz ele?
Pratica o que condenou.
Abre o governo dele,no segundo ano de mandato, à corrupção praticada nos velhos tempos, do presidencialismo centralizado, absoluto.
O veto às emendas impositivas desagrada oposicionistas e governistas.
No oposição, os parlamentares, dificilmente, emplacavam suas demandas.
Quando ela vira poder, no caso dos bolsonaristas, maiores defensores do orçamento impositivo, veem-se escravizados pela determinação ditatorial palaciana.
Como dizia Ulisses Guimarães, o senhor Constituição, a ditadura representava a maior fonte de corrupção do poder.

Atualização de Ulisses

A ameaça de Bolsonaro, nesse sentido, agora, voltando atrás na palavra dada, em negociação, com os congressistas, está fazendo, no legislativo, todo mundo lembrar do velho Ulisses.
Enfim, a corrupção está de volta pelas mãos de quem se determinou a combatê-la.
Ninguém, hoje, no plenário, da base governista, quis avançar na discussão sobre o veto presidencial, até que a presidência da Mesa, suspendeu a sessão, deixando parlamentares tontos.
Na verdade, todo mundo está esperando no que vai dar a passeada pró-Bolsonaro, no dia 15, para ver como ficará o quadro político.
Eventual sucesso bolsonarista, cria nova correlação de forças, que pode avalizar impulso bonapartista do presidente, passando o trator sobre o Congresso, para aprovar reformas, que os congressistas resistem em levar adiante, por serem impopulares.
Com elas, não se ganha eleição.
Mas, se o presidente faturar a rua, estará aberta a porta institucional para uma aventura autoritária, cujas consequências, para democracia, são incógnitas totais.