Lula, ultradireita?

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Judeu de fancaria

O jornalista, escritor e historiador judeu, Luis Mir, autor de “O paciente” e “Partido de Deus”, acusa-me de antissemita e me manda tomar no cu porque disse que lhe faltou coragem e caráter de verdadeiro judeu para publicar, no seu FB, resposta minha a uma controvérsia a partir de declaração dele de que a esquerda brasileira está na ultradireita.
Pedi-lhe que citasse alguém ultradireitista da esquerda, estava curioso.
Ele citou: “o encarcerado”.
Devolvi: “o imaginário não tem limite”.
Prosseguiu com a peroração já conhecida de que ocorreu na Petrobrás maior roubo da história mundial, durante governo do “encarcerado”, maior corrupto do mundo etc.
Não contestei a corrupção que se deu em governo de coalisão, nos moldes que se dá no Brasil desde inicio da Nova República.
Entre 94 e 2002, os mesmos partidos que se alinharam a Lula e Dilma, entre 2003 e 2014, estiveram ao lado do neoliberal enrustido FHC, agindo no limite da irresponsabilidade, como admitiram tucanos de alta plumagem, no processo de privatização das teles, da Usiminas, Siderúrgica Nacional e da Vale do Rio Doce, utilizando BNDES nas operações tenebrosas.
Nada mudou de 2016 até agora, com a volta do neoliberalismo, agora não mais com tucanos, mas com Bolsonaro/Guedes, na sequência do golpista Temer.
Ao contrário, intensificou o processo de corrupção.
O STF, ativo no processo do golpe neoliberal contra Dilma, autorizou venda de empresas estatais sem licitação, ao largo da lei.
Não é ele o guardião da Constituição?
Há corrupção maior do que essa, Sr. Luis Barroso, que capitaneou o processo?
Também, não se vê, nesse momento, o incorruptível presidente Bolsonaro obstruir a justiça para esconder provas que, teoricamente, o incriminaria no assassinado de Marielli?
Obstrução é ou não corrupção?
Assim, dizer, como faz Mir, que o maior corrupto do mundo, perigoso elemento de ultra-direita, é o “encarcerado” de Curitiba não passa de imaginação manipuladora irresponsável, a serviço do obscurantismo ideológico.
Depois que Intercep Brasil revelou transações de Moro e Dallagnol, na criação de armadilhas para pegar o “encarcerado” e inviabilizar sua candidatura, acabou-se o mistério.
A condenação ocorreu sem provas concretas, como já é sabido, aqui e além-mares, suscitando pressões de todos os lados para que o STF promova julgamento justo.
Não é corrupção moral a dos generais assessores de Bolsonaro pressionar juízes para não concederem ao “encarcerado” habeas corpus, ao qual já tem direito por lei?
Como, depois disso, acreditar que o “encarcerado” seja elemento de ultradireita, corrupto maior de todos os tempos etc?
No estado keynesiano, que dá as cartas no capitalismo desde o crash de 1929, argumentei com Mir, o gasto público, segundo o próprio Keynes, é necessariamente acompanhado de sobrepreço, super-faturamento, de modo a garantir lucratividade ampliada do capital como estratégia estatal para puxar demanda global.
Essa prática é antiga e implica, desde sempre, grossa corrupção.
César, para expandir Império Romano, marchava com a grana de Pompeu e Crasso, grandes banqueiros de Roma.
Os despojos eram divididos entre os generais, que corriam o risco da estratégia de dominação imperialista.
Os Borgias financiaram as cruzadas do Papa nas aberturas dos horizontes do Novo Mundo.
O estado, sempre ele, puxando demanda global, com dinheiro da banca.
Mesma coisa, sua majestade britânica: condecorava com ouro e títulos nobiliárquicos os piratas que ampliavam o poder imperial britânico da city.
Keynes disse a Roosevelt: “Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala necessária capaz de fazer valer a minha tese – a do pleno emprego –, salvo em condições de guerra. Se os Estados Unidos se INSENSIBILIZAREM para a preparação das armas, aprenderão a conhecer sua força.”
Tio Sam e Wall Street, seguindo orientação de Keynes, jamais acreditaram em equilíbrio orçamentário; se tivessem caído na armadilha neoliberal, não seriam potência mundial.
O maior economista do século 20 sabia do óbvio: no âmago da macroeconomia capitalista está a guerra.
Os judeus, disse a Mir, armam-se com a grana de Tio Sam, para puxar a demanda capitalista, na tarefa de proteger o estado judaico contra seus adversários.
W. Bush protagonizou a guerra do Iraque e concedeu aos empreiteiros americanos, como Dick Cheyne, o direito de explorar petróleo iraquiano; agiu como imperador romano; Delfim Netto, no auge da ditadura, não negou fogo: “É preciso[o estado keynesiano] fazer chover nas cabeceiras, para a economia capitalista levantar voo.”
Todo esse processo de economia de guerra é encabeçado pelos interesses que movem a corrupção no centro do capitalismo global.
Não à toa, na terra de Tio Sam, a corrupção é legalizada pela lei do lobby.
Os falsos moralistas, que endeusam Moro e Luis Carlos Barroso, são, essencialmente, hipócritas, mais, alienados.
O império está em guerra contra o Brasil, para tomar dos brasileiros a Petrobrás, como Bush tomou o petróleo de Saddam Husseim.
Essa semana é decisiva.
É a economia de guerra, estúpido.
A Lavajato é mais do que pensam os ingênuos propagandistas da expansão imperialista, enquanto a guerra híbrida dos generais de Bolsonaro vai distraindo a população.
Mir não teve coragem de seguir a polêmica, quando disse que negava os verdadeiros judeus, como Marx, que não fogem da raia.
Entendeu que fui anti-semita.
Tenha paciência!
Ô Mir, vai estudar, antes de falar besteira.
Sou fã do maior judeu que a história produziu, o autor de O Capital.
Só é possível entender o capitalismo com o olho do capital, dizia o marxista Lauro Campos, autor de “A crise da ideologia keynesiana”(1980, Campus), e “A crise Completa – Economia Política do Não”(2012, Boitempo).
Judeu de fancaria, como você, tô dispensando.