Desigualdade social impõe caro estado policial

Desigualdade social, marca registradas dos governos neoliberais de Bolsonaro e Pinera, eleva custo de sustentação do Estado repressor e exige maiores garantias para forças de segurança e repressão atuarem diante de resistências populares, como ocorreram no Equador e ocorrem no Chile, podendo espalhar no Brasil.

Neoliberalismo x Segurança

No capitalismo, tudo é questão de preço, porque tudo é mercantilizado.
E quem, ao final das contas, paga o pato é a população.
Vale para a questão da segurança pública, no contexto neoliberal, de opção pelo mercado, no qual os oligopólios dão as cartas a seu favor para seus lucros serem sempre crescentes.
No caso latino-americano, no momento, em que a casa está caindo para os neoliberais e seus programas de austeridade fiscal, o custo de manutenção deles no poder fica cada vez mais alto.
São obrigados a sustentar cara e poderosa estrutura de segurança pública – polícia militar, polícia civil, exército, marinha, aeronauticas, agentes secretos, serviços de espionagem etc -, com viés repressor, como máquina de guerra.
Os agentes da segurança e repressão, sempre muito bem organizados, exigem preço alto, em nome do risco capaz de garantir eficácia ao neoliberalismo, socialmente, excludente, altamente, concentrador de renda.
Salários das áreas de segurança precisam ser equivalentes ou superiores às mais importantes carreiras de Estado, no ambiente dos podres poderes republicanos, bichados pela corrupção.
Demonstram força, organização e disciplina para aprovar, no Congresso, suas duas maiores reivindicações: reestruturação de suas carreiras e aposentadorias integrais.
O braço armado do Estado nacional ganhou grande proeminência em relação ao poder civil, público e privado, que vê sucumbir direitos e garantias constitucionais, em nome da austeridade neoliberal, imposta pelos credores da dívida pública, maior fonte do déficit fiscal.
Tudo tem que ser sacrificado, menos gastos financeiros com endividamento estatal.
A instabilidade que essa estratégia econômica impõe exige aparato de segurança, capaz de reprimir rebeldias sociais.
Se não for pago aos seus integrantes o preço que reivindicam, para garantir os privilégios de uma minoria, que impõe desigualdade social à maioria, corre-se risco de rebeldias corporativas.
Essa é a exigência das forças de segurança para garantir as medidas neoliberais, impopulares, antinacionais:
1 – reforma trabalhista, que acaba com política de salário mínimo, jogando seu reajuste para o livre mercado, em ritmo de recessão, levando-o a zero ou negativo, na sua expressão máxima do termo;
2 – reforma da Previdência, que abala sistema de seguridade social e fixa novas regras que inviabilizam aposentadoria integral dos mais pobres;
3 – desvinculação de direitos sociais e trabalhistas da Constituição, enquadrando-os nas exigências draconianas da austeridade fiscal, para combater inflação e arrochar salários;
4 – congelamento de gastos públicos por vinte anos, para seguir orientação do FMI/credores, a fim de equilibrar dívida/PIB, à custa de superavit primário, cujas consequências são recessão e desemprego;
5 – aprofundamento de cortes de gastos, detonando estabilidade funcional dos servidores, para possibilitar demissões em massa;
6 – aceleração de abertura econômica, com redução de tarifas, que aumentará importações, dívida, incerteza cambial, desindustrialização, desemprego e instabilidade social etc.
Em tal contexto, cujo resultado é mais desigualdade social e propensão à violência, a nova força política são os líderes das forças de segurança, eleita prioridade número um pelo governo Bolsonaro, no qual 2.500 militares ocupam cargos relevantes no poder executivo, com perfil de estado policial.