Bolsonaro está atrás de um Delfim

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Fadiga de material

Paulo Guedes já deu o que tinha que dar.

Manter ele no poder é chamar atenção da crítica ao modelo neoliberal que implantou, responsável por 12 milhões de desempregados, 30 milhões de desalentados, 60 milhões de inadimplentes.

Desastre cujas consequências são politicamente explosivas.

Não garante vitória eleitoral, nem em 2020 nem em 2022.

Precisa de nome novo para injetar novo ânimo na classe empresarial e laboral.

Quem seria?

Bolsonaro está vivendo momento muito semelhante ao vivido pelo presidente Figueiredo(1978-1982).

Economia ia mal, principalmente, com o aumento violento do juro americano, de 5% para 20%, em 1979.

Tio Sam  resolveu enxugar dólar puxando juro para evitar desvalorização da moeda americana, na fase pós descolamento do ouro, em 1972.

Os credores, depois da fase de expansão monetária, suspenderam o crédito e cobraram reformas radicais à periferia capitalista endividada.

Simonsen, ministro da Fazenda, porta voz do Citybank, do qual era conselheiro, em Nova York, pregou o discurso da matriz: ajuste fiscal radical – com faz Guedes, hoje.

Delfim, ministro da Agricultura, essencialmente, político, defendeu flexibilização fiscal desenvolvimentista para enfrentar pressão dos credores.

Delfim se ancorava na Fiesp, quando a burguesia industrial brasileira tinha alguma força e o setor industrial representava quase 30% do PIB.

Hoje, vergonha.

A indústria representa menos de 10% do PIB no ambiente em que o investimento está em torno de ridículo 1% do PIB.

Figueiredo optou por Delfim, que, imediatamente, mandou os empresários prepararem suas máquinas.

Aumentou demanda estatal e inflacionou a economia, pressionada pelos banqueiros, que suspenderam empréstimos ao Brasil, jogando os militares no curé da pressão pelas diretas já.

No auge da pressão política pelas diretas, favoráveis à candidatura de Ulisses Guimarães, contra eleição indireta de Tancredo, Delfim deu tacada política decisiva com saída desenvolvimentista.

Acalmou os ânimos contra recessão e desemprego, em tempo de nascimento do PT em São Bernardo, São Paulo.

A emenda das diretas não passou e a indireta foi aprovada.

Foi o suficiente para os brucutus do regime aceitarem vitória política parlamentar que levaria ao fim do regime ditatorial e ascensão da democracia.

No plano econômico, Figueiredo aprendeu, com Delfim, que a política de conciliação das elites é que governa, desde que haja desenvolvimento econômico.

Guedes, como Simonsen redivivo, avesso à política, neoliberal puro, joga para parar a economia e dar novo rumo, mudança de 360º, para o mercado.

É o oposto de Delfim, que joga para as classes produtivas, capital e trabalho, na interação econômico social, sob supervisão estatal-ditatorial – tipo comunismo chinês capitalista – para viabilizar democracia burguesa brasileira.

Guedes é o Simonsen que Bolsonaro quer despachar para encontrar o seu Delfim.

O presidente está sob pressão de suas bases, que estão sem o que apresentar ao eleitor.

Sem obras públicas, aumento de gastos sociais, vitória eleitoral é quimera.

Quem será o novo Delfim, para Bolsonaro garantir reeleição em 2022 e não entrar no colapso argentino de Macri?