Capitalismo ingênuo tupiniquim destrói a si próprio

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Visão prática do engenheiro

Converso com empresário e engenheiro capixaba, no aniversário de sua netinha, sobre bancarrota das empreiteiras nacionais.

Veio de Vitória para se regalar.

É antipetista e votou em Bolsonaro.

Acredita ainda que ele vai colocar o país nos trilhos.

Ele considera Bolsonaro “pros côco”, definindo o estilo presidencial, como o de  jogar prá frente, o que o Brasil precisa.

O problema é que o país, com Bolsonaro, não está indo prá frente, mas para trás.

Ninguém merece desemprego, violência, miséria, pessimismo social crescente, desalento etc, receio dos investidores, paralisia do consumo etc.

Mas, o empresário engenheiro, embora bolsonarista, por conveniência tucana, tem saudade de Lula.

Ligado à economia litorânea, tem, como engenheiro de obras, visão internacionalista das ações diplomáticas e econômicas do governo.

Comunga com os americanos.

Eles, diz, avançam pelo mundo todo e estabelecem relações comerciais.

Levam junto suas empresas, com o poder do dólar, que tem por trás a força militar.

Lula seguiu exemplo americano: nacionalismo

O governo Lula, apesar da corrupção nas estatais, ressalta, jogou certo na área internacional.

Lançou as empresas nacionais para o mundo.

Aumentou competitividade delas, nas relações de trocas globais, apoiadas pelo BNDES.

O Eximbank americano, lembra, faz exatamente isso: bombeia as empresas com subsídios internos para reduzir custos de produção e elevar capacidade de concorrência.

É a tônica da nova guerra comercial global.

Destruição das empresas, destruição da soberania

A destruição das empreiteiras nacionais, pela Operação Lavajato, fragiliza Brasil na guerra comercial e afeta soberania nacional, destaca pragmático empresario engenheiro capixaba.

Com apoio estatal, os empresários alavancaram negócios no exterior.

Lula fez como Geisel, dinamizando a indústria de defesa, exportando máquinas para o Oriente Médio.

Usou as armas do BNDES.

Os dividendos do comércio exterior juntam com os do mercado interno para aumentar investimentos, lembra o engenheiro empresário.

Paralelamente, argumenta, o avanço empresarial se dá, no terreno da engenharia, com ampliação do conhecimento tecnológico e científico, colocados a serviço da produção e da produtividade.

Lá fora, com apoio do governo, as empresas ganham musculatura para fazer negócios e ganhar dividendos.

Como dividendo, o empresário capixaba entende ser a economia do conhecimento, para desenvolver engenharia, planejamento, organização e disciplina.

A indústria, diz, é a etapa da maturidade da humanidade em conquistar por si mesma os mecanismos de transformação do mundo.

Sem as empresas, impulsionadas pelo governo, não há avanço, no comércio exterior, mas retrocesso.

Legislação burlada

Tem o negócio da corrupção, que alcançou níveis recordes nos tempos do PT, diz.

Mas a corrupção não é partidária, concorda, está entranhada legalmente no estado por meio da legislação 8666 que coordena concorrências no Brasil.

Vem de longe.

Ninguém respeita a 8666, para adaptá-la aos editais a fim de garantir vitória mediante compra da burocracia estatal.

Quem são os agentes da negociação público-privada?

O estado e as empresas.

Mas não é essa institucionalidade que negocia.

São as pessoas.

Por isso, têm que separadas as coisas: agente privado do agente do estado e empresa do empresário.

A empresa é produto da organização do estado.

A corrupção da empresa é a corrupção do estado e vice-versa.

Corrupção e crescimento econômico

Ela se aprofunda nas relações econômicas competitivas em meio à legislação surreal.

Quanto mais obras o governo toca, mais relações estado-empresas, mais negociações público-privadas, mais corrupção.

Os preços da negociação público privada são necessariamente altos para garantir investimentos cujos retornos são longos e os riscos permanentemente altos, na economia brasileira, eterna dependente de poupança externa a juros flutuantes.

O estado, no regime que fixa e emite moeda, é, essencialmente, capital, poder sobre coisas e pessoas.

Nesse contexto, se pinta a corrupção, imbricada com o desenvolvimento das forças produtivas, qual a saída?

Punir os agentes, pessoas, no processo de negociação, ou destruir as forças institucionais, as empresas, fruto de legislação construída pelo estado?

Estado do cinismo necessário

O Brasil ainda não entrou no cinismo do capitalismo das potências do norte que legaliza tudo, até a corrupção, pela lei do lobby.

Quem muito bateu por essa lei no Brasil foi o ex-vice-presidente da República, Marco Maciel, no governo FHC.

Liberal convicto, Maciel se tornou apóstolo do lobby.

A lei do lobby doura a pílula, evita o epíteto da corrupção que carrega a relação estado-empresa, no capitalismo.

Um dos grandes erros do PT no poder foi o de não seguir o conselho do conservador pernambucano Marco Maciel, gênio da política nacional.

E a lei do Lobby até hoje não saiu.

Católico praticante, Maciel aquietava sua consciência culpada por estar no meio da corrupção com proposição acomodatícia, escapista, malandra, segundo lei de César: não basta a mulher de César ser honesta, tem parecer honesta.

A esquerda, se acompanhasse o genial conservador pernambucano, não estaria sendo, hoje, culpada de corrupta.

O lobby, essencialmente, é uma sabedoria católica.

Sabedoria popular