Papo reto ou furado com Bial?

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Verdade ou mentira?

 
Valor Econômico informa hoje que os bancos não estão repassando aos clientes os benefícios da redução da taxa de juro básica(selic).
De 2016 a 2019, ela oscilou entre 16,5% a 5,5%, patamar atual.
Esse é o custo que o governo paga para girar sua dívida pública, que, hoje, representa 70% do PIB, contra 50% há cinco anos.
Descontada a inflação, que está em torno de 3,5%, o juro real fica na casa de 2% anuais.
Nos países capitalistas desenvolvidos, desde o crash de 2008, os juros básicos, descontada inflação, mantêm-se entre zero ou negativos.
Dessa forma, sustentam dívidas superiores a 100% do PIB ou mais, 200%, como caso do Japão, sem maiores problemas.
O capitalismo entrou na era do juro negativo, para não implodir dívidas públicas, que puxam a demanda global, levando a economia às hiperinflações.
O cara coloca no banco 100 reais em janeiro, em dezembro terá na sua conta 70 reais.
E ainda bota mão para o céu, porque com economia mundial em baixa, os lucros ficam abaixo dos juros, por aí.
 

Reino da especulação

 
Já no Brasil, terra da agiotagem, o papo é outro.
As empresas e pessoas físicas, mesmo com queda da selic, têm que suportar taxas de 38,5%, que caíram para 37,9%, de maio a agosto.
O juro básico, para elas, não existe, mas, sim, o spread, abusivo.
Se levar em conta que a economia registra crescimento negativo, com desemprego saindo pelo ladrão, derrubando consumo das famílias, que representa 80% do PIB, vê-se que vigora agiotagem pura.
E a coisa é pior para os consumidores.
No crédito rotativo, de maio a agosto, a taxa subiu de 299,8% para 307,2%.
Roubo descarado.
No crédito rotativo renovado, a ferrada, também, é grossa, de 283,7% pulou para 289%.
E para culminar o pior dos mundos, tem o juro do cheque especial, que até caiu, de 318,7% para 306%.
Sai de baixo!

 

Garoto propaganda fantástico

 
É nesse contexto que entra Pedro Bial, garoto propaganda da Federação Brasileira dos Bancos(Febraban).
Fará campanha dominical no Fantástico, para ensinar “Como fazer os juros serem mais baixos no Brasil”.
É caso de polícia, se Brasil fosse país sério.
Essencialmente, a Febraban, no livro que lançou com esse título, conclui que juro só pode realmente cair, se cair, também, o risco dos empréstimos.
Como 60% da população, de acordo com IBGE, estão dependurados no SPC, proibidos de comprar no crediário, os juros, certamente, não cairão, porque o risco se mantém nas estratosferas para o consumidor.
A política econômica neoliberal em vigor é pró-juros e não anti-juro.
Do total do orçamento geral da União, de R$ 2,9 trilhões, em 2018/2019, R$ 1,4 trilhão, 40% destinam-se ao pagamento de juros e amortizações da dívida(despesas financeiras), enquanto o restante, 60%, é despesa não financeira, que está congelada por 20 anos, submetida à PEC do Teto.
É a austeridade fiscal, baixada pelo golpe político de 2016, pelos neoliberais, com Temer e, agora, com Bolsonaro, teleguiados pelos credores, por Wall Street.
 

Consumo achatado

 
Não há, com o congelamento de gastos sociais, renda disponível para o consumo, o que, naturalmente, aprofunda desigualdade social.
Até os economistas tucanos, verdadeiros banqueiros de calça curta, estão apavorados, por temerem aprofundamento da desigualdade social, espantalho dos investidores.
Desigualdade extrema em marcha sinaliza convulsão social, no ambiente da desindexação das despesas sociais e do salário mínimo da correção pela inflação e crescimento do PIB, como vigorou até 2015.
Ora, nesse ambiente, o risco para o credor é cada vez maior diante do devedor inadimplente.
Como derrubar juro, se o risco sobe?
Bial convencerá a população com as mentiras da Febraban?
 

Era uma vez o repórter

 
Luiz Gutemberg, consagrado repórter, autor de “A gata parida”, que desnudou os bastidores da ditadura de 64, irritou, certa vez, a classe dos publicitários ao dizer que se trata de profissionais da mentira.
Pedro Bial, que, um dia, foi excelente repórter, coloca seu prestígio a serviço da enganação da população, em troca, claro, de grana, muita grana.
A Rede Globo, onde Bial trabalha, ganha ou perde credibilidade?
No código de ética da empresa, os profissionais da comunicação são, parece, proibidos de ser garotos-propaganda.
Recentemente, Dony de Nuccio, apresentador do telejornal Hoje, foi despachado, porque confundiu as bolas.
Fazia o jornal e ganhava grana preta servindo-se a banca com sua empresa.
Os repórteres famosos da emissora dão palestras e ganham muito bem por isso.
Fazem pé-de-meia milionário.
Bial é a representação essencial da Rede Globo que a Febraban passa a usar para vender mentira no Fantástico.