Militares querem reservas para atacar desemprego

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Dinheiro empoçado

Exclusivo – O general Luis Eduardo Ramos, secretário de Governo, braço direito do presidente Bolsonaro, está cada vez mais preocupado com a crise econômica.
Evidencia, claramente, o estado de ânimo dos militares, relativamente, à política ultraneoliberal tocada por Paulo Guedes, cujas consequências são redução do consumo, desemprego e fechamento de empresas em escala incontrolável, podendo haver, nesse ano, crescimento negativo do PIB.
Com parlamentares da base governista, o general Ramos tem destacado conveniência de serem utilizadas reservas cambias e sobras de caixas dos bancos privados recolhidos ao BC em troca de títulos da dívida, para promover desenvolvimento.
São cerca de R$ 4 trilhões de recursos empoçados, que só dão despesa ao governo e lucros especulativos aos banqueiros, compradores dos títulos do tesouro.
As reservas cambiais, em torno de 380 bilhões de dólares, aplicadas, nos títulos da dívida americana, não rendem nada.
Hoje, nos Estados Unidos, os juros estão negativos, descontada a inflação, que, também, está no chão.
O presidente Trump, nesse momento, briga com o BC americano, cobrando dele mais redução nas taxas, para aliviar o caixa das famílias, das empresas e, claro, do governo, cuja dívida pública se aproxima dos 30 trilhões de dólares.
Nessa quinta feira, Trump deu mais um puxão de orelha no Federal Reserve, lembrando ao seu presidente, Jerome Powell, que o BC europeu reduziu o juro de 0,4% negativo, para 0,5% negativo, objetivando forçar bancos a jogarem dinheiro na circulação, para aquecer economia.
 

Armadilha da liquidez

O capitalismo vive, atualmente, armadilha da liquidez, com dinheiro sobrando, mas com economia mergulhada na paralisia.
É o fenômeno que acontece no Japão há quase três décadas.
No mundo em guerra comercial, Europa resolveu jogar mais agressivamente para enfrentar concorrência internacional.
Há, ainda, receio geral de que os chineses, com mais de 4 trilhões de dólares em caixa, joguem parte dessa grana na circulação global.
Seria fatal para o dólar, desatando guerra monetária.
Nesse contexto, as reservas cambiais brasileiras, paradas, sem serventia alguma na produção de bens e serviços, podem, se se intensificar guerra monetária global, cair à metade, ou menos, ainda.
O governo teria perdido, caso isso ocorra, oportunidade de alavancar, fortemente, a economia, em nome de austeridade fiscal, cujo beneficiado é, apenas, o mercado financeiro especulativo.
 

Escassez especulativa

Outra fonte de preocupação do general Ramos, segundo parlamentar governista, que com ele conversou, são os depósitos voluntários que os bancos jogam no BC em troca de títulos, ganhando sem fazer força, enquanto a economia está estagnada.
São cerca de R$ 1,4 trilhão que ficam parados nos caixas dos bancos privados, transformados em “depósitos voluntários” jogados no BC, para render taxa selic.
Se esse dinheiro fosse para o mercado, haveria queda forte das taxas de juros, de modo a girar, mais, aceleradamente, a produção e o consumo.
O BC, ao recolher as sobras bancárias diárias, produz escassez artificial, especulativa, de moeda na circulação, a fim de manter altas as taxas de juros e, claro, os lucros extorsivos dos bancos, em prejuízo da economia.
O Congresso, para o parlamentar interlocutor do general, tem que tomar a dianteira da discussão econômica, para romper a austeridade fiscal, cujas consequências, se for mantida a ferro e fogo, são levar o país para o caminho da Argentina, onde a população, desempregada, assalta supermercados.
Por aqui, com 13 milhões de desempregados, 30 milhões de desocupados e 63 milhões de inadimplentes no SPC, o país vai se transformando em barril de pólvora.
Os militares já pressionam Guedes a buscar alternativa a esse sufoco neoliberal economicida.