FMI toca fogo no Equador

Remédio vira veneno

Foi a mesma coisa que tocar fogo em gasolina.
O FMI exigiu do governo Lenin Moreno, do Equador, aumento de 123% nos preços dos combustíveis – gasolina e diesel – em troca de empréstimo se 4,7 bilhões de dólares, para “estabilizar” economia, no linguajar neoliberal.
Imediatamente, a população se rebelou e foi para as ruas e delas não se afastou mais nos últimos oito dias.
O governo decretou estado de emergência nacional, mandou prender, a torto e a direito, os manifestantes, de forma arbitrária, e a situação no Equador virou de cabeça para baixo.
Na maior cara de pau, Lênin Moreno considerou a reação popular ato de sabotagem contra seu governo.
Não admite que ele mesmo é o sabotadot.
Queria que seu ato de agressão ficasse sem resposta ou fosse aceito pacificamente.
O lógico, para ele, seria a população não reagir à agressão econômica do FMI e engolir a seco as leis econômicas capitalistas brutais.
A rebelião se alastra por todo o país, com represálias, motins e barricadas, em resposta ao violento assalto do governo fantoche de Washington ao bolso do povo.
De repente, da noite para o dia, os trabalhadores viram despencar poder de compra dos salários.
Não aceitam, consequentemente, a austeridade fiscal ultraneoliberal do FMI, que, além do reajuste dos combustíveis, prega arrocho geral nos gastos públicos saúde, educação, segurança, infraestrutura etc.
Tudo em nome de equilíbrio orçamentário a fim de pagar custos elevados de juros e amortizações da dívida pública.
É o mesmo problema brasileiro.
Tudo para os credores, desemprego para trabalhadores.
A pressão subiu, extraordinariamente, e saiu do controle.
Desesperado, o governo decidiu mudar sede do governo, como se essa fosse questão central e não a desorganização econômica geral patrocinada pelo FMI.
Transferir a sede do poder de Quito, nas montanhas, para Guaiaquil, a beira mar, vai resolver alguma coisa?
Seria como se transferisse o poder de Brasília para o Rio de Janeiro.
Desastre.
As Forças Armadas estão nas ruas prendendo e arrebentando, mas o essencial não se altera, que é a teimosia de Lênin em resistir com medida impopular que produziu fogueira revolucionária no Equador.
O receituário do FMI, que não dá certo em lugar algum, é o mesmo aplicado na Argentina.
Suspensão dos subsídios ao insumo básico que movimenta a economia desorganiza a vida das famílias de forma generalizada.
Fomenta diretamente rebelião social.
O aquecimento insuportável da situação política produzido pelo violento ajuste fiscal no país é também semelhante ao que ocorre no Brasil.
Por aqui, com o golpe de 2016, o governo fez algo semelhante como puxar para cima violentamente os preços do diesel e da gasolina.
Congelou por 20 anos os gastos públicos não fianceiros(sociais) para garantir gastos públicos financeiros especulativos com a dívida.
O efeito destrutivo é igual.
Arrocha toda população para atender prioritariamente os sanguessugas do mercado financeiro.
Não sobram recursos para os investimentos.
Parte-se para reformas ultraneoliberas que destroem direitos sociais.
Acaba -se com aposentadoria dos mais pobres e precariza-se relações de trabalho, jogando salário mínimo para ser reajustado pelo mercado.
Com oferta menor que demanda por emprego, o preço do trabalhador vai ao chão, caminha para zero ou negativo.
Amplia-se desigualdade social, que paralisa produção por falta de consumidor.
Instaura-se subconsumismo, insuficiência total de consumo, prato cheio para rebelião social.
É o retrato neoliberal da América Latina em marcha para o caos.
Felizmente, em Portugal, vence proposta socialista…

https://g1.globo.com/…/equador-transfere-sede-do-governo-de… 

Latinoamerica ferve