Eleição descongela teto de gasto

PEC da morte inviabiliza governabilidade

O dia foi nervosíssimo na Fazenda, na Câmara e no Planalto. Não apenas porque o presidente Bolsonaro fez aquele papelão vergonhoso com a presidente Bachelet, que escandalizou o mundo. Tremenda baixaria. Não.  O nervosismo ficou por conta da tomada de consciência de Bolsonaro de que está  com bomba atômica da PEC da morte no colo pronta para explodir. O congelamento dos gastos sociais que paralisa a economia joga o sonho da reeleição para as calendas gregas e apavora candidatos às prefeituras, no próximo ano. A oposição está  feliz da vida, vendo o barco bolsonarista afundar. Aí , Bolso caiu na real, mandou o ministro Ônix dizer que cogita detonar a PEC da morte, e à tarde saiu do Planalto e foi à Fazenda conversar com Paulo Guedes. Conversar o que? Claro, que ele dê um jeito nesse fantasma da morte que o ameaça. Guedes,  homem do mercado, maior beneficiado com o teto neoliberal dos gastos, pois só sobra dinheiro para pagar juros da dívida, tremeu nas bases. Pediu socorro ao deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, também, homem da banca. Botafogo, como  Maia é  conhecido, declarou que mexer na PEC é impossível. Não  é  o que disse faz algumas semanas. Tinha admitido mexer nessa caixa de marimbondo, depois da reforma da Previdência, atendida a demanda dos bancos, maiores interessados no fim do sistema de seguridade social. Queria faturar esse anúncio. Haveria relaxamento na austeridade fiscal. Ganharia pontos políticos, faturaria na sua pretensão de sair como salvador da pátria. Bolsonaro, que não é  besta, disse: essa é  pra mim, deixa que eu bato esse pênalti . Por que deixaria para Maia? Descongelar gastos sociais põe  economia para respirar, cria expectativa positiva, alivia pressão dos aliados inquietos. Melhoraria, portanto, a imagem de Boso, que já  está suja como puleiro de pato. Pô, mas não era para o congelamento durar 20 anos? Era! Mas, na teoria. Na prática, a teoria é  outra. O congelamento neoliberal, portanto, está  indo para o sal. Não  está dando para segurar. A água bateu na bunda. Bolsonaro quer faturar o descongelamento, quando cresce, no Congresso, discurso pela retomada da produção e do consumo, tirando-os da geladeira. Senão não ganha eleição. Mais do que nunca o presidente está  precisando dessa notícia.  Os aliados já  estão todos de olho nas municipais de 2020. Guedes virou empecilho com sua terapia ortodoxa. Ônix deve vencer essa parada. Neoliberalismo não ganha eleição. Olha Argentina aí.