Coronavírus entra no jogo eleitoral e detona neoliberalismo

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Virus politizado

Trump não titubeou em acompanhar o gesto do primeiro ministro da Itália, Giusepe Conte.

Embarcou na dele, ao priorizar proteção à população contra o coronavírus.

Suspender por um mês viagens dos americanos para a Europa e dos europeus para os Estados Unidos representa sentido de urgência e, ao mesmo tempo, esperteza eleitoral tremenda.

Pode ser decisivo para sua reeleição, se houver, né.

Agiu no interesse do eleitor.

Isso mostra a visão de estadista-oportunista para além das posições ideológicas.

Ao lado da América First , sobretudo, ele acrescenta, americano/a first.

Lançou-se, desde já, muitos corpos à frente dos adversários eleitorais, Biden ou Sanders, que poderão disputar com ele esse ano.

Terão que dizer que Trump agiu, sensatamente ou desastradamente?

Num ou noutro caso, dá chances a Trump de polemizar e faturar.

Trata-se de impulso nacionalista que os neoliberais, com seus programas de governo antipopulares, chamam de populismo.

Compreensível; a prioridade dos neoliberais não é o interesse público, mas o privado, para o qual arriam as calças.

O populista-nacionalista titular da Casa Branca, como Shane, mocinho do faroeste, puxou rápido o gatilho contra Wilson, bandido, em “Os brutos também amam”.

Correu para proteger os agricultores do Oeste, ameaçados pelos invasores de terras, que contratam matadores profissionais para exterminá-los.

O mundo ama Shane e detesta Wilson.

Trump x presidente-toupeira

Antes, Trump havia se reunido com o pessoal de Wall Street para ver o que fazer.

Não foi, na verdade, rápido no gatilho, anunciandos medidas, porque o coronavírus é variável independente e o presidente dos EUA, nesse caso, é variável dependente.

O mundo virou variável dependente da variável independente coronavírus.

As bolsas que o digam, despencando no oriente e ocidente.

Mas, providências dele vêm aí a galope, para tentar  proteger a economia americana, ameaçada pela fuga dos consumidores, apavorados com a ameaça contra a qual estão expostos em todo o mundo.

Deverá aliviar os empresários e os consumidores devedores, com juros zero ou negativo, nos próximos meses, senão a vaca vai pru brejo.

Lagarde acelera

Nesse particular, Trump perdeu, por enquanto, a corrida para a presidente do Banco Central Europeu(BCE), Christine Lagarde, que determinou liberação de dinheiro “super-barato”, para girar a economia, paralisada pelo medo que tomou conta da população.

Ela, agora, foge das ruas, como mostrou o correspondente internacional, Henrique Motta, que, ontem, saiu de bicicleta, pelas ruas de Bologna, Itália, expondo, no FB, em relato sensacional, o paradeiro e o terror dos comerciantes, diante da falência iminente dos seus negócios.

Trata-se de quadro contrastante em comparação com a falta de ação do presidente-toupeira Bolsonaro, que, em todos os sentidos, mostra-se ir na contramão do mundo.

Em vez de demitir, imediatamente, seu ministro da Economia, que propõe aprofundar reformas neoliberais, que, nessa hora dramática, achatam, ainda mais, o poder de compra da população, financeira e economicamente, esmagada pela recessão, sai com declaração estapafúrdica de que o coronavírus é algo que não levanta preocupação.

Absurdo total.

O Congresso, acertadamente, rechaçou as proposições ultraneoliberais Do Posto Ipiranga de Bolsonaro, ao derrubar veto presidencial que aprofundava miséria social, ao proibir reajustes do BPC aos aposentados velhinhos e deficientes físicos.

Oposição contrataca

Bolsonaro e Guedes se revelaram, completamente, inábeis, despreparados para o momento nacional e mundial, propondo barbaridades.

A oposição não perdeu oportunidade: contrapôs programa econômico emergencial, que comece pela supressão do teto de gastos sociais, por vinte anos, imposto pelo golpe de 2016, que derrubou presidenta eleita sem crime de responsabilidade para caracterizá-lo.

O neoliberalismo de Paulo Guedes e Jair Bolsonaro está, pelo mundo afora, sendo destruído, a olhos vistos, pelo coronavírus.

A líder alemã, Ângela Merkel, eliminou todas restrições neoliberais, impostas pela União Europeia, para enfrentar o inimigo, que ameaça arrastar toda a economia mundial.

Bate de frente contra os economistas, tipo Octávio Canuto, que reafirma, em meio ao caos, a necessidade de sustentar, a qualquer custo, a austeridade fiscal, dobrando aposta no congelamento dos gastos sociais.

Economicídio puro.

Todos os países se movem, com seus bancos centrais, para a estratégia antineoliberal, como fator de sobrevivência.

Cegueira midiática

Imprensa vai na contramão, também.

O Valor Econômico, no mais puro neoliberalismo midiático, aquele que se alinhou ao golpe parlamentar e jurídico de 2016, concluiu que a decisão do Congresso de salvar os mais pobres, liberando, para eles, R$ 20 bilhões, para não morrerem de fome, representa perigo fatal para o equilíbrio fiscal.

Falta de visão ao racionar que apertar, ainda mais, o pescoço do afogado em meio ao rio caudaloso da recessão, é a solução, em vez de lançar-lhe corda da salvação.

O governo militarizado do capitão demonstra, nesse instante, estar mais perdido que cego em tiroteio, ao não dialogar com a população e orientá-la à ação comunitária e solidária, como estão fazendo todos os líderes mundo afora.

Trump, na linha oposta ao pensamento neoliberal, que deixa insensível e egoísta os que o adotam, como Bolsonaro e seu ministro da Fazenda, cuja política condena o PIB a rastejar na casa dos 1% ao ano, tenta derrotar o inimigo.

Não titubeou: priorizou a população.

Fatura as manchetes, positivamente, somando para sua batalha eleitoral.

Já, o presidente capitão tupiniquim colhe desastre.

Em vez de empenhar-se na educação social, faz, justamente, o contrário: joga o povo no perigo da sua extinção, convocando-o à aglomeração, para defender seus desatinos politicamente irracionais.

Arrisca o povo contra o coronavírus para detonar democracia, demonizando Congresso e Judiciário.

Inacreditável.

Fúria beethoveana coronavirusiana