Greve petroleira joga Bolsonaro contra governadores e fortalece Lula na disputa eleitoral 2020

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Esquenta eleição municipal

A greve dos petroleiros colocou em confronto o presidente Bolsonaro e governadores estaduais; a mobilização grevista põe na ordem do dia os preços dos combustíveis, ditado pelo mercado internacional e cotado pelo dólar; os trabalhadores ganham em real, mas pagam na moeda americana, que está 1/4,30; facada; essa política começou com FHC, foi interrompida pelo PT, com Lula e Dilma, mas retomada por Temer e Bolsonaro.

O presidente, agora, incomodado com a greve, que expõe as mazelas do neoliberalismo petroleiro bolsonaria e favorece, eleitoralmente, a oposição e seu nome mais expressivo, Lula,  tenta enganar a população; joga a culpa do alto preço dos combustíveis na cobrança de ICMS, receita tributárias dos governos estaduais. Entra, portanto, em choque com estados e municípios, enquanto esconde a verdadeira causa do problema que coloca os petroleiros em greve: a administração privatista da Petrobrás que atende, essencialmente, os interesses dos acionistas privados da estatal e não da população.

Prioridade ao interesse privado

O interesse privado representa, hoje, mais de 50% das ações da petroleira mais poderosa da América do Sul, enquanto o acionista estatal, que representa a população, virou minoria, na faixa dos 31%; o governo, que, teoricamente, representaria o povo, privilegia, ao contrário, o interesse privado;

O reajuste dos preços dos combustíveis, ditados pelo setor privado, virou extração intensiva de mais valia do trabalhador, tal como a política salarial regressista, ditada pelo mercado, adicionada ao explosivo imposto regressivo, que massacra poder de compra dos trabalhadores; não há mais reajuste real, mas, apenas, reposição da inflação.

Petrobrás vira estatal de fachada; essa característica fakenews de empresa estatal – sendo, na prática, privatizada – aprofunda política neoliberal do ministro Paulo Guedes, cuja tônica é apressar venda dos ativos da empresa.

A distribuição, com a BR Distribuidora, já foi para o sal; da mesma forma, minas de fosfato, para fabricação de fertilizantes, estão sendo desmontadas, para favorecer importação de insumos agrícolas, em vez de fabricá-los internamente; dança o agronegócio; e a outra parte decisiva da empresa, em sua conformação de monopólio e oligopólio estatal, com as refinarias, desmancha-se com  iniciativa bolsonarista de privatizá-las.

Escorregam pelo ralo os instrumentos que sustentavam demanda interna pelas encomendas da estatal petroleira, no plano de negócios, fundamental para industrialização nacional.

Sucateamento e crise federativa

A  greve dos petroleiros é a denuncia do sucateamento da Petrobrás pela política neoliberal bolsonarista; as críticas à política de preços, que permeia toda a cadeia produtiva do petróleo, desgastam o presidente; para fugir delas, tenta esperteza; passa o pepino para os governadores; culpa eles pelo alto preços combustíveis, que joga consumidores contra o governo.

Tudo seria culpa dos governadores que cobram ICMS elevado sobre a gasolina; Bolsonaro tenta faturar prestígio para si, defendendo isenção do tributo; aprofundaria crise federativa; os governos estaduais, se atender Bolsonaro, ficarão sem receita, como já acontece em relação às exportações de produtos primários e semielaborados, isentos de ICMS, pela lei Kandir, nascida, também, na era neoliberal fernandina dos tucanos.

Na prática, esquenta debate eleitoral para disputa municipal, assunto político do ano; na largada, Bolsonaro dá passo em falso; em vez de chamar Paulo Guedes nos eixos, sobre sua política antinacionalista, prejudicial à população, que destrói renda e mercado interno, tenta jogar fakenews, culpando os governadores; apela a eles para jogar contra seus próprios interesses, ou seja, abrir mão do tributo estadual, sem o qual a crise federativa se aprofunda.

Desse jeito, o partido bolsonarista Aliança pelo Brasil não consegue nascer.

Fogueira eleitoral começa arder