Mercado pede socorro ao Estado. Neoliberalismo, adeus

Coronavírus ameaça Trump e Bolsonaro em meio ao colapso neoliberal

Bancarrota da financeirização global

Ameaçado pelo coronavírus, o mundo está de olho no pacote que o governo americano promete lançar ainda hoje para acalmar a loucura que tomou conta do mercado financeiro em bancarrota por conta da associação crise capitalista, agravada, exponencialmente, pelo coronavírus; Bolsonaro, também, mandou Guedes seguir Trump; deve sair medidas emergenciais; chegou ou não a hora final do freio neoliberal conhecido como teto de gasto que não deixa PIB crescer?; o fato é que o papo de que o mercado tem capacidade de resolver os problemas da economia em estado de instabilidade é pura mentira; na verdade, a instabilidade é dada pela anarquia do mercado; a superespeculação financeira que tomou conta das bolsas de valores, em particular, a brasileira, é a prova evidente da contradição entre o mercado e a realidade; anunciou-se, estrondosamente, que ela chegaria aos 200 mil pontos, até final de 2020, e, daí, em diante, o céu era o limite; palavra de Paulo Guedes; qual o quê, diria o velho Luiz Gonzaga com seu baião; a bicha caiu para menos de 80 mil pontos, e, se não houver socorro estatal, para recuperar a economia, vai a zero ou negativo; pode repetir o que está acontecendo com a taxa de juros, diante da liquidez excessiva, tanto nos países capitalistas desenvolvidos, como subdesenvolvidos; o coronavírus destrói, a olhos vistos, a financeirização econômica especulativa global como pretensa solução do mercado; vê-se, nesse momento, que o mercado não é solução, é veneno.

Recuo neoliberal

Macron, França, suspende privatizações e demais negócios, tocados em bolsa; vender a Petrobrás, desvalorizando seu patrimônio, tem sido a marca registrada do governo Bolsonaro; liquidar a maior estatal da América do Sul, uma das maiores petroleiras do mundo, que explora, industrializa e distribui, indo do poço ao posto, como se diz, é o grande economicídio neoliberal do século; o desmonte do patrimônio nacionalista pelo governo bolsonarista militarizado, cuja política econômica desaba, espetacularmente, com o coronavírus, aprofunda o caos; idem, o papo de independência do Banco Central, que os neoliberais, puxados, no Congresso, por Rodrigo Maia, prometia para os primeiro trimestre de 2020?; a crise mostra que essa independência é fantasia; se Trump não aciona o estado para imprimir trilhões de dólares para socorrer a economia, os bancos, defensores do BC independente, entram em bancarrota; a tarefa da financeirização econômica global era tensionar ao máximo a especulação na bolsa, para liquidar tudo, estatais, saúde, educação, energia, saneamento, previdência social, tendo como mantra a austeridade fiscal; esvaziar o estado, para sobrar mais recursos ao setor privado, pretensa neo-solução, deu com os burros nágua; inventa-se a fantasia para explicar o desastre com argumento pueril, pura jabuticada, a de que para fazer crescer o PIB nacional tem que anular o PIB público para incrementar o PIB privado; delírio neoliberal; como um corpo pode caminhar com apenas uma perna? Os neoliberais tentaram fazer crer ser possível implementar economia do saci-pererê; para realizar essa mágica, tiveram que dar golpe político parlamentar, jurídico, midiático, inventar impeachment sem crime de responsabilidade para caracterizá-lo, e, no final, quatro anos, depois, colhem PIBs de 1,1%, candidatos cair abaixo de zero, com emergência do coronavírus; o mercado blefou e não levou.

Ressurreição social democrata

A humanidade desperta para o óbvio: estado é a construção social poderosa que a sociedade tem a sua disposição para enfrentar os antagonismos entre capital e trabalho na eterna luta de classes; o capitalismo financeiro, em sua volúpia, esqueceu de que o estado, como disse Marx, é o comitê executivo da burguesia; no século 20, a social democracia modernizou o estado com legislações sociais; elas se revelaram relativamente eficazes para combater o maior mal do sistema capitalista, a crônica insuficiência de demanda, que o leva à deflação, o erro eterno, como disse Keynes; destruir a social democracia para restaurar a economia clássica do século 19, de modo a sustentar a sobreacumulação de capital via intensificação, ad infinitum, da mais valia relativa, é opção pelo retorno à barbárie; salário zero ou negativo na sua expressão máxima do termo, aprofundando insuficiência de consumo, é a solução de Guedes que chegou ao fim; ele promete, até segunda, feira, novas medidas; se vier com mais do mesmo, crescem chances de ser defenestrado; o estouro da bolha coloca em xeque a solução do mercado como substituto do estado. Tio Sam, mais uma vez, vai rodar a maquininha de dinheiro, que impulsiona nacionalismo econômico; consequentemente, despontará, ao lado de Xi-Jiping, da China, como candidato imbatível;  os militares de pijama, que estão assessorando o bolsonarismo neoliberal fracassado de Guedes, aprendem dura lição: o nacionalismo, nessa hora crucial, é a arma de proteção não apenas contra coronavírus, mas da destruição econômica, social e política.