Chile faz Mourão alertar Guedes para explosão social

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E agora, Guedes?

Olhaí o receio dos militares sobre o que está acontecendo na América Latina nessas últimas semanas, explosões sociais no Equador, no Chile, Argentina prestes a virar outra página da sua história, Bolívia reafirmando Evo, emergindo contrariedades para Tio Sam e sua Doutrina Monroe, da América para os americanos.
E agora?
O vice-presidente Mourão, no exercício do cargo, enquanto Bolsonaro dá um giro na Ásia e no Oriente Médio, alertou os formuladores da política ultraneoliberal do governo de que o Brasil não está imune.
Os militares brasileiros iriam às ruas descer o cacete no lombo do povo, para garantir o neoliberalismo fracassado e contestado nas ruas?
O general defendeu meio termo: nem tanto ao mar, privatismo exacerbado, como quer o ultraneoliberal Paulo Guedes, nem tanto à terra, estatismo, igualmente, acerbo, como pregam nacionalistas radicais.
Depois da explosão no Equador, chegou a vez do Chile.
Os equatorianos foram às ruas contra o aumento brutal dos preços da gasolina e do diesel, diante da pressão do FMI, favorável à austeridade fiscal radical.
O governo equatoriano de Lenin Moreno não aguentou o rojão popular e teve que recuar.
No Chile, idem.
A população, diante do aumento de passagens, mesmo, irrisório do metrô, foi à luta.
Colocou prá fora a essência do problema, o avanço da desigualdade social, bombeada pelo modelo ultraneoliberal.
Depois de mais de duas dezenas de mortos, milhões nas ruas, Pinera pede água, muda ministério e diz que entendeu o recado das ruas.
Mas, vai atender o que a população já grita a pleno pulmões: nova constituinte, como rola na Venezuela, nesse momento?
Os chilenos nas ruas é contestação à Constituição de Pinochet que vigora até hoje, arrebentando com conquistas e garantias sociais.
As massas, revoltadas, tentam invadir, até, o Congresso.
Ou seja, não acredita nas instituições burguesas, que votam leis que massacram interesses populares.
Não seria exemplo para o Brasil, cujo Congresso aprova reformas que contrariam interesses populares?
Pinera perdeu condições de governar com a Constituição pinocheteana, enquanto, aqui, no Brasil, Bolsonaro tenta pinochetear a Constituição cidadã de 1988.
Pinta, nas ruas, pregação por antecipação de eleições, como acontece no Equador, levando Pinera a voltar atrás, correndo, para não perder governabilidade.
O titular do La Moneda dá sinais de que já está nas cordas.
O pedido de perdão dele foi respondido com mobilização gigante, fato político latino-americano mais importante dos últimos tempos, capaz de impulsionar a esquerda no poder, lá, no Chile, e, também, na Argentina e no Uruguai.
A população está embalada em levar adiante suas reivindicações por melhor qualidade de vida e justiça social.
Se o titular do poder reconhece que ele e seus antecessores erraram é porque está passando da hora de mudar o status quo antipopular.
 

Colapso neoliberal

 
O social, no neoliberalismo, é acessório.
Os neoliberais priorizam, apenas, o econômico e financeiro, cuja sustentação requer ampla especulação.
Não se realiza mais a reprodução do capital, apenas, na produção, em meio ao arrocho geral do poder de compra da população.
Os capitalistas descolam-se da produção para a bolsa, a fim de complementar sua taxa de lucro, que desaba no contexto do subconsumismo capitalista.
As reformas neoliberais são isso aí: destruição geral das garantias e direitos sociais e, especialmente, arrocho salarial, porque o entendimento neoliberal é o de que salário é custo e não renda, que se multiplica na circulação capitalista.
Como o diagnóstico dos neoliberais é o de que a inflação decorre do excesso de consumo, que eleva os preços, cortar salários, então, é reduzir custos, para estabilizar processo inflacionário.
Aí, sim, os preços caem, mas, com eles, como dizem os hermanos argentinos, “todo lo más”.
Vão para o sal emprego, renda, saúde, educação, enquanto avança a fome e a violência, emergindo o contrário da inflação: a deflação, pior inimigo do capitalismo.
Os neoliberais estão provando que o seu receituário produz o pleno emprego.
Realmente, o emprego está sobrando, desde que o trabalhador aceite ganhar o que o capitalismo oferece: salário zero ou negativo, com a reforma trabalhista que aprova no parlamento à custa de corrupção eleitoral.
A tendência é, portanto, o assalariado ou pagar para trabalhar ou se revoltar..
 

Mourão mira Lula

 
Mourão, ao dizer que o social está esquecido, certamente, está lembrando de Lula, que, atrás das grades, grita contra o programa neoliberal de Guedes que está matando o povo de fome e entregando as riquezas nacionais a preço de banana.
Mourão, por linhas tortas, está dizendo, claramente, que o ultraneoliberalismo não dá certo.
O vice está assinando embaixo o modelo lulista, de garantir 3 pratos de comida/dia para os pobres, assegurar salários dignos e programas sociais distributivos de renda etc.
É, com essa estratégia, que o Estado dispõe de arrecadação para tocar programas como Minha Casa Minha Vida, Farmácia Popular, Luz para Todos, investimentos em infraestrutura, sem os quais inexiste desenvolvimento sustentável.
Com o neoliberalismo o investimento público está em ridículos R$ 19 bilhões, previsto no orçamento/2020, para um PIB que se aproxima de R$ 5 trilhões.
Vira alto risco social a austeridade a qualquer custo que propõe cortar R$ 170 bilhões de gastos não financeiros(saúde, educação, segurança, infraestrutura), para garantir pagamento dos gastos financeiros(juros e amortizações da dívida pública a juros compostos, juros sobre juros especulativos etc).
Os especuladores da dívida engolem 40% do Orçamento Geral da União de R$ 2,7 trilhões, realizado, no ano passado.
Tombam, mortalmente, pelo caminho da recessão 13 milhões de trabalhadores desempregados, 30 milhões de desocupados e desalentados e 60 milhões de inadimplentes no SPC.
100 milhões de não consumidores no reinado do subconsumismo neoliberal!
Contrariamente a Bolsonaro, Mourão está entendendo que quem é terrorista não é quem está indo às ruas protestar, mas a política econômica que leva às massas ao protesto, como última alternativa de sobrevivência.